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sexta-feira, 8 de abril de 2022

Rússia admite grandes perdas e uma "enorme tragédia" na Ucrânia

O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, admite grandes perdas e reconhece que a guerra da Ucrânia é uma "enorme tragédia" para a Rússia. E a guerra pode durar anos, na previsão do comandante do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Mark Milley.

A Rússia concentra as ações militares no Leste e no Sul da Ucrânia, para tomar as províncias de Donetsk e Lugansk, na Bacia do Rio Dom, e criar um corredor por terra até a península da Crimeia, anexada ilegalmente em 2014. Isto permitira a Putin declarar vitória e bater em retirada.

A Alemanha anunciou ter interceptado comunicações de rádio em que soldados russos confessariam a matança indiscriminada de soldados e civis ucranianos. Também tem imagens de satélite que mostram esses ataques.

Enquanto os Estados Unidos e a União Europeia anunciam novas sanções à Rússia, o impacto desta guerra econômica atinge países mais pobres. No Peru, um jovem morreu em confronto com a polícia durante protesto contra o aumento nos preços dos combustíveis. 

No Leste da África, a Etiópia, a Somália e o Quênia sobre de insegurança alimentar por causa da seca e da alta nos preços do trigo, elevados porque Rússia e Ucrânia respondem por 30% das exportações mundiais. Na Etiópia e na Somália, guerras civis tornam a situação ainda pior. Meu comentário:

terça-feira, 8 de março de 2022

Rússia avança em todas frentes na guerra que não tem como ganhar

Apesar da resistência da Ucrânia, a Rússia avança em todas as frentes, as negociações não progridem, os corredores de ajuda humanitária não funcionam e o isolamento internacional aumenta numa guerra que o ditador Vladimir Putin não tem como ganhar.

Com as sanções internacionais, o barril de petróleo chegou a US$ 139 e há previsões de que chegue a US$ 185 ou US$ 200, as sanções incluírem gás e petróleo russos. O preço do trigo, de que Rússia e Ucrânia são grandes exportadoras, subiu 55%.

A Guerra da Ucrânia cria um mundo mais incerto e perigoso. Acaba com os dividendos da paz da era pós-Guerra Fria. 

A questão central da guerra é se parte central da experiência humana ou se pode ser superada. É o dilema entre a civilização e a barbárie, a lei do mais forte, a lei da selva. Meu comentário:

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Linha dura assume controle total no Irã com eleição de Raissi

 A ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária controla ainda mais a República Islâmica do Irã com a eleição do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Ebrahim Raissi, para presidente do país, anunciada no sábado, com 62% dos votos válidos no primeiro turno.

Sayyid Ebrahim Raissol Sadati, de 60 anos, foi candidato em 2017, quando perdeu para o atual presidente, Hassan Rouhani, considerado um conservador moderado, que disputava a reeleição. Raissi é ultraconservador e fiel aliado do Supremo Líder Espiritual da Revolução, aiatolá Ali Khamenei, o ditador iraniano, visto como seu mentor.

Raissi é associado a uma série de julgamentos políticos e execuções ocorridas em 1988, depois do fim da Guerra Irã-Iraque, quando era juiz do Tribunal Revolucionário de Teerã. Grupos de defesa dos direitos humanos o acusam se envolvimento em milhares de mortes de dissidentes políticos. Em 2019, ele foi eleito vice-presidente da Assembleia dos Sábios, que vai escolher o próximo Supremo Líder.

Se no passado as ditaduras costumavam ganhar eleições com quase 100% dos votos, agora o resultado mais comum fica na faixa dos 60% para tentar dar um verniz democrático. Uma exceção foi o ditador da Síria, Bachar Assad, aliado do Irã, reeleito com 95% dos votos em 26 de maio.

Em 2009, o presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito no Irã com 62,6% sob protestos da oposição, do Movimento Verde, que saiu às ruas em defesa de seu candidato, o ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mussavi. Ele seria o verdadeiro vencedor, mas oficialmente obteve 34% dos votos válidos.

Para evitar uma surpresa, desta vez, o Conselho dos Guardiães da Revolução vetou praticamente todos os candidatos reformistas, inclusive Ali Larijani, ex-presidente do Majlis (Parlamento), que era visto como o maior rival do presidente do Supremo Tribunal. Por isso, a abstenção foi a maior em eleições presidenciais desde a Revolução Islâmica (1979). Votaram 48,8% dos eleitores e 3,7 milhões anularam o voto. Assim, o presidente eleito tem o apoio de menos da metade do eleitorado.

