Mostrando postagens com marcador Socialismo do Século 21. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Socialismo do Século 21. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de julho de 2019

Credores cercam regime da Venezuela para cobrar dívidas de US$ 175 bilhões

Com o fracasso da revolta da oposição, os credores perdem a esperança de uma recuperação em curto prazo da economia da Venezuela e tentam cobrar US$ 175 bilhões em dívidas caloteadas e propriedades estatizadas.

A ditadura de Nicolás Maduro prendeu mais um assessor do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino em janeiro, alegando que a reeleição de Maduro foi fraudulenta. O deputado Juan Requesens foi acusado de participar de uma suposta tentativa de assassinar Maduro com um drone em agosto de 2018.

Requesens pertence ao partido do ex-governador Henrique Capriles, candidato da oposição derrotado nas eleições presidenciais de 2012 e 2013. No ano passado, foi impedido de concorrer. Requesens é um dos principais aliados de Guaidó. Por isso, as acusações são vistas como uma jogada da ditadura para justificar a prisão de Guaidó.

Os Estados Unidos, que apoiam Guaidó junto com mais de 50 países, inclusive o Brasil, advertiram o regime chavista a adotar nenhuma medida de força contra Guaidó

Diante do fracasso da tentativa de derrubar Maduro, a oposição está dividida. Guaidó pode não ser reeleito presidente do parlamento em 2020. Sem a expectativa de recuperação econômica que a queda de Maduro traria, os credores tentam recuperar pelo menos parte do dinheiro.

Depois de 20 anos de regime chavista, a Venezuela deve 175 bilhões de dólares em dívidas não pagas e bens desapropriados em nome do chamado socialismo do século 21. Com a renda anual do petróleo em menos de 30 bilhões de dólares, a Venezuela não tem como pagar. Essas dívidas serão mais obstáculos para a recuperação da economia do país. Meu comentário:

Em 1970, a Venezuela tinha a maior renda por pessoa da América Latina. Quando o caudilho Hugo Chávez chegou ao poder, em 1999, era a segunda maior, atrás apenas da Argentina. Desde a morte de Chávez, em 2013, o produto interno bruto caiu pela metade. A inflação deste ano deve chegar a 10 milhões por cento. O desabastecimento é generalizado. O país com as maiores reservas de petróleo do mundo não tem dinheiro para comprar papel higiênico.

Hoje, o Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 bilhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia.

Na última década, a Venezuela caloteou a maior parte da dívida externa, especialmente a partir da forte queda nos preços do barril de petróleo, que valia 110 dólares em junho de 2014 e hoje vale 56 dólares.

Sem esperança.de renegociar a dívida em curto prazo, os credores tentam arrestar navios petroleiros, carregamentos de petróleo e instalações petrolíferas no exterior. Mesmo que o regime chavista acabe, as batalhas legais entre os credores e as autoridades venezuelanas devem se arrastar durante anos.

O problema para os credores é que Maduro permanece firme no Palácio de Miraflores com o apoio da cúpula das Forças Armadas.

A maior parte da dívida da empresa estatal Petróleos de Venezuela S. A., a PdVSA, vence nos próximos dez anos. A oposição planeja revitalizar o setor petrolífero cedendo a investidores privados o controle de áreas de exploração de petróleo, mas a herança maldita do chavismo será um setor de energia muito menor do que antes.

A produção de petróleo, que chegou a um pico de 3 milhões de barris por dia, ficou em 730 mil barris por dia em abril e pode cair a 500 mil barris diários até o fim do ano. Em outubro do ano passado, a Justiça Federal dos Estados Unidos autorizou os credores a mover ações contra a Citgo, uma empresa privada com participação da PdVSA que refina o petróleo venezuelano nos Estados Unidos.

Neste ano, o governo Donald Trump congelou todos os bens e ativos da Venezuela nos Estados Unidos, colocando-os à disposição do governo paralelo da oposição, liderado por Guaidó.

A cobrança de juros sobre as dívidas não pagas aumentam ainda mais o total da dívida a ser renegociado pelo futuro governo. Os futuros investidores terão de esperar até que o problema seja resolvido. A PdVSA também não terá condições de levantar capital enquanto não se livrar das obrigações.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Equador acaba com reeleição presidencial sem limites

Num plebiscito para encerrar a carreira política do ex-presidente Rafael Correa, 64% dos votantes aprovaram ontem em referendo uma proposta para acabar com a reeleição indefinida do presidente do Equador, noticiou o jornal equatoriano El Comercio

A "morte civil" dos condenados por corrupção, que não poderão mais exercer funções públicas, teve o apoio de 74%, um pouco mais do que o fim da prescrição dos crimes sexuais contra crianças, aprovado por 73,73%.

