Mostrando postagens com marcador associação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador associação. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Holanda rejeita em referendo acordo UE-Ucrânia

Apesar do mau tempo e do apoio do primeiro-ministro Mark Rutte, os holandeses rejeitaram ontem em referendo um acordo de associação da União Europeia com a ex-república soviética da Ucrânia. É um presente para as ambições imperiais do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e para os eurocéticos britânicos que querem tirar o Reino Unido da UE.

O governo da Holanda prometeu acatar o resultado das urnas se a participação passasse de 30% do eleitorado, o que foi conseguido, mesmo com o vento, a chuva e o frio de um inverno atrasado. Cerca de 61% votaram não e 38% votaram sim.

A consulta popular foi iniciativa de uma campanha na Internet que conseguiu levantar o número de 300 mil assinaturas exigido pela lei holandesa para convocar o referendo.

É um golpe na política de associação com a Ucrânia, que provocou uma revolução na ex-república soviética, na queda do presidente Viktor Yanukovich e na intervenção militar da Rússia para anexar a península da Crimeia e fomentar uma rebelião de russos étnicos no Leste do país.

Durante a guerra civil na Ucrânia, um Boeing 777 da companhia aérea Malaysia Airlines foi abatido em território ucraniano, provavelmente pelos rebeldes apoiados pela Rússia, quando fazia o voo MH17 (Amsterdã-Kuala Lumpur) com 298 pessoas a bordo, sendo 193 holandeses.

O referendo holandês foi mais uma rebelião cidadã contra o poder da União Europeia, que na verdade deriva dos Estados nacionais, e portanto também contra o governo Mark Rutte.

Como em ocasiões anteriores, quando um país relativamente pequeno rejeita algum acordo, a UE deve propor a mesma medida de outra forma. Não vai abandonar o acordo de associação com a Ucrânia por causa da Holanda.

É mais um sintoma da crise de governabilidade da UE. O argumento de que será mais um país pobre a entrar para o mercado comum, provocando uma nova onda de migração por razões econômicas, é fraco. Serão necessários anos para a Ucrânia se tornar membro pleno do bloco europeu.

A rejeição do acordo interessa ao projeto russo de manter o controle sobre as ex-repúblicas soviéticas como esfera de influência. Mas nem econômica nem politicamente a Rússia tem muito a oferecer à Ucrânia. A Europa é muito mais atraente como mercado comum e como estilo de vida.

Essa vitória do não anima os eurocéticos britânicos, que pretendem vencer o referendo convocado para 23 de junho para decidir se o Reino Unido vai permanecer ou não na UE.

No momento, a média das pesquisas indica 51% a favor de ficar na UE e 49% querem sair. Se o Reino Unido sair do projeto de integração da Europa, é provável que a Escócia convoque novo referendo sobre a independência para deixar a Grã-Bretanha e voltar à UE.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Putin quer reescrever acordo UE-Ucrânia

O presidente Vladimir Putin exige a renegociação do recém-ratificado acordo de associação da Ucrânia à União Europeia (UE) e ameaça tomar "imediatamente medidas retaliatórias apropriadas" se a ex-república soviética começar a implementar qualquer parte do acordo, noticia o jornal inglês Financial Times.

Em carta ao presidente da Comissão Europeia, o ex-primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso, a quem dissera que poderia tomar Kiev em duas semanas, Putin reafirma a determinação de impedir a integração da Ucrânia à Europa e especialmente à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos.

Putin alega que o adiamento de um ano e três meses na implementação do acordo, uma concessão feita pela Ucrânia e a UE no início do mês, deve ser usado para "criar equipes de negociação" para reescrever o acordo.

"Ainda acreditamos que só ajustes sistêmicos ao acordo de associação que levem em conta todos os riscos aos laços econômicos entre a Rússia e a Ucrânia e para toda a economia russa derivados da implementação do acordo nos permitirão manter as relações comerciais e econômicas existentes entre a Federação Russa", afirmou o homem-forte do Kremlin.

A Rússia pleiteia a alteração de 1,2 mil posições tarifárias definidas no acordo. Em princípio, a UE se nega a renegociar o acordo rejeitado sob pressão da Rússia em novembro de 2013 pelo então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich. A ruptura das negociações deflagrou uma onda de protestos que levou à queda de Yanukovich em 22 de fevereiro de 2014.

