Em mensagem de vídeo divulgada na Internet, o general-brigadeiro Francisco Estéban Yánez Rodríguez, da Força Aérea da Venezuela, descreveu Nicolás Maduro como ditador e anunciou apoio ao presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país em 23 de janeiro.
Francisco Yánez é general de divisão e diretor de planejamento estratégico do Alto Comando da Aviação. O brigadeiro afirmou que 90% das Forças Armadas são contra a ditadura, incitou outros militares a segui-lo e convocou a população a participar das manifestações de hoje contra Maduro.
O apoio militar é fundamental à sustenção do regime chavista diante do colapso da economia venezuelana. Um dia depois do juramento público de Guaidó como presidente interino, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e os comandantes de todas as regiões militares do país deram apoio a Maduro como "presidente legítimo".
A reeleição antecipada de Maduro, em 22 de maio de 2018, foi vista como fraudulenta pela maior parte do mundo e seu segundo mandato, iniciado em 10 de janeiro deste ano, considerado ilegítimo pelos Estados Unidos, o Canadá e a maior parte dos países latino-americanos do Grupo de Lima, entre eles o Brasil, a Argentina, o Chile, a Colômbia, o Paraguai e o Peru.
Ao se declarar presidente, Guaidó alegou que a Presidência da Venezuela está vaga por causa da ilegitimidade do mandato de Maduro.
O Parlamento Europeu reconheceu Guaidó e a Alemanha, a Espanha, a França e o Reino Unido deram prazo até amanhã para Maduro convocar novas eleições presidenciais. Caso contrário, prometem reconhecer o governo Guaidó.
Até agora, Maduro só aceitou convocar eleições parlamentares antecipadas. As eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015 foram as últimas eleições democráticas na Venezuela. Como a oposição elegeu dois terços da Assembleia Nacional, o que permitiria alterar a Constituição, o governo Maduro recorreu ao Tribunal Supremo de Justiça, que impugnou os mandatos de cinco deputados.
Sem apoio para governar, em 2017, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte eleita com um sistema sob medida para garantir a vitória, tornando a Venezuela numa ditadura. A Constituinte manipulada pelo ditador passou a ser o principal órgão do governo e antecipou a eleição presidencial fraudulenta do ano passado.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Gen. Vladimir Padrino López. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gen. Vladimir Padrino López. Mostrar todas as postagens
sábado, 2 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Comandantes militares dão apoio a Maduro na Venezuela
Sob a liderança do ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, a alta cúpula das Forças Armadas e os comandantes de todas as regiões militares da Venezuela deram apoio hoje ao ditador Nicolás Maduro como "presidente legítimo" do país e denunciaram o governo paralelo da oposição como uma tentativa de golpe de Estado.
Ontem, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, prestou juramento público diante de uma multidão de manifestantes declarando ser o líder legítimo do país. Desde segunda-feira, mais de 20 pessoas morreram em confrontos de manifestantes com as forças de segurança.
O país tem agora poderes Executivo, Legislativo e Judiciário paralelos. Um Supremo Tribunal de Justiça paralelo no exterior, se reúne em Bogotá. Tem outro Parlamento, a Assembleia Nacional Constituinte convocada em 2017 por Maduro para usurpar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente em dezembro de 2015.
Imediatamente, os Estados Unidos, o Brasil, o Canadá, o Reino Unido, a Argentina, o Chile, a Colômbia, o Eqaudor, a Guatemala, Honduras, o Panamá, o Paraguai e o Peru reconheceram o governo paralelo da oposição.
Maduro reagiu rompendo relações com o Washington e ordenando a saída do país de todos os diplomatas americanos em 72 horas. O governo Donald Trump rejeitou a ordem, mandando apenas o pessoal não essencial sair do país.
Hoje, a China e a Rússia condenaram a interferência externa na política interna da Venezuela.
Enquanto os EUA convocaram uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a China, o México e o Uruguai pediram a retomada do diálogo entre governo e a oposição. Maduro concordou em princípio, mas a situação é tão polarizada que é difícil imaginar algum entendimento
A China e a Rússia fizeram grandes investimentos na Venezuela e são hoje as principais fontes de sustentação do regime chavista, além de trabalharem para sabotar a influência dos EUA em todas as regiões do planeta.