O Conselho Nacional Eleitoral, que ainda deve divulgar o resultado oficial, anunciou a participação de 82% do eleitorado nos sete plebiscitos. Na prática, a consulta popular enterra a versão equatoriana do "socialismo do século 21" pregado pelo finado caudilho venezuelano Hugo Chávez.

Eleito com o apoio de Correa, o presidente Lenín Moreno rompeu com o padrinho e festejou o resultado: "Hoje é o tempo dos jovens líderes. Partidos políticos: renovem-se! O povo disse sim. Os políticos que ansiavam se eternizar no poder não voltarão nunca mais. O Equador disse sim", escreveu ele no Twitter.

O ex-presidente Correa, que se mudou para a Bélgica, depôs nesta segunda-feira em Quito num processo sobre negócios com a Petrochina para venda de petróleo à China e à Tailândia.

A ruptura entre Moreno e Correa foi marcada pela prisão e condenação do ex-vice-presidente Jorge Glas num escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Nova nota de 100 mil bolívares perde 33% do valor em 43 dias

Menos de um mês e meio depois da entrada em circulação, a nova nota de 100 mil bolívares perdeu mais de um terço do poder aquisitivo para a hiperinflação, afirmou o economista e deputado Ángel Alvarado, citado pelo boletim de notícias digital Dolar Today.

"A nota de 100 mil bolívares lançada em novembro vale agora 64.102,56, o que equivale a dizer que perdeu mais de um terço do valor em pouco mais de um mês", declarou o deputado oposicionista. Não compra mais nem um dólar, cotado hoje no câmbio negro a 115.734,62 bolívares.

De acordo com os dados levantados pela Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, a inflação de novembro foi de 56,7% e o acumulado em 2017 chegou a 1.370%. A expectativa é que chegue a 2.000% ou 2.100%.

"O processo hiperinflacionário que estamos vivendo faz o venezuelano cada dia mais pobre e o bolívar cada dia mais fraco. O responsável é o governo, que tomou decisões muito ruins", acrescentou Alvarado.

Com o fracasso das políticas de controle dos preços e do câmbio, o "socialismo do século 21" apelou à impressão de mais e mais dinheiro. "Só em novembro, o Banco Central da Venezuela colocou em circulação 33 bilhões de bolívares, duplicando a base monetária", diagnosticou o deputado.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Venezuela está oficialmente em calote

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou na segunda-feira, 11 de novembro, a nota de crédito das dívidas da Venezuela de curto e longo prazos depois de considerar o país em default (moratória) por não pagar rendimentos de bônus. O Brasil levou o governo Nicolás Maduro ao Clube de Paris, que costuma negociar as dívidas entre governos, pelo não pagamento de US$ 262,5 milhões.

A Venezuela deixou de pagar juros mais de US$ 900 bilhões de juros a investidores em seus bônus. Na sexta-feira, deveria ter pago US$ 81 milhões de bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA). A Associação Internacional de Trocas (Swaps) e Derivativos estuda a possibilidade de considerar em moratória um pagamento de bônus da PdVSA de US$ 1,161 bilhão.

Até o fim do ano, a Venezuela tem compromissos financeiros de US$ 1,47 bilhões. Em 2018, os vencimentos somam US$ 8 bilhões. As reservas cambiais estão em US$ 9,7 bilhões.

Em Caracas, o regime chavista, que faliu o país com seu "socialismo do século 21", recebeu representantes dos credores para dar início à renegociação de dívidas no valor de US$ 60 bilhões.

Os dois responsáveis pelas negociações, o vice-presidente Tareck El Aissimi, e o ministro da Fazenda estão na lista negra dos Estados Unidos por tráfico de drogas e corrupção. Assim, os bancos americanos podem ser punidos por negociar com eles.

No Conselho de Segurança das Nações Unidas, a embaixadora americana, Nikki Halley, descreveu a Venezuela como "cada vez mais um narco-país".

Depois de falar sozinho durante meia hora, o vice-presidente venezuelana distribuiu chocolate e café aos convidados e encerrou o encontro. Não apresentou nenhum plano. Nenhuma proposta. O regime chavista estaria negociando um grande empréstimo com a Rússia.

