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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Trump acaba com programa de proteção de menores imigrantes

O programa do governo Barack Obama conhecido como "Sonhadores", que permitia a menores que imigraram ilegalmente viver nos Estados Unidos sem risco de serem deportados será extinto em seis meses, anunciou hoje o secretário (ministro) da Justiça, Jeff Sessions. 

Cerca de 800 mil menores e jovens que entraram no país quando eram menores, a maioria da América Central, poderão ser expulsos do país com o fim da Ação Diferida para quem Chegou quando Menor (DACA).

Pelo sistema atual, os menores podem trabalhar legalmente por dois anos. Sessions sempre foi contra. Em 2002, como senador, liderou o esforço para barrar a proposta. Nos próximos seis meses, o Congresso deve aprovar uma nova proposta sobre como lidar com os imigrantes menores de idade.

Quem já está sob proteção até a data-limite de 5 de março de 2018 pode pedir uma extensão até 5 de outubro. Quem não recebe nem pediu o benefício até hoje (5 de setembro de 2017) será excluído.

O combate à imigração ilegal foi um dos principais temas da campanha eleitoral desde que Trump lançou sua candidatura, em junho de 2015, acusando os mexicanos de serem assassinos, traficantes e estupradores.

Até o presidente da Câmara, o deputado ultraconservador Paul Ryan, é contra a medida. Ele acredita que o Congresso deveria ter tempo para aprovar uma nova lei. O dono do Facebook, Mark Zuckerberg, criticou a decisão de acabar com a anistia a menores imigrantes com um dia "escuro" da história dos EUA.

A imigração de menores aumentou muito nos últimos anos com o aumento da atividade de máfias do tráfico de drogas na América Central, onde muitas se instalaram para escapar da guerra do governo mexicano contra as drogas. Em países como Guatemala, Honduras e El Salvador, o Estado não meios nem recursos para combater os cartéis das drogas.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Colômbia pode oferecer asilo político a Maduro

A Colômbia está examinando a possibilidade de dar asilo político ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, admitiu a deputada colombiana María Fernanda Cabal, citada pelo jornal venezuelano El Nacional.

De acordo com a deputada, a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) está procurando um lugar seguro para Maduro se ele deixar o poder. Com o colapso iminente da economia venezuelana, Maduro está sob pressão tanto da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, quanto do chavismo.

Como o Tribunal Supremo de Justiça derrubou uma decisão do Parlamento que anulava seu decreto de emergência econômica, Maduro tem mais uma chance de enfrentar a pior crise econômica da história da Venezuela. Mas ele insiste em acusar os Estados Unidos e a elite venezuelana de uma "guerra econômica", ignorando sua responsabilidade pela crise.

Maduro, escolhido a dedo pelo finado caudilho Hugo Chávez e pelo ditador cubano Fidel Castro, é o símbolo maior da agonia, da corrupção e da incompetência do chavismo e de seu "socialismo do século 21".

Ontem, a Assembleia Nacional aprovou em primeira votação a anistia para presos políticos. Maduro já avisou que não aceita.

O governo venezuelano repudiou a notícia sobre o possível asilo de Maduro alegando que partiu de deputados uribistas, aliados do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe (2002-10), um linha dura e inimigo histórico do chavismo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Colômbia e FARC pedem missão da ONU para monitorar cessar-fogo

Na fase final de suas negociações de paz, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) pediram às Nações Unidas o envio de uma missão observadora de 12 meses para supervisionar o cessar-fogo entre as duas partes, noticiou hoje a televisão pública britânica BBC.

O governo e o principal grupo guerrilheiro colombiano negociam desde novembro de 2012 para pôr fim a uma longa guerra civil em que as FARC entraram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano. Já chegaram a acordos sobre reforma agrária, tráfico de drogas, anistia e a criação de um tribunal especial para julgar os crimes de guerra.

A expectativa é de chegar a um acordo de paz definitivo em março de 2016. A missão de paz só seria realizada depois do acordo.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Comissão da Verdade deveria ter ouvido os dois lados

Como toda guerra tem pelo menos dois lados, por mais meritório que tenha sido o trabalho da Comissão Nacional da Verdade, ficou incompleto ao ouvir um lado só, o das vítimas da ditadura militar que governou o país de 1964 a 1985. Minha opinião foi citada hoje na coluna de Merval Pereira, nO Globo. Então, gostaria de fazer alguns esclarecimentos.

