Depois de anos de recusa sob o argumento de que justificaria uma intervenção militar na Venezuela, o ditador Nicolás Maduro pediu ajuda humanitária de emergência às Nações Unidas, como este blog antecipou há 12 dias.
Uma ajuda inicial de US$ 9,2 milhões para saúde e alimentação foi liberada, mas ficará sob o controle de agências internacionais, noticiou hoje o jornal O Estado de São Paulo. É mais um sinal da falência do chavismo e seu "socialismo do século 21".
Até o mês passado, o regime chavista se recusava a admitir que o país está numa situação de "emergência humanitária", com mais de 80% da população vivendo abaixo da linha de pobreza, com renda mensal abaixo de R$ 180. Não permitia a atuação de agências humanitárias na Venezuela
É uma situação catastrófica. A inflação prevista para este ano deve chegar a 1.800.000%. A depressão reduziu o produto interno bruto em 50% nos últimos cinco anos. O desabastecimento é generalizado. Faltam mais de 80% dos produtos normalmente encontrados nos supermercados, especialmente remédios e alimentos.
Sob ameaça desta crise, a pior de uma economia relativamente desenvolvida da história recente, mais de 4 milhões de pessoas fugiram da Venezuela nos últimos quatro anos. A ajuda da ONU visa também a conter esta crise de refugiados.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai ficar com a maior parte do dinheiro para aplicar em hospitais, no pagamento dos funcionários do setor e na compra de medicamentos. Com a saída de um em cada três médicos, constatada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), há uma explosão de casos de aids, tuberculose, sarampo e difteria, entre outras doenças.
Com a mortalidade infantil no nível de 40 anos atrás, o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) vai receber US$ 2,6 milhões para a "recuperação nutricional de crianças com menos de cinco anos de idade, mulheres grávidas ou que estejam amamentando" e US$ 1,7 milhão serão destinados a outras mulheres a crianças.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2018
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Irlandês, japonês e chinesa dividem Prêmio Nobel de Medicina
O Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2015 foi dividido entre os cientistas irlandês William Campbell e japonês Satoshi Omura pela descoberta de uma nova terapia contra verminoses e a chinesa Youyou Tu por um novo tratamento contra malária, anunciou hoje em Estocolmo a Academia de Ciências da Suécia.
"Essas duas descobertas deram à humanidade novos meios poderosos para combater doenças debilitantes que afetam centenas de milhões de pessoas todos os anos. As consequências em termos de melhoria da saúde e redução do sofrimento são imensuráveis", declarou a Academia do Nobel, reunida no Instituto Karolinska.
A descoberta da avermectina por Campbell, da Universidade Drew, dos Estados Unidos, e Omura, da Universidade Kitasato, do Japão, levou a um grande avanço no tratamento de doenças causadas por vermes como a oncocercose, mais conhecida como a "cegueira dos rios", e a filariose linfática ou elefantíase. Eles dividem a metade do prêmio.
Cerca de um terço da humanidade sofre de verminoses e 100 milhões de elefantíase, enquanto 25 milhões têm a "cegueira dos rios".
Primeira chinesa a receber o Nobel de Medicina, Tu, da Academia de Medicina Tradicional da China, descobriu o fármaco artemisina, extraído da planta artemísia, que reduziu consideravelmente a mortalidade de pacientes com malária. Cerca de 450 mil pessoas morrem por ano de malária. Este número já chegou a um milhão.
O Prêmio Nobel de Medicina é sempre o primeiro a ser anunciado. Neste ano, foram contemplados estudos sobre doenças parasitárias transmitidas por moscas e mosquitos. Nos próximos dias, serão revelados os ganhadores nas categorias de química, física, literatura, paz e economia.
"Essas duas descobertas deram à humanidade novos meios poderosos para combater doenças debilitantes que afetam centenas de milhões de pessoas todos os anos. As consequências em termos de melhoria da saúde e redução do sofrimento são imensuráveis", declarou a Academia do Nobel, reunida no Instituto Karolinska.
A descoberta da avermectina por Campbell, da Universidade Drew, dos Estados Unidos, e Omura, da Universidade Kitasato, do Japão, levou a um grande avanço no tratamento de doenças causadas por vermes como a oncocercose, mais conhecida como a "cegueira dos rios", e a filariose linfática ou elefantíase. Eles dividem a metade do prêmio.
Cerca de um terço da humanidade sofre de verminoses e 100 milhões de elefantíase, enquanto 25 milhões têm a "cegueira dos rios".
Primeira chinesa a receber o Nobel de Medicina, Tu, da Academia de Medicina Tradicional da China, descobriu o fármaco artemisina, extraído da planta artemísia, que reduziu consideravelmente a mortalidade de pacientes com malária. Cerca de 450 mil pessoas morrem por ano de malária. Este número já chegou a um milhão.
