Mostrando postagens com marcador Juan Guaidó. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Juan Guaidó. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de outubro de 2020

Leopoldo López foge da Venezuela e chega à Espanha

Um dos principais líderes da oposição na Venezuela, Leopoldo López, chegou hoje à Espanha depois de sair ontem da residência do embaixador espanhol em Caracas, onde estava refugiado há um ano e meio, e atravessar por terra a fronteira com a Colômbia. 

Principal líder do partido Vontade Popular, López foi preso e condenado a 13 anos, 9 meses, 7 dias e 12 horas por incitar à violência durante uma onda de protestos em que 43 pessoas morreram e mais de 4 mil foram presas, de fevereiro a maio de 2014. Era considerado preso político pelas Nações Unidas, a Anistia Internacional e o Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos). 

O procurador que o denunciou, Franklin Nieves, fugiu para os EUA e afirmou ter sido pressionado pela ditadura de Nicolas Maduro a condená-lo.

Mesmo preso, López chegou a liderar, em setembro de 2016, uma pesquisa para ser o candidato presidencial da oposição. É o chefe político do presidente da Assembleia Nacional, deputado Juan Guaidó, declarado presidente pela maioria oposicionista no parlamento em janeiro de 2019. 

Depois de anos na prisão militar de Ramo Verde, em 8 de julho de 2017, foi para prisão domiciliar. Em 30 de abril do ano passado, López foi libertado durante uma tentativa de sublevar a Força Armada Nacional Bolivarista contra o ditador Nicolás Maduro. Com o fracasso da revolta, refugiou-se na residência do embaixador da Espanha, de onde fugiu no sábado. O governo venezuelana acusa a diplomacia espanhola de facilitar a fuga.

"Venezuelanos, esta decisão não foi fácil, mas tenham a certeza de que podem contar com este servidor para lutar em qualquer lugar", tuitou López ao chegar a Madri, onde se reuniu com a mulher, Lilian Tintori, e os três filhos. "Não vamos descansar e continuaremos trabalhando dia e noite para conquistar a liberdade que todos os venezuelanos merecem."

Economista e político, Leopoldo Eduardo López Mendoza, de 49 anos, foi de 2000 a 2008 prefeito de Chacao, uma cidade rica da Grande Caracas, e a apoiou o golpe contra o presidente Hugo Chávez em 11 de abril de 2002, tornando-se um dos líderes da oposição.

Em 2008, López não pôde concorrer à Prefeitura de Caracas pela Controladoria-Geral da República por irregularidades quando era prefeito de Chacao. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, decidiu a seu favor por unanimidade, mas o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela não reconheceu o tribunal internacional.

Quando foi formada a Mesa da Unidade Democrática (MUD), a coalizão oposicionista contra o chavismo, Henrique Capriles, que concorreu à Presidência contra Chávez e Maduro, era o mais moderado; López, o mais radical. Hoje, ambos estão proibidos de concorrer.

As três manobras para tentar desestabilizar o regime, nas quais López certamente estava envolvido, a proclamação de Guaidó como presidente interino, uma grande "ajuda humanitária" articulada pelos Estados Unidos e a tentativa de sublevar os quartéis, fracassaram. 

Apesar da crise econômica, agravada pela pandemia, Maduro se mantém no poder e prepara eleições sob encomenda em dezembro para acabar com a maioria oposicionista na Assembleia Nacional, formada nas últimas eleições democráticas na Venezuela, em 6 de dezembro de 2015. Vamos ver qual será o próximo lance de López em Madri.

quinta-feira, 26 de março de 2020

EUA denunciam Maduro por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Departamento da Justiça dos Estados Unidos denunciou hoje o ditador Nicolás Maduro e mais de dez altos funcionários da Venezuela por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro - e ofereceram uma recompensa de US$ 15 milhões de dólares, mais de R$ 75 milhões, por informações que levem à sua captura.

As acusações, apresentadas em tribunais de Nova York, da Flórida e de Washington, são resultado de uma década de investigações. Maduro e os demais denunciados são acusados de agir em coordenação com guerrilheiros colombianos para enviar toneladas de cocaína para os EUA nos últimos 20 anos.

Em entrevista coletiva em Washington, o procurador-geral e secretário da Justiça do governo Donald Trump, William Barr, descreveu o regime chavista da Venezuela como "empestado pela criminalidade e a corrupção", dominado por "um sistema construído e controlado para enriquecer quem está nos altos escalões do governo".

O presidente da Corte Suprema da Venezuela, Maikel José Moreno, foi denunciado por receber milhões de dólares de propina e de gastar o dinheiro com artigos de luxo de propriedades na Flórida.

Maduro preside a um governo catastrófico, com uma depressão econômica que reduziu o produto interno bruto venezuelano à metade desde a morte do caudilho Hugo Chávez, em março de de 2013.

A Venezuela enfrenta uma hiperinflação superior a um milhão por cento ao ano e desabastecimento generalizado. Como muitos hospitais não nem água e fornecimento regular de energia elétrica, o impacto da pandemia do coronavírus deve ser catastrófico.

Em janeiro do ano passado, a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, declarou a nulidade do novo mandato de Maduro, reeleito com fraude, e empossou seu presidente, Juan Guaidó, como presidente interino.

Mais de 50 países, inclusive os EUA, o Brasil e a maioria da União Europeia, reconhecem Guaidó como o presidente legítimo da Venezuela, mas sua tentativa de estimular um golpe militar fracassou.

