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domingo, 4 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

  INDEPENDÊNCIA DA BIRMÂNIA

    Em 1948, a Birmânia, o país mais ao norte do Sudeste Asiático, conquista formalmente a independência do Império Britânico, concluindo a transferência de poder negociada em 1947 entre o líder birmanês Aung San e o primeiro-ministro do Reino Unido, Clement Atlee.

A região é habitada desde a pré-história. Desde o primeiro milênio da Era Cristã, é uma rota de passagem entre a China e Índia. Tem uma forte influência da cultura indiana. O budismo chega no século 9 e se torna a religião dominante no século 11.

O Império Mongol conquista o que hoje é a Birmânia do início do século 13 ao fim do século 14.. No século 16, o rei Tabinshweti e o filho conseguem unificar o país com a ajuda dos portugueses. Em 1599, o Reino de Pegu passa a fazer parte do Império Português.

Na dinastia criada por Alaungpaya, o reino de expande para o Oeste e entra em conflito com a Companhia das Índias Ocidentais, que toma Bengala em 1757 a serviço do Império Britânico. Depois das guerras de 1824-26, 1852 e 1885, os britânicos colonizam o país e dão o nome de Birmânia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão domina a Birmânia. Com o fim da guerra, os países do Sudeste Asiático conquistam a independência.

A Birmânia é um país relativamente próspero até 1962, quando o general Ne Win dá um golpe e socializa a maior parte da economia do país, iniciando uma era de domínio dos militares que continua até hoje.

Em 1989, a ditadura militar rebatiza o país como União de Mianmar. Um breve período de redemocratização começa em 2011 sob a liderança de Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência que passa anos em prisão domiciliar e ganha o Prêmio Nobel da Paz em 1991. 

Como conselheira do Estado a partir de 6 de abril de 2016, Suu Kyi chefia o governo como uma espécie de primeira-ministra até o golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, quando ela e o presidente Win Myint são presos. Desde então, Mianmar está em guerra civil, um dos piores conflitos hoje no mundo. No momento, a ditadura realiza eleições numa tentativa de se legitimar.

GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei dos Direitos de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se torna extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidata à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon (1969-74) se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. É a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país, um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e netas, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Nancy Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003. Ela preside a Câmara dos Representantes de 2007-11 e 2019-23.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 2010, o emirado árabe de Dubai inaugura o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, a Torre do Califa, com 828 metros e 160 andares, um projeto de US$ 1,5 bilhão.

O edifício faz parte de um complexo industrial e comercial com área de dois quilômetros quadrados no Centro de Dubai. A obra, realizada pela empresa sul-coreana Samsung Engenharia & Construções, começa em 21 de setembro de 2004. O preço inicial do metro quadrado das salas para escritórios é de US$ 43 mil.

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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Grande adversária de Trump não será candidata à reeleição

Uma das figuras políticas mais importantes dos Estados Unidos nas últimas décadas, a deputada federal democrata Nancy Pelosi anunciou nessa quinta-feira que não será candidata à reeleição. Ela foi a primeira e única mulher a presidir a Câmara dos Representantes.

Nancy Patricia D'Alessandro nasceu em Baltimore, se formou em ciência política no Trinity College, em Washington, e se mudou para São Francisco da Califórnia, onde fez carreira política, Ela foi eleita para a Câmara pela primeira vez em 1987, quando a pandemia da aids estava dizimando a comunidade gay da cidade, e lutou para mitigar o impacto da doença.

Em 2003, Pelosi foi eleita líder da bancada democrata na Câmara e da oposição ao governo George W. Bush, posição que a levou à Presidência da Câmara quando os democratas conquistaram a maioria. Ela presidiu a Câmara de 2007 a 2011 e de 2019 a 2023, quando liderou a oposição na segunda metade do primeiro governo Donald Trump.

Grande adversária de Trump, iniciou dois processos de impeachment contra o presidente, que chamou de "a pior pessoa na face da Terra". Ao saber da notícia, Trump declarou que ela é uma pessoa má que fez muito mal ao país. Mas Nancy Pelosi conquistou seu lugar na história, enquanto Trump ainda aguarda o julgamento da história.

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sábado, 4 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

 INDEPENDÊNCIA DA BIRMÂNIA

    Em 1948, a Birmânia, o país mais ao norte do Sudeste Asiático, conquista formalmente a independência do Império Britânico, concluindo a transferência de poder negociada em 1947 entre o líder birmanês Aung San e o primeiro-ministro do Reino Unido, Clement Atlee.

A região é habitada desde a pré-história. No primeiro milênio da Era Cristã, é uma rota de passagem entre a China e Índia. Tem uma forte influência da cultura indiana. O budismo chega no século 9 e se torna a religião dominante no século 11.

O Império Mongol conquista o que hoje é a Birmânia do início do século 13 ao fim do século 14.. No século 16, o rei Tabinshweti e o filho conseguem unificar o país com a ajuda dos portugueses. Em 1599, o Reino de Pegu passa a fazer parte do Império Português.

Na dinastia criada por Alaungpaya, o reino de expande para o Oeste e entra em conflito com a Companhia das Índias Ocidentais, que toma Bengala em 1757 a serviço do Império Britânico. Depois das guerras de 1824-26, 1852 e 1885, os britânicos colonizam o país e dão o nome de Birmânia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão domina a Birmânia. Com o fim da guerra, os países do Sudeste Asiático conquistam a independência.

A Birmânia é um país relativamente próspero até 1962, quando o general Ne Win e dá um golpe e socializa a maior parte da economia do país, iniciando uma era de domínio dos militares que continua até hoje.

Em 1989, a ditadura militar rebatiza o país como União de Mianmar. Um breve período de redemocratização começa em 2011 sob a liderança de Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência que passa anos em prisão domiciliar e ganha o Prêmio Nobel da Paz em 1991. 

