O ministro do Exterior do regime chavista da Venezuela, Jorge Arreaza, declarou ontem que o presidente Iván Duque Márquez tem exclusiva responsabilidade pelo anúncio de três líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) de que pretendem voltar à luta armada.
"É inacreditável que Iván Duque tenha a audácia de tentar atribuir a terceiros países e terceiras pessoas sua exclusiva responsabilidade por desmantelar o processo de paz e não cumprir os compromissos assumidos pelo Estado colombiano", protestou o chanceler da ditadura de Nicolás Maduro.
Em vídeo divulgado há dois dias, o subcomandante e principal negociar das agora desmobilizadas FARC, Iván Márquez, defendeu o retorno à luta armada citando como razão os assassinatos de mais de 500 ativistas de causas sociais e 150 ex-guerrilheiros.
A onda de assassinatos lembra o que aconteceu com a União Patriótica, um partido fundado em 1985 em meio a outro processo de paz que teve 4 mil militantes mortos, inclusive dois candidatos à Presidência da Colômbia.
O presidente colombiano atribuiu a volta da guerrilha ao apoio que os grupos rebeldes, as FARC e o Exército de Libertação Nacional (ELN), recebem do regime chavista: "Nós, colombianos, devemos ser claros. Não estamos vendo o nascimento de um novo movimento guerrilheiro, mas ameaças de um banco de narcoterroristas que aproveitam a hospitalidade da ditadura de Nicolás Maduro."
"Lamentamos profundamente o que está acontecendo na Colômbia... uma espiral de violência de décadas. Não foi a Venezuela que começou. Começou porque a oligarquia colombiana matou Jorge Eliécer Gaitán [em 1948]. Foi como iniciou. O que a Venezuela tem a ver com isso? Nada", afirmou o vice-presidente Diosdado Cabello, o número dois do regime chavista.
A ruptura do acordo de paz foi parcial. O principal líder político das FARC, Rodrigo Londoño, vulgo Timochenko, manteve o compromisso com o acordo de paz firmado em 2016. O ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos, que assinou o acordo, declarou que "ninguém detém o trem da paz."
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 31 de agosto de 2019
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
Ditadura de Maduro prende ex-chefe do serviço secreto da Venezuela
O ex-diretor do Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin) Gustavo González López foi preso e levado para a Diretório Geral de Contrainteligência Militar (Dgcim) da Venezuela, informou hoje o boletim de notícias Noticiero Digital. A notícia não foi confirmada.
González López, ligado ao presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, considerado o número dois do regime chavista, foi afastado da direção do Sebin em 26 de outubro. Pode estar apenas depondo.
De acordo com o jornal El Nuevo Heraldo, é uma manobra da ditadura comunista de Cuba para diminuir o poder de Cabello. Quando Chávez estava morrendo e precisava indicar um sucesso, Fidel Castro preferiu Maduro.
A queda de González López é um sinal de divisão na ditadura de Nicolás Maduro, no momento em que o o governo venezuelano recorre ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em busca de ajuda alimentar para a população faminta e dependente do carnê de racionamento do regime.
Com queda do produto interno bruto pela metade nos últimos 5 anos, inflação prevista para chegar a 1.800.000% em 2018, desabastecimento generalizado e mais de 80% da população na miséria, a Venezuela vive a pior crise econômica de uma economia em desenvolvimento nas últimas décadas.
Mais de 4 milhões de pessoas fugiram do país nos últimos anos. A expectativa é de uma revolta iminente dentro do regime, que cooptou as Forças Armadas, para derrubar Maduro, considerado o pior chefe de governo hoje no mundo.
González López controlou o Ministério do Interior e o Sebin de 2014 a 2016. Seu afastamento seria resultado de uma luta interna pelo poder entre Cabello e o vice-presidente Tareck al-Aissami.
Uma televisão venezuelana noticiou que o ex-subdiretor do Sebin Carlos González, detido há uma semana, também estaria sendo interrogado. Ele estaria numa cela com generais aliados do finado caudilho Hugo Chávez que caíram em desgraça sob Maduro.
González López, ligado ao presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, considerado o número dois do regime chavista, foi afastado da direção do Sebin em 26 de outubro. Pode estar apenas depondo.
De acordo com o jornal El Nuevo Heraldo, é uma manobra da ditadura comunista de Cuba para diminuir o poder de Cabello. Quando Chávez estava morrendo e precisava indicar um sucesso, Fidel Castro preferiu Maduro.
A queda de González López é um sinal de divisão na ditadura de Nicolás Maduro, no momento em que o o governo venezuelano recorre ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em busca de ajuda alimentar para a população faminta e dependente do carnê de racionamento do regime.
Com queda do produto interno bruto pela metade nos últimos 5 anos, inflação prevista para chegar a 1.800.000% em 2018, desabastecimento generalizado e mais de 80% da população na miséria, a Venezuela vive a pior crise econômica de uma economia em desenvolvimento nas últimas décadas.
Mais de 4 milhões de pessoas fugiram do país nos últimos anos. A expectativa é de uma revolta iminente dentro do regime, que cooptou as Forças Armadas, para derrubar Maduro, considerado o pior chefe de governo hoje no mundo.
González López controlou o Ministério do Interior e o Sebin de 2014 a 2016. Seu afastamento seria resultado de uma luta interna pelo poder entre Cabello e o vice-presidente Tareck al-Aissami.
Uma televisão venezuelana noticiou que o ex-subdiretor do Sebin Carlos González, detido há uma semana, também estaria sendo interrogado. Ele estaria numa cela com generais aliados do finado caudilho Hugo Chávez que caíram em desgraça sob Maduro.
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
Negociador americano vai à Venezuela mediar entre governo e oposição
O mediador americano Jim Tull esteve em Caracas na semana passada para tentar restabelecer o diálogo entre a ditadura de Nicolás Maduro e a oposição da Venezuela, revelou ontem o Escritório de Washington para a América Latina (WOLA), uma organização não governamental que promove a democracia, os direitos humanos e a justiça social na região.
A visita sinaliza um desejo do regime chavista de retomar o diálogo e de abrir um canal de comunicação com os Estados Unidos, encaminhando uma possível transição para a volta da democracia.
O governo Donald Trump deixou claro que sua política para a Venezuela é mudança de regime, o que bloqueia qualquer contato direto.
Ao afastar o diretor do Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), general Gustavo González López, ligado ao presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, considerado o número dois do regime, Maduro indica uma divisão no chavismo no momento em que a economia entra em colapso, na pior crise da história recente de um país em desenvolvimento.
A economia encolheu à metade nos últimos cinco anos, a inflação deve chegar a 1.800.000% ao ano, o desabastecimento é generalizado e mais de 80% da população caíram na miséria.
O novo comandante é Christopher Figuera, ex-chefe do Centro para Segurança Nacional e Proteção, um serviço de inteligência criado por Maduro em 2013.
Através de González López, Cabello controlava as forças de segurança interna. Sua queda enfraquece o presidente da ANC na luta intestina pelo poder dentro do regime.
Cabello é um militar nacionalista do núcleo inicial do Movimento Nacionalista Bolivarista, que tentou dar um golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez em 4 de fevereiro de 1992 sob a liderança de Hugo Chávez. Sonhava em suceder Chávez.
Maduro, um motorista e sindicalista, foi o escolhido pelo ditador cubano Fidel Castro, mentor político de Chávez depois que chegou ao poder. Medíocre o incompetente, transformou o país numa terra arrasada.
Por enquanto, os dois vão continuar co-governando o país por medo de uma queda do regime, que os levaria à prisão. Em algum momento, é provável que jovens oficiais que não se beneficiam da corrupção generalizada do governo desastroso de Maduro, deem um golpe de Estado.
O regime chavista está desabando, mas a rebelião terá de vir de dentro das Forças Armadas, avalistas do madurismo.
A visita sinaliza um desejo do regime chavista de retomar o diálogo e de abrir um canal de comunicação com os Estados Unidos, encaminhando uma possível transição para a volta da democracia.
O governo Donald Trump deixou claro que sua política para a Venezuela é mudança de regime, o que bloqueia qualquer contato direto.
Ao afastar o diretor do Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), general Gustavo González López, ligado ao presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, considerado o número dois do regime, Maduro indica uma divisão no chavismo no momento em que a economia entra em colapso, na pior crise da história recente de um país em desenvolvimento.
A economia encolheu à metade nos últimos cinco anos, a inflação deve chegar a 1.800.000% ao ano, o desabastecimento é generalizado e mais de 80% da população caíram na miséria.
O novo comandante é Christopher Figuera, ex-chefe do Centro para Segurança Nacional e Proteção, um serviço de inteligência criado por Maduro em 2013.
Através de González López, Cabello controlava as forças de segurança interna. Sua queda enfraquece o presidente da ANC na luta intestina pelo poder dentro do regime.
Cabello é um militar nacionalista do núcleo inicial do Movimento Nacionalista Bolivarista, que tentou dar um golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez em 4 de fevereiro de 1992 sob a liderança de Hugo Chávez. Sonhava em suceder Chávez.
Maduro, um motorista e sindicalista, foi o escolhido pelo ditador cubano Fidel Castro, mentor político de Chávez depois que chegou ao poder. Medíocre o incompetente, transformou o país numa terra arrasada.
Por enquanto, os dois vão continuar co-governando o país por medo de uma queda do regime, que os levaria à prisão. Em algum momento, é provável que jovens oficiais que não se beneficiam da corrupção generalizada do governo desastroso de Maduro, deem um golpe de Estado.