Ao todo, as dívidas da Venezuela estão avaliadas entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões. Desde agosto, sanções impostas pelo governo Donald Trump impedem a emissão de novos bônus da dívida pública e da PdVSA. Sem trocar os títulos não pagos por novos, não há como reestruturar a dívida

Os EUA impõem uma série de condições para apoiar a renegociação, como a aprovação pela Assembleia Nacional controlada pela oposição e não da Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, 100% dominada pelo chavismo, e a libertação de cerca de 400 presos políticos.

A Assembleia Nacional está sob pressão do Palácio de Miraflores para dar um mandato ao governo para renegociar a dívida. Os setores mais radicais da oposição querem aproveitar a oportunidade para encurralar o governo Maduro.

"A única coisa que ele faz é mentir e a principal mentira é essa convocação ao diálogo", reagiu a líder oposicionista María Corina Machado. "O regime necessita de dinheiro e quer obrigar a oposição a negociar para que a Assembleia Nacional lhe refinancie a dívida."

María Corina acreditava que a oposição estava "perto de uma ruptura rumo à transição para a democracia quando impuseram a Constituinte." Ela criticou indiretamente a oposição mais moderada, dizendo que um setor "está disposto a aceitar migalhas e dar tempo à ditadura.""

"Sabemos que o regime está em seu momento de maior fraqueza", acrescentou a ex-deputada. "Submetem o povo à fome e à miséria. É preciso ter coerência. Na Venezuela hoje não há eleições, só exercícios militares. A única realidade é a fome."

sábado, 4 de novembro de 2017

Fitch rebaixa nota de crédito da dívida pública da Venezuela

Diante do pedido de renegociação feito na quinta-feira pelo ditador Nicolás Maduro, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou ontem a nota de crédito da dívida soberana da Venezuela de CC para C, por considerar alta a possibilidade de um calote, noticiou hoje o jornal The Latin American Herald Tribune.

O regime chavista da Venezuela pagou em 2 de novembro US$ 1,121 bilhão a investidores que compraram bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA), mas está devendo mais de US$ 800 milhões de juros.

Em meio à pior crise econômica de sua história, resultado das políticas desastrosas do "socialismo do século 21" e da queda nos preços do petróleo, a Venezuela está falida, com inflação que pode chegar a 1.200% ao ano, queda de quase 20% no produto interno bruto nos últimos dois anos, desabastecimento generalizado e dólar subindo todo o dia no mercado paralelo

Até agora, Maduro vinha honrando os compromissos com o mercado financeiro internacional, mas o calote anunciado chegou. Por incrível que pareça, no país com as maiores reservas mundiais de petróleo, as reservas cambiais em moedas fortes caíram em novembro para US$ 10 bilhões. As dívidas venezuelanas são estimadas entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões.

Uma das maiores credoras da Venezuela, a China, manifestou a confiança de que o país honre suas obrigações financeiras depois de reestruturar a dívida. A China e a Rússia sustentam a ditadura de Maduro em face das sanções impostas pelos Estados Unidos.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Venezuela anuncia calote e pede renegociação da dívida

Com o país falido pelas políticas desastrosas do "socialismo do século 21", o presidente Nicolás Maduro anunciou hoje à noite na televisão que a Venezuela vai honrar o pagamento de US$ 1,1 bilhão a investidores em bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) com vencimento hoje. Mas daqui para a frente pretende renegociar a dívida venezuelana.

Numa economia com inflação de 1.200% ao ano e queda de 15% a 20% no produto interno bruto nos últimos anos, o calote era esperando. A dúvida era quando. O país não tem dinheiro para importar papel higiênico, remédios e alimentos, mas Maduro continuava pagando as dívidas no mercado internacional.

O regime chavista pagou o principal, mas os juros atrasados já somam US$ 826 milhões, de acordo com uma estimativa da corretora Nomura Securities International citada pelo jornal americano The Wall Street Journal.

Sem declarar moratória, o ditador venezuelano avisou que buscar uma "reestruturação voluntária" da dívida do país, estimada em US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões, o que o coloca em conflito direto com os credores num momento em que a Venezuela enfrenta sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos em agosto para a emissão novos títulos que teriam de substituir os atuais.

Maduro nomeou como principal negociador o vice-presidente Tareck El-Aissami. Desde fevereiro, ele está numa lista de pessoas atingidas por sanções, no seu caso, por supostas ligações com o tráfico internacional de drogas.

O presidente da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, deputado Julio Borges, declarou no Twitter ser impossível renegociar a dívida porque "ninguém confia no governo".

