Mostrando postagens com marcador Missão de paz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Missão de paz. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Ataque a base da ONU no Congo mata 14 soldados da força de paz

Pelo menos 14 soldados da maior missão de paz das Nações Unidas foram mortos e 53 saíram feridos de um ataque contra sua base na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, revelou hoje a ONU. Foi o pior massacre de soldados da ONU desde a morte de 23 capacetes azuis na Batalha de Mogadíscio, na Somália, em 1993, retratada no filme Falcão Negro em Perigo.

Com armas pesadas e granadas de foguetes, os rebeldes atacaram o quartel. A batalha durou três horas. Um blindado de transporte de tropas foi destruído. A maioria dos mortos era da Tanzânia, noticiou a televisão pública britânica BBC.

"Este é o pior ataque a forças de paz da ONU na história recente", lamentou o ex-primeiro-ministro português (1995-2002) António Guterres, secretário-geral da organização internacional. Ele descreveu a ação rebelde como "crime de guerra" e cobrou a punição dos responsáveis pelas autoridades do Congo.

A Missão da Organização das Nações Unidas para a Estabilização da República Democrática do Congo (Monusco) é a maior e mais cara operação de paz em andamento no mundo, com 19 mil soldados. Tem um mandato para realizar ações ofensivas contra grupos armados. Isso tornou os capacetes azuis em alvos frequentes dos rebeldes.

O principal suspeito é o grupo chamado Forças Democráticas Aliadas (FDA), considerado terrorista pela vizinha Uganda. As FDA, criadas em 1995, teriam entre 1.200 a 1.500 homens em armas refugiam-se nas montanhas entre o Norte da RDC e Uganda.

Diante da ofensiva do Exército do Congo e a Monusco, em 2013, o grupo se dispersou. Depois de sérias violações do direito internacional, em 2014, as FDA foram incluídas na lista de alvos de sanções da ONU. Seu líder e fundador, Jamil Mukulu, preso em Dar es Salam, a capital da Tanzânia, em 2015, e extraditado para Uganda.

A RDC era o antigo Congo Belga, rebatizado como Zaire pelo ditador Joseph Mobutu. Sua queda deflagrou uma guerra civil que ficou conhecida como a Primeira Guerra Mundial Africana. De 1997 a 2002, nove exércitos nacionais e centenas de grupos irregulares disputaram o território e as riquezas da RDC, o segundo maior país da África desde a divisão do Sudão, em 2011.

Mais de 5 milhões de pessoas morreram em combate, de fome ou doenças causadas pela guerra civil congolesa.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Tensão se agrava na República Centro-Africana

Um ataque com granadas abala a frágil paz na República Centro-Africana, para onde o Brasil deve mandar soldados para uma força internacional, se aceitar o pedido feito oficialmente ontem pelas Nações Unidas, advertiu hoje o boletim Africa Confidential.

Em 11 de novembro, dois homens de motocicleta jogaram granadas num bar onde havia um concerto pela paz e a reconciliação nacional, em Bangui, a capital do país. Eles escolheram um dos bairros que foram palco de conflitos violentos há três anos, quando a República Dominicana esteve à beira do caos.

Sete pessoas morreram e outras 20 saíram feridas no ataque ao bairro PK5, informou a agência Reuters. É um enclave muçulmano na cidade majoritariamente cristã.

"Três ou quatro jovens nossos foram mortos, aparentemente em represália porque pensaram que muçulmanos estavam por trás do ataque com granadas", disse Habib Soule, um morador muçulmano do PK5. "Erguemos barricadas para garantir que os provocadores não entrem no bairro."

Cada vez mais o presidente Faustin-Archange Touadéra, um membro da elite dominante cristã eleito em fevereiro de 2016, é acusado de não dialogar com a oposição e a minoria muçulmana.

O Secretariado da ONU pediu ao Brasil 750 soldados de infantaria para a Missão Integrada Multidimensional para a Estabilização da República Centro-Africana (Minusca). No momento, a ONU tem 12 mil soldados no país.