A vitória de Raissi, que recebeu 18 dos 28 milhões de votos contra 3 milhões do segundo colocado, Mohsen Rezaei, afasta do poder o grupo conservador mais moderado a favor da reaproximação com o Ocidente, que negociou o acordo de 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano. Em 2017, Rouhani obteve 24 milhões de votos.

O momento é crítico por causa da crise econômica gerada apelas sanções impostas pelo governo Donald Trump, que retirou os Estados Unidos do acordo nuclear; da pandemia, que atingiu mais de 3 milhões de iranianos e matou cerca de 83 mil; e da sucessão do Supremo Líder, que tem 82 anos e sofre de câncer. Khamenei foi presidente de 1981-89. Raissi se cacifou como possível candidato.

A renegociação do acordo nuclear com o governo Joe Biden não deve ser afetada. Khamenei se empenhou pessoalmente na reabertura do diálogo para aliviar as sanções que sufocam a economia iraniana, que encolheu 5,4% em 2018, 7,6% em 2019 e 6% em 2020. 

Mas o novo presidente é contra incluir nas negociações limitações ao programa de mísseis do Irã e a interferência iraniana em outros países do Oriente Médio, o chamado arco xiita, que vai do Iêmen ao Líbano, passando pelo próprio Irã, o Iraque e a Síria. No momento, todos estes países menos o Irã enfrentam o colapso do Estado.

sábado, 23 de janeiro de 2021

Rússia detém 5 mil em protesto contra prisão do líder da oposição

 Dezenas de milhares de manifestantes protestaram hoje em 114 cidades da Rússia contra a prisão do líder da oposição, Alexei Navalny, detido no aeroporto em 17 de janeiro quando chegava da Alemanha, onde se tratou depois de uma tentativa de assassinato atribuída à ditadura de Vladimir Putin. Mais de 5 mil manifestantes foram presos, inclusive a advogada de Navalny.

Navalny é o nome que faz Putin tremer. Em pleno inverno russo, de Kaliningrado, no Ocidente, a Vladivostok, no Oceano Pacífico, os manifestas enfrentaram temperatura de até 53 graus negativos em Irkutsk, para exigir a libertação do líder oposicionista. Na capital, foi a mais importante manifestação não autorizada em 20 anos.

Além de gritos pela libertação de Navalny, os manifestantes gritavam "Putin ladrão" numa referência ao filme Um Palácio para Putin, assistido por 71 milhões de pessoas nesta semana. O documentário revela a construção de um palácio presidencial secreto à margem do Mar Negro financiado por "amigos" do presidente.

Em 20 de agosto de 2020, Navalny passou mal num voo quando ia de Tomsk, na Sibéria, para Moscou. Foi salvo por um pouso de emergência em Omsk. Sob pressão internacional, o governo russo autorizou a remoção para a Alemanha, onde os médicos identificaram o agente nervoso Novichok como responsável pelo envenenamento.

Apesar da ameaça de morte, Navalny, um advogado e blogueiro anticorrupção, decidiu voltar à Rússia, onde chegou seis dias atrás. uma arma química desenvolvida na antiga União Soviética. Em 2018, ele foi impedido de se candidatar à Presidência por processos forjados pelo Kremlin.

Ao voltar ao país, foi detido por não ter se apresentado à polícia, condição imposta pela Justiça de Putin. Quando ele foi envenenado, a União Europeia protestou, mas o então presidente americano Donald Trump, apoiado pelo ditador russo, que ajudou em sua eleição em 2016, ficou em silêncio. 

Desta vez, foi diferente:"Os Estados Unidos condenam fortemente o uso de táticas agressivas contra manifestantes e jornalistas neste fim de semana", declarou o governo Joe Biden. "O direito dos russos de associação pacífica e de participar de eleições livres e justas está consagrado não apenas na Constituição do país mas também no compromisso da Rússia com a OSCE (Organização sobre Segurança e Cooperação na Europa), na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Convenção Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.

"Apelamos às autoridades da Rússia para libertar todos os detidos por exercer seus direitos universais e pela libertação imediata e incondicional de Alexei Navalny. Exigimos que a Rússia coopere com as investigações internacionais sobre o envenenamento e uma explicação sobre o uso de uma arma química em seu território", acrescenta a nota dos EUA.