Borges culpou o ditador e foi citado pelo jornal venezuelano El Nacional: "Maduro é um traidor que endividou a Venezuela e estamos morrendo de fome. Devemos US$ 120 bilhões aproximadamente. Onde está esse dinheiro? Alguém viu? O que se vê é fome, miséria, morte e destruição da indústria nacional."

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Venezuela proíbe lojas de dar dinheiro

Com a hiperinflação e a escassez de papel-moeda, a Superintendência das Instituições do Setor Bancário (Sudeban) anunciou no sábado a proibição de que as lojas da Venezuela deem dinheiro aos consumidores. O objetivo é combater uma suposta fuga de dinheiro rumo à fronteira da Colômbia, onde o contrabando é intenso já que falta quase tudo na Venezuela por causa da depressão econômica.

Em vez de admitir que a falta de notas é resultado da hiperinflação, que deve chegar a 1.200% em 2017, o regime chavista alega que 30% do dinheiro saem do país através da fronteira coma Colômbia.

Mais de 300 mil venezuelanos cruzaram a fronteira com a Colômbia nos últimos meses para escapar da crise. O ditador Nicolás Maduro insiste nas políticas fracassadas de expropriações e controles de câmbio e de preços que causaram um desabastecimento sem precedentes.

Desde a morte de Hugo Chávez, em 2013, o produto interno bruto venezuelano perdeu 40% e a renda média por pessoa caiu pela metade, neutralizando os ganhos sociais e revertendo a redução da pobreza. Hoje, mais de 80% dos venezuelanos são pobres e o desabastecimento é generalizado.

Sem diálogo com a oposição, libertação dos 676 presos políticos e reformas econômicas liberalizantes, a Venezuela não vai sair do buraco em que se meteu com o "socialismo do século 21" pregado por Chávez. Mas nada indica que o regime esteja disposto a ceder.

A convocação por Maduro de uma Assembleia Nacional Constituinte para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015 consolida a ditadura. A Constituinte de Maduro tem plenos poderes e se deu dois anos de prazo para concluir o trabalho.

Os manifestantes que protestam diariamente desde o início de abril ficaram atônitos com a facilidade com que os constituintes tomaram o lugar dos deputados eleitos de acordo com a Constituição, que exige um plebiscito para convocar uma Constituinte.

Por isso, a oposição nega legitimidade à Constituinte. A Venezuela tem hoje instituições paralelas disputando o poder.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Colômbia rejeita abertura temporária da fronteira com a Venezuela

 A Colômbia quer a reabertura permanente da fronteira com a Venezuela e não apenas reaberturas temporárias para que venezuelanos possam comprar no exterior os produtos em falta no seu país, declarou hoje a ministro do Exterior, María Angela Holguín, citada pela agência Reuters.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, fechou a fronteira durante a campanha para as eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015 a pretexto de combater a violência e o contrabando. Em duas oportunidades nos últimos 30 dias, mais de 160 venezuelanos saíram de Santo Antônio de Táchira para fazer comprar em Cúcuta, na Colômbia.

A próxima abertura deverá ser permanente, pressionou a chanceler colombiana.

Sob o impacto das políticas desastrosas do fracassado "socialismo do século 21" e da queda dos preços do petróleo, o regime chavista levou a Venezuela à pior crise econômica de sua história, com recessão de 18% em dois anos, inflação de 720% ao ano e desabastecimento de mais de 80% dos produtos encontrados normalmente num supermercado.

Com o país à beira do colapso, Maduro reabriu temporariamente a fronteira, mas isso não é solução para a tragédia venezuelana. Apesar de algumas iniciativas diplomáticas, os países da região não conseguiram articular o diálogo entre o governo e a oposição na Venezuela.

domingo, 15 de maio de 2016

Maduro ameaça confiscar fábricas de alimentos

Para combater a crise de desabastecimento, o presidente Nicolás Maduro ameaçou ontem em discurso em Caracas ocupar e confiscar as fábricas de alimentos que pararem de produzir na Venezuela, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A ameaça foi feita depois que a maior companhia do setor, as Empresas Polar, suspenderam a fabricação de cerveja acusando o governo de proibir a importação de cevada.

Além da incompetência do "socialismo do século 21" do finado caudilho Hugo Chávez, a Venezuela foi atingida em cheio pela queda de mais de 60% nos preços internacionais do petróleo nos últimos dois anos. Faltam alimentos, medicamentos e outros produtos básicos, há racionamento de água e energia.

