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sábado, 14 de junho de 2008

Juiz que prendeu Pinochet enfrenta máfia russa

O juiz de instrução Baltasar Garzón prorrogou a prisão de Guennadios Petrov, descrito pela Procuradoria Anticorrupção da Espanha como um "dirigente qualificado" de uma das máfias russas mais importantes do mundo.

Garzón foi à cidade de Málaga interrogar os detidos na Operação Troika contra as máfias russas em atividade na Espanha, lançada na na sexta-feira, 13 de junho de 2008, quando foram presos pelo menos 20 suspeitos.

A gangue desbaratada na Espanha é considerada a quarta maior do mundo. Os suspeitos têm antecedentes em toda a Europa por assassinato, extorsão, tráfico de armas e drogas, associação ilícita, corrupção, tráfico de influência, contrabando de cobalto e de tabaco, intimidação e lavagem de dinheiro.

Em 1998, quando o ex-ditador chileno Augusto Pinochet foi pela primeira vez à Inglaterra sem a imunidade que tinha como comandante do Exército do Chile, havia um mandado de prisão contra ele expedido pelo juiz Garzón, por diversos crimes contra os direitos humanos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Sérvio suspeito de crimes de guerra é preso

O ex-chefe de polícia sérvio em Banja Luka, na Bósnia-Herzegovina, Stojan Zupljanin, foi preso pela Sérvia e será enviado para o Tribunal das Nações Unidas para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia, em Haia, na Holanda, para responder por crimes contra a humanidade e violação das leis de guerra.

A prisão de suspeitos de crimes de guerra é uma das condições para a adesão da Sérvia à União Européia.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Mortalidade por cocaína cresce no Reino Unido

A queda no preço da cocaína nos últimos 15 anos aumentou o consumo da droga e o número de mortes provocadas por ela no Reino Unido, revela um estudo do professor Fabrizio Schifano, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, publicada no Journal of Psychopharmcology.

Pelo menos 1.022 mortes foram atribuídas ao uso de cocaína no país de 1990 a 2004, bem menos do que as cerca de 2 mil mortes registradas em média por ano nos Estados Unidos, maior consumidor mundial.

"O fato de mais gente experimentar a droga é motivo para séria preocupação", declarou o professor Schifano. "A maior disponibilidade de cocaína significa que mais usuários podem entrar num padrão de consumo crônico. Se mais pessoas usarem a droga, mais gente vai morrer por causa disso."

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Condutores de trem ganham 11% na Alemanha

Os condutores de trens da Alemanha conseguiram um aumento de 11% nas negociações com a empresa ferroviária estatal Deutsche Bahn. É um indicador das grandes pressões por aumento de salários esperadas este ano na maior economia da Europa.

Agora, o público espera o fim das greves que prejudicaram o sistema de transportes ferroviários alemão nos últimos 10 meses. Mas Margret Suckale, chefe de pessoal da empresa considerou o aumento excessivo, além do que seria "razoável economicamente".

Na semana passada, o sindicato dos funcionários públicos pediu 8%. Os médicos do setor público iniciaram negociações salariais ontem querendo 10%.

O Banco Central da Europa adverte para o efeito inflacionário dos aumentos de salários acima da inflação, que está em pouco acima de 3% ao ano. Mas os sindicatos aproveitam a boa situação econômica do momento. Com o aperto de crédito, pode não durar o ano inteiro.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Sarkozy faz diplomacia nuclear

O presidente Nicolas Sarkozy está aproveitando a grande experiência francesa de geração de eletricidade a partir da energia nuclear para projetar o poderio da França no Oriente Médio.

Durante viagem ao Egito, à Jordânia e a países da região do Golfo Pérsico, Sarkozy pretende oferecer colaboração para criar a estrutura técnica, regulatória e jurídica para administrar um programa atômico para fins pacíficos. A França tira a maior parte de sua eletricidade da energia nuclear.

Em Abu Dhabi, Catar, Dubai, Egito e Jordânia, o presidente Sarkozy vai oferecer os serviços nucleares da França. Desde que chegou ao Palácio do Eliseu, em maio passado, ele fez acordos semelhantes com Marrocos, Argélia e Líbia.

