Mostrando postagens com marcador Tibete. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tibete. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Maio

PRISÃO DE JOANA D'ARC

    Em 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de Borgonha, aliadas da Inglaterra na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

A Donzela de Orleans é uma guerreira, uma heroína e uma santa francesa, homenageada em 30 de maio, dia da sua morte. Aos 17 anos, lidera o Exército Real da França.

Joana d'Arc nasce em 1412 em Donrémy, no Nordeste da Franca, numa família camponesa e alega ter visões de São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida que a inspiram a se unir ao exército de Carlos VI para livrar a França do domínio da Inglaterra. Vira uma heroína ao entrar em combate no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429, a primeira grande vitória francesa depois da derrota na Batalha de Agincourt, em 25 de outubro de 1415.

A França obtém outras vitórias, mas o Cerco de Paris, de 3 a 8 de setembro, fracassa. Em 23 de maio de 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de João, Duque de Borgonha, aliado da Inglaterra. É julgada pelo bispo Pierre Cauchon, que faz acusações de cunho religioso e a condena à morte na fogueira como uma bruxa.

Na História dos Povos da Língua Inglesa, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill considera um grande erro a execução na fogueira, em Ruan, em 30 de maio de 1341, que a transforma em mártir. Em 1456, um Tribunal da Inquisição autorizado pelo papa Calisto III a proclama inocente e mártir da Igreja.

Depois da Reforma Protestante, no século 16, Joana d'Arc vira um símbolo da Igreja Católica. Por decisão de Napoleão Bonaparte, em 1803, torna-se um símbolo nacional de França. É beatificada em 1909 e declarada Santa Joana d'Arc em 1920. Hoje é a heroína cultuada pela extrema direita francesa.

COMEÇA GUERRA DOS TRINTA ANOS

    Em 1618, a Terceira Defenestração de Praga, em que protestantes tchecos jogam dois representantes do imperador católico do Sacro Império Romano-Germânico pela janela do Castelo de Praga, dá início à Guerra dos Trinta Anos.

A defenestração é uma rejeição à tentativa do imperador de restringir a liberdade religiosa. A guerra causada pelo conflito entre católicos e protestantes se transforma numa grande disputa pelo poder na Europa.

É no início um conflito religioso que começa dentro do Sacro Império, com os católicos austríacos e espanhóis lutando contra os reinos e principados protestantes. Depois das intervenções da Dinamarca (1625-29) e da Suécia (1630-35) do lado dos protestantes, a França, apesar de majoritariamente católica, intervém ao lado dos protestantes em 1635 sob a liderança do Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII.

A Guerra dos Trinta Anos é o conflito que provoca as invasões holandesas no Nordeste do Brasil e o fim da União Ibérica, o período da história do Brasil conhecido como Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha reina também em Portugal. Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para Portugal recuperar a independência e enfraquecer a Espanha, o que acontece em 1º de dezembro do mesmo ano.

Cinco dias após a ascensão de Luís XIV ao trono da França com menos de cinco anos, a França quebra na Batalha de Rocroi o mito da invencibilidade espanhola nas guerras europeias. No fim da guerra, a França toma o lugar da Espanha como a maior potência da Europa continental.

A Paz da Vestfália, assinada em 24 de outubro de 1648, cria uma nova ordem internacional para acabar com as guerras religiosas na Europa. Consagra os princípios de soberania nacional e não intervenção nos assuntos internos de outros países como bases da sociedade internacional, embora sejam seguidamente violados.

GUERRA DA INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1777, as forças do coronel Return Jonathan Meigs, do Exército Continental, capturam 24 navios britânicos e queimam suprimentos destinados aos casacas vermelhas (britânicos) em Sag Harbor, no estado de Nova York, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83). 

Com baionetas, sem dar tiros para não chamar a atenção, os patriotas americanos tomam o forte britânico e prendem o comandante. Seis soldados britânicos são mortos e 90 capturados. É o único ataque bem-sucedido dos rebeldes a Long Island durante a guerra. 

ITÁLIA DECLARA GUERRA À ÁUSTRIA-HUNGRIA

    Em 1915, a Itália declara guerra ao Império Austro-Húngaro e entra na Primeira Guerra Mundial (1914-18) ao lado da Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia). 

Quando a guerra começa, em julho e agosto de 1914, a Itália opta pela neutralidade, apesar de fazer parte da Tríplice Aliança, criada em 1882, ao lado da Alemanha e da Áustria-Hungria, sob a alegação de que a aliança é defensiva. Adere ao outro lado depois de receber, no Tratado de Londres, de abril de 1915, promessas de controle de sua fronteira com a Áustria-Hungria, parte da Dalmácia, da Albânia e de territórios do Império Otomano. 

Quando a guerra acaba, 615 mil italianos estão mortos. O país ganha o controle da região do Tirol, mas muito menos do que prometido em Londres. A delegação italiana chega a se retirar da Conferência de Paz de Versalhes, a paz para acabar com todas as pazes. 

O ressentimento italiano contribui para a ascensão do fascismo, que domina a Itália de 1922 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O futuro ditador Benito Mussolini era do Partido Socialista Italiano, a favor da neutralidade. Sua decisão de apoiar a Primeira Guerra Mundial (1914-18) leva à criação do Partido Revolucionário Fascista, em janeiro de 1915, antes mesmo de ser expulso do PSI, em 29 de novembro daquele ano. 

Mussolini seria o principal aliado do ditador alemão Adolf Hitler e do Nazismo na Segunda Guerra Mundial. 

