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domingo, 4 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

  INDEPENDÊNCIA DA BIRMÂNIA

    Em 1948, a Birmânia, o país mais ao norte do Sudeste Asiático, conquista formalmente a independência do Império Britânico, concluindo a transferência de poder negociada em 1947 entre o líder birmanês Aung San e o primeiro-ministro do Reino Unido, Clement Atlee.

A região é habitada desde a pré-história. Desde o primeiro milênio da Era Cristã, é uma rota de passagem entre a China e Índia. Tem uma forte influência da cultura indiana. O budismo chega no século 9 e se torna a religião dominante no século 11.

O Império Mongol conquista o que hoje é a Birmânia do início do século 13 ao fim do século 14.. No século 16, o rei Tabinshweti e o filho conseguem unificar o país com a ajuda dos portugueses. Em 1599, o Reino de Pegu passa a fazer parte do Império Português.

Na dinastia criada por Alaungpaya, o reino de expande para o Oeste e entra em conflito com a Companhia das Índias Ocidentais, que toma Bengala em 1757 a serviço do Império Britânico. Depois das guerras de 1824-26, 1852 e 1885, os britânicos colonizam o país e dão o nome de Birmânia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão domina a Birmânia. Com o fim da guerra, os países do Sudeste Asiático conquistam a independência.

A Birmânia é um país relativamente próspero até 1962, quando o general Ne Win dá um golpe e socializa a maior parte da economia do país, iniciando uma era de domínio dos militares que continua até hoje.

Em 1989, a ditadura militar rebatiza o país como União de Mianmar. Um breve período de redemocratização começa em 2011 sob a liderança de Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência que passa anos em prisão domiciliar e ganha o Prêmio Nobel da Paz em 1991. 

Como conselheira do Estado a partir de 6 de abril de 2016, Suu Kyi chefia o governo como uma espécie de primeira-ministra até o golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, quando ela e o presidente Win Myint são presos. Desde então, Mianmar está em guerra civil, um dos piores conflitos hoje no mundo. No momento, a ditadura realiza eleições numa tentativa de se legitimar.

GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei dos Direitos de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se torna extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidata à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon (1969-74) se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. É a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país, um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e netas, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Nancy Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003. Ela preside a Câmara dos Representantes de 2007-11 e 2019-23.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 2010, o emirado árabe de Dubai inaugura o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, a Torre do Califa, com 828 metros e 160 andares, um projeto de US$ 1,5 bilhão.

O edifício faz parte de um complexo industrial e comercial com área de dois quilômetros quadrados no Centro de Dubai. A obra, realizada pela empresa sul-coreana Samsung Engenharia & Construções, começa em 21 de setembro de 2004. O preço inicial do metro quadrado das salas para escritórios é de US$ 43 mil.

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sábado, 4 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

 INDEPENDÊNCIA DA BIRMÂNIA

    Em 1948, a Birmânia, o país mais ao norte do Sudeste Asiático, conquista formalmente a independência do Império Britânico, concluindo a transferência de poder negociada em 1947 entre o líder birmanês Aung San e o primeiro-ministro do Reino Unido, Clement Atlee.

A região é habitada desde a pré-história. No primeiro milênio da Era Cristã, é uma rota de passagem entre a China e Índia. Tem uma forte influência da cultura indiana. O budismo chega no século 9 e se torna a religião dominante no século 11.

O Império Mongol conquista o que hoje é a Birmânia do início do século 13 ao fim do século 14.. No século 16, o rei Tabinshweti e o filho conseguem unificar o país com a ajuda dos portugueses. Em 1599, o Reino de Pegu passa a fazer parte do Império Português.

Na dinastia criada por Alaungpaya, o reino de expande para o Oeste e entra em conflito com a Companhia das Índias Ocidentais, que toma Bengala em 1757 a serviço do Império Britânico. Depois das guerras de 1824-26, 1852 e 1885, os britânicos colonizam o país e dão o nome de Birmânia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão domina a Birmânia. Com o fim da guerra, os países do Sudeste Asiático conquistam a independência.

