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terça-feira, 10 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Março

 TRIBUNAL REVOLUCIONÁRIO

    Em 1793, na segunda fase da Revolução Francesa de 1789, a Convenção Nacional aprova a criação do Tribunal Revolucionário, uma proposta do jacobino Georges-Jacques Danton que seria o símbolo do Período do Terror (1793-94).

A ideia é criar um tribunal penal extraordinário. Em 29 de outubro, passa a ser chamado de Tribunal Revolucionário. Quando Maximiliano Robespierre cai e é executado, em julho de 1794, há uma expectativa de que o Tribunal Revolucionário seja extinto. Mas ele é usado para processar os algozes do Reino do Terror e encerra suas atividades em 31 de maio de 1795.

Ao todo, cerca de 17 mil pessoas são condenadas à morte na guilhotina pelo Tribunal Revolucionário, inclusive a rainha Maria Antonieta, Danton e Robespierre. Outras 25 mil pessoas são mortes em massacres e guerras decorrentes da Revolução. Ao todo, cerca de 50 mil pessoas são mortas pela Revolução Francesa de 1789.

PRIMEIRO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO NAZISTA

    Em 1933, 40 dias depois da ascensão de Adolf Hitler ao poder como chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, os nazistas abrem em Dachau, a 16 quilômetros de Munique, o primeiro campo de concentração do regime.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), Dachau chega a ter 150 ramos ou filiais. É o protótipo do campo de concentração nazista.

Cerca de 160 mil prisioneiros de guerra passam pelo campo principal e mais 60 mil pelos ramos. Pelo menos 32 mil são executados sumariamente, morrem sob tortura, de fome ou doenças. Milhares são deportados para centros de extermínio como Auschwitz, na Polônia ocupada pela Alemanha.

Os primeiros presos em Dachau são sociais-democratas e comunistas. A composição das vítimas revela a mudança nos alvos prioritários dos nazistas ao longo da guerra. Depois dos esquerdistas, é a vez de ciganos, homossexuais e testemunhas de Jeová. 

Depois da Kristallnacht (Noite dos Cristais), em que judeus são mortos e lojas de judeus são destruídas na Alemanha, os judeus começam a ser deportados para Dachau. Inicialmente, os judeus são soltos se tiverem como sair da Alemanha. 

Em 20 de janeiro de 1942, na Conferência de Wannsee, em Berlim, o regime nazista adota a "solução final" para exterminar os judeus da Europa. Uma câmara de gás é construída em Dachau em 1942, mas nunca é usada.

Além de ser o primeiro campo de concentração, Dachau é o centro das pesquisas científicas dos nazistas que usam seres humanos como cobaias.

Dachau é libertado pelos Estados Unidos em 29 de abril de 1945.

REVOLTA TIBETANA

    Em 1959, 300 mil tibetanos protestam contra a ocupação chinesa e cercam o palácio de verão do Dalai Lama, em Lhaça, com medo da prisão do líder político e espiritual do Tibete, Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, dando início a uma rebelião de duas semanas.

As manifestações, a princípio pacíficas, levam a choques com o Exército Popular de Libertação (EPL) da China e a combates violentos, com a morte de 2 mil soldados chineses e 85 mil tibetanos, números contestados. O Dalai Lama foge para o exílio na Índia.

Parte do Império Chinês desde o século 13, o Tibete se torna independente em 1912 com a queda da monarquia na China. Depois da vitória da revolução comunista, em 1º de outubro de 1949, Mao Tsé-tung manda recapturar o Tibete.

Como o Tibete é o teto do mundo, com altitude média de 4,9 mil metros, e não há estradas, o Exército Popular de Libertação leva 11 meses para chegar lá, em outubro de 1950. No ano seguinte, é assinado um tratado que transforma o Tibete numa região autônoma da República Popular da China e deixa o governo regional a cargo do Dalai Lama.

A resistência cresce. Em dezembro de 1958, o EPL ameaça bombardear a capital tibetana. A revolta é deflagrada pelo temor de que Tenzin Gyatso seja preso e levado para Beijim, quando o EPL convida o Dalai Lama para visitar seu quartel-general em Lhaça e ir sozinho, sem guarda-costas ou qualquer escolta.

Então, os tibetanos cercam o Palácio Norbulinka, em 10 de março, para impedir que o Dalai Lama vá ao QG chinês. Em 17 de março, a artilharia do EPL ataca o palácio. O Dalai Lama foge para a Índia.

Dois dias depois, começa a batalha das ruas. Os chineses são muito mais, têm as melhores armas e treinamento militar. Em 21 de março, o EPL bombardeia o palácio e mata dezenas de milhares de tibetanos acampados do lado de fora. A guarda pessoal do Dalai Lama é executada e os principais mosteiros do lamaísmo, o budismo tibetano, são destruídos.

No Grande Salto para a Frente (1958-62), uma política fracassada de criar unidades industriais no campo, morrem 30 milhões de pessoas na China e entre 200 mil e 1 milhão no Tibete. Durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), mais de 6 mil mosteiros tibetanos são destruídos.

IMPEACHMENT NA COREIA DO SUL

    Em 2017, a primeira mulher a presidir a Coreia do Sul, Park Geun-Hye, é destituída quando a Corte Suprema confirma a condenação em processo de impeachment, como prevê a Constituição do país.