Há dois dias, Maduro decretou estado de emergência alegando haver conspirações domésticas e internacionais para derrubá-lo. A oposição, que desde as eleições parlamentares de dezembro de 2015 dominam a Assembleia Nacional, está recolhendo assinaturas para convocar um referendo para revogar o mandato do presidente.

Até agora, o Conselho Nacional Eleitoral, dominado pelo regime chavista, ainda não revisou as assinaturas da primeira petição. Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, se o referendo revogatório for aprovado até o fim deste ano, o país deverá realizar nova eleição presidencial.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Maduro agravou herança maldita de Chávez

Há uma sensação de pânico, de salve-se quem puder na economia da Venezuela onde o índice de desabastecimento do Banco Central chegou a 28%. Num país com uma das maiores reservas de petróleo do mundo, faltam dólares, açúcar, carne, leite, farinha de trigo, energia elétrica, papal higiênico e insulina para os diabéticos.

O presidente Nicolás Maduro herdou o caos econômico do comandante Hugo Chávez. Tornou a situação ainda pior. A inflação subiu de 20,1% em 2012, último ano de Chávez, para 56,2% em 2013. Neste ano, pode chegar a 70%. É a maior da América Latina.

Nos 15 anos desde a posse de Chávez, em 1999, a Venezuela faturou US$ 1 trilhão exportando petróleo, mas sua economia está implodindo. O "bolívar forte" perdeu 73% do valor no ano passado. Vale 13 vezes menos no mercado paralelo do que no câmbio oficial.

A resposta do governo é congelar preços e acusar produtores, distribuidores e comerciantes de terem "lucros abusivos". Maduro já limitou o lucro por decreto em 30%.

Com os gastos públicos fora de controle e um crescimento de apenas 1,4% no ano passado, a Venezuela perde cerca de US$ 850 milhões em divisas por mês, numa inacreditável crise cambial num país rico em petróleo com o preço do barril em torno de US$ 100.

"A escassez que sofremos deve ter um agravamento muito importante em curto prazo porque o governo tem dívidas com os empresários, que por sua vez têm dívidas com fornecedores estrangeiros que já estão cortando o suprimento", prevê o economista Ronald Balza, professor da Universidade Católica Andrés Bello. "Este ano se espera uma piora em geral nas condições econômicas."

Se a insatisfação chegar às camadas mais pobres que são a base política do chavismo, o regime vai perder o apoio popular. Se o caos econômico minar a legitimidade do regime perante as Forças Armadas, estará realmente sob ameaça.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Venezuela prende líder da oposição após três mortes

A pedido da Procuradoria-Geral da Venezuela, um juiz de Caracas decretou ontem a prisão do líder oposicionista Leopoldo López como suspeito de incitar à violência em manifestações de rua realizadas ontem que terminaram com três mortes. Na capital e em várias cidades do interior, houve protestos pedindo a renúncia do presidente Nicolás Madura em meio a uma crise de desabastecimento, com inflação de 56% ao ano.

Mais cedo, um porta-voz do partido Vontade Popular disse que López não havia sido notificado e estava examinando a situação com seus advogados.

Pelo menos outras 23 pessoas saíram feridas e 25 foram presas nas manifestações contra e a favor do governo. Maduro repudiou a violência e acusou grupos "nazifascistas" de articular um golpe para derrubá-lo.

O presidente venezuelano também proibiu manifestações de protesto, levando os líderes oposicionistas López, María Corina Machado e o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, a denunciar uma violação da Constituição e dos direitos políticos, informa o jornal Latin American Herald.

A situação econômica da Venezuela, falida pelas políticas do "socialismo do século 21" do falecido presidente Hugo Chávez, se agrava a cada dia sem que o governo mostre condições de reverter o quadro.

Hoje, a companhia japonesa Toyota, maior fabricante de automóveis do mundo, anunciou a redução de sua produção por não conseguir importar autopeças no ritmo necessário para manter sua fábrica operando normalmente. O dólar no câmbio negro vale 13 vezes mais do que a cotação oficial, e as empresas não conseguem a moeda americana para pagar pelas importações.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Venezuela dá poderes ditatoriais a Maduro

A Assembleia Nacional da Venezuela deu ontem poderes especiais para o presidente Nicolás Maduro enfrentar o que chama de "guerra econômica", na verdade o colapso do modelo econômico imposto pelo falecido presidente Hugo Chávez e seu mal definido "socialismo do século 21".

O problema é que Maduro, ex-motorista de caminhão e ex-dirigente sindical, não pretende mudar a política econômica que tornou um dos países mais ricos em petróleo do mundo numa economia de escassez onde faltam papel higiênico, leite, carne, frangos e outros produtos essenciais - além do dólar.