Só a China deu empréstimos de US$ 50 milhões a Caracas nos últimos dez anos, a serem pagos em petróleo.
O governo paralelo pretende aprovar novas leis anticorrupção e sobre a exploração de petróleo. A queda do regime chavista levaria à revisão dos negócios com outros países. Isto afetaria os interesses dos russos e chineses.
Ontem, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, prestou juramento público diante de uma multidão de manifestantes declarando ser o líder legítimo do país. Desde segunda-feira, mais de 20 pessoas morreram em confrontos de manifestantes com as forças de segurança.
O país tem agora poderes Executivo, Legislativo e Judiciário paralelos. Um Supremo Tribunal de Justiça paralelo no exterior, se reúne em Bogotá. Tem outro Parlamento, a Assembleia Nacional Constituinte convocada em 2017 por Maduro para usurpar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente em dezembro de 2015.
Imediatamente, os Estados Unidos, o Brasil, o Canadá, o Reino Unido, a Argentina, o Chile, a Colômbia, o Eqaudor, a Guatemala, Honduras, o Panamá, o Paraguai e o Peru reconheceram o governo paralelo da oposição.
Maduro reagiu rompendo relações com o Washington e ordenando a saída do país de todos os diplomatas americanos em 72 horas. O governo Donald Trump rejeitou a ordem, mandando apenas o pessoal não essencial sair do país.
Hoje, a China e a Rússia condenaram a interferência externa na política interna da Venezuela.
Enquanto os EUA convocaram uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a China, o México e o Uruguai pediram a retomada do diálogo entre governo e a oposição. Maduro concordou em princípio, mas a situação é tão polarizada que é difícil imaginar algum entendimento
A China e a Rússia fizeram grandes investimentos na Venezuela e são hoje as principais fontes de sustentação do regime chavista, além de trabalharem para sabotar a influência dos EUA em todas as regiões do planeta.
Só a China deu empréstimos de US$ 50 milhões a Caracas nos últimos dez anos, a serem pagos em petróleo.
O governo paralelo pretende aprovar novas leis anticorrupção e sobre a exploração de petróleo. A queda do regime chavista levaria à revisão dos negócios com outros países. Isto afetaria os interesses dos russos e chineses.
terça-feira, 18 de julho de 2017
Mais de 98% votaram contra a Constituinte de Maduro
Mais de 98% dos 7,6 milhões de venezuelanos que participaram de uma consulta popular realizada pela oposição rejeitaram a proposta do ditador Nicolás Maduro de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte eleita por entidades leais ao regime chavista.
Como próximos passos, a oposição venezuelana convocou uma greve geral para 21 de julho e anunciou a formação de um governo paralelo para fazer sombra a Maduro.
O ditador da Venezuela insiste na convocação de uma Constituinte. Seu principal objetivo é tirar a legitimidade da Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços.
Com sua nova Constituição, que revoga a Carta escrita e aprovada sob a inspiração do finado caudilho Hugo Chávez, Maduro ambiciona o poder absoluto e o fim das eleições democráticas.
Ao comentar o resultado ontem, o presidente da Assembleia Nacional, deputado Julio Borges, afirmou que na prática o mandato de Maduro está revogado.
Hoje à tarde, horas de milicianos chavistas se concentraram perto da sede da Assembleia Nacional. O Legislativo deve receber hoje o relatório final do Comitê de Postulantes às 33 vagas do Tribunal Supremo de Justiça e fazer as nomeações até sexta-feira, colocando-se em rota de colisão com o Executivo.
Pouco depois do meio-dia, a agência Bloomberg noticiou que os Estados Unidos podem impor sanções ao ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e ao ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello por causa das violações dos direitos humanos na repressão aos protestos populares, que não cessam desde o início de abril, com cerca de cem mortes.
A Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história independente, com queda de mais de 20% no produto interno bruto nos últimos anos, inflação de 950% e desabastecimento de mais de 80% dos produtos básicos.