A República Centro-Africa tem 623 mil quilômetros quadrados e cerca de 5 milhões de habitantes, com produto interno bruto de US$ 1,85 bilhão e renda média de US 370 por pessoa. É um dos países mais pobres do mundo, muito mais pobre do que o Haiti. O governo brasileiro tem até 15 de dezembro para dar uma resposta.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, admitiu na semana passada a possibilidade de enviar até mil soldados: "O Brasil gostaria de assumir o comando, mas a palavra final é da ONU. Mesmo sem o comando, o Brasil vai participar. Temos responsabilidades globais com a estabilidade e a paz no mundo."

"Será muito mais difícil do que no Haiti", afirmou ontem o último comandante da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), chefiada pelo Brasil, general Ajax Porto Pinheiro, ao fazer um balanço da participação brasileira na sede da ONU no Rio de Janeiro, no Palácio do Itamaraty.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

ONU convida Brasil para missão de paz na República Centro-Africana

As Nações Unidas convidaram ontem oficialmente o Brasil a integrar a força internacional de paz na República Centro-Africana, um país sem governo estável, que fica no coração da África, na região do Sahel, ao Sul do Deserto do Saara, onde há atividade de extremistas muçulmanos da Mauritânia à Somália, passando pelo Burkina Fasso, Mali, Nigéria, Níger, Chade, Camarões, Etiópia e Somália, e armas em abundância da guerra civil na Líbia.

"Será muito mais difícil", admitiu hoje o general Ajax Porto Pinheiro, último comandante da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), chefiada pelo Brasil desde seu início, em 2004, até seu encerramento, em outubro de 2017. Ele fez um balanço da operação hoje na sede da ONU, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.

Com entusiasmo e olhar no futuro, o general declarou que "o Haiti é passado". Pinheiro chegou ao país como coronel no pior momento da história haitiana recente, logo depois de terremoto de 12 de janeiro de 2010, que matou de 200 a 300 mil pessoas. O país virou uma "república das organizações não governamentais", comentou o general Pinheiro. "Eram 300 antes do terremoto, 20 mil depois."

Apesar da promessa de ajuda de US$ 10 bilhões para a reconstrução do Haiti depois do terremoto, mais uma vez a sociedade internacional ficou devendo. "O país melhorou muito. A capital, Porto Príncipe, é um exemplo: ruas asfaltadas, canais drenados, a economia reagiu, há novos hotéis turísticos, mas não foi o que foi prometido", constatou.

"No primeiro impacto, todos querem ajudar. Surgem outros problemas e os recursos não chegam. Depois do furacão Matthew, no ano passado, não houve a mesma ajuda. O centro da cidade, já degradado, continua abandonado. O aeroporto melhorou e o porto é melhor do que antes", avaliou.

Na sua opinião, "o Haiti precisa de um projeto socioeconômico com energia, reflorestamento e controle da natalidade, um verdadeiro Plano Marshall", referência à reconstrução da Europa financiada pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial.

Sua missão inicial, em 2010, era colaborar na realização de eleições. Com a tragédia, em que morreram soldados e oficiais brasileiros, a tropa precisou prestar ajuda humanitária. "As eleições duraram um ano e meio. Passei por quatro eleições, dois furacões e um terremoto", recordou.

"O Exército não foi para o Haiti para controlar a Cité Soleil", uma favela de Porto Príncipe, para treinar para ocupar favelas na periferia das grandes cidades brasileiras. "Fomos pacificar o país e evitar uma guerra civil", enfatizou o ex-comandante da missão da ONU no Haiti

Para ser um soldado da ONU, é preciso respeitar rigorosamente as regras da organização. Em seu preparo, o general e toda a tropa tiveram de estudar a trágica e tumultuada história do Haiti, uma colônia francesa onde os escravos se revoltaram em 1791, dois anos depois da Revolução Francesa de 1789. Depois que Napoleão assumiu o poder, em 1803, a França entrou em guerra com o governo revolucionário.

Os haitianos ganharam, mas logo começaram a brigar entre si pelo poder. "Jean-Jacques Dessalines se proclamou imperador. O país foi dividido em dois: Henri Christophe, no Norte, e Alexandre Pétion, no Sul." Isolado pelo resto do mundo, o país destruiu seus recursos naturais, suas florestas e fontes de água doce.

É hoje o país mais pobre da América, com produto interno bruto de US$ 9 bilhões, assolado por secas, enchentes, furacões e terremotos, "sem água, sem energia, sem infraestrutura e sem empregos", observou o ex-comandante da Minustah.