Como pode um país que recebeu mais de US$ 800 bilhões vendendo petróleo nas últimas décadas não ter dólares para pagar pelas importações? Só mesmo com muita ignorância, incompetência e corrupção. Maduro é mais um idiota latino-americano, na definição do escritor peruano Mario Vargas Llosa.

De que servem poderes especiais se Maduro não sabe o que fazer? Vai continuar prendendo empresários e botando a culpa na oposição por seu próprio fracasso. Dificilmente Maduro chega ao fim do governo. Seu primeiro teste será nas eleições municipais de 8 de dezembro. Por isso, precisava da Lei Habilitante para tentar dar alguns golpes de mestre enquanto a Venezuela marcha para a ruína e a tragédia.

terça-feira, 5 de março de 2013

Vice-presidente Maduro anuncia morte de Hugo Chávez

Depois de expulsar dois adidos militares dos Estados Unidos acusando-os de tramar um golpe de Estado, o vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acaba de anunciar a morte do presidente Hugo Chávez Frías, que tinha 58 anos e estava no poder há 14 anos.

Mais cedo, ao expulsar os diplomatas americanos, Maduro afirmou que Chávez foi envenenado, como teria acontecido com o líder palestino Yasser Arafat, em 2004. Pode ser seu primeiro salvo na campanha eleitoral para suceder o presidente morto.

A Venezuela deve realizar novas eleições dentro de 30 dias. Com a comoção causada pela morte de Chávez, o vice-presidente é o favorito. Foi apontado hoje como sucessor por Chávez com o apoio do líder cubano Fidel Castro.

Os dois assessores americanos teriam se aproximado de oficiais da Força Aérea para conspirar contra o governo, aproveitando-se da doença do presidente, que lutava há dois anos contra um câncer abdominal. Maduro declarou não haver dúvida de que a doença do presidente foi resultado de uma trama de seus inimigos, reporta a televisão estatal britânica BBC.

Com seu movimento bolivarista, Chávez revolucionou a esquerda na América Latina, dando-lhe nova vida depois da queda do Muro de Berlim e o triunfo das políticas econômicas neoliberais inspiradas pelo Consenso de Washington.

A partir de uma forte aliança com o regime comunista de Cuba, ele tentou criar o "socialismo do século 21", uma opção mais nítida depois do fracassado golpe de Estado de 2002, apoiado pelos EUA. Foi também uma manipulação da herança do libertador Simón Bolivar, que nunca foi socialista nem antiamericano.

DA PRISÃO AO PALÁCIO
Chávez nasceu em 28 de julho de 1954. Menino pobre, sonhava em ser jogador de beisebol, o esporte mais popular do país por causa da influência dos EUA. Acabou entrando para o Exército. Ele ficou famoso por liderar uma tentativa de golpe fracassada contra o então presidente Carlos Andrés Pérez em 4 de fevereiro de 1992.

Pérez, um veterano populista de esquerda, se reelegera presidente prometendo resistir às políticas liberais advogadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas, ao assumir o poder, tomou uma série de medidas impopulares, como um grande aumento nos preços dos combustíveis, o que provocou violentas manifestações de rua.

Mais de 300 pessoas morreram no Caracazo, em fevereiro de 1989. Indignado, o coronel Chávez decidiu ali iniciar sua marcha rumo ao Palácio Miraflores.

Preso na tentativa de golpe de 1992, Chávez foi à televisão para denunciar a hipocrisia dos partidos políticos e pedir desculpas à população. Foi o suficiente para se tornar líder da oposição.

Após dois anos de prisão e de uma anistia concedida pelo presidente Rafael Caldera, Chávez começou a articular sua campanha presidencial. Em 1998, contou com o apoio de amplos setores da classe média descontentes com a corrupção para sua primeira eleição e com a queda nos preços de petróleo para cerca de US$ 10 o barril em consequência da crise econômica na Ásia.

No poder, Chávez realizou um plebiscito para convocar uma Assembleia Constituinte e criar uma nova Constituição da República Bolivarista da Venezuela, uma "refundação" do país imitada por seus aliados em outros países, nunca plenamente aplicada porque as ideias políticas do presidente foram evoluindo. Também lançou uma série de programas sociais, as Missões Bolivaristas, com o dinheiro da poderosa estatal PdVSA (Petróleos de Venezuela S. A.).