O regime chavista está desabando, mas a rebelião terá de vir de dentro das Forças Armadas, avalistas do madurismo.
terça-feira, 26 de junho de 2018
UE impõe sanções a nove altos funcionários da Venezuela
Enquanto o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, viaja pela América Latina para articular a oposição à ditadura de Nicolás Maduro, o Conselho de Ministros da União Europeia anunciou ontem sanções contra nove novos altos funcionários da Venezuela, inclusive o congelamento de bens e a proibição de entrar em território comunitário.
Um dos alvos é a vice-presidente Delcy Eloína Rodríguez, que recentemente cedeu a presidente da Assembleia Nacional Constituinte a Diosdado Cabello, considerado o número dois do regime chavista.
Pelo Twitter, Delcy Rodríguez repudiou as sanções: "Nenhuma ameaça, extorsão, medida arbitrária ou chantagem me desviarão do meu compromisso com a história de liberdade, dignidade e soberania que nos legou [o libertador Simón] Bolívar. Jamais o velho mundo imperial nem poder nenhum dobrará minha determinação como venezuelana de amar a terra onde nasci."
Em tom de ironia, a vice-presidente da Venezuela "autorizou" a comissária de Relações Exteriores da UE, Federica Mogherini, a dispor dos "supostos bens, que não existem, e os destine à crise migratória que geraram com suas políticas belicistas, racistas e xenófobas."
Um dos alvos é a vice-presidente Delcy Eloína Rodríguez, que recentemente cedeu a presidente da Assembleia Nacional Constituinte a Diosdado Cabello, considerado o número dois do regime chavista.
Pelo Twitter, Delcy Rodríguez repudiou as sanções: "Nenhuma ameaça, extorsão, medida arbitrária ou chantagem me desviarão do meu compromisso com a história de liberdade, dignidade e soberania que nos legou [o libertador Simón] Bolívar. Jamais o velho mundo imperial nem poder nenhum dobrará minha determinação como venezuelana de amar a terra onde nasci."
Em tom de ironia, a vice-presidente da Venezuela "autorizou" a comissária de Relações Exteriores da UE, Federica Mogherini, a dispor dos "supostos bens, que não existem, e os destine à crise migratória que geraram com suas políticas belicistas, racistas e xenófobas."
sexta-feira, 6 de abril de 2018
Venezuela corta relações com 46 empresas e 22 pessoas do Panamá
A Venezuela suspendeu ontem por 90 dias as relações econômicas, comerciais e financeiras com 46 empresas e 22 cidadãos do Panamá. É uma retaliação à publicação em 29 de março pelas autoridades panamenhas de uma lista de suspeitos de lavagem de dinheiro com 55 venezuelanos.
Entre eles, estão o ditador Nicolás Maduro; o número dois do regime chavista, Diosdado Cabello; o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno; a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena; e o procurador-geral da República, Tarek William Saab.
A Companhia Panamenha de Aviação (Copa Airlines) é a mais conhecida das empresas atingidas. Cobre várias rotas na América, tornando-se uma marca conhecida e competitiva no continente.
Através de uma resolução conjunta, os ministérios venezuelanos de Comércio Exterior e Investimento Internacional, Interior e Justiça, e Economia e Finanças tomaram a medida para combater "o uso recorrente do sistema financeiro panamenho por venezuelanos para movimentar dinheiro e bens provenientes de delitos contra o patrimônio público."
O governo da Venezuela ordenou "a suspensão imediata de toda relação econômica, comercial e financeira com os cidadãos da República do Panamá [apontados em lista] com base no princípio da precaução e como medida de proteção" de seu sistema financeiro, econômico e comercial. Usou assim a mesma alegação da outra parte.
A presidente da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada por Maduro para tirar o poder da Assembleia Nacional democraticamente eleita, Delcy Rodríguez, defendeu hoje o corte de relações como resposta à "agressão", referindo-se à divulgação da lista de dirigentes venezuelanos suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro.
Em resposta, o Panamá retirou seu embaixador em Caracas. "A reação [venezuelana] é desproporcional e os afetados somos nós os venezuelanos", comentou Milagros Betancourt, especialista e relações internacionais.
"Estamos cada vez mais isolados: no hemisfério, a Venezuela será a única ilha no continente; no mundo nós e a Coreia do Norte. O governo esqueceu que a negociação, e não a confrontação, é a base das relações internacionais", acrescentou.
A União Europeia também impôs sanções a altos funcionários venezuelanos, além de um embargo à venda de armas e de qualquer material que possa ser usado na repressão a manifestações de protesto. Em 28 de março, a Suíça sancionou sete dirigentes da ditadura de Maduro e os proibiu de entrar no país.
"O governo responde automaticamente como uma fera ferida e encurralada porque o mundo se tornou pequeno e ele mesmo aprofunda seu isolamento", criticou o comentarista Luis Salamanca.
Entre eles, estão o ditador Nicolás Maduro; o número dois do regime chavista, Diosdado Cabello; o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno; a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena; e o procurador-geral da República, Tarek William Saab.
A Companhia Panamenha de Aviação (Copa Airlines) é a mais conhecida das empresas atingidas. Cobre várias rotas na América, tornando-se uma marca conhecida e competitiva no continente.
Através de uma resolução conjunta, os ministérios venezuelanos de Comércio Exterior e Investimento Internacional, Interior e Justiça, e Economia e Finanças tomaram a medida para combater "o uso recorrente do sistema financeiro panamenho por venezuelanos para movimentar dinheiro e bens provenientes de delitos contra o patrimônio público."
O governo da Venezuela ordenou "a suspensão imediata de toda relação econômica, comercial e financeira com os cidadãos da República do Panamá [apontados em lista] com base no princípio da precaução e como medida de proteção" de seu sistema financeiro, econômico e comercial. Usou assim a mesma alegação da outra parte.
A presidente da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada por Maduro para tirar o poder da Assembleia Nacional democraticamente eleita, Delcy Rodríguez, defendeu hoje o corte de relações como resposta à "agressão", referindo-se à divulgação da lista de dirigentes venezuelanos suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro.
Em resposta, o Panamá retirou seu embaixador em Caracas. "A reação [venezuelana] é desproporcional e os afetados somos nós os venezuelanos", comentou Milagros Betancourt, especialista e relações internacionais.
"Estamos cada vez mais isolados: no hemisfério, a Venezuela será a única ilha no continente; no mundo nós e a Coreia do Norte. O governo esqueceu que a negociação, e não a confrontação, é a base das relações internacionais", acrescentou.
A União Europeia também impôs sanções a altos funcionários venezuelanos, além de um embargo à venda de armas e de qualquer material que possa ser usado na repressão a manifestações de protesto. Em 28 de março, a Suíça sancionou sete dirigentes da ditadura de Maduro e os proibiu de entrar no país.
"O governo responde automaticamente como uma fera ferida e encurralada porque o mundo se tornou pequeno e ele mesmo aprofunda seu isolamento", criticou o comentarista Luis Salamanca.
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terça-feira, 3 de abril de 2018
Panamá divulga lista de suspeitos com altos dirigentes da Venezuela
A Comissão Nacional contra a Lavagem de Capitais do Panamá divulgou uma lista de suspeitos de "lavagem de dinheiro" e "financiamento do terrorismo" com 55 altos funcionários do regime chavista da Venezuela .
Entre eles, estão o ditador Nicolás Maduro; o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e número dois do regime, Diosdado Cabello; o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno; a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena; e o procurador-geral da República, Tarek William Saab.
O supremo tribunal venezuelano considerou "grotescas" e "ilegais" as medidas adotadas pelo Panamá e pela Suíça, que na semana passada congelou as contas bancárias de sete altos dirigentes chavistas, inclusive Saab e Moreno.
"As autoridades do Panamá e da Confederação Suíça demonstram à comunidade internacional o descaramento de sua subordinação, convertendo-se assim em cúmplices de uma potência militarista que busca aniquilar a democracia venezuelana e suas instituições", protestou, em nota, o TSJ.
Em resposta, a vice-presidente e ministra do Exterior do Panamá, Isabel Saint Malo, declarou que a lista foi elaborada para "proteger" o sistema financeiro do país porque os dirigentes venezuelanos são considerados de "alto risco" para o crime de lavagem de dinheiro.
"O Panamá considerou, para proteção do nosso sistema financeiro internacional, que era importante pegar a lista da União Europeia, do Canadá e dos Estados Unidos e compartilhar com o setor bancário panamenho quais são as pessoas incluídas nestas listas para que o tomem em conta em suas avaliações de risco", acrescentou a chanceler.
Paraíso fiscal, o Panamá foi incluído na lista de suspeitos do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) de combate à evasão fiscal depois da divulgação dos Papéis do Panamá, em fevereiro de 2016. Desde então, passou a colaborar com as autoridades da Europa e dos EUA para manter sua posição de centro financeiro internacional.
Entre eles, estão o ditador Nicolás Maduro; o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e número dois do regime, Diosdado Cabello; o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno; a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena; e o procurador-geral da República, Tarek William Saab.
O supremo tribunal venezuelano considerou "grotescas" e "ilegais" as medidas adotadas pelo Panamá e pela Suíça, que na semana passada congelou as contas bancárias de sete altos dirigentes chavistas, inclusive Saab e Moreno.
