O ministro do Exterior do regime chavista da Venezuela, Jorge Arreaza, declarou ontem que o presidente Iván Duque Márquez tem exclusiva responsabilidade pelo anúncio de três líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) de que pretendem voltar à luta armada.
"É inacreditável que Iván Duque tenha a audácia de tentar atribuir a terceiros países e terceiras pessoas sua exclusiva responsabilidade por desmantelar o processo de paz e não cumprir os compromissos assumidos pelo Estado colombiano", protestou o chanceler da ditadura de Nicolás Maduro.
Em vídeo divulgado há dois dias, o subcomandante e principal negociar das agora desmobilizadas FARC, Iván Márquez, defendeu o retorno à luta armada citando como razão os assassinatos de mais de 500 ativistas de causas sociais e 150 ex-guerrilheiros.
A onda de assassinatos lembra o que aconteceu com a União Patriótica, um partido fundado em 1985 em meio a outro processo de paz que teve 4 mil militantes mortos, inclusive dois candidatos à Presidência da Colômbia.
O presidente colombiano atribuiu a volta da guerrilha ao apoio que os grupos rebeldes, as FARC e o Exército de Libertação Nacional (ELN), recebem do regime chavista: "Nós, colombianos, devemos ser claros. Não estamos vendo o nascimento de um novo movimento guerrilheiro, mas ameaças de um banco de narcoterroristas que aproveitam a hospitalidade da ditadura de Nicolás Maduro."
"Lamentamos profundamente o que está acontecendo na Colômbia... uma espiral de violência de décadas. Não foi a Venezuela que começou. Começou porque a oligarquia colombiana matou Jorge Eliécer Gaitán [em 1948]. Foi como iniciou. O que a Venezuela tem a ver com isso? Nada", afirmou o vice-presidente Diosdado Cabello, o número dois do regime chavista.
A ruptura do acordo de paz foi parcial. O principal líder político das FARC, Rodrigo Londoño, vulgo Timochenko, manteve o compromisso com o acordo de paz firmado em 2016. O ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos, que assinou o acordo, declarou que "ninguém detém o trem da paz."
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 31 de agosto de 2019
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Líderes das FARC anunciam volta à luta armada
Três líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) denunciaram o acordo de paz assinado em 2016 com o presidente Juan Manuel Santos e anunciaram a volta à luta armada.
Luciano Marín Aragón, que usa o nome de guerra de Iván Márquez, o principal negociador das FARC; o ex-deputado Seuxis Pausias Hernández, de nome de guerra Jesús Santrich; e o ex-comandante Hernán Darío Velázquez Saldarriaga, mais conhecido como El Paisa; divulgaram vídeo protestando contra o rumo que o processo de paz tomou no atual governo, do presidente conservador Iván Duque Márquez, aliado do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, um dos maiores adversários do acordo.
O presidente Iván Duque ordenou a prisão dos três e ofereceu uma recompensa de 3 milhões de pesos colombianos, pouco mais de 3 mil e 500 reais, por informações sobre o paradeiro dos rebeldes. Meu comentário:
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Luciano Marín Aragón, que usa o nome de guerra de Iván Márquez, o principal negociador das FARC; o ex-deputado Seuxis Pausias Hernández, de nome de guerra Jesús Santrich; e o ex-comandante Hernán Darío Velázquez Saldarriaga, mais conhecido como El Paisa; divulgaram vídeo protestando contra o rumo que o processo de paz tomou no atual governo, do presidente conservador Iván Duque Márquez, aliado do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, um dos maiores adversários do acordo.
O presidente Iván Duque ordenou a prisão dos três e ofereceu uma recompensa de 3 milhões de pesos colombianos, pouco mais de 3 mil e 500 reais, por informações sobre o paradeiro dos rebeldes. Meu comentário:
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
Líder das FARC lamenta ter entregue as armas
Um dos principais negociadores das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Iván Márquez, considera ter sido um erro entregar as armas antes de obter garantias de que o governo iria cumprir todos os pontos do acordo de paz assinado em 2016, noticiou hoje o jornal El Colombiano, de Medellín.
Este tipo de declaração pode levar centenas ou até milhares de ex-guerrilheiros a abandonar o processo de paz e aderir a organizações criminosas.