Num paralelo com a República Centro-Africana, o ditador Jean-Bédel Bokassa se coroou imperador com uma pompa napoleônica. De 1965 até uma intervenção militar da França, em 1979, o país se chamou Império Centro-Africano.

Durante a Guerra Fria, o Haiti foi governado pelo ditador François Duvalier (1957-71), o Papa Doc, e suas gangues de assassinos os Tontons Macoutes. Ele foi sucedido pelo filho Jean-Claude Duvalier (1971-86), o Baby Doc. Desde 1986, o Haiti teve 15 presidentes.

Em fevereiro de 1991, o padre Jean-Baptiste Aristide assumiu como primeiro presidente eleito da história do país. Seu governo durou sete meses. Foi derrubado pelo comandante das Forças Armadas, general Raoul Cédras, hoje exilado no Panamá.

Sob pressão dos EUA, os militares devolveram o poder a Aristide em 1994. Ele presidiu o Haiti até 1996. Foi sucedido por René Préval (1996-2001), na primeira transição de poder democrática da história do país.

Reeleito em 2001, Aristide governou até 2004. Caiu sob pressão dos Estados Unidos e da França, em meio a uma rebelião de paramilitares liderada por Guy Philippe. Aristide havia dissolvido as Forças Armadas em 1995, mas os ex-militares continuavam conspirando.

Em plena invasão do Iraque por ordem do presidente George W. Bush, os EUA pediram ao Brasil que assumisse o comando da missão de estabilização do Haiti. Uma das primeiras preocupações dos militares brasileiros foi fazer um plano para impedir um assalto das forças de Philippe à capital haitiana.

As eleições que Pinheiro ajudaria a organizar, previstas para 28 de fevereiro de 2010, foram realizadas em 28 de novembro, e o segundo turno em 20 de março de 2011. A vitória do cantor pop Michel Martelly foi anunciada em 21 de abril.

Ao todo, mais de 27 mil militares brasileiros estiveram no Haiti, mais do que os 25 mil que participaram da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. "Foi o maior envio de tropas ao exterior desde a Guerra da Tríplice Aliança", mais conhecida como Guerra do Paraguai (1864-70). Vinte e cinco brasileiros morreram, inclusive dois generais; 18 mortes foram no terremoto.

No comando da missão, cargo que ocupou de outubro de 2015 até outubro de 2017, "não tem com quem compartilhar os erros. É um risco diário, o medo de falhar, o medo de Ruanda, onde a ONU ficou devendo."

A missão de paz na República Centro-Africana ocorre sob o espectro da Síndrome de Ruanda, onde um batalhão da ONU não foi capaz de impedir o genocídio de 800 mil pessoas de abril a junho de 1994.

Depois do Haiti, Pinheiro acredita que o Brasil está preparado: "É precisa ser adaptável. Os soldados  brasileiros se integram bem, são adaptáveis, estão sempre de bom humor e não cometemos nenhum abuso sexual, o que desmoraliza a tropa."

O comandante, acrescentou, precisa de liberdade para agir, tem de ter iniciativa, não pode consultar a ONU a cada decisão: "É preciso passar do planejamento à execução em pouco tempo."

Ajax Pinheiro gostaria de aumentar o período de permanência dos soldados no exterior de seis para nove meses: "Quando as tropas estão preparadas, conhecem o Sistema ONU, têm de voltar."

"A profissão militar é arriscada. Exige grande motivação. Na República Centro-Africana, eles podem ficar 4 a 6 meses longe da base, como uma tropa expedicionária, como fazemos na Amazônia", ponderou o ex-comandante da Minustah.

"Os soldados brasileiros vão desembarcar na República de Camarões, viajar mais mil quilômetros por terra até a República Centro-Africana e mais 400 km até a base. Vão atuar no campo. Vai ter pane. Vai haver ataques. Eles vão ficar sem comunicações. Vai morrer gente", previu o general.

"Soldado de força de paz tem ser bom atirador", advertiu. "Não pode errar o primeiro tiro. Tem de ter bom condicionamento físico. Não pode ter problema de saúde. Não cheguem como salvadores da pátria. Tenham menos impulsividade no início."