Mesmo reconhecendo que o Estado Brasileiro cometeu muito mais crimes do que os grupos guerrilheiros que combateram a ditadura, o outro lado deveria ter sido ouvido. Como foi, a comissão perde legitimidade. Fica parecendo unilateral e revanchista, uma versão da história feita pelos hoje vitoriosos politicamente.

A verdadeira Comissão da Verdade e da Reconciliação Nacional foi a da África do Sul, onde todos os lados foram ouvidos, inclusive o presidente Nelson Mandela, que tinha comandado o braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA) na luta contra o regime segregacionista do apartheid. Mandela foi interrogado pelo arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984.

Para ter direito a anistia, quem cometeu crimes teve de confessá-los e de pedir perdão às vítimas e seus descendentes e à sociedade sul-africana.

Houve declarações como "eu acreditava que meu povo, minha cultura e modo de vida estavam ameaçados, por isso ataquei uma escola para crinas negras", ou "eu estava certo de que a libertação do meu povo exigia a morte dos brancos", seguidas de pedidos de desculpas.

No Brasil, com raríssimas exceções, ninguém pediu desculpas por nada. Ambos os lados ainda acreditam que estavam travando o bom combate. Os poucos militares que depuseram falaram com orgulho da "luta contra o comunismo".

A antiga esquerda armada está convencida de que tem a história na mão e de que chegou ao poder com o PT e a presidente e ex-guerrilheira Dilma Rousseff, e os ex-ministros guerrilheiros José Dirceu, José Genoino e Franklin Martins, os dois primeiros condenados por corrupção no Escândalo do Mensalão.

Ao receber o relatório final da comissão, a presidente declarou que os que lutaram pela democracia não deverão ser esquecidos jamais. Na verdade, como destacou o insuspeito professor Daniel Aarão Reis, da Universidade Federal Fluminense (UFF), um dos principais historiadores da luta armada, os guerrilheiros não lutavam pelo democracia, mas para impor uma ditadura marxista-leninista. Isso não absolve os crimes de terrorismo do Estado nem os crimes cometidos pelos guerrilheiros, estes totalmente ignorados pela Comissão da Verdade.

Um integrante da comissão alegou que os crimes cometidos pelos grupos armados de esquerda foram julgados. Se foram processados por tribunais militares ilegítimos, é natural que o povo brasileiro queira conhecer a verdade, as motivações dos guerrilheiros e as justificativas para matar civis inocentes pegos no fogo cruzado, como seguranças de bancos cujas famílias não têm direito a indenizações como vítimas da ditadura militar.

A comissão esclareceu casos escabrosos, como as mortess de Rubens Paiva ou de Stuart Angel Jones, longamente sonegada pelas Forças Armadas, e acertou ao responsabilizar pela primeira vez os generais-presidentes pelos crimes da ditadura militar. A tortura, o sequestro e o desaparecimento de pessoas foram políticas de Estado. São crimes contra a humanidade para os quais não haveria anistia por força de acordos internacionais de proteção aos direitos humanos assinados pelo Brasil.

Mas a revogação da Lei de Anistia, proposta no relatório final da comissão, terá de ser feita pelas autoridades eleitas através do Congresso Nacional, como aconteceu na Argentina, no Chile e no Uruguai. Não cabe à Justiça legislar.

Em resumo, o trabalho da comissão é meritório e elogiável ao resgatar a história e a memória de torturados e assassinados em masmorras clandestinas e instalações oficiais da Forças Armadas. Mas é parcial e incompleto, o que a torna uma comissão da meia-verdade.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Ucrânia oferece anistia a rebeldes pró-Rússia

Os manifestantes que ocuparam prédios públicos no Leste da Ucrânia para pedir anexação à Rússia vão receber anistia se entregarem suas armas e desocuparem os edifícios, prometeu hoje o presidente interino, Olexander Turchinov.