Com o apoio da cúpula das Forças Armadas, envolvidas nos crimes do regime, Maduro continua no poder e dificilmente será levado à Justiça dos EUA. A denúncia é mais uma tentativa de forçar sua queda. Talvez o vírus seja mais eficiente.

Há um precedente. Em 1988, dois tribunais do júri de Miami e Tampa, na Flórida, denunciaram o então ditador do Panamá, general Manuel Antonio Noriega, por extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Os EUA invadiram o Panamá em dezembro de 1989. Noriega foi preso e levado para julgamento nos EUA. Condenado a 40 anos de prisão, Noriega teve a pena reduzida para 17 anos por bom comportamento na cadeia.

Em 2010, o ex-ditador foi extraditado para a França, onde pegou 7 anos de prisão por lavagem de dinheiro. No ano seguinte, foi extraditado para o Panamá, onde morreu em 2017 de um tumor cerebral.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Trump congela todos os bens da Venezuela nos EUA

Por decreto, o presidente Donald Trump ordenou ontem o congelamento de todos os ativos da Venezuela e proibiu qualquer transação com a ditadura de Nicolás Maduro, sob pena de sanções, noticiou hoje o jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York.

Este embargo total é mais uma tentativa dos Estados Unidos de aumentar a pressão sobre o regime chavista e forçar sua queda. A Venezuela já está sob sanções, especialmente a companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA). O sucesso da nova medida depende da capacidade do governo americano que impor o embargo enquanto China e Russia mantêm o apoio a Maduro.

Ao reagir às novas sanções, o governo venezuelano acusou os EUA de "terrorismo econômico". Os EUA adotaram este tipo de embargo contra Cuba e a Coreia do Norte, sem conseguir derrubar seus regimes comunistas.

Em janeiro, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, foi proclamado presidente interino. Seu governo paralelo foi reconhecido pelos EUA, pela maioria dos países da América Latina, inclusive o Brasil, e pela maioria da União Europeia.

O governo Trump tentou usar uma operação de ajuda humanitária para desestabilizar Maduro e Guaidó chegou a convocar um levante popular e militar contra a ditadura, mas a cúpula das Forças Armadas manteve o apoio ao regime chavista.

Durante o último encontro do presidente Jair Bolsonaro com Trump, na reunião do Grupo dos 20 em Osaka, no Japão, no fim de junho, o Brasil deixou claro que não vai participar de qualquer intervenção militar na Venezuela. Trump e Bolsonaro também manifestaram preocupação com uma possível derrota do presidente Mauricio Macri na eleição presidencial de outubro na Argentina.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

ONU acusa ditadura da Venezuela por mais de 5 mil mortes em 2018

Em relatório divulgado hoje pela alta comissária para direitos humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, as Nações Unidas denunciam a trágica situação política, econômica e humanitária da Venezuela.

No ano passado, o governo venezuelano registrou 5.287 mortos como "autos de resistência", quando as vítimas supostamente teriam resistido à prisão, aliás argumento usado amplamente pelas polícias no Brasil. Neste ano, até 19 de maio, houve 1.569 mortos em "atos de resistência". Em 31 de maio, havia 793 presos políticos no país. Em resposta ao relatório, a ditadura soltou hoje cerca de 20 presos.

De janeiro a maio deste ano, 66 pessoas foram mortas em protestos contra o regime chavista e o ditador Nicolás Maduro. Pelo menos 52 dessas mortes foram atribuídas às forças de segurança e aos colectivos, as milícias criadas pelo finado caudilho Hugo Chávez para defender o regime. Meu comentário:

A Venezuela é hoje um dos países mais violentos do mundo. Caracas é a terceira cidade mais violenta do mundo. Além das milícias e dos grupos mafiosos, cerca de metade do país teria se tornado território livre para a ação de guerrilheiros e grupos paramilitares da Colômbia, que traficam drogas, fazem contrabando e mineração ilegal. Restabelecer a ordem pública será mais um grande desafio do futuro governo venezuelano.

Desde o início do ano, 22 deputados da oposição na Assembleia Nacional perderam a imunidade parlamentar.

Além desses crimes e abusos, o relatório da ONU observa que “amplos setores da população não têm acesso à distribuição de comida” feita pela ditadura de Nicolás Maduro. Algumas pessoas “passam em média dez horas por dia na fila para conseguir comida.”

A situação dos hospitais da Venezuela também é trágica, com “falta de funcionários, suprimentos, medicamentos e eletricidade”. Entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019, mil 557 morreram por causa dessas carências.

Nos últimos anos, 4 milhões de pessoas fugiram da Venezuela, 12,5% da população do país. A previsão é que este êxodo chegue a 8 milhões até o fim de 2020, se a situação econômica não melhorar – e não tem a menor chance de melhorar enquanto Maduro, seu regime chavista e o chamado socialismo do século 21 estiverem no poder.

O produto interno bruto caiu pela metade desde a posse de Maduro, em 2013, e a inflação deve chegar a 10 milhões por cento.

A ditadura chavista também oprime os povos indígenas, com perda de terras para forças militares, máfias do crime organizado e grupos armados. A mineração ilegal, especialmente nos estados do Amazonas e Bolívar, é outra ameaça, “com violação de vários direitos coletivos, inclusive o direito de manter seus costumes e estilo de vida profissional, e a relação espiritual com a terra”.