A conservadora Park Geun-Hye é filha de Park Chung-Hee, ditador anticomunista da Coreia do Sul do golpe de 1961 até ser assassinado em 26 de outubro de 1979, durante a Guerra Fria. 

Ela nasce em 2 de fevereiro de 1952. Em 1974, quando a mãe morre num atentado da Coreia do Norte contra o pai, ela se torna a primeira-dama. O legado do pai divide o país até hoje.

Em 1998, Park é eleita deputada da Assembleia Nacional pelo Grande Partido Nacional e exerce quatro mandatos consecutivos até 2012. De 2004 a 2006, preside seu partido, quando é chamada de Rainha das Eleições.

Park toma posse como presidente em 25 de fevereiro de 2013. É considerada a melhor presidente depois dos três Kims (Kim Young-Sam, Kim Dae-Jung e Kim Jong-Pil) até estourar a série de escândalos de corrupção que envolvem a maior empresa da Coreia do Sul, a Samsung, uma potência transnacional, hoje a maior empresa de eletroeletrônicos do mundo, e levam ao impeachment por fraude e tráfico de influência em conluio com a amiga Choi Soon-Sil.

Pela Constituição da Coreia do Sul, a decisão do Parlamento precisa ser confirmada por dois terços da Corte Suprema.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Fevereiro

 BATALHA DE PÁVIA

    Em 1525, as forças do imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, impõe uma derrota decisiva ao exército do rei Francisco I da França.

No fim de 1524, a França invade a Lombardia, toma Milão e cerca Pávia, 25 quilômetros ao sul, controlada pelo Sacro Império. Carlos V manda então um exército sob o comando do Marquês de Pescara, que aniquila o exército francês.

Francisco I é capturado em Mirabello e levado para Madri, onde um ano depois assina um tratado de paz renunciando as reivindicações da França sobre a Itália, que fica sob o domínio da Dinastia dos Habsburgo.

Arqui-inimigos, Carlos I da Espanha e Francisco I da França disputam a eleição para imperador do Sacro Império. Carlos I compra votos e vira o imperador Carlos V do império fundado por Carlos Magno em 800.

A vitória consolida o poder dos Habsburgo na Europa e do Império Espanhol na América.

REVOLUÇÃO ANTIMONÁRQUICA NA FRANÇA

    Em 1848, uma onda de revoluções contra a monarquia que varre a Europa chega à França, único país onde a revolta é bem-sucedida, criando a Segunda República, que vai até 1852, quando Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho do imperador Napoleão I, se proclama imperador Napoleão III, dando início ao Segundo Império.


A primeira revolução começa em janeiro na Sicília. Depois da França, chega à Itália, à Prússia, ao Império Austríaco e ao resto do continente. Só a Espanha, a Rússia e os países da Escandinávia ficam fora. 

No Reino Unido, é uma pequena manifestação do cartismo, um movimento de 1838 liderado pelo radical William Lovett, que defende uma Carta do Povo com sufrágio universal para os homens, distritos eleitorais iguais, voto secreto, eleição anual do Parlamento, pagamento aos parlamentares e fim da exigência de ser proprietário para ser deputado. Na Irlanda, há uma agitação republicana.

Na Bélgica, na Holanda e na Dinamarca, há manifestações pacíficas por reformas das instituições. As grandes insurreições pela democracia acontecem em Paris, Viena e Berlim, mas só tem sucesso na França, onde a Segunda República introduz o sufrágio universal para os homens.

O príncipe Luís Napoleão é o primeiro presidente da França eleito pelo voto popular. Dá um golpe contra a Assembleia Nacional em 2 de dezembro de 1851 e funda no ano seguinte o Segundo Império. Ele acaba com a derrota para a Prússia na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), o que leva à unificação da Alemanha.

CÂMARA DENUNCIA PRESIDENTE

    Em 1868, por 126-47, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos decide abrir um processo de impeachment do presidente Andrew Johnson (1865-69), cuja leniência em relação ao Sul no período da Reconstrução irrita a ala radical do Partido Republicano.

Johnson é vice-presidente de Abraham Lincoln (1861-65), o presidente durante a Guerra da Secessão (1861-65), que vai à guerra contra os estados do Sul para manter a União e abolir a escravidão.

Depois da guerra civil, Johnson autoriza a rápida reintegração dos estados do Sul à União sem garantias de proteção aos escravos libertos. Durante seu governo, os EUA compram o Alasca da Rússia.

Com conflito entre o Legislativo e o Executivo, o Congresso aprova a Lei de Posse do Cargo (1867), que limita a capacidade do presidente de nomear e demitir assessores. Quando Johnson demite o secretário da Guerra, Edwin Stanton, a Câmara vota o impeachment. Ele é salvo no Senado. Falta um voto para a maioria de dois terços necessária para afastar o presidente dos EUA.

PRIMEIRA ELEIÇÃO DE PERÓN

    Em 1946, o vice-presidente e ministro da Guerra Juan Domingo Perón é eleito presidente da Argentina pela primeira vez, funda o peronismo e se torna o político dominante do país até os dias de hoje, mais de 50 anos depois de sua morte.

O coronel Perón é nomeado secretário do Trabalho e da Seguridade Social de um governo militar em dezembro de 1943. Com o apoio do movimento sindical, cria a Justiça do Trabalho, escolas técnicas e um hospital e policlínica para ferroviários. Vira o herói dos descamisados.

