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terça-feira, 17 de agosto de 2021

Hoje na História do Mundo: 17 de Agosto

     Em 1987, o líder nazista Rudolf Hess morre enforcado na prisão de Spandau, em Berlim, na Alemanha, num provável suicídio. É até então o último sobrevivente do círculo íntimo do regime de Adolf Hitler e o único preso em Spandau desde 1966.

    Em 1998, Bill Clinton é o primeiro presidente dos Estados Unidos no exercício do cargo a depor perante um tribunal do júri

Depois de 4 anos de investigações sobre um investimento imobiliário fracassado, o Escândalo de Whitewater ou Whitewatergate, e acusações de assédio sexual,  em que o procurador especial Kenneth Starr descobriu o caso com Monica Lewinsky, estagiária da Casa Branca, Clinton chega ao tribunal, denunciado por perjúrio (mentir sob juramento) e obstrução de justiça.

Após o depoimento, Clinton faz um pronunciamento na televisão. Ele admite que teve uma "relação inapropriada" com Lewinsky e pede desculpas por enganar a mulher e o povo americano, mas nega a obstrução de justiça.

Em 19 de dezembro de 1998, a Câmara dos Representantes denuncia Clinton num processo de impeachment, o que nos EUA exige maioria simples, por perjúrio e obstrução de justiça. É o segundo presidente submetido a julgamento político, depois de Andrew Johnson, em 1868. 

Cinco semanas depois, no julgamento no Senado, Clinton é considerado inocente da acusação de perjúdio com 55 votos a favor e 45 contra. Há um empate de 50-50 na acusação e obstrução de justiça. Ambas exigem maioria de dois terços ou 67 votos para afastar o presidente. Até hoje, nenhum presidente dos EUA foi condenado num processo de impeachment.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

"Trump é racista, escroque e trapaceiro", diz seu ex-advogado

Em depoimento de mais de sete horas à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o ex-advogado particular do presidente Donald Trump durante dez anos, Michael Cohen, atacou duramente o antigo patrão, acusando-o de uma série de crimes e mentiras capazes de servir de base para um processo de impeachment.

"Ele é racista, escroque e trapaceiro", afirmou o advogado, reconhecendo ter cometido crimes para defender o presidente. "Não estou mais protegendo o Sr. Trump."

Entre as mentiras do presidente, Cohen citou os pagamentos a ex-amantes para evitar notícias negativas durante a campanha eleitoral, negócios com a Rússia, o aumento de sua riqueza para impressionar bancos e a ocultação para enganar o imposto de renda.

Trump orientou diretamente seu advogado a pagar a atriz pornô Stormy Daniels para que o dinheiro não pudesse ser rastreado. Cohen fez cópia dos cheques. Foi reembolsado pelo presidente já no exercício do cargo.

O magnata teria inflado seu patrimônio para obter empréstimos do Deutsche Bank e deflacionado para não pagar impostos. "Cite um país governado por um negro que não seja um buraco de merda", mencionou o advogado como exemplo do racismo de Trump. "Ele me disse que os negros nunca votariam nele porque são muito estúpidos."

O presidente teria entrado na campanha para salvar seus negócios, acusou Cohen: "Ele não esperava vencer as eleições primárias. Nunca esperava vencer a eleição. A campanha, para ele, foi sempre uma jogada de marketing. Ele não queria tornar os EUA grandes de novo. Queria valorizar sua marca."

Cohen depôs sob o ataque de deputados do Partido Republicano. Os defensores de Trump lembraram que ele confessou ter mentido sob juramento ao depor no Congresso. O advogado foi condenado por perjúrio, fraudes bancária e fiscal. Daqui a dois meses, começa a cumprir uma pena de três anos de cadeia, reduzida por colaborar com o Ministério Público.

Em dez anos, contou o advogado, Trump o pediu para intimidar pessoas e empresas umas 500 vezes. O presidente, acrescentou, também sabia de contatos de assessores de sua campanha com o WikiLeaks, um sítio especializado em vazar informações confidenciais de empresas, políticos e países, para revelar mensagens de correio eletrônico do Partido Democrata e assim prejudicar a campanha presidencial de Hillary Clinton.

