Sob pressão do presidente Donald Trump, o governo de Israel proibiu uma visita ao país e aos territórios árabes ocupados de duas deputadas muçulmanas de origem árabe da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
O primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, havia concordado com a visita por serem deputadas do Congresso dos EUA. Ao mudar de ideia, sob pressão de Trump, que alegou ser um sinal de fraqueza, Netanyahu declarou que "Israel está aberto a críticas, não a boicotes".
Seu ministro do Exterior, Israel Katz, justificou a medida "devido a seu flagrante apoio ao boicote ao Estado de Israel, ao terrorismo contra Israel e a minimizar o Holocausto." Omar, que reconhece Israel como a única democracia do Oriente Médio, considerou a decisão "arrepiante" e "antidemocrática".
As deputadas Ilhan Omar e Rashida Tlaib apoiam o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), que defende o fim da ocupação dos territórios árabes, igualdade entre cidadãos israelenses de origem árabe e de origem judaica, e o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas terras desde a fundação de Israel, em 1948.
O principal grupo de pressão a favor dos interesses israelenses nos EUA, a AIPAC (Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel), criticou a decisão de Netanyahu, afirmando que, embora seja contra a atuação das deputadas, entende deveriam ter o direito de ver pessoalmente a situação.
Em campanha para as eleições de 17 de setembro e em empate técnico nas pesquisas de opinião, o primeiro-ministro israelense preferiu ficar ao lado do aliado Trump, que escolheu quatro deputadas da ala mais à esquerda do Partido Democrata como inimigas e tenta apresentá-las como a verdadeira face da oposição.
O apoio a Israel é uma das poucas causas que tem apoio dos dois grandes partidos dos EUA. Historicamente, o Partido Democrata era mais favorável a Israel. Isto começou a mudar quando o presidente Ronald Reagan (1981-89) atraiu os evangélicos pentecostalistas, que costumavam não votar, para o Partido Republicano forjando uma aliança da direita religiosa cristã com Israel.
Ao acusar o Partido Democrata de ser anti-israelense, Trump ameaça romper o consenso bipartidário dos EUA em apoio a Israel. O Estado de Israel sai perdendo.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 15 de agosto de 2019
Israel veta visita de deputadas americanas sob pressão de Trump
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Trump faz ataque racista contra deputadas da esquerda democrata
Em mais um de seus tuítes raivosos, o presidente Donald Trump mandou quatro deputadas federais da ala mais à esquerda da oposição democrata "voltem aos lugares totalmente quebrados e infestados pelo crime de onde vieram e ajudem a melhorar a situação".
Três nasceram nos Estados Unidos e a outra é uma refugiada da Somália que vive no país desde a adolescência e recebeu a cidadania americana. Mais uma vez, o presidente está sendo acusado de racismo, noticia o jornal inglês The Guardian.
Trump não citou os nomes das quatro deputadas. Falou no esquadrão, como é chamado o grupo formado pelas jovens radicais eleitas em novembro do ano passado, quando o Partido Democrata reconquistou a maioria na Câmara dos Representantes com aumento da presença feminina. É esquadrão por causa de sua combatividade.
Alexandria Ocasio Cortez, filha de porto-riquenhos, foi eleita por Nova York; Ayanna Pressley, de origem africano, por Massachusetts; Rashida Tlaib, filha de imigrantes palestinos, por Michigan; e Ilhan Omar, a somaliana naturalizada americana, por Minnesota.
"O país de onde eu veio e ao qual jurei lealdade é os EUA", respondeu AOC, como é conhecida a deputada mais jovem e mais popular da nova Câmara. Tlaib declarou que Trump "precisa ser impedido" num processo de impeachment.
Omar descreveu Trump como "o pior, mais corrupto e mais inepto presidente que já vimos", enquanto Pressley foi direta: "Isto parece com racismo. Nós parecemos a democracia."
Em campanha para disputar mais uma vez a candidatura democrata à Casa Branca, o senador Bernie Sanders não perdeu a oportunidade para atacar Trump: "Quando eu chamo o presidente de racista, é disto que estou falando."
O presidente voltou ao Twitter para contra-atacar: "Tão triste ver os democratas ficaram ao lado de pessoas que falam tão mal do nosso país e que, além do mais, odeiam Israel com uma paixão verdadeira e sem limites. Quando confrontados, eles chamam seus adversários, inclusive Pelosi, de racista."