À espreita, estarão grupos rebeldes como a Séléka, uma aliança de milícia e grupo terrorista majoritariamente muçulmano formado em agosto de 2012. Isso envolve a República Centro-Africana no movimento jihadista num momento de competição entre a rede terrorista Al Caeda e o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Segundo grupo extremista muçulmano mais assassino, depois do Estado Islâmico, a milícia nigeriana Boko Haram, que jurou lealdade ao Estado Islâmico, age na Nigéria, no Níger, em Camarões e no Chade, enquanto Al Caeda no Magreb (a região muçulmano do Norte da África) atua no Mali e a milícia somaliana Al Chababe ataca na Somália e na Etiópia.

Do outro lado, estão as milícias cristãs conhecidas como Anti-Balaka (Anti-Espada ou Anti-Machete), formadas durante o governo golpista de Michel Djotodia, entre março de 2013 e janeiro de 2014. A Presidência foi entregue à presidente do Parlamento, Catherine Samba-Panza. Depois das eleições de dezembro de 2015 e fevereiro de 2016, venceu o ex-primeiro-ministro Faustin-Archange Touadéra, atual presidente.

No fim de 2014, a República Centro-Africana estava literalmente dividida entre a ex-Séléka (oficialmente dissolvida em 2013), no Nordeste, e a Anti-Balaka, no Sudoeste. Com a desmobilização inicial da Séléka, a Anti-Balaka ficou mais forte. A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional denunciou em 2014 vários massacres que deflagaram a fuga em massa de milhares de muçulmanos.

Em dezembro de 2015, os líderes da ex-Séléka declararam a independência da República de Logone.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Governo Trump retira proteção temporária a imigrantes do Haiti

O governo Donald Trump deu ontem um ano e meio para saírem do país 50 mil haitianos que vivem nos Estados Unidos sob "proteção temporária" por causa do Terremoto de Porto Príncipe, noticiou o jornal The Washington Post. Mais de 200 mil pessoas morreram no tremor 7 graus na Escala Richter que arrasou a capital do Haiti em 12 de janeiro de 2010.

A decisão anunciada pelo Departamento de Segurança Interna por causa do fim das "condições extraordinárias" que a justificavam agrada ao eleitorado e aos políticos anti-imigração. Eles alegam que o objetivo nunca foi dar residência permanente aos refugiados do terremoto do Haiti.

"Desde o terremoto de 2010, o número de pessoas desalojadas no Haiti caiu 97%", declarou a secretária interina de Segurança Interna, Elaine Duke. "Foram dados passos significativos para melhorar a estabilidade e a qualidade de vida dos cidadãos haitianos, e o Haiti é capaz de receber com segurança o retorno de seus cidadãos."

O Brasil liderou a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), que garantiu a segurança do país de 2004 até outubro de 2017. Depois do terremoto, a sociedade internacional prometeu US$ 10 bilhões ao Haiti.

Quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, esteve no Rio de Janeiro, em junho de 2010, participando do Terceiro Fórum da Aliança de Civilizações, perguntei, em entrevista à TV Brasil, se mais uma vez o mundo iria falir o Haiti.

"Não, de jeito nenhum", reagiu o então secretário-geral. "A paz, a reconstrução e o desenvolvimento do Haiti são prioridades da ONU. Mais uma vez, o Brasil está na vanguarda, liderando esta campanha não apenas financeiramente, mas fornecendo soldados, policiais e o comandante da força de paz da ONU no Haiti. O ex-presidente Bill Clinton e o primeiro-ministro haitiano, Max Bellerive, são co-presidentes da comissão de reconstrução. Vamos construir um Haiti melhor. É nosso compromisso."

Mais uma vez, a sociedade internacional ficou devendo, a julgar pelo número de haitianos que entraram no Brasil e não têm a menor intenção de voltar a seu país de origem.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

França encerra intervenção militar na República Centro-Africana

Depois de quase três anos, o ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, anunciou hoje em Bangui, a capital da da República Centro-Africana, o fim da Operação Sangaris, lançada em dezembro de 2013 para acabar com os massacres promovidos por milícias muçulmanas e cristãs depois da queda presidente François Bozizé.

A retirada de 2 mil soldados franceses acontece num momento de denúncias sobre uma nova onda de massacres no país centro-africano. Cerca de 350 militares franceses vão ficar na República Centro-Africana para dar apoio a uma missão de paz das Nações Unidas.