Na opinião do jornal inglês Financial Times, "a proposta de colaboração para uso civil da energia nuclear e, a longo prazo, para o funcionamento de usinas atômicas é um dos métodos favoritos do Sr. Sarkozy para projetar a influência da França ao redor do mundo, especialmente em países muçulmanos."

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Países da UE assinam Tratado de Lisboa

Os 27 países-membros da União Européia assinaram nesta quinta-feira, 13 de dezembro, o Tratado de Lisboa, que substitui a Constituição da Europa, rejeitada em 2005 em plebiscitos na França e na Holanda. Como as mudanças são poucas em relação ao texto rejeito, haverá protesto dos eurocéticos.

O novo tratado entra em vigor em 1º de janeiro de 2008 e incorpora os tratados constitutivos da UE desde o Tratado de Roma, firmado em 1957 por seis países europeus: Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo. É considerado importante para evitar a paralisia administrativa da UE, que nos últimos 50 anos cresceu de seis para 27 países-membros, com as adesões de Áustria, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, Grécia, Hungria, Irlanda, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia.

As principais mudanças do Tratado de Lisboa são:
- Desaparece a palavra Constituição.
- Não há referência aos símbolos da UE, mas eles continuam: a bandeira azul com 12 estrelas amarelas; o Hino da Europa, a Ode à Alegria, último movimento da 9ª Sinfonia de Beethoven; o lema: a " União na diversidade; e a menção de que "o euro é a moeda da União.
- Na terceira parte do tratado, que define as políticas e o funcionamento da UE, caem os textos do projeto constitucional sobre mercado interno, concorrência, agricultura, união monetária, cooperação policial e judiciária, sendo substituídos pelos dos tratados preexistentes.
- No artigo sobre concorrência, foi acrescentada, a pedido da França, a frase "a União contribui para a proteção de seus cidadãos".
- Ampliam-se as decisões por maioria qualificada, especialmente em cooperação policial e questões penais.
- Amplia-se a competência do Parlamento Europeu, que conquista o direito de legislar, ao lado do Conselho de Ministros.
- Delimita-se a divisão de competências entre a União e os países-membros: união aduaneira, comércio e política monetária são de competência da União; política social, mercado interno, energia e pesquisa são responsabilidades compartilhadas com os países-membros.
_ O direito de inciativa cidadã vai permitir o encaminhamento de petições assinadas por pelo menos um milhão de europeus à Comissão Européia, órgão executivo da UE.
- Faz referências ao à herança cultural, religiosa e humanista da Europa.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

China alerta para risco do dólar fraco

O governo da China juntou-se ao coro dos descontentes com a desvalorização do dólar. Dos US$ 1,43 trilhão que a China acumulou em reservas, estima-se que cerca de US$ 1 trilhão estejam em dólares. Qualquer movimento de venda do governo chinês teria um impacto devastador sobre a moeda americana, a mais usada no mundo inteiro como reserva de valor.

"Nunca sofremos uma pressão tão grande", admitiu o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em palestra para empresários e executivos em Cingapura. "Estamos preocupados com a preservação do valor das nossas reservas".

No fim de semana, durante uma reunião de cúpula da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do irã, Mahmoud Ahmadinejad, defenderam que as exportações de petróleo passem a ser negociadas em euros.

Desde o início do ano, o dólar perdeu 11% do valor em relação ao euro e 16% em relação a um conjunto de moedas.

O governo George W. Bush afirma ser o maior interessado num dólar forte. Na prática, faz uma política de negligência benigna. Deixa a moeda cair na esperança de que isso ajuda a reduzir o déficit comercial americano, de cerca de US$ 800 bilhões no ano passado.

Para o presidente do banco central da China, Zhou Xiaochuan, Beijim vê em um dólar forte a garantia de uma solução ordeira da recente instabilidade nos mercados financeiros causada pelo calote nos pagamentos da casa própria por tomadores de segunda linha nos EUA. "Queremos um dólar forte", afirmou Zhou. "Apoiamos um dólar forte.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Transportes param na França sem apoio popular

Os trabalhadores nos transportes públicos da França começaram ontem às 20h em Paris (17h em Brasília) uma nova paralisação, em protesto contra a extinção das aposentadorias especiais, uma promessa de campanha do presidente Nicolas Sarkozy.

Uma pesquisa publicada no jornal conservador Le Figaro indica que 70% dos franceses são contra a greve. Para Le Monde, "os sindicatos temem perder a batalha da opinião pública".

