Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
terça-feira, 26 de dezembro de 2023
Israel prevê que guerra dure meses, talvez anos
domingo, 5 de novembro de 2023
OLP só assume controle de Gaza se Palestina for criada
Ao receber o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, em Ramalá, na Cisjordânia, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, impôs sua condição para assumir o controle da Faixa de Gaza no fim da guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Ele exige uma solução total do conflito, com a criação da Palestina independente em Gaza e na Cisjordânia, incluindo o setor oriental de Jerusalém.
Israel anunciou ter bombardeado 450 alvos em 24 horas. O Exército de Israel chegou ao mar pelo centro da Faixa de Gaza, dividindo o território palestino ao meio enquanto cerca a Cidade de Gaza. Até agora, Israel atingiu 48 prédios da ONU.segunda-feira, 16 de outubro de 2023
Joe Biden vai a Israel na quarta-feira levar apoio à guerra
terça-feira, 11 de fevereiro de 2020
Palestinos rejeitam na ONU plano de paz de Trump para Oriente Médio
Trump apresentou seu plano com grande fanfarra na Casa Branca ao lado do primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, duas semanas atrás.
Os palestinos não foram convidados para discutir a proposta, que oferece tudo o que a direita de Israel quer: a anexação das colônias judaicas na Cisjordânia ocupada, o controle sobre o Vale do Rio Jordão, o reconhecimento de Jerusalém como capital indivisível de Israel e a fundação de um Estado Nacional palestino com soberania limitada, sem Forças Armadas, quatro anos depois.
Abbas descreveu o país palestino proposto por Trump como “um queijo suíço” cheio de assentamentos israelenses. Meu comentário:
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Palestinos rompem cooperação com EUA e Israel em segurança
Por unanimidade, a pedido da ANP, a Liga Árabe rejeitou hoje no Cairo o plano de Trump por "não contemplar as mínimos direitos e aspirações do povo palestino" e declarou que não vai cooperar com sua implementação.
"Israel será o único responsável pelas consequência destas políticas", advertem os governos árabes.
A proposta de Trump estende a soberania de Israel ao Vale do Rio Jordão e a todas as colônias israelenses na Cisjordânia ocupada na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Isto é ilegal à luz do direito internacional, que proíbe a guerra de conquista. E declara que Jerusalém é a capital indivisível de Israel, embora o setor árabe (oriental) tenha sido ocupado na mesma guerra.
Também prevê a criação de um Estado Nacional palestino com soberania limitada no que restar na Cisjordânia e na Faixa de Gaza em quatro anos, desde que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) entregue as armas e deixe de controlar Gaza.
"Jamais vou aceitar esta solução", afirmou Abbas. "Não vou deixar registrado na minha história que vendi Jerusalém."
Os palestinos continuarão lutando para acabar com a ocupação israelense na Cisjordânia e criar um país nos territórios da Cisjordânia e de Gaza com base nas fronteiras anteriores à guerra de 1967 e capital no setor oriental de Jerusalém.
Apesar das pressões do governo Trump, nem os maiores aliados dos EUA no mundo árabe, a Arábia Saudita e o Egito.
"Os esforços de paz devem procurar uma solução justa que inclua os direitos dos palestinos. A Arábia Saudita vai apoiar sempre as escolhas do povo palestino", declarou o ministro do Exterior saudita, Faissal ben Farhan.
Depois de adotar uma postura receptiva em relação ao plano, o Egito recuou: "A posição egípcia é bem conhecida e está em linha com as resoluções internacionais, a favor do estabelecimento de um Estado palestino com Jerusalém Oriental como capital."
quarta-feira, 26 de junho de 2019
Plano de paz de Trump para o Oriente Médio já nasce morto
Desde que chegou à Casa Branca, Trump se aliou incondicionalmente ao primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, e tomou medidas que desqualificam os Estados Unidos como mediador no conflito árabe-israelense.
