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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Junho

PRIMEIRO DE SEIS CASAMENTOS REAIS

    Em 1509, Henrique VIII, da Inglaterra, se casa com a primeira de suas seis mulheres, Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Henrique VIII é filho de Henrique VII, que ascende ao trono depois de derrotar Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 1485, no fim da Guerra das Duas Rosas (1455-87), marco do fim da Idade Média na Inglaterra. Quer um filho homem para herdar o trono e acabar com as guerras de príncipes pretendentes à coroa.

Como Catarina tem uma filha mulher, Maria Tudor, a futura Maria I, Henrique VIII se divorcia para se casar com Ana Bolena. Para isso, rompe com o Vaticano e faz a reforma protestante na Inglaterra, em 1534. Ana Bolena lhe dá outra filha, a futura Elizabeth I, a rainha mais poderosa da história do país.

A terceira mulher, Jane Seymour, tem um filho homem. Mas Eduardo VI é fraco e morre antes de completar 16 anos, depois de 6 anos no trono. Maria I e Elizabeth I disputam o trono, numa guerra civil entre católicos e protestantes, reiniciada o século 17 na Guerra Civil Inglesa.

TRATADO DE BRESLAU

    Em 1742, a imperatriz Maria Teresa da Áustria decide entregar quase toda a região da Silésia à Prússia para acabar com a Primeira Guerra da Silésia e fazer a paz com o rei Frederico II, o Grande, no Tratado de Breslau.

Filha mais velha do imperador Carlos VI, do Sacro Império Romano-Germânico, Maria Teresa nasce no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena, na Áustria, em 13 de maio de 1717. É a única mulher a reinar na Dinastia dos Habsburgo. Como perde o único filho homem, Carlos VI aplica a Sanção Pragmática  para permitir que uma mulher ascenda ao trono, o que é proibido pela Lei Sálica.

Arquiduquesa da Áustria, rainha da Hungria, da Boêmia, da Croácia, de Mântua, de Milão, da Galícia e Lodomeria, de Parma e dos Países Baixos Austríacos de 1740 até a morte, em 1780. Ao se casar com Francisco Estêvão da Lorena, torna-se Duquesa da Lorena, Grã-Duquesa da Toscana e imperatriz consorte de Francisco I no Sacro Império Romano-Germânico.

O casal tem 16 filhos. Dez se tornam adultos, entre eles as rainhas Maria Antonieta da França e Maria Carolina das Duas Sicílias e os imperadores do Sacro Império José II e Leopoldo II, avô da imperatriz Leopoldina, primeira mulher do imperador Dom Pedro I, do Brasil..

Com a morte de Carlos VI, a França, a Baviera, a Saxônia e a Prússia não reconhecem mais a Sanção Pragmática. A Prússia invade a Silésia, iniciando um conflito de nove anos, a Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48). Inicialmente, ela se nega a negociar com Frederico II.

Depois de várias tentativas frustradas de expulsar o invasor, a imperatriz cede. Apesar do Tratado de Breslau, a Guerra da Sucessão Austríaca continua e termina com a Silésia sob o controle da Prússia, Maria Teresa confirmada no trono da Áustria e seu marido como imperador do Sacro Império. 

Ela tenta recuperar a Silésia na Guerra dos Sete Anos (1956-63), que opõe a França, o Império dos Habsburgo, a Rússia, a Suécia, a Espanha e a Saxônia ao Reino Unido, Portugal, à Prússia e a Hanôver. Mas não consegue. A Guerra dos Sete Anos é uma causa da Guerra da Independência dos EUA (1775-83) e da Revolução Francesa de 1789.

BATALHA DO RIACHUELO

    Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, a Marinha do Brasil, sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, o Barão do Amazonas, vence a força naval paraguaia no arroio Riachuelo, afluente do Rio Paraná, na província de Corrientes, na Argentina. É a maior batalha da história naval brasileira.

A navegação na Bacia do Prata é uma das causas da Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai), conhecida no Paraguai como a Guerra Grande. As forças aliadas estão sob o comando do presidente da Argentina, Bartolomeu Mitre, mas a Marinha do Brasil não está subordinada a ele.

O comandante da Marinha do Brasil é o almirante Joaquim Marques Lisboa, o Visconde e futuro Marquês de Tamandaré, que manda Barroso, o chefe do Estado-Maior, comandar a força naval brasileira. Sua frota sai de Montevidéu em 28 de abril, ataca a cidade argentina de Corrientes, que está sob controle paraguaio, vence a batalha, mas não consegue manter a ocupação.

