A autoridade legal usada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos para coletar em massa dados sobre comunicações telefônicas e via Internet acaba à meia-noite de hoje pelo horário de Washington, 1h da madrugada desta segunda-feira em Brasília.
O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, a favor da espionagem em massa, não conseguiu evitar a obstrução do senador libertário Rand Paul, um dos mais de dez aspirantes à candidatura do Partido Republicano à Presidência dos EUA em 2016.
Apesar da votação de 77 a 17 a favor da coleta de dados, Paul conseguiu adiar a aprovação da medida e cantou vitória porque um projeto da Câmara dos Representantes conhecido como Lei da Liberdade dos EUA vai proibir a coleta de dados em massa.
Alguns poderes da NSA vão caducar, noticiou o jornal The Washington Post. Será a primeira redução nos poderes do Estado para espionar os cidades desde a Lei de Vigilância e Inteligência Externa, de 1978. Os poderes foram ampliados pela Lei Patriótica, aprovada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
A nova lei limita a autoridade dada ao FBI, a polícia federal americana, para coletar "dados econômicos" como uso da Internet, pernoite em hotéis, aluguel de carros e faturas de cartão de crédito
"O ponto que eu quero destacar é que podemos pegar os terroristas usando a Constituição", declarou Paul. "Apoio a parte que acaba com a megacoleta de dados. Temo que a gente passe de megacoleta do governo para megacoleta das empresas."
A espionagem do cidadão comum americano em larga escala foi denunciada há dois anos pelo analista de sistemas Edward Snowden, que trabalhava como funcionário subcontratado da NSA. Ele está exilado na Rússia sob acusação de traição e espionagem.
Outro pré-candidato republicano, o senador Marco Rubio, filho de exilados cubanos, defendeu o programa de megacoleta de dados alegando que foi um instrumento importante na luta dos EUA contra o terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, "sob rigorosa supervisão judicial e do Congresso".
"Depois desta noite, não há garantia de que as agências policiais e de inteligência dos EUA terão todos os instrumentos de que necessitam para proteger o povo americano diante da crescente ameaça terrorista", declarou Rubio em nota. "Permitir que qualquer destes programas expire é um erro, mas o que está acontecendo é uma consequência da difusão irresponsável de desinformação e de uma postura dissimulada. Nosso país está fadado a ser menos seguro e os americanos sob um risco de maior de ameaças terroristas crescentes."
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 31 de maio de 2015
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Justiça dos EUA declara ilegal coleta de dados telefônicos
O Tribunal Federal de Recursos de Nova York considerou ilegal a coleta sistemática de dados sobre ligações telefônicas de americanos pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), reportou hoje o jornal The New York Times.
Por unanimidade, uma turma de três juízes decidiu que a Lei Patriótica, aprovada no governo George W. Bush para combater o terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, não pode ser interpretada de forma a autorizar o programa de megaespionagem denunciado pelo ex-agente Edward Snowden. A NSA abusou dos poderes.
Na próxima semana, a Câmara dos Representantes dos EUA, dominada pela oposição republicana, pode votar um projeto capaz de alterar significativamente o programa, mas o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, é contra. Há dois outros casos questionando o programa em fase de apelação na Justiça do país.
Com a decisão da Justiça, aumenta a pressão sobre o Congresso, que precisa prorrogar a vigência da Lei Patriótica além do prazo atual, de 27 de julho de 2015.
A NSA cruza os dados sobre ligações telefônicas para tentar descobrir padrões de contato entre os cidadãos capaz de levantar suspeitas sobre atividades ilegais, numa violação do sigilo constitucional para proteger as telecomunicações.
"Esta decisão é uma vitória do Estado de Direito que vai pressionar o Congresso a agir", comemorou Alexander Abdo, porta-voz da União Americana das Liberdades Civis (ACLU). "A moderna tecnologia criou oportunidades enormes, mas também permite a vigilância numa escala sem precedentes numa sociedade livre. A decisão de hoje é uma oportunidade para redobrar a defesa dos princípios constitucionais que fizeram de nossa nação o que é hoje."
A contestada Seção 215 da Lei Patriótica também foi usada para o governo americano coletar em massa mensagens de correio eletrônico. A CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem da Presidência dos EUA, ainda coletou os dados sobre remessas e transferências internacionais de dinheiro. Essas duas questões não foram objeto da decisão anunciada hoje.
Por unanimidade, uma turma de três juízes decidiu que a Lei Patriótica, aprovada no governo George W. Bush para combater o terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, não pode ser interpretada de forma a autorizar o programa de megaespionagem denunciado pelo ex-agente Edward Snowden. A NSA abusou dos poderes.
Na próxima semana, a Câmara dos Representantes dos EUA, dominada pela oposição republicana, pode votar um projeto capaz de alterar significativamente o programa, mas o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, é contra. Há dois outros casos questionando o programa em fase de apelação na Justiça do país.
Com a decisão da Justiça, aumenta a pressão sobre o Congresso, que precisa prorrogar a vigência da Lei Patriótica além do prazo atual, de 27 de julho de 2015.
A NSA cruza os dados sobre ligações telefônicas para tentar descobrir padrões de contato entre os cidadãos capaz de levantar suspeitas sobre atividades ilegais, numa violação do sigilo constitucional para proteger as telecomunicações.
"Esta decisão é uma vitória do Estado de Direito que vai pressionar o Congresso a agir", comemorou Alexander Abdo, porta-voz da União Americana das Liberdades Civis (ACLU). "A moderna tecnologia criou oportunidades enormes, mas também permite a vigilância numa escala sem precedentes numa sociedade livre. A decisão de hoje é uma oportunidade para redobrar a defesa dos princípios constitucionais que fizeram de nossa nação o que é hoje."
A contestada Seção 215 da Lei Patriótica também foi usada para o governo americano coletar em massa mensagens de correio eletrônico. A CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem da Presidência dos EUA, ainda coletou os dados sobre remessas e transferências internacionais de dinheiro. Essas duas questões não foram objeto da decisão anunciada hoje.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Filme sobre espionagem dos EUA leva Oscar de documentário
Citizen Four (Cidadão Quatro) era o nome de guerra de Edward Snowden, o funcionário subcontratado da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) que revelou um megaprograma de espionagem eletrônica via telefonia e Internet de pessoas do mundo inteiro. É o nome do documentário ganhador do Oscar de 2015 na categoria.
Acusado de traição nos EUA por revelar segredos de Estado, Snowden se refugiou em Hong Kong e depois pediu asilo à Rússia. O prêmio foi recebido pela diretora Laura Poitras e pelo jornalista Glenn Greenwald, parceiros na divulgação do trabalho de Snowden.
"As revelações de Snowden desvendam não apenas uma ameaça à privacidade, mas à democracia em si", declarou Laura Poitras. "Muito obrigado, Edward Snowden, e todos os sopradores de apito!"
Snowden mostrou que os EUA estavam espionando seus próprios cidadãos e gente do mundo inteiro, usando para isso as grandes empresas de tecnologia da informação americanas: Apple, Facebook, Google, Microsoft, Twitter.
Acusado de traição nos EUA por revelar segredos de Estado, Snowden se refugiou em Hong Kong e depois pediu asilo à Rússia. O prêmio foi recebido pela diretora Laura Poitras e pelo jornalista Glenn Greenwald, parceiros na divulgação do trabalho de Snowden.
"As revelações de Snowden desvendam não apenas uma ameaça à privacidade, mas à democracia em si", declarou Laura Poitras. "Muito obrigado, Edward Snowden, e todos os sopradores de apito!"
Snowden mostrou que os EUA estavam espionando seus próprios cidadãos e gente do mundo inteiro, usando para isso as grandes empresas de tecnologia da informação americanas: Apple, Facebook, Google, Microsoft, Twitter.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Rússia dá três anos de residência a Snowden
O ex-funcionário subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, que revelou a existência de grandes programas de espionagem via telefone e Internet e se exilou na Rússia, ganhou uma extensão de seu visto de residência por mais três anos a partir de 1º de agosto de 2014, anunciou ontem seu advogado.
Quando a espionagem foi denunciada, Snowden fugiu para Hong Kong e de lá para Moscou, onde ficou alguns dias no aeroporto até receber asilo. Agora, com a pior crise entre a Rússia e os Estados Unidos depois da Guerra Fria, causada pela intervenção militar russa na Ucrânia,
Quando a espionagem foi denunciada, Snowden fugiu para Hong Kong e de lá para Moscou, onde ficou alguns dias no aeroporto até receber asilo. Agora, com a pior crise entre a Rússia e os Estados Unidos depois da Guerra Fria, causada pela intervenção militar russa na Ucrânia,
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Alemanha expulsa diretor do escritório da CIA
Diante de duas novas denúncias de espionagem dos Estados Unidos, a Alemanha pediu hoje ao mais alto funcionário da Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço de espionagem americano, que saia do país. O governo alemão já havia convocado o embaixador dos EUA para pedir explicações.
"Ao representante dos serviços de inteligência americanos na Embaixada dos EUA, foi pedido que deixe a Alemanha", declarou o porta-voz Steffen Seibert, lendo uma nota oficial citada pelo jornal The Washington Post.
O porta-voz acrescentou que a expulsão foi decidida com base "no contexto das investigações em andamento da Procuradoria Federal bem como questões pendentes há meses sobre as atividades dos serviços de inteligência americanos, o que levou a Câmara Federal a criar uma comissão parlamentar de inquérito".
A crise entre os dois países, aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), começou há um ano, com a revelação pelo ex-agente Edward Snowden da espionagem eletrônica em grande escala realizada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, inclusive do telefone celular da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel.
Um alto funcionário da serviço secreto alemão foi preso há poucos dias sob a acusação de passar documentos confidenciais aos EUA. Outro cidadão alemão foi detido em outro caso de espionagem, o que aumentou a irritação da Alemanha, levando à expulsão do diretor da CIA.
"Ao representante dos serviços de inteligência americanos na Embaixada dos EUA, foi pedido que deixe a Alemanha", declarou o porta-voz Steffen Seibert, lendo uma nota oficial citada pelo jornal The Washington Post.
O porta-voz acrescentou que a expulsão foi decidida com base "no contexto das investigações em andamento da Procuradoria Federal bem como questões pendentes há meses sobre as atividades dos serviços de inteligência americanos, o que levou a Câmara Federal a criar uma comissão parlamentar de inquérito".
A crise entre os dois países, aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), começou há um ano, com a revelação pelo ex-agente Edward Snowden da espionagem eletrônica em grande escala realizada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, inclusive do telefone celular da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel.
Um alto funcionário da serviço secreto alemão foi preso há poucos dias sob a acusação de passar documentos confidenciais aos EUA. Outro cidadão alemão foi detido em outro caso de espionagem, o que aumentou a irritação da Alemanha, levando à expulsão do diretor da CIA.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Prisão de brasileiro ligado a Snowden foi legal
O Superior Tribunal de Justiça do Reino Unido considerou legal hoje a detenção do brasileiro David Miranda por nove horas no Aeroporto de Heathrow, em Londres, em 18 de agosto de 2013, com base na lei antiterrorismo. Ele é companheiro do jornalista americano Glenn Greenwald, que divulgou as denúncias de espionagem em grande escala feitas pelo ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden.
Miranda alegou que sua detenção era ilegal e uma violação dos direitos humanos. Mas os juízes consideraram "a medida apropriada às circunstâncias", tendo em vista o risco que o vazamento de segredos de Estado poderia causar à segurança nacional do país. "Seu objetivo era não apenas legítimo, mas urgente", declarou no voto o juiz Peter Openshaw, citado pela televisão pública britânica BBC.
Quando foi detido, David Miranda, de 28 anos, levava arquivos de computador para Greenwald, apreendidos junto com um computador, um telefone celular, cartões de memória e DVDs.
Ao saber da decisão, Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, acusou a Justiça britânica de equiparar jornalismo a terrorismo.
Depois de vazar as informações confidenciais, Snowden se refugiou na China e na Rússia, onde recebeu asilo temporário. Entre suas revelações, está a espionagem dos EUA à presidente Dilma Rousseff, entre outros líderes estrangeiros, como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, e à Petrobrás. Há um movimento para que ele receba asilo permanente no Brasil.
Miranda alegou que sua detenção era ilegal e uma violação dos direitos humanos. Mas os juízes consideraram "a medida apropriada às circunstâncias", tendo em vista o risco que o vazamento de segredos de Estado poderia causar à segurança nacional do país. "Seu objetivo era não apenas legítimo, mas urgente", declarou no voto o juiz Peter Openshaw, citado pela televisão pública britânica BBC.
Quando foi detido, David Miranda, de 28 anos, levava arquivos de computador para Greenwald, apreendidos junto com um computador, um telefone celular, cartões de memória e DVDs.
Ao saber da decisão, Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, acusou a Justiça britânica de equiparar jornalismo a terrorismo.
Depois de vazar as informações confidenciais, Snowden se refugiou na China e na Rússia, onde recebeu asilo temporário. Entre suas revelações, está a espionagem dos EUA à presidente Dilma Rousseff, entre outros líderes estrangeiros, como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, e à Petrobrás. Há um movimento para que ele receba asilo permanente no Brasil.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
UE propõe controle internacional da Internet
Diante da revelação de que os Estados Unidos usaram grandes empresas americanas da Internet para espionagem, a União Europeia deve propor hoje "medidas concretas" para internacionalizar o controle sobre a rede mundial de computadores, a começar pela distribuição de domínios.
A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, quer estabelecer um cronograma para internacionalizar a corporação que registra nomes e domínios na rede, a ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), hoje totalmente americana, que também exerce outras funções, como controlar o roteamento do tráfego.
"Ações de inteligência e espionagem em larga escala levaram à perda de confiança na Internet e na sua atual estrutura de governança", sustenta a CE.
O Departamento do Comércio dos EUA aceita discutir a questão, mas não revelou se vai oferecer elementos essenciais da arquitetura da Internet que cede à ICANN sob contrato. Também reluta em levar a discussão para o âmbito das Nações Unidas, onde os governos de países não democráticos como a China e a Rússia poderiam tentar censurar a rede.
"Queremos trabalhar coletivamente para uma governança inclusiva com muitos participantes que mantenha a estabilidade de uma Internet aberta e inovadora", declarou o secretário de Comércio adjunto, Lawrence Strickling.
A UE conta com o apoio do Brasil. Em setembro de 2013, a presidente Dilma Rousseff cobrou na Assembleia Geral da ONU um controle internacional da Internet depois das revelações do ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) Edward Snowden de uma espionagem maciça, inclusive da própria Dilma.
Na proposta europeia, "a Internet deve continuar sendo a rede das redes, única, aberta, livre, não fragmentada, submetida às mesmas leis e normas aplicadas a outras aspectos das nossas vidas cotidianas."
O Encontro Global Multiparticipativo sobre o Futuro da Governança na Internet (Global Multi-stakeholder Meeting on the Future of Internet Governance) será realizado no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo, em 23 e 24 de abril de 2014. A União Internacional de Telecomunicações (UIT), parte do Sistema ONU, se reúne em outubro na Coreia do Sul.
A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, quer estabelecer um cronograma para internacionalizar a corporação que registra nomes e domínios na rede, a ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), hoje totalmente americana, que também exerce outras funções, como controlar o roteamento do tráfego.
"Ações de inteligência e espionagem em larga escala levaram à perda de confiança na Internet e na sua atual estrutura de governança", sustenta a CE.
O Departamento do Comércio dos EUA aceita discutir a questão, mas não revelou se vai oferecer elementos essenciais da arquitetura da Internet que cede à ICANN sob contrato. Também reluta em levar a discussão para o âmbito das Nações Unidas, onde os governos de países não democráticos como a China e a Rússia poderiam tentar censurar a rede.
"Queremos trabalhar coletivamente para uma governança inclusiva com muitos participantes que mantenha a estabilidade de uma Internet aberta e inovadora", declarou o secretário de Comércio adjunto, Lawrence Strickling.
A UE conta com o apoio do Brasil. Em setembro de 2013, a presidente Dilma Rousseff cobrou na Assembleia Geral da ONU um controle internacional da Internet depois das revelações do ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) Edward Snowden de uma espionagem maciça, inclusive da própria Dilma.
Na proposta europeia, "a Internet deve continuar sendo a rede das redes, única, aberta, livre, não fragmentada, submetida às mesmas leis e normas aplicadas a outras aspectos das nossas vidas cotidianas."
O Encontro Global Multiparticipativo sobre o Futuro da Governança na Internet (Global Multi-stakeholder Meeting on the Future of Internet Governance) será realizado no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo, em 23 e 24 de abril de 2014. A União Internacional de Telecomunicações (UIT), parte do Sistema ONU, se reúne em outubro na Coreia do Sul.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
EUA prometem não espionar líderes de países aliados
Em pronunciamento concluído há pouco no Departamento da Justiça, em Washington, o presidente Barack Obama afirmou que os Estados Unidos vão parar de espionar chefes de Estado e de governo de países aliados. A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, o presidente da França, François Hollande, e a presidente Dilma Rousseff tiveram ligações telefônicas grampeadas pelos serviços secretos dos EUA, como revelou o ex-agente Edward Snowden seis meses atrás.
Obama também prometeu estender aos cidadãos comuns estrangeiros algumas das proteções à privacidade garantidas nos EUA. Um decreto presidencial dará nova orientação aos serviços secretos "para preservar aliados, relações comerciais, a privacidade e os direitos". O presidente rejeitou a recomendação do painel de que agentes federais precisem de autorização judicial para examinar transações financeiras e comunicações de empresas.
Com base no decreto presidencial, anunciou Obama, a partir de 28 de março de 2014, os chefes das agências de inteligência terão de obter uma autorização de um tribunal secreto para a segurança nacional para examinar os dados de ligações telefônicas. Até lá, o secretário da Justiça, Eric Holder, e oficiais de inteligência vão coordenar um plano de transição sobre o que fazer com a grande massa de dados armazenada pelo governo americano.
As atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA) serão revisadas anualmente, e um painel de defensores públicos indicados pelo Congresso Nacional vai fiscalizar os pedidos de acesso a dados. Para o jornal The New York Times, a promessa de limitar a coleta de dados pode ter o mesmo destino do compromisso de fechar a prisão instalada na base naval de Guantânamo, em Cuba, reafirmada no primeira dia de governo, em janeiro de 2009, e jamais cumprida.
O presidente começou defendendo a espionagem como essencial à segurança do país mesmo antes da independência, em 1776. Citou um grupo chamado Filhos da Liberdade, ao qual pertencia Paul Revere, um heróis da luta pela independência. Os Filhos da Liberdade tinham a missão de descobrir que ações militares os britânicos estavam planejando.
A inteligência militar aliada foi decisiva na Segunda Guerra Mundial, ao decifrar os códigos usados nas mensagens da Alemanha e mais ainda durante a Guerra Fria "para penetrar na cortina de ferro" e coletar informações no Bloco Soviético, acrescentou Obama, para justificar as ações de espionagem de seu governo.
Mais complexo ainda, alegou, tornou-se o serviço de inteligência dos EUA depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001: "Agora, precisam identificar alvos e possíveis agressores em qualquer canto do mundo. Na década passada, demos grandes passos. Hoje a NSA consegue rastrear contatos e movimentos de terroristas. O relacionamento com agências estrangeiras mudou. Evitamos múltiplos ataques e salvamos vidas nos EUA e no exterior."
O risco de que o governo vá além dos limites também é maior, reconheceu Obama: "Depois do 11 de setembro, o governou passou a usar técnicas mais duras em interrogatórios", disse o presidente dos EUA, sem usar a palavra tortura.
"Vários aspectos complicam a tarefa de defender a nação protegendo as liberdades civis", argumentou. "Enquanto pegamos um terrorismo no Iêmen ou no Sahel, temos acesso a uma quantidade enorme de dados".
Os supercomputadores modernos e a Internet ampliaram o poder de espionagem de forma sem precedentes. "No mundo globalizado, várias agências coletam informações além de suas fronteiras, mas a capacidade dos EUA é única", admitiu Obama.
Ao mesmo tempo em que "necessitamos de mais informações sobre o mundo", raciocinou o presidente americano, "as agências de inteligência precisam fazer seu trabalho em segrego. O perigo de cometer excessos é mais agudo. Por todas estas razões, mantive minhas suspeitas em relação ao programa desde que cheguei à Casa Branca. Tentamos manter o Congresso a par. O que eu não fiz foi suspender esses programas porque nossa revisão inicial indicou que as agências de inteligência não estavam violando a lei."
Sempre defendendo a espionagem, Obama alegou que, "se houver outro atentado como os de 11 de setembro ou um ataque cibernético, os funcionários das agências serão cobrados por não ter ligado os pontinhos". Ele se negou a discutir "os atos e motivações de Snowden. Ninguém pode decidir por conta própria quando revelar segredos sem prejudicar nossa capacidade de proteger a população".
Os EUA querem "manter a liderança mundial preservando os direitos individuais, mas os atentados terroristas e os ataques cibernéticos não vão parar", justificou o presidente. "Ninguém espera que a China faça um debate aberto sobre seus programas de vigilância nem que a Rússia leve em consideração as preocupações de seus cidadãos com privacidade", acrescentou, alfinetando os países que acolheram Snowden.
Obama também prometeu estender aos cidadãos comuns estrangeiros algumas das proteções à privacidade garantidas nos EUA. Um decreto presidencial dará nova orientação aos serviços secretos "para preservar aliados, relações comerciais, a privacidade e os direitos". O presidente rejeitou a recomendação do painel de que agentes federais precisem de autorização judicial para examinar transações financeiras e comunicações de empresas.
Com base no decreto presidencial, anunciou Obama, a partir de 28 de março de 2014, os chefes das agências de inteligência terão de obter uma autorização de um tribunal secreto para a segurança nacional para examinar os dados de ligações telefônicas. Até lá, o secretário da Justiça, Eric Holder, e oficiais de inteligência vão coordenar um plano de transição sobre o que fazer com a grande massa de dados armazenada pelo governo americano.
As atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA) serão revisadas anualmente, e um painel de defensores públicos indicados pelo Congresso Nacional vai fiscalizar os pedidos de acesso a dados. Para o jornal The New York Times, a promessa de limitar a coleta de dados pode ter o mesmo destino do compromisso de fechar a prisão instalada na base naval de Guantânamo, em Cuba, reafirmada no primeira dia de governo, em janeiro de 2009, e jamais cumprida.
O presidente começou defendendo a espionagem como essencial à segurança do país mesmo antes da independência, em 1776. Citou um grupo chamado Filhos da Liberdade, ao qual pertencia Paul Revere, um heróis da luta pela independência. Os Filhos da Liberdade tinham a missão de descobrir que ações militares os britânicos estavam planejando.
A inteligência militar aliada foi decisiva na Segunda Guerra Mundial, ao decifrar os códigos usados nas mensagens da Alemanha e mais ainda durante a Guerra Fria "para penetrar na cortina de ferro" e coletar informações no Bloco Soviético, acrescentou Obama, para justificar as ações de espionagem de seu governo.
Mais complexo ainda, alegou, tornou-se o serviço de inteligência dos EUA depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001: "Agora, precisam identificar alvos e possíveis agressores em qualquer canto do mundo. Na década passada, demos grandes passos. Hoje a NSA consegue rastrear contatos e movimentos de terroristas. O relacionamento com agências estrangeiras mudou. Evitamos múltiplos ataques e salvamos vidas nos EUA e no exterior."
O risco de que o governo vá além dos limites também é maior, reconheceu Obama: "Depois do 11 de setembro, o governou passou a usar técnicas mais duras em interrogatórios", disse o presidente dos EUA, sem usar a palavra tortura.
"Vários aspectos complicam a tarefa de defender a nação protegendo as liberdades civis", argumentou. "Enquanto pegamos um terrorismo no Iêmen ou no Sahel, temos acesso a uma quantidade enorme de dados".
Os supercomputadores modernos e a Internet ampliaram o poder de espionagem de forma sem precedentes. "No mundo globalizado, várias agências coletam informações além de suas fronteiras, mas a capacidade dos EUA é única", admitiu Obama.
Ao mesmo tempo em que "necessitamos de mais informações sobre o mundo", raciocinou o presidente americano, "as agências de inteligência precisam fazer seu trabalho em segrego. O perigo de cometer excessos é mais agudo. Por todas estas razões, mantive minhas suspeitas em relação ao programa desde que cheguei à Casa Branca. Tentamos manter o Congresso a par. O que eu não fiz foi suspender esses programas porque nossa revisão inicial indicou que as agências de inteligência não estavam violando a lei."
Sempre defendendo a espionagem, Obama alegou que, "se houver outro atentado como os de 11 de setembro ou um ataque cibernético, os funcionários das agências serão cobrados por não ter ligado os pontinhos". Ele se negou a discutir "os atos e motivações de Snowden. Ninguém pode decidir por conta própria quando revelar segredos sem prejudicar nossa capacidade de proteger a população".
Os EUA querem "manter a liderança mundial preservando os direitos individuais, mas os atentados terroristas e os ataques cibernéticos não vão parar", justificou o presidente. "Ninguém espera que a China faça um debate aberto sobre seus programas de vigilância nem que a Rússia leve em consideração as preocupações de seus cidadãos com privacidade", acrescentou, alfinetando os países que acolheram Snowden.
Obama anuncia mudanças cosméticas na espionagem
Como parte de uma reforma do programa de megaespionagem dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama vai anunciar daqui a pouco em pronunciamento no Departamento da Justiça que a Agência de Segurança Nacional (NSA, do inglês) vai parar de armazenar dados sobre ligações telefônicas e passar a ter acesso a eles sob supervisão judicial.
O objetivo de Obama é restaurar a confiança, mas as medidas estão muito aquém do exigem os grupos de defesa dos direitos humanos, a suspensão total da espionagem, a não ser nos casos autorizados expressamente por juízes.
O escândalo estourou meses atrás, quando o ex-funcionário terceirizado da NSA Edward Snowden revelou um programa de espionagem em massa via Internet através das grandes empresas americanas do setor e a armazenagem de dados sobre todas as ligações telefônicas realizadas nos EUA e muitas no exterior.
Entre os alvos da espionagem americana, havia aliados como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, além da presidente Dilma Rousseff, que cancelou uma visita de Estado aos EUA.
O objetivo de Obama é restaurar a confiança, mas as medidas estão muito aquém do exigem os grupos de defesa dos direitos humanos, a suspensão total da espionagem, a não ser nos casos autorizados expressamente por juízes.
O escândalo estourou meses atrás, quando o ex-funcionário terceirizado da NSA Edward Snowden revelou um programa de espionagem em massa via Internet através das grandes empresas americanas do setor e a armazenagem de dados sobre todas as ligações telefônicas realizadas nos EUA e muitas no exterior.
Entre os alvos da espionagem americana, havia aliados como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, além da presidente Dilma Rousseff, que cancelou uma visita de Estado aos EUA.
sábado, 2 de novembro de 2013
Serviços secretos europeus também espionam Internet
Os serviços secretos da Europa Ocidental cooperam num megaprograma de espionagem das telecomunicações via telefone e Internet, revelam documentos passados ao jornal inglês The Guardian pelo ex-funcionário subcontratado da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, que denunciou meses atrás a espionagem americana e está agora refugiado na Rússia.
A Alemanha, a Espanha, a França, a Holanda, o Reino Unido e a Suécia foram citados como países que estão desenvolvendo em conjunto técnicas e métodos para vigiar a vida dos cidadãos a pretexto de combater o terrorismo. Nos documentos vazados por Snowden, a agência de espionagem britânica GCHQ se gaba de ensinar as outras a driblar as legislações nacionais de proteção à privacidade.
A Alemanha, a Espanha, a França, a Holanda, o Reino Unido e a Suécia foram citados como países que estão desenvolvendo em conjunto técnicas e métodos para vigiar a vida dos cidadãos a pretexto de combater o terrorismo. Nos documentos vazados por Snowden, a agência de espionagem britânica GCHQ se gaba de ensinar as outras a driblar as legislações nacionais de proteção à privacidade.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
NSA se infiltrou em servidores do Google e Yahoo
A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos invadiu secretamente os elos de ligação entre os servidores e bancos de dados das empresas de Internet americanas Google e Yahoo no mundo inteiro, revelam documentos vazamentos pelo ex-funcionário subcontratado pelos serviços secretos Edward Snowden, denuncia o jornal The Washington Post.O general Keith Alexander, diretor da NSA, desmentiu a notícia, afirmando que a agência não tem autorização legal para fazer isso sem ordem judicial. Veja o esboço do esquema de espionagem.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Snowden deixa aeroporto de Moscou
O ex-técnico subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, procurado por ter revelado a existência de um grande programa de espionagem via Internet chamado Prisma, deixou o aeroporto Cheremetievo, em Moscou, onde estava desde 23 de junho, informou o jornal The Washington Post, citando como fonte seu advogado russo, Anatoli Kucherena.
Snowden recebeu "asilo temporário" da Rússia pelo período de um ano e estaria "em local seguro em território russo, acrescentou o advogado.
Sob pressão do governo americano, quase 20 países, inclusive o Brasil, rejeitaram os pedidos de asilo. Ele recebeu ofertas da Bolívia, da Nicarágua e da Venezuela. Preferiu ficar na Rússia por enquanto para reavaliar suas opções.
A condenação do ex-soldado americano Bradley Manning por ter passado mais de 700 mil documentos sigilosos dos EUA ao sítio de Internet WikiLeaks complica a situação de Snowden, que alega ter denunciado a megaespionagem por não querer viver num mundo em que o Estado invade a privacidade de cidadãos inocentes.
Nos EUA, cerca de um terço da população o considera um herói e não quer que ele seja processado, enquanto um quarto o vê como um traidor da pátria. A Casa Branca declarou estar "extremamente desapontada" com o governo russo e comentou que a decisão mina a cooperação entre os EUA e a Rússia no combate ao crime.
O programa de megaespionagem Prisma rouba dados dos servidores das grandes empresas americanas de Internet, como Apple, Facebook, Google, Microsoft, PayPal, Skype e Yahoo, em busca de informações de interesse dos serviços secretos americanos.
Snowden recebeu "asilo temporário" da Rússia pelo período de um ano e estaria "em local seguro em território russo, acrescentou o advogado.
Sob pressão do governo americano, quase 20 países, inclusive o Brasil, rejeitaram os pedidos de asilo. Ele recebeu ofertas da Bolívia, da Nicarágua e da Venezuela. Preferiu ficar na Rússia por enquanto para reavaliar suas opções.
A condenação do ex-soldado americano Bradley Manning por ter passado mais de 700 mil documentos sigilosos dos EUA ao sítio de Internet WikiLeaks complica a situação de Snowden, que alega ter denunciado a megaespionagem por não querer viver num mundo em que o Estado invade a privacidade de cidadãos inocentes.
Nos EUA, cerca de um terço da população o considera um herói e não quer que ele seja processado, enquanto um quarto o vê como um traidor da pátria. A Casa Branca declarou estar "extremamente desapontada" com o governo russo e comentou que a decisão mina a cooperação entre os EUA e a Rússia no combate ao crime.
O programa de megaespionagem Prisma rouba dados dos servidores das grandes empresas americanas de Internet, como Apple, Facebook, Google, Microsoft, PayPal, Skype e Yahoo, em busca de informações de interesse dos serviços secretos americanos.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Snowden pede asilo à Rússia antes de vir para América do Sul
Depois de 19 dias retido na área de trânsito do Aeroporto Cheremetievo, em Moscou, o ex-técnico subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, que revelou o programa de megaespionagem via Internet chamado Prisma, anunciou hoje que deve pedir asilo à Rússia antes de vir para a América Latina, onde recebeu ofertas de asilo da Venezuela, da Nicarágua e da Bolívia.
Snowden passou ao jornal esquerdista inglês The Guardian a informação de que o governo dos EUA instalou equipamentos de espionagem nos servidores de grandes empresas americanas de informática, como Apple, Facebook, Google, Microsoft, Skype, Twitter e Yahoo.
Quando a denúncia estourou, ele estava em Hong Kong, um território autônomo da China. Como Snowden deu detalhes sobre a espionagem eletrônica dos EUA contra o regime comunista chinês, as autoridades da China o deixaram escapar. Snowden seguiu para Moscou, de onde pediu asilo político para 21 países, inclusive o Brasil. Conseguiu em países latino-americanos com governos de esquerda antiamericanos.
Sob pressão dos EUA, o Equador não ofereceu asilo a Snowden. Mas, depois que o avião do presidente da Bolívia, Evo Morales, foi proibido de entrar em Portugal, na Espanha, na França e na Itália por suspeita de que Snowden estivesse a bordo, Venezuela, Bolívia e Nicarágua estão dispostas a lhe acolher.
A questão é um dos temas centrais da reunião de cúpula do Mercosul que se realiza hoje em Montevidéu, no Uruguai, num momento em que só as críticas à descortesia diplomática da Europa e o repúdio à espionagem dos EUA unem o bloco sul-americano.
Cada vez com mais problemas de divisas, a Argentina reforça o protecionismo, violando um dos princípios básicos da integração regional, o livre comércio dentro do Mercosul. O Paraguai, que volta dia 15 de agosto depois de ser suspenso pelo golpe contra o presidente Fernando Lugo, rejeita a participação da Venezuela, que entrou pela porta dos fundos, sem ser aprovada pelo Congresso paraguaio, numa manobra do Brasil e da Argentina, aproveitando a ausência do sócio mais pobre..
Mesmo assim, Bolívia e Equador devem se tornar membros plenos do bloco. Até agora, eram membros associados. Participavam da zona de livre comércio, mas não das decisões políticas do Mercosul.
A entrada de mais dois países bolivaristas - antiliberais, anticapitalistas e antiamericanos - afasta ainda mais o Mercosul de sua proposta original de regionalismo aberto, uma associação de países interessada em ter uma voz mais forte e maior poder de barganha no mundo globalizado.
Um dos temas em pauta é a abertura de negociações de liberalização comercial com a União Europeia, que depende de fortes concessões do setor agrícola europeu para conseguir cobrir pelo menos 80% do comércio bilateral, uma exigência das normas da Organização Mundial do Comércio, tendo em vista a competitividade do agronegócio no Brasil e na Argentina. A entrada da Venezuela pode atrapalhar.
O governo venezuelano não negociou antecipadamente sua adesão às regras do Mercosul. A herança ideológica de Hugo Chávez e seu "socialismo do século 20" não valoriza o livre comércio nem a competição dentro do sistema capitalista. Na Venezuela, as empresas precisam de autorização do governo para demitir funcionários. Isso inibe investimentos.
A Venezuela vive uma séria crise de desabastecimento e inflação, e o presidente Nicolás Maduro, inexperiente e sem carisma, pouco mais do que um pelego chavista, não tem propostas para superar a situação.
Snowden passou ao jornal esquerdista inglês The Guardian a informação de que o governo dos EUA instalou equipamentos de espionagem nos servidores de grandes empresas americanas de informática, como Apple, Facebook, Google, Microsoft, Skype, Twitter e Yahoo.
Quando a denúncia estourou, ele estava em Hong Kong, um território autônomo da China. Como Snowden deu detalhes sobre a espionagem eletrônica dos EUA contra o regime comunista chinês, as autoridades da China o deixaram escapar. Snowden seguiu para Moscou, de onde pediu asilo político para 21 países, inclusive o Brasil. Conseguiu em países latino-americanos com governos de esquerda antiamericanos.
Sob pressão dos EUA, o Equador não ofereceu asilo a Snowden. Mas, depois que o avião do presidente da Bolívia, Evo Morales, foi proibido de entrar em Portugal, na Espanha, na França e na Itália por suspeita de que Snowden estivesse a bordo, Venezuela, Bolívia e Nicarágua estão dispostas a lhe acolher.
A questão é um dos temas centrais da reunião de cúpula do Mercosul que se realiza hoje em Montevidéu, no Uruguai, num momento em que só as críticas à descortesia diplomática da Europa e o repúdio à espionagem dos EUA unem o bloco sul-americano.
Cada vez com mais problemas de divisas, a Argentina reforça o protecionismo, violando um dos princípios básicos da integração regional, o livre comércio dentro do Mercosul. O Paraguai, que volta dia 15 de agosto depois de ser suspenso pelo golpe contra o presidente Fernando Lugo, rejeita a participação da Venezuela, que entrou pela porta dos fundos, sem ser aprovada pelo Congresso paraguaio, numa manobra do Brasil e da Argentina, aproveitando a ausência do sócio mais pobre..
Mesmo assim, Bolívia e Equador devem se tornar membros plenos do bloco. Até agora, eram membros associados. Participavam da zona de livre comércio, mas não das decisões políticas do Mercosul.
A entrada de mais dois países bolivaristas - antiliberais, anticapitalistas e antiamericanos - afasta ainda mais o Mercosul de sua proposta original de regionalismo aberto, uma associação de países interessada em ter uma voz mais forte e maior poder de barganha no mundo globalizado.
Um dos temas em pauta é a abertura de negociações de liberalização comercial com a União Europeia, que depende de fortes concessões do setor agrícola europeu para conseguir cobrir pelo menos 80% do comércio bilateral, uma exigência das normas da Organização Mundial do Comércio, tendo em vista a competitividade do agronegócio no Brasil e na Argentina. A entrada da Venezuela pode atrapalhar.
O governo venezuelano não negociou antecipadamente sua adesão às regras do Mercosul. A herança ideológica de Hugo Chávez e seu "socialismo do século 20" não valoriza o livre comércio nem a competição dentro do sistema capitalista. Na Venezuela, as empresas precisam de autorização do governo para demitir funcionários. Isso inibe investimentos.
A Venezuela vive uma séria crise de desabastecimento e inflação, e o presidente Nicolás Maduro, inexperiente e sem carisma, pouco mais do que um pelego chavista, não tem propostas para superar a situação.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Rússia anuncia asilo para Snowden na Venezuela
O ex-técnico subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, procurado por ter revelado o programa de megaespionagem via Internet conhecido como Prisma, aceitou a oferta de asilo da Venezuela, anunciou hoje um porta-voz da Rússia, que depois retirou a notícia do Twitter.
Snowden está há semanas na área de trânsito do aeroporto Cheremetievo, em Moscou.
No domingo, o jornal O Globo denunciou que a espionagem americana atingiu também o Brasil, inclusive com a instalação de equipamento de monitoramento telefônico em Brasília. Em encontro com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o embaixador americano, Thomas Shannon afirmou que o Brasil não é alvo da espionagem.
O Brasil abriu investigação para ver se empresas brasileiras participaram da espionagem. Deve recorrer às Nações Unidas contra os EUA.
Snowden está há semanas na área de trânsito do aeroporto Cheremetievo, em Moscou.
No domingo, o jornal O Globo denunciou que a espionagem americana atingiu também o Brasil, inclusive com a instalação de equipamento de monitoramento telefônico em Brasília. Em encontro com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o embaixador americano, Thomas Shannon afirmou que o Brasil não é alvo da espionagem.
O Brasil abriu investigação para ver se empresas brasileiras participaram da espionagem. Deve recorrer às Nações Unidas contra os EUA.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Venezuela e Nicarágua oferecem asilo a Snowden
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ofereceu hoje asilo ao ex-técnico subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos "para que ele possa viver sem ser perseguido pelo Império".
Na Nicarágua, o presidente Daniel Ortega declarou estar disposto a receber Snowden "se as circunstâncias permitirem".
Snowden está sendo procurado pelos EUA por ter revelado o programa de megaespionagem via Internet conhecido como Prisma. Ele está há duas semanas no setor de trânsito do aeroporto Cheremetievo, em Moscou.
Na Nicarágua, o presidente Daniel Ortega declarou estar disposto a receber Snowden "se as circunstâncias permitirem".
Snowden está sendo procurado pelos EUA por ter revelado o programa de megaespionagem via Internet conhecido como Prisma. Ele está há duas semanas no setor de trânsito do aeroporto Cheremetievo, em Moscou.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Snowden já pediu asilo a 21 países sem sucesso
A Índia rejeitou o pedido de asilo político do ex-técnico subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, refugiado na área de trânsito do aeroporto Cheremetievo, em Moscou, depois de denunciar o programa de megaespionagem do governo americano via Internet chamado Prisma. Depois de pedir asilo a 21 países, inclusive o Brasil sem sucesso, Snowden acusa Washington de violar o direito de asilo.
Inicialmente Snowden tentou ir para o Equador, que abriga em sua embaixada em Londres o australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que estava com pedido de extradição para a Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais. Em mais uma de suas bravatas, o presidente equatoriano, Rafael Correa, rompeu negociações comerciais com os EUA, mas não concedeu asilo, apesar dos apelos da Venezuela.
Na Rússia, o presidente Vladimir Putin advertiu que Snowden teria de parar de divulgar informações sigilosas do governo dos EUA se quiser ficar no país. Ele retirou o pedido de asilo.
Os líderes europeus ficaram furiosos com a revelação de que até mesmo governos aliados foram espionados. Na França, o presidente François Hollande ameaçou suspender o início de negociações para criar uma grande zona de livre comércio transatlântica, mas este é um projeto do interesse de todos.
Inicialmente Snowden tentou ir para o Equador, que abriga em sua embaixada em Londres o australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que estava com pedido de extradição para a Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais. Em mais uma de suas bravatas, o presidente equatoriano, Rafael Correa, rompeu negociações comerciais com os EUA, mas não concedeu asilo, apesar dos apelos da Venezuela.
Na Rússia, o presidente Vladimir Putin advertiu que Snowden teria de parar de divulgar informações sigilosas do governo dos EUA se quiser ficar no país. Ele retirou o pedido de asilo.
Os líderes europeus ficaram furiosos com a revelação de que até mesmo governos aliados foram espionados. Na França, o presidente François Hollande ameaçou suspender o início de negociações para criar uma grande zona de livre comércio transatlântica, mas este é um projeto do interesse de todos.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Putin confirma que Snowden ainda está em Moscou
O técnico subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos que denunciou o programa Prisma, de espionagem via Internet, Edward Snowden, ainda está na Rússia, numa "área de trânsito" do aeroporto de Moscou, confirmou há pouco o presidente Vladimir Putin.
As autoridades russas alegam que Snowden não cometeu nenhum crime pela lei do país que justifique sua extradição para os EUA.
O governo Barack Obama pediu sua extradição a Hong Kong, um território autônomo pertencente à China, mas Snowden, que também tinha acusado os EUA de espionagem cibernética contra o regime comunista chinês, conseguiu sair de lá sem problema.
Sob a alegação de que não terá um julgamento justo nos EUA, Snowden teria pedido asilo político ao Equador, que já abriga, em sua embaixada em Londres, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que divulgou centenas de milhares de documentos sigilosos do governo americano.
A Suécia emitiu uma "ordem de prisão europeia" para interrogar Assange sobre acusações de crimes sexuais. Ele denuncia uma conspiração para levá-lo para os EUA.
As autoridades russas alegam que Snowden não cometeu nenhum crime pela lei do país que justifique sua extradição para os EUA.
O governo Barack Obama pediu sua extradição a Hong Kong, um território autônomo pertencente à China, mas Snowden, que também tinha acusado os EUA de espionagem cibernética contra o regime comunista chinês, conseguiu sair de lá sem problema.
Sob a alegação de que não terá um julgamento justo nos EUA, Snowden teria pedido asilo político ao Equador, que já abriga, em sua embaixada em Londres, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que divulgou centenas de milhares de documentos sigilosos do governo americano.
A Suécia emitiu uma "ordem de prisão europeia" para interrogar Assange sobre acusações de crimes sexuais. Ele denuncia uma conspiração para levá-lo para os EUA.
domingo, 23 de junho de 2013
Snowden pede asilo ao Equador
O ex-agente subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, acusado de revelar o programa de megaespionagem via Internet chamado Prisma, pediu asilo hoje ao Equador depois de fugir de Hong Kong para Moscou, a capital da Rússia, anunciou a televisão pública britânica BBC citando como fonte o ministro do Exterior equatoriano, Ricardo Patiño.
As autoridades de Hong Kong, um território autônomo pertencente à China, disseram que ele saiu legalmente da cidade, apesar do pedido de extradição encaminhado pelo Departamento da Justiça dos EUA.
Snowden foi denunciado criminalmente por espionagem e roubo, mas não por traição. Ele seguiu o exemplo do australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, refugiado há mais de um ano na Embaixada do Equador em Londres, no Reino Unido.
Assange é alvo de um mandado de prisão pan-europeu emitido pela Suécia, que quer interrogá-lo por acusações de crimes sexuais. Teme ser extraditado de lá para os EUA.
O soldado do Exército americano Bradley Manning está preso por roubar centenas de milhares de documentos sigilosos vazados pelo WikiLeaks, sob acusações de espionagem, roubo, colaboração com o inimigo e traição. Deve pegar prisão perpétua. Mas Assange só divulgou os documentos.
Assim, Assange deveria estar protegido pela ampla liberdade de expressão garantida pela Emenda nº 1 à Constituição dos EUA. Só seria possível denunciá-lo por cumplicidade no roubo de Manning.
As autoridades de Hong Kong, um território autônomo pertencente à China, disseram que ele saiu legalmente da cidade, apesar do pedido de extradição encaminhado pelo Departamento da Justiça dos EUA.
Snowden foi denunciado criminalmente por espionagem e roubo, mas não por traição. Ele seguiu o exemplo do australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, refugiado há mais de um ano na Embaixada do Equador em Londres, no Reino Unido.
Assange é alvo de um mandado de prisão pan-europeu emitido pela Suécia, que quer interrogá-lo por acusações de crimes sexuais. Teme ser extraditado de lá para os EUA.
O soldado do Exército americano Bradley Manning está preso por roubar centenas de milhares de documentos sigilosos vazados pelo WikiLeaks, sob acusações de espionagem, roubo, colaboração com o inimigo e traição. Deve pegar prisão perpétua. Mas Assange só divulgou os documentos.
Assim, Assange deveria estar protegido pela ampla liberdade de expressão garantida pela Emenda nº 1 à Constituição dos EUA. Só seria possível denunciá-lo por cumplicidade no roubo de Manning.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Snowden é acusado de roubo e espionagem
O ex-agente subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos que revelou a espionagem maciça promovida pelo governo americano na Internet através do programa Prisma, Edward Snowden, foi denunciado criminalmente pelo Departamento de Justiça, informou o jornal americano The Washington Post.
É o início de um longo processo para extraditá-lo para os EUA. O último lugar onde ele foi visto em público foi em Hong Kong, um território autônomo da China que tem acordo de extradição com Washington.
É o início de um longo processo para extraditá-lo para os EUA. O último lugar onde ele foi visto em público foi em Hong Kong, um território autônomo da China que tem acordo de extradição com Washington.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Snowden é herói para 31% dos americanos
O ex-agente secreto Edward Snowden, que revelou o programa Prisma, através do qual o governo dos Estados Unidos espiona o mundo inteiro via Internet é considerado um herói e um patriota por 31% dos americanos, que não querem vê-lo processado, de acordo com pesquisa do instituto Ipsos para a agência Reuters.
Para 23%, ele é um traidor da pátria, posição da Casa Branca e dos dois partidos no Congresso dos EUA. Outros 46% não se definiram.
Cerca de 35% acreditam que ele não deve ser processado porque apenas denunciou uma violação da privacidade, enquanto 25% gostariam de submetê-lo a todo o rigor da lei.
Para 23%, ele é um traidor da pátria, posição da Casa Branca e dos dois partidos no Congresso dos EUA. Outros 46% não se definiram.
Cerca de 35% acreditam que ele não deve ser processado porque apenas denunciou uma violação da privacidade, enquanto 25% gostariam de submetê-lo a todo o rigor da lei.
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