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O Império contra-ataca?

Muito pobre o argumento do prof. José Luís Fiori em Eleições e escolhas estratégicas (Valor, 7/11/2007) afirmando que “a nova doutrina estratégica, de tipo imperial”, dos Estados Unidos teria sido formulada pelo presidente George Herbert Walker Bush, pai do atual presidente americano, nada tendo a ver com o Bush atual e os atentados de 11 de setembro de 2001.

Já em 1990, Bush, pai, teria adotado “uma política internacional preventiva de contenção universal para impedir o aparecimento de novas potências capazes de rivalizar com os americanos depois do desaparecimento da União Soviética”.

Há um equívoco fundamental nesta alegação. Ela ignora um princípio básico das relações internacionais que vem desde a Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta, na Grécia Antiga: toda potência dominante tenta manter seu diferencial de poder em relação às outras. É da natureza humana que pessoas, empresas ou países que estejam numa posição superior usem seu poder para se manter no topo.

Foi por isso que os EUA ameaçaram invadir Cuba e provocar uma guerra nuclear quando descobriram mísseis soviéticos na ilha, em 14 de outubro de 1962. Os americanos haviam sido surpreendidos pelo vôo espacial do Sputnik, em 4 de outubro de 1957, que mostra que os soviéticos poderiam levar uma bomba atômica ao território americano sem usar aviões que pudessem ser abatidos no caminho.

Com os mísseis em Cuba, a URSS teria condições de lançar um primeiro ataque, neutralizando a superioridade que os EUA haviam conquistado, já em 1962, em mísseis nucleares estratégicos, aqueles capazes de atingir o território inimigo.

GUERRA NAS ESTRELAS
Da mesma forma, por que o presidente Ronald Reagan (1981-89) gastou US$ 2 trilhões em armas e lançou a Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecida como Guerra nas Estrelas? Para pressionar a URSS, que não tinha mais recursos econômicos e tecnológicos para competir com os EUA.

Se o escudo antimísseis que Bush, filho, tenta implantar agora, sob protesto da Rússia, que acaba de denunciar o Tratado sobre Forças Convencionais na Europa, um dos marcos do fim da Guerra Fria, para reafirmar seu poder imperial, os EUA teriam uma clara superiodade estratégica.

Outro argumento duplamento falacioso é que o bombardeio “teleguiado” a Bagdá na primeira Guerra do Golfo, em 1991, teve papel semelhante ao bombardeio a Hiroxima e Nagasaque em 1945, ao apresentar ao mundo “o novo arsenal e a nova estratégia americana”, definindo “uma nova hierarquia de poder dentro do sistema internacional depois do fim da Guerra Fria”.

Em primeiro lugar, o Iraque foi atacado por ter invadido e anexado o Kuwait, na primeira vez em que um país-membro das Nações Unidas declarou que outro não tinha o direito a uma existência independente, numa guerra de conquista proibida pela Carta da ONU. Quem começou a guerra foi Saddam Hussein, não os EUA.

Os EUA, ainda traumatizados pela derrota no Vietnã, adotaram na época a Doutrina Colin Powell: para limitar a duração da guerra e evitar a morte de soldados americanos, usaram de força máxima, com a exceção de armas nucleares.

Bush, pai, estava mais preocupados com as conseqüências da guerra para sua reeleição do que em comprovar uma superioridade militar incontestável depois do colapso do comunismo.

Em segundo lugar, as bombas de Hiroxima e Nagasaque tiveram como objetivo central forçar a rendição incondicional do Japão, que atacaram a frota americana em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941.

Os EUA não estavam dispostos a aceitar nada além da rendição incondicional do Japão e quem viu os filmes recentes sobre a Batalha de Ivo Jima pode imaginar o custo em vidas americanas de uma invasão do Japão. Mas é mais fácil, num raciocínio simplista e antiamericano, sustentar que tudo não passou de uma demonstração de força.

GLOBALIZAÇÃO
É fácil falar em “utopia da globalização, com sua crença no fim das fronteiras, da guerra e da própria história”. Mas não passa de uma grosseira generalização. Alguém ouviu falar no fim das fronteiras dos EUA?