Se não houver novas sanções à Rússia, Putin não vai hesitar em continuar abusando do poder. No ano passado, o Parlamento da Rússia aprovou uma reforma constitucional feita sob medida pelo ditador. Pela nova legislação, Putin pode reinar no Kremlin até 2036.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Irã estoca urânio acima do limite e eleições fortalecem a linha dura

Em desafio às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, o Irã está enriquecendo e estocando urânio acima dos limites permitidos pelo Acordo de Viena, de 2015. Hoje, o país realizou eleições que devem fortalecer a linha dura, com o colapso do acordo abandonado pelo governo Donald Trump.

A República Islâmica do Irã realizou hoje sua décima-primeira eleição parlamentar desde a revolução islâmica de 1979, as primeiras desde que o presidente Donald Trump retirou, em maio de 2018, os Estados Unidos do acordo nuclear assinado em 2015 para impedir que o país faça a bomba atômica. 

Sete mil candidatos concorrem às 290 cadeiras do Majlis, o Parlamento iraniano. A grande disputa será entre os conservadores e a linha-dura. Mais de 16 mil candidatos foram proibidos de concorrer pela Conselho dos Guardiães da ditadura fundamentalista xiita iraniana, inclusive 90 deputados reformistas da atual legislatura. 

A ala moderada a favor do presidente Hassan Rouhani e do ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif, que negociaram o acordo nuclear com o governo Barack Obama e as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, França, Reino Unido e Rússia), foi liquidada politicamente pela guerra econômica de Trump. 

Afinal, Rouhani se elegeu prometendo melhorar as relações com o Ocidente e recuperar a economia do país. Meu comentário:

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Rússia cresceu 1,3% em 2019

A economia da Rússia avançou 1,3% no ano passado, noticiou hoje a agência oficial de estatísticas Rosstat, citada pelo jornal The Moscow Times. É a menor taxa de crescimento desde 2016. Em 2018, o avanço foi de 2,3%.

Sob pressão de choques externos, como os baixos preços do petróleo e as sanções internacionais por causa da intervenção militar na Ucrânia e da anexação ilegal da Crimeia, as oportunidades de crescimento são limitadas.

Para este ano, o governo prevê um crescimento de 1,7%, podendo chegar a 1,9%, a expectativa para o ano passado, se a situação melhorar. Os economistas numa expansão por causa do aumento do auxílio-maternidade anunciado pelo ditador Vladimir Putin para estimular a natalidade.

O governo também pode usar um fundo soberano de US$ 125 bilhões acumulados quando o petróleo estava em alta para incentivar o crescimento.

Putin quer a Rússia crescendo "acima da média mundial" para garantir que sua parcela da economia mundial não diminua. O país não conseguiu isso nos últimos sete anos. Nem deve conseguir neste ano, quando a expectativa é de um crescimento global de 3%.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Irã faz nova ameaça de fabricar a bomba atômica

O Irã ameaça abandonar o Tratado de Não Proliferação Nuclear, se o caso sobre as violações do acordo nuclear de 2015 for levado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. É mais uma ameaça da fabricar armas atômicas.

Em mais uma tentativa de romper o cerco econômico imposto pelas sanções dos Estados Unidos, a República Islâmica ameaçou mais uma vez hoje que pode fazer a bomba atômica.

Três países europeus signatários do Acordo de Viena, de 2015, para congelar por dez anos o programa nuclear iraniano acionaram em 14 de janeiro deste ano um mecanismo para pressionar o Irã a respeitar os termos do acordo, abandonado em 8 de maio de 2018 pelos Estados Unidos. 

A Alemanha, a França e o Reino Unido afirmaram que não estão aderindo à estratégia de pressão máxima adotada pelo governo Donald Trump. Querem que o Irã volte a respeitar os limites de quantidade de urânio enriquecido, teor de enriquecimento e número de centrífugas em atividade. Também gostariam que o acordo servisse de base para a renegociação exigida pelos Estados Unidos, que não mostram a menor intenção de ceder.

Hoje o ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif, ameaçou com a retirada do país do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Este tratado desigual só autoriza cinco países a ter armas atômicas: os Estados Unidos, a China, a França, o Reino Unido e a Rússia, não por coincidência as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU. 

Os outros países que fizeram armas nucleares, Israel, a Índia, o Paquistão e a Coreia do Norte, abandonaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Meu comentário:

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Trump dobra a aposta com novas sanções ao Irã


O presidente Donald Trump volta à ofensiva com novas sanções contra a República Islâmica na certeza de estar ganhando o conflito com o Irã. Duas semanas depois do início da crise, apresento 14 conclusões preliminares. 