Como conselheira do Estado a partir de 6 de abril de 2016, Suu Kyi chefia o governo como uma espécie de primeira-ministra até o golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, quando ela e o presidente Win Myint são presos. Desde então, Mianmar está em guerra civil, um dos piores conflitos hoje no mundo.

GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei do Direito de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se tornou extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidatou à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon (1969-74) se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. É a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país, um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e neta, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Nancy Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003. Ela preside a Câmara dos Representantes de 2007-11 e 2019-23.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 2010, o emirado árabe de Dubai inaugura o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, a Torre do Califa, com 828 metros e 160 andares, um projeto de US$ 1,5 bilhão.

O edifício faz parte de um complexo industrial e comercial com área de dois quilômetros quadrados no Centro de Dubai. A obra, realizada pela empresa sul-coreana Samsung Engenharia & Construções, começa em 21 de setembro de 2004. O preço inicial do metro quadrado das salas para escritórios é de US$ 43 mil.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

INDEPENDÊNCIA DA BIRMÂNIA

    Em 1948, a Birmânia, o país mais ao norte do Sudeste Asiático, conquista formalmente a independência do Império Britânico, concluindo a transferência de poder negociada em 1947 entre o líder birmanês Aung San e o primeiro-ministro do Reino Unido, Clement Atlee.

A região é habitada desde a pré-história. No primeiro milênio da Era Cristã, é uma rota de passagem entre a China e Índia. Tem uma forte influência da cultura indiana. O budismo chega no século 9 e se torna a religião dominante no século 11.

O Império Mongol conquista o que hoje é a Birmânia no século 13. No século 16, o rei Tabinshweti e o filho conseguem unificar o país com a ajuda dos portugueses. Em 1599, o Reino de Pegu passa a fazer parte do Império Português.

Na dinastia criada por Alaungpaya, o reino de expande para o Oeste e entra em conflito com a Companhia das Índias Ocidentais, que toma Bengala em 1757 a serviço do Império Britânico. Depois das guerras de 1824-26, 1852 e 1885, os britânicos colonizam o país e dão o nome de Birmânia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão domina a Birmânia. Com o fim da guerra, os países do Sudeste Asiático conquistam a independência.

A Birmânia é um país relativamente próspero até 1962, quando o general Ne Win e dá um golpe e socializa a maior parte da economia do país, iniciando uma era de domínio dos militares que continua até hoje.

Em 1989, a ditadura militar rebatiza o país como União de Mianmar. Um breve período de redemocratização começa em 2011 sob a liderança de Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência que passou anos em prisão domiciliar e ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991. 

Como conselheira do Estado a partir de 6 de abril de 2016, Suu Kyi chefia o governo como uma espécie de primeira-ministra até o golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, quando ela e o presidente Win Myint são presos. Desde então, Mianmar está em guerra civil, um dos piores conflitos hoje no mundo.

GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei do Direito de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se tornou extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidatou à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. É a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país. um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e neta, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 2010, o emirado árabe de Dubai inaugura o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, a Torre do Califa, com 828 metros e 160 andares.

O edifício faz parte de um complexo industrial e comercial com área de dois quilômetros quadrados no Centro de Dubai. A obra começa em 21 de setembro de 2004.

sexta-feira, 24 de março de 2023

Deputados republicanos interferem em processo de Trump

O promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, acusou deputados do Partido Republicano de pressioná-lo por causa da iminente denúncia criminal contra o ex-presidente Donald Trump num caso que envolve pagamento de 130 mil dólares para comprar o silêncio de uma atriz pornô durante a campanha eleitoral de 2016. Trump precisava ter declarado o pagamento como despesa eleitoral.

Sob acusações de espionagem para o regime comunista chinês, o diretor-executivo do Titktok depôs durante cinco horas na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Alegou que a empresa é privada e não serve o governo, mas há casos de desaparecimento de empresários na China, indicação de que o Partido Comunista quer manter o controle sobre todas as atividades.

Onde andam personagens centrais da Guerra do Iraque? O jornal britânico The Guardian foi atrás e eu conto aqui:

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

 GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei do Direito de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se tornou extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidatou à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. É a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país. um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e neta, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei do Direito de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se tornou extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidatou à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. Atual presidente, é a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país. um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e neta, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Trump é o terceiro presidente dos EUA a sofrer processo de impeachment

Uma Câmara dos Representantes dominada pela oposição e dividida ao longo de linhas partidárias denunciou hoje o presidente Donald Trump por abuso de poder e obstrução do Congresso. O processo segue agora para julgamento no Senado, onde o Partido Republicano tem maioria e deve absolver o presidente.

A acusação de abuso de poder ao reter uma ajuda militar de US$ 391 milhões para pressionar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar o ex-vice-presidente Joe Biden foi aprovada por 230 a 197 votos. Só dois democratas votaram contra.

A acusação de obstruir o Congresso por não entregar documentos da Casa Branca e proibir seus assessores de depor teve 229 votos a favor e 198 contra. Três democratas apoiaram o presidente por terem sido eleitos em distritos que costumam votar em republicanos.

No Senado, o líder da maioria governista, Mitch McConnell, anunciou que não será um "juiz imparcial". Ele não quer nem realizar um julgamento como prevê a Constituição. Depois de admitir que fará o que o advogado-geral da Casa Branca quiser, numa violação da independência dos poderes, McConnell deixou claro não ter interesse em ouvir testemunhas e examinar documentos.

Trump adotou a estratégia de não colaborar porque durante a investigação do procurador-especial Robert Mueller sobre a interferência da Rússia nas eleições americanas de 2016 os documentos e testemunhos pioraram sua situação.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, exige a realização de um julgamento. Como a Constituição dos EUA é vaga a respeito do assunto, a bancada republicana pretende acelerar o processo para absolver o presidente antes que sua posição diante da opinião pública seja abalada.

Ao comentar a decisão de hoje, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, não esclareceu se pretende enviar o processo imediatamente ao Senado. Se McConnell não concordar com a realização de um verdadeiro julgamento, a Câmara pode segurar o processo até negociar os termos de sua tramitação.