Bill Clinton (1993-2001) teria levado à frente a doutrina estratégia que Fiori atribui a Bush, pai, apesar da retórica liberal e multilateralista”, quando na verdade é o que toda grande potência tenta fazer desde Atenas e Esparta: manter-se no topo.

Para Clinton, o multilateralismo é a melhor maneira de servir os interesses americanos. Não há nenhum altruísmo nisso. Para Bush, filho, e os conservadores do Partido Republicano, o multilateralismo manietava a política externa americana.

Em seguida, Fiori afirma que, nos oito anos de governo Clinton, os EUA fizeram inúmeras intervenções militares ao redor do mundo”. Onde? Para a Somália, foi o pai de Bush que mandou tropas por razões humanitárias, sem armamento suficiente para se defender dos senhores da guerra somalianos. Os EUA não intervieram no genocídio em Ruanda e só entraram nas guerras que destruíram a antiga Iugoslávia pela absoluta incapacidade da União Européia de resolver a questão.

Na visão de Bush, pai, as guerras nos Bálcãs eram um problema europeu que poderia atrapalhar sua reeleição. Deveria ser resolvido pela UE, que fracassou no primeiro teste da política externa e de segurança comum aprovada no Tratado de Maastricht, em 1991.

Clinton também hesitou em se envolver. Só usou a Otan para romper o bloqueio sérvio a Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, depois de incontáveis massacres e acordos de cessar-fogo violados. A intervenção foi muito mais uma reação do que uma iniciativa dos Estados Unidos.

Fiori diz que foi “um movimento de ocupação que começou pelo Báltico, atravessou a Europa Central, Ucrânia e a Bielorrússia”, e teria chegado até o Paquistão, como se o Paquistão não tivesse sido um dos principais aliados dos EUA no fim da Guerra Fria, especialmente no apoio aos guerrilheiros muçulmanos que fizeram do Afeganistão o Vietnã da Rússia.

A Bielorrússia é a última ditadura stalinista na Europa. Não entrou para a órbita americana. Na Ucrânia, houve uma revolução democrática em 2004, com o apoio da Europa e dos EUA.

Os países bálticos e da Europa Central, historicamente espremidos entre a Alemanha e a Rússia ou União Soviética recorreram aos EUA para proteger sua independência reconquistada. É óbvio que isso era de interesse dos EUA, mas também dos pequenos países interessados na aliança com os EUA, como vimos no apoio que deram à guerra no Iraque.

O autor cita 750 bases e meio milhão de soldados americanos no exterior. Mas o contingente total das Forças Armadas dos EUA diminuiu na era pós-Guerra Fria. Atolados no Iraque, no momento, os EUA teriam dificuldades de travar uma nova guerra regional. Tem problemas mesmo para manter os atuais 160 mil soldados que têm no Iraque até o final do governo Bush, mesmo que os últimos dados sobre o número de mortos sugiram que o reforço ordenado no início do ano está dando resultado.

FIM DA HEGEMONIA
As dificuldades no Iraque e no Afeganistão não são um sinal do fim da hegemonia americana. Essa hegemonia acabou quando o presidente Richard Nixon (1969-74) acabou com o padrão-dólar para deixar o dólar flutuar. Desde então, em questões econômicas, os EUA são obrigados a negociar com a Europa e o Japão, e mais recentemente também com a China.

Houve até uma imagem simbólica, de Bush, pai, desmaiando no colo dos japoneses em 1991. A adesão dos EUA ao regionalismo econômico, ao assinarem um acordo de livre comércio com o Canadá, em 1988, foi outro sinal do fim da hegemonia americana. Uma potência hegemônica quer negociar com o mundo inteiro. Não precisa se proteger atrás de acordos regionais de comércio.

Há uma supremacia militar americana decorrente da vitória na Guerra Fria. Mas não serviu, pelo menos até agora, nem para impor a paz que os EUA queriam no Iraque.

Que hegemonia é essa, se os EUA não podem “mais seguir à frente com sua estratégia global sem contar, pelo menos, com uma parceria chinesa”? Não é hegemonia.

Sob a presidência de Vladimir Putin, a Rússia, enriquecida pela alta nos preços do petróleo, reafirma agressivamente seu poder imperial, tentando recriar o “império interior soviético” através dos laços econômicos que mantinham a dependência das demais repúblicas soviéticas em relação a Moscou.

