Com a morte de uma mulher atropelada na cidade balneária de Cambrils, subiu hoje para 14 o número total de mortos nos atentados terroristas na Catalunha, uma região autônoma da Espanha.
A polícia acredita que célula terrorista responsável pelos ataques tinha 12 membros: cinco morreram em Cambrils, quatro estão presos e três continuam foragidos. O principal alvo agora é Moussa Oukabir, que alugou o veículo usado em Barcelona.
Entre os 14 mortos e mais de 100 feridos, há pessoas de 34 nacionalidades. Isso mostra a diversidade das pessoas que estavam na Rambla, a avenida mais famosa de Barcelona e da Espanha, com uma grande área de pedestres que vai da Praça da Catalunha até o porto, onde uma estátua de Cristóvão Colombo saúda a Descoberta da América.
Por ali, o terrorista dirigiu em ziguezague a 80 quilômetros por hora durante 550 metros, da Praça da Catalunha até a altura do Teatro do Liceu, atropelando e matando.
Como os dois atentados foram coordenados, e a explosão numa casa horas seria uma tentativa de armar uma bomba, havia uma célula terrorista criada ou inspirada pela milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante no coração da Catalunha.
Na opinião do professor Fawas Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics e autor de uma história do Estado Islâmico, é uma nova estratégia da organização infiltrar células terroristas em grandes cidades no momento em que é derrotada nos campos de batalha do Iraque e da Síria.
Se o Califado proclamado há três anos pelo líder Abu Baker al-Baghdadi, o Califa Ibrahim, praticamente desapareceu e ele fugiu, os atentados terroristas em grandes cidades tem ampla visibilidade e repercussão internacional, permitindo ao Estado Islâmico recrutar a inspirar novos voluntários para o martírio por esta seita apocalíptica.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Total de mortos em atentados na Catalunha sobe para 14
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
Polícia da Catalunha mata cinco em operação antiterrorismo
Na madrugada desta sexta-feira, a Polícia da Catalunha, na Espanha, anunciou ter evitado um segundo atentado ao matar cinco terroristas, desta vez na cidade praiana de Cambrils, 110 quilômetros ao sul de Barcelona, onde ontem à tarde uma caminhonete foi jogada contra pedestres matando 13 pessoas e ferindo mais de 100.
Os cinco terroristas de Cambrils entraram de caminhonete na área de pedestres quando foram mortos a tiros pelos policiais depois de ferir sete pessoas. Eles carregavam explosivos, facas, martelos e falsos coletes suicidas.
A polícia revelou ainda agora há pouco que uma morte numa explosão numa casa em Alcanar, na quarta-feira, tinha relação com o atentado de Barcelona. Isso significa que a célula terrorista estava fabricando bombas para realizar ações mais violentas. A polícia ainda caça o motorista da caminhonete.
Para os especialistas em terrorismo, é provável que a explosão tenha ocorrido durante a fabricação de uma bomba e pode ter acelerado a execução do atentado em Barcelona usando uma caminhonete como arma.
A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do primeiro atentado, mas não há certeza de que tenha relação operacional com o grupo que cometeu os atentados.
Para o professor Fawas Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics e autor de uma história do Estado Islâmico, se os três ataques foram coordenados, isso indica que há uma célula terrorista no coração da Catalunha.
Com a derrota nos campos de batalha do Iraque e da Síria, a estratégia do Estado Islâmico é infiltrar células terroristas em grandes cidades, onde seus ataques têm maior visibilidade e repercussão internacional, permitindo recrutar novos voluntários do martírio.
Os cinco terroristas de Cambrils entraram de caminhonete na área de pedestres quando foram mortos a tiros pelos policiais depois de ferir sete pessoas. Eles carregavam explosivos, facas, martelos e falsos coletes suicidas.
A polícia revelou ainda agora há pouco que uma morte numa explosão numa casa em Alcanar, na quarta-feira, tinha relação com o atentado de Barcelona. Isso significa que a célula terrorista estava fabricando bombas para realizar ações mais violentas. A polícia ainda caça o motorista da caminhonete.
Para os especialistas em terrorismo, é provável que a explosão tenha ocorrido durante a fabricação de uma bomba e pode ter acelerado a execução do atentado em Barcelona usando uma caminhonete como arma.
A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do primeiro atentado, mas não há certeza de que tenha relação operacional com o grupo que cometeu os atentados.