Até hoje, nenhum presidente americano foi afastado do cargo num processo de impeachment. Em 1868, faltou um voto para tirar Andrew Johnson por 11 acusações de abuso de poder e ignorar decisões do Congresso.

Depois do Escândalo de Watergate, o presidente Richard Nixon renunciou em 1974 antes da votação na Câmara para evitar o impeachment por obstrução de justiça quando a bancada republicana no Senado retirou o apoio.

Em 1998, o presidente Bill Clinton foi absolvido no Senado das acusações de perjúrio (mentir sob juramento) e de obstrução de justiça.

Para afastar o presidente, são necessários dois terços dos votos ou 67 senadores. Como o Partido  Republicano têm maioria no Senado, é preciso pelo menos 20 senadores governistas abandonem Trump, que tem o apoio de 95% do eleitorado republicano.

Se a opinião pública não virar, o que é altamente improvável, Trump deve ser absolvido e vai se apresentar na campanha como vítima de uma "caça às bruxas". Neste caso, só nas urnas será possível saber se a decisão da deputada Nancy Pelosi de abrir o processo de impeachment terá o resultado pretendido.

sábado, 30 de novembro de 2019

Historiador de presidentes prevê colapso do apoio a Trump

O historiador Douglas Brinkley, especializado em presidentes dos Estados Unidos, previu ontem o colapso do apoio ao presidente Donald Trump à medida que foram surgindo novas revelações nas comissões de inquérito da Câmara dos Representantes para a abertura de um processo de impeachment.

Na sua opinião, o inquérito "mostra a vocês como é grave o problema em que Trump se meteu. Quero dizer, que 50% do país quer não apenas um processo de impeachment, mas o afastamento do presidente, e o jogo ainda não se acelerou muito ainda", declarou Brinkley à rede de televisão americana CNN, onde participa regularmente dos debates.

Talvez o precedente histórico não se aplique. A grande maioria dos eleitores do Partido Republicano apoia Trump e se informa através de meios de comunicação como a Fox News, que o apoia incondicionalmente.

Quando Richard Nixon renunciou, em 1974, para escapar do impeachment no Escândalo de Watergate, os americanos liam e viam quase todos os mesmas notícias. Hoje, estamos na era da desinformação, da pós-verdade e das notícias falsas que infestam as redes sociais. Trump tem à disposição na Fox News uma fábrica de mentiras.

Se o eleitorado republicano não mudar de posição, os senadores do partido não vão abandonar o presidente. O impeachment exige os votos mais de dois terços ou 67 senadores. Para afastar Trump, serão necessários os votos de pelo menos 20 senadores republicanos.

Trump segurou uma ajuda militar de US$ 391 milhões à Ucrânia para pressionar o presidente Volodymyr Zelensky a investigar os negócios do filho do ex-vice-presidente Joe Biden, favorito no momento para ser o candidato do Partido Democrata na eleição presidencial de 2020. Abusou do poder ao usar a política externa dos EUA para benefício próprio e perseguir um adversário político, colocando em risco a segurança nacional.

Durante este fim de semana o presidente da Comissão de Inteligência da Câmara, Adam Schiff, está "preparando um relatório com um sumário das provas descobertas até agora que será enviado para a Comissão de Justiça logo que o Congresso voltar do recesso do feriado do Dia Nacional de Ação de Graças", o dia em que os peregrinos do navio May Flower por terem sobrevivido no primeiro ano da colonização.

O relatório descreve, entre outros detalhes "um esforço de meses em que o presidente Donald Trump quis de novo a interferência estrangeira em nossas eleições para seu benefício político e pessoal às custas do interesse nacional" e "uma campanha sem precedentes de obstrução num esforço para impedir os comitês de obter testemunhos e provas documentais."

A Comissão de Justiça também investiga dez casos apontados como possível obstrução de justiça no relatório do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência indevida da Rússia na eleição presidencial de 2016 nos EUA para ajudar Trump a derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Câmara dos EUA abre inquérito para o impeachment de Trump

Por 232 a 196 votos, uma Câmara de Representantes dividida ao longo de linhas partidárias aprovou hoje a abertura oficial do inquérito sobre possíveis crimes capazes de justificar a abertura de um processo de impeachment do presidente Donald Trump. Todos os republicanos e dois democratas votaram contra.

Dentro de duas semanas, as audiências devem passar a ser televisionadas. A comissão parlamentar de inquérito também poderá divulgar os depoimentos realizados em sessões secretas, motivo de protestos do Partido Republicano. 

Logo depois da votação, o presidente Trump foi para o Twitter alegar que é a maior caça às bruxas da história dos Estados Unidos. A bancada republicana repudiou a decisão, alegando ser uma tentativa de mudar o resultado da eleição de 2016. 

Os deputados governistas chegaram a citar a resistência da presidente da Câmara, a deputada democrata Nancy Pelosi, em abrir o processo de impeachment. Desde o início do ano, a oposição tem maioria na Câmara dos Estados Unidos e a ala mais radical do partido pedia a abertura do processo.

Tudo mudou quando um oficial de informações revelou que Trump havia pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar os negócios ucranianos de Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente Joe Biden, principal adversário de Trump nas eleições do ano que vem. 

O presidente americano segurou uma ajuda militar de 391 milhões de dólares à Ucrânia e abusou do poder, usando a política externa dos Estados Unidos para forçar um chefe de Estado estrangeiro a investigar um adversário político, numa interferência direta na eleição presidencial americana. Meu comentário:

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Câmara dos EUA abre inquérito sobre impeachment de Trump

Depois de resistir desde o início do ano, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a deputada democrata Nancy Pelosi, anunciou hoje a abertura de inquérito para informar um possível processo de impeachment do presidente Donald Trump.