Ao apresentar o relatório, Michelle Bachelet declarou que “a única saída para esta crise é se reunir e dialogar”. Apesar da tragédia, a alta comissária da ONU disse ter esperança. Bachelet visitou a Venezuela, onde esteve com o ditador Maduro e com líderes da oposição.

Depois do fracasso de três manobras do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, o governo e a oposição da Venezuela iniciaram um diálogo em Oslo, na Noruega, com mediação do México, da Noruega e do Uruguai. Mas as negociações não avançaram.

Maduro propôs antecipar as eleições para a Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços em dezembro de 2015, mas não a realização de uma nova eleição presidencial. Como o regime controla a máquina pública e os meios de comunicação, a oposição viu uma tentativa de tomar o pouco poder que lhe resta.

O representante da Venezuela no Conselho de Direitos Humanos da ONU repudiou as conclusões do relatório, alegando que é “incompreensível”, sem “rigor científico” e que omite o “boicote imoral” que o país enfrenta com as sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como a ditadura ainda conta com o apoio das Forças Armadas, é provável que o atual impasse se arraste, com a deterioração da situação política e econômica da Venezuela. As outras possibilidades são um golpe militar dentro do regime com a tomada do poder pelos militares ou uma transição para a democracia ou o colapso total do Estado, com anarquia e guerra civil.

O Brasil, os Estados Unidos e os outros 50 países que apoiam o governo paralelo da oposição devem oferecer acordos de leniência para os altos dirigentes chavistas que abandonarem o regime. 

A transição pós-ditadura será árdua e longa. O Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 milhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia. Antes, Maduro e seu regime precisam cair.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Oposição apresenta planos para renegociar dívidas da Venezuela

Em uma nova proposta política, os assessores do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido pelo Brasil, os Estados Unidos e outros 50 países, revelaram planos para renegociar reclamações de empresas estatizadas, compras não pagas e bônus caloteados, sem abrir mão de revisar tudo para corrigir preços inflacionados e queixas fraudulentas, e denúncias de corrupção.

A grande promessa da oposição é tratar todos os credores da mesma maneira, independentemente do tipo de dívida e de que órgão a contratou, noticiou hoje o jornal inglês Financial Times. Meu comentário:

terça-feira, 2 de julho de 2019

Credores cercam regime da Venezuela para cobrar dívidas de US$ 175 bilhões

Com o fracasso da revolta da oposição, os credores perdem a esperança de uma recuperação em curto prazo da economia da Venezuela e tentam cobrar US$ 175 bilhões em dívidas caloteadas e propriedades estatizadas.

A ditadura de Nicolás Maduro prendeu mais um assessor do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino em janeiro, alegando que a reeleição de Maduro foi fraudulenta. O deputado Juan Requesens foi acusado de participar de uma suposta tentativa de assassinar Maduro com um drone em agosto de 2018.

Requesens pertence ao partido do ex-governador Henrique Capriles, candidato da oposição derrotado nas eleições presidenciais de 2012 e 2013. No ano passado, foi impedido de concorrer. Requesens é um dos principais aliados de Guaidó. Por isso, as acusações são vistas como uma jogada da ditadura para justificar a prisão de Guaidó.

Os Estados Unidos, que apoiam Guaidó junto com mais de 50 países, inclusive o Brasil, advertiram o regime chavista a adotar nenhuma medida de força contra Guaidó

Diante do fracasso da tentativa de derrubar Maduro, a oposição está dividida. Guaidó pode não ser reeleito presidente do parlamento em 2020. Sem a expectativa de recuperação econômica que a queda de Maduro traria, os credores tentam recuperar pelo menos parte do dinheiro.

Depois de 20 anos de regime chavista, a Venezuela deve 175 bilhões de dólares em dívidas não pagas e bens desapropriados em nome do chamado socialismo do século 21. Com a renda anual do petróleo em menos de 30 bilhões de dólares, a Venezuela não tem como pagar. Essas dívidas serão mais obstáculos para a recuperação da economia do país. Meu comentário:

Em 1970, a Venezuela tinha a maior renda por pessoa da América Latina. Quando o caudilho Hugo Chávez chegou ao poder, em 1999, era a segunda maior, atrás apenas da Argentina. Desde a morte de Chávez, em 2013, o produto interno bruto caiu pela metade. A inflação deste ano deve chegar a 10 milhões por cento. O desabastecimento é generalizado. O país com as maiores reservas de petróleo do mundo não tem dinheiro para comprar papel higiênico.

Hoje, o Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 bilhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia.

Na última década, a Venezuela caloteou a maior parte da dívida externa, especialmente a partir da forte queda nos preços do barril de petróleo, que valia 110 dólares em junho de 2014 e hoje vale 56 dólares.

Sem esperança.de renegociar a dívida em curto prazo, os credores tentam arrestar navios petroleiros, carregamentos de petróleo e instalações petrolíferas no exterior. Mesmo que o regime chavista acabe, as batalhas legais entre os credores e as autoridades venezuelanas devem se arrastar durante anos.

O problema para os credores é que Maduro permanece firme no Palácio de Miraflores com o apoio da cúpula das Forças Armadas.

A maior parte da dívida da empresa estatal Petróleos de Venezuela S. A., a PdVSA, vence nos próximos dez anos. A oposição planeja revitalizar o setor petrolífero cedendo a investidores privados o controle de áreas de exploração de petróleo, mas a herança maldita do chavismo será um setor de energia muito menor do que antes.