Com o fim da Operação Sangaris, a missão da ONU será a única responsável pela segurança no país. Quando as tropas francesas deixarem as ruas da capital, é provável que as milícias testem a capacidade de reação das tropas da ONU.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Atentado suicida mata pelo menos sete pessoas na Somália

Duas explosões mataram pelo menos sete pessoas ontem perto da entrada do aeroporto de Mogadíscio, a capital da Somália, noticiou a televisão pública britânica BBC. A milícia jihadista Al Chababe (A Juventude), ligada à rede terrorista Al Caeda, assumiu a autoria do atentado.

Em uma das explosões, um terrorista suicida explodiu o carro que dirigia ao chegar a um posto policial. Há guardas entre os mortos.

A Somália fica na região conhecida como Chifre da África, no Nordeste do continente. Sob a ditadura de Mohamed Siad Barre (1969-91), o país deixou de ser aliado da União Soviética, que apoiou a Etiópia na Guerra de Ogaden, em 1977, e passou para o lado dos Estados Unidos.

Com o fim da Guerra Fria, a Somália perdeu sua importância estratégica. Desde a morte de Siad Barre, em 1991, vive em estado de anarquia, sem um governo central que funcione.

No Norte, a região da Somalilândia, a antiga Somália Britânica, é praticamente independente. O resto do país é vítima de uma guerra civil permanente, com o território disputado por milícias e senhores da guerra, fome, pirataria e terrorismo. A Somália virou exemplo de Estado falido.

Desde 2007, a Missão da União Africana na Somália (AMISOM) tenta pacificar o país com 22 mil soldados e mandato do Conselho de Segurança das Nações. Sustenta o governo provisório reconhecido internacionalmente, que não controla o território nacional. O maior inimigo é a milícia jihadista Al Chababe.

Apesar do sucesso relativo da missão de paz, a União Europeia, maior financiadora, resolveu cortar sua contribuição em 20%. Os presidentes do Quênia, Uhuru Kenyatta, e de Uganda, Yoweri Museveni, ameaçaram retirar seus soldados, mas os países vizinhos têm muito a perder se abandonarem a Somália.

terça-feira, 22 de março de 2016

Al Chababe mata mais de 70 soldados do Exército da Somália

Depois de tomar temporariamente o campo de treinamento do frágil Exército Nacional da Somália em Laanta Buuro, a milícia extremista muçulmana Al Chababe (A Juventude) matou ontem mais de 74 soldados, informou o boletim de notícias somaliano Shabelle News.

Os jihadistas da Chababe, ligada à rede terrorista Al Caeda, atacaram durante a noite a cidade estratégica de Laanta Buuro, situada a 90 quilômetros a noroeste de Mogadíscio, a capital da Somália, e anunciaram na Internet ter tomado 10 picapes.

Quando o dia amanheceu, o Exército da Somália e a missão de paz da União Africana retomaram o campo, abandonado pelos rebeldes. Durante o tempo em que ocuparam a cidade, tentaram convencer os moradores a não apoiar o governo provisório e a força de paz.

A missão de paz africana está na Somália há nove anos com mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Foi aprovada depois de uma intervenção unilateral da Etiópia (2006-9) para conter os grupos terroristas e a anarquia em que o país afundou desde a morte do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Haiti terá governo de transição para evitar vácuo de poder

Com o adiamento do segundo turno da eleição presidencial de 27 de dezembro de 2015 para 24 de abril de 2016, o Haiti terá um governo de transição para substituir o presidente Michel Martelly, que deixou o cargo em 6 de fevereiro, informa o boletim de notícias da TV France24.

Num acordo de última hora de Martelly com os presidentes da Câmara e do Senado, foi acertado que um presidente interino será eleito pelo Congresso em cinco dias. O chefe de Estado interino terá a missão de escolher um primeiro-ministro de consenso e assegurar a continuidade do processo eleitoral, que já custou US$ 100 milhões.

O Haiti é o país mais pobre da América. Cerca de 78% dos seus 10,5 milhões de habitantes sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. Há mais de dez anos, o Brasil lidera uma força de paz das Nações Unidas para pacificar o país. Em 12 de janeiro de 2012, a capital do país, Porto Príncipe, foi arrasada por um violento terremoto que deixou mais de 200 mil mortos.