"As autoridades do Panamá e da Confederação Suíça demonstram à comunidade internacional o descaramento de sua subordinação, convertendo-se assim em cúmplices de uma potência militarista que busca aniquilar a democracia venezuelana e suas instituições", protestou, em nota, o TSJ.
Em resposta, a vice-presidente e ministra do Exterior do Panamá, Isabel Saint Malo, declarou que a lista foi elaborada para "proteger" o sistema financeiro do país porque os dirigentes venezuelanos são considerados de "alto risco" para o crime de lavagem de dinheiro.
"O Panamá considerou, para proteção do nosso sistema financeiro internacional, que era importante pegar a lista da União Europeia, do Canadá e dos Estados Unidos e compartilhar com o setor bancário panamenho quais são as pessoas incluídas nestas listas para que o tomem em conta em suas avaliações de risco", acrescentou a chanceler.
Paraíso fiscal, o Panamá foi incluído na lista de suspeitos do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) de combate à evasão fiscal depois da divulgação dos Papéis do Panamá, em fevereiro de 2016. Desde então, passou a colaborar com as autoridades da Europa e dos EUA para manter sua posição de centro financeiro internacional.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
Ditadura chavista antecipa eleição presidencial na Venezuela
A Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima do regime chavista anunciou ontem a antecipação da eleição presidencial na Venezuela, que deverá ser realizada até 30 de abril. O ditador Nicolás Maduro declarou estar pronto para ser candidato.
Diante da deterioração cada vez maior da economia, com queda de um terço do produto interno bruto desde 2013 e inflação superior a 2.600% no ano passado, e do aumento das sanções internacionais, Maduro tenta consolidar o poder, aproveitando a divisão das oposições.
Com a escassez cada vez maior de remédios e alimentos, a ditadura chavista usa a distribuição de comida para garantir apoio político entre os mais pobres. A data exata da eleição será determinada pelo Conselho Nacional Eleitoral, dominado pelo regime.
No mês passado, o ditador prometeu banir da eleição alguns dos maiores partidos políticos da Venezuela, sob a acusação de terem boicotado eleições anteriores. Apesar da rejeição de Maduro por 75% dos venezuelanos, o segundo homem-forte do regime, Diosdado Cabello, confirmou a candidatura do ditador.
Apesar da alta rejeição, contrariando as pesquisas de opinião, a ditadura ganhou as eleições municipais e estaduais, mas uma empresa responsável pela operação das urnas eletrônicas denunciou a manipulação de pelo menos 1 milhão de votos.
Anteontem, a União Europeia impôs sanções a Cabello, aos comandantes das Forças Armadas e aos presidentes do Tribunal Supremo de Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral por violações dos direitos humanos. As medidas incluem proibição de viagens e congelamento de bens.
A antecipação das eleições mina o diálogo pela reconciliação nacional realizadas na República Dominicana, onde a oposição exige eleição livre e justa com a presença de observadores internacionais.
O governo não aceitou os pedidos da oposição. Exige o reconhecimento da Assembleia Nacional Constituinte, convocada em eleições fraudulentas para tirar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente em dezembro de 2015, onde a oposição tem maioria de dois terços.
A oposição agora enfrenta o dilema de se unir em torno de um candidato ou boicotar a eleição. Para o deputado Freddy Guevara, é hora de unidade. Já o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, exilado na Espanha, entende que "o regime não está interessado em eleições democráticas" e que "não se deve legitimar a eleição de Maduro".
Diante da deterioração cada vez maior da economia, com queda de um terço do produto interno bruto desde 2013 e inflação superior a 2.600% no ano passado, e do aumento das sanções internacionais, Maduro tenta consolidar o poder, aproveitando a divisão das oposições.
Com a escassez cada vez maior de remédios e alimentos, a ditadura chavista usa a distribuição de comida para garantir apoio político entre os mais pobres. A data exata da eleição será determinada pelo Conselho Nacional Eleitoral, dominado pelo regime.
No mês passado, o ditador prometeu banir da eleição alguns dos maiores partidos políticos da Venezuela, sob a acusação de terem boicotado eleições anteriores. Apesar da rejeição de Maduro por 75% dos venezuelanos, o segundo homem-forte do regime, Diosdado Cabello, confirmou a candidatura do ditador.
Apesar da alta rejeição, contrariando as pesquisas de opinião, a ditadura ganhou as eleições municipais e estaduais, mas uma empresa responsável pela operação das urnas eletrônicas denunciou a manipulação de pelo menos 1 milhão de votos.
Anteontem, a União Europeia impôs sanções a Cabello, aos comandantes das Forças Armadas e aos presidentes do Tribunal Supremo de Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral por violações dos direitos humanos. As medidas incluem proibição de viagens e congelamento de bens.
A antecipação das eleições mina o diálogo pela reconciliação nacional realizadas na República Dominicana, onde a oposição exige eleição livre e justa com a presença de observadores internacionais.
O governo não aceitou os pedidos da oposição. Exige o reconhecimento da Assembleia Nacional Constituinte, convocada em eleições fraudulentas para tirar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente em dezembro de 2015, onde a oposição tem maioria de dois terços.
A oposição agora enfrenta o dilema de se unir em torno de um candidato ou boicotar a eleição. Para o deputado Freddy Guevara, é hora de unidade. Já o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, exilado na Espanha, entende que "o regime não está interessado em eleições democráticas" e que "não se deve legitimar a eleição de Maduro".
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sábado, 14 de outubro de 2017
Odebrecht deu US$ 35 milhões à campanha de Maduro
Em vídeo divulgado pela ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz, o ex-diretor-presidente da construtora Odebrecht no país, Euzenando Azevedo, afirma ter entregue US$ 35 milhões (R$ 112 milhões) à campanha eleitoral do presidente Nicolás Maduro em abril de 2013, um mês depois da morte do caudilho Hugo Chávez, noticiou o jornal espanhol El País.
Maduro teria enviado América Mata como intermediaria para negociar a entrega. Desde o início do ano, a imprensa venezuelana revela como a Odebrecht subornou políticos locais para conseguir obras e aditivos para aumentar o preço das obras. Azevedo confessou os crimes numa delação premiada no Brasil.
Sob ameaça do regime chavista depois de denunciar a fraudulenta Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, Luisa Ortega fugiu de lancha da Venezuela e esteve no Brasil, onde acusou o número dois do regime, o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, de receber US$ 100 milhões (R$ 319 milhões) em propina através de uma empresa espanhola em nome de dois primos.
As obras da Odebrecht no exterior eram financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Maduro teria enviado América Mata como intermediaria para negociar a entrega. Desde o início do ano, a imprensa venezuelana revela como a Odebrecht subornou políticos locais para conseguir obras e aditivos para aumentar o preço das obras. Azevedo confessou os crimes numa delação premiada no Brasil.
Sob ameaça do regime chavista depois de denunciar a fraudulenta Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, Luisa Ortega fugiu de lancha da Venezuela e esteve no Brasil, onde acusou o número dois do regime, o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, de receber US$ 100 milhões (R$ 319 milhões) em propina através de uma empresa espanhola em nome de dois primos.
As obras da Odebrecht no exterior eram financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
terça-feira, 29 de agosto de 2017
Ex-procuradora-geral acusa Maduro de roubar milhões de dólares
A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz afirmou hoje em São José, na Costa Rica, ter provas de que o ditador Nicolás Maduro desviou entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões dos cofres públicos, informou o jornal Latin American Herald Tribune.
"Há muitos altos funcionários comprometidos com a corrupção envolvendo a [companhia brasileira] Odebrecht, além do fato de que o presidente Maduro tirou de US$ 8 milhões a US$ 10 milhões do Tesouro em dinheiro e entregou-o a uma empresa importante", declarou Luisa Ortega. Ela fugiu da Venezuela de lancha depois da decretação da prisão de seu marido, o deputado Germán Ferrer, também dissidente do chavismo.
De acordo com a acusação, "a Contextus Comunicación Corporativa foi usada como uma empresa de fachada" para dissimular a corrupção. Esta companhia é de Monika Ortigosa, mulher de Alejandro Escarra, sobrinho de Hermann Escarra, deputado da Assembleia Nacional Constituinte criada por Maduro para tirar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem maioria de dois terços.
Ortega Díaz rompeu com o regime chavista ao denunciar a Constituinte de Maduro como ilegal e ilegítima. Foi demitida pela Constituinte em 5 de agosto. Teve seu passaporte cassado e foi acusada pelas 127 mortes ocorridas em confrontos entre manifestantes, a polícia e milicianos chavistas desde o íncio de abril
A ex-procuradora-geral citou nominalmente como envolvidos em casos de corrupção o ex-vice-presidente Elías Jaua, Jorge Rodríguez, Jesse Chacón, Maximilian Sánchez e o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, considerado o número dois da ditadura venezuelana. As provas foram entregues ao Departamento da Justiça dos Estados Unidos e ao procurador-geral da Costa Rica, Jorge Chavarría, presidente da Associação Ibero-Americana de Ministérios Públicos.
Ao justificar sua decisão, Ortega alegou que, "na Venezuela, não é possível fazer justiça, então estou entregando as provas a diferentes países". Ela não pretende voltar a seu país para não ser presa. Prometeu lutar "pelo retorno da democracia e da liberdade".