A produção de petróleo, que chegou a um pico de 3 milhões de barris por dia, ficou em 730 mil barris por dia em abril e pode cair a 500 mil barris diários até o fim do ano. Em outubro do ano passado, a Justiça Federal dos Estados Unidos autorizou os credores a mover ações contra a Citgo, uma empresa privada com participação da PdVSA que refina o petróleo venezuelano nos Estados Unidos.

Neste ano, o governo Donald Trump congelou todos os bens e ativos da Venezuela nos Estados Unidos, colocando-os à disposição do governo paralelo da oposição, liderado por Guaidó.

A cobrança de juros sobre as dívidas não pagas aumentam ainda mais o total da dívida a ser renegociado pelo futuro governo. Os futuros investidores terão de esperar até que o problema seja resolvido. A PdVSA também não terá condições de levantar capital enquanto não se livrar das obrigações.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Ex-diretor de inteligência da Venezuela faz sérias acusações a Maduro

O general Manuel Ricardo Christopher Figuera, ex-diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), chegou ontem aos Estados Unidos e fez sérias denúncias contra o regime chavista da Venezuela, noticiou hoje o jornal americano The Washington Post.

De acordo com o general, o palácio presidencial de Miraflores está tomado por agentes cubanos, corruptos e ladrões. O ex-ditador cubano Raúl Castro é um dos principais conselheiros do ditador venezuelano. O filho de Maduro lucra com a exploração ilegal de ouro. O vice-presidente Tareck Aissimi, acusado de tráfico de drogas nos Estados Unidos, faz lavagem de dinheiro.

Figuera também denunciou que a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) levanta dinheiro na Venezuela para suas ações terroristas. O Exército de Libertação Nacional, uma guerrilha comunista colombiana, ofereceu ajuda a Maduro contra ameaças externas.

A economia da Venezuela está à beira do colapso. Mais de 4 milhões de venezuelanos fugiram do país nos últimos anos. A organização não governamental Foro Penal denuncia que há 688 presos políticos no país.

Mais impressionante é que Maduro ainda não tenha caído. Meu comentário:

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Venezuela prende vice-presidente da Assembleia Nacional

Na primeira retaliação contra um dos líderes da fracassada rebelião de 30 de abril, o Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin) prendeu hoje o vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Edgar Zambrano.

Dez líderes da oposição são acusados de "traição, conspiração e rebelião" por terem convocado militares e a população em geral para um levante contra a ditadura de Nicolás Maduro, inclusive o presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, e o líder de seu partido, Vontade Popular, Leopoldo López.

Guaidó reagiu no Twitter: "Estão tentando destruir o poder que representa todos os venezuelanos, mas não vão vencer."

O próprio Zambrano transmitiu sua prisão ao vivo. Seu carro foi cercado por agentes do Sebin. Como ele se recusou a sair, o carro foi guinchado até a prisão de Helicoide, onde o regime chavista mantém vários prisioneiros políticos.

A oposição obteve maioria de dois terços na Assembleia Nacional nas últimas eleições democráticas realizadas na Venezuela, em 6 de dezembro de 2015. Desde então, Maduro tomou várias medidas para anular a vitória da oposição, em especial a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte eleita sob medida pelo regime para usurpar o poder do parlamento eleito democraticamente.

Em maio do ano passado, Maduro foi reeleito com fraude generalizada. Os principais candidatos da oposição foram impedidos de concorrer. Depois da posse, em 10 de janeiro de 2019, a Assembleia Nacional o considerou um presidente ilegítimo e proclamou Guaidó como presidente interino até a realização de nova eleição.

Por três vezes, Guaidó tentou derrubar Maduro: ao se apresentar como presidente legítimo, em 23 de janeiro, ao tentar promover uma entrega de ajuda humanitária e no fim do mês passado, ao convocar a rebelião.

Apesar dos apelos da oposição e uma suposta negociação de seus líderes com os militares, a cúpula das Forças Armadas manteve o apoio a Maduro. A prisão de Zambrano marca o início de uma repressão mais dura contra os chefes da rebelião.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Maduro demite chefe da inteligência nacional na Venezuela

O ditador Nicolás Maduro demitiu o general Manuel Ricardo Christopher Figuera da direção do Serviço Boliviariano de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto do regime chavista, por apoiar o levante convocado pelo presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

Volta ao comando o general Gustavo González López, que havia sido afastado em outubro de 2018 sob suspeita de não ser leal a Maduro por ser mais ligado ao número dois do chavismo, o atual presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello. Sua tarefa será demitir os agentes que estariam ao lado de Guaidó.

Em apoio à rebelião, Figuera orientou seus agentes a apoiar o movimento da oposição. Horas depois, declarou lealdade a Maduro, mas criticou os erros do atual governo, que levou o país a uma situação econômica catastrófica, com queda de 50% no produto interno bruto, inflação de 1.000.000% ao ano e desabastecimento generalizado.

A situação na Venezuela ainda é incerta, com milhares de manifestantes nas ruas protestando contra o atual governo e pedindo a queda de Maduro. A oposição não teve o apoio que esperava das Forças Armadas. Um grande número de soldados e oficiais de baixa patente está ao lado de Guaidó, mas a cúpula militar permanece fiel ao regime chavista.

Na análise do ministro da Segurança Institucional do Brasil, general Augusto Heleno, em entrevista aO Globo, a multidão que saiu às ruas "era pouca gente para derrubar um governo". O general considerou o "esquema militar" de Guaidó "precário" e reafirmou que o Brasil não tem a menor intenção de intervir na Venezuela.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Líder da oposição na Venezuela se refugia em embaixadas

Num sinal de que a rebelião em curso não deve derrubar a ditadura de Nicolás Maduro de imediato, o líder da oposição Leopoldo López entrou na Embaixada do Chile em Caracas. 

