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segunda-feira, 28 de junho de 2021

Partidos tradicionais confirmam vitória nas eleições regionais na França

Quatro anos de ficar fora do segundo turno da eleição presidencial, os partidos tradicionais de direita e de esquerda venceram o segundo turno das eleições regionais e departamentais na França. A Reunião Nacional (RN), de extrema direita, liderada por Marine Le Pen, não conquistou nenhuma região nem A República em Marcha (LRM), do presidente Emmanuel Macron, de centro-direita.

Com uma abstenção de 65,7% ontem, depois dos 66,7% no primeiro turno, no domingo da semana passada, é cedo para tirar conclusões a eleição presidencial de 2022, marcada para 10 e 24 de abril. Mas parece evidente que os lugares de Macron e Le Pen não estão garantidos no segundo turno. Não deve ser uma repetição do segundo turno de 2017, quando o atual presidente venceu por 66% a 34%.

Le Pen responsabilizou a abstenção e Macron deve tentar rearticular seu partido com uma reforma ministerial. As reformas econômicas que prometeu são impopulares. Devem ser adiadas. Ambas as candidaturas estão abaladas.

A direita republicana, que exclui a extrema direita, conquistou sete regiões e reelegeu seus principais líderes, como Xavier Bertrand, Laurent Wauquiez e Valérie Pécresse, governadora da Ilha da França, onde fica Paris. 

Nas eleições para as 95 câmaras departamentais, cinco viraram à direita e dois à esquerda. A direita garantiu a vitória em pelo menos 64 e a extrema direita perdeu 21 dos 35 departamentos que governava. O Partido Comunista Francês perdeu no Vale do Marne, o único que controlava.

"Hoje os extremos recuaram uma longa distância em nossa região porque não lhes deixamos espaço para operar", festejou o governador reeleito da região de Auvérnia-Ródano-Alpes, no Sudeste da França. Laurent Wauquiez é do tradicional partido gaullista, conservador, de direita, que hoje se chama Os Republicanos (LR).

Xavier Bertrand, governador reeleito da região dos Altos da França (Norte), do mesmo partido, anunciou a intenção de disputar o Palácio do Eliseu com Macron e Le Pen. 

É o partido dos presidentes Charles de Gaulle (1959-69), Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12). Seu candidato em 2017, o ex-primeiro-ministro François Fillon, perdeu a vaga no segundo turno por causa de um escândalo de corrupção e abriu um flanco à direita para Macron atrair votos. Isto não vai se repetir no próximo ano.

A União de Esquerda, liderada pelo Partido Socialista (PS), ganhou em cinco regiões da França Metropolitana em aliança com Europa Ecologia-Os Verdes (EELV), na Guiana Francesa e na Ilha a Reunião. O resultado deixa claro que há espaço para uma coalizão verde-rosa entre a esquerda tradicional e os ecologistas se conseguirem chegar a um candidato de consenso.

Os conselhos regionais tem competência limitada para atuar no desenvolvimento regional, transportes intrarregional e ensino médio.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Macron e Le Pen perdem em eleições na França com grande abstenção

 A abstenção de 66,7% e os partidos tradicionais foram os grandes vencedores no primeiro turno das eleições regionais na França, realizadas neste domingo. 

A Reunião Nacional (RN), de extrema direita, liderada por Marine Le Pen, recuou nove pontos percentuais m relação às eleições anteriores. Saiu na frente em apenas uma das 13 regiões. A República em Marcha (LRM), do presidente Emmanuel Macron, de centro-direita, ficou em quinto com 11% e não lidera em lugar algum. 

Tudo indica que Macron e Le Pen não devem repetir o duelo do segundo turno da eleição presidencial de 2022, quando o presidente conquistou 66% dos votos e a líder da extrema direita, 34%. Ambos saem mais fracos e a juventude desiludida. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a abstenção chegou a impressionantes 87%.

O grande vitorioso foi o partido conservador Os Republicanos (LR), de direita, herdeiro das ideias do general Charles de Gaulle, líder da França no exílio durante a Segunda Guerra Mundial. É o partido que mais governou o país no pós-guerra, com De Gaulle (1959-69), Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12).

Com 28% dos votos, LR ganharam em seis regiões no primeiro turno, inclusive na Ilha da França, onde fica Paris. A aliança esquerda-verdes lidera em cinco regiões.

Somando os 16% da União de Esquerda liderada pelo Partido Socialista (PS) com os 13% do partido Europa Ecologia-Os Verdes (EELV), a aliança teve mais votos do que a direita republicana, o que lhes dá esperança de disputar o Palácio do Eliseu, se chegar a um candidato de consenso.

"A esquerda é a maior força política do país, à frente da direita e da extrema direita", festejou o primeiro-secretário do PS, Olivier Faure. "No seio do bloco de esquerda, o PS é a grande força motriz."