A deputada Nancy Pelosi, presidente da Câmara, tenta controlar o ímpeto das deputadas mais radicais, que Trump usa como fantasmas para apresentar o Partido Democrata como radical de esquerda e socialista. Ela denunciou o tuitaço como "comentários xenofóbicos para dividir a nação". Ele queria explorar o conflito interno da oposição. Acabou provocando a união dos democratas.
"Sua linguagem desagradável e as coisas que dizem sobre os EUA não podem passar sem um desafio. Se o Partido Democrata quer continuar a desculpar este comportamento vergonhoso, então vamos nos ver nas urnas em 2020", arrematou o presidente.
Trump entrou na política acusando o presidente Barack Obama de não ter nascido nos EUA. Lançou sua candidatura à Casa Branca, em junho de 2016, chamando os mexicanos de assassinos, traficantes, ladrões e estupradores.
Ao discutir a reforma da imigração com deputados e senadores democratas, perguntou "por que temos de receber gente de países que são buracos de merda?", como Nigéria e Haiti, e "por que não recebemos mais gente da Noruega?"
Quando os neonazistas marcharam em Charlottesville, na Virgínia, em 12 de agosto de 2017, na manifestação União da Direita, para impedir a remoção da estátua do comandante militar do Sul escravocrata na Guerra Civil (1861-65), Trump afirmou que "havia gente boa dos dois lados".
Três nasceram nos Estados Unidos e a outra é uma refugiada da Somália que vive no país desde a adolescência e recebeu a cidadania americana. Mais uma vez, o presidente está sendo acusado de racismo, noticia o jornal inglês The Guardian.
Trump não citou os nomes das quatro deputadas. Falou no esquadrão, como é chamado o grupo formado pelas jovens radicais eleitas em novembro do ano passado, quando o Partido Democrata reconquistou a maioria na Câmara dos Representantes com aumento da presença feminina. É esquadrão por causa de sua combatividade.
Alexandria Ocasio Cortez, filha de porto-riquenhos, foi eleita por Nova York; Ayanna Pressley, de origem africano, por Massachusetts; Rashida Tlaib, filha de imigrantes palestinos, por Michigan; e Ilhan Omar, a somaliana naturalizada americana, por Minnesota.
"O país de onde eu veio e ao qual jurei lealdade é os EUA", respondeu AOC, como é conhecida a deputada mais jovem e mais popular da nova Câmara. Tlaib declarou que Trump "precisa ser impedido" num processo de impeachment.
Omar descreveu Trump como "o pior, mais corrupto e mais inepto presidente que já vimos", enquanto Pressley foi direta: "Isto parece com racismo. Nós parecemos a democracia."
Em campanha para disputar mais uma vez a candidatura democrata à Casa Branca, o senador Bernie Sanders não perdeu a oportunidade para atacar Trump: "Quando eu chamo o presidente de racista, é disto que estou falando."
O presidente voltou ao Twitter para contra-atacar: "Tão triste ver os democratas ficaram ao lado de pessoas que falam tão mal do nosso país e que, além do mais, odeiam Israel com uma paixão verdadeira e sem limites. Quando confrontados, eles chamam seus adversários, inclusive Pelosi, de racista."
A deputada Nancy Pelosi, presidente da Câmara, tenta controlar o ímpeto das deputadas mais radicais, que Trump usa como fantasmas para apresentar o Partido Democrata como radical de esquerda e socialista. Ela denunciou o tuitaço como "comentários xenofóbicos para dividir a nação". Ele queria explorar o conflito interno da oposição. Acabou provocando a união dos democratas.
"Sua linguagem desagradável e as coisas que dizem sobre os EUA não podem passar sem um desafio. Se o Partido Democrata quer continuar a desculpar este comportamento vergonhoso, então vamos nos ver nas urnas em 2020", arrematou o presidente.
Trump entrou na política acusando o presidente Barack Obama de não ter nascido nos EUA. Lançou sua candidatura à Casa Branca, em junho de 2016, chamando os mexicanos de assassinos, traficantes, ladrões e estupradores.
Ao discutir a reforma da imigração com deputados e senadores democratas, perguntou "por que temos de receber gente de países que são buracos de merda?", como Nigéria e Haiti, e "por que não recebemos mais gente da Noruega?"
Quando os neonazistas marcharam em Charlottesville, na Virgínia, em 12 de agosto de 2017, na manifestação União da Direita, para impedir a remoção da estátua do comandante militar do Sul escravocrata na Guerra Civil (1861-65), Trump afirmou que "havia gente boa dos dois lados".
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