Mostrando postagens com marcador Eric Salwell. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eric Salwell. Mostrar todas as postagens

domingo, 18 de novembro de 2018

Deputado democrata quer proibir fuzis de guerra nos EUA

Depois de mais de 300 massacres a tiros nos Estados Unidos neste ano, o deputado democrata Eric Swalwell, eleito na região da Baía de São Francisco, uma das mais progressistas do país, propôs em artigo publicado meses atrás no jornal USA Today a proibição de fuzis de assalto, a compra dos que estiverem em poder da população e o confisco dos que resistirem. Agora, pretende apresentar um projeto de lei nesse sentido.

Sua proposta se inspira na legislação da Austrália para conter a violência com armas de fogo. O deputado e ex-procurador estima o custo em US$ 15 bilhões, mas considera "um investimento em nosso direito mais importante, o direito à vida" para mudar a cultura americana de posse de armas de fogo.

Quando era procurador, Swalwell, conseguiu condenar a 65 anos de prisão Dreshawn Lee. Ele matou por vingança, em Oakland, na Califórnia, em 2009, o segurança Gary Johnson, três meses depois de ser denunciado à polícia por andar com uma arma de cano serrado. Até hoje, a autópsia de Gary o assombra.

Um fuzil de assalto semiautomático é uma arma de guerra. Suas balas atingem uma velocidade três vezes maior do que um tiro de uma pistola de 9 milímetros. Produzem lesões devastadoras em tecidos, órgãos e vasos sanguíneos, provocando hemorragias capazes de matar alvejando qualquer parte do corpo.

Gary não teve a menor chance, observa o deputado, nem as 20 crianças e oito adultos mortos na escola primária Sandy Hook, in Newtown, no estado de Connecticut, em 14 de dezembro de 2012; nem 49 frequentadores da boate Pulse, em Orlando, na Flórida, fuzilados em 12 de junho de 2016; nem os 59 mortos durante um concerto de música sertaneja em Paradise, na Grande Las Vegas, no estado de Nevada, em 1º de outubro de 2017; nem os 17 massacrados na escola secundária Marjorie Stone Douglas, em Parkland, na Flórida, em 14 de fevereiro de 2018; ou as quatro vítimas fatais na lanchonete Waffle House, em Nashville, no Tennessee, em 22 de abril de 2018.

"No entanto, podemos dar a nós mesmos e a nossas crianças a chance que essas vítimas não tiveram. Podemos finalmente agir para tirar armas de guerra de nossas ruas de uma vez por todas", defende o deputado, membro da Comissão de Justiça e da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes.

Salwell quer a proibição total destas armas: "Restabelecer a proibição de armas de guerra que estava em vigor de 1994 a 2004 proibiria a produção e a venda, mas não afetaria a posse das armas já existentes. Isto deixaria milhões de armas de assalto em nossas comunidades por décadas."

Tais armas só poderiam seriam restritas à polícia e a clubes de tiro: "Em vez disso, devemos proibir as armas de assalto militares semiautomáticas, comprar as armas de quem quiser cumprir a lei e processar criminalmente quem quiser desafiar a lei e manter suas armas."

Quando a Suprema Corte reafirmou, em 2008, o direito individual de portar armas para autodefesa garantido pela Segunda Emenda à Constituição dos EUA, argumenta o deputado, o ministro-relator Antonin Scalia declarou que este direito "não é ilimitado" e "não é o direito de possuir e portar qualquer arma, de qualquer maneira e para qualquer propósito".

Desde então, quatro tribunais federais de recursos mantiveram proibições a armas de assalto. "Há muitas outras armas disponíveis para autodefesa" e "o perigo que armas de assalto representam é uma razão legítima para estados e municípios as proibirem", escreveu Salwell.

Na Austrália, depois de um massacre de 35 pessoas com armas semiautomáticas, em abril de 1996, o governo proibiu seu uso e comprou 643.726 armas pelo valor de mercado por US$ 230 milhões pela cotação da época. O custo foi coberto por um imposto temporário de 0,2% do seguro nacional de saúde pública.

Nos EUA, o deputado estima que haja 15 milhões de armas de assalto em poder do público. A US$ 1 mil por fuzil de guerra, seriam necessários US$ 15 bilhões. Como o gasto do governo federal dos EUA é de US$ 4 trilhões por ano, seriam apenas 0,325% do total.

Ao mesmo tempo, os cortes de impostos do governo Donald Trump, que beneficiam sobretudo as grandes empresas e os riscos, devem aumentar a dívida pública em US$ 1,9 trilhão em uma década.

"Considerem isso um investimento para acabar com a carnificina, o sofrimento e a perda", concluiu o deputado. "Resolver nosso problema requer ousadia e vai custar caro, mas o custo de deixar como está será muito maior para nossos bolsos e nossas consciências."