Preso desde 2014 e em prisão domiciliar desde 2017, López foi libertado ontem à noite por seus carcereiros como parte do movimento. Mais tarde, ele e a família foram para a representação diplomática da Espanha, país de que têm cidadania.

López é o principal líder do partido Vontade Popular, do presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó. É o homem por trás de Guaidó.

De madrugada, López foi à base aérea de La Carlota, a maior da capital venezuelana. Estava ao lado de Guaidó quando este convocou o povo e as Forças Armadas a se rebelar contra o regime chavista.

Mais tarde, os dois foram a uma manifestação na Praça França e lideraram uma marcha de protesto no Oeste de Caracas, enquanto as forças de segurança leais a Maduro dispersaram uma concentração oposicionista em Chacaito.

O ditador convocou os coletivos, as milícias populares criadas pelo regime, que teriam hoje 2 milhões de membros. Mas, de acordo com o jornal venezuelano El Nacional, poucos saíram para defender Maduro.

Guaidó convoca rebelião e há luta nas ruas de Caracas

O presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido por 52 países, inclusive o Brasil, convocou hoje o povo e as Forças Armadas a uma rebelião contra a ditadura de Nicolás Maduro. 

Algumas unidades militares aderiram à revolta, mas o ministro da Defesa, general Padrino López, fez pronunciamento em apoio a Maduro, ameaçando usar a força para controlar a rebelião.

Na madrugada, Guaidó fez um pronunciamento diante da base aérea de La Carlota, perto do aeroporto de Caracas, ao lado de soldados da Guarda Nacional Bolivariana que o apoiam e de Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular e padrinho de Guaidó. Em seguida, os dois foram a um comício na  Praça da França.

Guaidó pediu à população para sair às ruas para derrubar o "usurpador Nicolás Maduro". O regime chavista acusou a oposição de golpe. Maduro convocou os coletivos, as milícias populares criadas para defender o regime, que teriam hoje 2 milhões de membros.

Em Chacao, uma parte rica da capital onde López foi prefeito, as milícias abriram fogo contra um grupo de manifestantes. Perto dali, em Chacaito, a polícia não conseguiu controlar os manifestantes.

Os Estados Unidos prometeram o fim das sanções aos membros do regime que aderirem a Guaidó. O secretário de Estado, Mike Pompeo, afirmou que havia um avião pronto para levar Maduro para o exílio em Cuba, mas a Rússia o mandou ficar. E o assessor para Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, declarou que o governo Donald Trump espera uma transição pacífica na Venezuela.

Trump, por sua vez, ameaçou aumentar as sanções econômicas a Cuba se o regime comunista cubano continuar apoiando Maduro.

O Brasil também reiterou o apoio a Guaidó, enquanto Rússia, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Turquia repudiaram o que descreveram como uma "tentativa de golpe".

A oposição venezuelana alega que Maduro é um "usurpador", um presidente ilegítimo porque foi eleito de modo fraudulento.

Se a rebelião tiver sucesso, a Venezuela terá um governo mais liberal que terá a tarefa hercúlea de reconstruir a economia do país, arrasada pelas políticas fracassadas que o finado caudilho Hugo Chávez chamava de "socialismo do século 21".

Se a rebelião fracassar, deve haver um endurecimento do regime, com repressão mais rigorosa aos dissidentes e aumento da participação de aliados externos como a Rússia na segurança do que resta do chavismo.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Ditadura de Maduro declara inelegibilidade de Guaidó por 15 anos

O controlador-geral da República Bolivarista da Venezuela, Elvis Amoroso, aliado do ditador Nicolás Maduro, decidiu hoje afastar o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó da Presidência da Assembleia Nacional e declará-lo inelegível por 15 anos, sob a acusação de corrupção.

De acordo com Amoroso, Guaidó não justificou em suas declarações de renda despesas realizadas na Venezuela e em outros países com dinheiro oriundo de outros países: "Ele fez mais de 24 viagens fora do território venezuelano a um custo superior a 310 milhões de bolívares [cerca de US$ 90 mil pelo câmbio do dia] sem justificar a origem destes fundos".

Como presidente da Assembleia Nacional eleita nas últimas eleições democráticas na Venezuela, em 6 de dezembro de 2015, Guaidó se declarou presidente interino em 23 de janeiro, sob a alegação de que o segundo mandato de Maduro é ilegítimo por ter resultado de uma eleição fraudulenta.

Mais de 50 países reconheceram Guaidó como presidente legítimo, inclusive o Brasil e outros 12 países da América Latina, os Estados Unidos, o Canadá e 16 das 28 nações da União Europeia. A China e a Rússia apoiam a ditadura de Maduro.

Nos últimos dias, a Rússia enviou aviões militares com cerca de soldados e equipamentos. Eles devem ajudar na segurança pessoal de Maduro e da cúpula do regime, tentando evitar um golpe dentro do chavismo. O presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu a retirada imediata dos russos.

Com a queda à metade do produto interno bruto desde a posse de Maduro, há seis anos, uma inflação de 1.000.000% ao ano em 2018 e desabastecimento generalizado, 94% dos venezuelanos vivem na miséria e 24% (7 milhões) precisam de ajuda humanitária, revelou hoje um relatório das Nações Unidas.