Até agora, Pelosi resistia às pressões da ala mais à esquerda do Partido Democrata, que reconquistou a maioria na Câmara nas eleições do ano passado. Primeiro, esperou o relatório do procurador especial Robert Mueller, que não descobriu conluio da campanha de Trump com a Rússia, mas apontou dez casos de possível obstrução de justiça pelo presidente.

Como o presidente dos EUA não pode ser processado pela Justiça durante o exercício do cargo, só pelo Congresso, num julgamento político, caberia à presidente da Câmara dar início ao impeachment. As pesquisas indicavam que a maioria do eleitorado era contra. Pelosi entendia que o processo poderia acabar ajudando na reeleição de Trump em 2020.

Mudou de ideia com a revelação de que Trump pressionou o novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em telefonema em 25 de julho, a investigar os negócios de Hunter Biden, que foi diretor de uma companhia de gás ucraniana quando o pai era vice-presidente do governo Barack Obama (2009-17).

Trump segurou uma ajuda militar de US$ 391 milhões e uma ajuda econômica de US$ 250 milhões para forçar Zelensky a investigar Hunter Biden. Hoje, disse que o telefonema foi "perfeito", prometendo liberar a gravação ou a transcrição em breve.

Joe Biden é o líder das pesquisas entre os pré-candidatos do Partido Democrata e provável adversário de Trump em novembro do próximo ano. Ao usar a política externa dos EUA em benefício próprio, Trump rompeu um limite. Um agente secreto que teve acesso à gravação alertou o inspetor-geral de Inteligência, responsável pela fiscalização do setor.

No domingo, Trump admitiu ter falado no assunto com o presidente ucraniano. Como costuma fazer, a Casa Branca tentou negar ao Congresso o acesso ao conteúdo do telefonema. Com o inquérito para abrir um processo de impeachment, o presidente deve ser obrigado a ceder.

Política veterana, Pelosi deve ter calculado que o inquérito vai desgastar, em vez de fortalecer, o presidente Trump. Com foco na Ucrânia, Joe Biden também vai entrar na investigação. Até o momento, não há indícios de irregularidades cometidas por Biden ou seu filho.

Pela Constituição dos EUA, o julgamento político do presidente precisa ser aprovado pela maioria simples da Câmara dos Representantes, onde os democratas são maioria. Mas a condenação e o impedimento do presidente dependem de uma maioria de dois terços dos votos do Senado, onde o Partido Republicano tem maioria. São necessários 67 votos contra Trump, o que exigiria o apoio de toda a bancada democrata e mais 20 senadores republicanos.

Em 1974, no Escândalo de Watergate, o presidente Richard Nixon renunciou depois que a bancada republicana vai à Casa Branca anunciar a retirada do apoio. Trump ainda está muito longe disso.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Israel veta visita de deputadas americanas sob pressão de Trump

Sob pressão do presidente Donald Trump, o governo de Israel proibiu uma visita ao país e aos territórios árabes ocupados de duas deputadas muçulmanas de origem árabe da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, havia concordado com a visita por serem deputadas do Congresso dos EUA. Ao mudar de ideia, sob pressão de Trump, que alegou ser um sinal de fraqueza, Netanyahu declarou que "Israel está aberto a críticas, não a boicotes".

Seu ministro do Exterior, Israel Katz, justificou a medida "devido a seu flagrante apoio ao boicote ao Estado de Israel, ao terrorismo contra Israel e a minimizar o Holocausto." Omar, que reconhece Israel como a única democracia do Oriente Médio, considerou a decisão "arrepiante" e "antidemocrática".

As deputadas Ilhan Omar e Rashida Tlaib apoiam o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), que defende o fim da ocupação dos territórios árabes, igualdade entre cidadãos israelenses de origem árabe e de origem judaica, e o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas terras desde a fundação de Israel, em 1948.

O principal grupo de pressão a favor dos interesses israelenses nos EUA, a AIPAC (Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel), criticou a decisão de Netanyahu, afirmando que, embora seja contra a atuação das deputadas, entende deveriam ter o direito de ver pessoalmente a situação.

Em campanha para as eleições de 17 de setembro e em empate técnico nas pesquisas de opinião, o primeiro-ministro israelense preferiu ficar ao lado do aliado Trump, que escolheu quatro deputadas da ala mais à esquerda do Partido Democrata como inimigas e tenta apresentá-las como a verdadeira face da oposição.

O apoio a Israel é uma das poucas causas que tem apoio dos dois grandes partidos dos EUA. Historicamente, o Partido Democrata era mais favorável a Israel. Isto começou a mudar quando o presidente Ronald Reagan (1981-89) atraiu os evangélicos pentecostalistas, que costumavam não votar, para o Partido Republicano forjando uma aliança da direita religiosa cristã com Israel.

Ao acusar o Partido Democrata de ser anti-israelense, Trump ameaça romper o consenso bipartidário dos EUA em apoio a Israel. O Estado de Israel sai perdendo.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Trump faz ataque racista contra deputadas da esquerda democrata

Em mais um de seus tuítes raivosos, o presidente Donald Trump mandou quatro deputadas federais da ala mais à esquerda da oposição democrata "voltem aos lugares totalmente quebrados e infestados pelo crime de onde vieram e ajudem a melhorar a situação". 

Três nasceram nos Estados Unidos e a outra é uma refugiada da Somália que vive no país desde a adolescência e recebeu a cidadania americana. Mais uma vez, o presidente está sendo acusado de racismo, noticia o jornal inglês The Guardian.

Trump não citou os nomes das quatro deputadas. Falou no esquadrão, como é chamado o grupo formado pelas jovens radicais eleitas em novembro do ano passado, quando o Partido Democrata reconquistou a maioria na Câmara dos Representantes com aumento da presença feminina. É esquadrão por causa de sua combatividade.

Alexandria Ocasio Cortez, filha de porto-riquenhos, foi eleita por Nova York; Ayanna Pressley, de origem africano, por Massachusetts; Rashida Tlaib, filha de imigrantes palestinos, por Michigan; e Ilhan Omar, a somaliana naturalizada americana, por Minnesota.