Destituído e preso num golpe em 9 de outubro de 1945, sob pressão dos sindicatos e de sua segunda mulher, Maria Eva Duarte de Perón, a Evitavolta nos braços do povo. Em 17 de outubro daquele ano, o Dia da Lealdade para os peronistas, faz seu primeiro discurso triunfal na sacada da Casa Rosada.

Eleito com 52,4% dos votos, Perón nacionaliza os bancos e ferrovias, o Banco Central e algumas companhias de eletricidade. Dá vários benefícios aos trabalhadores: aumento do salário mínimo, 13º salário, folgas semanais, redução da jornada de trabalho, aposentadoria, férias remuneradas, seguro-saúde e cobertura para acidentes de trabalho. Entre 1945 e 1948, a economia argentina cresce a um ritmo recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.

Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 63,5%, depois de uma campanha pelo voto feminino liderada por Evita, Perón governa até 16 de setembro de 1955, quando é deposto por um golpe militar e foge para o exílio. 

Perón volta à Argentina em 1973, é reeleito para um terceiro mandato e governa o país até morrer, em 1º de julho de 1974, deixando no poder sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, que não tem o carisma de Evita e é deposta num golpe militar em 24 de março de 1976, início de uma ditadura cruel acusada de matar 30 mil argentinos.

INVASÃO DA UCRÂNIA

    Em 2022, oito anos depois de anexar ilegalmente a Crimeia, a Rússia do ditador Vladimir Putin invade a ex-república soviética da Ucrânia a pretexto de "desmilitarizar" e "desnazificar" o país como se ameaçasse a Rússia.

Os EUA se oferecem para retirar do país o presidente Volodymyr Zelensky, acusado de ser nazista, apesar de ser judeu, mas ele pede dinheiro e armas para resistir. Um mês depois, a Rússia abandona a região de Kiev e concentra a ofensiva no Leste e no Sul da Ucrânia.

Contra todas as previsões, a Ucrânia resiste há quatro anos, com o apoio dos EUA e da Europa. Não se sabe o número de mortos nesta guerra, mas seriam centenas de milhares de resto. De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), de Washington, o total de baixas militares está em torno de 1,8 milhão, com 325 mil soldos russos e 140 mil ucranianos mortos. Com a fadiga do apoio internacional e a maior capacidade russa de repor homens, armas e munições no campo de batalho, no momento, a Rússia parece mais perto da vitória. Mas não ter conseguido vencer um inimigo menor e mais fraco é uma derrota em si.

Com a reeleição de Donald Trump, que promete na campanha acabar com a guerra em 24 horas, há uma ameaça de que os EUA abandonem a Ucrânia. Antes da abertura de negociações, Trump cede a várias exigências de Putin e exige um acordo para explorar a metade dos recursos naturais ucranianos, no valor de US$ 500 bilhões, que Zelensky rejeita inicialmente, mas depois aceita porque não pode abrir mão do apoio de Washington.

Após quatro anos de guerra, as negociações continuam num impasse. Putin exige o controle total sobre quatro províncias ucranianas que não consegue tomar no campo de batalha, rejeita a presença de tropas de países da Europa e mantém a chantagem nuclear. Zelensky rejeita as concessões territoriais e exige amplas garantias de segurança contra um futuro ataque russo.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Fevereiro

 BATALHA DE BUENA VISTA

    Em 1847, durante a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), o general norte-americano Zachary Taylor enfrenta o Exército do México, sob o comando do general Antonio López de Santa Anna, perto da cidade mexicana de Monterrey, na Batalha de Buena Vista.

Um exército dos Estados Unidos com 5 mil soldados sob o comando do general Taylor invade o Nordeste do México e toma Monterrey e Saltillo. Com 14 mil homens, o general Santa Anna parte de San Luis Potosí para enfrentar o inimigo.

Apesar da grande superioridade numérica, os mexicanos estão mal armados e mal treinados. Quando o Exército do México se aproxima, em 21 de fevereiro, Taylor move suas forças para La Angostura, perto da Fazenda de Buena Vista, onde há uma passagem entre duas cadeias de montanhas.

No dia seguinte, a cavalaria mexicana corta as linhas de comunicação de Taylor. O grande ataque do México acontece em 23 de fevereiro contra o flanco esquerdo das forças dos EUA. O fogo de artilharia pesada dos EUA contém a ofensiva mexicana. Os mexicanos perdem 1,5 mil homens e os norte-americanos 700.

Quando a noite cai, o Exército do México se retira. Taylor não persegue as forças de Santa Anna. Na Batalha do Cerro Gordo, em abril, Santa Anna não consegue deter o avanço das tropas do general Winfield Scott, que toma a Cidade do México em setembro, consolidando a vitória dos EUA.

No Tratado de Guadalupe Hidalgo, assinado em 2 de fevereiro de 1848, os EUA tomam 41% do território mexicano. O sucesso de Taylor o leva a conquistar a Presidência dos EUA na eleição de 1848.  

ROSA BRANCA

    Em 1943, três jovens estudantes intelectuais, idealistas e pacifistas, Hans e Sophie Scholl e Christoph Probster, que tentam fazer uma resistência não violenta contra o nazismo na Alemanha, são executados em Munique.

Três membros do grupo Rosa Branca, Hans Scholl, Alexander Schmorell e Wili Graf, estudantes de medicina na Universidade de Munique testemunham massacres de judeus pela SS, a força paramilitar do Partido Nazista.

