O líder supremo da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, o Califa Ibrahim de um califado que ele proclamou em 29 de junho de 2014, foi morto aos 48 anos durante a noite de ontem, na Síria, numa operação especial de um comando de elite das Forças Armadas dos Estados Unidos, anunciou neste domingo o presidente Donald Trump.
De acordo com a versão americana, quando as tropas de elite dos EUA chegaram em helicópteros, Al-Baghdadi teria tentado fugir, mas entrou num túnel sem saída. Cercado, detonou explosivos que trazia junto ao corpo matando também três crianças que o acompanhavam, afirmou Trump.
No seu momento de maior expansão, em 2014, o Estado Islâmico controlava uma área do tamanho do Reino Unido onde viviam 10 milhões de pessoas. Ao proclamar a fundação do califado, Al-Baghdadi se outorgou uma jurisdição universal, não só sobre todos os muçulmanos, como sobre toda a humanidade, a ser convertida à sua versão do islamismo.
Em 5 de agosto de 2014, diante do genocídio do povo yazidi no Iraque e da degola de reféns americanos, o presidente Barack Obama declarou guerra ao grupo terrorista e iniciou uma guerra área com aliados como o Reino Unido e a França.
Os agentes de inteligência encontraram o veterano jihadista e ex-acadêmico, radicalizado ainda mais numa prisão americana no Iraque na província de Idlibe, no Noroeste da Síria, uma área próxima à fronteira da Turquia.
As informações decisivas para localizá-lo seriam de um dissidente do Estado Islâmico que se aliou às Forças Democráticas Sírias (FDS), a milícia árabe-curda que fez a operação terrestre para a aliança liderada pelos EUA na guerra contra o Estado Islâmico e foi traída por Trump. Esta fase de coleta de informações com a colaboração dos curdos durou cinco meses.
O Estado Islâmico é resultado da revolta sunita depois da queda de Saddam Hussein na invasão americana ao Iraque de 2003, que permitiu em 2004 a infiltração no país da rede terrorista Al Caeda, liderada por Ossama ben Laden. Em 2006. Al Caeda no Iraque virou Estado Islâmico do Iraque,
Com a guerra civil na Síria, o Estado Islâmico do Iraque se transformou em 8 de abril de 2013 no Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Al Baghdadi rejeitou as ordens do sucessor de Ben Laden, o médico egícpio Ayman al-Zawahiri, de lutar num país só. Rompeu com Al Caeda.
Depois de tomar o Nordeste da Síria, a grande vitória militar dos jihadistas foi a tomada de Mossul, no Iraque, em 10 de junho de 2014, depois de horas de combate, com a deserção dos soldados do Exército do Iraque, que abandonaram equipamentos militares americanos.
A morte de Al-Baghdadi não significa o fim do Estado Islâmico, assim como Al Caeda sobreviveu à morte do xeique Ossama ben Laden. Suas ideias políticas estão infiltradas nos movimentos extremistas muçulmanos do Oriente Médio.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 27 de outubro de 2019
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Total de mortos em atentados na Catalunha sobe para 14
Com a morte de uma mulher atropelada na cidade balneária de Cambrils, subiu hoje para 14 o número total de mortos nos atentados terroristas na Catalunha, uma região autônoma da Espanha.
A polícia acredita que célula terrorista responsável pelos ataques tinha 12 membros: cinco morreram em Cambrils, quatro estão presos e três continuam foragidos. O principal alvo agora é Moussa Oukabir, que alugou o veículo usado em Barcelona.
Entre os 14 mortos e mais de 100 feridos, há pessoas de 34 nacionalidades. Isso mostra a diversidade das pessoas que estavam na Rambla, a avenida mais famosa de Barcelona e da Espanha, com uma grande área de pedestres que vai da Praça da Catalunha até o porto, onde uma estátua de Cristóvão Colombo saúda a Descoberta da América.
Por ali, o terrorista dirigiu em ziguezague a 80 quilômetros por hora durante 550 metros, da Praça da Catalunha até a altura do Teatro do Liceu, atropelando e matando.
Como os dois atentados foram coordenados, e a explosão numa casa horas seria uma tentativa de armar uma bomba, havia uma célula terrorista criada ou inspirada pela milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante no coração da Catalunha.
Na opinião do professor Fawas Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics e autor de uma história do Estado Islâmico, é uma nova estratégia da organização infiltrar células terroristas em grandes cidades no momento em que é derrotada nos campos de batalha do Iraque e da Síria.
Se o Califado proclamado há três anos pelo líder Abu Baker al-Baghdadi, o Califa Ibrahim, praticamente desapareceu e ele fugiu, os atentados terroristas em grandes cidades tem ampla visibilidade e repercussão internacional, permitindo ao Estado Islâmico recrutar a inspirar novos voluntários para o martírio por esta seita apocalíptica.
A polícia acredita que célula terrorista responsável pelos ataques tinha 12 membros: cinco morreram em Cambrils, quatro estão presos e três continuam foragidos. O principal alvo agora é Moussa Oukabir, que alugou o veículo usado em Barcelona.
Entre os 14 mortos e mais de 100 feridos, há pessoas de 34 nacionalidades. Isso mostra a diversidade das pessoas que estavam na Rambla, a avenida mais famosa de Barcelona e da Espanha, com uma grande área de pedestres que vai da Praça da Catalunha até o porto, onde uma estátua de Cristóvão Colombo saúda a Descoberta da América.
Por ali, o terrorista dirigiu em ziguezague a 80 quilômetros por hora durante 550 metros, da Praça da Catalunha até a altura do Teatro do Liceu, atropelando e matando.
Como os dois atentados foram coordenados, e a explosão numa casa horas seria uma tentativa de armar uma bomba, havia uma célula terrorista criada ou inspirada pela milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante no coração da Catalunha.
Na opinião do professor Fawas Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics e autor de uma história do Estado Islâmico, é uma nova estratégia da organização infiltrar células terroristas em grandes cidades no momento em que é derrotada nos campos de batalha do Iraque e da Síria.
Se o Califado proclamado há três anos pelo líder Abu Baker al-Baghdadi, o Califa Ibrahim, praticamente desapareceu e ele fugiu, os atentados terroristas em grandes cidades tem ampla visibilidade e repercussão internacional, permitindo ao Estado Islâmico recrutar a inspirar novos voluntários para o martírio por esta seita apocalíptica.
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