Trump transferiu a embaixada americana de Telavive para Jerusalém, que é considerada uma cidade parcialmente ocupada. O setor árabe (oriental) foi tomado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e a Carta das Nações Unidas proíbe a guerra de conquista.
domingo, 3 de março de 2019
Fatah acusa Hamas de prender e torturar ilegalmente seus membros
Pelo menos 100 membros da Fatah foram detidos na semana passada simplesmente por participar de manifestações em apoio a Abbas e à ANP, denunciam seus partidários. As manifestações foram em resposta a protestos do Hamas pedindo a queda de Abbas.
A Fatah responsabiliza o Hamas, a Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina e seu ex-dirigente Mohamed Dahlan, crítico de Abbas, pelos protestos contra a ANP. Ossama Kawassmeh, porta-voz da Fatah na Cisjordânia, acusou o Hamas de "sequestrar e torturar brutalmente membros da Fatah de uma maneira que nenhum palestino pode imaginar".
Os presos teriam sido abusados física e verbalmente, jogados em celas frias e escuras, "junto com criminosos e espiões". Alguns tiveram as mãos e os pés acorrentados a cadeiras.Mohamed Labbad foi parar no hospital. Raed Abu al-Hassin, irmão do secretário-geral da Fatah, Hatem Abu al-Hassin, teve as duas pernas quebradas.
A resposta do Hamas foi dizer que as acusações são "fantasiosas".
terça-feira, 9 de outubro de 2018
Egito pressiona ANP a aceitar ajuda à Faixa de Gaza
Desde o acordo de paz de Camp David, em 1979, o Egito é um mediador dos conflitos entre Israel e as diferentes facções palestinas, e colabora com o governo israelense no patrulhamento de sua fronteira com Gaza. Mas não consegue negociar a paz entre a ANP, que controla parte da Cisjordânia ocupada, e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que domina Gaza.
Esta divisão entre os principais grupos enfraquece o movimento nacional palestino e as chances de um acordo de paz com Israel que crie uma pátria para o povo palestino.
As Nações Unidas intermediaram uma trégua humanitária no mês passado para tentar evitar uma escalada de violência ou mesmo uma nova guerra entre Israel e o Hamas. O acordo foi feito sem a participação da ANP, minando a autoridade de Abbas.
domingo, 7 de janeiro de 2018
Abbas vai pedir à UE o reconhecimento da independência da Palestina
As fronteiras seriam as anteriores à Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, quando a Cisjordânia pertencia à Jordânia e a Faixa de Gaza ao Egito. O único território árabe ocupado totalmente devolvido foi a Península do Sinai, com base no acordo de paz assinado entre Israel o Egito em Camp David, nos EUA, em 1979.
"Trump e sua equipe trabalham com os israelenses para enterrar a solução baseada em dois Estados e, se a Europa ainda quer esta solução, terá de passar das palavras à ação. E a ação mais importante
é reconhecer o Estado palestino nas fronteiras de 1967, com capital no Leste de Jerusalém", declarou um assessor de Abbas ao jornal liberal israelense Haaretz, sem se identificar.
Abbas vai participar da reunião de 22 de janeiro do Conselho de Ministros da UE. No sábado, os ministros do Exterior de seis países árabes se encontraram em Amã, a capital da Jordânia, para discutir a implementação das propostas da Liga Árabe em resposta à decisão americana.
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
Trump avisa que vai reconhecer Jerusalém como capital de Israel
O rei Abdullah II, da Jordânia, e o presidente da ANP Mahmoud Abbas, advertiram que a medida pode aumentar a tensão e prejudicar o processo de paz entre israelenses e palestinos, noticiou o jornal The Washington Post.
Nenhum país do mundo reconhece Jerusalém como capital de Israel porque o setor árabe, no Leste da cidade, era parte do território da Jordânia. Foi ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, que na prática não terminou até hoje.
Jerusalém era a capital da Palestina, durante o mandato concedido pela Liga das Nações ao Império Britânico para administrar região. Pela decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas que dividiu a Palestina há 70 anos, Jerusalém seria uma cidade internacional.