Proibido de se candidatar pela Constituição de 1987, aprovada depois da queda da ditadura da família Duvalier no ano anterior, Martelly apoiou Jovenel Moïse, vencedor no primeiro turno. O segundo colocado, Jude Célestin, acusa o governo de parcialidade e fraude eleitoral, e ameaça boicotar o segundo turno.

O novo presidente haitiano eleito pelo voto popular deve tomar posse em 14 de maio. A eleição indireta do interino já causa problemas. A oposição alega que o chefe de Estado provisório deveria ser o presidente do Supremo Tribunal e não um parlamentar.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Colômbia e FARC pedem missão da ONU para monitorar cessar-fogo

Na fase final de suas negociações de paz, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) pediram às Nações Unidas o envio de uma missão observadora de 12 meses para supervisionar o cessar-fogo entre as duas partes, noticiou hoje a televisão pública britânica BBC.

O governo e o principal grupo guerrilheiro colombiano negociam desde novembro de 2012 para pôr fim a uma longa guerra civil em que as FARC entraram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano. Já chegaram a acordos sobre reforma agrária, tráfico de drogas, anistia e a criação de um tribunal especial para julgar os crimes de guerra.

A expectativa é de chegar a um acordo de paz definitivo em março de 2016. A missão de paz só seria realizada depois do acordo.

sábado, 25 de julho de 2015

União Africana avança na luta contra Al Chababe

A Missão da União Africana na Somália lançou uma nova ofensiva contra a milícia extremista muçulmana Al Chababe (A Juventude). Depois de libertar a capital, Mogadíscio, em agosto de 2011, e Kismayo, em setembro de 2012, a força internacional não conseguiu derrotar totalmente o grupo jihadista, braço da rede terrorista Al Caeda na região do Chifre da África.

Apesar da morte de vários comandantes da milícia em bombardeios dos Estados Unidos, Al Chababe ainda é um grupo perigoso. Além de ataques diretos na Somália e no Quênia, a milícia ataca rotineiramente as rotas de suprimento das tropas da UA em operações de guerrilha.

Com a nova ofensiva, a UA pretende tirar Al Chababe de combate, mas a força internacional de apoio ao governo provisório sofreu uma derrota na vila somaliana de Lego em 26 de junho de 2015. A missão consegue vender a milícia num combate convencional, mas tem dificuldades para proteger a vastidão do Sul da Somália.

O objetivo da Operação Corredor Juba é atacar os principais redutos do grupo. Em 22 de julho, o alvo foi a cidade de Bardera, reconquistada depois de ficar seis anos sob o controle da Chababe, quando serviu como refúgio para milicianos. A próxima meta é impedir que eles se refugiem no vale do rio Juba, perto da trongeira com o Quênia.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Quênia e Etiópia querem tomar cidade antes da visita de Obama

Os exércitos do Quênia e da Etiópia esperam tomar a cidade de Bardera, que está em poder da milícia terrorista muçulmana Al Chababe (A Juventude), antes de sexta-feira, início da visita de três dias do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Quênia, terra natal de seu pai.

Cerca de 3 mil soldados da Etiópia participam da operação, com o apoio do Exército e da Força Aérea do Quênia e de aviões não tripulados (drones) dos EUA.

Os militares etíopes e quenianos, que formam o grosso da força de paz da União Africana na Somália, querem conquistar Bardera, a única cidade importante ainda em poder da milícia. A missão apoia o governo provisório reconhecido internacionalmente.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Missão da União Africana bombardeia cidade da Somália

Pelo menos 19 pessoas foram mortas e outras 17 feridas de um bombardeio da missão de paz da União Africana contra a cidade de Merca, na Somália, noticiou a mídia local.

Os soldados da UA, que têm mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para apoiar o governo provisório reconhecido internacionalmente, alegaram estar reagindo a um ataque de granadas.

As maiores suspeitas recaem sobre a milícia jihadista Al Chababe (A Juventude), braço da rede terrorista Al Caeda na região do Chifre da África.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Soldados da ONU morrem em emboscada no Leste do Congo

Dois soldados da maior missão de paz das Nações Unidas foram mortos, 13 saíram feridos e quatro estão desaparecidos depois de uma emboscada ontem na República Democrática do Congo, noticiou a agência Reuters.