A Birmânia é um país relativamente próspero até 1962, quando o general Ne Win e dá um golpe e socializa a maior parte da economia do país, iniciando uma era de domínio dos militares que continua até hoje.

Em 1989, a ditadura militar rebatiza o país como União de Mianmar. Um breve período de redemocratização começa em 2011 sob a liderança de Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência que passa anos em prisão domiciliar e ganha o Prêmio Nobel da Paz em 1991. 

Como conselheira do Estado a partir de 6 de abril de 2016, Suu Kyi chefia o governo como uma espécie de primeira-ministra até o golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, quando ela e o presidente Win Myint são presos. Desde então, Mianmar está em guerra civil, um dos piores conflitos hoje no mundo.

GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei do Direito de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se tornou extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidatou à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon (1969-74) se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. É a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país, um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e neta, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Nancy Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003. Ela preside a Câmara dos Representantes de 2007-11 e 2019-23.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 2010, o emirado árabe de Dubai inaugura o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, a Torre do Califa, com 828 metros e 160 andares, um projeto de US$ 1,5 bilhão.

O edifício faz parte de um complexo industrial e comercial com área de dois quilômetros quadrados no Centro de Dubai. A obra, realizada pela empresa sul-coreana Samsung Engenharia & Construções, começa em 21 de setembro de 2004. O preço inicial do metro quadrado das salas para escritórios é de US$ 43 mil.

domingo, 17 de dezembro de 2023

CoP-28 têm avanços importantes mas insuficientes

 Pela primeira vez, uma conferência das Nações Unidas sobre o aquecimento global anunciou uma transição energética dos combustíveis fósseis para fontes renováveis. 

A 28º Conferência das Partes da Convenção Quadro sobre Mudança do Clima (CoP-28), encerrada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na semana passada também criou o Fundo de Perdas e Danos para indenizar países atingidos por catástrofes climáticas, prometeu triplicar a geração de energia por fontes renováveis até 2030 e reduzir as emissões de gases carbônicos na produção de alimentos.

Por outro lado, não houve o esperado anúncio do fim da era dos combustíveis fósseis, a linguagem a respeito é vaga, a quantia prometida para o Fundo de Perdas e Danos é irrisória diante dos trilhões de dólares para subsidiar combustíveis fósseis e não há qualquer sanção aos países que não cumprirem suas próprias metas voluntárias de redução de emissões.

A CoP-28, realizada no sétimo maior produtor e sexto maior exportador de petróleo, foi fortemente influenciada pela indústria petrolífera. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) exigiu que seus países-membros rejeitassem a proposta de "eliminação gradual" dos combustíveis fósseis (carvão, gás e petróleo), os grandes vilões do aquecimento global.

Com a maior floresta tropical do planeta, uma matriz energética bastante limpa e grande potencial para as energias solar e eólica, o Brasil tem tudo para ser uma grande potência ambiental. Mas o ingresso na OPEP+ e a provável exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas renderam o inglório prêmio de Fóssil do Dia em 4 de dezembro. Meu comentário:

domingo, 3 de outubro de 2021

Papéis de Pandora revelam fortunas de políticos escondidas em paraísos fiscais

Ministro da Economia e presidente do Banco Central são citados

Mais de 330 dirigentes políticos de 91 países têm fortunas em paraísos fiscais, revelou o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) no escândalo dos Pandora Papers (Papéis de Pandora), de corrupção e evasão fiscal.

Entre eles, há 35 chefes e ex-chefes de Estado e de governo, do rei Abdala II, da Jordânia, ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, nove presidentes e quatro primeiros-ministros no exercício do cargo, inclusive o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e 130 bilionários e celebridades como Ringo Starr, Elton John e Shakira. 

Não é crime ter conta no exterior declarada à Receita Federal e ao Banco Central, como é o caso dos brasileiros. Seria no mínimo antiético num país que gasta mais do que arrecada, vive em desequilíbrio fiscal e onde os mais ricos pagam menos impostos proporcionalmente. Para servidores públicos, é proibido.

