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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Le Monde testemunha ataque químico na Síria

Não houve explosão nem cheiro nem o ruído de escapamento de gás, apenas um clique. Não havia nada de espetacular nem detectável.

"Pensamos que era mais uma bomba que não explodira e ninguém deu atenção", declarou Omar Haidar, comandante da Brigada Tahrir al-Cham (Libertação da Síria) no bairro de Jobar, na entrada de Damasco, está a menos de 500 metros da Praça dos Abássidas, no centro da capital da Síria.

Logo apareceram os sintomas. Os homens tossiam violentamente. Os olhos ficaram vermelhos, as pupilas se contraíram ao extremo, a visão se obscureceu. Em seguida, vieram as dificuldades respiratórias, às vezes agudas, o vômito, as convulsões. Era preciso socorrer os combates mais atingidos, descrevem dois repórteres do jornal francês Le Monde, que ficaram dois meses clandestinamente na Síria para confirmar o uso de armas químicas pela ditadura de Bachar Assad.

Em agosto de 2012, o presidente Barack Obama advertiu Assad que o uso de armas químicas seria um sinal vermelho além do qual os Estados Unidos interviriam na guerra civil síria. Receoso de se envolver em outra guerra no Oriente Médio, Obama hesita.

Quando seu próprio governo confirmou as denúncias feitas inicialmente pela França, o Reino Unido e Israel, o presidente americano pediu confirmação às Nações Unidas. Se os ataques químicos forem comprovados, Obama promete consultar os aliados.

No momento, a diplomacia dos EUA negocia com a Rússia, única grande potência que apoia Assad, a realização de uma conferência internacional sobre a paz na Síria. A França vetou a participação do Irã, principal aliado do regime sírio no Oriente Médio.

As opções para intervir são enviar tropas, impor uma zona de exclusão aérea para impedir a ditadura de atacar pelo ar ou armar os rebeldes. Esta última possibilidade está sendo examinada hoje pelo Conselho de Ministros da União Europeia. Traz o risco de que as armas caiam em mãos de terroristas muçulmanos.

O Exército de Israel já estaria preparando uma grande operação militar para tentar assumir o controle do arsenal de armas químicas em caso de queda de Assad.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Voo AF447 caiu em três minutos e meio

O Airbus A330 da companhia aérea Air France que desapareceu no Oceano Atlântico quando ia do Rio para Paris em 31 de maio de 2009, matando todas as 228 pessoas a bordo, ficou sem sustentação no ar e caiu 11,582 mil metros em três minutos e meio, mas é possível que nem a tripulação nem os passageiros tenham percebido.


Desde que o computador de bordo desligou o piloto automático por receber informações erradas sobre a velocidade do avião, foram 4min23seg. As conclusões preliminares dos investigadores franceses estão no jornal Le Monde.


É o primeiro resultado da análise dos registros das caixas-pretas do Airbus, encontradas no início do mês. O relatório final sai no fim do ano. Deve apontar responsáveis. Por enquanto, os investigadores tentam reconstituir os fatos.

Diante de informações contraditórias sobre a velocidade do avião no ar e da necessidade de controlar o avião manualmente, o piloto teria tomado uma decisão errada e nunca mais conseguiu retomar o comando da aeronave, indica um relatório preliminar divulgado hoje pelo Escritório de Investigação de Acidentes Aéreos da França.


A tripulação não estava preparada para este tipo de pane causada provavelmente pelas sondas que medem a velocidade, cobertas por gelo quando o avião entrou numa nuvem densa a grande altitude. Pouco antes do acidente, um dos três pilotos não escondeu sua perplexidade: "Não estou entendendo nada".

Ao comentar o relatório, a ex-inspetora-geral do Departamento de Transporte dos Estados Unidos Mary Schiavo observou que eles deveriam ter descongelado as sondas que medem a velocidade do avião. Provavelmente a tripulação não tenha se dado conta do que estava acontecendo.

Especialistas ouvidos pela TV pública britânica BBC disseram que diante da tempestade eles levantaram o nariz do avião chegando a uma altitude onde o ar muito rarefeito não teve condições de sustentar o aparelho. O procedimento padrão era baixar o nariz do avião e colocá-lo na posição horizontal.