O projeto alemão, por sua vez, está firmemente ancorado na UE, e inclui o fortalecimento das relações com a Rússia. Desde o fim da Guerra Fria, a Alemanha tornou-se a principal investidora no Leste Europeu. Mas, do ponto de vista geoestratégico, Polônia, República Tcheca e Hungria privilegiam suas relações com os EUA para se proteger dos vizinhos poderosos.

Qual a conclusão do professor de economia da UFRJ ao analisar as políticas externas dos candidatos à Presidência dos EUA em 2008? “A velha estratégia imperial continua de pé.

O que Fiori queria? Que os americanos dissessem: já mandamos no mundo durante muito tempo, agora estamos voltando para casa. A volta de uma diplomacia multilaterialista é reflexo do fracasso do unilateralismo de Bush. Mas o objetivo, como não poderia deixar de ser, é defender os interesses e tentar manter a supremacia dos EUA.

Depois dos atentados de 11 de setembro, não é uma preocupação legítima dos candidatos à Casa Branca se preparar para “guerras assimétricas”. Já a criação de agências e brigadas civis para “reconstruir e administrar os territórios e os governos incorporados ou atingidos pelo poder americano” é uma conseqüência da guerra no Iraque.

Ao derrubar Saddam Hussein, os EUA destruíram o Estado iraquiano, causando caos e anarquia que levaram ao nível de violência a que assistimos nos últimos anos. A conclusão é simples: não basta ganhar a guerra militarmente; é preciso conquistar a paz.

Se a guerra, como disse o estrategista alemão Carl von Clausewitz, “a continuação da política por outros meios”, quando cessam os combates, volta a política tradicional. O país precisa ser pacificado, o que a ONU tem feito por todo o mundo desde 1945.

A realidade é simples: os EUA são o país mais poderoso do mundo mas sua hegemonia está em processo de erosão. Os atentados de 11 de setembro provocaram um renascimento do poder imperial enterrado nos pântanos do Vietnã. Mas o mundo não é regido por uma conspiração americana, a não ser para intelectuais em cujas cabeças o Muro de Berlim ainda não caiu. Eles insistem em ver o mundo sob o prisma do marxismo-leninismo. Só que esse prisma rachou e multiplica as falsas quimeras como numa sala cheia de espelhos.

domingo, 14 de outubro de 2007

Oposição britânica tem maior apoio em 15 anos

O Partido Conservador britânico festeja hoje sua melhor pesquisa eleitoral dos últimos 15 anos. Depois de uma lua-de-mel de 100 dias em que o novo primeiro-ministro Gordon Brown chegou a ter uma confortável vantagem de 11 pontos percentuais, o recuo em convocar eleições antecipadas e uma ofensiva política conservadora reverteram a situação.

Uma pesquisa divulgada hoje no jornal conservador The Sunday Telegraph dá 43% das preferências aos conservadores contra 36% para os trabalhistas e 14% para o Partido Liberal-Democrata.

Além de não convocar eleições para legitimar seu mandato, Brown está sendo acusado de roubar propostas de cortes de impostos anunciadas pela oposição.

O jovem líder conservador, David Cameron, que já estava sendo atacado pela ala mais direitista do partido, renovou suas credenciais ao atacar a União Européia, acusada pelos conservadores de querer de transformar num superestado nacional que acabaria com a soberania nacional do Reino Unido.

Cameron está cobrando a realização de um plebiscito sobre o projeto de Constituição da Europa, uma promessa do ex-primeiro-ministro Tony Blair retirada depois que a França e a Holanda votaram contra a constituição em 2005.

Blair tornou-se o mais bem-sucedido líder trabalhista britânico da História ao vencer as últimas três eleições nacionais no Reino Unido. Em 1997, conquistou uma ampla vitória, acabando com 18 anos de conservadorismo iniciado por três vitórias conservadoras sob a liderança de Margaret Thatcher (1979-1990).

Seu apoio incondicional ao presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, na guerra do Iraque, extremamente impopular na Grã-Bretanha, levou a uma perda de cerca de 100 cadeiras na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico nas eleições de 2005. Foi uma vitória com gosto de derrota.

Desde então, aumentou a pressão pela renúncia de Blair, que deixou a liderança do governo e da chefia do partido em junho.

