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domingo, 29 de março de 2015

Total de mortos nas eleições na Nigéria sobe para 20 pessoas

O total de mortos em ataques contra seções eleitorais subiu para 20 pessoas hoje na Nigéria, segundo dia de votação para escolher um novo presidente e deputados para a Assembleia Nacional. A votação foi prorrogada por causa de problemas de leitura dos títulos de eleitor com identificação biométria, informou o sítio Africa Review.

Cerca de 300 das 150 mil seções eleitorais enfrentaram problemas. O presidente Goodluck Jonathan foi um dos que tiveram de ser identificados visualmente. Isso atrasou a votação em várias mesas e levou a um segundo dia de votação.

Depois do fechamento das urnas, previsto para hoje à noite, os resultados devem ser conhecidos em 48 horas. O presidente, um cristão iorubá sulista, enfrenta o ex-ditador Muhamadu Buhari, um muçulmano hauçá-fulane nortista, num sinal da divisão do país. As pesquisas indicam um resultado apertado e uma divisão correspondente na Assembleia Nacional.

Historicamente há um revezamento na Presidência entre muçulmanos, que são a maioria, e cristãos. A regra mudou por causa da morte do presidente Umaru Yar'Adua de problemas cardíacos em 2010. Jonathan assumiu como vice. Foi reeleito em 2011 e só teve direito a tentar a segunda reeleição porque em 2007 concorrera a vice-presidente.

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelos ataques à votação. O principal suspeito é a milícia extremista muçulmana Boko Haram, que luta para impor a lei islâmica à Nigéria, hoje o país mais rico e mais populoso da África. Há outro grupo rebelde no Sul do país, a região produtora de petróleo, o Movimento pela Emancipação do Delta do Rio Níger, que ameaça voltar à luta armada se Buhari vencer.

O general com um passado linha-dura não é do tipo que costuma negociar com rebeldes. Deve combater duramente qualquer rebelião.

Até agora, a violência política é muito menor do que nas eleições de 2011, quando 1,1 mil pessoas foram mortas durante a votação e nos dias seguintes ao anúncio do resultado. O vencedor da eleição presidencial deve ser conhecido nesta segunda-feira. Antes disso, a oposição denuncia fraude e protesta nas ruas.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Presidente da Nigéria é candidato à reeleição

Apesar da inação e da incompetência do governo no combate à milícia terrorista Boko Haram, o presidente Goodluck Jonathan anunciou hoje a intenção de concorrer a um novo mandato como presidente da Nigéria em 2015, revelou a agência de notícias Reuters.

Jonathan, um cristão sulista, foi indicado pelo Partido Popular Democrático como vice-presidente de Umaru Yar'Adua, um muçulmano nortista, numa composição para manter o equilíbrio político interno entre regiões e religiões. Ele assumiu a presidência em 2010, quando Yar'Adua morreu do coração.

Reeleito em 2011, Jonathan deveria dar lugar a um muçulmano do Norte da Nigéria, a região mais atingida pela insurreição muçulmana do grupo Boko Haram, que significa "não à educação ocidental". Com base neste princípio absurdo, um terrorista suicida atacou ontem uma escola na cidade de Potiskum, no estado de Yobe, uma das regiões de maior atividade da milícia, matando 48 pessoas.

A Nigéria, país mais rico e mais populoso da África, conseguiu conter a epidemia de ebola, mostrando ter um sistema de saúde bem equipado e um bom sistema de comunicação pública para alertar a população e rastraer possíveis contaminados. Por outro lado, fracassa totalmente na luta contra o terrorismo muçulmano.

Há sete meses, mais de 200 meninas foram raptadas num ataque a outra escola do Nordeste do país. O governo chegou a anunciar um acordo de cessar-fogo e a libertação das meninas, mas o Boko Haram desmentiu, declarando que todas se converteram ao islamismo e se casaram, o que pode configurar um crime de guerra.

Alguns observadores da política nigeriana entendem que um presidente muçulmano teria mais autoridade moral para enfrentar a milícia. Se Jonathan conquistar mais um mandato, os nortistas e muçulmanos vão se sentir alienados do processo político.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Boko Haram rejeita anistia na Nigéria

O grupo extremista muçulmano Boko Haram rejeitou a proposta de anistia feita pelo presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan.