"Há muitos altos funcionários comprometidos com a corrupção envolvendo a [companhia brasileira] Odebrecht, além do fato de que o presidente Maduro tirou de US$ 8 milhões a US$ 10 milhões do Tesouro em dinheiro e entregou-o a uma empresa importante", declarou Luisa Ortega. Ela fugiu da Venezuela de lancha depois da decretação da prisão de seu marido, o deputado Germán Ferrer, também dissidente do chavismo.
De acordo com a acusação, "a Contextus Comunicación Corporativa foi usada como uma empresa de fachada" para dissimular a corrupção. Esta companhia é de Monika Ortigosa, mulher de Alejandro Escarra, sobrinho de Hermann Escarra, deputado da Assembleia Nacional Constituinte criada por Maduro para tirar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem maioria de dois terços.
Ortega Díaz rompeu com o regime chavista ao denunciar a Constituinte de Maduro como ilegal e ilegítima. Foi demitida pela Constituinte em 5 de agosto. Teve seu passaporte cassado e foi acusada pelas 127 mortes ocorridas em confrontos entre manifestantes, a polícia e milicianos chavistas desde o íncio de abril
A ex-procuradora-geral citou nominalmente como envolvidos em casos de corrupção o ex-vice-presidente Elías Jaua, Jorge Rodríguez, Jesse Chacón, Maximilian Sánchez e o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, considerado o número dois da ditadura venezuelana. As provas foram entregues ao Departamento da Justiça dos Estados Unidos e ao procurador-geral da Costa Rica, Jorge Chavarría, presidente da Associação Ibero-Americana de Ministérios Públicos.
Ao justificar sua decisão, Ortega alegou que, "na Venezuela, não é possível fazer justiça, então estou entregando as provas a diferentes países". Ela não pretende voltar a seu país para não ser presa. Prometeu lutar "pelo retorno da democracia e da liberdade".
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terça-feira, 18 de julho de 2017
Mais de 98% votaram contra a Constituinte de Maduro
Mais de 98% dos 7,6 milhões de venezuelanos que participaram de uma consulta popular realizada pela oposição rejeitaram a proposta do ditador Nicolás Maduro de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte eleita por entidades leais ao regime chavista.
Como próximos passos, a oposição venezuelana convocou uma greve geral para 21 de julho e anunciou a formação de um governo paralelo para fazer sombra a Maduro.
O ditador da Venezuela insiste na convocação de uma Constituinte. Seu principal objetivo é tirar a legitimidade da Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços.
Com sua nova Constituição, que revoga a Carta escrita e aprovada sob a inspiração do finado caudilho Hugo Chávez, Maduro ambiciona o poder absoluto e o fim das eleições democráticas.
Ao comentar o resultado ontem, o presidente da Assembleia Nacional, deputado Julio Borges, afirmou que na prática o mandato de Maduro está revogado.
Hoje à tarde, horas de milicianos chavistas se concentraram perto da sede da Assembleia Nacional. O Legislativo deve receber hoje o relatório final do Comitê de Postulantes às 33 vagas do Tribunal Supremo de Justiça e fazer as nomeações até sexta-feira, colocando-se em rota de colisão com o Executivo.
Pouco depois do meio-dia, a agência Bloomberg noticiou que os Estados Unidos podem impor sanções ao ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e ao ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello por causa das violações dos direitos humanos na repressão aos protestos populares, que não cessam desde o início de abril, com cerca de cem mortes.
A Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história independente, com queda de mais de 20% no produto interno bruto nos últimos anos, inflação de 950% e desabastecimento de mais de 80% dos produtos básicos.
Com ou sem Constituinte, Maduro não tem resposta para esses problemas. Limita-se a denunciar uma conspiração internacional liderada pelos EUA com a conivência das classes dominantes venezuelanas.
Os EUA, a União Europeia e o Brasil apoiaram o resultado do referendo e pediram ao governo que desista da Constituinte. O governo Donald Trump ameaça impor novas sanções, enquanto o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu a intermediação do ditador de Cuba, Raúl Castro, para negociar uma solução pacífica.
Como próximos passos, a oposição venezuelana convocou uma greve geral para 21 de julho e anunciou a formação de um governo paralelo para fazer sombra a Maduro.
O ditador da Venezuela insiste na convocação de uma Constituinte. Seu principal objetivo é tirar a legitimidade da Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços.
Com sua nova Constituição, que revoga a Carta escrita e aprovada sob a inspiração do finado caudilho Hugo Chávez, Maduro ambiciona o poder absoluto e o fim das eleições democráticas.
Ao comentar o resultado ontem, o presidente da Assembleia Nacional, deputado Julio Borges, afirmou que na prática o mandato de Maduro está revogado.
Hoje à tarde, horas de milicianos chavistas se concentraram perto da sede da Assembleia Nacional. O Legislativo deve receber hoje o relatório final do Comitê de Postulantes às 33 vagas do Tribunal Supremo de Justiça e fazer as nomeações até sexta-feira, colocando-se em rota de colisão com o Executivo.
Pouco depois do meio-dia, a agência Bloomberg noticiou que os Estados Unidos podem impor sanções ao ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e ao ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello por causa das violações dos direitos humanos na repressão aos protestos populares, que não cessam desde o início de abril, com cerca de cem mortes.
A Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história independente, com queda de mais de 20% no produto interno bruto nos últimos anos, inflação de 950% e desabastecimento de mais de 80% dos produtos básicos.
Com ou sem Constituinte, Maduro não tem resposta para esses problemas. Limita-se a denunciar uma conspiração internacional liderada pelos EUA com a conivência das classes dominantes venezuelanas.
Os EUA, a União Europeia e o Brasil apoiaram o resultado do referendo e pediram ao governo que desista da Constituinte. O governo Donald Trump ameaça impor novas sanções, enquanto o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu a intermediação do ditador de Cuba, Raúl Castro, para negociar uma solução pacífica.
domingo, 28 de maio de 2017
Ampla maioria dos venezuelanos é contra a Constituinte de Maduro
Cerca de 73% dos venezuelanos são contra a proposta do presidente Nicolás Maduro de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte eleita indiretamente por entidades e movimentos sociais, indica uma pesquisa do instituto Datincorp.
Só 21% apoiam mais uma iniciativa do regime chavista para neutralizar a Assembleia Nacional, onde a oposição tem maioria, informou o boletim de notícias Venezuela al Día.
A pesquisa, chamada de Estudo de Conjuntura do País, entrevistou 1.199 eleitores da Venezuela. Desde que o governo Maduro usou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) para tentar usurpar os poderes do parlamento, a oposição protesta diariamente nas ruas, num duelo com o regime chavista em que pelo menos 58 pessoas foram mortas.
Dois ministros do TSJ e a procuradora-geral da República Bolivarista da Venezuela rejeitaram a Constituinte de Maduro. O vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e ex-presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, líder da linha-dura chavista, prometeu usar a Constituinte para "virar a Procuradoria de cabeça para baixo".
Ontem, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior do Uruguai Luis Almagro, condenou a morte de Manuel Sosa, baleado no peito quando participava de uma manifestação de protesto em Vale Fundo, no estado de Lara, noticiou o jorna El Nacional.
O ex-chanceler uruguaio acusou Maduro de assassinar oposicionistas para se manter no poder. Em mensagem no Twitter, Almagro afirmou que "é hora de paz e democracia" e pediu que "não haja mais mortes de pessoas lutando pela democracia".
A OEA realiza na quarta-feira uma reunião com participação de ministros das Relações Exteriores para discutir a crise na Venezuela.
Só 21% apoiam mais uma iniciativa do regime chavista para neutralizar a Assembleia Nacional, onde a oposição tem maioria, informou o boletim de notícias Venezuela al Día.
A pesquisa, chamada de Estudo de Conjuntura do País, entrevistou 1.199 eleitores da Venezuela. Desde que o governo Maduro usou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) para tentar usurpar os poderes do parlamento, a oposição protesta diariamente nas ruas, num duelo com o regime chavista em que pelo menos 58 pessoas foram mortas.
Dois ministros do TSJ e a procuradora-geral da República Bolivarista da Venezuela rejeitaram a Constituinte de Maduro. O vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e ex-presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, líder da linha-dura chavista, prometeu usar a Constituinte para "virar a Procuradoria de cabeça para baixo".
Ontem, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior do Uruguai Luis Almagro, condenou a morte de Manuel Sosa, baleado no peito quando participava de uma manifestação de protesto em Vale Fundo, no estado de Lara, noticiou o jorna El Nacional.
O ex-chanceler uruguaio acusou Maduro de assassinar oposicionistas para se manter no poder. Em mensagem no Twitter, Almagro afirmou que "é hora de paz e democracia" e pediu que "não haja mais mortes de pessoas lutando pela democracia".
A OEA realiza na quarta-feira uma reunião com participação de ministros das Relações Exteriores para discutir a crise na Venezuela.
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quinta-feira, 7 de abril de 2016
Venezuela decreta feriado na sexta-feira para poupar energia
À beira de um colapso econômico, a Venezuela, país com as maiores reservas mundiais de petróleo, decretou feriado para o funcionalismo público nas sextas-feiras durante 60 dias para poupar energia em mais um sinal de falência do regime chavista e seu "socialismo do século 21".
"Maduro apaga a Venezuela", afirmou o jornal La Patilla.
O presidente Nicolás Maduro ficou de se encontrar com o ministro da Eletricidade, Luis Motta Domínguez, para discutir medidas adicionais de racionamento de energia. Adiantou que a indústria terá de reduzir o consumo em 20%.