Há informações de que forças ucranianas chegaram hoje à região de Donetsk, um dos focos da revolta arquitetada pelo Kremlin. A Rússia advertiu a Ucrânia a não usar a força para "evitar uma guerra civil".

terça-feira, 8 de abril de 2014

Oposição impõe condições ao diálogo na Venezuela

Durante reunião de uma hora com ministros do Exterior de países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), entre eles o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, a oposição da Venezuela fez exigências para participar de um diálogo com o presidente Nicolás Maduro:
• anistia para os presos políticos,
• restituição do cargo aos prefeitos oposicionistas afastados,
• desmobilização das milícias chavistas,
• criação de uma comissão da verdade independente para investigar 39 mortes ocorridas em manifestações de protestos nos últimos dois meses;
• e transmissão do primeiro encontro ao vivo pela televisão.

"Estamos dispostos a um diálogo verdadeiro, com uma agenda clara, em igualdade de condições", diz a carta entregue pela Mesa da Unidade Democrática (MUD) aos oito chanceleres da Unasul.

Nos últimos dias, a polícia reprimiu com violência um protesto estudantil na Universidade Central da Venezuela (UCV), em Caracas. Ontem, opresidente da Federação dos Centros Universitários, Juan Requesens, denunciou várias ameaças de morte contra líderes universitários.

Dois ativistas ligados ao partido oposicionista Vontade Popular foram mortos a tiros na capital venezuelana no fim de semana. A jornalista Nairobi Pinto, do canal de TV privado Globovisión, foi sequestrada diante de casa por homens armados e encapuzados.

Em entrevista ao programa Roda Vida, da TV Cultura, gravada na sexta-feira e apresentada ontem, a deputada cassada ilegalmente María Corina Machado, da Vontade Popular, questionou a proposta de diálogo do presidente: "Primeiro, precisa ficar clara que não é uma manobra de Maduro para ganhar tempo e legitimidade. Exigimos que libertem todos os presos políticos, que cesse a repressão, que desarticulem os grupos criminosos e restituam os cargos aos prefeitos cassados."

María Corina lamentou não ter recebido "nenhuma solidariedade" do governo brasileiro. O chanceler Figueiredo chegou ao cúmulo de comparar a situação da Venezuela com o Brasil de 1964, sugerindo aos oposicionistas para que se acomodassem porque a situação aqui tinha sido muito pior, como se isso fosse um argumento lógico e razoável.

Cerca de 55% dos venezuelanos pensam que o governo Maduro "não é democrático" e 70% acreditam que a melhor saída para o país seria antecipar a eleição presidencial, indica pesquisa do Instituto Venezuelano de Análise de Dados publicada pelo jornal El Universal.

domingo, 23 de março de 2014

Morre líder da redemocratização da Espanha

O ex-primeiro-ministro espanhol Adolfo Suárez González morreu hoje aos 81 anos. Como primeiro chefe de governo eleito democraticamente depois da ditadura do generalíssimo Francisco Franco (1939-75), Suárez governou a Espanha de 3 de julho de 1976 a 29 de janeiro de 1981. Em menos de três anos, fez a transição de uma ditadura para uma democracia constitucional.

Entre sua nomeação pelo rei Juan Carlos II e as primeiras eleições livres desde 1936, realizadas em 15 de junho de 1977, Suárez anistiou os presos políticos, dissolveu o Movimento Nacional, legalizou os partidos proscritos pela ditadura, como o socialista e o comunista, e desarticulou as instituições franquistas, lembra o jornal El País, um dos frutos da democratização da Espanha.

A nova Constituição foi aprovada em 6 de dezembro de 1978. 

Em 23 de janeiro de 1981, com o apoio do rei Juan Carlos, Suárez resistiu à tentativa de golpe do coronel Enrique Tejero Molina, que invadiu o Parlamento à frente de centenas de guardas civis. Foi seu último grande momento na vida pública.

Com mal de Alzheimer há dez anos, Adolfo Suárez já não aparecia mais em público.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Rússia liberta roqueiras da banda Pussy Riot

Duas roqueiras da banda Pussy Riot condenadas a dois anos de prisão por protestar contra o presidente Vladimir Putin e profanar a Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, foram soltas hoje por causa de uma anistia concedida pelo homem-forte da Rússia, mas desafiaram a decisão.

"Se pudesse rejeitar essa anistia, teria rejeitadado", declarou Maria Alekhina, de 25 anos, descrevendo a anistia como uma "vergonha": "Não acredito que seja um gesto humanitário, mas, sim, um golpe de relações públicas".