Sob a nova Constituição, ele foi reeleito pela primeira vez em 2000. Seus programas sociais conseguiram reduzir a pobreza de 50% para menos de 30% da população venezuelana e a pobreza absoluta de 25% para menos de 10%, o que lhe garantiu uma legião de fiéis seguidores dentro e fora da Venezuela.

HERANÇA MALDITA
Sua herança econômica é desastrosa. A economia venezuelana é cada vez mais dependente do petróleo, a produção está em anarquia, a inflação se aproximava de 30% ao ano mesmo antes da recente megadesvalorização do bolívar, que foi lançado como bolívar forte. Há desabastecimento e escassez de energia no país que se gaba de ter as maiores reservas mundiais de petróleo.

Com o forte crescimento mundial do início do século, o preço do petróleo chegou a US$ 147,50 em julho de 2008, transformando Chávez, na definição do intelectual e político mexicano Jorge Castañeda em um "Perón com petróleo".

Uma comparação entre os salários reais e a Bolsa de Valores de Caracas indica que a burguesa bolivarista, os empresários amigos do regime, acusado de aumentar a corrupção, ganhou muito mais.

Ao mesmo tempo, a violência e a criminalidade não combatidas pelo socialismo bolivarista levaram a uma triplicação do índice de homicídios. A Venezuela tem um dos três maiores índices de mortalidade violenta do mundo.

Hugo Chávez tornou-se o maior ídolo da esquerda latino-americana. Com seu estilo militarista e caudilhesco, dividiu profundamente a sociedade venezuelana criando um clima de confrontação. Depois de morte de 15 pessoas em conflitos de rua em que estavam envolvidos os Círculos Bolivaristas, a milícia chavista, em 11 de abril de 2002, um golpe de Estado afastou o presidente por 48 horas.

GOLPE FRACASSADO
O golpe, apoiado pelos governos americano de George W. Bush e espanhol de José María Aznar fracassou quando o presidente da federação empresarial Fedecámaras, Pedro Carmona, que havia usurpado o poder, anunciou o fechamento da Assembleia Nacional e do Tribunal Supremo.

Com seus partidários nas ruas, Chávez voltou ao Palácio Miraflores e se tornou mais radical e especialmente mais antiamericano, fazendo alianças com a Rússia, o Irã, a Coreia do Norte, a Bielorrússia e quem quer que fosse inimigo dos EUA. Em sua obsessão antiamericana, até a hora da Venezuela ele mudou para não coincidir com Miami, Washington e Nova York.

No fim de 2002 e início de 2003, uma greve de trabalhadores da PdVSA contra a manipulação da empresa por motivos políticos levou a uma ampla reestruturação da estatal. Com o afastamento de uma série de técnicos e gerentes, a companhia teria perdido em qualidade, mas se tornou o grande instrumento da revolução chavista.

Diante do fracasso do golpe e da greve, a oposição apostou numa arma do próprio Chávez, o referendo revogatório, para anular o mandato do presidente. Mas, em agosto de 2004, ele conquistava mais uma vitória eleitoral e preparava o caminho para mais uma reeleição em 2006.

POLÍTICA EXTERNA
Na América Latina, além de financiar Cuba com petróleo subsidiado, apoiou a eleição de seus aliados Evo Morales na Bolívia, em 2005, e Rafael Correa no Equador, em 2007, e Fernando Lugo no Paraguai, em 2008, além de financiar as campanhas de Daniel Ortega na Nicarágua e de Cristina Kirchner, que suspendeu hoje todas as suas atividades na Argentina em sinal de luto.

Mas a vitória da Ollanta Humala no Peru marcou uma derrota ideológica do chavismo. Humala foi apoiado por Chávez em 2006 e seu apoio contribuiu na derrota para Alán García e de nove em 2011. Eleito, Humala abandonou o radicalismo de Chávez e optou pelo modelo lulista, combinando a economia do mercado com investimentos sociais.

Um dos momentos mais lembrados pelos adversários foi a repreensão de Chávez pelo rei Juan Carlos, da Espanha, na 17ª Conferência Ibero-Americana, realizada em Santiago no Chile. O presidente venezuelano criticava o ex-primeiro-ministro José María Aznar por seu apoio ao golpe de 2002 no momento em que o então primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero fazia seu pronunciamento.

Irritado, o rei disparou sua famosa pergunta: Por que não te calas? Chávez foi deselegante e quebrou o protocolo. Mas tinha motivos para protestar. Sua vida esteve ameaçada no golpe.