No ano passado, foi eleito presidente Iván Duque, um linha-dura apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe. Ambos discordam de vários aspectos do acordo de paz, como a anistia aos ex-guerrilheiros, o tribunal especial e a integração de ex-rebeldes à vida política. No poder, Duque está desacelerando o processo de paz.
Com as negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN), que era o segundo maior grupo guerrilheiro do país, estagnadas, aumenta o risco de que ex-rebeldes das FARC abandonem o acordo de paz e entrem para o ELN.
Este tipo de declaração pode levar centenas ou até milhares de ex-guerrilheiros a abandonar o processo de paz e aderir a organizações criminosas.
No ano passado, foi eleito presidente Iván Duque, um linha-dura apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe. Ambos discordam de vários aspectos do acordo de paz, como a anistia aos ex-guerrilheiros, o tribunal especial e a integração de ex-rebeldes à vida política. No poder, Duque está desacelerando o processo de paz.
Com as negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN), que era o segundo maior grupo guerrilheiro do país, estagnadas, aumenta o risco de que ex-rebeldes das FARC abandonem o acordo de paz e entrem para o ELN.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
FARC se registram como partido para disputar eleições de 2018
Altos dirigentes das agora desmobilizadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) registraram o grupo oficialmente ontem no Conselho Nacional Eleitoral, em Bogotá, como partido político, um dos pontos centrais do acordo de paz para acabar com quase 70 anos de guerra civil no país. O novo partido, as Forças Alternativas Revolucionárias do Comum, mantém a sigla FARC.
"Entregamos toda a documentação, inclusive o certificado de entrega das armas do Mecanismo de Monitoramento das Nações Unidas e os outros documentos exigidos pela legislação", declarou o dirigente Jairo Estrada.
Os ex-guerrilheiros preparam agora lista de candidatos do partido à Câmara e ao Senado. Ainda não decidiram se lançam candidato à Presidência. O subcomandante Iván Márquez, principal negociador das FARC, disse que o grupo está pronto a trabalhar com outros partidos para "superar a ordem social antiga e injusta".
Mais de 500 mil pessoas morreram desde que o assassinato do candidato liberal à Presidência da Colômbia Jorge Eliécer Gaitán foi morto em Bogotá, em 9 de abril de 1948. Mais de 2 mil pessoas foram mortas nos dias seguintes, no chamado Bogotazo, e entra 200 e 300 mil na década seguinte, conhecida na Colômbia como o período de La Violencia.
Naquela época, as oposições liberais e de esquerda foram para a clandestinidade para lutar contra o conservadorismo colombiano. No meio da guerra civil, em 1964, nasceram as FARC, como braço armado do Partido Comunista Colombiano, alinhado à União Soviética.
Com o declínio do comunismo como ideologia e o fim da URSS, em 1991, as FARC acabaram se aliando a máfias do tráfico de drogas para financiar a luta armada. Isso permitiu sua sobrevivência muito além dos outros grupos guerrilheiros de esquerda que tentaram tomar o poder na América Latina.
"Entregamos toda a documentação, inclusive o certificado de entrega das armas do Mecanismo de Monitoramento das Nações Unidas e os outros documentos exigidos pela legislação", declarou o dirigente Jairo Estrada.
Os ex-guerrilheiros preparam agora lista de candidatos do partido à Câmara e ao Senado. Ainda não decidiram se lançam candidato à Presidência. O subcomandante Iván Márquez, principal negociador das FARC, disse que o grupo está pronto a trabalhar com outros partidos para "superar a ordem social antiga e injusta".
Mais de 500 mil pessoas morreram desde que o assassinato do candidato liberal à Presidência da Colômbia Jorge Eliécer Gaitán foi morto em Bogotá, em 9 de abril de 1948. Mais de 2 mil pessoas foram mortas nos dias seguintes, no chamado Bogotazo, e entra 200 e 300 mil na década seguinte, conhecida na Colômbia como o período de La Violencia.
Naquela época, as oposições liberais e de esquerda foram para a clandestinidade para lutar contra o conservadorismo colombiano. No meio da guerra civil, em 1964, nasceram as FARC, como braço armado do Partido Comunista Colombiano, alinhado à União Soviética.
