O presidente Donald Trump negou ter chamado Haiti, El Salvador e os países da África de "buracos de merda", confirmada ontem pela Casa Branca. Durante negociações com líderes do Congresso sofre imigração, Trump disse ainda querer mais imigrantes da Noruega. A indignação foi generalizada, prejudicando ainda mais a autoridade dos Estados Unidos no mundo.
"A Comissão da União Africana está francamente alarmada com as declarações do presidente dos EUA quando se referiu a migrantes de países africanos e outros em termos depreciativos", reagiu a porta-voz da UA, Ebba Kalondo. "Considerando a realidade histórica de quantos africanos chegaram aos EUA durante o tráfico de escravos no Oceano Atlântico, isso vai contra todos os comportamentos e práticas aceitáveis."
Na África do Sul, a subsecretária-geral do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido de Nelson Mandela reagiu: "Nosso país não é um buraco de merda, nem o Haiti ou qualquer outro país em sofrimento."
Um apresentador da TV sul-africana SABC escreveu no Twitter: "Bom dia do maior e mais bonito buraco de merda do mundo." O Senegal cobrou explicações do embaixador americano. No Quênia, um cartunista publicou um "mapa da África da Casa Branca" em que os nomes de todas regiões vinham acompanhados dos palavrões do presidente sem limites.
Em Genebra, o porta-voz das Nações Unidas para direitos humanos, Rupert Colville, foi menos diplomático do que de costume: "Não há outra palavra a usar a não ser racismo. Você não pode desprezar países e um continente inteiro como 'buracos de merda' onde a população não é branca."
No Haiti, Harold Isaac publicou fotos de praias maravilhosas com águas verdes com o seguinte texto: "Ei, presidente buraco de merda. Veja como parece meu buraco de merda." O embaixador americano no Panamá abandonou o cargo em protesto.
Em Miami, a imigrante haitiana e ativista social Farah Larrieux lembrou a visita que o candidato Trump fez ao Pequeno Haiti, um dos bairros mais pobres da cidade, prometeu ser "o maior campeão na defesa dos haitiano-americanos. No cargo, Trump chegou a dizer que "todos os haitianos têm aids".
Um antigo desafeto de Trump, o ex-presidente mexicano Vicente Fox atacou diretamente: "Sua boca é o buraco de merda mais sujo do mundo."
O governo da Noruega ofereceu ajuda a imigrantes noruegueses e descendentes que emigraram para os EUA, se quiserem sair do país.
Para os EUA, envolvidos numa disputa geopolítica com a China sobre influência na África, foi um tiro que sai pela culatra.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
sábado, 25 de julho de 2015
União Africana avança na luta contra Al Chababe
A Missão da União Africana na Somália lançou uma nova ofensiva contra a milícia extremista muçulmana Al Chababe (A Juventude). Depois de libertar a capital, Mogadíscio, em agosto de 2011, e Kismayo, em setembro de 2012, a força internacional não conseguiu derrotar totalmente o grupo jihadista, braço da rede terrorista Al Caeda na região do Chifre da África.
Apesar da morte de vários comandantes da milícia em bombardeios dos Estados Unidos, Al Chababe ainda é um grupo perigoso. Além de ataques diretos na Somália e no Quênia, a milícia ataca rotineiramente as rotas de suprimento das tropas da UA em operações de guerrilha.
Com a nova ofensiva, a UA pretende tirar Al Chababe de combate, mas a força internacional de apoio ao governo provisório sofreu uma derrota na vila somaliana de Lego em 26 de junho de 2015. A missão consegue vender a milícia num combate convencional, mas tem dificuldades para proteger a vastidão do Sul da Somália.
O objetivo da Operação Corredor Juba é atacar os principais redutos do grupo. Em 22 de julho, o alvo foi a cidade de Bardera, reconquistada depois de ficar seis anos sob o controle da Chababe, quando serviu como refúgio para milicianos. A próxima meta é impedir que eles se refugiem no vale do rio Juba, perto da trongeira com o Quênia.