Cerca de 3,7 milhões sofrem de desnutrição. Há surtos de doenças como tuberculose, difteria, malária e hepatite A, principalmente por causa da escassez de água potável. Com quedas frequentes na energia elétrica, Caracas e outras cidades ficam no escuro seguidamente. Em média, 5 mil pessoas fogem da Venezuela a cada dia. Mais de 4 milhões deixaram o país nos últimos anos.

sexta-feira, 22 de março de 2019

EUA aplicam novas sanções à Venezuela por prisão de assessor de Guaidó

O Escritório de Controle de Ativos no Exterior do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou hoje sanções ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela. É uma retaliação à prisão arbitrária de Roberto Marrero, chefe de gabinete do presidente da Assembleia Nacional, deputado Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino do país.

A medida foi tomada pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, com o apoio do secretário de Estado, Mike Pompeo, que "exigiu a libertação imediata" e prometeu punição para os responsáveis pela prisão.

Marrero foi detido na madrugada de ontem por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), que arrombaram a porta de sua casa.

terça-feira, 19 de março de 2019

EUA não devem intervir militarmente na Venezuela

Apesar das ameaças dos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro no encontro de hoje na Casa Branca, quando falaram que "todas as opções estão na mesa", é improvável que os Estados Unidos intervenham militarmente na Venezuela para derrubar a ditadura de Nicolás Maduro.

Um dos maiores pesadelos de um presidente americano é aquela imagem dos soldados mortos voltando para casa em caixões enrolados na bandeira, a memória da Guerra do Vietnã, de onde Trump fugiu com atestado médico falso, como reiterou seu ex-advogado em depoimento na Câmara dos Representantes.

O presidente americano nunca desceu do palanque. Só pensa na reeleição e falta menos de um ano para o início das eleições primárias. A própria questão do muro na fronteira com o México é uma jogada de marketing eleitoral.

No Discurso sobre o Estado da União do ano passado, Trump falou num projeto de reforma do sistema de imigração. Nunca levou adiante. A batalha do muro mobiliza as bases eleitorais de que precisa para enfrentar os processos a que está sujeito e a eleição, que pode ao menos adiar estes processos.

O atual modelo de intervenção militar dos EUA vem do governo Barack Obama (2009-17) e foi usado na Líbia e na Síria. A Força Aérea dos EUA bombardeia do alto e a operação terrestre é terceirizada. 

No caso da Líbia, ficou a cargo das milícias que lutavam contra Kadafi e até hoje disputam o poder entre si. Na Síria, os EUA criaram as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda de maioria síria.

Ao anunciar a retirada dos 2 mil soldados americanos da Síria, Trump abandonou as FDS, pressionadas de um lado pelo Exército da Turquia e do outro pelas forças que sustentam o ditador Bachar Assad. Como teme que os curdos da Síria se aliem aos do Iraque para proclamar a independência do Curdistão, o ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, se ofereceu para patrulhar a área tomada do Estado Islâmico. As FDS já pediram proteção a Assad, o que fortaleceria a Rússia e o Irã, inimigos dos EUA.

Os militares brasileiros devem estar atentos ao abandono das FDS por Trump, uma das causas da demissão do secretário da Defesa, James Cachorro Louco Mattis. Nenhum general que se preze abandona aliados. 

Trump está disposto a descartar os aliados assim que entender que não precisa mais deles. Despreza aliados, é isolacionista e não tem visão estratégica. Ignora que a retirada dos EUA do Iraque sob Obama abriu caminho para a ascensão do Estado Islâmico.

No caso da Venezuela, quem faria a operação terrestre: Brasil e Colômbia? A Colômbia é uma antiga aliada dos EUA, cujo apoio foi decisivo para enfrentar as máfias do tráfico de drogas e as guerrilhas esquerdistas. Mas vive o momento de maior paz de sua história. Não vai entrar num conflito que pode se arrastar por décadas. A maior parte das Forças Armadas da Venezuela se concentra perto da fronteira com a Colômbia.

O Brasil não tem nada a ganhar com isso. Os militares brasileiros foram claros ao rejeitar a presença de soldados americanos na operação de ajuda humanitária. Também recusaram a proposta delirante e insana do chanceler Ernesto Araújo de instalar uma base militar dos EUA no Brasil. 

Só tem bases militares americanas países que dependem dos EUA para sua própria defesa. Se a Rússia instalasse uma base na Venezuela, estaríamos no meio de uma guerra que não é nossa.

A ajuda humanitária tinha o objetivo de jogar a população desesperada – mais de 90% não têm dinheiro para alimentar a família – contra Maduro e fomentar uma divisão nas Forças Armadas, o que poderia provocar uma guerra civil. Mas não houve a deserção em massa esperada pela oposição venezuelana e os EUA. Para comprar a lealdade ao regime, a Venezuela tem hoje 2 mil generais.

Durante o governo Chávez, os militares ocupavam 200 a 300 cargos no governo venezuelano. Hoje, são mais de mil. Além disso, as milícias chavistas, os coletivos, teriam cerca de 500 mil homens dispostos a defender o regime. Os índios mortos na fronteira com o Brasil foram assassinados pelas milícias chavistas e não pela Guarda Nacional Bolivariana.

Tradicionalmente, a política externa brasileira é pacifista e legalista. Defende a solução negociada dos conflitos internacionais. Mas os organismos regionais, como a Unasul, fracassaram diante da crise venezuelana, abrindo espaço para a interferência dos EUA.