Como o ataque detém o avanço do Paraguai pelo Rio Paraná, o ditador Francisco Solano López decide atacar a frota do Brasil. A esquadra paraguaia sai de Humaitá no dia 10 para encontrar a força naval brasileira na madrugada do dia 11. Uma avaria no navio Iberá atrasa os paraguaios. 

As duas esquadras se avistam às nove da manhã de 11 de junho. A esquadra brasileira estaciona a 25 quilômetros ao sul de Corrientes. Tem nove navios com um total de 59 canhões, 1.113 fuzileiros navais e 1.174 soldados do Exército Imperial. A Marinha do Paraguai tem 8 navios com 38 canhões mais 7 chatas, cada uma com um canhão.

Às 9h25, o almirante Barroso iça uma faixa dizendo: "O Brasil espera que cada um cumpra seu dever." Traduz a frase do almirante inglês Horace Nelson na Batalha de Trafalgar, em 1805, considerada uma das mais importantes batalhas navais da história, que impede o imperador francês Napoleão Bonaparte de invadir a Inglaterra.

O Brasil faz três cargas. O Paraguai perde quatro navios e quatro chatas. O resto da frota foge rio acima. Às 17h30, a batalha está terminada com uma vitória decisiva do Brasil. 

A partir daí, a Tríplice Aliança controla a Bacia do Prata até a fronteira do Paraguai. Não só pode fornecer apoio logístico às forças terrestres como impede o Paraguai de ter contato com o exterior.

Em 1866, Solano López tenta negociar a paz com o comandante dos aliados, o presidente argentino Bartolomeu Mitre, que exige sua renúncia como previsto no Tratado da Tríplice Aliança. Não há acordo e a guerra se arrasta até a morte do ditador paraguaio, em 1º de março de 1870, com o sacrifício de 90% da população masculina adulta do Paraguai.

GUARDA NACIONAL PROTEGE NEGROS EM UNIVERSIDADE

    Em 1963, por ordem do presidente John Kennedy, a Guarda Nacional rompe o bloqueio imposto pelo governador George Wallace na Universidade do Alabama em Tuscaloosa e garante o acesso de dois jovens negros, James Hood e Vivian Malone.

Wallace, um dos mais notórios supremacistas brancos da história recente dos Estados Unidos, é eleito em 1962 com uma plataforma claramente racista: "Segragação agora! Segregação amanhã! Segregação para sempre!" Vai pessoalmente à universidade para impedir a entrada dos negros.

A Suprema Corte decide em 1954 que a segregação racial é inconstitucional. Kennedy está determinado a aplicar a decisão. Em 10 de junho, federaliza a Guarda Nacional do Alabama. No dia seguinte, manda garantir o acesso dos negros à universidade. Wallace acaba aceitando.

FIM DA GUERRA COM OCUPAÇÕES QUE PERSISTEM ATÉ HOJE

    Em 1967, termina a Guerra dos Seis Dias com ampla vitória de Israel sobre o Egito, a Síria e a Jordânia, e a ocupação da Península do Sinai e da Faixa de Gaza, do Egito; da Cisjordânia, inclusive do setor oriental (árabe) de Jerusalém, parte da Jordânia; e das Colinas do Golã, da Síria.

Cessam as hostilidades, mas o conflito subsiste até hoje com a questão dos territórios árabes ocupados. Depois da Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o novo ditador do Egito, Anuar Sadat, abandona a aliança com a União Soviética em 1977, se alia aos EUA e faz a paz com Israel nos Acordos de Camp David, em 1979, para recuperar o Sinai.

Há um ditado no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito [maior exército do mundo árabe] nem paz sem a Síria." Nunca mais os países árabes se unem contra Israel, que anexa as Colinas do Golã em 1981, inviabilizando a paz com a Síria.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, onde seria criado um país para os palestinos. Isso não aconteceu até hoje.

Israel se retira de Gaza em 2005, mas mantém o controle do espaço aéreo e do mar, e no momento trava uma guerra brutal contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), a quinta e mais violenta desde que o grupo fundamentalista muçulmano assumiu o controle do território numa guerra civil palestina, em 2007.

Na Cisjordânia, há 100 colônias ilegais à luz do direito internacional onde vivem 470 mil israelenses, além de 220 mil no setor oriental de Jerusalém, anexado ilegalmente por Israel em 1980, quando a Knesset, o parlamento israelense, declara que a cidade unificada é a capital indivisível de Israel.

TERRORISTA NORTE-AMERICANO EXECUTADO

    Em 2001, o terrorista Timothy McVeigh, condenado por um atentado contra um edifício do governo dos Estados Unidos na Cidade de Oklahoma com 168 mortes, é executado com injeção letal num complexo penitenciário federal em Terre Haute, no estado de Indiana.

McVeigh nasce em Lockport, no estado de Nova York, em 23 de abril de 1868. Menino tímido e retraído, sofre bullying na escola. Na adolescência, começa a se interessar por armas e entra para a Escola da Infantaria do Exército em Forte Benning, na Geórgia, onde se forma aos 20 anos.

No Exército, é advertido por comprar uma camiseta do Poder Branco em manifestação do grupo supremacista branco Ku Klux Klan contra militantes negros com camisetas do Poder Negro.

Ele vira artilheiro de elite de um canhão de 25 mm, é promovido a sargento e enviado ao Oriente Médio na Operação Tempestade do Deserto, a guerra de 1991 para expulsar o Exército do Iraque, que invadira o Kuwait em 2 de agosto de 1990.

Ao falar da experiência na guerra, McVeigh conta que no primeiro dia decapita um soldado iraniano com um tiro de canhão. Fica chocado com a ordem de executar prisioneiros rendidos e com a carnificina quando os EUA bombardeiam as tropas iraquianas em fuga na saída da Cidade do Kuwait.

De volta aos EUA, McVeigh tenta entrar para as forças especiais, mas é eliminado no processo de seleção. Consegue um emprego ruim em Decker, no estado de Michigan. Não consegue comprar casa nem arrumar namorada. Começa a jogar e contrai dívidas que não consegue pagar.

Sua situação financeira alimenta o ressentimento contra o governo. Quando o FBI (Federal Bureau of Investigation) cerca a sede do culto Ramo Davidiano, em Waco, no Texas, de 28 de fevereiro a 19 de abril de 1993, McVeigh vai para lá panfletar em defesa do direito de portar armas.

O cerco termina num confronto chamado de Massacre de Waco, com a morte de 76 davidianos e 3 agentes do FBI. Outros 6 membros do culto morrem no início do cerco, em 28 de fevereiro.

A atentado em Oklahoma é a vingança de McVeigh contra o governo federal dos EUA. Depois do Massacre de Waco, ele e Terry Nichols começam a planejar o ataque terrorista, realizado exatamente dois anos depois da tragédia no Texas.

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terça-feira, 9 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

 FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província do Quebec, a região francófona do Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. É uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

NAZISTAS AVANÇAM RUMO AO ATLÂNTICO

    Em 1940, as forças da Alemanha Nazista sob o comando do general Erwin Rommel cruzam o Rio Sena e avançam em direção ao Oceano Atlântico.
Rommel nasce em Heideinheim, na Alemanha, em 15 de novembro de 1891, filho de um professor e da filha de um alto oficial. Ele entra para o Regime de Infantaria de Württemberg em 1910. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), luta na França, na Romênia e na Itália, onde se destaca por coragem e bravura.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha, março de 1938, Rommel é nomeado diretor de uma escola para oficiais em Wiener Neustadt, perto de Viena.

Quando começa a Segunda Guerra Mundial (1939-45), ele se torna comandante das forças que protegem o quartel-general de Hitler e se aproxima pessoalmente do Führer. Depois da invasão da Polônia, marco do início da guerra, em 1º de setembro de 1939, há uma relativa trégua até a Alemanha lançar sua ofensiva na frente ocidental com a invasão da Noruega em 9 de abril de 1940.

Em seguida, os nazistas invadem a Holanda, a Bélgica e a França, em maio. Como comandante da 7ª Divisão de Tanques Panzer, Rommel recebe a missão de avançar até o Atlântico. Sem condições de defender a França, o Reino Unido recua com a Retirada de Dunquerque.

Menos de um ano depois, em fevereiro de 1941, Rommel é nomeado comandante do Afrika Korps, o exército africano de Hitler. Ele fica conhecido como a Raposa do Deserto, vira herói e é promovido a marechal de campo.

No verão de 1942, Hitler ordena um ataque ao Cairo e ao Canal de Suez, mas o Afrika Korps é derrotado pelo Exército Real britânico na Segunda Batalha de El-Alamein, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria. Em 1943, ele é chamado de volta para a Alemanha.

Em 1944, Rommel é encarregado pela Muralha do Atlântico, a série defesas construídas pela Alemanha para proteger o litoral da França da invasão aliada que acaba acontecendo em 6 de junho, o Dia D.

McCARTHY DESMORALIZADO    

    Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitem a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

O senador lança sua campanha no governo democrata de Harry Truman (1945-53). Com a posse do republicano Dwight Eisenhower (1953-61), o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), McCarthy se torna um estorvo para o partido. Os ataques contra a CIA e o Exército o desmoralizam totalmente.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados Unidos para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981, o que só é reconhecido pelos EUA, no primeiro governo Donald Trump, em 25 de março de 2019.

O atual governo de extrema direita de Israel tem a clara intenção de anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, enterrando de vez a proposta de criação de uma pátria independente para o povo palestino.

GRANDE VITÓRIA DE THATCHER

    Em 1983, um ano depois da ganhar a Guerra das Malvinas contra a ditadura militar da Argentina, com a oposição dividida, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral e começa a radicalizar seu programa de reformas neoliberais.

Margaret Hilda Thatcher é a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chega ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

A Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa é deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral wn 1983. Com maioria de 144 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considera criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador   preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governa o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Convoca e perde em 23 de junho de 2016, o que leva o Reino Unido a deixar a UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, sela sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thacher.

Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

O regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defende com tanto vigor ao lado de Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Junho

EUA DEIXAM PADRÃO-OURO

     Em 1933, durante a Grande Depressão (1929-39), o presidente Franklin Delano Roosevelt retira os Estados Unidos do padrão-ouro.

O padrão-ouro é um sistema no qual a moeda de um país é lastreada por ouro e tem cotação fixa em ouro. O país precisa ter ouro para emitir moeda. A qualquer momento, a moeda pode ser trocada por ouro. Nos EUA, acaba quando o Congresso aprova uma resolução que extingue o direito dos credores de exigir pagamento em ouro.

Roosevelt é eleito em 1932, no auge da Grande Depressão (1929-39), a crise deflagrada pelo colapso da Bolsa de Valores de Nova York em 28 de outubro de 1929, com queda de 13% num dia. Erros de política econômica como o aumento do protecionismo agravam a situação. O índice de desemprego chega a 25%.

No discurso de posse, em 4 de março de 1933, o novo presidente declara: "Não temos nada a temer, a não ser o próprio medo." Ele anuncia uma série de medidas num plano de 100 dias para recuperar a confiança dos norte-americano em si mesmos e cria a Previdência Social. 

É o início do Estado do bem-estar social, que é atacado pelo Partido Republicano e o neoliberalismo, especialmente a partir da eleição do presidente Ronald Reagan (1981-89) em 1980.

Em 20 de abril de 1933, Roosevelt pede ao Congresso o fim do padrão-ouro.

PLANO MARSHALL

    Em 1947, em discurso na Universidade de Harvard, em Cambridge, no estado de Massachusetts, o secretário de Estado norte-americano, George Marshall, lança o Plano Marshall, um programa de recuperação da Europa depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) financiado pelos Estados Unidos no início da Guerra Fria.

O objetivo é fortalecer as economias capitalistas aliadas dos EUA e reduzir a atratividade dos partidos comunistas no início da Guerra Fria, a grande confrontação estratégica, política, ideológica, econômica, científica, tecnológica, militar e cultural com a União Soviética.

Marshall defende a ajuda dos EUA à Europa e pede aos países europeus que façam um plano no discurso em Harvard. A França e o Reino Unido convidam os países do continente para uma reunião em Paris. A URSS boicota o encontro e pressiona a Hungria, a Tcheco-Eslováquia e a Polônia a fazer o mesmo.

O Congresso dos EUA aprova a proposta do Comitê de Cooperação Econômica da Europa em 2 de abril de 1948.

Durante quatro anos (1948-51), o Programa de Recuperação da Europa distribui US$ 13,4 bilhões (US$ 115 bilhões pela cotação de 2020) em ajuda direta e empréstimos a 18 países, inclusive Alemanha Ocidental, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Suécia. Seus produtos internos brutos crescem de 15% a 25%.

Em  resposta ao Plano Marshall, em 1949, a URSS cria o Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecon) com a Alemanha Oriental, a Bulgária, a Hungria, a Polônia, a Romênia e a Tcheco-Eslováquia. 

GUERRA DOS SEIS DIAS

   Em 1967, Israel toma a iniciativa na Guerra dos Seis Dias, bombardeia e destrói em terra 400 a 500 aviões das forças aéreas dos países árabes.

Quando o Estado de Israel é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam e atacam o novo país no dia seguinte. Israel vence a Guerra da Independência (1948-49), a Primeira Guerra Árabe-Israelense, mas o conflito não acaba até hoje.

Em 26 de julho de 1956, o ditador egípcio, Gamal Abdel Nasser, nacionaliza o Canal de Suez. Israel, o Reino Unido e a França invadem o Egito, na Segunda Guerra Árabe-Israelense, para retomar o canal e depor Nasser.

Os Estados Unidos, a União Soviética e as Nações Unidas pressionam os países invasores a se retirar. O presidente norte-americano Dwight Eisenhower teme a intervenção soviética no conflito contra seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que colocaria as duas superpotências em guerra. 

Washington retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) à França e o Reino Unido, que ainda sofrem o impacto econômico da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Nasser sai mais forte.

Os invasores afundam 40 navios para bloquear o canal, mas são forçados a se retirar. Suez fica fechado de outubro de 1956 e março de 1957. Israel conquista o direito de navegação pelo Estreito de Tiran, fechado pelo Egito para navios israelenses desde a guerra de 1948.

Israel adverte o Egito de que vai à guerra se o estreito for fechado de novo. Em maio de 1967, Nasser ameaça fechar e mobiliza as Forças Armadas. Quando o ditador egípcio pede a retirada da Força de Emergência das Nações Unidas que garantia a paz na Península do Sinai, Israel entende que é uma preparação final para a guerra, decide atacar primeiro e surpreende os inimigos árabes.

Com superioridade aérea, Israel derrota os inimigos e ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, que pertenciam ao Egito; a Cisjordânia, inclusive o Leste de Jerusalém, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

É a mais rápida e decisiva vitória de Israel, mas é uma guerra que não termina até hoje. Em 1977, depois da derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o líder egípcio Anuar Sadat se afasta dos EUA e assina um acordo de paz paz com Israel dois anos depois para recuperar o Sinai. 

O movimento nacional palestino sonha em criar um país independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. O processo de paz está estagnado desde 2014. Israel se retira em 2005 da Faixa de Gaza, dominada desde 2007 pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o que leva a várias guerras com Israel, especialmente a atual, deflagrada em 7 de outubro de 2023, enquanto amplia pouco a pouco a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

A guerra atual é resultado da estagnação no processo de paz. Ao mesmo tempo, cria a oportunidade de um acordo de paz definitivo com a criação de um Estado Nacional para o povo palestino, mas o governo de extrema direita de Bibi Netanyahu não aceita. Israel precisa realizar eleições até outubro. A expectativa é de que um novo governo construa a paz que o país não tem desde a fundação.

BOB KENNEDY BALEADO

     Em 1968, o palestino Sirhan Bishara Sirhan baleia mortalmente o senador Robert Fitzgerald Kennedy, que acaba de ganhar a eleição primária da Califórnia e de garantir a candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos naquele ano.

Bob Kennedy morre no dia seguinte. Era herdeiro político do irmão, o presidente John Fitzgerald Kennedy, assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, no Texas.

Como ministro da Justiça do governo JFK e membro do gabinete de guerra durante a Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, Bob Kennedy é uma das pombas que evitam um conflito capaz de levar a uma guerra nuclear com a União Soviética.

1968 é um ano sangrento na política dos EUA, marcado por ofensivas dos vietcongues na Guerra do Vietnã e violência política no país. O pastor Martin Luther King Jr., maior ativista pelos direitos civis dos negros, é morto em Memphis, no Tennessee, em 4 de abril, quando Bob Kennedy faz um discurso pregando a paz e a reconciliação.

PRIMEIRO RELATÓRIO SOBRE AIDS

    Em 1981, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publica o primeiro relatório científico sobre a síndrome de deficiência imunológica adquirida (aids). Descreve cinco casos de uma infecção pulmonar complicada em pacientes gays de Los Angeles sem outros problemas de saúde.

Os primeiros casos da doença depois identificada como aids acontecem nos EUA, no Haiti e na África Central em 1977. Em 1980, o jornal The New York Times reporta que uma nova doença inicialmente descrita como um câncer raro está matando gays nova-iorquinos como moscas. Depois, descobre-se que a doença transmitida sexualmente também atinge mulheres.

Desde o início da pandemia, 85 a 90 milhões de pessoas pegam o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e 40 a 45 milhões morrem. O uso de preservativos, as camisas de vênus ou camisinhas, nas relações sexuais, é a melhor maneira de evitar o contágio. Com o uso de medicamentos antirretrovirais, a doença deixa de ser uma morte certa. Hoje, estima-se que entre 39 e 40 milhões de pessoas vivam com o HIV; 53% são meninas e mulheres.

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quarta-feira, 11 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Junho

 PRIMEIRO DE SEIS CASAMENTOS REAIS

    Em 1509, Henrique VIII, da Inglaterra, se casa com a primeira de suas seis mulheres, Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Henrique VIII é filho de Henrique VII, que ascende ao trono depois de derrotar Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 1485, no fim da Guerra das Duas Rosas (1455-87), marco do fim da Idade Média na Inglaterra. Quer um filho homem para herdar o trono e acabar com as guerras de príncipes pretendentes à coroa.

Como Catarina tem uma filha mulher, a futura Maria I, Henrique VIII se divorcia para se casar com Ana Bolena. Para isso, rompe com o Vaticano faz a reforma protestante na Inglaterra, em 1534. Ana Bolena lhe dá outra filha, a futura Elizabeth I, a rainha mais poderosa da história do país.

A terceira mulher, Jane Seymour, tem um filho homem. Mas Eduardo VI é fraco e morre antes de completar 16 anos, depois de 6 anos no trono. Maria I e Elizabeth I disputam o trono, numa guerra civil entre católicos e protestantes, reiniciada o século 17 na Guerra Civil Inglesa.

TRATADO DE BRESLAU

    Em 1742, a imperatriz Maria Teresa da Áustria decide entregar quase toda a região da Silésia à Prússia para acabar com a Primeira Guerra da Silésia e fazer a paz com o rei Frederico II, o Grande, no Tratado de Breslau.

Filha mais velha do imperador Carlos VI, do Sacro Império Romano-Germânico, Maria Teresa nasce no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena, na Áustria, em 13 de maio de 1717. É a única mulher a reinar na Dinastia dos Habsburgo. Como perde o único filho homem, Carlos VI aplica a Sanção Pragmática  para permitir que uma mulher ascenda ao trono, o que é proibido pela lei sálica.

Arquiduquesa da Áustria, rainha da Hungria, da Boêmia, da Croácia, de Mântua, de Milão, da Galícia e Lodomeria, de Parma e dos Países Baixos Austríacos de 1740 até a morte, em 1780. Ao se casar com Francisco Estêvão da Lorena, torna-se Duquesa da Lorena, Grã-Duquesa da Toscana e imperatriz consorte de Francisco I no Sacro Império Romano-Germânico.

O casal tem 16 filhos. Dez se tornam adultos, entre eles as rainhas Maria Antonieta da França e Maria Carolina das Duas Sicílias e os imperadores do Sacro Império José II e Leopoldo II.

Com a morte de Carlos VI, a França, a Baviera, a Saxônia e a Prússia não reconhecem mais a Sanção Pragmática. A Prússia invade a Silésia, iniciando um conflito de nove anos, a Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48). Inicialmente, ela se nega a negociar com Frederico II.

Depois de várias tentativas frustradas de expulsar o invasor, a imperatriz cede. Apesar do Tratado de Breslau, a Guerra da Sucessão Austríaca continua e termina com a Silésia sob o controle da Prússia, Maria Teresa confirmada no trono da Áustria e seu marido como imperador do Sacro Império. 

Ela tenta recuperar a Silésia na Guerra dos Sete Anos (1956-63), que opõe a França, o Império dos Habsburgo, a Rússia, a Suécia, a Espanha e a Saxônia ao Reino Unido, Portugal, à Prússia e a Hanôver. Mas não consegue. A Guerra dos Sete Anos é uma causa da Guerra da Independência dos EUA (1775-83) e da Revolução Francesa de 1789.

BATALHA DO RIACHUELO

    Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, a Marinha do Brasil, sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, o Barão do Amazonas, vence a força naval paraguaia no arroio Riachuelo, afluente do Rio Paraná, na província de Corrientes, na Argentina. É a maior batalha da história naval brasileira.

A navegação na Bacia do Prata é uma das causas da Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai), conhecida no Paraguai como a Guerra Grande. As forças aliadas estão sob o comando do presidente da Argentina, Bartolomeu Mitre, mas a Marinha do Brasil não está subordinada a ele.

O comandante da Marinha do Brasil é o almirante Joaquim Marques Lisboa, o Visconde e futuro Marquês de Tamandaré, que manda Barroso, o chefe do Estado-Maior, comandar a força naval brasileira. Sua frota sai de Montevidéu em 28 de abril, ataca a cidade argentina de Corrientes, que está sob controle paraguaio, vence a batalha, mas não consegue manter a ocupação.

Como o ataque detém o avanço do Paraguai pelo Rio Paraná, o ditador Francisco Solano López decide atacar a frota do Brasil. A esquadra paraguaia sai de Humaitá no dia 10 para encontrar a força naval brasileira na madrugada do dia 11. Uma avaria no navio Iberá atrasa os paraguaios. 

As duas esquadras se avistam às nove da manhã de 11 de junho. A esquadra brasileira estaciona a 25 quilômetros ao sul de Corrientes. Tem nove navios com um total de 59 canhões, 1.113 fuzileiros navais e 1.174 soldados do Exército Imperial. A Marinha do Paraguai tem 8 navios com 38 canhões mais 7 chatas, cada uma com um canhão.

Às 9h25, o almirante Barroso iça uma faixa dizendo: "O Brasil espera que cada um cumpra seu dever." Traduz a frase do almirante inglês Horace Nelson na Batalha de Trafalgar, em 1805, considerada uma das mais importantes batalhas navais da história, que impede o imperador francês Napoleão Bonaparte de invadir a Inglaterra.

O Brasil faz três cargas. O Paraguai perde quatro navios e quatro chatas. O resto da frota foge rio acima. Às 17h30, a batalha está terminada com uma vitória decisiva do Brasil. 

A partir daí, a Tríplice Aliança controla a Bacia do Prata até a fronteira do Paraguai. Não só pode fornecer apoio logístico às forças terrestres como impede o Paraguai de ter contato com o exterior.

Em 1866, Solano López tenta negociar a paz com o comandante dos aliados, o presidente argentino Bartolomeu Mitre, que exige sua renúncia como previsto no Tratado da Tríplice Aliança. Não há acordo e a guerra se arrasta até a morte do ditador paraguaio, em 1º de março de 1870, com a morte de 90% da população masculina adulta do Paraguai.

GUARDA NACIONAL PROTEGE NEGROS EM UNIVERSIDADE

    Em 1963, por ordem do presidente John Kennedy, a Guarda Nacional rompe o bloqueio imposto pelo governador George Wallace na Universidade do Alabama em Tuscaloosa e garante o acesso de dois jovens negros, James Hood e Vivian Malone.

Wallace, um dos mais notórios supremacistas brancos da história recente dos Estados Unidos, é eleito em 1962 com uma plataforma claramente racista: "Segragação agora! Segregação amanhã! Segregação para sempre!" Vai pessoalmente à universidade para impedir a entrada dos negros.

A Suprema Corte decide em 1954 que a segregação é inconstitucional. Kennedy está determinado a aplicar a decisão. Em 10 de junho, federaliza a Guarda Nacional do Alabama. No dia seguinte, manda garantir o acesso dos negros à universidade. Wallace acaba aceitando.

FIM DA GUERRA COM OCUPAÇÕES QUE PERSISTEM ATÉ HOJE

    Em 1967, termina a Guerra dos Seis Dias com ampla vitória de Israel sobre o Egito, a Síria e a Jordânia, e a ocupação da Península do Sinai, da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, inclusive do setor oriental (árabe) de Jerusalém, e das Colinas do Golã.

Cessam as hostilidades, mas o conflito subsiste até hoje com a questão dos territórios árabes ocupados. Depois da Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o novo ditador do Egito, Anuar Sadat, abandona a aliança com a União Soviética em 1977, se alia aos EUA e faz a paz com Israel nos Acordos de Camp David, em 1979, para recuperar o Sinai.

Há um ditado no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito [maior exército do mundo árabe] nem paz sem a Síria." Nunca mais os países árabes se unem contra Israel, que anexa as Colinas do Golã em 1981, inviabilizando a paz com a Síria.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, onde seria criado um país para os palestinos. Isso não aconteceu até hoje.

Israel se retira de Gaza em 2005, mas mantém o controle do espaço aéreo e do mar, e no momento trava uma guerra brutal contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), a quinta e mais violenta desde que o grupo fundamentalista muçulmano assumiu o controle do território numa guerra civil palestina, em 2007.

Na Cisjordânia, há 100 colônias ilegais à luz do direito internacional onde vivem 470 mil israelenses, além de 220 mil no setor oriental de Jerusalém, anexado ilegalmente por Israel em 1980, quando a Knesset, o parlamento israelense, declara que a cidade unificada é a capital indivisível de Israel.

TERRORISTA NORTE-AMERICANO EXECUTADO

    Em 2001, o terrorista Timothy McVeigh, condenado por um atentado contra um edifício do governo dos Estados Unidos na Cidade de Oklahoma com 168 mortes, é executado com injeção local num complexo penitenciário federal em Terre Haute, no estado de indiana.

McVeigh nasce em Lockport, no estado de Nova York, em 23 de abril de 1868. Menino tímido e retraído, sofre bullying na escola. Na adolescência, começa a se interessar por armas e entra para a Escola da Infantaria do Exército em Forte Benning, na Geórgia, onde se forma aos 20 anos.

No Exército, é advertido por comprar uma camiseta do Poder Branco em manifestação do grupo supremacista branco Ku Klux Klan contra militantes negros com camisetas do Poder Negro.

Ele vira artilheiro de elite de um canhão de 25 mm, é promovido a sargento e enviado ao Oriente Médio na Operação Tempestade do Deserto, a guerra de 1991 para expulsar o Exército do Iraque, que invadira o Kuwait em 2 de agosto de 1990.

Ao falar da experiência na guerra, McVeigh conta que no primeiro dia decapita um soldado iraniano com um tiro de canhão. Fica chocado com a ordem de executar prisioneiros rendidos e com a carnificina quando os EUA bombardeiam as tropas iraquianas em fuga na saída da Cidade do Kuwait.

De volta aos EUA, McVeigh tenta entrar para as forças especiais, mas é eliminado no processo de seleção. Consegue um emprego ruim em Decker, no estado de Michigan. Não consegue comprar casa nem arrumar namorada. Começa a jogar e contrai dívidas que não consegue pagar.

Sua situação financeira alimenta o ressentimento contra o governo. Quando o FBI (Federal Bureau of Investigation) cerca a sede do culto Ramo Davidiano, em Waco, no Texas, de 28 de fevereiro a 19 de abril de 1993, McVeigh vai para lá panfletear em defesa do direito de portar armas.

O cerco termina num confronto chamado de Massacre de Waco, com a morte de 76 davidianos e 3 agentes do FBI. Outros seis membros do culto morrem no início do cerco, em 28 de fevereiro.

A atentado em Oklahoma é a vingança de McVeigh contra o governo federal dos EUA. Depois do Massacre de Waco, ele e Terry Nichols começam a planejar o ataque terrorista, realizada exatamente dois anos depois da tragédia no Texas.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

 FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província do Quebec, a região francófona do Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. O que hoje é o Canadá era considerada uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

NAZISTAS AVANÇAM RUMO AO ATLÂNTICO

    Em 1940, as forças da Alemanha Nazista sob o comando do general Erwin Rommel cruzam o Rio Sena e avançam em direção ao Oceano Atlântico.
Rommel nasce em Heideinheim, na Alemanha, em 15 de novembro de 1891, filho de um professor e da filha de um alto oficial. Ele entra para o Regime de Infantaria de Württemberg em 1910. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), luta na França, na Romênia e na Itália, onde se destaca por coragem e bravura.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha, março de 1938, Rommel é nomeado diretor de uma escola para oficiais em Wiener Neustadt, perto de Viena.

Quando começa a Segunda Guerra Mundial (1939-45), ele se torna comandante das forças que protegem o quartel-general de Hitler e se aproxima pessoalmente do Führer. Depois da invasão da Polônia, marco do início da guerra, em 1º de setembro de 1939, há uma relativa trégua até a Alemanha lançar sua ofensiva na frente ocidental com a invasão da Noruega em 9 de abril.

Em seguida, os nazistas invadem a Holanda, a Bélgica e a França, em maio. Como comandante da 7ª Divisão de Tanques Panzes, Rommel recebe a missão de avançar até o Atlântico. Sem condições de defender a França, o Reino Unido recua na Retirada de Dunquerque.

Menos de um ano depois, em fevereiro de 1941, Rommel é nomeado comandante do Afrika Korps, o exército africano de Hitler, fica conhecido como a Raposa do Deserto, vira herói e é promovido a marechal de campo.

No verão de 1942, Hitler ordena um ataque ao Cairo e ao Canal de Suez, mas é derrotado pelo Exército Real britânico na Segunda Batalha de El-Alamein, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria. Em 1943, ele é chamado de volta para a Alemanha.

Em 1944, Rommel é encarregado pela Muralha do Atlântico, a série defesas construídas pela Alemanha para proteger o litoral da França da invasão aliada que acaba acontecendo em 6 de junho, o Dia D.

McCARTHY DESMORALIZADO    

    Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitiam a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

O senador lança sua campanha no governo democrata de Harry Truman (1945-53). Com a posse do republicano Dwight Eisenhower (1953-61), o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), McCarthy se torna um estorvo para o partido. Os ataques contra a CIA e o Exército o desmoralizam totalmente.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados Unidos para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981, o que só é reconhecido pelos EUA. no primeiro governo Donald Trump, em 25 de março de 2019.

O atual governo de extrema direita de Israel tem a clara intenção de anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, enterrando de vez a proposta de criação de uma pátria independente para o povo palestino.

GRANDE VITÓRIA DE THATCHER

    Em 1983, depois da ganhar a Guerra das Malvinas contra a ditadura militar da Argentina, com a oposição dividida, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral e começa a radicalizar seu programa de reformas neoliberais.

Margaret Hilda Thatcher é a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chega ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa é deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral wn 1983. Com maioria de 144 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considera criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador   preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governa o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Convoca e perde em 23 de junho de 2016, o que leva o Reino Unido a deixar a UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, sela sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thacher.

Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defende com tanto vigor ao lado de Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.