Para agravar ainda mais a situação, o barril de petróleo vale hoje um terço do preço de junho de 2014 e o fenômeno meteorológico El Niño provocou uma seca que afeta o abastecimento de água e energia. O ex-ministro da Eletricidade Hector Navarro advertiu que a usina Guri, maior hidrelétrica venezuelana, responsável por 60% da energia elétrica, pode parar de funcionar em 20 dias.
As crises política e econômica estão gerando uma situação explosiva na Venezuela. Nesta semana, o líder oposicionista Henry Ramos Allup, presidente da Assembleia Nacional, denunciou a articulação de um golpe militar contra Maduro dentro do próprio regime chavista.
Com a Venezuela rumando para a depressão econômica, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) está dividido. A facção central reúne a elite dirigente, Maduro, sua mulher, a procuradora-geral Cilia Flores, o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, o governador do estado de Arágua, Tareck Aissami, e o comandante da Guarda Nacional, Néstor Reverol.
Este núcleo central do regime é o que mais resiste ao diálogo com a oposição e a uma reforma econômica, que consideram uma cessão de poderes e uma traição ao finado caudilho Hugo Chávez. Cabello, Flores, Aissami e Reverol são suspeitos de envolvimento com o tráfico de cocaína para os Estados Unidos.
Qualquer mudança é vista por eles como uma ameaça existencial à revolução e a seu futuro político. Com a paralisia econômica do regime, a inflação chegou a 300% ao ano.
Outra facção chavista reúne governadores liderados por Francisco Arias Cárdenas, do estado de Zulia. Por causa da insatisfação popular com o governo, eles não querem a realização de eleições estaduais neste ano. Preferem a queda de Maduro por referendo revogatório ou renúncia a eleições em que a oposição seria franca favorita.
Entre os que defendem o referendo revogatório do presidente, um instrumento introduzido por Chávez na Constituição da República Bolivarista da Venezuela, está o ex-ministro do Interior Miguel Rodríguez Torres, demitido por Maduro em 2014.
"Maduro apaga a Venezuela", afirmou o jornal La Patilla.
O presidente Nicolás Maduro ficou de se encontrar com o ministro da Eletricidade, Luis Motta Domínguez, para discutir medidas adicionais de racionamento de energia. Adiantou que a indústria terá de reduzir o consumo em 20%.
Para agravar ainda mais a situação, o barril de petróleo vale hoje um terço do preço de junho de 2014 e o fenômeno meteorológico El Niño provocou uma seca que afeta o abastecimento de água e energia. O ex-ministro da Eletricidade Hector Navarro advertiu que a usina Guri, maior hidrelétrica venezuelana, responsável por 60% da energia elétrica, pode parar de funcionar em 20 dias.
As crises política e econômica estão gerando uma situação explosiva na Venezuela. Nesta semana, o líder oposicionista Henry Ramos Allup, presidente da Assembleia Nacional, denunciou a articulação de um golpe militar contra Maduro dentro do próprio regime chavista.
Com a Venezuela rumando para a depressão econômica, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) está dividido. A facção central reúne a elite dirigente, Maduro, sua mulher, a procuradora-geral Cilia Flores, o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, o governador do estado de Arágua, Tareck Aissami, e o comandante da Guarda Nacional, Néstor Reverol.
Este núcleo central do regime é o que mais resiste ao diálogo com a oposição e a uma reforma econômica, que consideram uma cessão de poderes e uma traição ao finado caudilho Hugo Chávez. Cabello, Flores, Aissami e Reverol são suspeitos de envolvimento com o tráfico de cocaína para os Estados Unidos.
Qualquer mudança é vista por eles como uma ameaça existencial à revolução e a seu futuro político. Com a paralisia econômica do regime, a inflação chegou a 300% ao ano.
Outra facção chavista reúne governadores liderados por Francisco Arias Cárdenas, do estado de Zulia. Por causa da insatisfação popular com o governo, eles não querem a realização de eleições estaduais neste ano. Preferem a queda de Maduro por referendo revogatório ou renúncia a eleições em que a oposição seria franca favorita.
Entre os que defendem o referendo revogatório do presidente, um instrumento introduzido por Chávez na Constituição da República Bolivarista da Venezuela, está o ex-ministro do Interior Miguel Rodríguez Torres, demitido por Maduro em 2014.
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Líder municipal da oposição é morto na Venezuela
Com a proximidade das eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015 e a determinação do presidente Nicolás Maduro de ganhar "seja como for", aumenta a violência política na Venezuela. O secretário-geral do partido de oposição Ação Democrática no município de Altagracia de Orituco, Luis Manuel Díaz, foi morto ontem durante um comício.
Díaz foi baleado quando estava ao lado de Lilian Tintori, mulher de Leopoldo López, o principal líder da oposição preso e condenado pelo regime chavista num processo político, supostamente por incitar à violência durante manifestações de protesto contra o governo em fevereiro de 2014. Na época, 43 pessoas morreram em choques entre oposicionistas polícia bolivarista.
"Hoje sofri dois ataques", declarou ontem Lilian Tintori. Horas antes, participantes do comício foram alvo de pedradas. Ela denuncia estar sendo perseguida todo o tempo pelo Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto chavista.
O secretário-geral nacional da AD, Henry Ramos Allup, afirmou que o tiro partiu de um carro com militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente Maduro. "Onde está a missão da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que até agora não disse nada?", protestou o deputado Leomagno Flores.
Depois do veto do governo Maduro ao ex-ministro da Justiça e da Defesa e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim, a chefia da missão de "acompanhamento" da Unasul das eleições venezuelanas foi entregue ao ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández, admirador confesso do finado caudilho Hugo Chávez.
Sob pressão, a missão da Unasul apelou "às autoridades para que conduzam uma investigação profunda sobre este fato condenável a fim de excluir toda impunidade".
A dez dias das eleições, a oposição denuncia uma série de ataques ao longo da campanha, especialmente depois do discurso de Maduro em 22 de outubro defender a vitória a qualquer preço. Isso aumentou a atividade das milícias chavistas conhecidas como coletivos e os protestos da aliança oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD).
No domingo, militantes mascarados atiraram para o ar para impedir a passagem de uma carreata do candidato oposicionista Miguel Pizarro num bairro popular da capital.
Na semana passada, Lilian Tintori foi perseguida quando ia a um ato público no centro de Caracas. Há duas semanas, o ex-candidato presidente Henrique Capriles foi alvo de tiros que atribuiu ao prefeito chavista de Yare, Saúl Yáñez, e seus capangas.
O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que disputa a liderança do chavismo com Maduro, desprezou as denúncias como "armações".
Na pior crise econômica de sua história moderna, com recessão de 10%, inflação de 200% e desabastecimento generalizado por causa da queda nos preços do petróleo e do fracasso do "socialismo do século 21", todas as pesquisas apontam uma ampla vitória das oposições, que teriam maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.
Se as pesquisas forem confirmadas, a oposição poderá convocar um referendo para revogar o mandato do presidente Maduro e tirar o chavismo do poder com uma de suas próprias armas. Como o regime não mostra nenhum sinal de que pretenda ceder o poder democraticamente, a tendência é de aumento da violência política.
Na primeira entrevista como presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, ameaçou aplicar a cláusula democrática do Mercosul para suspender a Venezuela do bloco por causa da "perseguição a oposicionistas" e da "falta de liberdade de expressão". Com essa declaração pressionou o governo Dilma Rousseff, aliado do chavismo, a tomar uma posição clara.
As eleições de 6 de dezembro serão um teste definitivo para Maduro, para a política externa de Dilma e para o compromisso do Mercosul com a democracia. Quatro dias depois, Macri toma posse. Em 21 de dezembro, o Mercosul faz sua reunião de cúpula.
Díaz foi baleado quando estava ao lado de Lilian Tintori, mulher de Leopoldo López, o principal líder da oposição preso e condenado pelo regime chavista num processo político, supostamente por incitar à violência durante manifestações de protesto contra o governo em fevereiro de 2014. Na época, 43 pessoas morreram em choques entre oposicionistas polícia bolivarista.
"Hoje sofri dois ataques", declarou ontem Lilian Tintori. Horas antes, participantes do comício foram alvo de pedradas. Ela denuncia estar sendo perseguida todo o tempo pelo Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto chavista.
O secretário-geral nacional da AD, Henry Ramos Allup, afirmou que o tiro partiu de um carro com militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente Maduro. "Onde está a missão da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que até agora não disse nada?", protestou o deputado Leomagno Flores.
Depois do veto do governo Maduro ao ex-ministro da Justiça e da Defesa e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim, a chefia da missão de "acompanhamento" da Unasul das eleições venezuelanas foi entregue ao ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández, admirador confesso do finado caudilho Hugo Chávez.
Sob pressão, a missão da Unasul apelou "às autoridades para que conduzam uma investigação profunda sobre este fato condenável a fim de excluir toda impunidade".
A dez dias das eleições, a oposição denuncia uma série de ataques ao longo da campanha, especialmente depois do discurso de Maduro em 22 de outubro defender a vitória a qualquer preço. Isso aumentou a atividade das milícias chavistas conhecidas como coletivos e os protestos da aliança oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD).
No domingo, militantes mascarados atiraram para o ar para impedir a passagem de uma carreata do candidato oposicionista Miguel Pizarro num bairro popular da capital.