O ataque aconteceu na província de Kivu do Norte, que fica na fronteira com Uganda e Ruanda. As maiores suspeitas recaem sobre as Forças Democráticas Aliadas (FDA), uma milícia extremista muçulmana ugandesa.

Durante o fim de semana, soldados do Exército do Congo mataram 16 rebeldes das FDA na região. A emboscada foi o segundo ataque à força de paz da ONU em 48 horas.

Depois do genocídio de 800 mil pessoas em Ruanda, em 1994, a fuga em massa de civis e dos grupos derrotados na guerra civil ruandesa, inclusive a milícia genocida, desestabilizou o Leste do Congo, que na época se chamava Zaire.

Em 1996, o veterano guerrilheiro Laurent Cabila, que lutara ao lado de Ernesto Che Guevara em sua aventura revolucionária na África, saiu de seu esconderijo nas Montanhas da Lua e marchou rumo a Kinshasa, onde depôs o ditador Joseph Mobutu.

Mobutu estava no poder desde um golpe arquitetado pela CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem dos Estados Unidos, em plena Guerra Fria, em 14 de setembro de 1960, contra o herói da independência do ex-Congo Belga, Patrice Lumumba, preso e executado em 17 de janeiro de 1961.

A queda de Mobutu, em 16 de maio de 1997, deflagrou a chamada Primeira Guerra Mundial Africana, quando nove exércitos nacionais e centenas de grupos armados irregulares disputaram as riquezas do país, que naquele ano passou a se chamar República Democrática do Congo.

Mais de 5,4 milhões morreram em combate, de fome ou de doenças causadas pelo conflito. As grandes batalhas cessaram em 2002, mas até hoje acontecem escaramuças, especialmente no Leste do Congo.

Riquíssimo em recursos naturais, alvo de um genocídio durante a colonização promovida por Leopoldo II, da Bélgica, no fim do século 19 e início do século 20, o Congo segue sua triste sina de ser um país miserável, apesar de riquíssimo em recursos naturais.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Al Chababe é suspeito de ataque à ONU com nove mortos

Nove guardas da sede das Nações Unidas na cidade de Garowe, na Somália, foram mortos hoje num ataque a bomba, revelou a agência Reuters. Sete eram somalianos e dois quenianos.

A polícia somaliana suspeita da milícia extremista muçulmana Al Chababe, ligada à rede terrorista Al Caeda. A Somália não tem um governo estável desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, no fim da Guerra Fria.

Desde 2011, uma força internacional de paz da União Africana apoia o governo provisório com mandato do Conselho de Segurança da ONU.

Al Chababe ataca comboio da missão de paz da UA na Somália

A milícia extremista muçulmana Al Chababe (A Juventude) atacou ontem um comboio da força internacional de paz da União Africana na Somália, que apoia o governo provisório com mandato das Nações Unidas, noticiou a agência Reuters. Dois veículos foram destruídos e três pessoas saíram feridas.

O grupo jihadista ligado à rede terrorista Al Caeda anunciou ter matado cinco pessoas na operação. Com o apoio da missão da UA, as forças de segurança da Somália conseguiram retomar a capital e expulsar os milicianos da maioria de seus redutos. Mas Al Chababe continua a realizar ataques como a chacina de 148 pessoas na universidade de Garissa, no Quênia, em 2 de abril de 2015.

O Quênia virou um dos alvos preferenciais dos terroristas por fornecer o maior contingente de soldados da missão de paz.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Tuaregues enfrentam milícia leal ao governo do Mali

Os rebeldes tuaregues do Movimento Nacional de Libertação de Azawade lutaram ao lado do grupo Árabes Malineses contra milícias leais ao governo do Mali na cidade de Kano no último sábado, noticiou ontem a agência Reuters.

Um foguete disparado por um rebelde matou uma pessoa, informou a missão de paz das Nações Unidas no Norte do Mali.

Há dois anos, quando os rebeldes marchavam rumo à capital, Bamako, com o apoio de grupos jihadistas como Al Caeda no Magrebe Islâmico, a França interveio militarmente no Norte do Mali. Em 18 de junho de 2013, os rebeldes assinaram um acordo de cessar-fogo com o governo que só durou até setembro daquele ano.