O governo paralelo de Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, eleita em dezembro de 2015 nas últimas eleições democráticas na Venezuela, tem o apoio de 52 países, inclusive a maioria da América Latina e 16 dos 28 membros da União Europeia. Estão fora os governos de ultradireita da Itália, Hungria e Polônia, justamente os preferidos por nosso obscuro chanceler.

Ao se aliar aos EUA, o governo Bolsonaro abdica do papel de mediador que caberia ao Brasil como líder natural da América do Sul. Resta manter a articulação com os países que apoiam Guaidó mas são contra a intervenção militar e aguardar o colapso inevitável da economia venezuelana, com enorme risco de guerra civil.

Como disse o embaixador Rubens Ricupero em entrevista recente à GloboNews, a segurança da Venezuela é feita com a colaboração de assessores cubanos. O próprio Maduro foi indicado por Fidel, quando Chávez hesitava entre ele e Diosdado Cabello, hoje presidente da Assembleia Constituinte convocada por Maduro para usurpar o poder da Assembleia Nacional dominada pela oposição.

“São bolcheviques”, observou Ricupero, “e bolcheviques não entregam o poder sem luta.”

A pressão de Trump e Bolsonaro visa a provocar uma cisão nas forças que apoiam o regime chavista e um golpe contra Maduro. 

quinta-feira, 7 de março de 2019

Facção do regime chavista impediu prisão de Guaidó

Se dependesse do ditador Nicolás Maduro, o presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, teria sido preso ao voltar para a Venezuela. Uma facção do regime chavista impediu o Tribunal Supremo da Justiça de emitir um mandado de prisão, noticiou a rede de televisão americana ABC.

É uma indicação de que há uma divisão dentro do regime diante do colapso da economia da Venezuela, com queda de 50% desde a morte de Hugo Chávez e a ascensão de Maduro, há seis anos. Uma divisão interna é a grande esperança para o fim do atual governo e a abertura de negociações para uma transição para a democracia..

Desde a era Chávez (1999-2013), o Tribunal Supremo tem sido submisso ao Poder Executivo. Havia proibido Guaidó de sair da Venezuela. Ao ficar contra Maduro, indica que forças poderosas rejeitaram a prisão de Guaidó, capaz de inflamar uma situação extremamente tensa.

Ontem, o governo Maduro expulsou o embaixador da Alemanha, que estava entre o grupo de diplomatas que foi até o aeroporto para garantir que Guaidó não seria preso ao voltar a Venezuela. Dezesseis dos  28 países da União Europeia e um total de 52 países no mundo inteiro, inclusive o Brasil, reconheceram Guaidó como presidente legítimo da Venezuela.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Grupo de Lima denuncia Maduro por crimes contra a humanidade

O Grupo de Lima, formado por países da América Latina e o Canadá, pediu hoje ao Tribunal Penal Internacional que abra processo contra o ditador Nicolás Maduro por "crimes contra a humanidade" levando "em consideração a grave situação da Venezuela e a negação do acesso à ajuda humanitária".

A resolução foi aprovada no fim de uma reunião realizada hoje em Bogotá, a capital da Colômbia, em que o Grupo de Lima rejeitou a possibilidade de intervenção militar no país vizinho.

No mesmo encontro, o ministro do Exterior colombiano, Carlos Holmes Trujillo, afirmou que o presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, está sofrendo ameaças da ditadura de Maduro.

"Temos informações de que existem ameaças sérias e confiáveis a Juan Guaidó, sua mulher e seus parentes", declarou Trujillo. "Qualquer ação violenta contra Guaidó obrigará o Grupo de Lima a reagir coletivamente, recorrendo a todos os mecanismos legais e políticos."

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Maduro instala mísseis antiaéreos na fronteira com o Brasil

Diante do aumento de tensões com a tentativa de entregar ajuda humanitária que rejeita, a ditadura de Nicolás Maduro instalou sistemas de mísseis de defesa antiaérea de última geração fabricados na Rússia S-300 junto à fronteira da Venezuela com o Brasil, noticiou o boletim de notícias brasileiro DefesaNet.

O sistema foi instalado junto ao aeroporto da cidade venezuelana de Santa Elena do Uairán, que fica a 11 quilômetros de Pacaraima, no estado de Roraima, do lado brasileiro da fronteira.

Como o sistema amplia a cobertura de radar e permite abater aviões no espaço aéreo do Brasil, a medida pode ser considerada um ato de agressão, com base numa lei brasileira de 2007. O porta-voz do Palácio do Planalto, general Otávio Rêgo Barros, declarou que a notícia não foi confirmada.

Sob pressão internacional, com a economia venezuelana à beira do colapso e mais de 80% da população passando necessidade, o ditador rejeitou a ajuda humanitária enviada pelos Estados Unidos e aliados como o Brasil e a Colômbia e colocou a Força Armada Nacional Bolivarista (FANB) em estado de alerta.

A fronteira com a Colômbia ainda está aberta, mas os militares venezuelanos bloquearam pontes para impedir a chegada da ajuda humanitária, prevista para este sábado. A fronteira com o Brasil foi fechada hoje. O espaço aéreo da Venezuela também está fechado.

As forças de segurança de Maduro atacaram civis que tentavam impedir o bloqueio à ajuda humanitária perto da fronteira com o Brasil. Pelo menos dois índios foram mortos e 11 feridos em estado grave estão internados num hospital brasileiro.

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional do governo brasileiro, general Augusto Heleno, afirmou que o Brasil não adotará nenhuma medida de força, a não ser se for alvo de agressão.