Em 2014, às vésperas da reeleição da presidente Dilma Rousseff, o atual ministro da Economia criou uma empresa offshore de US$ 9,5 milhões (R$ 23 milhões pelo câmbio da época, R$ 51 milhões pelo atual). Mesmo após assumir o cargo, Guedes continuou no controle direto. Até 28 de setembro de 2021, a Dreadnoughts International estava ativa com o ministro como sócio controlador, informou a revista piauí, que fez parte da investigação.

Guedes e Campos Neto declararam ter informado a Comissão de Ética Pública antes de assumir o governo e disseram que se afastaram das empresas antes de tomar posse em cargos públicos. A comissão só examinou a situação do ministro dois anos e meio depois. Não viu nenhum problema, não fez nenhuma recomendação e encerrou o caso.

A oposição pediu ao Ministério Público Federal que investigue possíveis conflitos de interesses e vai convocar os dois para dar explicações ao Congresso.

Durante um ano, o consórcio e 615 jornalistas de 117 países e 149 meios de comunicação, entre eles os jornais Th Guardian, Le Monde e The Washington Post, a revista Piauí e os jornais digitais Metrópoles e Poder 360 no Brasil, examinaram 11,9 milhões de documentos confidenciais enviados por uma fonte anônima, vazados de 14 escritórios de advocacia especializados na criação de empresas de fachada em paraísos fiscais como Cingapura, Dubai, Ilhas Cayman, Ilhas Seicheles, Ilhas Virgens Britânicas, Mônaco e Panamá.

Cinco anos depois da revelação dos Panama Papers (Papéis do Panamá), a investigação mostra a dimensão das manobras de sociedades anônimas, dirigentes políticos e bilionários para fugir do fisco. Mesmo que seja tudo feito dentro da lei, é um privilégio inaceitável a que a maioria da população não tem acesso. 

LISTÃO

A nova lista é longa. Além de Abdalla II, Blair, Guedes e Campos Neto, e do primeiro-ministro tcheco, Andrej Babis, fazem parte amigos do ditador da Rússia, Vladimir Putin, e os presidentes do Azerbaijão, Ilham Aliev; do Chile, Sebastián Piñera; de Chipre, Nicos Anastasiades; do Congo, Denis Sassou-Nguesso; do Equador, Guillermo Lasso; do Gabão, Ali Bongo; de Montenegro, Milo Djukanovic; do Quênia, Uhuru Kenyatta; e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

O rei da Jordânia tem um verdadeiro império imobiliário até agora desconhecido do público. Tem 14 residências de luxo nos Estados Unidos e no Reino Unido com um valor total estimado em US$ 106 milhões (R$ 569 milhões). Sua última aquisição foi uma mansão de frente para o mar em Malibu, na Califórnia.

Para esconder sua fortuna, Abdala II teve a ajuda de um escritório de contabilidade britânico que criou 30 empresas de fachada nas Ilhas Virgens Britânicas e no Panamá. Ao consórcio de jornalistas, seus advogados declararam que tudo foi comprado com o dinheiro do rei, que pela lei jordaniana é isento de pagar impostos. 

As contas offshore seriam mantidas por "razões legítimas de segurança e confidencialidade". Se um dia for deposto e não perder a cabeça, Abdala tem para onde fugir.

Quando conquistou a liderança do Partido Trabalhista, em 1994, Tony Blair prometeu uma reforma fiscal para enquadrar os magnatas que depositam seu dinheiro em paraísos fiscais para não pagar impostos que o cidadão comum é obrigado a pagar.

Ao comprar uma casa numa zona nobre de Londres por 6,25 milhões de libras (R$ 45,45 milhões), o cidadão Blair pagaria 340 mil libras de imposto (R$ 2,472 milhões), mas a casa estava em nome de uma empresa offshore de um ministro do Bahrein, Zayed ben Rachid al-Zayani. 

O casal Blair comprou a empresa e a propriedade da casa veio junto. Para as autoridades fiscais britânicas, a proprietária continua sendo a mesma empresa. Não foi pago imposto de transmissão.