De volta a Munique, formam o grupo Rosa Branca, que inicia suas atividades em 17 de junho de 1942. Com grande conhecimento de literatura, eles publicam panfletos citando grandes escritores alemães como Friedrich Schiller e Johann Wolfgang von Goethe.

Presos pela Gestapo, a polícia política do regime nazista, em 18 de fevereiro de 1943, eles são submetidos a um processo forjado em que não têm direito a falar e guilhotinados quatro dias depois.

CONTENÇÃO DA URSS

    Em 1946, o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Moscou, George Kennan, envia um longo telegrama de 8 mil palavras ao Departamento de Estado com sua análise sobre a União Soviética, um dos documentos mais importantes da Guerra Fria, propondo a contenção do regime comunista até ele entrar em colapso.

O memorando observa que a URSS não acredita numa "coexistência pacífica permanente" com o Ocidente por causa da "visão neurótica das questões globais" resultante do "senso de insegurança instintivo da Rússia".

Por isso, acrescenta Kennan, os soviéticos suspeitam de todas as outras nações e entendem que sua segurança exige "uma luta paciente, mas mortal, até a destruição total da potência rival".

Assim, como a URSS é "refratária à lógica da razão", mas "altamente sensível à lógica da força", os EUA devem adotar uma política de "resistência forte" para conter a expansão soviética. Esta seria a base da política externa norte-americana durante a Guerra Fria.

OVELHA CLONADA

    Em 1997, os cientistas do Instituto Roslin, sob a direção de Ian Wilmut, em Edimburgo, a capital da Escócia, anunciam o nascimento da ovelha Dolly, o primeiro animal clonado a partir de um mamífero adulto.

Dolly é um marco na história da ciência. Antes, os animais são clonados a partir de um óvulo fertilizado ou de células embrionárias indiferenciadas ou parcialmente diferenciadas. Dolly é clonada com uma célula de glândula mamária de uma ovelha adulta da raça Dorset.

Os cientistas usam impulsos elétricos para fundir o núcleo da célula mamária com um óvulo cujo núcleo é removido. Então a célula mamária começa a se dividir. Esses embriões são transferidos para 13 animais que funcionam como barrigas de aluguel. Uma engravida. Dolly nasce 148 dias depois, o prazo normal de gestação de uma ovelha.

Depois que os veterinários descobrem que ela sofre de uma doença pulmonar avançada, Dolly é morta por eutanásia em 14 de fevereiro de 2003. Seu corpo embalsamado está em exposição no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo.

IMPEACHMENT DE YANUKOVICH

    Em 2014, o Parlamento da Ucrânia abre um processo de impeachment do presidente Viktor Yanukovich, sob a pressão de uma revolta popular, a Revolução da Praça Maidã ou Revolução da Dignidade, que começa em novembro de 2023, quando o presidente suspende negociações de associação com a União Europeia (UE).

Yanukovich nasce em 9 de julho de 1950 em Yenakiyeve, na Ucrânia, então parte da União Soviética. Ele estuda engenharia mecânica no Instituto Politécnico de Donetsk e entra para o Partido Comunista.

Com o fim da URSS, Yanukovich é eleito governador da província de Donetsk em 1997. Em 2002, o presidente Leonid Kuchma o nomeia primeiro-ministro. 

Yanukovich é o candidato do governo ucraniano e do Kremlin à sucessão em 2004. Mas seu adversário, Viktor Yuchenko, é envenenado com dioxina e seu rosto se transfigura diante do público. Uma onda de protestos toma as ruas na chamada Revolução Laranja e impede a eleição fraudulenta de Yanokuvich. Um terceiro turno, realizado em 26 de dezembro, dá ampla vitória a Yuchenko.

Na segunda tentativa, em 2010, Yanukovich é eleito com uma proposta de modernização da economia que incluía negociações com a UE. Seu governo é marcado por um retrocesso democrático, com a prisão da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, sua adversária na eleição presidencial de 2010, aumento da censura, corrupção e tráfico de influência.

A suspensão das negociações com a UE provoca protestos populares que se transformam em revolta diante da violenta repressão policial, com mais de 100 mortes.

A queda de Yanukovich, em 22 de fevereiro, marca o início da Guerra Russo-Ucraniana. Imediatamente, o ditador Vladimir Putin manda as forças russas tomar a Península da Crimeia, onde eram mais de 80% dos soldados da antiga Frota do Mar Negro da URSS, que era compartilhada.

Depois de um plebiscito forjado, a Rússia anexa a Crimeia em 17 de março de 2014. A partir de 6 de abril começa uma revolta insuflada pelo Kremlin nas províncias de Donetsk e Lugansk, cuja independência Putin reconhece dois dias antes de invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, numa guerra de agressão que a Rússia pretendia vencer em dias, semanas ou poucos meses e está completando três.

Com a economia fragilizada, pelo menos 90 mil soldados mortos e mais de 1 milhão de jovens que saíram do país, o ditador russo recebe agora uma boia de salvação do presidente neofascista dos Estados, Donald Trump. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Fevereiro

FIM DAS GUERRAS PÚNICAS

    Em 146 antes de Cristo, a República Romana finalmente vence Cartago depois de mais um século de guerra e se torna a potência dominante no Mar Mediterrâneo durante sete séculos.

As Guerras Púnicas são travadas entre Roma e Cartago, uma cidade situada onde hoje é a Tunísia, no Norte da África, entre 264 e 146 AC, num total de 43 anos de guerra.

