Pelo menos 52 pessoas foram mortas em ataques a bomba múltiplos em Maiduguri, capital do estado de Borno, no Nordeste da Nigéria, noticiou ontem a agência espanhola EFE. O principal suspeito é o grupo extremista muçulmano Boko Haram, que agora se apresenta como o Estado Islâmico da África Ocidental.
As explosões aconteceram no domingo perto do aeroporto da cidade, que fica junto a uma base aérea e recentemente voltou a ser usado para voos comerciais. Um porta-voz do Exército da Nigéria declarou que três bombas explodiram. Ele atribuiu os atentados ao "desespero" do Boko Haram.
O porta-voz Sami Uthman advertiu a população a ficar vigilante e relatar qualquer atitude suspeita às forças de segurança - e reafirmou a determinação do governo nigeriano de destruir o grupo terrorista. Desde a posse do presidente Muhammadu Buhari, a Nigéria lançou uma grande ofensiva antijihadista com o apoio do Chade, de Camarões e do Níger, países vizinhos também atacados pela milícia.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Nigeria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nigeria. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 22 de setembro de 2015
domingo, 28 de dezembro de 2014
Boko Haram ataca cinco cidades de Camarões
Cerca de mil milicianos do grupo terrorista nigeriano Boko Haram atacaram cinco cidades do Norte da República de Camarões de 26 a 28 de dezembro de 2014. Os rebeldes muçulmanos chegaram a tomar o quartel camaronês de Achigachia antes de serem repelidos pela Força Aérea de Camarões, noticiou a agência Reuters.
O Exército de Camarões mobilizou milhares de soldados para patrulhar a fronteira com a vizinha Nigéria, de onde saíram os milicianos do Boko Haram, que luta para impor a lei islâmica e especificamente contra a educação ocidental.
O Exército de Camarões mobilizou milhares de soldados para patrulhar a fronteira com a vizinha Nigéria, de onde saíram os milicianos do Boko Haram, que luta para impor a lei islâmica e especificamente contra a educação ocidental.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Conflito com Boko Haram deixa 185 mortos na Nigéria
Pelo menos 185 pessoas morreram num confronto armado do Exército da Nigéria com a milícia fundamentalista muçulmana Boko Haram (Não à Educação Ocidental, na língua haussa) na cidade de Baga, no extremo noroeste do país.
Numa área cheia de civis, foram usadas metralhadoras e lançadores de granadas. O combate começou em 19 de abril. Até o dia 21, as autoridades locais tinham encontrado 185 cadáveres.
É um dos incidentes mais violentos envolvendo o grupo Boko Haram até hoje. Acontece pouco depois que a milícia rejeitou uma proposta de anistia do presidente Goodluck Jonathan, um sulista cristão visto com desconfiança pela maioria muçulmana do Norte da Nigéria.
Jonathan criou uma comissão para explorar as possibilidades de paz com Boko Haram. Como há uma questão religiosa em sua guerra civil contra o Estado nigeriano, é preciso que os clérigos muçulmanos do Norte participem de qualquer negociação de paz.
Desde o surgimento do grupo, em 2009, milhares de nigerianos foram mortos.
Numa área cheia de civis, foram usadas metralhadoras e lançadores de granadas. O combate começou em 19 de abril. Até o dia 21, as autoridades locais tinham encontrado 185 cadáveres.
É um dos incidentes mais violentos envolvendo o grupo Boko Haram até hoje. Acontece pouco depois que a milícia rejeitou uma proposta de anistia do presidente Goodluck Jonathan, um sulista cristão visto com desconfiança pela maioria muçulmana do Norte da Nigéria.
Jonathan criou uma comissão para explorar as possibilidades de paz com Boko Haram. Como há uma questão religiosa em sua guerra civil contra o Estado nigeriano, é preciso que os clérigos muçulmanos do Norte participem de qualquer negociação de paz.
Desde o surgimento do grupo, em 2009, milhares de nigerianos foram mortos.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Boko Haram rejeita anistia na Nigéria
O grupo extremista muçulmano Boko Haram rejeitou a proposta de anistia feita pelo presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan.
Em uma declaração, o grupo alegou não ter feito nada de errado, não tendo portanto necessidade de anistia. Para a empresa americana de análise estratégica Stratfor, um acordo sobre anistia é improvável enquanto o país não tiver um líder mais próximo do grupo étnica e religiosamente.
No delicado equilíbrio político entre o Norte, majoritariamente muçulmano, e o Sul, majoritariamente cristão e animista, Jonathan era vice-presidente de Umaru Yar'Adua, que representava o Norte e morreu do coração depois de governar apenas dois anos e meio.
Em 2009, foi se tratar na Arábia Saudita de problemas cardíacos. Voltou à Nigéria em fevereiro de 2010 e morreu em 5 de maio do mesmo ano, deixando o poder com Jonathan, que completou o mandato e foi eleito presidente em 2010.
Sua eleição aumentou ainda mais a sensação de alienação dos muçulmanos. Boko Haram, que significa Educação Ocidental é Proibida na língua haussa, é um grupo jihadista muçulmano que luta contra a ocidentalização e "leis feitas pelo homem", numa referência à charia, o direito islâmico, que deriva do Alcorão, supostamente ditado por Alá (Deus) ao profeta Maomé.
Não é um grupo unitário, mas uma rede de militantes descentralizada. Quando alguns líderes mostraram disposição de negociar, foram atacados e mortos por alas mais radicais.