Ao sair da prisão em Krasnoyarsk, na Sibéria, sob uma temperatura de 25 graus negativos, Nadja Tolokonnikova, repetiu o mantra da oposição: "Rússia sem Putin".

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Boko Haram rejeita anistia na Nigéria

O grupo extremista muçulmano Boko Haram rejeitou a proposta de anistia feita pelo presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan.

Em uma declaração, o grupo alegou não ter feito nada de errado, não tendo portanto necessidade de anistia. Para a empresa americana de análise estratégica Stratfor, um acordo sobre anistia é improvável enquanto o país não tiver um líder mais próximo do grupo étnica e religiosamente.

No delicado equilíbrio político entre o Norte, majoritariamente muçulmano, e o Sul, majoritariamente cristão e animista, Jonathan era vice-presidente de Umaru Yar'Adua, que representava o Norte e morreu do coração depois de governar apenas dois anos e meio.

Em 2009, foi se tratar na Arábia Saudita de problemas cardíacos. Voltou à Nigéria em fevereiro de 2010 e morreu em 5 de maio do mesmo ano, deixando o poder com Jonathan, que completou o mandato e foi eleito presidente em 2010.

Sua eleição aumentou ainda mais a sensação de alienação dos muçulmanos. Boko Haram, que significa Educação Ocidental é Proibida na língua haussa, é um grupo jihadista muçulmano que luta contra a ocidentalização e "leis feitas pelo homem", numa referência à charia, o direito islâmico, que deriva do Alcorão, supostamente ditado por Alá (Deus) ao profeta Maomé.

Não é um grupo unitário, mas uma rede de militantes descentralizada. Quando alguns líderes mostraram disposição de negociar, foram atacados e mortos por alas mais radicais.

Além disso, Boko Haram não é o único grupo islamita em ação do Norte da Nigéria. Outro grupo jihadista com maior ligação com o braço da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico é Ansaru, especialista em sequestrar estrangeiros. Também há violência na região resultante de conflitos étnicos por terra e gado, às vezes envolvendo muçulmanos como a tribo fulani contra cristãos da tribo beron, que têm causada vários massacres na cidade de Jos.

Como sulista, Jonathan foi capaz de negociar com o Movimento de Emancipação do Delta do Níger, surgido na maior região produtora de petróleo da Nigéria para lutar por uma divisão maior da riqueza e contra a contaminação ambiental.

No Norte, muitos políticos que acreditam que cabe a eles assumir a presidência do país em 2015 devem dificultar sua missão, usando grupos militantes para reforçar suas campanhas. Um muçulmano nortista teria maior chance de negociar uma anistia.

Para o ativista dos direitos humanos nortista Musa Reef, um acordo de paz só será possível se houver uma mudança da "percepção ideológica" do grupo extremista: "O grupo é basicamente ideológico e não pode ser acalmado por uma anistia. De fato, nas poucas mensagens das ameaças feitas pelo grupo, fica evidente que o diálogo com o governo é considerado um anátema. Com quem o governo está negociando então? É uma anistia para ladrões e criminosos ou para políticos em busca de relevância? Quem são os mediadores da negociação?"

Na sua opinião, expressa em entrevista ao jornal nigeriano The Daily Post, "deve ser declarado sem qualquer equívovo que Boko Haram não é a mesma coisa que a revolta no Delta do Níger. Aqueles que tentam desesperadamente encontrar similaridades entre os dois grupos não entenderam o problema ou estão sendo enganosos."

O conflito é religioso, conclui Musa Reef: "Para que a anistia seja relevante e efetiva, o Norte deve reconhecer que Boko Haram tem uma plataforma religiosa e que cabe aos clérigos muçulmanos da região identificar e atacar as questões. Declarar que a insurgência do Boko Haram não é um problema religioso é uma falsidade."

sábado, 4 de agosto de 2012

Comissão da Verdade ressuscita fantasmas da ditadura

A Comissão da Verdade começa a vasculhar os porões da ditadura militar brasileira, e a tortura da então guerrilheira e hoje presidente Dilma Rousseff atrai a atenção internacional sobre o que aconteceu no Brasil no fim dos anos 60 e início dos anos 70, ressuscitando os fantasmas do período mais duro da repressão política.

Durante dois anos, o país terá de repassar a memória de um dos períodos tristes e trágicos de sua história.