Pelo sistema eleitoral britânico, o novo líder do partido majoritário ascendeu ao cargo de primeiro-ministro sem necessidade de novas eleições. Brown é mais duro, menos carismático e menos midiático do que Blair. Por isso, perdeu a disputa pela liderança do partido em 1994.

Assim, só agora conseguiu realizar o sonho de sua vida: governar a Grã-Bretanha. Precisa agora reafirmar sua liderança e tentar recuperar a iniciativa política, que, de acordo com as pesquisas, passou para a oposição.

sábado, 30 de junho de 2007

Jornalistas fazem greve contra Murdoch

Mais de 200 journalistas de The Wall Street Journal, o segundo diário mais vendido nos Estados Unidos, se declararam em greve anteontem em protesto contra a venda do jornal para a News Corporation, do empresário australiano naturalizado americano Rupert Murdoch, um dos maiores magnatas da mídia globalizada. Na sua opinião, o negócio ameaça a independência editorial do Journal, um jornal conservador, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque.

"A longa tradição de independência de The Wall Street Journal está ameaçada hoje. A integridade editorial depende de um proprietário comprometido com a defesa da independência jornalística", afirmaram os jornalistas em nota divulgada à imprensa.

Nesta semana, a família Bancroft, dona do controle acionário do grupo Dow Jones, que edita o WSJ, anunciou um acordo de princípios com Murdoch para manter a independência editorial de um dos jornais diários econômico-financeiros de maior prestígio no mundo, ao lado do Financial Times, de Londres, e do Nihon Keizai Shimbun, de Tóquio.

Além de ser publicado nos EUA, o Journal tem edições na Ásia e na Europa, The Asian Wall Street Journal e The Wall Street Journal Europe. Emprega 600 pessoas nos EUA e outras 700 no resto do mundo. Murdoch ofereceu US$ 5 bilhões. Houve um contato entre a General Eletric e o Financial Times para estudar uma proposta alternativa, mas essas duas empresas desistiram de disputar o WSJ com o magnata da mídia.

Murdoch é dono da Fox News, claramente alinhada com o conservadorismo, o Partido Republicano e a invasão do Iraque, da produtora de cinema Fox, e do tablóide nova-iorquino New York Post, nos EUA; dos jornais News of the World, The Sun, The Sunday Times e The Times, e da TV por assinatura Sky TV, na Grã-Bretanha; da Star TV, Ásia; além de jornais, editoras e outros negócios no mundo inteiro que lhe deram uma fortuna pessoal estimada em US$ 8 bilhões.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Diretor-geral do FMI renuncia

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, o espanhol Rodrigo Rato, anunciou ontem inesperadamente que deixa o cargo no final de outubro, depois da reunião anual do FMI e do Banco Mundial.

Rato alegou razões pessoais. Comenta-se que poderia retomar sua carreira política na Espanha, onde foi ministro das Finanças do governo conservador de José María Aznar, o que foi negado por sua assessoria.

Sua sucessão deve provocar uma forte disputa. Tradicionalmente, desde sua fundação, o Fundo é dirigido por um europeu e o Banco Mundial por um americano. Mas os outros países-membros destas instituições, alguns dele, especialmente os asiáticos, cada vez mais importantes economicamente querem ter uma voz mais forte.

Desde a crise asiática, que faz 10 anos na próxima segunda-feira, há no ar proposta de criação de um Fundo Monetário da Ásia para fugir das políticas de ajuste estrutural monetaristas e ortodoxas impostas pelo FMI a quem necessita de seus empréstimos. Com o bom momento da economia mundial, há menos países em crise.

O Brasil, por exemplo, quitou sua dívida e enviou como representante de um grupo de países latino-americanos o economista Paulo Nogueira Batista Jr., um adversário da ortodoxia liberal, na tentativa de influir na inevitável reforma da instituição.

Na primeira vez em que entrevistei o ministro Pedro Malan, em 1995, em Londres, como correspondente do Jornal do Brasil, perguntei-lhe qual era a proposta brasileira para a reforma da arquitetura das instituições econômicas internacionais. Ele ficou surpreso: "Mas o Sr. quer uma manchete para o seu jornal".