O império cartaginês domina uma faixa do Norte da África junto ao mar, algumas ilhas do Mediterrâneo, inclusive partes da Sicília, da Córsega e da Sardenha. No momento de maior expansão, controla metade da Península Ibérica. É a maior potência mediterrânea.

A Primeira Guerra Púnica dura 23 anos. É travada em torno das ilhas da Sicília, da Córsega e da Sardenha, por causa do expansionismo romano. Termina com a vitória de Roma, que assume o controle das ilhas do Mediterrâneo.

Na Segunda Guerra Púnica, que começa em 218 AC, o grande general cartaginês Aníbal Barca atravessa a Cordilheira dos Alpes e invade a Itália, onde seu exército luta durante 14 anos até que Roma contra-ataca a cidade de Cartago, forçando Aníbal, que usa até elefantaria, a voltar para defender sua capital. Com a derrota na Batalha de Zama, em 202, Cartago se rende, perde os territórios na Europa e em parte da África, e fica proibido de ir à guerra.

A Terceira Guerra Púnica começa em 149 AC, depois que Cartago se defende invasões de numídios. Roma usa como pretexto para destruir o inimigo. A guerra é travada em território cartaginês, onde hoje é a Tunísia. Cartago é cercada, invadida, saqueada, arrasada e sua população é escravizada. As ruínas da cidade ficam a leste de Túnis.

CONSTITUIÇÃO MEXICANA

    Em 1917, depois da Revolução de 1910, o México adota uma nova Constituição, em vigor até hoje. É a primeira Constituição a reconhecer os direitos sociais.

A Assembleia Constituinte é convocada pelo presidente Venustiano Carranza para institucionalizar a Revolução Mexicana. Reúne-se em Querétaro de 1º de dezembro de 1916 a 31 de janeiro de 2017.

A Constituição Mexicana de 1917 encampa algumas ideias da Revolução. Tem 137 artigos que definem os direitos da cidadania e a estrutura do Estado, manda fazer a reforma agrária e protege os direitos humanos fundamentais dos mexicanos, inclusive direitos trabalhistas (salário mínimo, jornada de trabalho de 8 horas, direito de associação a sindicatos, direito de greve e limitação aos trabalhos feminino e infantil). 

ARMAS DE SADDAM

    Em 2003, numa apresentação patética diante do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário de Estado norte-americano, general Colin Powell, afirma que o ditador do Iraque, Saddam Hussein, tem armas de destruição em massa que representam uma ameaça iminente para justificar a invasão de março do mesmo ano.

A CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) recebe em 18 de outubro de 2001, pouco depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, um informe do serviço secreto militar da Itália, na época governada pela primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi, dizendo que o Iraque estava comprando torta amarela de urânio enriquecido do Níger.

Em fevereiro de 2002, os EUA enviam o embaixador Joseph Wilson ao Níger investigar a denúncia. Ele fala com o ex-primeiro-ministro nigerino Ibrahim Hassane Mayaki, que diz não saber de nenhum contato, a não ser de um empresário que recebe uma delegação iraquiana interessada em "expandir" as relações comerciais.

Wilson entrega seu relatório em março de 2002, concluindo que o informe italiano não tem fundamento.

Mesmo assim, em 28 de janeiro de 2003, um ano depois de declarar que o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte formam um "eixo do mal", no Discurso sobre o Estado da União perante o Congresso, o presidente George Walker Bush alega que "o governo britânico soube que Saddam Hussein tentou comprar quantidades de urânio significativas na África."

Com a decisão de invadir o Iraque tomada, Colin Powell vai à ONU apresentar as justificativas dos EUA. Em 2016, reconhece que sua apresentação "foi um grande fracasso de inteligência". As alegações vêm do Conselho de Segurança Nacional e a conselheira na época, Condoleezza Rice, as atribui ao escritório do vice-presidente Dick Cheney, o grande defensor da guerra. Era secretário da Defesa em 1991, quando os EUA e aliados expulsam os iraquianos do Kuwait mas não marcham até Bagdá.

Powell declara que a Comissão de Desarmamento da ONU não conseguiu eliminar os programas de armas de destruição em massa de Saddam, que o Iraque amordaça seus cientistas, esconde armas proibidas, inclusive toneladas do agente biológico antraz, abriga terroristas ligados à rede Al Caeda, ainda tenta desenvolver armas nucleares e que Saddam se nega a se desarmar pacificamente.

Os EUA não conseguem convencer nem aliados como a Alemanha e a França, não propõem uma resolução para legalizar a guerra e invadem o Iraque em 20 de março sem a autorização da ONU.

CHANTAGEM À UCRÂNIA

    Em 2020, depois de ser denunciado pela Câmara dos Representantes por chantagear o presidente da Ucrânia, o presidente Donald Trump é absolvido no Senado com os votos da maioria republicana.

O processo é aberto pela maioria democrata na Câmara porque Trump pressiona, em conversa telefônica em 25 de julho de 2019, o presidente Volodymyr Zelenski a acusar Joe Biden e filhos de algum negócio ilícito na Ucrânia para usar isso na campanha eleitoral. Trump ameaça não liberar uma ajuda militar US$ 391 milhões à Ucrânia aprovada pelo Congreso. É denunciado por "abuso de poder" e "obstrução do Congresso".