Na primeira de uma série de reportagens sobre o assunto, o jornal The New York Times lembra que Dilma não é única presidente torturada no passado de luta armada na América Latina, citando os exemplos de Michele Bachelet, no Chile, e José Mujica, no Uruguai.

Ao contrário de outros países latino-americanos, o Brasil não revogou suas leis de anistia. A Justiça não aceita a abertura de processos contra torturadores, mesmo sendo o Brasil signatário de convenções internacionais que consideram a tortura um crime hediondo e imprescritível. Isso provocou críticas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Supremo absolve Garzón por investigar franquismo

Por 6-1, o Tribunal Supremo da Espanha absolveu hoje o juiz de instrução Baltasar Garzón da acusação de violar a lei de anistia de 1977 ao abrir em 2008 uma investigação sobre os crimes da Guerra Civil Espanhola e da ditadura do generalíssimo Francisco Franco, inclusive o desaparecimento de 114 mil pessoas.

Em sua defesa, Garzón alegou que crimes contra a humanidade não podem ser cobertos por anistia. Ele se tornou famoso ao mandar prender, em 1998, o ex-ditador chileno Augusto Pinochet.

Os juízes entenderam que a investigação dos crimes do franquismo era admissível legalmente, noticia a televisão pública britânica BBC.

No início do mês, o Supremo espanhol afastou Garzón de suas funções por um período de 11 anos. O juiz foi considerado culpado por escuta telefônica clandestina de conversas de advogados com presos suspeitos em um escândalo de corrupção envolvendo o Partido Popular, direitista, que voltou ao poder nas eleições de 20 de novembro de 2011.

Garzón, de 56 anos, enfrenta mais um processo. É acusado de receber dinheiro do Banco Santander para organizar um evento acadêmico em Nova York, onde estava dando um curso. Ele afirma que o dinheiro foi usado exclusivamente para organizar o encontro, sem lhe dar nenhum vantagem financeira indevida.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Julgamento de Garzón divide Supremo na Espanha

Três dos sete ministros do Tribunal Supremo da Espanha encarregados de processar o juiz Baltasar Garzón por investigar os crimes da ditadura do generalíssimo Francisco Franco votaram ontem pela anulação e arquivamento do caso. Outros quatro dediciram que o julgamento é legal.

Garzón ficou famoso por mandar prender o ex-ditador chileno Augusto Pinochet em 1998 e por investigar os crimes das ditaduras militares da Argentina e do Chile. Foi denunciado por violar a lei de anistia aprovada pela Espanha em 1977, durante o processo de democratização do país depois da morte de Franco, em 1975.

A investigação, iniciada em 2008, foi a primeira a examinar os crimes cometidos durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e nos primeiros anos da ditadura de Franco à luz do direito internacional, observa a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional. São mais de 114 mil casos de desaparecimentos forçados ocorridos entre julho de 1936 a dezembro de 1951.

"Fiz o que acreditei que deveria fazer. Não é uma questão ideológica", declarou o juiz em sua defesa. "Aqui, havia centenas de milhares de vítimas que não tiveram seus direitos respeitados".

Diante do tribunal, grupos de defesa dos direitos humanos manifestaram apoio a Garzón e mostraram fotos de vítimas do franquismo.

Em outros processos, o juiz é acusado de grampear telefones de políticos suspeitos de corrupção e de ter recebido dinheiro de um banco para organizar um encontro acadêmico nos Estados Unidos. Ele nega ter auferido qualquer benefício pessoal derivado desse evento.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Anistia denuncia tortura na Líbia pós-Kadafi

Várias pessoas morreram depois de serem torturadas pelas milícia que tomaram o poder em agosto do ano passado na Líbia, com a queda do ditador Muamar Kadafi, acusa a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

Pesquisadores da Anistia viram pacientes com marcas de tortura nas cidades de Trípoli, Missurata e Gueriã, informa a TV pública britânica BBC.

Outra organização não governamental humanitária, os Médicos sem Fronteiras, suspendeu suas atividades em Missurata depois de tratar 115 vítimas de tortura.

O controle das milícias é o maior desafio da nova Líbia, que precisa integrá-las com urgência num Exército Nacional para não voltar à guerra civil.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ditaduras árabes devem manter repressão em 2012

O uso da força para conter manifestações de protesto no mundo árabe deve continuar em 2012, com vários regimes dispostos a manter o poder a qualquer preço, como na Síria, onde mais de 5 mil pessoas foram mortas desde 15 de março de 2011, prevê um relatório divulgado hoje pela organização não governamental Anistia Internacional.