Outro momento histriônico do comandante da revolução venezuelana foi quando comparou o então presidente americano George W. Bush ao demônio. Durante discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 20 de setembro de 2006, Chávez disse que o púlpito ainda cheirava a enxofre porque "ontem o diabo esteve aqui".

REELEIÇÃO SEM LIMITES
A primeira e única derrota eleitoral de Chávez seria num referendo em 2007 para promover uma ampla reforma constitucional, mudando o regime de propriedade, num total de 69 medidas para implantar o "socialismo do século 21" e permitir a reeleição ilimitada do presidente.

Outro referendo, em 15 de fevereiro de 2009, autorizou reeleição sem limites. Na época, Chávez prometia governar até 2030 para consolidar sua revolução bolivarista. O câncer diagnosticado em 2011 abortou esse projeto.

Hugo Chávez seria eleito presidente da Venezuela pela quarta vez Em 7 de outubro de 2012, com 54% votos contra 45% para o governador Henrique Capriles, de 40 anos, que tentou usar seu vigor físico como argumento de campanha indo a 300 cidades venezuelanas.

Mal de saúde, Chávez usou e abusou da máquina estatal e da distribuição de benesses com dinheiro público para se reeleger. Mas não chegou a tomar posse. Em dezembro do ano passado, ele foi para Cuba, onde foi submetido à quarta cirurgia para tratamento do câncer. Durante o período pós-operatório, teve uma infecção respiratória. Teria metástases no abdome e nos pulmões.

Sem condições de tomar posse em 10 de janeiro, como previa a Constituição, Chávez teve seu mandato renovado automaticamente pelo Tribunal Supremo, que alegou que ele já era presidente. Há 15 dias, voltou à Venezuela, onde estava internado no hospital militar de Caracas, provavelmente para morrer em casa, dentro da estratégia do regime para se perpetuar no poder.

Morre Chávez, mas o chavismo fica. É uma mistura de nacionalismo, populismo, caudilhismo latino-americano e do mal definido "socialismo do século 21".

Como o coronel Juan Domingo Perón e sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita, na Argentina, o espectro de Hugo Chávez vai assombrar por muito tempo a política da Venezuela e da América Latina.

Por uma ironia da História, Chávez morreu no mesmo dia em que o ditador soviético Josef Stalin, 60 anos atrás.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Governo e oposição festejam na Venezuela

O Partido Socialista Unido da Venezuela, do presidente Hugo Chávez, ganhou as eleições parlamentares de ontem, mas não obteve a maioria de dois terços que lhe permitia mudar a Constituição. A oposição afirma ter obtido 52% do total geral de votos.

Desde a primeira vitória de Chávez, em 1998, os chavistas ganharam todas as eleições venezuelanas. Só perderam um plebiscito com proposta radicais para implantar o que o caudilho chama de "socialismo do século 21".

No domingo, 26 de setembro de 2010, o governo conquistou 98 das 165 cadeiras da Assembleia Nacional.

A oposição, que tinha boicotado as duas últimas eleições legislativas, volta ao parlamento com 65 deputados. Esse número é suficiente para obstruir a aprovação dos projetos mais ousados da revolução bolivarista, que pretende implantar na Venezuela o "socialismo do século 21".

Os opositores acusaram Chávez de mudar a lei eleitoral e usar a máquina do Estados para garantir a vitória.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Chávez perde referendo na Venezuela


Pouco depois da uma da madrugada em Caracas (3h em Brasília), o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anunciou a rejeição da proposta de reforma constitucional do presidente Hugo Chávez para implantar no país o "socialismo do século 21",

Com 4.504.354 votos válidos (50,70%), o Não superou o Sim, que obteve 4.379.392 (49,29%). A abstenção foi de 44,11%.

Chávez admitiu a derrota, promoteu acatar o resultado das urnas e cumprimentou os vencedores.

Uma das explicações da vitória do Sim é a elevada abstenção. Os chavistas contrários às reformas não teriam se mobilizado.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Chávez constrói sua "cidade socialista"

A utopia chavista começa a tomar forma em Camiño de los Indios.

Lá, em meio a uma floresta antes habitada apenas por macacos e aves silvestres, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, decidiu construir a cidade dos seus sonhos, auto-suficiente, o modelo do "socialismo do século 21". As obras começaram em novembro de 2006.

É o primeiro de uma série de grandes projetos de Chávez para revolucionar a Venezuela com os petrodólares cada vez mais abundantes à medida em que o preço do barril ronda os US$ 100.

Confira no jornal americano The Washington Post.