Sexto homem mais rico da República Tcheca, Andrej Babis, primeiro-ministro desde 2017, é dono do Château Bigaud, um castelo de dois andares com sala de jogos com mesa de bilhar, cinema, sauna e duas piscinas cercada de uma grande área nas colinas de Mougins, nos Alpes Marítimos, na Riviera Francesa. Comprou em 2009 por 14 milhões de euros (R$ 87,16 milhões) através de paraísos fiscais.

Babis tinha ali perto um restaurante estrelado que fechou em 2019 e uma propriedade de 40 mil metros quadrados não declarada em nome de empresas de fachada. Ele declarou que "todas as transações foram perfeitamente legais".

LAVANDERIA

Um dos menores países da União Europeia (UE), Chipre é notório pela falta de transparência do seu sistema financeiro, onde as máfias da Rússia lavam seu dinheiro. Antes de se tornar presidente, Nicos Anastesiades era dono de um escritório de advocacia ligado a empresas offshore envolvido no escândalo de lavagem de dinheiro do advogado russo Serguei Magnitsky e na Troika Laundromat (Lavagem Automática Troika), um gigantesco esquema para tirar dinheiro da Rússia.

Em teoria, Anastasiades deixou a empresa para ser presidente. Na prática, suas duas filhas estão lá e ele tem um escritório na sede da empresa.

Durante 20 anos, Denis Sassou-Nguesso, ditador da República do Congo, o antigo Congo Francês, desde 1997, teve uma empresa offshore, a Inter African Investment, com conta em Londres no Banco Espírito Santo, de Portugal.

Através do escritório de advocacia Mossack Fonseca, que estava no centro do escândalo dos Papéis do Panamá, Sassou-Nguesso fundou uma empresa ultrassecreta, a Ecoplan Finance, onde sua filha é uma diretora. 

A Ecoplan é acionista majoritária de Escom Congo, uma empresa da construção civil que detém direitos de exploração de minas de diamantes, com faturamento anual de 150 milhões de euros (R$ 934 milhões). As empresas offshore de Sassou-Nguesso foram dissolvidas depois do escândalo dos Panama Papers.

Volodymyr Zelensky era comediante, ator e diretor de cinema antes de se eleger presidente da Ucrânia denunciando a corrupção dos oligarcas, mas tinha uma empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas ligada à indústria cinematográfica. Antes da eleição, em 2019, transferiu 25% para um amigo que é um assessor direto. Não comentou a notícia.

DINASTIAS

A família Aliev, que governa o Azerbaijão de pai para filho, tem imóveis em Londres no valor de 86 milhões de libras (R$ 625 milhões).

Outra dinastia abastada é a família do presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, filho do líder da independência e primeiro presidente, Jomo Kenyatta, dona de uma fundação secreta com mais de US$ 30 milhões (R$ 161 milhões) no Panamá.

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, tem uma conta secreta nos EUA em nome de uma empresa panamenha e um fundo em Dakota do Sul, nos EUA.

De acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2020, havia pelo menos US$ 11,2 trilhões (R$ 60 trilhões) em paraísos fiscais, que os protegem dos impostos, das leis e da Justiça dos países de origem do dinheiro.

No sistema capitalista, os paraísos fiscais são considerados parte da paisagem, mas houve uma ação depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Não só as multinacionais, políticos, multimilionários e bilionários usam este mundo opaco e dissimulado. O crime organizado, as máfias e os terroristas também lavam dinheiro.

Desde 2013, houve 12 vazamentos de documentos sobre escândalos ligados a paraísos fiscais.  Eles existem e sobrevivem porque há uma rede de empresas, escritórios de advocacia, bancos e corretoras de valores. "O sistema se perpetua com uma concorrência para o mínimo em matéria de transparência", observa o jornal Le Monde.

NOVOS ELDORADOS

Os Pandora Papers mostram o surgimento de novos paraísos fiscais. Enquanto as ilhas do Mar do Caribe foram enquadradas pela OCDE, pequenos países poderosos com grandes centros financeiros como Cingapura e os Emirados Árabes Unidos e territórios ligados a grandes potências, Hong Kong na China, Chipre na UE e o estado de Dakota do Sul, nos EUA, são os novos eldorados. Contam com maior tolerância.