Pouco antes da Convenção Nacional do Partido Democrata, o assessor Roger Stone conversou com Trump no telefone para dizer que havia falado com Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, acusado de piratear documentos sigilosos do Departamento de Estado, relatou o advogado.

"Dentro de alguns dias, vai haver uma derrama maciça de e-mails para prejudicar a campanha de Hillary", teria dito Stone. "Não seria ótimo?", festejou Trump, na versão de seu ex-advogado.

"Sentado aqui hoje, parece inacreditável que eu estivesse tão enfeitiçado por Donald Trump que tenha querido fazer por ele coisas que eu sabia serem totalmente erradas", confessou Cohen. Quando conheceu Trump, via o atual presidente como um "ícone" e um "gigante do setor imobiliário".

Hoje e amanhã, Trump está no Vietnã para o segundo encontro de cúpula com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un. Isso suscitou protestos de deputados, parentes e assessores, alegando que o depoimento enfraquecia o presidente dos EUA no momento de uma negociação internacional importante.

"Você queria trabalhar na Casa Branca e não foi convidado para o baile", ironizou o deputado  Jim Jordan, um dos mais exaltados defensores do presidente. "Não queria", respondeu Cohen. "Michael queria ser chefe da Casa Civil. Virou piada na campanha", retrucou o deputado.

"Você é um mentiroso patológico", disparou o deputado Paul Gosar. "Você está falando de mim ou do presidente?", reagiu Cohen, aconselhando os republicanos a não manchar sua honra para defender um presidente que não merece.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Ex-advogado de Trump é sentenciado a três anos de prisão

Apesar de colaborar com a Justiça, Michael Cohen, o antigo advogado particular do presidente Donald Trump recebeu hoje uma sentença de três anos de prisão e multa de US$ 2 milhões por vários crimes cometidos trabalhando para Trump. O presidente também foi implicado, mas enquanto estiver no poder só pode ser processado num impeachment.

Cohen cometeu fraudes fiscal e bancária, mentiu sob juramento em depoimento do Congresso dos Estados Unidos sobre negócios com a Rússia e comprou o silêncio de duas ex-amantes do presidente para abafar os escândalos durante a campanha eleitoral.

Pela lei de financiamento eleitoral dos EUA, o dinheiro teria de ser declarado como despesa de campanha. Trump dirigiu as negociações com as ex-amantes e também foi implicado pelo Departamento da Justiça. Nos EUA, o presidente não pode ser processado pela Justiça no exercício do cargo, somente pelo Congresso num impeachment.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, Trump alegou que não pode ser afastado num processo de impeachment porque não fez nada de errado. Considerou o fato de 14 assessores terem mantido contatos com a Rússia insignificante.

O advogado fez um apelo emocional ao juiz federal William Pauley, do distrito de Nova York: "Minha fraqueza pode ser caracterizada como lealdade cega a Donald Trump", declarou Cohen diante de um tribunal lotado.

Ele confessou ter mentido ao Congresso quando afirmou que os contatos de Trump com russos para construir uma Trump Tower em Moscou tinham cessado antes do início das eleições primárias para escolha dos candidatos à Casa Branca, em janeiro de 2016.

Para afastar um presidente, a Câmara dos Representantes deve abrir um processamento de impeachment com votos da maioria absoluta dos deputados, com um mínimo de 217 votos. A condenação depende dos votos de dois terços do Senado, 67 votos.

Como o Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara nas eleições de 6 de novembro, pode iniciar o impeachment, mas não deve fazer isso se não houver chance de condenação no Senado, onde os republicanos têm 53 cadeiras e os democratas, 47. É necessária, portanto, o apoio de 20 senadores republicanos.

Diante das evidências crescentes de conluio da campanha de Trump com o governo da Rússia para derrotar a candidata democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, em carta aberta no jornal The Washington Post, 44 ex-senadores dos dois partidos defenderam a necessidade de preservar a Constituição e a democracia nos EUA.

Se não alvo de um impeachment, Trump deve ser processado quando deixar a Casa Branca.