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segunda-feira, 29 de junho de 2020

Onda verde nas eleições municipais na França

Ao ganhar as eleições municipais em Lyon, Bordéus, Estrasburgo, Poitiers, Besançon, Annecy e Grenoble, e apoiar os candidatos vencedores em Paris, Marselha e Montpellier, os verdes se impõem como uma grande força política na França de oposição ao presidente Emmanuel Macron, noticiou o jornal Le Monde.

O partido Europa Ecologia-Os Verdes (EELV), fundado em 2010 por Daniel Cohn-Bendit, Dani le Rouge, líder da Revolução dos Estudantes de Maio de 1968, sem deputados na Assembleia Nacional, foi o grande vitorioso das eleições municipais francesas, cujo segundo turno foi disputado ontem. Em Paris, apoiou a reeleição da prefeita socialista Anne Hidalgo, com 49% dos votos.

Foi uma derrota para A República em Marcha (LREM), o partido do presidente Macron. Uma aliança de esquerda se reconstitui, pressionando o presidente, que foi ministro das Finanças do presidente socialista François Hollande (2012-17), a se alinhar à centro-direita.

O primeiro-ministro Edouard Philippe, que veio do partido gaullista Os Republicanos (LR), salvou a honra do governo ganhando em Le Havre. Com vitórias em Nice e Toulouse, LR se firma como o partido dominante nas cidades de médio porte, com mais de 9 mil habitantes.

A Reunião Nacional, de extrema direita, conquistou em Perpignan, na fronteira com a Espanha, sua segunda vitória numa grande cidade, de mais de 100 mil habitantes, depois de vencer em Toulon em 1995. No primeiro turno, havia confirmado o controle sobre 7 das 11 cidades onde venceu em 2014. Ganhou mais duas e perdeu duas no domingo.

Havia rumores de que Macron poderia demiti-lo em caso de derrota do governo, mas Philippe se tornou mais popular do que o presidente, considerado arrogante e elitista, durante a quarentena. Se for afastado, pode desafiar Macron na eleição presidencial de 2022. Em pesquisa do jornal direitista Le Figaro, 75% apoiam a manutenção de Philippe na chefia do governo.

"Isto lembra as eleições municipais de 1977", quando a esquerda ganhou, antecipando a vitória do socialista François Mitterrand na eleição presidencial de 1981, festejou o secretário-geral do partido, Julian Bayou.

"Apesar das coalizões anticlima, apesar dos insultos na campanha, os prefeitos ecologistas foram reeleitos e novas vitórias permitem à ecologia se ancorar duradouramente em numerosas cidades e grandes metrópoles - e também em numerosas vilas e bairros populares", acrescentou.

Para o eurodeputado verde Yannick Jadot, uma das estrelas do partido, "é uma virada política em nosso país. A paisagem se recompõe ao redor da ecologia, de um projeto rico. É uma reação à impotência e à falta de escolhas do governo nas questões ecológicas e sociais, à verticalidade de seu poder."

Mesmo com uma abstenção recorde (60%) e um grande intervalo desde o primeiro turno, em 15 de março, o adiamento por causa do confinamento imposto pela pandemia do novo coronavírus não tirou o ímpeto do movimento verde. 

Ao contrário. "A leitura da pandemia se fez ao redor da ecologia, com o questionamento dos estilos de vida e de consumo que metem à prova nossos ecossistemas", analisou o diretor do Departamento de Opnião do Instituto Francês de Opinião Pública (IFOP), Jérôme Fourquet, coautor do livro Em Imersão: uma pesquisa sobre uma sociedade confinada.

Na sua opinião, "o confinamento foi um acelerador. As pessoas querem mais localismo e uma baixa do consumo frenético. Esse período reforçou os temas do EELV."

sábado, 5 de maio de 2012

Ahmadinejad perde eleições no Irã

Os aliados do presidente Mahmoud Ahmadinejad conquistaram apenas 13 das 65 cadeiras de deputado em jogo ontem, no segundo turno das eleições parlamentares no Irã, consolidando sua derrota diante do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.

