Desde que o computador de bordo desligou o piloto automático por receber informações erradas sobre a velocidade do avião, foram 4min23seg. As conclusões preliminares dos investigadores franceses estão no jornal Le Monde.
É o primeiro resultado da análise dos registros das caixas-pretas do Airbus, encontradas no início do mês. O relatório final sai no fim do ano. Deve apontar responsáveis. Por enquanto, os investigadores tentam reconstituir os fatos.
Diante de informações contraditórias sobre a velocidade do avião no ar e da necessidade de controlar o avião manualmente, o piloto teria tomado uma decisão errada e nunca mais conseguiu retomar o comando da aeronave, indica um relatório preliminar divulgado hoje pelo Escritório de Investigação de Acidentes Aéreos da França.
A tripulação não estava preparada para este tipo de pane causada provavelmente pelas sondas que medem a velocidade, cobertas por gelo quando o avião entrou numa nuvem densa a grande altitude. Pouco antes do acidente, um dos três pilotos não escondeu sua perplexidade: "Não estou entendendo nada".
Ao comentar o relatório, a ex-inspetora-geral do Departamento de Transporte dos Estados Unidos Mary Schiavo observou que eles deveriam ter descongelado as sondas que medem a velocidade do avião. Provavelmente a tripulação não tenha se dado conta do que estava acontecendo.
Especialistas ouvidos pela TV pública britânica BBC disseram que diante da tempestade eles levantaram o nariz do avião chegando a uma altitude onde o ar muito rarefeito não teve condições de sustentar o aparelho. O procedimento padrão era baixar o nariz do avião e colocá-lo na posição horizontal.
Então, o Airbus teria caído a uma velocidade de 200 quilômetros por hora até bater no mar, sempre de nariz empinado, o que pode ter ajudado a tripulação a não perceber a iminência da tragédia.
Para o Sindicato de Pilotos da França, que rejeita a responsabilização dos pilotos, o acidente foi resultado de uma cadeia de acontecimentos deflagrada pelo problema nas sondas Pitot.
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