Mas, na Guerra de Independência de Israel (1948-49), os israelenses tomaram o lado ocidental e a Jordânia ficou com a parte oriental, onde ficam o Muro das Lamentações, a parede que resta do Templo de Jerusalém, o lugar mais sagrado para os judeus, e a Esplanada das Mesquitas, de onde o profeta Maomé teria ascendido aos céus. É o lugar mais sagrado para os muçulmanos depois das cidades de Meca e Medina.
Vários líderes mundiais, inclusive o presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, fizeram um apelo ao presidente americano para que mude de ideia e deixe a decisão sobre o futuro de Jerusalém para as negociações de paz árabe-israelenses.
No telefonema a Abbas, Trump prometeu tomar medidas para promover a paz. O líder palestino respondeu: "Não há nada que você possa oferecer que vá compensar a perda de Jerusalém. Definitivamente, não vamos aceitar."
Abbas e o ministro do Exterior da Turquia alertaram que o presidente americano está fazendo o jogo dos extremistas, mas Trump insistiu que tinha de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, uma promessa de campanha. Há anos, a direita evangélica dos EUA adotou a causa israelense. É contra a divisão da Palestina e mais ainda de Jerusalém, uma cidade sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos.
Trump estaria disposto a bancar uma proposta de paz em que toda Jerusalém ficaria com Israel e teria o apoio do novo príncipe herdeiro saudita, Mohamed ben Salman, interessado em formar uma grande aliança contra o Irã.
terça-feira, 18 de abril de 2017
Presos palestinos fazem greve de fome em Israel
Alguns analistas internacionais do Ocidente já o chamaram de Mandela palestino, mas o ex-ministro do Exterior israelense Silvan lembra que ele "foi condenado por assassinato a sangue frio a cinco prisões perpétuas".
A greve de fome começa a uma semana das eleições provinciais da Palestina. Isso indica que há uma disputa interna dentro da Fatah entre as alas de Abbas e Marghouti.
Em reação à greve de fome, Israel colocou Barghouti numa cela solitária.
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Palestinos vão ao Conselho de Segurança da ONU contra colônias
Abbas manifestou a esperança de que nenhuma potência vete a proposta. Os Estados Unidos costumam vetar resoluções capazes de prejudicar Israel. Diante do péssimo relacionamento entre o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro linha-dura israelense Benjamin Netanyahu, depois das eleições de 8 de novembro os EUA poderiam não vetar a resolução.
Netanyahu sabotou todas as tentativas do governo Obama de retomar o processo de paz árabe-israelense, especialmente por ampliar os assentamentos de colonos israelenses na Cisjordânia, contrariando a Carta da ONU e o direito internacional, que proíbem a guerra de conquista e a expansão territorial à força.
Sem sucesso nas negociações diretas, nos últimos anos, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) resolveu apelar às organizações internacionais para obter o pleno reconhecimento de seu Estado Nacional na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Em 2012, a Palestina passou de observadora a "Estado observador não membro" da ONU.
No seu pronunciamento, o primeiro-ministro Netanyahu convidou Abbas para discursar no Parlamento de Israel e se ofereceu para falar no Parlamento palestino em Ramalá, na Cisjordânia.
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Jordânia tenta organizar encontro entre Israel e Autoridade Palestina
Pelo menos sete israelenses e 30 palestinos foram mortos numa onda de violência que começou no início deste mês com ataques de jovens árabes contra judeus. Alguns observadores, inclusive o jornal francês Le Monde, falam uma terceira intifada, a Intifada das Facas.
Hoje os palestinos tocaram fogo num santuário judaico na cidade de Nablus, a Tumba do Patriarca José, e convocaram protestos generalizados.
A revolta é resultado de uma estagnação no processo de paz. O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, se nega a negociar enquanto Israel não congelar a ampliação das colônias judaicas ilegais instaladas nos territórios ocupados violando o direito internacional. O governo linha-dura de Israel, onde vários partidos se negam a devolver a Cisjordânia, alega então que os palestinos não querem negociar.
Na prática, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que chegou a declarar na campanha que se fosse reeleito jamais permitiria criação de um Estado Nacional palestino, está preocupado com o programa nuclear do Irã e o crescimento de grupos terroristas como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Não vê nos palestinos uma ameaça à segurança de Israel. Mas o clima de anarquia deflagrado pela revolta generalizada favorece a adesão de jovens sem esperança a milícias extremistas.