MORTE DE BONNIE E CLYDE

    Em 1934, policiais do Texas e da Louisiana matam os lendários criminosos Bonnie e Clyde quando fogem num carro roubado da cidade de Sailes, na Louisiana, nos Estados Unidos.


Bonnie Parker tem 19 anos quando conhece Clyde Barrow, no Texas. Seu marido está preso por homicídio. Clyde é preso por roubo. Ela vai visitá-lo na cadeia e lhe entrega um revólver. Ele foge, mas é recapturado em Ohio. 

Quando consegue liberdade condicional, em 1932, Clyde vai atrás de Bonnie. Os dois iniciam uma carreira de crimes. Assaltam bancos e lojas em cinco estados: Texas, Lousiana, Missouri, Novo México e Oklahoma. 

Para a polícia, é um casal de criminosos frios e sem escrúpulos, capazes de matar quem cruza seu caminho, especialmente policiais. Ao todo, a gangue mata 13 pessoas, inclusive nove policiais. Mas uma visão romântica de que seriam um Robin Hood moderno cria uma aura de heróis populares, como aconteceu no Brasil com os cangaceiros. Esta fama é reforçada pelo filme Bonnie & Clyde, de 1967, com Faye Dunaway e Warren Beatty. 

SUICÍDIO DE HIMMLER

    Em 1945, o líder nazista Heinrich Himmler, comandante das tropas paramilitares do partido (SS) e subchefe da polícia política Gestapo, comete suicídio um dia após ser capturado pelos britânicos.


 
A SS (Schutzstaffel) era o braço armado do Partido Nazista. Himmler a transforma de um batalhão de 290 homens numa força paramilitar com um milhão. Como um dos homens mais poderosos da Alemanha, ministro do Interior de Adolf Hitler, ajuda a criar e instalar campos de concentração. É um dos principais responsáveis pelo Holocausto. 

Diante da derrota iminente, Himmler tenta iniciar negociações com as potências ocidentais sem o conhecimento de Hitler. Ao saber disso, o Führer o demite, em abril de 1945. Ele tenta fugir, mas é preso por soldados britânicos e se mata. 

ALEMANHA OCIDENTAL

    Em 1949, nasce a República Federal da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Ocidental, consolidando a divisão da Alemanha.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), as forças aliadas ocupam a Alemanha. Em 1949, a parte ocidental, tomada pelos Estados Unidos, o Reino Unido e a França forma a Alemanha Ocidental, enquanto a parte ocupada pela União Soviética vira a República Democrática da Alemanha (democrática só no nome), a Alemanha Oriental. Konrad Adenauer é o primeiro chanceler alemão-ocidental.

A capital da Alemanha é dividida em Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Diante da fuga em massa para o Ocidente, de 12 para 13 de agosto de 1961, o regime comunista alemão-oriental ergue um muro dividindo a cidade, chamado de Muro da Vergonha. 

A abertura do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, em meio a revoluções democráticas na Europa Oriental, é o início do fim da Alemanha Oriental. Em 3 de outubro de 1990, a República Federal da Alemanha é unificada.

CHINA ANEXA O TIBETE

    Em 1951, a República Popular da China anexa o Tibete, que era independente desde o fim do Império Chinês, em 1912. Nasce o movimento pela independência do Tibete sob a liderança do Dalai Lama, que fala em autonomia para não provocar o regime comunista chinês.

A China é durante 2 mil anos o Império do Meio, o centro do mundo na Ásia. Por se fechar ao mundo, entra em declínio na era industrial. É vencida pelo e humilhada Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60). A derrota para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) acaba com a ordem sinocêntrica na Ásia.

Há uma última reação anti-imperialista na Guerra dos Boxers (1899-1901). Mais uma derrota, e o Império Chinês acaba. O Tibete, parte do império desde o século 13, se torna independente. 

Quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung conquista o poder, em 1º de outubro de 1949, entre os objetivos centrais estão restaurar a dignidade do povo chinês, humilhado pelos imperialismos ocidental e japonês, e as fronteiras históricas da China.

Pouco depois, Mao manda invadir o Tibete. Como o acesso é difícil, o Exército Popular de Libertação (EPL) leva 11 meses para chegar lá, em 6 de outubro de 1950. Sete meses depois, a China toma conta do Tibete, que mantém a estrutura administrativa sob o controle chinês.

A crescente sinificação causa à Revolta Tibetana em 10 de março de 1959. Os. rebeldes tomam Lhaça. Com a derrota duas semanas depois, o Dalai Lama foge para o exílio no Norte da Índia e Beijim assume o controle sobre a região, aliás sobre todo o Grande Tibete, que inclui a província da Gansu e tem uma área superior a 1,1 milhão de quilômetros quadrados.  

ISRAEL PRENDE EICHMANN

    Em 1960, o fundador e primeiro-ministro de Israel, David ben Gurion, anuncia a captura do carrasco nazista Adolf Eichmann, dias antes, em San Fernando, nos arredores de Buenos Aires, na Argentina. 

Um dos articuladores da "solução final para a questão judaica", um plano para exterminar o povo judeu, ele é levado para julgamento em Israel, onde é condenado à morte e enforcado em 31 de maio de 1962.

Eichmann participa da Conferência de Wannsee, realizada em 20 de janeiro de 1942 num palacete à beira do Lago Wannsee, em Berlim, para planejar a "solução final". Fica encarregado de identificar, reunir e transportar os judeus da Europa tomada pela Alemanha nazista para campos de concentração. Pelo menos 4 milhões de judeus morrem em centros de extermínio e outros 2 milhões fora dos campos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

MAREMOTO MATA NO HAVAÍ 

    Em 1960, ondas de mais de 10 metros causadas por um terremoto no Chile atingem o Havaí e matam 61 pessoas na Baía de Hilo, na ilha do Havaí.