Então, o Airbus teria caído a uma velocidade de 200 quilômetros por hora até bater no mar, sempre de nariz empinado, o que pode ter ajudado a tripulação a não perceber a iminência da tragédia.

Para o Sindicato de Pilotos da França, que rejeita a responsabilização dos pilotos, o acidente foi resultado de uma cadeia de acontecimentos deflagrada pelo problema nas sondas Pitot.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Haiti denuncia Baby Doc por corrupção

O procurador-geral do Haiti denunciou hoje o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, por corrupção, roubo, desvio de dinheiro público e formação de quadrilha quando governou o país, de 1971 a 1986.

Pela manhã, um juiz, o procurador-geral e um chefe de polícia foram até o hotel de Porto Príncipe onde Duvalier estava hospedado. Ele foi interrogado e foi liberado. O jornal francês Le Monde informou que ele teria uma passagem de volta para Paris marcada para o dia 20 de janeiro.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Dilma é destaque no noticiário internacional

A posse da primeira mulher eleita para governar o Brasil foi notícia no mundo inteiro.

No sítio da rádio e TV pública britânica BBC, Dilma é empossada presidente do Brasil com o desafio de substituir o presidente mais popular da História do Brasil.




Para o jornal francês Le Monde, os maiores desafios da presidente são sair da sombra de Lula e não decepcionar, já que as pesquisas indicam que a opinião publica espera um governo ainda melhor.

No jornal francês Libération, Dilma se torna presidente do Brasil. A reportagem a chama e descreve o Brasil como uma economia em plena ascensão  mas ainda uma das mais desiguais do mundo.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Le Monde: desafio de Dilma é não decepcionar

Em editorial publicado hoje, Le Monde, o principal jornal da França, observa que a presidente eleita Dilma Rousseff, que toma posse em 1º de janeiro de 2010, herda uma herança benéfica do presidente Lula: democracia consolidada, sem inflação e com bons indicadores econômicos de crescimento, emprego e consumo, além de uma fabulosa riqueza petrolífera na camada pré-sal.

Milhões de brasileiros conseguiram empregos fixos e saíram da miséria, observa o editorial. Mas ressalva que "o ensino continua mediocre e desigual. O sistema de saúde funciona a duas velocidades. A violência e a insegurança gangrenam as grandes metrópoles. O nepotismo e a corrupção marcam a vida pública de um país onde a política é vista como uma maneira fácil de enriquecer". 

Dilma terá muito trabalho, continua Le Monde: "A infraestrutura exige um desenvolvimento rápido para o Brasil enfrentar os desafios de organizar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016". 

Lula deixa um país respeitado internacionalmente, um ator importante que já atrai críticas, como na aproximação com o Irã. Dilma mostrou uma diferença neste aspecto, destaca Le Monde, ao defender os direitos humanos das mulheres.

Sem o carisma nem a oratória de Lula, conclui o jornal, ela terá de se emancipar da tutela para não decepcionar a opinião pública, que espera um governo ainda melhor do que o de Lula.

sábado, 12 de junho de 2010

Karrubi acusa regime do Irã de traição

No primeiro aniversário da reeleição fraudulenta do presidente Mahmoud Ahmadinejad, um dos oposicionistas derrotados, o ex-presidente do Parlamento Mehdi Karrubi, acusou hoje "o poder de trair o povo e a revolução".

"Antes da eleição presidencial de 2009, havia um clima verdadeiramente excepcional no Irã", descreveu Karrubi, em entrevista ao jornal francês Le Monde publicada neste sábado. "Havia debates abertos entre os candidatos, inclusive na televisão estatal. Os iranianos estavam motivados porque, pela primeira vez, pensaram que haveria uma eleição sem manipulação.

"Depois, o poder correu esse risco enorme de organizar uma fraude numa escala sem precedentes. Foi diante disso que surgiu um movimento de contestação tão grande.

"Em seguida, o poder cometeu o segundo erro. Em vez de escutar a voz do povo, utilizou os meios mais repressivos e mais sangrentos contra ele. Tanto o Irã quanto os iranianos pagam por esses erros: houve muitas vítimas, feridos e  prejuízos.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Obama está perto de uma eleição histórica

O senador Barack Obama é o franco favorito para se tornar hoje o primeiro negro a conquistar a Presidência dos Estados Unidos, um país que nos 60 ainda vivia sob um regime de segragação racial nos estados do Sul.