Dubai é o exemplo mais radiante desses eldorados, com sua arquitetura monumental, centro financeiro hipermoderno, num modelo econômico criado e defendido pelas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. Mas o que chama mais a atenção é Dakota do Sul. 

Enquanto combatem os paraísos fiscais no exterior, os EUA toleram a existência de zonas livres de impostos com pouca transparência também em Delaware, o estado do presidente Joe Biden, Nevada e Wyoming

Dakota do Sul, um pequeno estado conservador do Meio-Oeste, permite s criação de trustes com garantia de anonimato. Num contrato de truste, quem instituiu passa um bem de sua propriedade a outra pessoa, um trustee, que deve cumprir a finalidade determinada pelo instituidor. É uma maneira de um rico se livrar de partes seu patrimônio no papel transferindo para pessoas de confiança. Pode ser uma forma de ocultar patrimônio.

Num mundo com dívidas públicas inchadas para fazer frente à pandemia e uma desigualdade social crescente agravada pela doença do coronavírus, os paraísos fiscais são um desafio para aumentar a carga fiscal dos mais ricos.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Piratas da Somália sequestram navio indiano

Os piratas da Somália sequestraram um pequeno navio comercial com bandeira da Índia há dois dias, revelaram hoje fontes do setor de segurança da navegação, citados pela agência de notícias Reuters. O barco saiu de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e foi tomado no mar da região do Chifre da África.

Com seus 12 tripulantes, o navio foi levado para o porto de Eil, situado na região autônoma somaliana da Puntlândia. Os piratas atacam com frequência pequenas embarcações, mas ganham muito pouco com isso em comparação com os resgates que pedem por grandes navios.

Em 14 de março, os piratas somalianos tomaram um petroleiro no primeiro sequestro de um grande navio desde 2012. Sob pressão internacional e ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos, o governo da Puntlândia mandou suas forças libertar os reféns e liberar o navio-tanque.

A Somália vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991. Em 1992, o então presidente George H. W. Bush mandou os militares americanos distribuir comida para a população faminta.

No ano seguinte, o presidente Bill Clinton decidiu atacar o senhor da guerra Mohamed Farah Aidid, que dominava a capital Mogadíscio, sem ter força militar suficiente. Pelo menos 18 americanos foram mortos e alguns arrastados pelas ruas como troféus de guerra na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esse fracasso levou Clinton a não intervir durante o genocídio em Ruanda, de abril a junho de 1994, quando pelo menos 800 mil pessoas foram mortas. O ex-presidente considera a omissão diante do genocídio seu maior erro.

Como a Somália continua em estado de anarquia, com um governo reconhecido internacionalmente que só controla uma pequena parte do país e é sustentado por uma força da União Africana, é possível que meninos que Bush salvou da fome estejam hoje pirateando navios no Golfo de Áden, no Mar da Arábia e no Oceano Índico.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Polícia de Dubai vai usar óculos do Google

A polícia de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, vai equipar seus detetives com óculos do Google com tecnologia de reconhecimento facial para identificar criminosos e suspeitos, informa a agência de notícias Reuters.

O artefato tem um computador montado numa armação de óculos. Com programas desenvolvidos pela polícia de Dubai, permite tirar fotos, gravar vídeos, emitir sons e conectar o agente com um banco de dados de procurados pela polícia. Também servirá para combater violações das leis do trânsito e seguir veículos suspeitos.

Nos Estados Unidos, os Google Glasses saem por US$ 1,5 mil.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Talebã abrem escritório para negociar com os EUA

A milícia fundamentalista dos Talebã, que impôs uma ditadura islâmica ao Afeganistão de 1996 a 2001,  abriu um escritório no Catar para negociar a paz com os Estados Unidos e o presidente afegão, Hamid Karzai.

As negociações com os EUA, suspensas há um ano, serão retomadas amanhã.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Produção industrial da zona do euro cai

produção industrial da Eurozona caiu 0,6% em outubro, depois de subir 0,2% em setembro. Em um ano, registra queda de 11,1%.

Outros destaques econômicos do dia:

• A confiança do empresariado japonês aumenta, mas a perspectiva ainda é negativa, o que significa fraco investimento.