Na véspera, o Terremoto de Valdívia, de 9,5 graus na escala aberta de Richter, o mais violento registrado até hoje, mata entre mil e 6 mil pessoas pessoas no Chile. Outras 180 pessoas morrem nas ilhas de Honshu e Hokkaido, no Japão. Os prejuízos na costa oeste dos EUA são avaliados em US$ 1 milhão, mas ninguém morre. 

TOM PETTY DECLARA FALÊNCIA

Em 1979, o cantor e compositor americano Tom Petty declara falência para se livrar de um contrato com a gravadora Shelter Records.
 
A indústria da música costuma pagar um adiantamento aos músicos a ser descontado dos futuros ganhos com direitos autorais. Como as despesas de estúdio e distribuição dos discos, incluindo ações de marketing e turnê para promover a obra, são elevadas, muitos artistas nunca recuperam as perdas. 

Tom Petty decide bancar seu próprio disco. Com dívidas de US$ 500 mil, declara falência. A gravadora MCA, que controla a Shelter, cede, anula o contrato e o recontrata por US$ 3 milhões. 

Seu próximo álbum, Damn the Torpedoes, ganha um duplo disco de platina e transforma Tom Petty and the Heartbreakers em celebridades do rock. Ele vende 60 milhões de discos e morre em 2 de outubro de 2017 de uma dose excessiva de opioides, inclusive fentanil, considerada acidental.

IRLANDA LEGALIZA CASAMENTO GAY

    Em 2015, a Irlanda, um dos países mais católicos do mundo, é o primeiro a legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo num plebiscito, com 60,5% da participação e 62% dos votos a favor.

A vitória é esmagadora. O não só ganha em um dos 43 distritos eleitorais irlandeses. Quando a votação acaba, mais de 2 mil pessoas festejaram no Castelo de Dublin, iluminado com as cores da bandeira do arco-íris do movimento LGBTQ.

A Igreja Católica protesta. O cardeal Pietro Parolin descreve o resultado como uma "derrota para a humanidade".

É uma luta antiga. A homossexualidade era crime na Irlanda até 1993. Quando a data do plebiscito é marcada, em 19 de fevereiro de 2015, a campanha começa.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Maio

BATISMO DE CONSTANTINO

    Em 337, Constantino I, o Grande, que se converte ao cristianismo na juventude e promove sua expansão, torna-se no seu leito de morte o primeiro imperador romano batizado pela Igreja Católica.

Constantino nasce em Naisso, na Moésia, hoje Nis, na Sérvia, em 280 depois de Cristo, filho de um oficial do Exército, Flávio Valério Constâncio, e Helena, depois canonizada como Santa Helena, mas o casal se separa em 289. Em 293, seu pai é promovido a césar, posição logo abaixo de imperador. Constantino vai para o Império Romano do Oriente. É criado na corte do imperador Diocleciano em Nicomédia, hoje Izmir, na Turquia.

A perseguição aos cristãos por Diocleciano, a partir de 303, deixa uma profunda marca.

Em 305, os dois imperadores, Maximiano e Diocleciano, abdicam. Devem ser substituídos por seus vice-imperadores, Galério e Constâncio. Eles são substituídos por Galério Valério Maximino no Oriente e Flávio Valério Severo. Constâncio exige a presença do filho, que atravessa o território de Severo para encontrar o pai em Gesoriaco hoje Boulogne, na França.

Os dois cruzam o Canal da Mancha e entram na Inglaterra numa campanha militar que vai até a morte de Constâncio em Eboraco, hoje York, em 306. Imediatamente, Constantino é proclamado imperador pelo seu exército em meio a uma série de guerras civis no Império Romano. Ao vencer Licínio em 324, torna-se imperador do Ocidente e do Oriente.

Ao longo da vida, Constantino atribui seu sucesso à conversão ao cristianismo. Depois de vencer Maxêncio, Constantino, imperador do Ocidente, encontra Licínio, imperador do Oriente, em Mediolanum, hoje Milão, e baixa em 13 de junho de 313 o Édito de Milão, que acaba com a perseguição aos cristãos e devolve as propriedades confiscadas durante a perseguição. É um marco na história da liberdade religiosa.

No mesmo ano, ele dá à Igreja Católica uma propriedade em Latrão, onde é erguida uma catedral, a Basília Constantiniana, hoje Igreja de São João de Latrão, em Roma.

Outra contribuição importante de Constantino para o cristianismo e a história da Igreja é o Concílio de Niceia, aberto pelo imperador em 325, que estabelece a doutrina da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) para evitar uma possível cisão entre aqueles que louvam Deus Pai e os que louvam Jesus Cristo.

Depois da vitória sobre Licínio, Constantino rebatiza Bizâncio como Constantinopla e a torna sua capital permanente, uma "segunda Roma", em 330. Isto marca um afastamento dos imperadores de Roma, uma cidade rica e famosa que perde importância política. 

Ele quer ser batizado no Rio Jordão. Talvez por falta de oportunidade, deixa para o fim da vida. Fica doente e acaba recebendo o sacramento no leito de morte.

GUERRA DAS DUAS ROSAS

    Em 1455, as forças da Dinastia de York vencem o exército do rei Henrique VI (1422-61 e 1470-71), da Dinastia de Lancaster, em Saint Albans, a pouco mais de 30 quilômetros de Londres, dando início à Guerra das Duas Rosas (1455-85), uma disputa entre os herdeiros do rei Eduardo III (1327-77) pelo trono da Inglaterra.

