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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Venezuela de Maduro rompe relações com os EUA

O ditador Nicolás Maduro anunciou hoje o rompimento de relações diplomáticas de seu governo com os Estados Unidos e deu 72 horas para os diplomatas americanos deixarem a Venezuela. O governo Donald Trump repudiou a decisão e declarou que não vai retirar seus representantes.

Horas antes, o presidente da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, Juan Guaidó, prestou juramento público diante de milhares de manifestantes em Caracas como presidente interino para "conseguir o fim da usurpação".

A oposição considera ilegítimo o governo de Maduro, reeleito fraudulentamente em maio do ano passado, e afirma que a Assembleia Nacional eleita em 6 de dezembro de 2015, nas últimas eleições democráticas na Venezuela, é o único poder legítimo no país.

Imediatamente, os EUA reconheceram o governo interino e o mesmo fizeram Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Canadá e Reino Unido.

Maduro pediu à Justiça que tome providências contra Guaidó. O ministro da Defesa, general Padrino López, e o comando das Forças Armadas apoiam Maduro como "presidente legítimo" da Venezuela. Sem uma cisão dentro do regime e entre os militares, o ditador não cai.

sábado, 18 de novembro de 2017

Ex-prefeito de Caracas foge da prisão domiciliar para a Espanha

Depois de uma longa viagem em que fugiu por terra até a Colômbia e de Bogotá tomou um avião para Madri, o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma chegou hoje à Espanha, noticiou o jornal espanhol El País. Ele entrou oficialmente como turista, com o direito de ficar até 90 dias no país.

Logo depois de cruzar a fronteira, da cidade de Cúcuta, Ledezma deu entrevista à Rádio Caracol: "Não dá para perder a esperança. Esta é a grande virtude do povo venezuelano." As autoridades colombianas disseram não haver nenhuma ordem internacional de prisão nem pedido formal de detenção do ex-prefeito.

"Minhas saudações a Antonio Ledezma, referência moral da Venezuela, agora livre para liderar a luta desde o exílio para a instauração de um regime democrático em seu país", escreveu no Twitter o secretário-geral da Organização dos Estados Americano (OEA), Luis Almagro, ex-ministro do Exterior do Uruguai.

Agentes do Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin) cercaram a casa de Ledezma e tentaram invadir a residência durante a madrugada. Tarde demais.

Ledezma, líder da Aliança Povo Bravio, foi preso pela primeira vez em 2015, acusado de incitar à violência durante as manifestações de fevereiro daquele ano, quando pelo menos 43 pessoas foram mortas, a maioria, suspeita-se, devido à ação das forças de segurança governamentais e das milícias populares aliadas ao regime chavista.

Depois de ficar quatro meses na prisão militar de Ramo Verde, por motivos de saúde, o ex-prefeito foi para prisão domiciliar. Foi detido de novo em Ramo Verde por três dias em agosto por defender o boicote à Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo ditador Nicolás Maduro para tirar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem ampla maioria.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Ditadura de Maduro muda local de votação de 700 mil eleitores

Em mais uma manobra da ditadura de Nicolás Maduro para fraudar o resultado das urnas, dias antes das eleições estaduais de 15 de outubro de 2017, o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela mudou, sem prévia notificação, os locais de votação de 700 mil eleitores. O processo foi acelerado na quarta e na quinta-feira, quando 400 mil eleitores foram realocados.

A oposição está oferecendo transporte para evitar a abstenção. O Departamento de Estado americano advertiu Maduro: "Os Estados Unidos e a comunidade internacional estão prestando a atenção nestas eleições", alertou a porta-voz Heather Nauert.

"Os EUA pedem ao regime que realize eleições livres e limpas", mas "estão preocupados com uma série de ações do CNE que põem em questão a limpeza do processo eleitoral", acrescentou a porta-voz.

No estado de Miranda, mais de 200 mil eleitores, cerca de 9% do total, foram realizados entre terça e quinta-feira. Em Caracas, quem votava desde 1989 na Metropolitana, uma universidade privada, agora terá de votar a quilômetros de distância, no alto de uma favela em Petare. Talvez não queira esperar horas na fila num local perigoso.