O Prêmio Nobel de Medicina é sempre o primeiro a ser anunciado. Neste ano, foram contemplados estudos sobre doenças parasitárias transmitidas por moscas e mosquitos. Nos próximos dias, serão revelados os ganhadores nas categorias de química, física, literatura, paz e economia.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
África precisa de 820 mil profissionais de saúde
A África é o continente mais assolado por doenças preveníveis e tratáveis como malária, aids e tuberculose, mas tem apenas 3% dos profissionais de saúde. Milhões de africanos sofrem e morrem necessariamente todos os anos.
Um estudo da empresa de consultoria McKinsey estima que só a África Subsaariana, que exclui os países árabes no Norte do continente, precisa de mais 820 mil médicos, enfermeiras, parteiras, atendentes hospitalares e agentes de saúde para atingir a média por habitante indicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS): 2,5 para cada mil habitantes.
Na África, a média é de 1,3/mil, em contraste com 7 na América e 11 na Europa.
Para atingir a meta da OMS, os governos da região teriam de aumentar seus quadros de pessoal de saúde em 140%.
Infelizmente, conclui o relatório, não há dinheiro para contratar, treinar e sustentar esse exército de trabalhadores de saúde. A maioria dos recursos destinados à saúde em 2015, estimados em US$ 22 bilhões, irá apenas manter os precários serviços atuais, com um gasto de cerca de US$ 20 por pessoa.
Se forem computados as correções salariais e o aumento de despesas com novos métodos de tratamento de doenças como aids e tuberculose, sobrariam apenas US$ 400 milhões para formar e contratar novos trabalhadores da saúde.
Mesmo com dinheiro, é impossível encontrar pessoal qualificado. Haveria necessidade de mais 600 faculdades de medicina e de enfermagem e de décadas para formar os profissionais.
Outro problema é que a falta de infra-estrutura, hospitais e equipamentos médicos, e os salários baixos acabam provocando a emigração dos melhores profissionais para países mais desenvolvidos.
Depois de entrevistar 40 especialistas em oito países africanos, o estudo faz algumas recomendações:
1. Os governos da África devem examinar modelos de serviços de saúde de outros países em desenvolvimento, onde paramédicos e agentes de saúde comunitários complementam o trabalho dos profissionais mais qualificados, a exemplo dos médicos de pés descalços chineses. Seria uma estratégia com relação custo-benefício muito superior às abordagens tradicionais.
2. A ajuda internacional e as organizações não-governamentais (ONGs) devem apoiar esforços para aumentar a produtividade dos trabalhadores de saúde na África.
3. É preciso mudar a lei de alguns países onde todo o trabalho dos profissionais de saúde está subordinado ao Estado, criando um ambiente que estimula a participação do setor privado, ONGs e entidades comunitárias, de modo a aliviar a carga do setor público.
Leia a íntegra do relatório McKinsey sobre a saúde na África.
Um estudo da empresa de consultoria McKinsey estima que só a África Subsaariana, que exclui os países árabes no Norte do continente, precisa de mais 820 mil médicos, enfermeiras, parteiras, atendentes hospitalares e agentes de saúde para atingir a média por habitante indicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS): 2,5 para cada mil habitantes.
Na África, a média é de 1,3/mil, em contraste com 7 na América e 11 na Europa.
Para atingir a meta da OMS, os governos da região teriam de aumentar seus quadros de pessoal de saúde em 140%.
Infelizmente, conclui o relatório, não há dinheiro para contratar, treinar e sustentar esse exército de trabalhadores de saúde. A maioria dos recursos destinados à saúde em 2015, estimados em US$ 22 bilhões, irá apenas manter os precários serviços atuais, com um gasto de cerca de US$ 20 por pessoa.
Se forem computados as correções salariais e o aumento de despesas com novos métodos de tratamento de doenças como aids e tuberculose, sobrariam apenas US$ 400 milhões para formar e contratar novos trabalhadores da saúde.
Mesmo com dinheiro, é impossível encontrar pessoal qualificado. Haveria necessidade de mais 600 faculdades de medicina e de enfermagem e de décadas para formar os profissionais.
Outro problema é que a falta de infra-estrutura, hospitais e equipamentos médicos, e os salários baixos acabam provocando a emigração dos melhores profissionais para países mais desenvolvidos.
Depois de entrevistar 40 especialistas em oito países africanos, o estudo faz algumas recomendações:
1. Os governos da África devem examinar modelos de serviços de saúde de outros países em desenvolvimento, onde paramédicos e agentes de saúde comunitários complementam o trabalho dos profissionais mais qualificados, a exemplo dos médicos de pés descalços chineses. Seria uma estratégia com relação custo-benefício muito superior às abordagens tradicionais.
2. A ajuda internacional e as organizações não-governamentais (ONGs) devem apoiar esforços para aumentar a produtividade dos trabalhadores de saúde na África.
3. É preciso mudar a lei de alguns países onde todo o trabalho dos profissionais de saúde está subordinado ao Estado, criando um ambiente que estimula a participação do setor privado, ONGs e entidades comunitárias, de modo a aliviar a carga do setor público.
Leia a íntegra do relatório McKinsey sobre a saúde na África.
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