Muitos nobres da Dinastia de Lancaster morrem, inclusive Edmundo de Beaufort, Duque de Somerset, grande amigo da rainha Margaret de Anjou. O rei é preso por Ricardo Plantageneta, Terceiro Duque de York. A guerra entre as dinastias de York, cujo escudo tinha uma rosa branca, e de Lancaster, da rosa vermelha, dura 30 anos.

Quando Eduardo III morre, ascende ao trono seu neto Ricardo II (1377-99), de apenas 10 anos, porque o filho mais velho, Eduardo, conhecido como o Príncipe Negro, morre antes do pai. 

Seu reinado é marcado pela Revolta Camponesa, liderada por Wat Tyler, em 1381, que chega a tomar a Torre de Londres. Com o campo arrasado pela pandemia da peste bubônica, um imposto cobrado por pessoa deflagra a rebelião. 

Nos últimos anos do reinado, Ricardo II vira um tirano. Quando ele vai à guerra na Irlanda, é derrubado por Henrique IV (1399-1413). 

Henrique Bolinbroke é filho de João de Gaunt, filho de Eduardo III, e irmão de Dona Philippa de Lancastre, rainha de Portugal, casada com Dom João I e mãe do Infante Dom Henrique, que Fernando Pessoa chama de "divino ventre do império, madrinha de Portugal". Por parte de mãe, Henrique IV é neto de Felipe IV, da França. É o primeiro rei desde a Invasão Normanda, em 1066, a discursar em inglês na cerimônia de coroação.

Seu filho Henrique V (1413-22) invade a França, vence a Batalha de Agincourt e reivindica a coroa francesa. Henrique VI não tem as qualidades exigidas de um monarca. Perde quase tudo que o pai conquistara na França.

Em 1453, o rei dá sinais de insanidade. Ricardo, Duque de York, descendente do terceiro filho de Eduardo III, é nomeado Lorde Protetor. Henrique VI descende do quarto filho de Eduardo III. Quando o rei se recupera, em 1454, afasta o pessoal de York, que vê como ameaça a seu filho.

Com um exército de 3 mil homens, York marcha rumo a Londres, no início da guerra. Henrique VI consegue recuperar o trono, mas, com vitórias em 1459 e 1460, York ganha o direito de herdar a coroa. Lancaster reage a mata Ricardo, Duque de York, em dezembro de 1460.

Eduardo, filho de Ricardo de York, chega a Londres antes da rainha Margaret de Anjou e é coroado como Eduardo IV (1461-70 e 1471-83). Em seguida, consolida o poder com uma vitória decisiva em 29 de março de 1461, na Batalha de Towton, a mais sangrenta travada em solo inglês, quando cerca de 50 mil homens se enfrentam durante 10 horas sob a neve no Domingo de Ramos.

Henrique VI, Margaret de Anjou e o filho fogem para a Escócia. Termina a primeira parte da guerra.

Em 1470, Henrique VI recupera o trono. Eduardo IV volta do exílio no ano seguinte, derrota as forças de Margaret de Anjou, e mata o filho dela e de Henrique VI, que é preso e morre na Torre de Londres.

Eduardo IV governa até morrer. Seu filho mais velho é coroado como Eduardo V, mas seu tio Ricardo III, nomeado Lorde Protetor, usurpa o trono e prende os dois principezinhos na Torre de Londres, onde eles são mortos.

Em agosto de 1485, Henrique Tudor, à frente do exército de Lancaster, vence Ricardo III na Batalha de Bosworth. É o fim da Guerra das Duas Rosas e da Idade Média na Inglaterra. Sobe ao trono a Dinastia Tudor, que com Henrique VIII (1509-47) rompe com o Vaticano e cria a Igreja da Inglaterra em 1534 para se divorciar na busca de um filho homem para evitar uma guerra na sua sucessão, e começa a construir o Império Britânico sob Elizabeth I (1558-1603).

Henrique VIII quer um filho homem para evitar uma guerra entre príncipes pela sucessão. Mas a filha mais velha é católica e a segunda protestante. A reforma semeia o conflito religioso que leva à Guerra Civil Inglesa do século 17, que só acaba com a Revolução Gloriosa (1688-89).

PACTO DE AÇO

    Em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os ditadores da Alemanha Nazista, Adolf Hitler, e da Itália Fascista, Benito Mussolini, firmam o Pacto de Aço, uma aliança política e militar completa das potências do Eixo.

Por causa da afinidade dos dois regimes, Mussolini é inicialmente exemplo para Hitler, os dois ditadores proclamam em 25 de outubro de 1936 que um "eixo" une Roma e Berlim. Em 25 de dezembro do mesmo ano, a Alemanha e o Japão fazem o Pacto Anti-Comintern contra a União Soviética. A Itália adere em 6 de novembro de 1937, na expectativa de que vai haver guerra e a Alemanha vai ganhar.

Pouco mais de um ano depois do início da guerra, em 27 de setembro de 1940, Alemanha, Itália e Japão fecham o Pacto Tripartite. Durante a guerra, sob coerção ou promessa de ganho territorial, outros países se aliam ao Eixo: Hungria, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Iugoslávia e depois a Croácia.

TERREMOTO DE VALDÍVIA

    Em 1960, o Terremoto de Valdívia, o sismo mais violento da história, com magnitude de 9,5 graus na escala abertura de Richter, abala a costa leste do Chile, mata cerca de 5,7 mil pessoas, fere mais de 2 milhões e provoca um maremoto que atinge lugares distantes no Oceano Pacífico como o Japão, o Havaí, onde morrem 62 pessoas, as Filipinas, onde morrem 31 pessoas, e a costa oeste dos Estados Unidos.