"O país de onde eu veio e ao qual jurei lealdade é os EUA", respondeu AOC, como é conhecida a deputada mais jovem e mais popular da nova Câmara. Tlaib declarou que Trump "precisa ser impedido" num processo de impeachment.

Omar descreveu Trump como "o pior, mais corrupto e mais inepto presidente que já vimos", enquanto Pressley foi direta: "Isto parece com racismo. Nós parecemos a democracia."

Em campanha para disputar mais uma vez a candidatura democrata à Casa Branca, o senador Bernie Sanders não perdeu a oportunidade para atacar Trump: "Quando eu chamo o presidente de racista, é disto que estou falando."

O presidente voltou ao Twitter para contra-atacar: "Tão triste ver os democratas ficaram ao lado de pessoas que falam tão mal do nosso país e que, além do mais, odeiam Israel com uma paixão verdadeira e sem limites. Quando confrontados, eles chamam seus adversários, inclusive Pelosi, de racista."

A deputada Nancy Pelosi, presidente da Câmara, tenta controlar o ímpeto das deputadas mais radicais, que Trump usa como fantasmas para apresentar o Partido Democrata como radical de esquerda e socialista. Ela denunciou o tuitaço como "comentários xenofóbicos para dividir a nação". Ele queria explorar o conflito interno da oposição. Acabou provocando a união dos democratas.

"Sua linguagem desagradável e as coisas que dizem sobre os EUA não podem passar sem um desafio. Se o Partido Democrata quer continuar a desculpar este comportamento vergonhoso, então vamos nos ver nas urnas em 2020", arrematou o presidente.

Trump entrou na política acusando o presidente Barack Obama de não ter nascido nos EUA. Lançou sua candidatura à Casa Branca, em junho de 2016, chamando os mexicanos de assassinos, traficantes, ladrões e estupradores.

Ao discutir a reforma da imigração com deputados e senadores democratas, perguntou "por que temos de receber gente de países que são buracos de merda?", como Nigéria e Haiti, e "por que não recebemos mais gente da Noruega?"

Quando os neonazistas marcharam em Charlottesville, na Virgínia, em 12 de agosto de 2017, na manifestação União da Direita, para impedir a remoção da estátua do comandante militar do Sul escravocrata na Guerra Civil (1861-65), Trump afirmou que "havia gente boa dos dois lados".

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

"Trump é racista, escroque e trapaceiro", diz seu ex-advogado

Em depoimento de mais de sete horas à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o ex-advogado particular do presidente Donald Trump durante dez anos, Michael Cohen, atacou duramente o antigo patrão, acusando-o de uma série de crimes e mentiras capazes de servir de base para um processo de impeachment.

"Ele é racista, escroque e trapaceiro", afirmou o advogado, reconhecendo ter cometido crimes para defender o presidente. "Não estou mais protegendo o Sr. Trump."

Entre as mentiras do presidente, Cohen citou os pagamentos a ex-amantes para evitar notícias negativas durante a campanha eleitoral, negócios com a Rússia, o aumento de sua riqueza para impressionar bancos e a ocultação para enganar o imposto de renda.

Trump orientou diretamente seu advogado a pagar a atriz pornô Stormy Daniels para que o dinheiro não pudesse ser rastreado. Cohen fez cópia dos cheques. Foi reembolsado pelo presidente já no exercício do cargo.

O magnata teria inflado seu patrimônio para obter empréstimos do Deutsche Bank e deflacionado para não pagar impostos. "Cite um país governado por um negro que não seja um buraco de merda", mencionou o advogado como exemplo do racismo de Trump. "Ele me disse que os negros nunca votariam nele porque são muito estúpidos."

O presidente teria entrado na campanha para salvar seus negócios, acusou Cohen: "Ele não esperava vencer as eleições primárias. Nunca esperava vencer a eleição. A campanha, para ele, foi sempre uma jogada de marketing. Ele não queria tornar os EUA grandes de novo. Queria valorizar sua marca."

Cohen depôs sob o ataque de deputados do Partido Republicano. Os defensores de Trump lembraram que ele confessou ter mentido sob juramento ao depor no Congresso. O advogado foi condenado por perjúrio, fraudes bancária e fiscal. Daqui a dois meses, começa a cumprir uma pena de três anos de cadeia, reduzida por colaborar com o Ministério Público.

Em dez anos, contou o advogado, Trump o pediu para intimidar pessoas e empresas umas 500 vezes. O presidente, acrescentou, também sabia de contatos de assessores de sua campanha com o WikiLeaks, um sítio especializado em vazar informações confidenciais de empresas, políticos e países, para revelar mensagens de correio eletrônico do Partido Democrata e assim prejudicar a campanha presidencial de Hillary Clinton.

Pouco antes da Convenção Nacional do Partido Democrata, o assessor Roger Stone conversou com Trump no telefone para dizer que havia falado com Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, acusado de piratear documentos sigilosos do Departamento de Estado, relatou o advogado.

"Dentro de alguns dias, vai haver uma derrama maciça de e-mails para prejudicar a campanha de Hillary", teria dito Stone. "Não seria ótimo?", festejou Trump, na versão de seu ex-advogado.

"Sentado aqui hoje, parece inacreditável que eu estivesse tão enfeitiçado por Donald Trump que tenha querido fazer por ele coisas que eu sabia serem totalmente erradas", confessou Cohen. Quando conheceu Trump, via o atual presidente como um "ícone" e um "gigante do setor imobiliário".

Hoje e amanhã, Trump está no Vietnã para o segundo encontro de cúpula com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un. Isso suscitou protestos de deputados, parentes e assessores, alegando que o depoimento enfraquecia o presidente dos EUA no momento de uma negociação internacional importante.

"Você queria trabalhar na Casa Branca e não foi convidado para o baile", ironizou o deputado  Jim Jordan, um dos mais exaltados defensores do presidente. "Não queria", respondeu Cohen. "Michael queria ser chefe da Casa Civil. Virou piada na campanha", retrucou o deputado.