Na semana passada, Lilian Tintori foi perseguida quando ia a um ato público no centro de Caracas. Há duas semanas, o ex-candidato presidente Henrique Capriles foi alvo de tiros que atribuiu ao prefeito chavista de Yare, Saúl Yáñez, e seus capangas.
O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que disputa a liderança do chavismo com Maduro, desprezou as denúncias como "armações".
Na pior crise econômica de sua história moderna, com recessão de 10%, inflação de 200% e desabastecimento generalizado por causa da queda nos preços do petróleo e do fracasso do "socialismo do século 21", todas as pesquisas apontam uma ampla vitória das oposições, que teriam maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez.
Se as pesquisas forem confirmadas, a oposição poderá convocar um referendo para revogar o mandato do presidente Maduro e tirar o chavismo do poder com uma de suas próprias armas. Como o regime não mostra nenhum sinal de que pretenda ceder o poder democraticamente, a tendência é de aumento da violência política.
Na primeira entrevista como presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, ameaçou aplicar a cláusula democrática do Mercosul para suspender a Venezuela do bloco por causa da "perseguição a oposicionistas" e da "falta de liberdade de expressão". Com essa declaração pressionou o governo Dilma Rousseff, aliado do chavismo, a tomar uma posição clara.
As eleições de 6 de dezembro serão um teste definitivo para Maduro, para a política externa de Dilma e para o compromisso do Mercosul com a democracia. Quatro dias depois, Macri toma posse. Em 21 de dezembro, o Mercosul faz sua reunião de cúpula.
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sexta-feira, 30 de maio de 2014
Maduro acusa Maria Corina e EUA de tentar matá-lo
Em mais um gesto teatral, sem apresentar qualquer prova, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou a líder oposicionista María Corina Machado e o novo embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, Kevin Whitaker, de participar de uma conspiração para assassiná-lo. O Departamento de Estado considera as acusações "falsas e sem base".
A denúncia vazia coincide com a aprovação pela Câmara dos Representantes dos EUA de um projeto autorizando a Casa Branca a congelar os ativos no país de funcionários venezuelanos responsáveis por violações dos direitos humanos na repressão governamental contra os protestos populares que já duram mais de 100 dias.
O Senado americano ainda debate a conveniência de aprovar a lei temendo uma influência negativa sobre o diálogo entre o governo e a oposição da Venezuela promovido pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
Durante entrevista no Teatro Nacional, em Caracas, ao lado da primeira-dama Cilia Flores e do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, Jorge Rodríguez, porta-voz da cúpula do regime, apresentou apenas um email de María Corina elogiando os protestos antigovernamentais e dizendo que "Kevin Whitaker reconfirmou seu apoio e indicou novos passos". Não há nenhum indício de aprovação do uso da força
"O Departamento de Estado sabe que a ultradireita venezuelana, quando tenta realizar atos criminosos que violam a Constituição, a paz e a democracia, pede instruções e autorização a um funcionário do Departamento de Estado?", vociferou Rodríguez para tentar dar um ar de veracidade à sua teoria conspiratória. Mas não deu detalhes de quando e como seria o atentado, como foi descoberto, quem seriam os autores, quais suas ligações com os acusados, onde está o inquérito policial e quando será enviado à Justiça.
Maduro ganhou as eleições realizadas em 14 de abril de 2013, depois da morte do presidente Hugo Chávez, em 5 de março do mesmo ano com uma vantagem de apenas 1,5 ponto percentual, o que levantou suspeitas de fraude, já que o governo controla toda a máquina pública e eleitoral. Até hoje não conseguiu se legitimar.
A onda de protestos é consequência da inflação, que ronda 70% ao ano, do desabastecimento que chegou a 28% dos produtos encontrados em supermercados e do índice de homicídios, que está entre os mais altos do mundo. Com a crise do modelo chavista, o número de pobres, reduzido à metade pelas políticas sociais financiadas pelo petróleo venezuelano, volta a subir.
No país que se vangloria de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, não podem faltar dólares nem dinheiro para importações. Sem profundas reformas econômicas que aposentem o "socialismo do século 21", não há saída nem haverá acordo com a oposição.
Se a missão de paz da Unasul fracassar, o futuro da Venezuela será sombrio.
A denúncia vazia coincide com a aprovação pela Câmara dos Representantes dos EUA de um projeto autorizando a Casa Branca a congelar os ativos no país de funcionários venezuelanos responsáveis por violações dos direitos humanos na repressão governamental contra os protestos populares que já duram mais de 100 dias.
O Senado americano ainda debate a conveniência de aprovar a lei temendo uma influência negativa sobre o diálogo entre o governo e a oposição da Venezuela promovido pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
Durante entrevista no Teatro Nacional, em Caracas, ao lado da primeira-dama Cilia Flores e do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, Jorge Rodríguez, porta-voz da cúpula do regime, apresentou apenas um email de María Corina elogiando os protestos antigovernamentais e dizendo que "Kevin Whitaker reconfirmou seu apoio e indicou novos passos". Não há nenhum indício de aprovação do uso da força
"O Departamento de Estado sabe que a ultradireita venezuelana, quando tenta realizar atos criminosos que violam a Constituição, a paz e a democracia, pede instruções e autorização a um funcionário do Departamento de Estado?", vociferou Rodríguez para tentar dar um ar de veracidade à sua teoria conspiratória. Mas não deu detalhes de quando e como seria o atentado, como foi descoberto, quem seriam os autores, quais suas ligações com os acusados, onde está o inquérito policial e quando será enviado à Justiça.
Maduro ganhou as eleições realizadas em 14 de abril de 2013, depois da morte do presidente Hugo Chávez, em 5 de março do mesmo ano com uma vantagem de apenas 1,5 ponto percentual, o que levantou suspeitas de fraude, já que o governo controla toda a máquina pública e eleitoral. Até hoje não conseguiu se legitimar.
A onda de protestos é consequência da inflação, que ronda 70% ao ano, do desabastecimento que chegou a 28% dos produtos encontrados em supermercados e do índice de homicídios, que está entre os mais altos do mundo. Com a crise do modelo chavista, o número de pobres, reduzido à metade pelas políticas sociais financiadas pelo petróleo venezuelano, volta a subir.
No país que se vangloria de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, não podem faltar dólares nem dinheiro para importações. Sem profundas reformas econômicas que aposentem o "socialismo do século 21", não há saída nem haverá acordo com a oposição.
Se a missão de paz da Unasul fracassar, o futuro da Venezuela será sombrio.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Chavismo se apoia nas Forças Armadas
Apesar dos protestos diários nas ruas de Caracas e outras cidades da Venezuela, é improvável uma queda imediata do presidente Nicolás Maduro, ao contrário do que aconteceu na Ucrânia. Nem na tragédia a América Latina é competitiva, lamenta o comentarista político venezuelano Moisés Naím, em artigo no jornal El Nacional.
Nas ruas de Kiev, houve uma batalha sobre as fronteiras da Europa, a segurança energética do continente, o domínio da Rússia sobre as ex-repúblicas soviéticas e o futuro do autoritarismo de Vladimir Putin dentro e fora de seu país. Na Venezuela, está em jogo apenas o chavismo e seu mal definido "socialismo do século 21".
Hugo Chávez Frías era aquele tipo de caudilho maior do que o mundo, lúcido e inteligente, mas arrogante e boquirroto. Estabeleceu uma relação direta das massas que lhe permitiu atropelar constantemente as instituições de sua própria revolução bolivarista.
Seu sucessor, Nicolás Maduro, não tem nem de longe nem a inteligência nem o carisma do comandante morto prematuramente por um câncer que tentou esconder da opinião pública.
Desde que Chávez se afastou para fazer tratamento em Cuba, em dezembro de 2012, a Venezuela é governada por um colegiado. Maduro é a face mais visível do regime. Por trás dele, há outras figuras, com destaque para o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, companheiro de armas de Chávez no fracassado golpe de 4 de fevereiro de 1992 contra o presidente Carlos Andrés Pérez.
Foi Cabello quem escoltou o líder oposicionista Leopoldo López até um tribunal militar. É Cabello que tem maior trânsito entre os militares, que são a base de sustentação do chavismo, especialmente depois da cubanização do regime em 2003, em reação ao golpe contra Chávez de 11 de abril de 2002.
Com uma ajuda anual de US$ 5 bilhões em petróleo, equivalente à que Cuba recebia da extinta União Soviética, o chavismo se tornou o principal sustentáculo da ditadura dos irmãos Castro, grandes interessados portanto em manter o regime venezuelano.
Quando era ministro do Exterior sob Chávez, Maduro era a face moderada, diplomática e conciliadora do chavismo, um homem de diálogo. No poder, talvez inseguro por ganhar a eleição de 14 de abril de 2013 por apenas 1,4% dos votos, ele adotou o estilo confrontacionista de Chávez sem ter a mesma eloquência. Quando fala em "burguesia parasitária" ou "oposição nazifascista", soa como uma retórica vazia.
Para o analista político Omar Noria, citado pelo jornal venezuelano El Nacional, é "alguém que não tem luz própria, um personagem que funciona dentro de uma administração caótica e que frente a essas fraquezas apelou para aumentar a repressão e a intolerância". Neste cenário de violência, Noria acredita que o poder de fato esteja com Cabello.
A incompetência de Maduro fica evidente em medidas como a criação de 111 vice-ministérios, inclusive da Suprema Felicidade, que se somam aos 32 ministérios para formar um formidável aparato democrático de duvidosa eficiência administrativa.