Em 27 de dezembro, uma barragem de mísseis atingiu uma base militar do Iraque onde havia soldados dos Estados Unidos, matando um funcionário civil americano contratado pelo soldado. Quatro soldados saíram feridos. Trump ordenou o bombardeio de bases das milícias xiitas iraquianas, matando supostamente 25 milicianos.

 Um ataque à embaixada americana em Bagdá levou o presidente americano a autorizar uma ação para matar o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods, tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana. Dois comandantes de milícias iraquianas morreram na mesma operação. 

A tímida reação do Irã, com um ataque que não feriu ninguém, criou esta frágil trégua. Duas semanas depois do início da última crise entre os Estados Unidos e o Irã, é um bom momento para chegar a algumas conclusões provisórias. Meu comentário:

EUA anunciam novas sanções ao Irã citando risco iminente

A desculpa usada para justificar o assassinato político do general Kassem Suleimani, comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, foi repetida hoje pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, para justificar a imposição de novas sanções econômicas ao Irã. 

Desta vez, os alvos foram os setores de construção civil, indústria têxtil, siderurgia e mineração, além do contra-almirante Ali Shamkhani, secretário do Conselho de Segurança Nacional, o ex-comandante da Guarda Mohsen Rezai e outros altos funcionários iranianos

Até agora, o governo Donald Trump não conseguiu comprovar a "ameaça iminente" que justificaria o ataque a Suleimani. Dois senadores do próprio partido republicano saíram revoltados de uma reunião secreta em que o Executivo apresentaria indícios e provas de sua alegação.

Ontem, em comício de sua campanha contra a reeleição, Trump afirmou que Suleimani pretendia atacar várias embaixadas dos Estados Unidos e planejava explodir a representação em Bagdá. Para seu eleitorado, foi além do que o governo diz oficialmente.

Trump anunciou as sanções ao Irã há dois dias, quando cantou vitória depois que a retaliação iraniana não matou nem feriu ninguém. O presidente observou o que "o Irã parece estar recuando" numa clara tentativa de desescalar a crise.

Com as sanções, a arma favorita de Trump, os EUA retomam a ofensiva.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Assembleia Nacional aprova a retirada das forças dos EUA do Iraque

Por 170 a 0, com a abstenção de curdos e sunitas, a Assembleia Nacional do Iraque, de maioria xiita, aprovou hoje uma medida para exigir que o governo peça a saída do país das forças dos Estados Unidos, acusadas de violar a soberania nacional iraquiana ao lançaram o ataque de drones que matou o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods (Jerusalém), tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana.

Ao reagir à decisão, o presidente Donald Trump declarou que os EUA gastaram bilhões de dólares numa "base aérea extraordinariamente cara" no Iraque. Se não forem indenizados, vão impor sanções "como nunca se viu" à economia iraquiana, muito mais duras que as que impõem ao Irã, cuja economia deve ter recuado 8,7% em 2019, pela estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Sem dúvida, o Iraque deve usar todos os meios legais possíveis para forçar a saída das tropas americanas nos próximos meses. O próprio primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi redigiu o projeto aprovado hoje pelo parlamento.

Como Abdel Mahdi pediu demissão depois de uma onda de manifestações de protestos com mais de 500 mortes, não está certo se tem autoridade para sancionar a lei. Entre os alvos do protesto, estava a influência do Irã. Agora, a maré mudou.

No Líbano, o líder do Hesbolá, xeique Hassan Nasrallah, declarou que a morte de Suleimani marca uma nova etapa porque ele era o coordenador da "resistência", palavra usada para falar contra Israel. Em tom triunfalista, disse que eles ganham mesmo quando são mortos porque viram mártires e "o martírio é a glória".

sábado, 7 de dezembro de 2019

EUA e Irã trocam prisioneiros

Em um momento de alta tensão entre os dois países, o Irã libertou hoje o acadêmico americano Xiyue Wang, preso há mais de três anos na República Islâmica sob acusação de espionagem. Em troca, os Estados Unidos soltaram o respeitado cientista iraniano Massoud Soleimani, denunciado por violar o embargo econômico ao Irã.

Wang, de 38 anos, fazia doutorado na Universidade de Princeton. Foi preso em agosto de 2016, quando estudava a língua persa e pesquisava documentos históricos para sua tese. Os EUA sempre negaram que fosse um espião.

Mesmo assim, Wang foi condenado a dez anos de prisão. Um avião do governo da Suíça o levou de Teerã para Zurique, onde ele foi entregue ao representante especial para o Irã do Departamento de Estado americano, Brian Hook.