A causa imediata da revolta é a disputa por um lugar considerado sagrado para o islamismo e o judaísmo, que os judeus chamam de Monte do Templo e os muçulmanos de Esplanada das Mesquitas. De um lado, o Muro das Lamentações, o muro ocidental do antigo Templo de Jerusalém, é o local mais sagrado para os judeus.
Subindo ao alto do monte, fica a Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar mais sagrado do Islã, de onde o profeta Maomé teria ascendido ao céu. Quando Israel ocupou a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, na Guerra dos Seis Dias, em 1967, deixou a administração das mesquitas a cargo da Jordânia. Pelo acordo, os judeus podem visitar a esplanada, mas não fazer orações.
Hoje a direita israelense, cada vez mais determinada a não devolver a Cisjordânia ocupada, desafia essa regra. O sonho dos fundamentalistas judaicos é reconstruir o Templo de Jerusalém, o que obrigaria a derrubar ao menos parte das mesquitas. É um barril de pólvora.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Intifada das facas já matou 7 israelenses e 27 palestinos
Pelo menos três israelenses foram mortos ontem, em mais um Dia da Ira convocado por grupos que lutam pela independência da Palestina. Desde 1º de outubro, sete israelenses e 27 palestinos, entre eles nove agressores e oito crianças, foram mortos na nova intifada. A maioria dos ataques foi cometida por jovens árabes que moram nas grandes cidades israelenses, Jerusalém e Telavive.
O vice-líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, prometeu denunciar Israel perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) por "execuções sumárias".
A violência é resultado da total estagnação do processo de paz. Nas últimas eleições israelenses, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se aliou a partidos que não admitem devolver a Cisjordânia, ocupada na Guerra dos Seis Dias, em 1967, inclusive o setor oeste de Jerusalém, junto com a Faixa de Gaza e as Colinas do Golã, anexadas em 1981 à revelia da Síria.
Com medo de que a revolta e a violenta repressão criem um clima político favorável a grupo extremistas como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e a Jihad Islâmica, vários países árabes, entre eles a Arábia Saudita e o Egito, líderes do mundo árabe, pediram moderação ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
A primeira intifada (revolta das pedras) contra a ocupação israelense foi deflagrada em 1987 e levou à declaração de independência da Palestina feita por Yasser Arafat um ano depois, em 15 de novembro de 1988. Depois da Guerra do Golfo de 1991, os Estados Unidos decidiram promover um processo de paz que levou aos acordos de Oslo em 1993 e 1994 e à criação da ANP.
A segunda intifada foi deflagrada por uma visita do então líder da oposição conservadora, Ariel Sharon, ao Muro das Lamentações, em 28 de setembro de 2000, depois do fracasso das negociações de paz promovidas pelo então presidente americano, Bill Clinton. Como primeiro-ministro, Sharon retirou as forças de Israel da Faixa de Gaza e fundou um partido mais ao centro para negociar a paz antes de sofrer um acidente vascular cerebral, em 2006, que o deixou em coma por oito anos até a morte.
Nos últimos anos, Netanyahu domina a política israelense. Está preocupado com o programa nuclear do Irã, com a guerra civil na Síria e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Negligencia a questão palestina como um problema menor que não ameaça a segurança de Israel. Mas os órfãos dos acordos de Oslo estão nas ruas de Israel descarregando sua raiva e frustração. É deste clima de revolta generalizada que grupos extremistas como o Estado Islâmico se alimentam.
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Presidente palestino não é bem-vindo no Irã
Ao mesmo tempo, Cheikholeslam negou um suposto conflito entre o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e o o regime fundamentalista iraniano por causa da guerra civil na Síria, onde o Irã apoia a ditadura de Bachar Assad e o Hamas os rebeldes sunitas.
A Arábia Saudita se aproximou recentemente do Hamas em sua estratégia para isolar o Irã.