Este sábado será um dia decisivo para a tentativa de oposição e dos EUA, com o apoio do Brasil e da Colômbia, para fazer chegar a ajuda humanitária. Maduro nega que a Venezuela necessite de ajuda. 

O presidente da Assembleia Nacional, deputado Juan Guaidó, que há um mês se autoproclamou presidente interino e foi reconhecido como líder legítimo do país por mais de 50 países, inclusive o Brasil, chegou hoje à cidade de Cúcuta, na Colômbia, para organizar a ajuda humanitária.

Se os militares venezuelanos permitirem a entrada de alguma ajuda, será um duro golpe à autoridade de Maduro. Guaidó declarou que o comboio em que viajou recebeu ajuda ou pelo menos teve o consentimento dos militares. Se atacarem os civis interessados na ajuda, o ditador perderá ainda mais sua autoridade moral e legitimidade diante dos venezuelanos.

A oposição, os EUA e aliados tentam jogar a população desesperada contra Maduro na esperança de dividir a FANB, sustentáculo do regime chavista, e conquistar o apoio do oficialato de baixa patente, que não tem os privilégios dos altos oficiais que apoiam a ditadura.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

China negocia com oposição da Venezuela

A China iniciou contatos diplomáticos com o governo paralelo da oposição na Venezuela, liderado pelo presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino em 23 de janeiro, revelou ontem o jornal americano The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York.

O objetivo chinês é garantir o pagamento de dívidas de US$ 20 bilhões a serem saldadas com carregamentos de petróleo. Aliada do ditador Nicolás Maduro, a China negou qualquer contato.

Se as negociações foram confirmadas, será um sinal de um início da reestruturação da dívida externa da Venezuela, estimada em US$ 100 bilhões pelo canal de televisão americano especializado em noticiário econômico CNBC, ligado ao Journal.

Será também um reconhecimento indireto do governo Guaidó, considerado o governo legítimo da Venezuela pelos Estados Unidos, a maioria dos governos da América Latina, inclusive o Brasil, e 16 dos 28 países da União Europeia.

A China e a Rússia emprestaram dezenas de bilhões de dólares ao governo Maduro, no caso chinês para aumentar a produção de petróleo e permitir à Venezuela importar produtos fabricados na China. O governo Maduro atrasou os pagamentos e o virtual colapso da economia venezuelana reduziu a produção de petróleo do país a um terço do pico.

Quando a crise política for resolvida e a Venezuela tiver um novo governo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que o país vá precisar de empréstimos de US$ 30 bilhões por ano durante dez anos. O produto interno bruto caiu à metade nos últimos cinco anos e o desabastecimento é generalizado. A inflação chegou a 1.300.000% em 2018 e pode chegar a 10.000.000% neste ano.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Guaidó não descarta intervenção militar na Venezuela

O presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino da Venezuela, deputado Juan Guaidó, admitiu a possibilidade de uma intervenção militar para derrubar a ditadura de Nicolás Maduro. 

O ditador rejeitou a ajuda humanitária enviada pelos Estados Unidos e a mediação da União Europeia, que exige a convocação de nova eleição presidencial em três meses.

O Grupo Internacional de Contato se reuniu na quinta-feira em Montevidéu, com a participação de países da União Europeia e da América Latina. A Bolívia, que apoia Maduro, não assinou o comunicado final, nem o México.

A maioria dos países da América do Sul, inclusive o Brasil, reconheceu Guaidó e não participou do encontro em Montevidéu. Guaidó declarou que o diálogo é apenas uma manobra de Maduro para ganhar tempo.

Na Venezuela, o governo fechou uma passagem na fronteira com a Colômbia para impedir o acesso da ajuda humanitária. Apesar da crise econômica, Maduro afirmou que não precisa, alegou que a ajuda é apenas uma maneira de justificar uma intervenção militar e mandou distribuí-la a "colombianos pobres".

Agora, o Grupo de Contato pretende abrir um escritório em Caracas para facilitar a chegada de ajuda humanitária e "propiciar contatos", nas palavras da ex-ministra do Exterior da Itália Federico Mogherini, comissária de Exterior da UE.

Se não obtiver sucesso, o Grupo de Contato será dissolvido em três meses para não se tornar instrumentos de manobras do regime chavista para ganhar tempo.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Grupo de Contato sobre Venezuela se reúne na quinta-feira em Montevidéu

O Grupo de Contato que busca uma saída pacífica para a crise política na Venezuela, formado por quatro países latino-americanos e oito da Europa, fará sua primeira reunião de ministros do Exterior nesta quinta-feira em Montevidéu, noticiou o jornal venezuelano El Carabobeño, da cidade de Valência, no estado de Carabobo.

A iniciativa do México e do Uruguai tem a participação de Bolívia, Equador, Costa Rica, Alemanha, Espanha, França, França, Holanda, Portugal, Reino Unido, Suécia e Itália.

Todos estes países europeus, menos a Itália reconheceram o deputado Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, como presidente interino legítimo da Venezuela. Dos latino-americanos, só o Equador.

Guaidó e 11 dos países do Grupo de Lima, inclusive o Brasil, rejeitam esta proposta de diálogo como uma manobra do ditador Nicolás Maduro para ganhar tempo.

Os europeus a defendem como uma tentativa de "encontrar um caminho entre o querem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o mandatário da Rússia, Vladimir Putin". Sua proposta alternativa é realizar uma nova eleição presidencial em três meses.