"Você é um mentiroso patológico", disparou o deputado Paul Gosar. "Você está falando de mim ou do presidente?", reagiu Cohen, aconselhando os republicanos a não manchar sua honra para defender um presidente que não merece.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Democratas propõem resolução para derrubar emergência de Trump

O deputado federal texano Joaquin Castro apresentou hoje à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos um projeto de resolução para anular o decreto do presidente Donald Trump que declarou emergência na fronteira com o México, alegando que a imigração ilegal ameaça a segurança nacional.

Com o apoio de outros 221 deputados do Partido Democrata, deve ser aprovada sem problemas na Câmara, mas vai precisar do voto de republicanos no Senado, onde o partido de Trump tem uma maioria de 53 a 47.

Vários senadores do Partido Republicano criticaram a decisão de Trump por criar um precedente para que futuros presidentes superem a oposição do Congresso. Um presidente democrata poderia, por exemplo, decretar emergência sobre temas como o controle de armas e o aquecimento global.

Assim, não é impossível que os democratas consigam o apoio de alguns republicanos para derrubar o decreto de Trump. Se o presidente vetar a resolução, será necessária uma maioria de dois terços nas duas casas do Congresso para derrubar o veto.

Em carta aos congressistas do partido, a presidente da Câmara, deputada Nancy Pelosi, pediu o apoio de todos os seus colegas: "A declaração de emergência de Trump mina a separação de poderes e o poder do Congresso de controlar os gastos públicos, um poder reservado pela Constituição para o Poder Legislativo, que tem tanto poder quando o Executivo."

Na semana passada, depois que o Congresso autorizou uma despesa de US$ 1,4 bilhão para a construção de um muro na fronteira com o México, Trump decretou emergência. Isto lhe permitira alocar US$ 8 bilhões para a obra. Dezesseis estados entraram na Justiça contra a emergência de Trump.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Trump aposta futuro político na construção de muro na fronteira do México

Em pronunciamento minutos atrás na Casa Branca, o presidente Donald Trump fez uma defesa emocional de seu projeto de construir um muro na fronteira com o México. A negativa da oposição em dar US$ 5,7 bilhões para a obra resultou num impasse e no fechamento das atividades não essenciais do governo dos Estados Unidos há 19 dias.

O presidente lançou sua campanha em junho de 2015 acusando os mexicanos de assassinatos, violência sexual e tráfico de drogas. A imigração ilegal é seu tema favorito para mobilizar sua base eleitoral. Havia expectativa de que pudesse declarar uma "emergência nacional" para financiar a obra sem a autorização do Congresso, mas seria contestado na Justiça.

Sob a pressão de uma série de escândalos a serem investigados pela nova maioria da oposição democrata na Câmara dos Representantes e do inquérito do procurador especial Robert Mueller sobre um possível conluio com a Rússia na campanha eleitoral, Trump está cada vez mais isolado.

Se for alvo de um processo de impeachment ou seus filhos forem processados, seu recurso será atacar as instituições e se apresentar como vítima diante da parcela do eleitorado que acredita nele, cerca de 38%. Talvez mais do que o muro para posar durante a campanha para as eleições de 2020 interesse a Trump o conflito em torno do muro.

Há "uma crescente crise humanitária e de segurança nacional na nossa fronteira sul" que afeta a "todos os americanos", "especialmente negros e hispânicos", reduzindo salários e trazendo ameaças como crime, violência e tráfico de drogas, declarou Trump, usando a mesma tática do medo de sua campanha eleitoral.

No momento, tenta chantagear o Congresso. A paralisação das atividades não essenciais do governo federal americano já é a segunda maior da história. Há 19 dias, 800 mil funcionários públicos não recebem salários, não são emitidos cupons de alimentação e cheques de devolução do imposto de renda. Os parques nacionais que estão abertos estão em situação caótica.

"A cada semana", acrescentou o presidente, "300 americanos morrem de dose excessiva de heroína. A maioria entra pela fronteira sul. Nossos agentes de fronteira prenderam nos últimos anos 266 mil  responsáveis por centenas de milhares de crimes."

A maioria dos casos é de entrada ilegal no país e dirigir embriagado. Só seis suspeitos de terrorismo foram detidos na fronteira. A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, falou em 4 mil.

"No ano passado, 20 mil crianças foram trazidas pelos EUA, por culpa de coiotes e gangues de traficantes. As mulheres e as crianças são as maiores vítimas desta trágica realidade que estou determinado a acabar", apelou Trump, subvertendo a realidade. Meses atrás, seu governo separou crianças dos pais na fronteira para desestimular a imigração.

Em verdade, a situação não está se agravando. No governo Bill Clinton, os EUA chegaram a deter 1,6 milhão de pessoas num ano na fronteira sul. Em 2018, foram 396 mil acima das 304 mil detenções de 2017, a menor quantidade em 45 anos.

"Meu governo apresentou ao Congresso uma proposta para proteger a fronteira e impedir o tráfico de pessoas e de drogas. Nossos guardas e agentes pediram esses recursos para proteger a fronteira e tornar os EUA seguros. Isso incluiu tecnologia para detectar drogas, armas e outros contrabandos", prosseguiu.

Finalmente, entrou no que lhe interessa: "Nosso plano incluiu pedido de ajuda humanitária e acabar com furos na lei para que menores e crianças possam ser devolvidos a seus países de origem e US$ 5,7 bilhões pedidos por nossos agentes de segurança para criar uma barreira física. O muro é necessidade. A pedido dos democratas, será uma barreira metálica."

Durante a campanha, Trump prometeu que os mexicanos financiariam a obra. Agora, alega que o México vai pagar indiretamente com o novo acordo de livre comércio da América do Norte: "O muro da fronteira vai se pagar. O senador [e líder democrata] Chuck Schumer defendia o muro antes de eu ser eleito presidente. Agora, negam aos nossos agentes de fronteiras os recursos necessários. O governo federal continua fechado porque os democratas não querem financiar a segurança da fronteira."