Com a onda de protestos iniciada em 12 de fevereiro de 2014, ressurgiu a liderança de López, ex-prefeito de Chacao, na região metropolitana da capital. Líder do partido Vontade Popular, ele rompeu com a estratégia de diálogo adotada pelo governador Henrique Capriles, candidato derrotado nas duas últimas eleições presidenciais, e convocou a população a sair às ruas, sendo logo atendido por estudantes insatisfeitos com a crise econômica.
Antes do golpe de 2002, Chávez criou as Células Bolivaristas, milícias populares para defender sua revolução. Depois da tentativa de derrubá-lo, cercou-se de assessores militares e de segurança cubanos, promoveu expurgos nas Forças Armadas, fortaleceu e ampliou as milícias e os "coletivos", equivalentes aos comitês de defesa da revolução em Cuba.
Maduro aprendeu com Chávez que os militares são ao mesmo tempo a maior garantia e a maior ameaça à revolução bolivarista. "No atual cenário de efervescência social, as Forças Armadas são o principal sustentáculo do governo Maduro. É um governo militarista e pretoriano, que se apoia nos militares, apesar de ser civil."
Nos primeiros nove meses de governo, Maduro nomeou 368 militares para cargos públicos, inclusive oito ministros e 11 governadores. Os ministros da Economia, do Interior, da Defesa e dos Transportes, e o intendente nacional de preços justos são militares.
Além do aumento de 60% nos soldos, Maduro apoiou a criação de um canal de televisão, um banco, uma construtora e uma processadora de alimentos das Forças Armadas. Há um certo descontentamento com a excessiva influência de Cuba, mas qualquer dissidência ideológica é punida com expurgo.
Se na Argentina uma derrota do kirchnerismo nas eleições de 2015 mudará as condições de governabilidade do país, na Venezuela, a militarização do regime chavista torna qualquer mudança muito mais difícil. As milícias e os coletivos podem reagir em defesa da revolução que desaba sob o peso de uma crise econômica gerada por seus próprios erros e a tentativa de ressuscitar o marxismo no século 21.
Nas ruas de Kiev, houve uma batalha sobre as fronteiras da Europa, a segurança energética do continente, o domínio da Rússia sobre as ex-repúblicas soviéticas e o futuro do autoritarismo de Vladimir Putin dentro e fora de seu país. Na Venezuela, está em jogo apenas o chavismo e seu mal definido "socialismo do século 21".
Hugo Chávez Frías era aquele tipo de caudilho maior do que o mundo, lúcido e inteligente, mas arrogante e boquirroto. Estabeleceu uma relação direta das massas que lhe permitiu atropelar constantemente as instituições de sua própria revolução bolivarista.
Seu sucessor, Nicolás Maduro, não tem nem de longe nem a inteligência nem o carisma do comandante morto prematuramente por um câncer que tentou esconder da opinião pública.
Desde que Chávez se afastou para fazer tratamento em Cuba, em dezembro de 2012, a Venezuela é governada por um colegiado. Maduro é a face mais visível do regime. Por trás dele, há outras figuras, com destaque para o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, companheiro de armas de Chávez no fracassado golpe de 4 de fevereiro de 1992 contra o presidente Carlos Andrés Pérez.
Foi Cabello quem escoltou o líder oposicionista Leopoldo López até um tribunal militar. É Cabello que tem maior trânsito entre os militares, que são a base de sustentação do chavismo, especialmente depois da cubanização do regime em 2003, em reação ao golpe contra Chávez de 11 de abril de 2002.
Com uma ajuda anual de US$ 5 bilhões em petróleo, equivalente à que Cuba recebia da extinta União Soviética, o chavismo se tornou o principal sustentáculo da ditadura dos irmãos Castro, grandes interessados portanto em manter o regime venezuelano.
Quando era ministro do Exterior sob Chávez, Maduro era a face moderada, diplomática e conciliadora do chavismo, um homem de diálogo. No poder, talvez inseguro por ganhar a eleição de 14 de abril de 2013 por apenas 1,4% dos votos, ele adotou o estilo confrontacionista de Chávez sem ter a mesma eloquência. Quando fala em "burguesia parasitária" ou "oposição nazifascista", soa como uma retórica vazia.
Para o analista político Omar Noria, citado pelo jornal venezuelano El Nacional, é "alguém que não tem luz própria, um personagem que funciona dentro de uma administração caótica e que frente a essas fraquezas apelou para aumentar a repressão e a intolerância". Neste cenário de violência, Noria acredita que o poder de fato esteja com Cabello.
A incompetência de Maduro fica evidente em medidas como a criação de 111 vice-ministérios, inclusive da Suprema Felicidade, que se somam aos 32 ministérios para formar um formidável aparato democrático de duvidosa eficiência administrativa.
Com a onda de protestos iniciada em 12 de fevereiro de 2014, ressurgiu a liderança de López, ex-prefeito de Chacao, na região metropolitana da capital. Líder do partido Vontade Popular, ele rompeu com a estratégia de diálogo adotada pelo governador Henrique Capriles, candidato derrotado nas duas últimas eleições presidenciais, e convocou a população a sair às ruas, sendo logo atendido por estudantes insatisfeitos com a crise econômica.
Antes do golpe de 2002, Chávez criou as Células Bolivaristas, milícias populares para defender sua revolução. Depois da tentativa de derrubá-lo, cercou-se de assessores militares e de segurança cubanos, promoveu expurgos nas Forças Armadas, fortaleceu e ampliou as milícias e os "coletivos", equivalentes aos comitês de defesa da revolução em Cuba.
Maduro aprendeu com Chávez que os militares são ao mesmo tempo a maior garantia e a maior ameaça à revolução bolivarista. "No atual cenário de efervescência social, as Forças Armadas são o principal sustentáculo do governo Maduro. É um governo militarista e pretoriano, que se apoia nos militares, apesar de ser civil."
Nos primeiros nove meses de governo, Maduro nomeou 368 militares para cargos públicos, inclusive oito ministros e 11 governadores. Os ministros da Economia, do Interior, da Defesa e dos Transportes, e o intendente nacional de preços justos são militares.
Além do aumento de 60% nos soldos, Maduro apoiou a criação de um canal de televisão, um banco, uma construtora e uma processadora de alimentos das Forças Armadas. Há um certo descontentamento com a excessiva influência de Cuba, mas qualquer dissidência ideológica é punida com expurgo.
Se na Argentina uma derrota do kirchnerismo nas eleições de 2015 mudará as condições de governabilidade do país, na Venezuela, a militarização do regime chavista torna qualquer mudança muito mais difícil. As milícias e os coletivos podem reagir em defesa da revolução que desaba sob o peso de uma crise econômica gerada por seus próprios erros e a tentativa de ressuscitar o marxismo no século 21.
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quarta-feira, 17 de abril de 2013
Cabello afasta oposicionistas e quer processar Capriles
Em mais sinais de radicalização do regime chavista depois da vitória eleitoral apertado do presidente interino Nicolás Maduro, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, afastou hoje quatro deputados oposicionistas das comissões parlamentares que presidiam e pediu a abertura de um inquérito policial sobre o candidato derrotado, governador Henrique Capriles.
Como Maduro ganhou por uma pequena margem, inferior a 2% do total dos votos, Capriles exigiu uma recontagem geral dos votos para aceitar o resultado, alegando que houve pelo menos 3 mil incidentes suspeitos de fraude eleitoral. Depois de aceitar a ideia inicialmente, o presidente interino foi declarado vencedor pela Comissão Nacional Eleitoral, dominada pelo chavismo, que considerou "o resultado irreversível".
Sem sucesso no pedido de recontagem, Capriles convocou grandes manifestações de massa, mas o governo proibiu uma marcha de protesto prevista para hoje e acusou a oposição de planejar um golpe com o apoio dos Estados Unidos.
Diante da proibição imposta por Maduro e de sete mortes em atos de violência pós-eleitoral, o candidato oposicionista cancelou o protesto de hoje, acusando o governo de infiltrar militantes chavistas na marcha a fim de provocar conflitos.
Cabello é o principal rival de Maduro na luta pela sucessão do comandante Hugo Chávez, que morreu de câncer em 5 de março de 2013. Pela Constituição Bolivarista da Venezuela, ele e não Maduro deveria ter substituído Chávez interinamente até a realização de uma nova eleição presidencial.
O governo chavista marcou a eleição para 14 de abril, dia em que Chávez voltou ao poder depois do fracassado golpe direitista de 2002. Diante do surpreendente desempenho eleitoral da oposição apesar do uso e abuso da máquina pública, o chavismo, sensivelmente enfraquecido pela morte do caudilho e o fraco desempenho eleitoral de Maduro, levanta a bandeira do golpe em busca de legitimidade.
Com Maduro e Cabello disputando para ver quem é mais linha dura, a radicalização política na Venezuela só tende a aumentar.
Como Maduro ganhou por uma pequena margem, inferior a 2% do total dos votos, Capriles exigiu uma recontagem geral dos votos para aceitar o resultado, alegando que houve pelo menos 3 mil incidentes suspeitos de fraude eleitoral. Depois de aceitar a ideia inicialmente, o presidente interino foi declarado vencedor pela Comissão Nacional Eleitoral, dominada pelo chavismo, que considerou "o resultado irreversível".
Sem sucesso no pedido de recontagem, Capriles convocou grandes manifestações de massa, mas o governo proibiu uma marcha de protesto prevista para hoje e acusou a oposição de planejar um golpe com o apoio dos Estados Unidos.