O Terremoto de Valdívia começa às 15h11 com a maior ruptura tectônica registrada até hoje, ao longo de mil quilômetros, entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, na fossa oceânica Peru-Chile. Dura 10 minutos. O epicentro fica a 570km ao sul de Santiago e o hipocentro a 33km de profundidade. Uma onda de 8m atinge a costa chilena entre Concepción e Chiloé a 150 km/h de velocidade.

NIXON EM MOSCOU

    Em 1972, Richard Nixon é o primeiro presidente dos Estados Unidos a ir a Moscou e o segundo a visitar a União Soviética. (O presidente Franklin Roosevelt vai à Conferência de Ialta, na Crimeia, em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.)

As viagens do presidente Nixon, um anticomunista ferrenho, à China e à URSS em 1972 marcam o início de um período de degelo na Guerra Fria conhecido como détente, quando houve um diálogo entre as superpotências. Vai até a invasão do Afeganistão pela URSS no Natal de 1979.

Um marco inicial é a viagem secreta do então assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, grande articulador desta política, à China em julho de 1971 para preparar a visita de Nixon, que vai primeiro a Beijim e depois a Moscou. A aproximação à China e à URSS leva à retirada dos EUA dos Vietnã.

Numa reunião de cúpula, Nixon e o ditador Leonid Brejnev, secretário-geral do Partido Comunista da URSS, assinam acordos importantes como o Primeiro Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT-1), um acordo sobre incidentes no mar e o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), também conhecido pela slgla MAD (Destruição Mutuamente Assegurada, em inglês), que significa louco em inglês. 

Este tratado proíbe a instalação de defesas antimísseis. Em caso de guerra nuclear, os dois lados arrasariam um ao outro sem qualquer defesa. É o equilíbrio do terror nuclear. Mas começam a ser assinados os acordos que levam ao fim da Guerra Fria. Todos caducam. O último é o Terceiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START-3), prorrogado até 5 de fevereiro de 2026. 

No momento, com a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, que o ditador Vladimir Putin apresenta como um conflito com o Ocidente, não há a menor condição para negociar acordos de desarmamento e controle de armas, inclusive porque a China não pode ficar de fora e hoje tem um arsenal nuclear com 500 a 600 ogivas. Dentro de alguns anos, terá 1,5 mil ogivas nucleares operacionais como os EUA e a Rússia. 

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

terça-feira, 10 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Março

 TRIBUNAL REVOLUCIONÁRIO

    Em 1793, na segunda fase da Revolução Francesa de 1789, a Convenção Nacional aprova a criação do Tribunal Revolucionário, uma proposta do jacobino Georges-Jacques Danton que seria o símbolo do Período do Terror (1793-94).

A ideia é criar um tribunal penal extraordinário. Em 29 de outubro, passa a ser chamado de Tribunal Revolucionário. Quando Maximiliano Robespierre cai e é executado, em julho de 1794, há uma expectativa de que o Tribunal Revolucionário seja extinto. Mas ele é usado para processar os algozes do Reino do Terror e encerra suas atividades em 31 de maio de 1795.

Ao todo, cerca de 17 mil pessoas são condenadas à morte na guilhotina pelo Tribunal Revolucionário, inclusive a rainha Maria Antonieta, Danton e Robespierre. Outras 25 mil pessoas são mortes em massacres e guerras decorrentes da Revolução. Ao todo, cerca de 50 mil pessoas são mortas pela Revolução Francesa de 1789.

PRIMEIRO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO NAZISTA

    Em 1933, 40 dias depois da ascensão de Adolf Hitler ao poder como chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, os nazistas abrem em Dachau, a 16 quilômetros de Munique, o primeiro campo de concentração do regime.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), Dachau chega a ter 150 ramos ou filiais. É o protótipo do campo de concentração nazista.

Cerca de 160 mil prisioneiros de guerra passam pelo campo principal e mais 60 mil pelos ramos. Pelo menos 32 mil são executados sumariamente, morrem sob tortura, de fome ou doenças. Milhares são deportados para centros de extermínio como Auschwitz, na Polônia ocupada pela Alemanha.

Os primeiros presos em Dachau são sociais-democratas e comunistas. A composição das vítimas revela a mudança nos alvos prioritários dos nazistas ao longo da guerra. Depois dos esquerdistas, é a vez de ciganos, homossexuais e testemunhas de Jeová. 

Depois da Kristallnacht (Noite dos Cristais), em que judeus são mortos e lojas de judeus são destruídas na Alemanha, os judeus começam a ser deportados para Dachau. Inicialmente, os judeus são soltos se tiverem como sair da Alemanha. 

Em 20 de janeiro de 1942, na Conferência de Wannsee, em Berlim, o regime nazista adota a "solução final" para exterminar os judeus da Europa. Uma câmara de gás é construída em Dachau em 1942, mas nunca é usada.

Além de ser o primeiro campo de concentração, Dachau é o centro das pesquisas científicas dos nazistas que usam seres humanos como cobaias.

Dachau é libertado pelos Estados Unidos em 29 de abril de 1945.

REVOLTA TIBETANA

    Em 1959, 300 mil tibetanos protestam contra a ocupação chinesa e cercam o palácio de verão do Dalai Lama, em Lhaça, com medo da prisão do líder político e espiritual do Tibete, Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, dando início a uma rebelião de duas semanas.