Apesar da manobra da ditadura, as pesquisas preveem a vitória da oposição em 21 dos 23 estados.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Militar torturado dedurou Ledezma na Venezuela

O prefeito da região metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, foi preso pelo serviço secreto da Venezuela com base numa acusação de conspirar para derrubar o governo feita pelo coronel da reserva José Gustavo Arocha Pérez, preso em maio de 2014, afirma o jornal venezuelano Diario La Verdad.

As organizações de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional e Human Rights Watch consideraram a prisão ilegal, sem provas nem mandado judicial. Ledezma pode ser condenado a até 25 anos de prisão.

Seu advogado, Omar Estacio, pretende recorrer à Justiça para pedir a libertação de Ledezma alegando que a única prova contra ele é uma confissão obtida mediante tortura pelo Serviço Bolivarista de Inteligência.

Depois de seis meses na prisão, Arocha Pérez teria feito um acordo com a procuradoria para delatar vários dirigentes políticos. As outras provas de que o prefeito de Caracas estaria por trás um golpe apoiado pelos EUA são uma declaração do líder estudantil Loreth Saleh reconhecendo a importância política de Ledezma e um documento preparado pela oposição propondo um governo de união nacional numa transição depois da saída do presidente Nicolás Maduro, que se revelou totalmente incapaz de governar o país.

Com uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela vive uma crise econômica gerada pela incompetência da revolução chavista em administrar uma economia capitalista. A inflação foi de 68% no ano passado. Faltam produtos básicos como papel higiene, carne, leite, açúcar e farinha de trigo.

O colapso do regime é uma questão de tempo. Em vez de se omitir, o Brasil deveria mediar um acordo com a oposição que necessariamente inclua uma mudança na política econômica. Na Argentina, há uma crise política agravada pela morte suspeita do promotor Alberto Nisman. Uma eleição resolve. Na Venezuela, o risco de derramamento de sangue é cada vez maior.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Anistia Internacional considera ilegal prisão do prefeito de Caracas

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional considerou inaceitável a prisão do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, ontem pelo serviço secreto da Venezuela sem ordem judicial, noticia o jornal El Nacional. Em nota, a Anistia qualificou como "inaceitável" prender pessoas sem prova de que tenham cometido algum delito.

Sem provas concretas, o presidente Nicolás Maduro o acusou de conspirar com os Estados Unidos para derrubar seu governo.

"No atual contexto venezuelano, nada mais resta se não presumir uma vez mais que às autoridades não interessa dar prioridade à proteção dos direitos, mas, sim, calar vozes críticas", acrescenta a nota.

"Num Estado de Direito, em que se devem defender os direitos de todas as pessoas", prossegue o texto, "é inaceitável que se detenham indivíduos sem prova admissível de que tenham cometido algum delito. No último ano, foram presas arbitrariamente pessoas pelo simples fato de serem opositores ou terem uma visão crítica do governo. A prisão do prefeito de Caracas soma mais uma pessoa à lista de prisões com motivação política.

"Além do mais, na semana passada, a Anistia Internacional teve conhecimento de que foi detido o juiz Alí Fabricio Paredes, supostamente em consequência da sentença que proferiu em um caso de alta repercussão e que não haveria satisfeito os desejos do Executivo. Também foi detido o advogado Tadeu Arriechi como represália pelo desempenho de funções ao trabalhar como advogado de uma empresa acusada de desestabilizar a economia.

"Enquanto as autoridades venezuelanas não tomarem a sério a prioridade aos direitos humanos e entenderam que no Estado de Direito se deve dar espaço à dissidência, o país continuará numa espiral de deterioração que afetará sobretudo as pessoas mais vulneráveis."

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Universitários protestam em Caracas contra morte de estudante

Universitários de duas instituições de ensino superior da Venezuela protestam em vários pontos de Caracas contra a morte de um estudante na manifestação de ontem contra o governo Nicolás Maduro. Ao todo, três pessoas morreram.

O governo reagiu denunciando uma ameaça de golpe. Maduro aumentou a repressão, proibiu manifestações não autorizadas e decretou a prisão do líder oposicionista Leopoldo López.