Entre as críticas ao acordo fechado pelas grandes potências do Conselho de Segurança das Nações para desarmar o programa nuclear, está a alegação de que a reaproximação com o Ocidente não basta para mudar a natureza da república dos aiatolás. Sua política externa não seria alterada.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
França tenta ressuscitar negociações entre Israel e os palestinos
A diplomacia francesa já negocia com a Liga Árabe a elaboração de uma resolução a ser apresentada ao Conselho de Segurança das Nações Unidas estabelecendo um cronograma para o processo de paz. Diante da declaração do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu às vésperas das eleições israelenses de que jamais permitiria a criação de um Estado Nacional palestino, os Estados Unidos podem não usar seu poder de veto para proteger Israel.
O processo de paz está estagnado desde a guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza. Antes disso, quando o Hamas se reconciliou com a Fatah (Luta), partido do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Netanyahu já havia descartado qualquer possibilidade de acordo, sob a alegação de seu líder, Mohamed Abbas, estava mais interessado num acordo com o Hamas do que com Israel.
Diante do sequestro e morte de três adolescentes palestinos na Cisjordânia ocupada, em junho de 2014, o governo linha-dura israelense aproveitou a oportunidade para iniciar uma nova guerra contra o Hamas. As ações deste grupo na Faixa de Gaza levaram à tese de que, se Israel se retirar da Cisjordânia, como fez em Gaza, sofrerá ainda mais ataques de radicais palestinos.
Depois de uma surpreendente vitória nas eleições de 17 de março de 2015, Netanyahu formou governo com o ultradireitista Naftali Bennett, que quer simplesmente anexar a Cisjordânia, ignorando o povo palestino.
quinta-feira, 19 de março de 2015
Netanyahu recua e diz aceitar criação de um país palestino
Em entrevista à TV americana MSNBC, Netanyahu declarou estar disposto a concordar o surgimento de uma Palestina independente desde que a segurança de Israel seja garantida: "Eu não quero um Estado só. Quero uma solução com dois Estados pacífica e sustentável, mas para isso seja possível as circunstâncias têm de mudar."
O primeiro-ministro linha-dura de Israel acusou o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, de se negar a reconhecer Israel como um "Estado judaico" e de ter se aliado ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) para destruir seu país.
A oficialização de Israel como um Estado judaico, que tornaria suas populações árabes em cidadãos de segunda classe, foi a causa das eleições antecipadas quando os ministros Yair Lapid e Tzipi Livni se negaram a aprovação. Portanto, há resistência dentro de Israel.
Quanto à aliança entre a Fatah, de Abbas, e o Hamas para formar um governo de união nacional tinha exatamente o objetivo de apresentar uma frente palestina unida nas negociações de paz. De que adianta fazer um acordo de paz excluindo o Hamas, se é este grupo que mais ameaça Israel?
Netanyahu tem usado sucessivas desculpas para fugir de um acordo de paz definitivo sob a mediação dos Estados Unidos. No ano passado, aproveitou-se do sequestro e morte de adolescentes israelenses para invadir a Faixa de Gaza e atacar o Hamas.
Na época, o líder israelense afirmou que a retirada da Cisjordânia ocupada daria uma plataforma nove vezes maior para ataques a Israel. Nada indica que tenha mudado de opinião. Vai empurrando as negociações como pode, enquanto amplia as colônias nos territórios ocupados para criar um fato consumado.
A declaração prometendo vetar eternamente a criação de uma Palestina independente foi feita sob medida para agradar aos colonos ilegais da Cisjordânia.
O governo Barack Obama, agastado com o discurso de Netanyahu no Congresso dos EUA em 3 de março sabotando as negociações nucleares com o Irã, não acreditou muito na suposta mudança de posição do primeiro-ministro. Os EUA ameaçam não usar o veto na próxima vez em que a questão palestina for levada ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Presidente palestino adverte para "guerra religiosa global"
Abbas exige a devolução de toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, inclusive do setor árabe de Jerusalém. Ele advertiu que cristãos e muçulmanos nunca vão aceitar a unificação de Jerusalém como capital do Estado de Israel.