No fim de seu primeiro governo (2017-21), Trump é submetido a um segundo processo de impeachment pelo assalto de seus partidários ao Capitólio em 6 de janeiro de 2001 para tentar impedir a certificação da vitória de Biden. É absolvido pela segunda vez. De volta à Casa Branca em 2025, usa o Departamento da Justiça para perseguir quem o acusou e investigou.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Janeiro

 CAVALEIROS DO TEMPLO

    Em 1128, durante as Cruzadas, o papa Honório II reconhece oficialmente a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como Ordem do Templo dos Templários, como um "exército de Deus".

A Ordem dos Cavaleiros do Templo nasce em 1118, fundada pelo francês Hughes de Payens, com a missão de proteger os cristãos que peregrinam à Terra Santa durante as Cruzadas, nove expedições militares para tentar conquistar Jerusalém, que estava em poder de muçulmanos.

De início, a ordem tem apenas nove membros e regras rígidas. Os templários precisam ser nobres e fazem votos de pobreza, obediência e castidade. Até 1127, a ordem cresce em poder e influência. Ganha força enquanto dura a guerra contra os muçulmanos.

Quando as Cruzadas acabam, no início do século 14, o rei Felipe IV, da França, e o papa Clemente V decidem acabar com os Templários. O grão-mestre, Jacques de Molay, é preso sob a acusação de heresia, sacrilégio e satanismo. Ele e outros líderes da ordem fazem confissões sob tortura e são condenados à morte na fogueira.

Clemente V dissolve a ordem em 1312. Hoje a Igreja Católica admite que a ordem foi vítima de uma conspiração de poderes seculares.

Vários mitos e lendas são criadas em torno dos Templários, inclusive que a ordem teria descoberto relíquias no Monte do Templo, em Jerusalém, inclusive o Cálice Sagrado em que Jesus Cristo teria bebido na Última Ceia e onde José de Arimateia teria coletado o sangue de Cristo na cruz.

As façanhas imaginárias dos Templários inspiram vários livros, entre eles o megassucesso Código da Vinci. É ficção.

ÉMILE ZOLA ACUSA

    Em 1898, o escritor e intelectual francês Émile Zola publica uma carta aberta ao presidente da França no jornal L'Aurore acusando o alto comando do Exército pela condenação por traição em 1894 do capitão Alfred Dreyfus, num caso marcado pelo antissemitismo.

Filho de um rico industrial judeu do setor têxtil, Dreyfus nasce em 9 de outubro de 1859 em Mulhouse, na França. Em 1882, entra para a Escola Politécnica e depois decide fazer carreira militar. Promovido a capitão, vai para o Ministério da Guerra, onde, em 1894, é acusado de vender segredos militares à Alemanha.

É preso em 15 de outubro de 1894 e condenado por uma corte marcial à prisão perpétua em 22 de dezembro. Ele entra na colônia penal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, em 13 de abril de 1895.

Como as provas são suspeitas, jornalistas investigam o caso, inclusive Georges Clemenceau, futuro primeiro-ministro francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Quando as evidências apontam a culpabilidade do major Ferdinand Esterhazy, Zola publica a carta aberta Eu acuso:

"Acuso o comandante du Paty de Clam de ter sido o criador diabólico do erro judicial, inconscientemente, quero crer, e de ter saído em defesa de sua obra nefasta, durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.

"Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por fraqueza de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século.

"Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de lesa-humanidade e lesa–justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior comprometido. 

"Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável. 

"Acuso o general de Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia. 

"Acuso os três especialistas em grafologia, os senhores Belhomme, Varinard e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo. 

"Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente no L’éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável, para manipular a opinião pública e acobertar sua falha. 

"Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito, condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens, cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado. 

"Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é voluntariamente que me exponho.

"Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.

"Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante o tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia! 

"É o que espero. 

"Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo respeito."

Zola é processado, mas intelectuais, entre eles Anatole France e Marcel Proust, fazem um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas pedindo a reabertura do caso. Em 1904, começa o segundo julgamento. Em julho de 1906, um tribunal de recursos civil anula todas as condenações de Dreyfus.

O jornalista judeu austro-húngaro Thedor Herzl cobre o primeiro julgamento em 1894 e, diante da condenação sem provas e dos massacres de judeus no Império Russo, conclui que não há condições para os judeus viverem na Europa. Em 1896, ele publica O Estado Judeu, em defesa da fundação de uma pátria para o povo judeu e lança o moderno movimento sionista.

COSTA CONCORDIA NAUFRAGA

    Em 2012, o navio de cruzeiro italiano Costa Concordia encalha e vira com cerca de 4,2 mil pessoas a bordo perto da Ilha de Giglio, no Mar Tirreno; 32 passageiros morrem no naufrágio.

Quando é lançado ao mar, em 2005, o Costa Concordia é o maior navio de cruzeiro da Itália, com 290 metros de comprimento e capacidade para 3.780 passageiros. Em comparação, o Titanic tinha 269 metros e capacidade para 2.435 passageiros.

Com quatro piscinas, um cassino, o maior spa num navio e 500 cabines com varanda para o mar, o Costa Concordia é um navio de luxo. A viagem inaugural, em julho de 2006, é um cruzeiro no Mar Mediterrâneo com escalas na Itália, França e Espanha. Depois, inclui as Ilhas Baleares, a Tunísia, Malta, Grécia, Chipre e Turquia. A partir de 2009, vem à América Latina.

Vários membros da tripulação são processados pelo naufrágio, especialmente o capitão Francesco Schettino, que se aproxima demais do litoral e deixa o navio antes de salvar os passageiros. Num diálogo, um comandante da Guarda Costeira grita: "Vá para bordo, capitão!"