As manifestações, a princípio pacíficas, levam a choques com o Exército Popular de Libertação (EPL) da China e a combates violentos, com a morte de 2 mil soldados chineses e 85 mil tibetanos, números contestados. O Dalai Lama foge para o exílio na Índia.

Parte do Império Chinês desde o século 13, o Tibete se torna independente em 1912 com a queda da monarquia na China. Depois da vitória da revolução comunista, em 1º de outubro de 1949, Mao Tsé-tung manda recapturar o Tibete.

Como o Tibete é o teto do mundo, com altitude média de 4,9 mil metros, e não há estradas, o Exército Popular de Libertação leva 11 meses para chegar lá, em outubro de 1950. No ano seguinte, é assinado um tratado que transforma o Tibete numa região autônoma da República Popular da China e deixa o governo regional a cargo do Dalai Lama.

A resistência cresce. Em dezembro de 1958, o EPL ameaça bombardear a capital tibetana. A revolta é deflagrada pelo temor de que Tenzin Gyatso seja preso e levado para Beijim, quando o EPL convida o Dalai Lama para visitar seu quartel-general em Lhaça e ir sozinho, sem guarda-costas ou qualquer escolta.

Então, os tibetanos cercam o Palácio Norbulinka, em 10 de março, para impedir que o Dalai Lama vá ao QG chinês. Em 17 de março, a artilharia do EPL ataca o palácio. O Dalai Lama foge para a Índia.

Dois dias depois, começa a batalha das ruas. Os chineses são muito mais, têm as melhores armas e treinamento militar. Em 21 de março, o EPL bombardeia o palácio e mata dezenas de milhares de tibetanos acampados do lado de fora. A guarda pessoal do Dalai Lama é executada e os principais mosteiros do lamaísmo, o budismo tibetano, são destruídos.

No Grande Salto para a Frente (1958-62), uma política fracassada de criar unidades industriais no campo, morrem 30 milhões de pessoas na China e entre 200 mil e 1 milhão no Tibete. Durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), mais de 6 mil mosteiros tibetanos são destruídos.

IMPEACHMENT NA COREIA DO SUL

    Em 2017, a primeira mulher a presidir a Coreia do Sul, Park Geun-Hye, é destituída quando a Corte Suprema confirma a condenação em processo de impeachment, como prevê a Constituição do país.

A conservadora Park Geun-Hye é filha de Park Chung-Hee, ditador anticomunista da Coreia do Sul do golpe de 1961 até ser assassinado em 26 de outubro de 1979, durante a Guerra Fria. 

Ela nasce em 2 de fevereiro de 1952. Em 1974, quando a mãe morre num atentado da Coreia do Norte contra o pai, ela se torna a primeira-dama. O legado do pai divide o país até hoje.

Em 1998, Park é eleita deputada da Assembleia Nacional pelo Grande Partido Nacional e exerce quatro mandatos consecutivos até 2012. De 2004 a 2006, preside seu partido, quando é chamada de Rainha das Eleições.

Park toma posse como presidente em 25 de fevereiro de 2013. É considerada a melhor presidente depois dos três Kims (Kim Young-Sam, Kim Dae-Jung e Kim Jong-Pil) até estourar a série de escândalos de corrupção que envolvem a maior empresa da Coreia do Sul, a Samsung, uma potência transnacional, hoje a maior empresa de eletroeletrônicos do mundo, e levam ao impeachment por fraude e tráfico de influência em conluio com a amiga Choi Soon-Sil.

Pela Constituição da Coreia do Sul, a decisão do Parlamento precisa ser confirmada por dois terços da Corte Suprema.

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 23 de Maio

 PRISÃO DE JOANA D'ARC

    Em 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de Borgonha, aliadas da Inglaterra na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

A Donzela de Orleans é uma guerreira, uma heroína e uma santa francesa, homenageada em 30 de maio, dia da sua morte. Aos 17 anos, liderava o Exército Real da França.

Joana d'Arc nasce em 1412 em Donrémy, no Nordeste da Franca, numa família camponesa e alega ter visões de São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida que a inspiram a se unir ao exército de Carlos VI para livrar a França do domínio da Inglaterra. Vira uma heroína ao entrar em combate no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429, a primeira grande vitória francesa depois da derrota na Batalha de Agincourt, em 25 de outubro de 1415.

A França obtém outras vitórias, mas o Cerco de Paris, de 3 a 8 de setembro, fracassa. Em 23 de maio de 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de João, Duque de Borgonha, aliado da Inglaterra. É julgada pelo bispo Pierre Cauchon, que faz acusações de cunho religioso e a condena à morte na fogueira como uma bruxa.

Na História dos Povos da Língua Inglesa, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill considera um grande erro a execução na fogueira, em Ruan, em 30 de maio de 1341, que a transforma em mártir. Em 1456, um Tribunal da Inquisição autorizado pelo papa Calisto III a proclama inocente e mártir da Igreja.

Depois da Reforma Protestante, no século 16, Joana d'Arc vira um símbolo da Igreja Católica. Por decisão de Napoleão Bonaparte, em 1803, torna-se um símbolo nacional de França. É beatificada em 1909 e declarada Santa Joana d'Arc em 1920. Hoje é a heroína cultuada pela extrema direita francesa.

COMEÇA GUERRA DOS TRINTA ANOS

    Em 1618, a Terceira Defenestração de Praga, em que protestantes tchecos jogam dois representantes do imperador católico do Sacro Império Romano-Germânico pela janela do Castelo de Praga, dá início à Guerra dos Trinta Anos.

A defenestração é uma rejeição à tentativa do imperador de restringir a liberdade religiosa. A guerra causada pelo conflito entre católicos e protestantes se transforma numa grande disputa pelo poder na Europa.