Com o declínio do comunismo como ideologia e o fim da URSS, em 1991, as FARC acabaram se aliando a máfias do tráfico de drogas para financiar a luta armada. Isso permitiu sua sobrevivência muito além dos outros grupos guerrilheiros de esquerda que tentaram tomar o poder na América Latina.
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quarta-feira, 8 de julho de 2015
FARC declaram novo cessar-fogo unilateral na Colômbia
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciaram hoje uma trégua unilateral de um mês a partir de 20 de julho de 2015 para dar um impulso às negociações de paz com o governo colombiano, informou o sítio de notícias Infolatam. O presidente Juan Manuel Santos está avaliando a proposta. Ele pediu compromissos específicos da guerrilha esquerdista.
"Atendendo ao espírito do chamado dos garantidores do processo de paz, Cuba e Noruega, e dos países que o acompanham, Venezuela e Chile, anunciamos nossa disposição de ordenar um cessar-fogo unilateral a partir de 20 de julho, por um mês", declarou um comunicado do Secretariado do Estado-Maior das FARC lido em Havana por Luciano Marín Arango, mais conhecido como Iván Márquez, o subcomandante geral das FARC.
O presidente Santos reagiu no Twitter: "Queremos acabar com esse conflito o mais rapidamente possível." Para isso, acrescentou, é preciso acelerar o diálogo, "especialmente no tema da justiça".
Um dos maiores problemas para um acordo de paz é como serão punidos os guerrilheiros e militares que cometeram crimes de guerra. Alguns guerrilheiros se recusam a entregar as armas e ir para prisão.
As Nações Unidas consideraram a trégua um "passo significativo", mas o ex-presidente linha-dura Álvaro Uribe, que infligiu derrotas militares importantes às FARC, exige a criação uma zona para concentrar os guerrilheiros numa zona rural onde não haja população civil, longe das fronteiras, "de tamanho prudente e que não seja estratégica para a economia nacional".
Em 20 de dezembro de 2014, as FARC declararam uma trégua unilateral por prazo indeterminado. Com o cessar-fogo, o presidente suspendeu em março os bombardeios aéreos contra os acampamentos da guerrilha. Um ataque rebelde contra um pelotão do Exército no Departamento de Cauca que matou 11 militares, em 15 de abril de 2015, marcou o fim da trégua.
As FARC suspenderam o cessar-fogo em 22 de maio, depois de um bombardeio que matou 27 guerrilheiros.
"Atendendo ao espírito do chamado dos garantidores do processo de paz, Cuba e Noruega, e dos países que o acompanham, Venezuela e Chile, anunciamos nossa disposição de ordenar um cessar-fogo unilateral a partir de 20 de julho, por um mês", declarou um comunicado do Secretariado do Estado-Maior das FARC lido em Havana por Luciano Marín Arango, mais conhecido como Iván Márquez, o subcomandante geral das FARC.
O presidente Santos reagiu no Twitter: "Queremos acabar com esse conflito o mais rapidamente possível." Para isso, acrescentou, é preciso acelerar o diálogo, "especialmente no tema da justiça".
Um dos maiores problemas para um acordo de paz é como serão punidos os guerrilheiros e militares que cometeram crimes de guerra. Alguns guerrilheiros se recusam a entregar as armas e ir para prisão.
As Nações Unidas consideraram a trégua um "passo significativo", mas o ex-presidente linha-dura Álvaro Uribe, que infligiu derrotas militares importantes às FARC, exige a criação uma zona para concentrar os guerrilheiros numa zona rural onde não haja população civil, longe das fronteiras, "de tamanho prudente e que não seja estratégica para a economia nacional".
Em 20 de dezembro de 2014, as FARC declararam uma trégua unilateral por prazo indeterminado. Com o cessar-fogo, o presidente suspendeu em março os bombardeios aéreos contra os acampamentos da guerrilha. Um ataque rebelde contra um pelotão do Exército no Departamento de Cauca que matou 11 militares, em 15 de abril de 2015, marcou o fim da trégua.
As FARC suspenderam o cessar-fogo em 22 de maio, depois de um bombardeio que matou 27 guerrilheiros.
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