O capitão é condenado em fevereiro de 2015 a 16 anos de reclusão pelas mortes, o abandono do navio e o naufrágio, pena confirmada por um tribunal de recursos em maio de 2016.

UM PRESIDENTE E DOIS IMPEACHMENTS

    Em 2021, Donald Trump se torna o único presidente dos Estados Unidos a ser alvo de dois processos de impeachment, quando a Câmara dos Representantes o denuncia num julgamento político por "incitar à insurreição" ao insuflar seus partidários a invadir o Congresso em 6 de janeiro do mesmo ano para impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não aceita a derrota na eleição presidencial de 3 de novembro de 2020. Seus advogados entram com 61 ações judiciais contestando os resultados em estados decisivos. Em todos os casos, os juízes não encontram elementos suficientes para instaurar um processo.

Sem outra alternativa para não entregar o poder, Trump incentiva uma marcha de seus partidários até a capital, onde faz um comício na gélida manhã de 6 de janeiro e incita a multidão a ir até o Capitólio. Promete inclusive acompanhar os manifestantes, mas o serviço secreto não deixa por não ter como garantir a segurança do presidente no meio da multidão.

A turba assalta o Capitólio, obrigando deputados, senadores e o vice-presidente Mike Pence a se refugiar nos porões do prédio. Os terroristas chegam a armar uma forca para matar o vice-presidente, que presidia a reunião do Congresso e se nega a mudar o resultado das urnas.

Trump assiste tudo durante três horas e sete minutos, apesar dos apelos de deputados e senadores para que mandasse a multidão enfurecida parar de atacar. Cinco pessoas morrem dentro de 36 horas desde o início do assalto ao Capitólio e quatro policiais se suicidam depois por causa do trauma.

Como a destituição do presidente exige os votos de dois terços do Senado, Trump é absolvido, como havia sido no primeiro processo de impeachment, por tentar subornar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pressionando-o a investigar Joe Biden e seu filho em troca de ajuda militar.

Até hoje, nenhum presidente dos EUA foi afastado em processo de impeachment. Em 1868, falta um voto no Senado para destituir Andrew Johnson. Em 1974, Richard Nixon renunciou quando perdeu o apoio da bancada republicana no Senado por causa do Escândalo de Watergate. Em 1999, Clinton é absolvido com 50 votos contra por obstrução de justiça e 45 por perjúrio (mentir sob juramento).

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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Grande adversária de Trump não será candidata à reeleição

Uma das figuras políticas mais importantes dos Estados Unidos nas últimas décadas, a deputada federal democrata Nancy Pelosi anunciou nessa quinta-feira que não será candidata à reeleição. Ela foi a primeira e única mulher a presidir a Câmara dos Representantes.

Nancy Patricia D'Alessandro nasceu em Baltimore, se formou em ciência política no Trinity College, em Washington, e se mudou para São Francisco da Califórnia, onde fez carreira política, Ela foi eleita para a Câmara pela primeira vez em 1987, quando a pandemia da aids estava dizimando a comunidade gay da cidade, e lutou para mitigar o impacto da doença.

Em 2003, Pelosi foi eleita líder da bancada democrata na Câmara e da oposição ao governo George W. Bush, posição que a levou à Presidência da Câmara quando os democratas conquistaram a maioria. Ela presidiu a Câmara de 2007 a 2011 e de 2019 a 2023, quando liderou a oposição na segunda metade do primeiro governo Donald Trump.

Grande adversária de Trump, iniciou dois processos de impeachment contra o presidente, que chamou de "a pior pessoa na face da Terra". Ao saber da notícia, Trump declarou que ela é uma pessoa má que fez muito mal ao país. Mas Nancy Pelosi conquistou seu lugar na história, enquanto Trump ainda aguarda o julgamento da história.

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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Agosto

NASCIMENTO DE ZAPATA

    Em 1879, nasce em San Miguel Anenecuilco, no estado de Morelos, no México, Emiliano Zapata Salazar, o Caudilho do Sul ou o Átila do Sul, um camponês, chefe militar e herói nacional por ser um dos líderes da Revolução Mexicana (1910-17). 

Ideólogo, ativista político e revolucionário, Zapata participa de lutas sociais pela reforma agrária, justiça social, liberdade, igualdade e democracia social, com propriedade comunitária da terra e respeito a indígenas, camponeses e trabalhadores, vítimas da oligarquia e dos latifundiários durante o Porfiriato, a ditadura de Porfirio Díaz (1876-1911).

Aos nove anos, ao presenciar a expulsão de camponeses por grandes fazendeiros, jura que faria devolver as terras quando crescesse. Em 1910, quando Francisco Madero apresenta o Plano de San Luis Potosí, que marca o início da Revolução Mexicana, gosta do artigo que promete devolver as terras aos posseiros e decide aderir à luta armada.

Em 29 de março de 1911, é eleito comandante da Junta Revolucionária do Sul. Sua principal reinvidicação é uma reforma agrária radical: "A terra é de quem trabalha."

Quando Madero se torna presidente, numa reunião no Palácio Nacional, o presidente lhe oferece uma fazenda no estado de Morelos. Zapata responde: "Não, Sr. Madero. Não me levantei em armas para conquistar terras e fazendas. Eu me levantei em armas para que ao povo de Morelos seja devolvido o que lhe foi roubado."