É no início um conflito religioso que começa dentro do Sacro Império, com os católicos austríacos e espanhóis lutando contra os reinos e principados protestantes. Depois das intervenções da Dinamarca (1625-29) e da Suécia (1630-35) do lado dos protestantes, a França, apesar de majoritariamente católica, intervém ao lado dos protestantes em 1635 sob a liderança do Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII.

A Guerra dos Trinta Anos é o conflito que provoca as invasões holandesas no Nordeste do Brasil e o fim da União Ibérica, o período da história do Brasil conhecido como Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha reinava também em Portugal. Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para Portugal recuperar a independência e enfraquecer a Espanha.

Cinco dias após a ascensão de Luís XIV ao trono da França com menos de cinco anos, a França quebra em Rocroi o mito da invencibilidade espanhola nas guerras europeias. No fim da guerra, a França se torna a maior potência da Europa continental.

A Paz da Vestfália consagra os princípios de soberania nacional e não intervenção nos assuntos internos de outros países como bases da sociedade internacional, embora sejam seguidamente violados.

GUERRA DA INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1777, as forças do coronel Return Jonathan Meigs, do Exército Continental, capturam 24 navios britânicos e queimam suprimentos destinados aos casacas vermelhas (britânicos) em Sag Harbor, no estado de Nova York, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83). 

Com baionetas, sem dar tiros para chamar a atenção, os patriotas americanos tomam o forte britânico e prendem o comandante. Seis soldados britânicos são mortos e 90 capturados. É o único ataque bem-sucedido dos rebeldes a Long Island durante a guerra. 

ITÁLIA DECLARA GUERRA À ÁUSTRIA-HUNGRIA

    Em 1915, a Itália declara guerra ao Império Austro-Húngaro e entra na Primeira Guerra Mundial (1914-18) ao lado da Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia). 

Quando a guerra começa, em julho e agosto de 1914, a Itália opta pela neutralidade, apesar de fazer parte da Tríplice Aliança, criada em 1882, ao lado da Alemanha e da Áustria-Hungria, sob a alegação de que a aliança é defensiva. Adere ao outro lado depois de receber, no Tratado de Londres, de abril de 1915, promessas de controle de sua fronteira com a Áustria-Hungria, parte da Dalmácia, da Albânia e de territórios do Império Otomano. 

Quando a guerra acaba, 615 mil italianos estão mortos. O país ganha o controle da região do Tirol, mas muito menos do que prometido em Londres. A delegação italiana chega a se retirar da Conferência de Paz de Versalhes, a paz para acabar com todas as pazes. 

O ressentimento italiano contribui para a ascensão do fascismo, que domina a Itália de 1922 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O futuro ditador Benito Mussolini era do Partido Socialista Italiano, a favor da neutralidade. Sua decisão de apoiar a Primeira Guerra Mundial (1914-18) leva à criação do Partido Revolucionário Fascista, em janeiro de 1915, antes mesmo de ser expulso do PSI, em 29 de novembro daquele ano. 

Mussolini seria o principal aliado do ditador alemão Adolf Hitler e do nazismo na Segunda Guerra Mundial. 

MORTE DE BONNIE E CLYDE

    Em 1934, policiais do Texas e da Lousiana matam os lendários criminosos Bonnie e Clyde quando fogem num carro roubado da cidade de Sailes, na Louisiana, nos Estados Unidos.


Bonnie Parker tem 19 anos quando conhece Clyde Barrow, no Texas. Seu marido está preso por homicídio. Clyde é preso por roubo. Ela vai visitá-lo na cadeia e lhe entrega um revólver. Ele foge, mas é recapturado em Ohio. 

Quando consegue liberdade condicional, em 1932, Clyde vai atrás de Bonnie. Os dois iniciam uma carreira de crimes. Assaltam bancos e lojas em cinco estados: Texas, Lousiana, Missouri, Novo México e Oklahoma. 

Para a polícia, é um casal de criminosos frios e sem escrúpulos, capazes de matar quem cruza seu caminho, especialmente policiais. Ao todo, a gangue mata 13 pessoas, inclusive nove policiais. Mas uma visão romântica de que seriam um Robin Hood moderno cria uma aura de heróis populares, como aconteceu no Brasil com os cangaceiros. Esta fama é reforçada pelo filme Bonnie & Clyde, de 1967, com Faye Dunaway e Warren Beatty. 

SUICÍDIO DE HIMMLER

    Em 1945, o líder nazista Heinrich Himmler, comandante das tropas nazistas SS e subchefe da polícia política Gestapo, comete suicídio um dia após ser capturado pelos britânicos.


 
A SS (Schutzstaffel) era o braço armado do Partido Nazista. Himmler a transforma de um batalhão de 290 homens numa força paramilitar com um milhão. Como um dos homens mais poderosos da Alemanha, ministro do Interior de Adolf Hitler, ajuda a criar e instalar campos de concentração. É um dos principais responsáveis pelo Holocausto. 

Diante da derrota iminente, Himmler tenta iniciar negociações com as potências ocidentais sem o conhecimento de Hitler. Ao saber disso, o Führer o demite, em abril de 1945. Ele tenta fugir, mas é preso por soldados britânicos e se mata. 

ALEMANHA OCIDENTAL

    Em 1949, nasce a República Federal da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Ocidental, consolidando a divisão da Alemanha.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), as forças aliadas ocupam a Alemanha. A parte ocidental, tomada pelos Estados Unidos, o Reino Unido e a França forma a Alemanha Ocidental, enquanto a parte ocupada pela União Soviética vira a República Democrática da Alemanha (democrática só no nome), a Alemanha Oriental. Konrad Adenauer é o primeiro chanceler alemão-ocidental.