Não queria: estava estudando relações internacionais na London School of Economics e resolvi colocar uma questão mais ampla sobre o sistema internacional criado pela Conferência de Bretton Woods (1944), que lançou as bases da ordem econômica mundial pós-Segunda Guerra Mundial.

Malan ficou na defensiva. Nunca dizia nada que o mercado pudesse interpretar como um sinal de fraqueza, de que o Brasil precisasse recorrer ao Fundo.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Presidência alemã recoloca UE em marcha

A Alemanha faz um balanço positivo de seus seis meses na presidência da União Européia, por causa do acordo para aprovar um minitratado constitucional em substituição à Constituição da Europa rejeitada por franceses e holandeses em 2005 e o lançamento das negociações de um acordo pós-Quioto para controlar a emissão dos gases que agravam o efeito estuda, provocando o aquecimento da Terra.

O processo de integração da Europa saiu de uma fase de estagnação em que estava desde que a França e a Holanda, dois membros fundadores da Comunidade Econômica Européia, em 1957, rejeitaram a Constituição da Europa, em plebiscitos, em 2005.

Na reunião de cúpula da semana passada em Bruxelas, na Bélgica, o Conselho Europeu convocou uma nova conferência intergovernamental e aprovou um minitratado constitucional que melhore a governabilidade de uma União Européia que nasceu com seis e hoje tem 27 países-membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia.

A Constituição foi substituída por um tratado que reforma a UE para impedir a paralisia do processo de tomada de decisões, que seria inevitável numa organização de 27 países, se fosse mantida a regra inicial que exigia unanimidade para todas as decisões.

Entre os destaques do novo tratado, estão:
• a criação do cargo de presidente do Conselho da Europa com mandato de dois anos e meio;
• um superministro para Relações Exteriores e Política de Segurança;
• uma mudança no sistema de votação no Conselho de Ministros a partir de 2014;
• uma redução de 27 para 15 no número de comissários da Comissão Européia;
• o fortalecimento do Parlamento Europeu, que passará a participar do processo legislativo;
• o direito natural dos parlamentos nacionais de participar no processo legislativo europeu; e
• tornar obrigatória em todos os países, menos no Reino Unido, a Carta dos Direitos Fundamentais do cidadão europeu.

Durante a presidência alemã, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel esforçou para promover avanços na área ambiental, com destaque para a política de energia e mudança do clima, incluída pela primeira vez num tratado constitutivo da UE.

A meta da UE é limitar o aumento da temperatura média do planeta em apenas dois graus centígrados em comparação com a era pré-industrial. Isto exige a redução até 2050 das emissões dos gases que agravam o efeito estufa em até 50%, o que depende da adesão de outras potências industriais.

Concretamente, os países europeus se comprometeram em reduzir suas emissões em 20% até 2020. Este percentual pode subir para 30% se outras potências industriais se submeterem a sacrifício semelhante,

Nas relações exteriores da UE, a presidência alemã:
• tentou resgatar o Quarteto (EUA, ONU, UE e Rússia) que negocia a paz no Oriente Médio, que terá ímpeto renovado com a indicação de Tony Blair como enviado especial;
• retomou a proposta de uma parceria econômica transatlântica com os EUA, diante da estagnação das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio;
• encaminhou o processo, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, de definição do futuro status do Kossovo, cuja independência enfrenta resistência da Rússia e da Sérvia.

domingo, 24 de junho de 2007

Karzai acusa OTAN por morte de civis

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, acusou ontem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar dos Estados Unidos, Canadá e Europa, de "uso desproporcional" força, responsabilizado-a pela morte de civis na luta contra a milícia dos Talebã (Estudantes). A OTAN anunciou a morte de 60 rebeldes talebã numa grande ofensiva junto à fronteira com o Paquistão.

Pelo menos 25 civis morreram Gerechk, na província de Helmand, no Sul do Afeganistão, um dos redutos dos talebã.

"Não se combate o terrorismo disparando um canhão a 30 quilômetros de distância", reclamou Karzai. "Isto está definitivamente destinado a causar baixas civis".

sábado, 23 de junho de 2007

Trabalhistas lideram pesquisas com ascensão de Brown

Gordon Brown assume neste domingo a liderança do Partido Trabalhista embalado com uma recuperação nas pesquisas. De acordo com sondagem publicada pelo jornal dominical The Observer, os trabalhistas têm hoje 39% das preferências do eleitorado contra 36% para os conservadores, que lideravam as pesquisas nos últimos meses do governo Tony Blair.

Para 40% dos eleitores, Brown seria o melhor primeiro ministro entre os atuais líderes partidários, batendo o jovem conservador David Cameron, indicado por 22%.

Como os trabalhistas têm ampla maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, Brown se tornará primeiro-ministro do Reino Unido na quarta-feira.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Chávez não quer mais o "velho Mercosul"

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, declarou que não está interessado em entrar no "velho Mercosul", numa crítica aos que defendem a manutenção do bloco regional como está, sem o governo autoritário venezuelano, já que existe uma cláusula democrática, aplicada várias vezes para impedir golpes de Estado no Paraguai.

Irritado porque não recebeu apoio pelo fechamento do canal de televisão da Radio Caracas Televisión (RCTV) e foi criticado pelo Senado brasileiro, que aprovou moção pedindo que ele revisse sua decisão, Chávez decidiu não ir à reunião de cúpula do Mercosul no final do mês em Assunção, no Paraguai.

Na ocasião, Chávez acusou o Senado de ser "papagaio dos Estados Unidos", um insulto grave típico de um caudilho com pouco apreço pelas instituições democráticas.

Quarta-feira, disse que a Venezuela quer entrar no "novo Mercosul" mas, "se não há vontade de mudar, tampouco estamos interessados no velho Mercosul".

Chávez gostaria de transformar o bloco num instrumento de seu antiamericanismo inconseqüente, numa aliança política militar, sem maior preocupação com a integração econômica e o comércio exterior, objetivos prioritários do Tratado de Assunção.

A Venezuela é um país importante, terceira economia da América do Sul, com uma das maiores reservas mundiais de petróleo. Mas a entrada de Chávez não ajuda na institucionalização do bloco nem nas negociações internacionais. A União Européia já manifestou interesse em fazer uma "parceria estratégica". Isto significa que não acredita no sucesso das negociações bloco a bloco.

Chávez não soma; divide. Não é um democrata. A integração tem de ser nos seus termos ou ele não participa. Seria melhor que estivesse falando sério e deixasse o Mercosul. Admitir a Venezuela antes de negociar a adesão aos acordos e normas preexistentes foi um erro grave que espanta a Europa.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Merkel tira traços de super-Estado do novo tratado constitucional da União Européia

Numa tentativa da garantir a aprovação do novo tratado constitucional da União Européia, depois da rejeição da Constituição da Europa em plebiscitos na França e na Holanda em 2005, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, prometeu ontem remover do texto quaisquer traços de um super-Estado europeu.

A Alemanha ocupa no momento a presidência rotativa da UE e vai apresentar a proposta em reunião de cúpula européia, a ser realizada amanhã e depois de amanhã, em Bruxelas, na Bélgica. Uma das mudanças será eliminar o termo Constituição.

Com um novo tratado, os líderes da UE tentam evitar a necessidade de referendos para evitar o não que a Constituição da Europa recebeu na França e na Holanda em 2005. Outros 18 países aprovaram a Constituição.

A idéia agora, defendida pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que participa de sua última reunião do Conselho Europeu, e pelo seu mais novo membro, o recém-empossado presidente da França, Nicolas Sarkozy, é de um tratado minimalista para evitar a paralisia administrativa da UE. Seria difícil a aprovação em referendo na eurocética Grã-Bretanha.

O problema é a governabilidade de um bloco regional que, em 50 anos, cresceu de seis (Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo) para 27 países-membros (entraram Áustria, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Espanha, Finlãndia, Grécia, Hungria, Irlanda, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia) e no momento negocia a adesão da Croácia e da Turquia. A perdurar a exigência de unanimidade em questões constitucionais, de segurança, defesa e impostos, a UE pode se tornar ingovernável.

Para complicar a situação, além da eurocética Grã-Bretanha, a Polônia está exigindo mais peso para os países de porte médio e aproveita a situação para reabrir seu conflito com a Alemanha, mencionando inclusive a Segunda Guerra Mundial. Governada por dois gêmeos populistas de direita absolutamente idênticos, os irmãos Kaczynski, a Polônia parece mais preocupada em reafirmar seu nacionalismo do que em contribuir para a construção de uma Europa unida.