Nos EUA, o Departamento da Justiça retirou a denúncia contra o professor Soleimani, preso no ano passado no aeroporto de Chicago por tentar entrar no país com "material biológico" numa violação das sanções impostas pelo governo Donald Trump contra o programa nuclear do Irã. Ele seria libertado em janeiro de 2020 depois de fazer um acordo com a Justiça.

Ao comentar a troca de prisioneiros, o presidente Trump declarou ser um sinal de que os dois países podem negociar. Não há nada concreto a indicar uma ampliação do diálogo, mas fica uma esperança.

Em 8 de maio de 2018, o presidente americano rompeu o acordo nuclear com o Irã negociado pelo governo Barack Obama e as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Seis meses depois, reimpôs duras sanções econômicas numa verdadeira guerra econômica contra o Irã.

Trump quer renegociar um acordo mais amplo, que inclua, além das armas nucleares, os mísseis de médio e longo alcances e a interferência política do regime fundamentalista iraniano em outros países do Oriente Médio, onde Teerã se apresenta como líder das populações muçulmanas xiitas.

No momento, a ditadura dos aiatolás está diante de grandes pressão das ruas. Desde 15 de novembro, os iranianos protestam nas grandes cidades contra um aumento de 300% no preço da gasolina. A repressão violenta matou pelo menos 300 pessoas.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Mais seis países aderem ao sistema para fazer negócios com o Irã

A Bélgica, a Dinamarca, a Finlândia, a Holanda, a Noruega e a Suécia aderiram no fim de semana ao sistema de pagamentos Intex, criado por países da Europa para contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã, que impede negócios com dólar com a República Islâmica.

Em nota, os países fundadores, Alemanha, França e Reino Unido, deram as boas vindas aos novos "sócios acionistas". O Instex, com sede em Paris, substitui o sistema Swift, que funciona como um centro de processamento e compensação das transações realizadas em dólar.

O presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo nuclear negociado por todas as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por dez anos a parte militar do programa nuclear do Irã para impedir o país de fabricar armas atômicas, em 8 de maio de 2018.

Seis meses depois, reimpôs duras sanções econômicas com o objetivo de zerar as exportações de petróleo do Irã para forçar o país a renegociar o acordo incluindo renúncia ao desenvolvimento de mísseis de médio e longo alcances e parar de interferir politicamente em outros países do Oriente Médio.

Desde então, as exportações de petróleo do Irã caíram de 3 milhões para cerca de 500 mil barris por dia. A República Islâmica voltou a enriquecer urânio além do teor autorizado pelo acordo e instalou mais milhares de centrífugas, numa provocação para causar uma reação dos países europeus que tentam manter o acordo nuclear.

O sistema de pagamentos é uma resposta europeia para manter o compromisso do Irã com o acordo.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Repressão a protestos deixa mais de 100 mortos no Irã

A ditadura teocrática do Irã matou pelo menos 106 pessoas para conter uma onda de manifestações de protesto. Centenas de pessoas saíram feridas e mais de mil foram presas, denuncia a organização não governamental de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

As manifestações irromperam há cinco dias e se espalharam por 21 cidades de quase todas as províncias iranianas. São mais intensas na capital, Teerã, e nas cidades de Isfahan e Ahvaz. As agências oficiais de notícias da República Islâmica confirmam apenas 12 mortes.

As forças de segurança acusam os manifestantes pelas mortes de dois policiais, cinco membros da Guarda Revolucionária Iraniana e um da força paramilitar Bassij, que costuma fazer o trabalho sujo para a Guarda. Meu comentário:

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

EUA e Europa ameaçam impor sanções à Turquia por invasão na Síria

O ditador da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, defende a invasão do Nordeste da Síria e ameaça a Europa com uma onda de milhões de refugiados, enquanto União Europeia e senadores dos Estados Unidos preparam sanções econômicas retaliatórias.
É uma das guerras mais desiguais do mundo. De um lado, as segundas maiores forças armadas da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos; do outro, as Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda financiada, armada e treinada pelos Estados Unidos. 

As FDS foram encarregadas de fazer o trabalho pesado da operação terrestre na guerra contra o Estado Islâmico. Agora foi abandonada e traída pelo presidente Donald Trump. 

Em dois dias, a operação chamada cinicamente de Fonte da Paz matou pelo menos 170 milicianos curdos. Mas a Turquia tem pouco tempo para atingir seus objetivos militares. Senadores americanos dos dois partidos apresentaram ontem um projeto para impor sanções econômicas ao país. 

De qualquer maneira, talvez seja tarde demais para proteger os curdos de uma potência regional. Meu comentário: