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quinta-feira, 26 de março de 2020

EUA denunciam Maduro por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Departamento da Justiça dos Estados Unidos denunciou hoje o ditador Nicolás Maduro e mais de dez altos funcionários da Venezuela por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro - e ofereceram uma recompensa de US$ 15 milhões de dólares, mais de R$ 75 milhões, por informações que levem à sua captura.

As acusações, apresentadas em tribunais de Nova York, da Flórida e de Washington, são resultado de uma década de investigações. Maduro e os demais denunciados são acusados de agir em coordenação com guerrilheiros colombianos para enviar toneladas de cocaína para os EUA nos últimos 20 anos.

Em entrevista coletiva em Washington, o procurador-geral e secretário da Justiça do governo Donald Trump, William Barr, descreveu o regime chavista da Venezuela como "empestado pela criminalidade e a corrupção", dominado por "um sistema construído e controlado para enriquecer quem está nos altos escalões do governo".

O presidente da Corte Suprema da Venezuela, Maikel José Moreno, foi denunciado por receber milhões de dólares de propina e de gastar o dinheiro com artigos de luxo de propriedades na Flórida.

Maduro preside a um governo catastrófico, com uma depressão econômica que reduziu o produto interno bruto venezuelano à metade desde a morte do caudilho Hugo Chávez, em março de de 2013.

A Venezuela enfrenta uma hiperinflação superior a um milhão por cento ao ano e desabastecimento generalizado. Como muitos hospitais não nem água e fornecimento regular de energia elétrica, o impacto da pandemia do coronavírus deve ser catastrófico.

Em janeiro do ano passado, a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, declarou a nulidade do novo mandato de Maduro, reeleito com fraude, e empossou seu presidente, Juan Guaidó, como presidente interino.

Mais de 50 países, inclusive os EUA, o Brasil e a maioria da União Europeia, reconhecem Guaidó como o presidente legítimo da Venezuela, mas sua tentativa de estimular um golpe militar fracassou.

Com o apoio da cúpula das Forças Armadas, envolvidas nos crimes do regime, Maduro continua no poder e dificilmente será levado à Justiça dos EUA. A denúncia é mais uma tentativa de forçar sua queda. Talvez o vírus seja mais eficiente.

Há um precedente. Em 1988, dois tribunais do júri de Miami e Tampa, na Flórida, denunciaram o então ditador do Panamá, general Manuel Antonio Noriega, por extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Os EUA invadiram o Panamá em dezembro de 1989. Noriega foi preso e levado para julgamento nos EUA. Condenado a 40 anos de prisão, Noriega teve a pena reduzida para 17 anos por bom comportamento na cadeia.

Em 2010, o ex-ditador foi extraditado para a França, onde pegou 7 anos de prisão por lavagem de dinheiro. No ano seguinte, foi extraditado para o Panamá, onde morreu em 2017 de um tumor cerebral.

sábado, 31 de agosto de 2019

Venezuela acusa presidente da Colômbia pela volta das FARC

O ministro do Exterior do regime chavista da Venezuela, Jorge Arreaza, declarou ontem que o presidente Iván Duque Márquez tem exclusiva responsabilidade pelo anúncio de três líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) de que pretendem voltar à luta armada.

"É inacreditável que Iván Duque tenha a audácia de tentar atribuir a terceiros países e terceiras pessoas sua exclusiva responsabilidade por desmantelar o processo de paz e não cumprir os compromissos assumidos pelo Estado colombiano", protestou o chanceler da ditadura de Nicolás Maduro.

Em vídeo divulgado há dois dias, o subcomandante e principal negociar das agora desmobilizadas FARC, Iván Márquez, defendeu o retorno à luta armada citando como razão os assassinatos de mais de 500 ativistas de causas sociais e 150 ex-guerrilheiros.

A onda de assassinatos lembra o que aconteceu com a União Patriótica, um partido fundado em 1985 em meio a outro processo de paz que teve 4 mil militantes mortos, inclusive dois candidatos à Presidência da Colômbia.

O presidente colombiano atribuiu a volta da guerrilha ao apoio que os grupos rebeldes, as FARC e o Exército de Libertação Nacional (ELN), recebem do regime chavista: "Nós, colombianos, devemos ser claros. Não estamos vendo o nascimento de um novo movimento guerrilheiro, mas ameaças de um banco de narcoterroristas que aproveitam a hospitalidade da ditadura de Nicolás Maduro."

"Lamentamos profundamente o que está acontecendo na Colômbia... uma espiral de violência de décadas. Não foi a Venezuela que começou. Começou porque a oligarquia colombiana matou Jorge Eliécer Gaitán [em 1948]. Foi como iniciou. O que a Venezuela tem a ver com isso? Nada", afirmou o vice-presidente Diosdado Cabello, o número dois do regime chavista.

A ruptura do acordo de paz foi parcial. O principal líder político das FARC, Rodrigo Londoño, vulgo Timochenko, manteve o compromisso com o acordo de paz firmado em 2016. O ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos, que assinou o acordo, declarou que "ninguém detém o trem da paz."

Salário mínimo na Venezuela cai para US$ 2 por mês

Com a crise econômica e a hiperinflação, o salário mínimo da Venezuela vale hoje o equivalente a US$ 2. O salário mínimo está em 40 mil bolívares e a cotação do dólar no mercado paralelo ronda os 20 mil bolívares. Não é suficiente para comprar um quilo de carne ou uma dúzia de ovos.

Mais de 80% dos venezuelanos vivem na miséria, sem esperança de que a situação melhore. Ontem, quase 10 milhões de trabalhadores e aposentados receberam o equivalente a US$ 1, a metade do rendimento mensal, que dá para comprar um quilo de açúcar ou de farinha de trigo.

Só nos últimos 30 dias, a moeda venezuelana perdeu 50% do valor.

A ditadura de Nicolás Maduro distribui mensalmente bônus para cerca de 10 milhões de pessoas, mas o limite é de 100 mil bolívares, apenas US$ 5. Algumas empresas pagam os bônus em dólares para não perder seus funcionários.

Nos últimos seis anos, no governo Maduro, quando o produto interno bruto caiu pela metade, 5 milhões de pessoas fugiram da Venezuela. Elas mandam dinheiro do exterior para cerca de 1 milhão de venezuelanos.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

PetroChina suspende importação de petróleo da Venezuela

Para escapar da sanções impostas pelos Estados Unidos, a companhia estatal PetroChina parou de comprar petróleo da Venezuela, noticiou hoje a agência de notícias Bloomberg.

A China é a maior importadora de petróleo bruto da Venezuela, junto com a Índia. Em junho, comprou cerca de 275 mil barris por dia.

A decisão reduz o risco da PetroChina ser afetada pelas sanções cruzadas, embora possa tentar fazer isso indiretamente, através de outras empresas.

O presidente Donald Trump aumentou as sanções contra a ditadura de Nicolás Maduro e a companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA), com o objetivo de aumentar a pressão para derrubar o regime chavista.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Trump congela todos os bens da Venezuela nos EUA

Por decreto, o presidente Donald Trump ordenou ontem o congelamento de todos os ativos da Venezuela e proibiu qualquer transação com a ditadura de Nicolás Maduro, sob pena de sanções, noticiou hoje o jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York.

Este embargo total é mais uma tentativa dos Estados Unidos de aumentar a pressão sobre o regime chavista e forçar sua queda. A Venezuela já está sob sanções, especialmente a companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA). O sucesso da nova medida depende da capacidade do governo americano que impor o embargo enquanto China e Russia mantêm o apoio a Maduro.

Ao reagir às novas sanções, o governo venezuelano acusou os EUA de "terrorismo econômico". Os EUA adotaram este tipo de embargo contra Cuba e a Coreia do Norte, sem conseguir derrubar seus regimes comunistas.

Em janeiro, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, foi proclamado presidente interino. Seu governo paralelo foi reconhecido pelos EUA, pela maioria dos países da América Latina, inclusive o Brasil, e pela maioria da União Europeia.

O governo Trump tentou usar uma operação de ajuda humanitária para desestabilizar Maduro e Guaidó chegou a convocar um levante popular e militar contra a ditadura, mas a cúpula das Forças Armadas manteve o apoio ao regime chavista.

Durante o último encontro do presidente Jair Bolsonaro com Trump, na reunião do Grupo dos 20 em Osaka, no Japão, no fim de junho, o Brasil deixou claro que não vai participar de qualquer intervenção militar na Venezuela. Trump e Bolsonaro também manifestaram preocupação com uma possível derrota do presidente Mauricio Macri na eleição presidencial de outubro na Argentina.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

ONU acusa ditadura da Venezuela por mais de 5 mil mortes em 2018

Em relatório divulgado hoje pela alta comissária para direitos humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, as Nações Unidas denunciam a trágica situação política, econômica e humanitária da Venezuela.

No ano passado, o governo venezuelano registrou 5.287 mortos como "autos de resistência", quando as vítimas supostamente teriam resistido à prisão, aliás argumento usado amplamente pelas polícias no Brasil. Neste ano, até 19 de maio, houve 1.569 mortos em "atos de resistência". Em 31 de maio, havia 793 presos políticos no país. Em resposta ao relatório, a ditadura soltou hoje cerca de 20 presos.

De janeiro a maio deste ano, 66 pessoas foram mortas em protestos contra o regime chavista e o ditador Nicolás Maduro. Pelo menos 52 dessas mortes foram atribuídas às forças de segurança e aos colectivos, as milícias criadas pelo finado caudilho Hugo Chávez para defender o regime. Meu comentário:

A Venezuela é hoje um dos países mais violentos do mundo. Caracas é a terceira cidade mais violenta do mundo. Além das milícias e dos grupos mafiosos, cerca de metade do país teria se tornado território livre para a ação de guerrilheiros e grupos paramilitares da Colômbia, que traficam drogas, fazem contrabando e mineração ilegal. Restabelecer a ordem pública será mais um grande desafio do futuro governo venezuelano.

Desde o início do ano, 22 deputados da oposição na Assembleia Nacional perderam a imunidade parlamentar.

Além desses crimes e abusos, o relatório da ONU observa que “amplos setores da população não têm acesso à distribuição de comida” feita pela ditadura de Nicolás Maduro. Algumas pessoas “passam em média dez horas por dia na fila para conseguir comida.”

A situação dos hospitais da Venezuela também é trágica, com “falta de funcionários, suprimentos, medicamentos e eletricidade”. Entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019, mil 557 morreram por causa dessas carências.

Nos últimos anos, 4 milhões de pessoas fugiram da Venezuela, 12,5% da população do país. A previsão é que este êxodo chegue a 8 milhões até o fim de 2020, se a situação econômica não melhorar – e não tem a menor chance de melhorar enquanto Maduro, seu regime chavista e o chamado socialismo do século 21 estiverem no poder.

O produto interno bruto caiu pela metade desde a posse de Maduro, em 2013, e a inflação deve chegar a 10 milhões por cento.

A ditadura chavista também oprime os povos indígenas, com perda de terras para forças militares, máfias do crime organizado e grupos armados. A mineração ilegal, especialmente nos estados do Amazonas e Bolívar, é outra ameaça, “com violação de vários direitos coletivos, inclusive o direito de manter seus costumes e estilo de vida profissional, e a relação espiritual com a terra”.

Ao apresentar o relatório, Michelle Bachelet declarou que “a única saída para esta crise é se reunir e dialogar”. Apesar da tragédia, a alta comissária da ONU disse ter esperança. Bachelet visitou a Venezuela, onde esteve com o ditador Maduro e com líderes da oposição.

Depois do fracasso de três manobras do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, o governo e a oposição da Venezuela iniciaram um diálogo em Oslo, na Noruega, com mediação do México, da Noruega e do Uruguai. Mas as negociações não avançaram.

Maduro propôs antecipar as eleições para a Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços em dezembro de 2015, mas não a realização de uma nova eleição presidencial. Como o regime controla a máquina pública e os meios de comunicação, a oposição viu uma tentativa de tomar o pouco poder que lhe resta.

O representante da Venezuela no Conselho de Direitos Humanos da ONU repudiou as conclusões do relatório, alegando que é “incompreensível”, sem “rigor científico” e que omite o “boicote imoral” que o país enfrenta com as sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como a ditadura ainda conta com o apoio das Forças Armadas, é provável que o atual impasse se arraste, com a deterioração da situação política e econômica da Venezuela. As outras possibilidades são um golpe militar dentro do regime com a tomada do poder pelos militares ou uma transição para a democracia ou o colapso total do Estado, com anarquia e guerra civil.

O Brasil, os Estados Unidos e os outros 50 países que apoiam o governo paralelo da oposição devem oferecer acordos de leniência para os altos dirigentes chavistas que abandonarem o regime. 

A transição pós-ditadura será árdua e longa. O Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 milhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia. Antes, Maduro e seu regime precisam cair.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Renúncia de Maduro foi discutida nas negociações de Oslo

A saída do ditador Nicolás Maduro foi discutida na semana passada no diálogo entre o regime chavista e a oposição da Venezuela realizado em Oslo, a capital da Noruega, noticiou o jornal venezuelano El Cooperante, citando fontes não identificadas.

A possibilidade de Maduro estar negociando a renúncia aconteceu depois de divulgação inesperada de dados econômicos pelo Banco Central da Venezuela depois de anos, confirmando o acentuado declínio econômico durante o atual governo.

Com a economia em colapso, depois de três tentativas fracassadas do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, de derrubar o ditador, a oposição concordou com a abertura de negociações mediadas pela Noruega.

A oposição suspeita que o diálogo seja apenas uma manobra diversionista de Maduro para ganhar tempo e esvaziar a mobilização popular. Ainda não foi marcada uma data para continuar a negociação.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Queda na produção de petróleo agrava crise na Venezuela

A produção de petróleo da Venezuela caiu dois terços em um ano e meio. Caiu de 1,5 milhão para 500 mil barris diários, informou na terça-feira, 14 de maio, o boletim de notícias Argus, especializado em matérias-primas. O país extrai hoje apenas 500 mil barris por dia de suas imensas reservas, as maiores do mundo.

Em abril, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) estimou a produção venezuelana em 770 mil barris por dia. Uma redução desta ordem, se confirmada, será mais uma péssima notícia para a ditadura de Nicolás Maduro.

A forte queda é atribuída ao aumento das sanções impostas pelos Estados Unidos, que incluem a importação de petróleo venezuelano e a exportação dos diluentes que a companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA) usada para misturar ao óleo pesado que produz e torná-lo próprio para a exportação.

A primeira rodada de sanções dos EUA pressionou uma produção de petróleo abalada por problemas estruturais generalizados, com fuga de mão de obra especializada, falhas de manutenção e a corrupção endêmica do regime chavista.

Um declínio ainda maior na indústria petrolífera da Venezuela é esperada quando as sanções secundárias começarem a ser sentidas. Os EUA proibiram empresas e indivíduos que não moram no país de fazer negócios com a PdVSA, sob pena de não poderem atuar no mercado americano.

Até o final de 2020, a produção pode baixar para 375 mil barris por dia. No pico, em 1998, a Venezuela chegou a produzir mais de 3 milhões de barris por dia.

Como o principal é o único produto de exportação importante da Venezuela e a principal fonte de arrecadação do governo, o virtual colapso do setor agrava ainda mais a situação.

O país vive a pior crise de sua história, com inflação 1.300.000% no ano passado, previsão de 10.000.000% neste ano, queda do produto interno bruto pela metade em cinco anos e desabastecimento generalizado.

Com a crise política, dois governos, a pressão internacional sobre Maduro e a piora da economia, a Venezuela afunda cada vez mais no caos.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Justiça chavista manda prender líder da oposição na Venezuela

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, leal ao regime chavista, ordenou hoje a prisão de Leopoldo López, o líder da oposição que fugiu da prisão domiciliar na segunda-feira à noite e se refugiou na residência do embaixador da Espanha diante do fracasso do levante para derrubar o ditador Nicolás Maduro. O governo espanhol se nega a entregá-lo.

Em comunicado oficial, o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez declarou que López é hóspede da embaixada e que a Espanha acredita que as autoridades venezuelanas vão respeitar a imunidade diplomática da residência do embaixador.

A Venezuela é signatária de duas convenções internacionais que garantem a imunidade das representações diplomáticas, seus funcionários e seus veículos. Violar estas regras causaria forte reação internacional.

Em entrevista na porta da residência do embaixador, López afirmou ter negociado com oficiais e dissidentes do chavismo: "Em 30 de abril, um grande número de militares deu um passo importante. Falei com muitos generais. (...) Nada do que temos peito foi de improviso. Virão mais rupturas no Exército. Esta ditadura vai acabar."

O TSJ quer que López volte para a prisão militar de Ramo Verde, em Caracas, para cumprir o restante de sua pena pela acusação de incitar à violência durante manifestações de protestos em fevereiro de 2014. Pelo menos 42 pessoas foram mortas na época. O regime chavista responsabilizou o líder oposicionista.

Ontem e hoje, pelo menos quatro manifestantes foram mortos pelas forças de segurança. Maduro desfilou da madrugada ao lado de 4,5 mil soldados para reafirmar que tem o apoio das Forças Armadas.

A oposição promete manter a pressão nas ruas até a queda do ditador, mas a expectativa de que conseguiria isso rapidamente se dissipou.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Líder da oposição na Venezuela se refugia em embaixadas

Num sinal de que a rebelião em curso não deve derrubar a ditadura de Nicolás Maduro de imediato, o líder da oposição Leopoldo López entrou na Embaixada do Chile em Caracas. 

Preso desde 2014 e em prisão domiciliar desde 2017, López foi libertado ontem à noite por seus carcereiros como parte do movimento. Mais tarde, ele e a família foram para a representação diplomática da Espanha, país de que têm cidadania.

López é o principal líder do partido Vontade Popular, do presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó. É o homem por trás de Guaidó.

De madrugada, López foi à base aérea de La Carlota, a maior da capital venezuelana. Estava ao lado de Guaidó quando este convocou o povo e as Forças Armadas a se rebelar contra o regime chavista.

Mais tarde, os dois foram a uma manifestação na Praça França e lideraram uma marcha de protesto no Oeste de Caracas, enquanto as forças de segurança leais a Maduro dispersaram uma concentração oposicionista em Chacaito.

O ditador convocou os coletivos, as milícias populares criadas pelo regime, que teriam hoje 2 milhões de membros. Mas, de acordo com o jornal venezuelano El Nacional, poucos saíram para defender Maduro.

Guaidó convoca rebelião e há luta nas ruas de Caracas

O presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido por 52 países, inclusive o Brasil, convocou hoje o povo e as Forças Armadas a uma rebelião contra a ditadura de Nicolás Maduro. 

Algumas unidades militares aderiram à revolta, mas o ministro da Defesa, general Padrino López, fez pronunciamento em apoio a Maduro, ameaçando usar a força para controlar a rebelião.

Na madrugada, Guaidó fez um pronunciamento diante da base aérea de La Carlota, perto do aeroporto de Caracas, ao lado de soldados da Guarda Nacional Bolivariana que o apoiam e de Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular e padrinho de Guaidó. Em seguida, os dois foram a um comício na  Praça da França.

Guaidó pediu à população para sair às ruas para derrubar o "usurpador Nicolás Maduro". O regime chavista acusou a oposição de golpe. Maduro convocou os coletivos, as milícias populares criadas para defender o regime, que teriam hoje 2 milhões de membros.

Em Chacao, uma parte rica da capital onde López foi prefeito, as milícias abriram fogo contra um grupo de manifestantes. Perto dali, em Chacaito, a polícia não conseguiu controlar os manifestantes.

Os Estados Unidos prometeram o fim das sanções aos membros do regime que aderirem a Guaidó. O secretário de Estado, Mike Pompeo, afirmou que havia um avião pronto para levar Maduro para o exílio em Cuba, mas a Rússia o mandou ficar. E o assessor para Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, declarou que o governo Donald Trump espera uma transição pacífica na Venezuela.

Trump, por sua vez, ameaçou aumentar as sanções econômicas a Cuba se o regime comunista cubano continuar apoiando Maduro.

O Brasil também reiterou o apoio a Guaidó, enquanto Rússia, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Turquia repudiaram o que descreveram como uma "tentativa de golpe".

A oposição venezuelana alega que Maduro é um "usurpador", um presidente ilegítimo porque foi eleito de modo fraudulento.

Se a rebelião tiver sucesso, a Venezuela terá um governo mais liberal que terá a tarefa hercúlea de reconstruir a economia do país, arrasada pelas políticas fracassadas que o finado caudilho Hugo Chávez chamava de "socialismo do século 21".

Se a rebelião fracassar, deve haver um endurecimento do regime, com repressão mais rigorosa aos dissidentes e aumento da participação de aliados externos como a Rússia na segurança do que resta do chavismo.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Maduro raciona eletricidade por 30 dias para conter apagão na Venezuela

O ditador Nicolás Maduro anunciou no domingo um racionamento de eletricidade por 30 dias para evitar os cortes incessantes em larga escala que quase paralisam o país desde o início de março. É mais um sinal do colapso econômico da Venezuela, noticiou o jornal venezuelano El Nacional.

"Aprovei um plano de 30 dias prevendo o racionamento de eletricidade para buscar um equilíbrio entre o transporte, a distribuição e o consumo, com atenção especial voltada para o abastecimento de água", declarou o ditador na televisão.

Maduro suspendeu as aulas nas escolas nesta segunda-feira, "podendo voltar na terça ou na quarta-feira", e reduziu a jornada de trabalho. O ditador atribuiu os sucessivos apagões a "ataques terroristas" dentro de uma "guerra elétrica deflagrada contra o país."

"Ontem, no sábado, sofremos um ataque na mesma hora, também com caráter eletromagnético", alegou Maduro, sem indicar quem seriam os possíveis responsáveis por atos terroristas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Maioria da UE reconhece Guaidó como presidente da Venezuela

Dezesseis países da União Europeia - Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Holanda, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Portugal, Reino Unido, República Tcheca e Suécia - reconheceram hoje o presidente da Assembleia Nacional, deputado Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela depois que o ditador Nicolás Maduro se negou a convocar uma nova eleição presidencial.

Maduro está cada vez mais isolado. Os Estados Unidos, o Canadá e 12 países latino-americanos, inclusive o Brasil, também reconheceram Guaidó. O ditador só tem o apoio da China, da Rússia, da Turquia, da Bolívia, de Cuba, da Nicarágua e de El Salvador, onde a esquerdista Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) acaba de sofrer uma derrota fragorosa na eleição presidencial.

O presidente interino deu entrevista a um jornal da China, onde toda a imprensa é controlada pelo Partido Comunista. É um sinal de que o maior credor da Venezuela pode retirar o apoio a Maduro em troca do cumprimento pelo futuro governo dos contratos firmados pelo regime chavista, estimados em US$ 30 bilhões.

A base de sustentação de Maduro, as Forças Armadas da Venezuela, permanece firme, apesar dos apelos da oposição e de outros países. Sem uma divisão interna, o regime não cai.

Em Madri, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, comentou que Guiadó tem uma tarefa clara a cumprir: convocar uma eleição presidencial livre e democrática. O ministro do Exterior britânico, Jeremy Hunt, e o presidente francês, Emmanuel Macron, reforçaram esta ideia, a proposta central da Europa.

"Os venezuelanos têm o direito de se expressar livre e democraticamente. A França reconhece Guaidó como presidente interino para implementar um processo eleitoral", escreveu Macron no Twitter.

Durante viagem ao Japão, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, declarou que Guaidó é o "presidente interino legítimo da Venezuela". A ministra do Exterior da Suécia, Margot Wallstrom, justificou a decisão alegando que a reeleição da Maduro não foi "uma eleição livre e justa".

"Não aceitamos ultimato de ninguém", reagiu Maduro, apegando-se à ameaça de intervenção militar dos EUA para reduzir tudo a uma conspiração americana: "Os EUA querem voltar ao século 20 de golpes militares, governos fantoches e saques de recursos."

sábado, 2 de fevereiro de 2019

General-brigadeiro retira apoio a Maduro na Venezuela

Em mensagem de vídeo divulgada na Internet, o general-brigadeiro Francisco Estéban Yánez Rodríguez, da Força Aérea da Venezuela, descreveu Nicolás Maduro como ditador e anunciou apoio ao presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país em 23 de janeiro. 

Francisco Yánez é general de divisão e diretor de planejamento estratégico do Alto Comando da Aviação. O brigadeiro afirmou que 90% das Forças Armadas são contra a ditadura, incitou outros militares a segui-lo e convocou a população a participar das manifestações de hoje contra Maduro.

O apoio militar é fundamental à sustenção do regime chavista diante do colapso da economia venezuelana. Um dia depois do juramento público de Guaidó como presidente interino, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e os comandantes de todas as regiões militares do país deram apoio a Maduro como "presidente legítimo".

A reeleição antecipada de Maduro, em 22 de maio de 2018, foi vista como fraudulenta pela maior parte do mundo e seu segundo mandato, iniciado em 10 de janeiro deste ano, considerado ilegítimo pelos Estados Unidos, o Canadá e a maior parte dos países latino-americanos do Grupo de Lima, entre eles o Brasil, a Argentina, o Chile, a Colômbia, o Paraguai e o Peru.

Ao se declarar presidente, Guaidó alegou que a Presidência da Venezuela está vaga por causa da ilegitimidade do mandato de Maduro.

O Parlamento Europeu reconheceu Guaidó e a Alemanha, a Espanha, a França e o Reino Unido deram prazo até amanhã para Maduro convocar novas eleições presidenciais. Caso contrário, prometem reconhecer o governo Guaidó.

Até agora, Maduro só aceitou convocar eleições parlamentares antecipadas. As eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015 foram as últimas eleições democráticas na Venezuela. Como a oposição elegeu dois terços da Assembleia Nacional, o que permitiria alterar a Constituição, o governo Maduro recorreu ao Tribunal Supremo de Justiça, que impugnou os mandatos de cinco deputados.

Sem apoio para governar, em 2017, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte eleita com um sistema sob medida para garantir a vitória, tornando a Venezuela numa ditadura. A Constituinte manipulada pelo ditador passou a ser o principal órgão do governo e antecipou a eleição presidencial fraudulenta do ano passado.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Parlamento Europeu reconhece governo Guaidó na Venezuela

Por 439 a 104 votos, com 88 abstenções, o Parlamento Europeu reconheceu hoje presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como "presidente legítimo da Venezuela", pediu aos governos europeus que façam o mesmo e exigiu a libertação de todos os 11 jornalistas presos.

A moção foi proposta pelos conservadores e teve o apoio de liberais e sociais-democratas, além dos eurocéticos britânicos e poloneses. Por exigência dos sociais-democratas, foi incluída um repúdio a "qualquer tentativa que possa implicar no uso da violência para a solução da crise", para se diferenciar da posição mais dura assumida pelos Estados Unidos, que ameaçam com uma intervenção militar.

A Alemanha, a a Espanha, a França e o Reino Unido deram prazo até o próximo domingo para o ditador Nicolás Maduro convocar uma eleição presidencial antecipada. Caso contrário, vão reconhecer o governo Guaidó.

Desde 21 de janeiro, pelo menos 39 pessoas foram mortas pelas forças de segurança e milícias ligadas ao regime durante saques e manifestações de protesto, na maioria, jovens baleados no peito ou na cabeça, com tiros dados para matar.

Nos últimos 10 dias, 939 pessoas foram detidas e 755 continuam presas, inclusive 94 menores de idade submetidos a pressões e maus tratos, informaram o Observatório de Conflitos e o Foro Penal Venezuelano, duas organizações não governamentais de defesa dos direitos humanos.

"Algumas crianças desmaiaram, outras choravam suplicando pela liberdade ou simplesmente para ver suas mães, que também sofriam ao ver seus pequenos atrás das grades. Foi muito duro, muito difícil. Nunca havia passado por uma situação dessas", contou Zuleima Siso, advogada do Foro Penal Venezuelano encarregada da defesa dos menores apreendidos.

Onze jornalistas estrangeiros foram presos, eles o repórter Rodrigo Lopes, do jornal gaúcho Zero Hora, detido e ameaçado. Dois repórteres da televisão pública do Chile foram detidos por 14 horas, tiveram seus telefones celulares e computadores confiscados e foram deportados. Dois repórteres de uma TV da França ficaram dois dias presos por fazer imagens do palácio presidencial de Miraflores. E prenderam uma equipe inteira da agência espanhola EFE, com um jornalista espanhol e uma colombiana, um fotógrafo colombiano e o motorista venezuelano.

A União Europeia protestou, exigindo de Maduro "respeito ao Estado de Direito, aos direitos humanos e às liberdades fundamentais", das quais "a liberdade de imprensa é um elemento central".

Maduro vende ouro e intimida família de Guaidó

Sob crescente pressão internacional, o ditador Nicolás Maduro pretende vender em fevereiro 29 toneladas de ouro das reservas da Venezuela para os Emirados Árabes Unido, sendo nos próximos dias. As temidas Forças de Ações Especiais (Faes) do regime chavista foram até a casa do autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, e intimidaram sua família.

Diante da queda na produção e na receita do petróleo, o Banco Central da Venezuela (BCV) pretende vender nos próximos dias 15 toneladas de ouro a serem pagas em moeda em euros, noticiou a agência Reuters, citada pelo jornal peruano La República. O transporte até Dubai será feito por um avião da Rússia.

"Durante este ano, as vendas das reservas em ouro que sustentam o bolívar começaram com um envio de 3 toneladas em 26 de janeiro. Ao todo, o plano é vender 29 t até o fim de fevereiro", declarou um alto funcionário que preferiu não se identificar.

"As vendas dos lingotes são quase a única alternativa que tem o governo Nicolás Maduro para ter liquidez, diante do bloqueio de acesso à renda do petróleo e de quase todas as opções de financiamento internacional por causa das sanções impostas pelos EUA", acrescentou a mesma fonte.

Em novembro, a Venezuela tinha 132 t de ouro no BCV e no Banco da Inglaterra. O governo Donald Trump advertiu a países, empresas, bancos e operadores que evitem negociar o ouro com Maduro.

Na segunda-feira, os EUA, maior importador do petróleo venezuelano, anunciaram que o dinheiro de futuros negócios será depositado em contas bancárias bloqueadas para a ditadura de Maduro, que só poderiam ser utilizadas pelo governo Guaidó.

Como presidente da Assembleia Nacional, Guaidó assumiu interinamente a Presidência alegando que o cargo estava vago por causa da reeleição fraudulenta de Maduro e da ilegitimidade de seu segundo mandato, iniciado em 10 de janeiro.

O líder oposicionista denunciou nesta quinta-feira que uma tropa de elite da ditadura madurista cercou sua casa e intimidou sua família: "A Faes está em minha casa perguntando por Fabiana [sua mulher]. Neste momento, a ditadura crê que vai nos amedrontar", afirmou Guaidó ao sair da Universidade de Caracas, a maior da Venezuela, onde apresentou seu plano de governo.

"Em minha casa, está meu bebê, de apenas um ano e oito meses. Vou lá e os faço responsáveis pelo que possa suceder a minha família. Convido o corpo diplomático e nossos deputados a que nos acompanhem", declarou.

A casa foi abordada por agentes que andavam em duas motocicletas e numa caminhonete sem placas, método usado regularmente pela ditadura comunista cubana para prender, sequestrar e intimidar dissidente. Agentes cubanos organização a segurança do regime chavista.

Pouco depois, moradores da vizinhança cercaram a casa para garantir a segurança de Guaidó. Já em casa, o presidente interino falou ao lado da mulher e da filha. "O objetivo é evidente, mas não vão conseguir dobrar uma família venezuelana. Assim como não puderam intimidar a cidadania, não vão conseguir intimidar esta família."

O governo Trump ameaçou o "usurpador" Maduro de "sérias consequências" se algo acontecer ao presidente interino. Na terça-feira, o Tribunal Supremo de Justiça, subserviente à ditadura, congelou os bens de Guaidó e o proibiu de sair da Venezuela.

Ao apresentar seu plano de governo, o presidente da Assembleia Nacional convidou a China e a Rússia, as grandes potências que sustentam Maduro política e financeiramente, a negociar.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Oposição da Venezuela convoca protesto para dia da posse de Maduro

A Frente Ampla de oposição na Venezuela convocou uma nova onda de protestos nacionais a partir de 10 de janeiro de 2019, dia da posse do ditador Nicolás Maduro para um novo mandato. 

Seus objetivos são "defender a Constituição" e apelar às Forças Armadas para "restabelecer a ordem constitucional", noticiou ontem o jornal Versión Final, editado na cidade de Maracaibo.

Em uma reunião chamada de Congresso Venezuela Livre, a Frente lançou um manifesto pela mudança política no país com base em uma série de encontros regionais. O texto fala em "reunificar" as forças que lutam contra a ditadura.

Como não reconhecem o resultado da eleição presidencial de 22 de maio, as oposições venezuelanas negam legitimidade ao novo mandato de Maduro. O documento também apela à sociedade internacional para "reconhecer a luta democrática do povo venezuelano e a intensificar as pressões e as ações que contribuam para o fim da ditadura", alegando que o regime chavista é uma ameaça para o mundo e especialmente para a região.

Os protestos devem ser contidos enquanto a polícia e as Forças Armadas mantiverem lealdade do regime, mas sua capacidade para reprimir as manifestações será limitada pela escassez de combustíveis no país com as maiores reservas mundiais de petróleo.

Ontem, as Nações Unidas anunciaram uma "ajuda humanitária de emergência" de saúde e alimentos ao governo da Venezuela no valor de US$ 9,2 milhões para tentar conter a fuga em massa do país. Mais de 4 milhões de pessoas saíram no país nos últimos quatro anos para fugir da depressão econômica de 50%, da hiperinflação prevista para atingir 1.800.000% neste ano, e o desabastecimento generalizado de remédios e alimentos.

A ONU trabalha com um número menor, mas pesquisadores e acadêmicos venezuelanos argumentam que não leva em conta quem tem dupla nacionalidade e quem não fez uma declaração de saída definitiva.

Na Colômbia, a vice-presidente Marta Lucía Ramírez afirmou nesta terça-feira em Miami que a "tragédia da diáspora venezuelana" exige a ajuda todos os países da região para acolher os refugiados, Mais de 1 milhão foram para a Colômbia, além do regresso de colombianos que fugiram para o país vizinho durante a longa guerra civil colombiana.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Ex-vice-presidente Elías Jaua critica ditador Maduro na Venezuela

Em mais um sinal de divisão interna no regime chavista, o ex-vice-presidente e ex-ministro do Exterior Elías Jaua criticou o ditador Nicolás Maduro e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) pelo tratamento dos funcionários públicos e outras questões internas, noticiou o boletim de notícias Aporrea, defensor do chavismo.

Com o colapso da produção de petróleo e o agravamento da pior crise de uma economia moderna, vai haver menos dinheiro para garantir a lealdade de funcionários públicos e do PSUV à ditadura de Maduro.

As críticas de Jaua são um sinal evidente da fratura do regime, depois da prisão nos últimos meses de vários militares ligados ao caudilho Hugo Chávez quando ele chegou ao poder na eleição de 1998. Jaua era ministro da Educação e caiu em setembro.

Ao inaugurar a Feira Internacional de Livro da Venezuela, em Caracas, Maduro responsabilizou o boicote econômico parcial dos Estados Unidos pela falta de medicamentos e alimentos: "Não podemos comprar remédios, saibam os embaixadores, não podemos comprar medicamentos e alimentos complementares para a dieta dos venezuelanos em dólares porque está proibido."

Desde 2015, há uma grande escassez de remédios e alimentos na Venezuela. O governo Donald Trump impôs em agosto de 2017 uma série de medidas para proibir transações em dólares do governo venezuelano e da companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA).

Em março deste ano, os EUA proibiram qualquer transação com criptomoedas venezuelanas. Para tentar contornar a crise financeiro, o desgoverno Maduro lançou em 9 de janeiro de 2016 uma moeda digital, o petro.

A partir de 1º de novembro, o governo Trump bloqueou os bens e ativos de qualquer pessoa que opere no setor de ouro ou qualquer outro setor "cúmplice da corrupção governamental".

Como o regime chavista cooptou as Forças Armadas, prendeu militares rebeldes e fuzilou um policial rebelde que sequestrou um helicóptero e atirou contra a sede do Ministério do Interior, deixando claro que vai matar dissidentes, o fim do regime terá de vir de dentro do próprio sistema.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Guerrilha colombiana faz mineração ilegal de ouro na Venezuela

O Exército de Libertação Nacional (ELN), maior grupo guerrilheiro colombiano desde o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), está minerando ouro ilegalmente no Leste da Venezuela, a centenas de quilômetros da fronteira entre os dois países, noticiou ontem o jornal britânico The Guardian.

Em meio ao caos da economia venezuelana, o ELN, engrossado por ex-rebeldes das FARC, e outros grupos armados clandestinos aproveitam a oportunidade para ganhos ilícitos, provocando conflitos entre colombianos e venezuelanos que causaram a morte de pelo menos sete mineiros.

As minas clandestinas ficam em Tumerero, no estado de Bolívar, perto da fronteira da Venezuela com a Guiana. O pior confronto durou três dias, de 14 a 17 de outubro. Nos últimos dois anos, pelo menos 107 pessoas foram mortas em massacres em Bolívar

Com a pior crise de uma economia desenvolvida da história, um quilo de carne custa mais do que o salário médio de uma semana de trabalho. Mais de 80% dos venezuelanos caíram na miséria e mais de 4 milhões fugiram do país.

Quem ficou luta desesperadamente para conseguir algum dinheiro. A mineração ilegal é uma das opções, apesar de todos os riscos. A ditadura de Nicolás Maduro nega a presença de guerrilheiros colombianos no país.

Como o regime chavista é de esquerda e acusa a Colômbia, aliada dos Estados Unidos, de interferir na política interna venezuelana, há muitos anos a Venezuela acolhe guerrilheiros colombianos.

Um analista do International Crisis Group. Bram Ebus, acredita que o ELN tem a intenção de dominar a região mineradora e ficar lá por um longo tempo. Américo de Grazia, da oposição venezuelana denuncia a conivência da ditadura de Maduro: "O silêncio é consentimento. Eles sabem que o ELN está em ação no estado de Bolívar."

terça-feira, 22 de maio de 2018

Advogados da Venezuela concordam em pagar dívida da PdVSA

A empresa estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) aceitou ontem pagar US$ 2 bilhões à companhia petrolífera americana ConocoPhillips para que a Justiça de Curaçao, uma colônia da Holanda, levante a hipoteca sobre seus bens e ativos.

No início do mês, tribunais holandeses nas ilhas de Bonaire, Curaçao e Santo Eustáquio determinaram a indisponibilidade de bens da PdVSA, inclusive petróleo bruto, uma refinaria e terminais de exportações de petróleo.

Em abril, um painel de arbitragem da Câmara de Comércio Internacional decidiu que a PdVSA deve pagar US$ 2 bilhões de compensação à ConocoPhillips pela nacionalização da filial da empresa na Venezuela em 2007, durante o governo Hugo Chávez.

Sob o "socialismo do século 21" do chavismo, a Venezuela engendrou a pior crise econômica da história da América, superando a Grande Depressão (1929-39) nos Estados Unidos. Duas décadas de incompetência gerencial, clientelismo e corrupção e a forte queda nos preços do petróleo desde junho de 2014 deixaram na miséria 81% dos habitantes do país com as maiores reservas mundiais de petróleo.

Agora, quando o preço do petróleo volta a superar os US$ 70 por barril, a PdVSA está totalmente sucateada, com a produção reduzida à metade para cerca de 1,4 milhão de barris por dia.