• O Citibank vai pagar US$ 20 bilhões ao Tesouro para tentar reduzir a influência do governo.

• Os aeronautas da British Airways aprovaram uma greve de 12 dias, iniciando em 22 de dezembro, para forçar a empresa a rever demissões.

• A Toyota pretende iniciar a venda em massa de carros elétricos em dois anos.

• A ajuda a Dubai animou os investidores da Ásia e da Europa.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

EAU apoiam bancos mas não Dubai diretamente

O banco central dos Emirados Árabes Unidos ofereceu dinheiro aos bancos locais, caso eles necessitem, mas não fez nenhuma oferta especial para o emirado de Dubai.

Na quarta-feira, o Dubai World, principal fundo de investimentos do emirado, pediu moratória de seis meses de uma dívida de US$ 59 bilhões, assustando os mercados financeiros, que temem uma volta da crise do ano passado.

Essa atitude fria e distante indica uma irritação das autoridades federais dos EAU com o emirado de Dubai, um dos sete principados que formam o país. Nem o governo federal, nem os detentores dos bônus da dívida e mesmo alguns diretores da Dubai World não sabiam da incapacidade de pagar.

O governo federal dos EAU, que fica em Abu Dhabi, deu empréstimos de US$ 10 bilhões no início do ano. Agora, ainda não se mexeu.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Moratória de Dubai abala mercados financeiros

O fundo estatal de investimentos Dubai World, do principado árabe de Dubai, um dos sete que formam os Emiradores Árabes Unidos, pediu uma moratória de seis meses no pagamento de suas dívidas de US$ 59 bilhões, a maior desde o colapso da dolarização na Argentina, em 2001.

Outros destaques econômicos do dia:
• A confederação empresarial Business Europe se junta às pressões para que a China valorize sua moeda.

• A França espera crescer 0,3% no último trimestre do ano, fechando 2009 com uma queda no PIB de 2,2%. Para 2010, a expectativa é de expansão de 0,75%.

• O governo britânico vai exigir que os bancos revelem os nomes de todos os funcionários que ganham mais de um milhão de libras por ano. Os bônus deveriam ser pagos com um atraso de três para que se possa avaliar se os investimentos foram corretos.

• O alho bateu o ouro, as ações e os imóveis como ativo que mais se valorizou neste ano na China.

• O Banco de Alimentos de Nova York diz que 3,3 milhões, 40% dos habitantes da cidade, tiveram problemas para comprar comida neste ano. Em Los Angeles, milhares de sem-teto fizeram fila para receberem de graça uma refeição para festejar o Dia Nacional de Ação de Graças.

• O dólar atinge a cotação mais baixa em relação ao iene em 14 anos, abaixo de 87 ienes por dólar
.
• A maioria das bolsas da Ásia caiu, com a valorização do iene prejudicando as exportações japonesas.

• Na Europa, foi um dia de queda.

• NY não abriu por causa do feriado do Dia Nacional de Ação de Graças.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Sarkozy faz diplomacia nuclear

O presidente Nicolas Sarkozy está aproveitando a grande experiência francesa de geração de eletricidade a partir da energia nuclear para projetar o poderio da França no Oriente Médio.

Durante viagem ao Egito, à Jordânia e a países da região do Golfo Pérsico, Sarkozy pretende oferecer colaboração para criar a estrutura técnica, regulatória e jurídica para administrar um programa atômico para fins pacíficos. A França tira a maior parte de sua eletricidade da energia nuclear.

Em Abu Dhabi, Catar, Dubai, Egito e Jordânia, o presidente Sarkozy vai oferecer os serviços nucleares da França. Desde que chegou ao Palácio do Eliseu, em maio passado, ele fez acordos semelhantes com Marrocos, Argélia e Líbia.

Na opinião do jornal inglês Financial Times, "a proposta de colaboração para uso civil da energia nuclear e, a longo prazo, para o funcionamento de usinas atômicas é um dos métodos favoritos do Sr. Sarkozy para projetar a influência da França ao redor do mundo, especialmente em países muçulmanos."