Os ecologistas também celebraram o resultado: "Estamos progredindo. Dobramos nossa votação em relação [às eleições regionais de] 2015", declarou Yannick Jadot, possível candidato verde à eleição presidencial de abril e maio do próximo ano.

Para o presidente Macron, foi mais um fracasso na tentativa de criar raízes locais para seu partido. Ele foi eleito em 2017 porque um escândalo de abalou a candidatura de direita do ex-primeiro-ministro François Fillon. Macron recebeu os votos da direita e alguns de centro-esquerda por ter sido ministro das Finanças do presidente socialista François Hollande. Isto não vai se repetir em 2022.

No poder, Macron nomeou um primeiro-ministro direitista, Edouard Philippe, do LR, que demitiu depois das eleições municipais, talvez temendo-o como adversário. Philippe seria um candidato formidável, mas disse que não concorrerá contra Macron.

Diante do enfraquecimento de sua candidatura, o presidente deve evitar fazer reformas impopulares para reduzir o déficit orçamentário, de 10,5% do produto interno bruto e a dívida pública, de 117% do PIB. Deve se concentrar em programas de estímulo apostando na retomada da economia para aumentar suas chances eleitorais. 

Macron tem pouco espaço fiscal para isso, especialmente se o Banco Central Europeu (BCE) parar de comprar títulos da dívida pública dos países da Zona do Euro, como cobra o presidente do Bundesbank, o banco central da Alemanha, Jens Weidmann.

As assembleias regionais são responsáveis pelo desenvolvimento regional, o transporte dentro da região e as escolas secundárias. Agora estão em curso as negociações para formar alianças para o segundo turno, a ser disputado no próximo domingo. Geralmente, os partidos se dividem entre direita e esquerda, ou todos se juntam contra a extrema direita, considerada antidemocrática.

O primeiro-ministro Jean Castex fez um apelo aos franceses para que votem em 27 de junho porque "quando a abstenção vence, perde a democracia". A imprensa francesa vê uma crise da democracia. O voto facultativo e a pandemia não seriam suficientes para explicar o desânimo dos franceses com o sistema político.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Pandemia acelera nos EUA e tem novos surtos na Ásia

A pandemia se agrava. No fim de semana, o total de casos confirmados passou de 10 milhões e o de mortes de 500 mil. A Organização Mundial da Saúde adverte que a pandemia está longe do fim e vai enviar uma equipe à China na próxima semana para investigar a origem da doença do coronavírus de 2019.

Os Estados Unidos têm um quarto do total de casos no mundo inteiro, quase 2,682 milhões, mais mortes, 128 mil, e registram duas vezes mais casos novos do que duas semanas atrás, enquanto China, Japão, Coreia do Sul e Austrália têm novos picos de infecção. 

No domingo, foram registrados mais de 42 mil casos novos nos Estados Unidos. Nas últimas semanas, houve aumento do ritmo de infecções em 38 dos 50 estados americanos, de acordo com a Rádio Pública Nacional.

O Brasil registrou mais 727 mortes em 24 horas, chegou a 58.385 óbitos e mais 25.234 casos novos, elevando o total para 1.370.488.

A China aprovou uma vacina que será aplicada nos militares. No mundo inteiro, há 147 vacinas em desenvolvimento. No fim de semana, o governo brasileiro anunciou um acordo com o laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford, na Inglaterra, que estão desenvolvendo a vacina mais promissora. 

Hoje, o Dr. Anthony Fauci, principal epidemiologista da força-tarefa da Casa Branca, disse que ficará satisfeito com uma vacina que tinha eficácia em 70 a 75 por cento dos casos.

Sob o impacto da pandemia, uma onda verde dominou o segundo turno das eleições municipais da França. O partido Europa Ecologia-Os Verdes (EELV), fundado em 2010 por Daniel Cohn-Bendit, Dani Le Rouge, Dani o Vermelho, líder da Revolução dos Estudantes de maio de 1968, ganhou em Lyon, Bordeaux, Estrasburgo, Poitiers, Besançon, Annecy e Grenoble, e apoiou os candidatos vencedores em Paris, Marselha e Montpellier.

"Isto lembra as eleições municipais de 1977", quando a esquerda ganhou, antecipando a vitória do socialista François Mitterrand na eleição presidencial de 1981, festejou o secretário-geral do Europa Ecologia-Os Verdes, Julian Bayou.

Foi uma derrota para A República em Marcha (LREM), do presidente Emmanuel Macron, que não conseguiu se firmar como um partido municipalista. Uma aliança de esquerda se reconstitui, pressionando o presidente. Ex-ministro das Finanças do presidente socialista François Hollande (2012-17), Macron teve de se alinhar à centro-direita.

Hoje, numa guinada ecológica, o presidente recebeu no Palácio do Eliseu a Convenção Cidadã pelo Clima e só rejeitou três de suas 149 propostas: um imposto de 4% sobre dividendos, sob a alegação de que desestimularia o investimento; uma redução da velocidade máxima nas estradas de 130 para 110 km/h; e a introdução da proteção ambiental como meta prioritária no preâmbulo da Constituição da França.