Diante da proibição imposta por Maduro e de sete mortes em atos de violência pós-eleitoral, o candidato oposicionista cancelou o protesto de hoje, acusando o governo de infiltrar militantes chavistas na marcha a fim de provocar conflitos.
Cabello é o principal rival de Maduro na luta pela sucessão do comandante Hugo Chávez, que morreu de câncer em 5 de março de 2013. Pela Constituição Bolivarista da Venezuela, ele e não Maduro deveria ter substituído Chávez interinamente até a realização de uma nova eleição presidencial.
O governo chavista marcou a eleição para 14 de abril, dia em que Chávez voltou ao poder depois do fracassado golpe direitista de 2002. Diante do surpreendente desempenho eleitoral da oposição apesar do uso e abuso da máquina pública, o chavismo, sensivelmente enfraquecido pela morte do caudilho e o fraco desempenho eleitoral de Maduro, levanta a bandeira do golpe em busca de legitimidade.
Com Maduro e Cabello disputando para ver quem é mais linha dura, a radicalização política na Venezuela só tende a aumentar.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Chávez não tem condições de tomar posse
Como era previsto, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, hospitalizado em Cuba depois de ser submetido a uma quarta cirurgia para tratamento de um câncer, não está em condições de tomar posse em 10 de janeiro, confirmou hoje o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.
Se o presidente não puder tomar posse, a Constituição da República Bolivarista da Venezuela prevê a realização de nova eleição presidencial, mas o regime chavista tenta ignorar esse dispositivo.
O candidato oposicionista derrotado na última eleição, Henrique Capriles, fez um apelo ao Supremo Tribunal da Venezuela, onde o chavismo tem ampla maioria, para que se manifeste sobre o caso e pediu o apoio de outros líderes sul-americanos, inclusive da presidente Dilma Rousseff, na busca de uma solução constitucional para a crise venezuelana.
Consciente da gravidade da situação, antes de ir para Cuba, Chávez designou o vice-presidente e ministro do Exterior, Nicolás Maduro, como sucessor. Mas Maduro não foi eleito. Constitucionalmente, o poder deveria passar para Cabello, acirrando a disputa pela sucessão.
Se o presidente não puder tomar posse, a Constituição da República Bolivarista da Venezuela prevê a realização de nova eleição presidencial, mas o regime chavista tenta ignorar esse dispositivo.
O candidato oposicionista derrotado na última eleição, Henrique Capriles, fez um apelo ao Supremo Tribunal da Venezuela, onde o chavismo tem ampla maioria, para que se manifeste sobre o caso e pediu o apoio de outros líderes sul-americanos, inclusive da presidente Dilma Rousseff, na busca de uma solução constitucional para a crise venezuelana.
Consciente da gravidade da situação, antes de ir para Cuba, Chávez designou o vice-presidente e ministro do Exterior, Nicolás Maduro, como sucessor. Mas Maduro não foi eleito. Constitucionalmente, o poder deveria passar para Cabello, acirrando a disputa pela sucessão.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Chávez lança candidatura e não indica sucessor
Apesar de sofrer de um câncer que o obriga a fazer tratamentos frequentes em Cuba, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de 58 anos, lançou ontem sua candidatura a mais uma reeleição e ainda não apontou um sucessor. Se for reeleito e concluir o mandato, Chávez vai ficar 20 anos no poder.
Para marcar a diferença, o candidato da oposição, Enrique Capriles, de 39 anos, liderou no domingo uma passeata de 10 quilômetros. A eleição está marcada para 7 de outubro. O presidente lidera as pesquisas.
No governo, há dois nomes citados com frequência como possíveis sucessores do caudilho bolivarista: o vice-presidente Elías Jaua, a quem Chávez não transfere o poder quando sai do país, e o ministro do Exterior, Nicolás Maduro, um ex-sindicalista. Ambos são totalmente identificados ideologicamente com o presidente.
Outro nome de peso é Diosdado Cabello, um dos oficiais que participou da fracassada tentativa de golpe liderada por Chávez. Presidente da Assembleia Nacional e vice-líder do Partido Socialista Unido da Venezuela, Cabello tem bom trânsito entre os militares e nos meios empresariais.
Por fim, um terceiro núcleo de poder identificado pelo jornal The New York Times é a própria família Chávez. Seu irmão mais velho, Adán, governa o estado de Barinas, mas nem de longe tem o carisma do irmão. Seus discursos são longos, chatos e monótonos.
Com seu caudilhismo, Chávez ocupa todos os espaços políticos e todos os holofotes. Ele faz e desfaz as leis do país, docilmente aprovadas por uma Assembleia Nacional subserviente. Tem conta no Twitter. Quando quer, fala horas e horas em cadeias de rádio e televisão. Sua face é onipresente em posters e cartazes de rua.
Quem vai dizer a um chefe autoritário, arrogante e prepotente que se considera um semideus que está na hora de apontar um sucessor?
Para marcar a diferença, o candidato da oposição, Enrique Capriles, de 39 anos, liderou no domingo uma passeata de 10 quilômetros. A eleição está marcada para 7 de outubro. O presidente lidera as pesquisas.
No governo, há dois nomes citados com frequência como possíveis sucessores do caudilho bolivarista: o vice-presidente Elías Jaua, a quem Chávez não transfere o poder quando sai do país, e o ministro do Exterior, Nicolás Maduro, um ex-sindicalista. Ambos são totalmente identificados ideologicamente com o presidente.
Outro nome de peso é Diosdado Cabello, um dos oficiais que participou da fracassada tentativa de golpe liderada por Chávez. Presidente da Assembleia Nacional e vice-líder do Partido Socialista Unido da Venezuela, Cabello tem bom trânsito entre os militares e nos meios empresariais.
Por fim, um terceiro núcleo de poder identificado pelo jornal The New York Times é a própria família Chávez. Seu irmão mais velho, Adán, governa o estado de Barinas, mas nem de longe tem o carisma do irmão. Seus discursos são longos, chatos e monótonos.
Com seu caudilhismo, Chávez ocupa todos os espaços políticos e todos os holofotes. Ele faz e desfaz as leis do país, docilmente aprovadas por uma Assembleia Nacional subserviente. Tem conta no Twitter. Quando quer, fala horas e horas em cadeias de rádio e televisão. Sua face é onipresente em posters e cartazes de rua.
Quem vai dizer a um chefe autoritário, arrogante e prepotente que se considera um semideus que está na hora de apontar um sucessor?
segunda-feira, 10 de março de 2008
Chavistas se revoltam contra Chávez
Apesar da derrota no referendo para mudar a Constituição e implantar o socialismo na Venezuela, ainda restam cinco anos de governo para o presidente Hugo Chávez. Mas já começam a aparecer fissuras evidentes no recém-craido Partido Socialista Unificado da Venezuela.
Uma das principais vozes dissidentes é o deputado Luis Tascón, de 39 anos, que ficou famoso em fevereiro de 2004, quando publicou a lista dos 4 milhões que assinaram a petição para convocar um plebiscito para revogar o mandado de Chávez.
Agora, Tascón voltou sua artilharia para a corrupção. Ele acusa o governador do estado de Miranda, Diosdado Cabello, um militar reformado de 44 anos considerado o segundo homem mais poderoso do chavismo.
Cabello é visto por setores radicais como líder da direita endógena, expressão criada a partir da idéia de desenvolvimento endógena, um antigo sonho da esquerda latino-americana de promover o crescimento do país desligando-se da economia internacional. No caso da Venezuela, que vive da renda do petróleo, isso mais parece uma piada.
A mobilização de 9 mil soldados e 10 batalhões da tanques para a fronteira com a Colômbia, na semana passada, em reação ao bombardeio colombiano que matou o subcomandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) no Equador, ajudou a reinstaurar a disciplina nas hostes chavistas.
Mas o recuo rápido e a troca de sorrisos e apertos de mão com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, a quem Chávez chamou de "mentiroso" e "cachorrinho do Império" são mais um sinal de inconsistência do comandante. O próprio caudilho admite que já se fala de um chavismo sem Chávez.
Uma das principais vozes dissidentes é o deputado Luis Tascón, de 39 anos, que ficou famoso em fevereiro de 2004, quando publicou a lista dos 4 milhões que assinaram a petição para convocar um plebiscito para revogar o mandado de Chávez.
Agora, Tascón voltou sua artilharia para a corrupção. Ele acusa o governador do estado de Miranda, Diosdado Cabello, um militar reformado de 44 anos considerado o segundo homem mais poderoso do chavismo.
Cabello é visto por setores radicais como líder da direita endógena, expressão criada a partir da idéia de desenvolvimento endógena, um antigo sonho da esquerda latino-americana de promover o crescimento do país desligando-se da economia internacional. No caso da Venezuela, que vive da renda do petróleo, isso mais parece uma piada.
A mobilização de 9 mil soldados e 10 batalhões da tanques para a fronteira com a Colômbia, na semana passada, em reação ao bombardeio colombiano que matou o subcomandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) no Equador, ajudou a reinstaurar a disciplina nas hostes chavistas.
Mas o recuo rápido e a troca de sorrisos e apertos de mão com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, a quem Chávez chamou de "mentiroso" e "cachorrinho do Império" são mais um sinal de inconsistência do comandante. O próprio caudilho admite que já se fala de um chavismo sem Chávez.
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