A bancada leal a Khamenei já tinha conquistado ampla maioria no Majlis (Parlamento), de 290 cadeiras, no primeiro turno, realizado em março. Ganhou mais 41 deputados. Os outros 11 eleitos ontem são independentes, noticia a TV pública britânica BBC.

Como o regime fundamentalista iraniano esmagou o Movimento Verde, que contestou a reeleição de Ahmadinejad em 2009, e vetou as candidaturas dos verdadeiros oposicionistas, as eleições acabaram sendo um duelo interno do regime entre Khamenei e o presidente.

Ahmadinejad perde poder desde maio de 2011, quando desafiou o Supremo Líder, herdeiro do aiatolá Khomeini. Desde então, vários aliados do presidente foram afastados.

A derrota eleitoral sela seu destino. Ele nunca foi mais do que uma figura decorativa, um servo leal da república dos aiatolás. Procurou consolidar seu poder se aproximando da Guarda Revolucionária, de onde saíra para ser prefeito de Teerã e depois presidente. Mas nunca teve forças para enfrentar o núcleo central do regime.

Na reeleição fraudulenta de Ahmadinejad, ele foi útil para derrotar uma oposição verdadeira, que questionava a legitimidade dos clérigos que mandam no Irã.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ahmadinejad é acusado de abuso de poder

Por 168 a 1, com 32 abstenções, o Parlamento do Irã (Majlis) aprovou hoje uma reclamação de abuso de poder contra o presidente Mahmoud Ahmadinejad a ser enviada à Justiça, revela o jornal americano The Wall St. Journal, sem esclarecer se pode ser o início de um processo de impeachment.

Em maio, em meio a uma disputa de poder com o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica do Irã, aiatola Ali Khamanei, Ahmadinejad dissolveu o Ministério do Petróleo e nomeou a si mesmo como ministro.

Além do conflito interno no regime fundamentalista iraniano, o clima político ficou ainda mais pesado em Teerã com o ataque da milícia Bassij, braço paramilitar da Guarda Revolucionária Iraniana, ao funeral do famoso oposicionista Ezatollah Sahabi. Sua irmã Haleh Sahabi foi espancada a morta por um bassiji, aumentando a revolta.

O Movimento Verde convocou através do Facebook uma concentração diante da casa dela na capital iraniana.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ditadura do Irã convoca Dia do Ódio

O regime fundamentalista do Irã convocou um Dia do Ódio para a sexta-feira, em resposta às novas manifestações do Movimento Verde, que repudiou a reeleição fradulenta do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 2009.

Depois dos deputados governistas, hoje o procurador-geral da república islâmica acusou os líderes da oposição de atos criminosos e ilegais por apoiarem manifestação contra o governo. Prometeu punição rigorosa. 

Houve novos choques entre oposicionistas e milicianos ligados ao regime no enterro de um dos mortos durante o protesto de segunda-feira.

sábado, 12 de junho de 2010

Karrubi acusa regime do Irã de traição

No primeiro aniversário da reeleição fraudulenta do presidente Mahmoud Ahmadinejad, um dos oposicionistas derrotados, o ex-presidente do Parlamento Mehdi Karrubi, acusou hoje "o poder de trair o povo e a revolução".

"Antes da eleição presidencial de 2009, havia um clima verdadeiramente excepcional no Irã", descreveu Karrubi, em entrevista ao jornal francês Le Monde publicada neste sábado. "Havia debates abertos entre os candidatos, inclusive na televisão estatal. Os iranianos estavam motivados porque, pela primeira vez, pensaram que haveria uma eleição sem manipulação.

"Depois, o poder correu esse risco enorme de organizar uma fraude numa escala sem precedentes. Foi diante disso que surgiu um movimento de contestação tão grande.

"Em seguida, o poder cometeu o segundo erro. Em vez de escutar a voz do povo, utilizou os meios mais repressivos e mais sangrentos contra ele. Tanto o Irã quanto os iranianos pagam por esses erros: houve muitas vítimas, feridos e  prejuízos.