As pesquisas precisam estar muito erradas para não dar Obama, e não é essa a tradição americana. Em 1948, a vitória do presidente Harry Truman sobre John Dewey foi uma surpresa, mas os institutos de pesquisa evoluíram desde aquela época. Temos perfis dos candidatos, os desafios do próximo presidente, o mapa eleitoral.

Em alguns estados do Leste, a votação termina às 21h30 pelo horário de verão em Brasília. Talvez saia algum resultado, mas não tem a menor chance de matar a charada.

Uma hora depois, a votação estará encerrada em toda o Leste, incluindo Flórida, Virgínia, Pensilvânia, Ohio e Carolina do Norte. Ainda assim, se a disputa for apertada, a expectativa pode se estender pela madrugada, como aconteceu com a Flórida em 2000, que acabou no tapetão. Se for uma avalanche, o resultado sai cedo.

Confira aqui o mapa eleitoral com a distribuição de votos por estado no Colégio Eleitoral.

É um momento histórico. Há um ano, quem iria imaginar que um negro poderia ser eleito presidente dos EUA? Num país com o passado segregacionista como os EUA, é uma revolução. É uma vitória póstuma do reverendo Martin Luther King jr.

No seu famoso discurso Eu Tenho um Sonho, Luther King disse que sonhava que "um dia meus filhos não serão julgados pela cor de sua pela mas pela nobreza de seu caráter". Para a população negra americana, esse dia chegou. É uma redenção.

Leia no jornal francês Le Monde algumas questões importantes para entender melhor esta eleição histórica.

Em tese, Obama será também o presidente dos EUA mais à esquerda desde John Kennedy (1961-63), um liberal da Nova Inglaterra.

Seu vice e sucessor Lyndon Johnson (1963-69), era um fazendeiro do Texas, que na época votava nos democratas. Seguiram-no os republicanos Richard Nixon, arquiconservador, e Gerald Ford, um moderado.

O próximo presidente democrata, Jimmy Carter (1977-81) era um fazendeiro de amendoin na Geórgia. Estava longe de ser um revolucionário.

Veio a era do ultraconservador Ronald Reagan (1981-89) seguido pelo pragmático George Bush, sr. (1989-93).

Em 1992, com Bill Clinton (1993-2001), governador de um estado atrasado do Sul, os democratas retomaram a Casa Branca. Ele fez chapa com Al Gore, outro político conservador e sulista dentro do Partido Democrata.

Era uma chapa Sul-Sul, contrariando a regra de escolher um do Sul e um do Norte, a velha divisão do país da Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da História dos EUA. Aliás, a Guerra do Iraque já é mais longa do que a guerra civil americana e do que a participação dos EUA na Segunda Guerra Mundial.

Da eleição de Ronald Reagan para cá, a divisão foi mais entre os estados cosmopolitas da Nova Inglaterra, da Costa Oeste e da região dos Grandes Lagos, na fronteira com o Canadá, que votam nos democratas, em contraposição à América Profunda, autocentrada e ignorante do resto do mundo, a turma que a gente vê de chapéu de vaqueiro nos comícios do McCain.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Transportes param na França sem apoio popular

Os trabalhadores nos transportes públicos da França começaram ontem às 20h em Paris (17h em Brasília) uma nova paralisação, em protesto contra a extinção das aposentadorias especiais, uma promessa de campanha do presidente Nicolas Sarkozy.

Uma pesquisa publicada no jornal conservador Le Figaro indica que 70% dos franceses são contra a greve. Para Le Monde, "os sindicatos temem perder a batalha da opinião pública".

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

New York Times pára de cobrar por conteúdo

A partir de quarta-feira, o jornal The New York Times, um dos mais influentes do mundo, vai abrir o acesso gratuitamente ao serviço TimesSelect, que oferecia privilégios como livre consulta ao arquivo, um blog de leitores e colunas especiais, mediante pagamento de uma assinatura.

No novo modelo de negócios, o New York Times pretende se financiar com anúncios, em vez de cobrar dos leitores, na expectativa de conter com "um número substancialmente elevado de usuários especiais acessando o site assim que a barreira do pagamento se vá". As ações da empresa caíram 0,8% por causa da queda de receita esperada no primeiro momento.