O ministro do Exterior linha-dura de Israel, Avigdor Lieberman, contrário à criação de um Estado Palestino, afirmou que Abbas é mais perigoso do que Yasser Arafat, o líder histórico do movimento nacionalista pela independência da Palestina, falecido em 2004.
Hoje milhares de palestinos lembraram os dez anos da morte de Arafat. Da prisão, um dos principais líderes e comandantes militares da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Marwan Barghouti, defendeu uma "insurreição armada" contra Israel.
"É hora de considerar opções de luta armada, o caminho mais curto para o fim da ocupação e a conquista da liberdade", declarou Barghouti em carta aberta publicada num jornal palestino. Ele era comandante militar da Fatah (Luta), o partido de Arafat e Abbas, até sua prisão em 2002.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Suécia reconhece independência da Palestina
Sem avanços nas negociações intermediadas pelos Estados Unidos, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas ameaçou várias tentar outra via para construir o Estado nacional palestino, obtendo o reconhecimento através de organizações internacionais como as Nações Unidas e o Tribunal Penal Internacional. Israel adverte que sem um acordo de paz os palestinos não terão controle sobre o território que reivindicam.
A ANP quer construir a Palestina nos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967, a saber a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, com capital no setor árabe de Jerusalém. O governo direitista israelense não para de autorizar obras para expulsar na prática os moradores árabes de Jerusalém. Partidos de extrema direita defendem a anexação da Cisjordânia.
Durante o fim de semana, uma conferência internacional ofereceu US$ 5,4 bilhões para a reconstrução da Faixa de Gaza depois da guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). O governo israelense não conseguiu condicionar a ajuda ao desarmamento do grupo.
domingo, 31 de agosto de 2014
Israel amplia colonização da Cisjordânia
Em Washington, o governo dos Estados Unidos criticou a expansão das colônias como "contraproducente" para o processo de paz no Oriente Médio.
O movimento pacifista israelense Paz Agora também protestou, descrevendo a medida como "uma facada nas costas" da Autoridade Nacional Palestina, de seu presidente Mahmoud Abbas e dos moderados que buscam uma solução diplomática para o conflito, enquanto o Hamas insiste que só a luta armada pode levar à criação de um país para o povo palestino.
Agora, a colônia de Gevaot será ampliada com a construção de uma nova cidade, Gvaot, em território ocupado, à revelia do direito internacional, que proíbe a guerra de conquista.
Cada vez mais a direita israelense se afasta do plano de paz proposto pelos EUA, que prevê a divisão do território histórico da Palestina numa pátria para o povo judeu (Israel) e outra para os palestinos (Palestina), como estabeleceu a votação das Nações Unidas que decidiu criar Israel em 1947.
No momento em que proliferam os desafios muito maiores à sobrevivência de Israel como o programa nuclear do Irã, o surgimento do Estado Islâmico do Iraque e do Levante e a conquista pela Frente al-Nusra, ligada à rede terrorista Al Caeda, de um posto de fronteira nas Colinas do Golã, o governo Benjamin Netanyahu não parece disposto a fechar a frente de batalha com os palestinos para se concentrar em inimigos mais poderosos. Prefere continuar lutando em todas as frentes.
Num Oriente Médio em convulsão, é uma atitude temerária.
Como a extrema direita de dentro do governo pressionou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a reocupar a Faixa de Gaza para desarmar totalmente o Hamas e outros grupos palestinos, e ele resolveu não fazer isso, em contrapartida decidiu ampliar a colônia. Netanyahu sai enfraquecido da guerra, sem conquistar nenhum objetivo político além de degradar a capacidade de ataque do Hamas.
A contenção da ofensiva jihadista que está rasgando o mapa do moderno Oriente Médio pós-Primeira Guerra Mundial exige a deslegitimação das estratégias baseadas na "guerra santa", fortalecidas pelo fracasso da Primavera Árabe de encaminhar a democratização dos países árabes e pela crônica estagnação do processo de paz árabe-israelense. A paz entre Israel e os palestinos é uma peça fundamental para desarmar o Oriente Médio, mais uma vez alvo de múltiplas explosões e intermináveis conspirações.