Desde então, há um clima de tensão permanente e ataques esporádicos como o de sábado passado, sinal de que os problemas causadores do conflito ainda não foram resolvidos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Terroristas da Somália matam 36 mineiros no Quênia

Cerca de 50 terroristas da milícia extremista muçulmana Al Chababe (Os Jovens ou A Juventude) atacaram uma mina na região de Mandera, no Norte do Quênia, e mataram os 36 mineiros não muçulmanos. 

Foi uma vingança por um ataque das Forças Armadas quenianas a um acampamento do grupo no Sul da Somália depois de uma ação dos jihadistas contra um ônibus, no mês passado, quando 28 não muçulmanos foram mortos.

A ação mais espetacular dos Chababe foi de 21 a 24 de setembro de 2013, quando pistoleiros atacaram o centro comercial de Westgate, cheio de lojas de artigos de luxo frequentadas pela elite queniana, na capital, Nairóbi, matando 67 pessoas e ferindo outras 175.

Essa sequência de ataques e contra-ataques é causada pela participação do Quênia há quatro anos na missão de paz da União Africana, que tem mandato das Nações Unidas para apoiar o governo provisório da Somália, maior inimigo da milícia, aliada à rede terrorista Al Caeda.

Sem governo estável desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, a Somália vive há décadas em estado de anarquia, onde proliferaram grupos armados irregulares. Al Chababe é hoje o mais poderoso de todos.

sábado, 13 de setembro de 2014

Rebeldes dominam fronteira da Síria com Israel

Depois de tomar mais duas cidades na sexta-feira, os rebeldes que lutam contra a ditadura de Bachar Assad dominam quase toda a fronteira da Síria com Israel, noticiaram a televisão saudita Al Arabiya e o jornal conservador israelense The Times of Israel. A missão de paz das Nações Unidas está se retirando das Colinas do Golã. Vai se instalar provisoriamente em Israel.

Ao conquistar Rawadi e Hamídia em violentos combates contra as Forças Armadas da Síria, os rebeldes da Frente al-Nusra, ligada à rede terrorista Al Caeda, assumiram o controle de quase toda a província de Cuneitra, que figa junto às Colinas do Golã, ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Só resta uma pequena cidade em poder do governo.

"O governo está em retirada diante do avanço dos rebeldes", declarou Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição. "O governo perdeu o controle de mais de 80% da província de Cuneitra."

Com base em fontes da oposição síria, o jornal árabe Asharq al-Awsat afirmou que o Catar pagou à Frente al-Nusra de US$ 20 milhões a US$ 45 milhões pela libertação de 45 soldados das ilhas Fíji que participam da missão de paz da ONU no Golã.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Frente al-Nusra quer sair de lista de grupos terroristas

A Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda na guerra civil da Síria, confirmou a captura de 45 soldados das Ilhas Fíji que participam da missão de paz das Nações Unidas nas Colinas do Golã, atribuindo-a à falta de apoio às populações locais durante o conflito.

Para soltar os reféns, o grupo quer ser excluído da lista de entidades terroristas, a distribuição de ajuda humanitária em Damasco e compensação pela morte de três militantes em confronto com tropas da ONU.

Na segunda-feira, houve novos combates entre o Exército da Síria e a Frente al-Nusra, que tomou na semana passada o posto de fronteira de Cuneitra. Não está claro se o governo conseguiu reconquistar Cuneitra.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Rebeldes capturam força de paz da ONU na Síria

O Exército da Síria lutava hoje para reconquistar o posto de fronteira de Cuneitra, tomado pelos rebeldes que lutam contra a ditadura de Bachar Assad, depois da captura de 43 soldados da força de paz das Nações Unidas nas Colinas do Golã. Outros 81 soldados da ONU estão isolados no meio do fogo cruzado.

A declaração da Secretaria-Geral da ONU não esclarece que grupo rebelde é responsável. Várias milícias lutam nas Colinas do Golã, inclusive a Frente al-Nusra, braço armado da rede terrorista Al Caeda na guerra civil síria.

A missão de paz da ONU monitora desde 1974 o desengajamento das forças da Síria e de Israel depois da Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão), em 1973.