Uma das mais prestigiadas marcas do jornalismo, o New York Times luta há alguns para encontrar um novo modelo de negócios para a era da Internet. Primeiro, cobrava uma assinatura de US$ 30 por mês pelo acesso à edição completa via Internet. Depois, passou a oferecer seu conteúdo gratuitamente. Em 2005, criou o TimesSelect, uma seleção do NYTimes. Este blogueiro assina o serviço.

Outros jornais, especialmente os grandes diários internacionais sobre economia, como o Financial Times e The Wall Street Journal, cobram pelo acesso completo. O FT cobra US$ 8,50 por mês e ainda oferece um acesso Premium com direito de ler as notícias mais importantes do mundo inteiro selecionadas pelo FT.com, relatórios e informações financeiras sobre empresas.

Le Monde, da França, cobra seis euros por mês. Dá direito a uma edição eletrônica com alta qualidade gráfica. O assinante pode fazer sua própria impressão. Tem blogue, email, podcasts e dá ainda acesso ao jornal espanhol El País, cuja assinatura anual custa 80 euros.

São marcas com apelo no mundo inteiro. Com a Internet, ampliam seu universo de leitores, podendo compensar com vantagem a queda de vendas dos jornais impressos, registrada todos os anos nos EUA desde 1984.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

"Raúl Castro governa com liderança decisiva"

O vice-presidente Raúl Castro, que substitui interinamente seu irmão, Fidel Castro, como dirigente máximo de Cuba, consolidou sua liderança e terá ampla margem de manobra para conduzir a transição depois da morte de Fidel, afirma em entrevista ao jornal francês Le Monde o ex-agente secreto americano Brian Latell, professor da Universidade de Miami e autor de 'Depois de Fidel: Raúl Castro e o futuro da revolução cubana'.

Seis meses depois da transferência de poder por força da doença de Fidel, não houve críticas internas à liderança de Raúl, observa Latell. "Ele pede conselho a uns 20 altos funcionários da nomenklatura cubana e 'novas reflexões' aos universitários".

Por duas vezes, em agosto e dezembro do ano passado, Raúl propôs a abertura de diálogo para "normalizar as relações com os Estados Unidos".

O ex-espião da CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem dos EUA, acredita que sua intenção é genuína: "Creio que Fidel compreende melhor a situação do que Fidel. Sabe que deve melhorar a economia do país custe o que custar. Sabe que deve atender aos anseios dos mais jovens, uma geração desencantada que não compartilham, nas palavras de certos dirigentes em Havana, dos valores da revolução".

Para recuperar a economia do país, "Raúl quer diversificar os investimentos estrangeiros, inclusive dos EUA. Quer desenvolver as atividades de pequenas empresas. O setor de turismo, que ele controla, funciona com base em técnicas de gerenciamento capitalistas".

Raúl sonha "em desenvolver uma versão tropical do modelo chinês, combinando abertura econômica com restrições às liberdades individuais e políticas", descreve Latell. "Mas atenção: ele pensa no modelo chinês de Deng Xiaoping no final dos anos 70 e não no atual. Raúl não quer bilionários de Mercedes em Cuba".

Na opinião do ex-espião, Raúl é o grande organizador do regime: "Fidel, o narcisista visionário, é o diretor; Raul é o produtor. É ele que estrutura as Forças Armadas, organiza os serviços de segurança e desenvolve setores inteiros da economia. Mas do que antes, o Partido Comunista está em suas mãos".

As outras instituições cubanas também estariam nas mãos de aliados de Raúl. Ele tende a continuar trabalhando em silêncio, cercado de personagens importantes como o vice-presidente Carlos Lage, encarregado das reformas econômicas.

Com a provável morte de Fidel em breve - ele acaba de reaparecer na televisão, bastante debilitado, junto com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez -, Raúl sairá da sombra que o obscurece: "Haverá festa em Miami e uma transição pacífica em Cuba", prevê o ex-agente da CIA. "Pode haver manifestações mas não acredito que desestabilizem o regime cubano. Será preciso observar as mudanças que Raúl fará depois do funeral. O irmão há tanto reprimido terá finalmente sua catarse, seu momento de libertação, quando exprimirá sua própria política e transformará a revolução na direção que escolher".