A capital da Alemanha é dividida em Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Diante da fuga em massa para o Ocidente, de 12 para 13 de agosto de 1961, o regime comunista alemão-oriental ergue um muro dividindo a cidade, chamado de Muro da Vergonha. 

A abertura do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, em meio a revoluções democráticas na Europa Oriental, é o início do fim da Alemanha Oriental. Em 3 de outubro de 1990, a República Federal da Alemanha é reunificada.

CHINA ANEXA O TIBETE

    Em 1951, a República Popular da China anexa o Tibete, que era independente desde o fim do Império Chinês, em 1912. Nasce o movimento pela independência do Tibete sob a liderança do Dalai Lama, que fala em autonomia para não provocar o regime comunista chinês.

A China é durante 2 mil anos o Império do Meio, o centro do mundo na Ásia. Por se fechar ao mundo, entra em declínio na era industrial. É vencida pelo e humilhada Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60). A derrota para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) acaba com a ordem sinocêntrica na Ásia.

Há uma última reação anti-imperialista na Guerra dos Boxers (1899-1901). Mais uma derrota, e o Império Chinês acaba. O Tibete, parte do império desde o século 13, se torna independente. 

Quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung conquista o poder, em 1º de outubro de 1949, entre os objetivos centrais estão restaurar a dignidade do povo chinês, humilhado pelos imperialismos ocidental e japonês, e as fronteiras históricas da China.

Pouco depois, Mao manda invadir o Tibete. Como o acesso é difícil, o Exército Popular de Libertação (EPL) leva 11 meses para chegar lá, em 6 de outubro de 1950. Sete meses depois, a China toma conta do Tibete, que mantém a estrutura administrativa sob o controle chinês.

A crescente sinificação leva à Revolta Tibetana em 10 de março de 1959. Os. rebeldes tomam Lhaça. Com a derrota duas semanas depois, o Dalai Lama foge para o exílio no Norte da Índia e Beijim assume o controle sobre a região, aliás sobre todo o Grande Tibete, que inclui a província da Gansu e tem uma área superior a 1,1 milhão de quilômetros quadrados.  

ISRAEL PRENDE EICHMANN

    Em 1960, o fundador e primeiro-ministro de Israel, David ben Gurion, anuncia a captura do carrasco nazista Adolf Eichmann, dias antes, em San Fernando, nos arredores de Buenos Aires, na Argentina. 

Um dos articuladores da "solução final para a questão judaica", um plano para exterminar o povo judeu, ele é levado para julgamento em Israel, onde é condenado à morte e enforcado em 31 de maio de 1962.

Eichmann participa da Conferência de Wannsee, realizada em 20 de janeiro de 1942 num palacete à beira do Lago Wannsee, em Berlim, para planejar a "solução final". Fica encarregado de identificar, reunir e transportar os judeus da Europa tomada pela Alemanha nazista para campos de concentração. Pelo menos 4 milhões de judeus morrem em centros de extermínio e outros 2 milhões fora dos campos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

MAREMOTO MATA NO HAVAÍ 

    Em 1960, ondas de mais de 10 metros causadas por um terremoto no Chile atingem o Havaí e matam 61 pessoas na Baía de Hilo, na ilha do Havaí.

Na véspera, o Terremoto de Valdívia, de 9,5 graus na escala aberta de Richter, o mais violento registrado até hoje, mata entre mil e 6 mil pessoas pessoas no Chile. Outras 180 pessoas morrem nas ilhas de Honshu e Hokkaido, no Japão. Os prejuízos na costa oeste dos EUA são avaliados em US$ 1 milhão, mas ninguém morre. 

TOM PETTY DECLARA FALÊNCIA

Em 1979, o cantor e compositor americano Tom Petty declara falência para se livrar de um contrato com a gravadora Shelter Records.
 
A indústria da música costuma pagar um adiantamento aos músicos a ser descontado dos futuros ganhos com direitos autorais. Como as despesas de estúdio e distribuição dos discos, incluindo ações de marketing e turnê para promover a obra, são elevadas, muitos artistas nunca recuperam as perdas. 

Tom Petty decide bancar seu próprio disco. Com dívidas de US$ 500 mil, declara falência. A gravadora MCA, que controla a Shelter, cede, anula o contrato e o recontrata por US$ 3 milhões. 

Seu próximo álbum, Damn the Torpedoes, ganha um duplo disco de platina e transforma Tom Petty and the Heartbreakers em celebridades do rock. Ele vende 60 milhões de discos e morre em 2 de outubro de 2017 de uma dose excessiva de opioides, inclusive fentanil, considerada acidental.

IRLANDA LEGALIZA CASAMENTO GAY

    Em 2015, a Irlanda, um dos países mais católicos do mundo, é o primeiro a legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo num plebiscito, com 60,5% da participação e 62% dos votos a favor.

A vitória é esmagadora. O não só ganha num dos 43 distritos eleitorais irlandeses. Quando a votação acaba, mais de 2 mil pessoas festejaram no Castelo de Dublin, iluminado com as cores da bandeira do arco-íris do movimento LGBTQ.

A Igreja Católica protesta. O cardeal Pietro Parolin descreve o resultado como uma "derrota para a humanidade".

É uma luta antiga. A homossexualidade era crime na Irlanda até 1993. Quando a data do plebiscito é marcada, em 19 de fevereiro de 2015, a campanha começa imediatamente.