Macron anunciou que não vai apoiar o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul enquanto o Brasil não cumprir o compromisso de proteger o meio ambiente e a Amazônia.

Nesta quarta-feira, começa o terceiro trimestre do ano, quando há uma esperança de recuperação econômica no Leste da Ásia e na Europa, enquanto os Estados Unidos, a América Latina, o Sul da Ásia, a África e o Oriente Médio vão continuar lutando contra o impacto da pandemia.

O Brasil perdeu 1,4 milhão de empregos com carteira assinada em três meses. Mais 11,6 milhões tiveram salários reduzido para não perder o emprego.

A economia argentina desabou 26,4% em abril e deve fechar o ano com queda de até 12% no produto interno bruto, pior do que os 10,9% de 2002, depois do colapso da dolarização da era Carlos Menem (1989-99).

O economista Edmar Bacha, diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas Casa das Garças e um dos pais do Plano Real, prevê uma mudança estrutural depois da pandemia, com aumento dos gastos públicos e maior preocupação com a desigualdade social e a distribuição da riqueza. Meu comentário:

Onda verde nas eleições municipais na França

Ao ganhar as eleições municipais em Lyon, Bordéus, Estrasburgo, Poitiers, Besançon, Annecy e Grenoble, e apoiar os candidatos vencedores em Paris, Marselha e Montpellier, os verdes se impõem como uma grande força política na França de oposição ao presidente Emmanuel Macron, noticiou o jornal Le Monde.

O partido Europa Ecologia-Os Verdes (EELV), fundado em 2010 por Daniel Cohn-Bendit, Dani le Rouge, líder da Revolução dos Estudantes de Maio de 1968, sem deputados na Assembleia Nacional, foi o grande vitorioso das eleições municipais francesas, cujo segundo turno foi disputado ontem. Em Paris, apoiou a reeleição da prefeita socialista Anne Hidalgo, com 49% dos votos.

Foi uma derrota para A República em Marcha (LREM), o partido do presidente Macron. Uma aliança de esquerda se reconstitui, pressionando o presidente, que foi ministro das Finanças do presidente socialista François Hollande (2012-17), a se alinhar à centro-direita.

O primeiro-ministro Edouard Philippe, que veio do partido gaullista Os Republicanos (LR), salvou a honra do governo ganhando em Le Havre. Com vitórias em Nice e Toulouse, LR se firma como o partido dominante nas cidades de médio porte, com mais de 9 mil habitantes.

A Reunião Nacional, de extrema direita, conquistou em Perpignan, na fronteira com a Espanha, sua segunda vitória numa grande cidade, de mais de 100 mil habitantes, depois de vencer em Toulon em 1995. No primeiro turno, havia confirmado o controle sobre 7 das 11 cidades onde venceu em 2014. Ganhou mais duas e perdeu duas no domingo.

Havia rumores de que Macron poderia demiti-lo em caso de derrota do governo, mas Philippe se tornou mais popular do que o presidente, considerado arrogante e elitista, durante a quarentena. Se for afastado, pode desafiar Macron na eleição presidencial de 2022. Em pesquisa do jornal direitista Le Figaro, 75% apoiam a manutenção de Philippe na chefia do governo.

"Isto lembra as eleições municipais de 1977", quando a esquerda ganhou, antecipando a vitória do socialista François Mitterrand na eleição presidencial de 1981, festejou o secretário-geral do partido, Julian Bayou.

"Apesar das coalizões anticlima, apesar dos insultos na campanha, os prefeitos ecologistas foram reeleitos e novas vitórias permitem à ecologia se ancorar duradouramente em numerosas cidades e grandes metrópoles - e também em numerosas vilas e bairros populares", acrescentou.

Para o eurodeputado verde Yannick Jadot, uma das estrelas do partido, "é uma virada política em nosso país. A paisagem se recompõe ao redor da ecologia, de um projeto rico. É uma reação à impotência e à falta de escolhas do governo nas questões ecológicas e sociais, à verticalidade de seu poder."

Mesmo com uma abstenção recorde (60%) e um grande intervalo desde o primeiro turno, em 15 de março, o adiamento por causa do confinamento imposto pela pandemia do novo coronavírus não tirou o ímpeto do movimento verde. 

Ao contrário. "A leitura da pandemia se fez ao redor da ecologia, com o questionamento dos estilos de vida e de consumo que metem à prova nossos ecossistemas", analisou o diretor do Departamento de Opnião do Instituto Francês de Opinião Pública (IFOP), Jérôme Fourquet, coautor do livro Em Imersão: uma pesquisa sobre uma sociedade confinada.

Na sua opinião, "o confinamento foi um acelerador. As pessoas querem mais localismo e uma baixa do consumo frenético. Esse período reforçou os temas do EELV."