Além disso, Boko Haram não é o único grupo islamita em ação do Norte da Nigéria. Outro grupo jihadista com maior ligação com o braço da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico é Ansaru, especialista em sequestrar estrangeiros. Também há violência na região resultante de conflitos étnicos por terra e gado, às vezes envolvendo muçulmanos como a tribo fulani contra cristãos da tribo beron, que têm causada vários massacres na cidade de Jos.
Como sulista, Jonathan foi capaz de negociar com o Movimento de Emancipação do Delta do Níger, surgido na maior região produtora de petróleo da Nigéria para lutar por uma divisão maior da riqueza e contra a contaminação ambiental.
No Norte, muitos políticos que acreditam que cabe a eles assumir a presidência do país em 2015 devem dificultar sua missão, usando grupos militantes para reforçar suas campanhas. Um muçulmano nortista teria maior chance de negociar uma anistia.
Para o ativista dos direitos humanos nortista Musa Reef, um acordo de paz só será possível se houver uma mudança da "percepção ideológica" do grupo extremista: "O grupo é basicamente ideológico e não pode ser acalmado por uma anistia. De fato, nas poucas mensagens das ameaças feitas pelo grupo, fica evidente que o diálogo com o governo é considerado um anátema. Com quem o governo está negociando então? É uma anistia para ladrões e criminosos ou para políticos em busca de relevância? Quem são os mediadores da negociação?"
Na sua opinião, expressa em entrevista ao jornal nigeriano The Daily Post, "deve ser declarado sem qualquer equívovo que Boko Haram não é a mesma coisa que a revolta no Delta do Níger. Aqueles que tentam desesperadamente encontrar similaridades entre os dois grupos não entenderam o problema ou estão sendo enganosos."
O conflito é religioso, conclui Musa Reef: "Para que a anistia seja relevante e efetiva, o Norte deve reconhecer que Boko Haram tem uma plataforma religiosa e que cabe aos clérigos muçulmanos da região identificar e atacar as questões. Declarar que a insurgência do Boko Haram não é um problema religioso é uma falsidade."
Em uma declaração, o grupo alegou não ter feito nada de errado, não tendo portanto necessidade de anistia. Para a empresa americana de análise estratégica Stratfor, um acordo sobre anistia é improvável enquanto o país não tiver um líder mais próximo do grupo étnica e religiosamente.
No delicado equilíbrio político entre o Norte, majoritariamente muçulmano, e o Sul, majoritariamente cristão e animista, Jonathan era vice-presidente de Umaru Yar'Adua, que representava o Norte e morreu do coração depois de governar apenas dois anos e meio.
Em 2009, foi se tratar na Arábia Saudita de problemas cardíacos. Voltou à Nigéria em fevereiro de 2010 e morreu em 5 de maio do mesmo ano, deixando o poder com Jonathan, que completou o mandato e foi eleito presidente em 2010.
Sua eleição aumentou ainda mais a sensação de alienação dos muçulmanos. Boko Haram, que significa Educação Ocidental é Proibida na língua haussa, é um grupo jihadista muçulmano que luta contra a ocidentalização e "leis feitas pelo homem", numa referência à charia, o direito islâmico, que deriva do Alcorão, supostamente ditado por Alá (Deus) ao profeta Maomé.
Não é um grupo unitário, mas uma rede de militantes descentralizada. Quando alguns líderes mostraram disposição de negociar, foram atacados e mortos por alas mais radicais.
Além disso, Boko Haram não é o único grupo islamita em ação do Norte da Nigéria. Outro grupo jihadista com maior ligação com o braço da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico é Ansaru, especialista em sequestrar estrangeiros. Também há violência na região resultante de conflitos étnicos por terra e gado, às vezes envolvendo muçulmanos como a tribo fulani contra cristãos da tribo beron, que têm causada vários massacres na cidade de Jos.
Como sulista, Jonathan foi capaz de negociar com o Movimento de Emancipação do Delta do Níger, surgido na maior região produtora de petróleo da Nigéria para lutar por uma divisão maior da riqueza e contra a contaminação ambiental.
No Norte, muitos políticos que acreditam que cabe a eles assumir a presidência do país em 2015 devem dificultar sua missão, usando grupos militantes para reforçar suas campanhas. Um muçulmano nortista teria maior chance de negociar uma anistia.
Para o ativista dos direitos humanos nortista Musa Reef, um acordo de paz só será possível se houver uma mudança da "percepção ideológica" do grupo extremista: "O grupo é basicamente ideológico e não pode ser acalmado por uma anistia. De fato, nas poucas mensagens das ameaças feitas pelo grupo, fica evidente que o diálogo com o governo é considerado um anátema. Com quem o governo está negociando então? É uma anistia para ladrões e criminosos ou para políticos em busca de relevância? Quem são os mediadores da negociação?"
Na sua opinião, expressa em entrevista ao jornal nigeriano The Daily Post, "deve ser declarado sem qualquer equívovo que Boko Haram não é a mesma coisa que a revolta no Delta do Níger. Aqueles que tentam desesperadamente encontrar similaridades entre os dois grupos não entenderam o problema ou estão sendo enganosos."
O conflito é religioso, conclui Musa Reef: "Para que a anistia seja relevante e efetiva, o Norte deve reconhecer que Boko Haram tem uma plataforma religiosa e que cabe aos clérigos muçulmanos da região identificar e atacar as questões. Declarar que a insurgência do Boko Haram não é um problema religioso é uma falsidade."
Assinar:
Postagens (Atom)