Menos de uma semana depois, a Rússia iniciou uma intervenção militar na província da Crimeia que resultou em plebiscito pela independência da Ucrânia e anexação à Federação Russa, realizado em 16 de março.

Em abril, começou um movimento separatista insuflado por Moscou no Leste da Ucrânia, iniciando uma guerra civil em que cerca de 3,5 mil pessoas foram mortas. O objetivo de Putin é cada vez mais claro: enfraquecer a Ucrânia para impedir sua verdadeira independência e o afastamento da órbita da Rússia.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

UE assina acordo com Ucrânia e indica novo presidente

Numa reunião de cúpula hoje em Bruxelas, a União Europeia deve assinar um acordo de associação com a Ucrânia e indicar o ex-primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, como novo presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo do bloco, a ser eleito pelo Parlamento Europeu.

A rejeição do acordo a ser assinado hoje pelo então presidente Viktor Yanukovich, em novembro de 2013, sob pressão da Rússia, levou a uma revolta popular e à sua queda em fevereiro. O presidente russo, Vladimir Putin, negou-se a reconhecer o governo revolucionário e iniciou uma intervenção na Ucrânia, anexando a Crimeia à Rússia em 17 de março de 2014.

Em abril, a revolta se alastrou para o Leste da Ucrânia, onde mais de 350 pessoas foram mortas. Ao pedir ao Conselho Federal, a câmara alta do Parlamento da Rússia, a revogação da autorização para enviar tropas à Ucrânia, Putin indicou a intenção de negociar. Ao mesmo tempo, usa as exportações de gás para tentar dividir a UE.

Além do acordo com a Ucrânia, o bloco europeu deve eleger Juncker para presidente da CE em substituição ao ex-primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso, a partir de 31 de outubro de 2014. A Suécia e a Holanda, que pareciam apoiar a posição do primeiro-ministro britânico, David Cameron, confirmaram ontem seu voto em Juncker, fechando com a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel.

Isolado, é improvável que Cameron tente vetar a eleição de Juncker, no momento em que está sendo pressionado tanto pelos eurocéticos do próprio Partido Conservador quanto pelo Partido da Independência do Reino Unido, que ganhou as eleições para o Parlamento Europeu no Reino Unido, a exemplo do que aconteceu com a Frente Nacional na França.

O primeiro-ministro da Irlanda, Enda Kenny anunciou uma nova reunião de cúpula para 17 de julho. Com a oposição do Reino Unido a Juncker, foi impossível definir os futuros ocupantes dos dois outros altos cargos da UE, o presidente do Conselho Europeu e o supercomissário de política externa.

A reunião de cúpula começou com um juntar em Ypres, na Bélgica, para relembrar os cem anos do início da Primeira Guerra Mundial. Em 28 de junho de 1914, o estudante radical sérvio Gavrilo Princip matou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro. O atentado deflagrou o conflito.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Ucrânia e UE assinam acordo de associação

Enquanto o homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin, sancionava a anexação da Crimeia à Rússia, a União Europeia (UE) assinava hoje um acordo de associação com a Ucrânia, que agora está a caminho de se tornar membro pleno do maior bloco comercial do planeta. O abandono das negociações pelo então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, em novembro de 2013, provocou a revolta popular que levou a sua queda e à intervenção militar russa.

Em Bruxelas, a UE acrescentou mais 12 autoridades russas à lista de alvos de sanções, que não podem viajar à Europa nem fazer negócios com empresas e cidadãos de seus países-membros. Os alvos de sanções europeias são agora 33. Incluem o vice-primeiro-ministro Dimitri Rogozin, e os presidente da Duma do Estado (Câmara), Serguei Narichkin, e do Conselho da Federação (Senado), Valentina Matvienko.

Putin assinou o tratado de anexação depois da ratificação pelo Conselho de Federação, uma espécie de Senado não eleito do Parlamento russo.

Se reconquistou a Crimeia, à força, ao arrepio do direito internacional, Putin perdeu a Ucrânia, mas ninguém acredita que se dê por vencido. A Rússia deve continuar com suas provocações no Leste da Ucrânia, onde a maioria é étnica e culturalmente russa, para desestabilizar o governo central, em Kiev.