Durante o ano de 1912, Zapata enfrenta o Exército Federal do México. 

Com o assassinato de Madero em 23 de fevereiro de 1913 e a ascensão ao poder de Victoriano Huerta, a revolução se exacerba. O novo presidente envia uma comissão para negociar a paz com Zapata. Ele se nega a fazer acordo com "os assassinos de Madero" e fuzila um emissário de Huerta.

Na época, Zapata controla os estados de Morelos, Guerrero, Puebla, Tlaxcala e parte do estado do México. Torna-se o principal comandante do Exército Revolucionário do Sul. Em 4 de dezembro de 1914, Zapata se encontra em Xochimilco com o outro grande herói da revolução, Pancho Villa.

Com a renúncia de Huerta, toma o poder Venustiano Carranza, comandante do Exército Constitucional, que luta contra Villa e Zapata, e se torna presidente constitucional do México em 1917. Os dois heróis revolucionários são excluídos do Congresso Constituinte instalado naquele ano, mas o constitucionalismo social que defendem está expresso na Constituição, especialmente no artigo 27.

Por ordem de Carranza, Zapata é assassinado numa emboscada na Fazenda Chinameca, em Morelos, em 10 de abril de 1919.

JULGAMENTO DE NUREMBERGUE

    Em 1945, os Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e a França assinam o Acordo de Londres para processar os líderes da Alemanha Nazista no Julgamento de Nurembergue.

De 20 de novembro de 1945 a 1º de Outubro 1946, o Tribunal Militar Internacional julga, em Nurembergue, na Alemanha, 21 líderes nazistas que sobrevivem à Segunda Guerra Mundial (1939-45) por "guerra de agressão", crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Doze são condenados à morte: Hermann Göring, Martin Bormann, Joachim von Ribbentrop, Wilhelm Keitel, Ernst Kaltenbrunner, Alfred Rosenberg, Hans Frank, Wilhelm Frick, Julius Streicher, Alfred Jodl, Fritz Sauckel e Arthur Sayss-Inquart.

Dez são enforcados em 16 de outubro de 1946. Göring se suicida na véspera, ingerindo uma cápsula de cianeto de potássio. Bormann é condenado à revelia. Está desaparecido. Pode ter se matado ou morrido ao tentar fugir de Berlim em 2 de maio de 1945, no fim da guerra na Europa.

NIXON ANUNCIA RENUNCIA

    Em 1974, sob ameaça de impeachment, depois de perder o apoio do Partido Republicano no Congresso, Richard Nixon anuncia em rede nacional de televisão a renuncia à Presidência dos Estados Unidos por causa da invasão da sede do Partido Democrata em Washington durante a campanha eleitoral de 1972 e das manobras de obstrução de justiça no Escândalo de Watergate.


Nixon renuncia formalmente no dia seguinte. Seu sucessor, Gerald Ford, lhe concede o perdão presidencial por todos os crimes possivelmente cometidos no exercício da Presidência, sob a alegação de que era preciso pacificar o país. Todos os ministros condenados são presos.

Ford é o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos EUA. Era presidente da Câmara. Antes da queda de Nixon, o vice-presidente Spiro Agnew renuncia em 10 de outubro de 1973, depois de ser alvo de inquérito por conspiração criminosa, suborno, extorsão e fraude por aceitar propina de empresas que tinham negócios com o estado de Maryland quando era governador.

Agnew nega todas essas acusações, mas admite evasão de impostos e deixa a vice-presidência. Assim, Ford sucede a Nixon e perde a eleição de 1976 para Jimmy Carter.

TIME DOS SONHOS

    Em 1992, o Time dos Sonhos dos Estados Unidos, com astros como Larry Bird, Michael Jordan e Magic Johnson (foto), vence a Croácia por 117-85 e conquista a medalha de ouro do basquete masculino na Olimpíada de Barcelona.

Os atletas profissionais não participam dos Jogos Olímpicos. Mesmo assim, os EUA têm ampla supremacia. Conquistam sete títulos sem perder um jogo de 1936 a 1968. Em 1972, perdem a final para a União Soviética.

A revanche demora. Em 1976, a Iugoslávia vence a URSS na semifinal. Os EUA boicotam a Olimpíada de Moscou, em 1980, por causa da invasão soviética no Afeganistão. Em resposta, a URSS boicota a Olimpíada de 1984, em Los Angeles. Em 1988, em Atlanta, nos EUA, os norte-americanos perdem para os soviéticos na semifinal.

No ano seguinte, a Federação Internacional de Basquete (FIBA) decide autorizar a participação de profissionais nas olimpíadas. O Time dos Sonhos estreia no Torneio Pré-Olímpico, se classifica com vantagens de 38 a 79 pontos. Em Barcelona, é campeão invicto com vantagens de 27 a 68 pontos.

INCÊNDIOS SALVAGENS NO HAVAÍ

    Em 2023, um dos piores incêndios selvagens da história atinge a ilha de Maui, no Havaí, e mata mais de 100 pessoas.

O fogo começa aparentemente pela queda de linhas de energia elétrica causada por ventos fortes e dura oito dias.

 Uma em cada cinco pessoas na área atingida tem problemas pulmonares. Pelo menos metade tem sintomas de depressão. No mês do incêndio, houve 13 suicídios e mortes por excesso de drogas, quase o dobro da média. Mais da metade dos atingidos consegue residências permanentes.