Sua estratégia é encurralar a oposição, que desde o início do ano tem maioria na Câmara dos Representantes: "A única solução é que os democratas aceitem financiar. Convoquei as lideranças à Casa Branca amanhã [hoje] para superar divisões políticas e garantir nossa segurança. Por que políticos constroem muros ao redor de suas casas? Porque amam as pessoas que estão dentro, não porque odeiam quem está fora."

Em seguida, citou vários crimes atribuídos a imigrantes ilegais: "Quanto mais sangue americano terá de ser derramado antes que o Congresso tome uma atitude? Todo cidadão deve pressionar o Congresso a proteger nossa fronteira. Este é nosso dever sagrado. Quando cheguei ao poder, jurei defender o povo americano."

A questão poderia ser resolvida rapidamente se Trump aceitasse a proposta do Partido Democrata de proteger os cerca de 800 mil imigrantes que entraram ilegalmente quando era menores de idade, os chamados sonhadores. Mas não agradaria à sua base.

Minutos depois, a oposição democrata respondeu ao presidente, a começar pela nova presidente da Câmara, deputada Nancy Pelosi: "Infelizmente, o presidente escolheu o medo. No primeiro dia deste Congresso, aprovamos lei para reabrir o governo. Não faz sentido gastar bilhões de dólares para construir uma barreira ineficiente."

A oposição democrata alega que o muro é inútil e não será pago pelo novo acordo comercial da América do Norte: "Ele prometeu que o México iria pagar. Ele ameaça manter a paralisação do governo por meses e anos. Podemos usar moderna tecnologia, contratar mais agentes de fronteiras. As mulheres e crianças na fronteira não são um ameaça, são uma crise humanitária. O presidente precisa parar de fabricar uma crise e reabrir o governo."

Nas palavras do líder democrata no Senado, Chuck Schumer, "o presidente dos EUA, não conseguindo fazer o México pagar pelo muro, preferiu fechar o governo para pressionar o Congresso. Ao longo de todo o mandato, o presidente apela para o medo. Não se enganem: republicamos e democratas querem segurança na fronteira."

Como resolver o impasse?, perguntou Schumer. O líder democrata apresentou uma solução simples: "Separando o fechamento da questão de segurança na fronteira. Não há desculpa para ferir os interesses de milhões de americanos. A maioria dos presidentes usa discursos do Salão Oval para chamar a atenção de grandes problemas."

O presidente John Kennedy falou do salão de despachos da Casa Branca para anunciar ao mundo que a União Soviética estava instalando mísseis nucleares em Cuba, em outubro de 1962, na pior crise da era atômica. Trump o faz por mesquinharia.

"Queridos americanos", concluiu o líder democrata, "não há desafio que nossa nação não possa superar. O símbolo dos EUA deve ser a Estátua da Liberdade, não um muro de 30 pés [10 metros] de altura. Sr. Presidente, reabra o governo já."

Amanhã, o presidente que nunca desceu do palanque visita um trecho da barreira já existente na fronteira com o México para continuar sua pregação até agora malsucedida. Cerca de 57% dos americanos são contra a construção do muro, enquanto 38% são a favor. Estes números não mudaram significativamente desde a eleição de Trump.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Bolsa de Nova York sobe mais de mil pontos

Depois de quatro dias de baixa, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, subiu hoje 1.086 pontos (4,98%), sua maior alta diária em pontos e a maior percentualmente desde 2009. Todas as 30 ações do índice operaram em alta, assim como os 11 setores do índice amplo S&P 500 (+4,96%).

Empresas de alta tecnologia como Amazon, Facebook e Netflix ganharam mais de 8%. A bolsa Nasdaq, de empresas de alta tecnologia, avançou ,5,8%.

O barril de petróleo West Texas Intermediate, padrão do mercado americano, subiu 8,7% na Bolsa Mercantil de Nova York. Foi o maior aumento desde 30 de novembro de 2016, para US$ 46,56, depois da atingir na segunda-feira o menor preço em um ano e meio por medo da fraqueza da economia.

Nas quatro sessões anteriores, o Índice Dow Jones havia perdido 1.800 pontos, quase 8%, por temor do mercado de que a maior economia do mundo esteja entrando num período difícil por causa de problemas políticos.

A guerra comercial com a China, a paralisação das atividades não essenciais do governo federal dos EUA, as críticas do presidente Donald Trump ao Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central americano, e a mudança de controle para a oposição na Câmara dos Representantes a partir de 3 de janeiro de 2019 enervaram o mercado.

Para acalmar os investidores, o presidente do Conselho de Conselheiros Econômicos da Casa Branca, Kevin Hassett, declarou que o presidente do Fed, Jerome Powell, está 100% seguro no cargo, apesar dos ataques de Trump. O presidente foi advertido de que seus comentários não ajudam.

Quando a bolsa estava em alta, Trump reivindicava o sucesso para si. Com as baixas frequentes, passou a culpar o Fed.

O Índice Dow Jones caíra 18,8% do pico de outubro até a véspera do Natal. A recuperação de hoje foi feita com volume de negócios menor, por causa das festas de fim de ano. "O rali tirou algum sal das feridas dos investidores, mas amanhã será o dia-chave para sabermos se é sustentável", comentou Stephen Guilfoyle, da empresa Sarge986 LLC.

Apesar da recuperação parcial, os três índices caíram mais de 10% em dezembro e 5% no ano como um todo. O Dow Jones e o S&P 500 começaram o dia à beira do chamado mercado do urso, definido como uma baixa de 20% em relação ao pico mais recente. Com a alta, as perdas são de 14,7% e 15,8%.

Na semana passada, a bolsa Nasdaq foi a primeira dos principais índices a entrar no mercado do urso desde o fim da Grande Recessão (2008-9). Hoje, a queda ficou em 19,2%.