Venezuela prende líder da oposição após três mortes

A pedido da Procuradoria-Geral da Venezuela, um juiz de Caracas decretou ontem a prisão do líder oposicionista Leopoldo López como suspeito de incitar à violência em manifestações de rua realizadas ontem que terminaram com três mortes. Na capital e em várias cidades do interior, houve protestos pedindo a renúncia do presidente Nicolás Madura em meio a uma crise de desabastecimento, com inflação de 56% ao ano.

Mais cedo, um porta-voz do partido Vontade Popular disse que López não havia sido notificado e estava examinando a situação com seus advogados.

Pelo menos outras 23 pessoas saíram feridas e 25 foram presas nas manifestações contra e a favor do governo. Maduro repudiou a violência e acusou grupos "nazifascistas" de articular um golpe para derrubá-lo.

O presidente venezuelano também proibiu manifestações de protesto, levando os líderes oposicionistas López, María Corina Machado e o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, a denunciar uma violação da Constituição e dos direitos políticos, informa o jornal Latin American Herald.

A situação econômica da Venezuela, falida pelas políticas do "socialismo do século 21" do falecido presidente Hugo Chávez, se agrava a cada dia sem que o governo mostre condições de reverter o quadro.

Hoje, a companhia japonesa Toyota, maior fabricante de automóveis do mundo, anunciou a redução de sua produção por não conseguir importar autopeças no ritmo necessário para manter sua fábrica operando normalmente. O dólar no câmbio negro vale 13 vezes mais do que a cotação oficial, e as empresas não conseguem a moeda americana para pagar pelas importações.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Chávez vence eleições mas oposição avança

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, obteve mais uma ampla vitória nas eleições estaduais e municipais do domingo. Seus partidários ganharam em 17 dos 22 estados venezuelanos.

Mas a oposição cresceu. Ganhou em cinco estados importantes e conquistou a prefeitura da capital, cargo mais importante no país, a prefeitura da capital, Caracas.

Antonio José Ledezma teve 52,4% dos votos contra 44,92% para o chavista Aristóbulo Izturiz, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e falou com cooperação com Chávez em tom de desafio: "Uma mensagem para o Presidente da República: você e eu temos muitas diferenças mas neste momento não é pertinente discutir as razões. Eu o convido, Sr. Presidente, a trabalhar junto comigo para resgatar Caracas do caos e da miséria".

Chávez festejou a ampla vitória de seus aliados e pediu aos governadores de oposição, "reconhecendo seu triunfo, espero que me reconheçam como chefe de Estado e respeitem a Constituição".

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Polícia de Chávez invade Hebraica em Caracas

Em mais uma manifestação de anti-semitismo do governo Hugo Chávez, 40 agentes da polícia política, do esquadrão antiterrorista e de combate às drogas da Venezuela invadiram o Colégio e Centro Social, Cultural e Desportivo Hebraica de Caracas na madrugada de sábado para domingo. Estavam em busca de armas e explosivos que "poderiam ser usados para desestabilizar o plebiscito" realizado no domingo.

Enquanto a polícia revirava as instalações, os diretores do clube e da escola foram impedidos de entrar no local. Ninguém foi preso e nada foi achado.

O governo tentou abafar o caso, mas a corajosa radialista venezuelana Eleonora Bruzual não se intimidou.

Perto dali, era celebrado um casamento judaico com mais de 900 convidados.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Estudantes enfrentam polícia na Venezuela

Milhares de estudantes protestaram ontem nas ruas de Caracas contra a reforma constitucional que aumenta os poderes do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Eles exigem o adiamento do referendo marcado para 2 de dezembro para confirmar a nova Constituição, que permite a reeleição do presidente indefinidamente e a decretação de estado de emergência por tempo indeterminado a critério do presidente.

Ao se aproximar da sede do comitê organizador do referendo, a marcha foi barrada por policiais e soldados do Exército. Houve confusão e tumulto quando os estudantes jogaram garrafas plásticas e pedras nos agentes chavistas.

Chávez afirma que as reformas são necessárias para implantar o "socialismo do século 21", que não se sabe exatamente o que significa.

Hoje a Assembléia Nacional 100% chavista (a oposição boicotou as eleições parlamentares de dezembro de 2005) aprova a nova Constituição, preaparando o caminho para o referendo.