No relatório de 90 páginas chamado de Ano de Rebelião: a situação dos direitos humanos no Norte da África e no Oriente Médio, prevê que tanto as manifestações de protesto como a violência e a repressão dos agentes do Estado devem continuar.

"Com poucas exceções, os governos não perceberam que a situação mudou", afirmou Philip Luther, diretor da AI para o Oriente Médio e o Norte da África, ao divulgar o relatório. "E os movimentos de protesto, muitas vezes liderados por jovens ou mulheres, apresentam uma capacidade de resistência incrível diante de uma repressão às vezes brutal".

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Uruguai revoga anistia para militares

Com 50 votos a favor de 90 possíveis, a Câmara dos Deputados do Uruguai revogou ontem a lei que anistiava civis e militares que cometeram crimes contra os direitos humanos durante a ditadura de 1973 a 1984. O projeto, já aprovado no Senado, vai agora para sanção do presidente José Mujica, um ex-guerrilheiro.

A oposição criticou a medida, já que o povo uruguaio aprovou a anistia em dois referendos. Seus defensores alegam que a Corte Interamericana de Direitos Humanos exige a investigação de crimes imprescritíveis como tortura e desaparecimento de pessoas cometidos pelas ditaduras do continente.

Cerca de 7 mil presos políticos foram presos e torturados no Uruguai, informa a rádio e televisão pública britânica BBC.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Anistia condena tortura e execuções na Síria

Pelo menos 88 presos durante a revolta contra a ditadura de Bachar Assad foram mortos, inclusive dez crianças. A maioria foi torturada brutalmente pelas forças de segurança da Síria numa campanha de “perseguição sistemática em grande escala”, denunciou ontem a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, informa o jornal inglês The Guardian.

A Anistia documentou as prisões e mortes, e as famílias deram acesso aos corpos para que legistas independentes investigassem as causas das mortes. Há marcas de espancamento, açoite, choques elétricos e mutilações. O correspondente da BBC disse que as imagens eram chocantes demais para serem mostradas na televisão.

Ontem, na festa religiosa do Eid, que marca o fim do sagrado mês do Ramadã no calendário muçulmano, pelo menos mais sete manifestantes de oposição foram mortos pelo regime sírio, que estaria perdendo apoio na classe média. Um menino de 13 anos foi baleado em Derá.

Como uma intervenção internacional na Síria é altamente improvável, dado o apoio da Rússia e do Irã e a posição do país como potência regional no Oriente Médio, a ditadura só cai se houver uma fratura interna no regime.

Depois de seis meses, a fúria repressiva estaria inviabilizando a sobrevivência do regime. Os médicos e profissionais de saúde que se organizaram para atender os feridos foram presos e perseguidos. A categoria profissional aderiu à oposição. Os advogados também foram atacados por defender inimigos do regime.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mujica é o favorito à Presidência do Uruguai

Um ex-guerrilheiro que passou 14 anos na prisão da ditadura militar do Uruguai é o favorito para a eleição presidencial deste domingo. Mas as pesquisas indicam que deve haver segundo turno, em 29 de novembro.

O senador José Mujica, da Frente Ampla, de esquerda, lidera as pesquisas com 44% das preferências, seguido pelo ex-presidente conservador Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional ou blanco. Cerca de 10% estão indecisos.

Ao encerrar a campanha, em Tacuarembó, Mujica delcarou que o Uruguai vive hoje uma batalha de opiniões e não uma guerra civil como nos anos 60 e 70. Depois das eleições, o país volta a ser um só, afirmou ele.

Para o cientista político Gerardo Caetano, a grande força de Mujica está na comunicação franca e direta com o cidadão comum. Isso já lhe criou problemas, quando ofendeu os argentinos, chamando-os de "imbecis".

Os uruguaios também elegem no domingoi 30 senadores e 99 deputados, além de votarem num plebiscito sobre a revogação da Lei de Anistia para os crimes cometidos pela ditadura militar de 1973 a 1985. Caetano prevê que a Frente Ampla se consolide como a principal força política uruguaia, aumentando sua bancada parlamentar.