A maioria dos economistas não espera uma recessão em 2019, mas acredita que o ritmo forte deste ano não será repetido. A última estimativa do produto interno bruto do terceiro trimestre indicou um aumento em ritmo anual de 3,4%.

O mercado está de olho no consumo pessoal. De 1º de novembro a 24 de dezembro, as vendas no varejo, excluídos os automóveis, cresceram 5,1% em comparação com o mesmo período no ano passado. Foi o melhor resultado em seis anos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Ex-diretor do FBI desafia republicanos a dizer a verdade sobre Trump

O ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation) James Comey, demitido 9 de maio de 2017 por se negar a acabar com a investigação sobre a influência da Rússia nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, criticou o presidente Donald Trump por atacar a polícia federal americana e desafiou o Partido Republicano a "se erguer e falar a verdade".

"A reputação do FBI sofreu um duro golpe porque o presidente e seus seguidores mentem constantemente a respeito", declarou Comey no final do segundo depoimento a portas fechadas neste mês na Câmara dos Representantes.

O desafio foi a todos os republicanos, não apenas aos membros da Comissão de Justiça, que o entrevistaram, inclusive os senadores Bob Corker e Jeff Flake, que criticaram Trump abertamente e não disputaram a reeleição.

domingo, 18 de novembro de 2018

Deputado democrata quer proibir fuzis de guerra nos EUA

Depois de mais de 300 massacres a tiros nos Estados Unidos neste ano, o deputado democrata Eric Swalwell, eleito na região da Baía de São Francisco, uma das mais progressistas do país, propôs em artigo publicado meses atrás no jornal USA Today a proibição de fuzis de assalto, a compra dos que estiverem em poder da população e o confisco dos que resistirem. Agora, pretende apresentar um projeto de lei nesse sentido.

Sua proposta se inspira na legislação da Austrália para conter a violência com armas de fogo. O deputado e ex-procurador estima o custo em US$ 15 bilhões, mas considera "um investimento em nosso direito mais importante, o direito à vida" para mudar a cultura americana de posse de armas de fogo.

Quando era procurador, Swalwell, conseguiu condenar a 65 anos de prisão Dreshawn Lee. Ele matou por vingança, em Oakland, na Califórnia, em 2009, o segurança Gary Johnson, três meses depois de ser denunciado à polícia por andar com uma arma de cano serrado. Até hoje, a autópsia de Gary o assombra.

Um fuzil de assalto semiautomático é uma arma de guerra. Suas balas atingem uma velocidade três vezes maior do que um tiro de uma pistola de 9 milímetros. Produzem lesões devastadoras em tecidos, órgãos e vasos sanguíneos, provocando hemorragias capazes de matar alvejando qualquer parte do corpo.

Gary não teve a menor chance, observa o deputado, nem as 20 crianças e oito adultos mortos na escola primária Sandy Hook, in Newtown, no estado de Connecticut, em 14 de dezembro de 2012; nem 49 frequentadores da boate Pulse, em Orlando, na Flórida, fuzilados em 12 de junho de 2016; nem os 59 mortos durante um concerto de música sertaneja em Paradise, na Grande Las Vegas, no estado de Nevada, em 1º de outubro de 2017; nem os 17 massacrados na escola secundária Marjorie Stone Douglas, em Parkland, na Flórida, em 14 de fevereiro de 2018; ou as quatro vítimas fatais na lanchonete Waffle House, em Nashville, no Tennessee, em 22 de abril de 2018.

"No entanto, podemos dar a nós mesmos e a nossas crianças a chance que essas vítimas não tiveram. Podemos finalmente agir para tirar armas de guerra de nossas ruas de uma vez por todas", defende o deputado, membro da Comissão de Justiça e da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes.

Salwell quer a proibição total destas armas: "Restabelecer a proibição de armas de guerra que estava em vigor de 1994 a 2004 proibiria a produção e a venda, mas não afetaria a posse das armas já existentes. Isto deixaria milhões de armas de assalto em nossas comunidades por décadas."

Tais armas só poderiam seriam restritas à polícia e a clubes de tiro: "Em vez disso, devemos proibir as armas de assalto militares semiautomáticas, comprar as armas de quem quiser cumprir a lei e processar criminalmente quem quiser desafiar a lei e manter suas armas."

Quando a Suprema Corte reafirmou, em 2008, o direito individual de portar armas para autodefesa garantido pela Segunda Emenda à Constituição dos EUA, argumenta o deputado, o ministro-relator Antonin Scalia declarou que este direito "não é ilimitado" e "não é o direito de possuir e portar qualquer arma, de qualquer maneira e para qualquer propósito".

Desde então, quatro tribunais federais de recursos mantiveram proibições a armas de assalto. "Há muitas outras armas disponíveis para autodefesa" e "o perigo que armas de assalto representam é uma razão legítima para estados e municípios as proibirem", escreveu Salwell.

Na Austrália, depois de um massacre de 35 pessoas com armas semiautomáticas, em abril de 1996, o governo proibiu seu uso e comprou 643.726 armas pelo valor de mercado por US$ 230 milhões pela cotação da época. O custo foi coberto por um imposto temporário de 0,2% do seguro nacional de saúde pública.

Nos EUA, o deputado estima que haja 15 milhões de armas de assalto em poder do público. A US$ 1 mil por fuzil de guerra, seriam necessários US$ 15 bilhões. Como o gasto do governo federal dos EUA é de US$ 4 trilhões por ano, seriam apenas 0,325% do total.

Ao mesmo tempo, os cortes de impostos do governo Donald Trump, que beneficiam sobretudo as grandes empresas e os riscos, devem aumentar a dívida pública em US$ 1,9 trilhão em uma década.

"Considerem isso um investimento para acabar com a carnificina, o sofrimento e a perda", concluiu o deputado. "Resolver nosso problema requer ousadia e vai custar caro, mas o custo de deixar como está será muito maior para nossos bolsos e nossas consciências."