Com ou sem Constituinte, Maduro não tem resposta para esses problemas. Limita-se a denunciar uma conspiração internacional liderada pelos EUA com a conivência das classes dominantes venezuelanas.
Os EUA, a União Europeia e o Brasil apoiaram o resultado do referendo e pediram ao governo que desista da Constituinte. O governo Donald Trump ameaça impor novas sanções, enquanto o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu a intermediação do ditador de Cuba, Raúl Castro, para negociar uma solução pacífica.
Como próximos passos, a oposição venezuelana convocou uma greve geral para 21 de julho e anunciou a formação de um governo paralelo para fazer sombra a Maduro.
O ditador da Venezuela insiste na convocação de uma Constituinte. Seu principal objetivo é tirar a legitimidade da Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços.
Com sua nova Constituição, que revoga a Carta escrita e aprovada sob a inspiração do finado caudilho Hugo Chávez, Maduro ambiciona o poder absoluto e o fim das eleições democráticas.
Ao comentar o resultado ontem, o presidente da Assembleia Nacional, deputado Julio Borges, afirmou que na prática o mandato de Maduro está revogado.
Hoje à tarde, horas de milicianos chavistas se concentraram perto da sede da Assembleia Nacional. O Legislativo deve receber hoje o relatório final do Comitê de Postulantes às 33 vagas do Tribunal Supremo de Justiça e fazer as nomeações até sexta-feira, colocando-se em rota de colisão com o Executivo.
Pouco depois do meio-dia, a agência Bloomberg noticiou que os Estados Unidos podem impor sanções ao ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e ao ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello por causa das violações dos direitos humanos na repressão aos protestos populares, que não cessam desde o início de abril, com cerca de cem mortes.
A Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história independente, com queda de mais de 20% no produto interno bruto nos últimos anos, inflação de 950% e desabastecimento de mais de 80% dos produtos básicos.
Com ou sem Constituinte, Maduro não tem resposta para esses problemas. Limita-se a denunciar uma conspiração internacional liderada pelos EUA com a conivência das classes dominantes venezuelanas.
Os EUA, a União Europeia e o Brasil apoiaram o resultado do referendo e pediram ao governo que desista da Constituinte. O governo Donald Trump ameaça impor novas sanções, enquanto o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu a intermediação do ditador de Cuba, Raúl Castro, para negociar uma solução pacífica.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Venezuela prende cinco oficiais militares acusados de golpe
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou ontem à noite em pronunciamento na televisão estatal TeleSur ter desarticulado um golpe de Estado. Pelo menos cinco oficiais das Forças Armadas foram presos.
Maduro acusou os presos de receberem pagamento em dólares e afirmou que um deles tinha visto para fugir para os Estados Unidos se a conspiração fracassasse.
O golpe seria deflagrado ontem, no primeiro aniversário de um ano do início da uma onda de manifestações de protesto contra o regime chavista em que 43 pessoas foram mortas. A conspiração incluiria bombardeios ao palácio presidencial de Miraflores e à sede da emissora TeleSur em Caracas, além do assassinato de líderes da oposição.
Diante dos rumores de golpe em meio à pior crise econômica em décadas, com inflação de quase 70% ao ano e desabastecimento de produtos básicos, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, declarou no Twitter que os militares permanecem leais ao governo Maduro. Até quando?
Maduro acusou os presos de receberem pagamento em dólares e afirmou que um deles tinha visto para fugir para os Estados Unidos se a conspiração fracassasse.
O golpe seria deflagrado ontem, no primeiro aniversário de um ano do início da uma onda de manifestações de protesto contra o regime chavista em que 43 pessoas foram mortas. A conspiração incluiria bombardeios ao palácio presidencial de Miraflores e à sede da emissora TeleSur em Caracas, além do assassinato de líderes da oposição.
Diante dos rumores de golpe em meio à pior crise econômica em décadas, com inflação de quase 70% ao ano e desabastecimento de produtos básicos, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, declarou no Twitter que os militares permanecem leais ao governo Maduro. Até quando?
Assinar:
Postagens (Atom)