Para o professor Fawas Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics e autor de uma história do Estado Islâmico, se os três ataques foram coordenados, isso indica que há uma célula terrorista no coração da Catalunha.
Com a derrota nos campos de batalha do Iraque e da Síria, a estratégia do Estado Islâmico é infiltrar células terroristas em grandes cidades, onde seus ataques têm maior visibilidade e repercussão internacional, permitindo recrutar novos voluntários do martírio.
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sexta-feira, 29 de junho de 2007
Diretor-geral do FMI renuncia
O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, o espanhol Rodrigo Rato, anunciou ontem inesperadamente que deixa o cargo no final de outubro, depois da reunião anual do FMI e do Banco Mundial.
Rato alegou razões pessoais. Comenta-se que poderia retomar sua carreira política na Espanha, onde foi ministro das Finanças do governo conservador de José María Aznar, o que foi negado por sua assessoria.
Sua sucessão deve provocar uma forte disputa. Tradicionalmente, desde sua fundação, o Fundo é dirigido por um europeu e o Banco Mundial por um americano. Mas os outros países-membros destas instituições, alguns dele, especialmente os asiáticos, cada vez mais importantes economicamente querem ter uma voz mais forte.
Desde a crise asiática, que faz 10 anos na próxima segunda-feira, há no ar proposta de criação de um Fundo Monetário da Ásia para fugir das políticas de ajuste estrutural monetaristas e ortodoxas impostas pelo FMI a quem necessita de seus empréstimos. Com o bom momento da economia mundial, há menos países em crise.
O Brasil, por exemplo, quitou sua dívida e enviou como representante de um grupo de países latino-americanos o economista Paulo Nogueira Batista Jr., um adversário da ortodoxia liberal, na tentativa de influir na inevitável reforma da instituição.
Na primeira vez em que entrevistei o ministro Pedro Malan, em 1995, em Londres, como correspondente do Jornal do Brasil, perguntei-lhe qual era a proposta brasileira para a reforma da arquitetura das instituições econômicas internacionais. Ele ficou surpreso: "Mas o Sr. quer uma manchete para o seu jornal".
Não queria: estava estudando relações internacionais na London School of Economics e resolvi colocar uma questão mais ampla sobre o sistema internacional criado pela Conferência de Bretton Woods (1944), que lançou as bases da ordem econômica mundial pós-Segunda Guerra Mundial.
Malan ficou na defensiva. Nunca dizia nada que o mercado pudesse interpretar como um sinal de fraqueza, de que o Brasil precisasse recorrer ao Fundo.
Rato alegou razões pessoais. Comenta-se que poderia retomar sua carreira política na Espanha, onde foi ministro das Finanças do governo conservador de José María Aznar, o que foi negado por sua assessoria.
Sua sucessão deve provocar uma forte disputa. Tradicionalmente, desde sua fundação, o Fundo é dirigido por um europeu e o Banco Mundial por um americano. Mas os outros países-membros destas instituições, alguns dele, especialmente os asiáticos, cada vez mais importantes economicamente querem ter uma voz mais forte.
Desde a crise asiática, que faz 10 anos na próxima segunda-feira, há no ar proposta de criação de um Fundo Monetário da Ásia para fugir das políticas de ajuste estrutural monetaristas e ortodoxas impostas pelo FMI a quem necessita de seus empréstimos. Com o bom momento da economia mundial, há menos países em crise.
O Brasil, por exemplo, quitou sua dívida e enviou como representante de um grupo de países latino-americanos o economista Paulo Nogueira Batista Jr., um adversário da ortodoxia liberal, na tentativa de influir na inevitável reforma da instituição.
Na primeira vez em que entrevistei o ministro Pedro Malan, em 1995, em Londres, como correspondente do Jornal do Brasil, perguntei-lhe qual era a proposta brasileira para a reforma da arquitetura das instituições econômicas internacionais. Ele ficou surpreso: "Mas o Sr. quer uma manchete para o seu jornal".
Não queria: estava estudando relações internacionais na London School of Economics e resolvi colocar uma questão mais ampla sobre o sistema internacional criado pela Conferência de Bretton Woods (1944), que lançou as bases da ordem econômica mundial pós-Segunda Guerra Mundial.
Malan ficou na defensiva. Nunca dizia nada que o mercado pudesse interpretar como um sinal de fraqueza, de que o Brasil precisasse recorrer ao Fundo.
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