Em uma declaração, o grupo alegou não ter feito nada de errado, não tendo portanto necessidade de anistia. Para a empresa americana de análise estratégica Stratfor, um acordo sobre anistia é improvável enquanto o país não tiver um líder mais próximo do grupo étnica e religiosamente.

No delicado equilíbrio político entre o Norte, majoritariamente muçulmano, e o Sul, majoritariamente cristão e animista, Jonathan era vice-presidente de Umaru Yar'Adua, que representava o Norte e morreu do coração depois de governar apenas dois anos e meio.

Em 2009, foi se tratar na Arábia Saudita de problemas cardíacos. Voltou à Nigéria em fevereiro de 2010 e morreu em 5 de maio do mesmo ano, deixando o poder com Jonathan, que completou o mandato e foi eleito presidente em 2010.

Sua eleição aumentou ainda mais a sensação de alienação dos muçulmanos. Boko Haram, que significa Educação Ocidental é Proibida na língua haussa, é um grupo jihadista muçulmano que luta contra a ocidentalização e "leis feitas pelo homem", numa referência à charia, o direito islâmico, que deriva do Alcorão, supostamente ditado por Alá (Deus) ao profeta Maomé.

Não é um grupo unitário, mas uma rede de militantes descentralizada. Quando alguns líderes mostraram disposição de negociar, foram atacados e mortos por alas mais radicais.

Além disso, Boko Haram não é o único grupo islamita em ação do Norte da Nigéria. Outro grupo jihadista com maior ligação com o braço da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico é Ansaru, especialista em sequestrar estrangeiros. Também há violência na região resultante de conflitos étnicos por terra e gado, às vezes envolvendo muçulmanos como a tribo fulani contra cristãos da tribo beron, que têm causada vários massacres na cidade de Jos.

Como sulista, Jonathan foi capaz de negociar com o Movimento de Emancipação do Delta do Níger, surgido na maior região produtora de petróleo da Nigéria para lutar por uma divisão maior da riqueza e contra a contaminação ambiental.

No Norte, muitos políticos que acreditam que cabe a eles assumir a presidência do país em 2015 devem dificultar sua missão, usando grupos militantes para reforçar suas campanhas. Um muçulmano nortista teria maior chance de negociar uma anistia.

Para o ativista dos direitos humanos nortista Musa Reef, um acordo de paz só será possível se houver uma mudança da "percepção ideológica" do grupo extremista: "O grupo é basicamente ideológico e não pode ser acalmado por uma anistia. De fato, nas poucas mensagens das ameaças feitas pelo grupo, fica evidente que o diálogo com o governo é considerado um anátema. Com quem o governo está negociando então? É uma anistia para ladrões e criminosos ou para políticos em busca de relevância? Quem são os mediadores da negociação?"

Na sua opinião, expressa em entrevista ao jornal nigeriano The Daily Post, "deve ser declarado sem qualquer equívovo que Boko Haram não é a mesma coisa que a revolta no Delta do Níger. Aqueles que tentam desesperadamente encontrar similaridades entre os dois grupos não entenderam o problema ou estão sendo enganosos."

O conflito é religioso, conclui Musa Reef: "Para que a anistia seja relevante e efetiva, o Norte deve reconhecer que Boko Haram tem uma plataforma religiosa e que cabe aos clérigos muçulmanos da região identificar e atacar as questões. Declarar que a insurgência do Boko Haram não é um problema religioso é uma falsidade."

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Morre o presidente da Nigéria

O presidente da Nigéria, Umaru Yar'Adua, que já estava afastado do cargo há vários meses, morreu quarta-feira, 5 de maio de 2010, aos 58 anos, informou a porta-voz presidencial.

Yar'Adua não era visto em público desde novembro. Depois de passar vários meses em tratamento na Arábia Saudita, ele foi formalmente  , tinha sido substituído pelo vice, Goodluck Jonathan. Voltou ao país, mas nunca se recuperou.