Apesar da morte de vários comandantes da milícia em bombardeios dos Estados Unidos, Al Chababe ainda é um grupo perigoso. Além de ataques diretos na Somália e no Quênia, a milícia ataca rotineiramente as rotas de suprimento das tropas da UA em operações de guerrilha.
Com a nova ofensiva, a UA pretende tirar Al Chababe de combate, mas a força internacional de apoio ao governo provisório sofreu uma derrota na vila somaliana de Lego em 26 de junho de 2015. A missão consegue vender a milícia num combate convencional, mas tem dificuldades para proteger a vastidão do Sul da Somália.
O objetivo da Operação Corredor Juba é atacar os principais redutos do grupo. Em 22 de julho, o alvo foi a cidade de Bardera, reconquistada depois de ficar seis anos sob o controle da Chababe, quando serviu como refúgio para milicianos. A próxima meta é impedir que eles se refugiem no vale do rio Juba, perto da trongeira com o Quênia.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Al Chababe é suspeito de ataque à ONU com nove mortos
Nove guardas da sede das Nações Unidas na cidade de Garowe, na Somália, foram mortos hoje num ataque a bomba, revelou a agência Reuters. Sete eram somalianos e dois quenianos.
A polícia somaliana suspeita da milícia extremista muçulmana Al Chababe, ligada à rede terrorista Al Caeda. A Somália não tem um governo estável desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, no fim da Guerra Fria.
Desde 2011, uma força internacional de paz da União Africana apoia o governo provisório com mandato do Conselho de Segurança da ONU.
A polícia somaliana suspeita da milícia extremista muçulmana Al Chababe, ligada à rede terrorista Al Caeda. A Somália não tem um governo estável desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, no fim da Guerra Fria.
Desde 2011, uma força internacional de paz da União Africana apoia o governo provisório com mandato do Conselho de Segurança da ONU.
Al Chababe ataca comboio da missão de paz da UA na Somália
A milícia extremista muçulmana Al Chababe (A Juventude) atacou ontem um comboio da força internacional de paz da União Africana na Somália, que apoia o governo provisório com mandato das Nações Unidas, noticiou a agência Reuters. Dois veículos foram destruídos e três pessoas saíram feridas.
O grupo jihadista ligado à rede terrorista Al Caeda anunciou ter matado cinco pessoas na operação. Com o apoio da missão da UA, as forças de segurança da Somália conseguiram retomar a capital e expulsar os milicianos da maioria de seus redutos. Mas Al Chababe continua a realizar ataques como a chacina de 148 pessoas na universidade de Garissa, no Quênia, em 2 de abril de 2015.
O Quênia virou um dos alvos preferenciais dos terroristas por fornecer o maior contingente de soldados da missão de paz.
O grupo jihadista ligado à rede terrorista Al Caeda anunciou ter matado cinco pessoas na operação. Com o apoio da missão da UA, as forças de segurança da Somália conseguiram retomar a capital e expulsar os milicianos da maioria de seus redutos. Mas Al Chababe continua a realizar ataques como a chacina de 148 pessoas na universidade de Garissa, no Quênia, em 2 de abril de 2015.
O Quênia virou um dos alvos preferenciais dos terroristas por fornecer o maior contingente de soldados da missão de paz.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Rebeldes atacam palácio presidencial na Somália
Militares do grupo fundamentalista muçulmano Al Chababe (Os Jovens) atacaram hoje o palácio presidencial da Somália, em Mogadíscio. Um carro-bomba abriu uma brecha no muro que cerca o prédio por onde passaram atiradores. Eles enfrentaram a força de paz da União Africana.
Pelo menos 15 pessoas morreram. O presidente Hassan Cheikh Mohamud saiu ileso.
Pelo menos 15 pessoas morreram. O presidente Hassan Cheikh Mohamud saiu ileso.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
África corrupta quer deixar tribunal internacional
Depois de não conseguir impedir os processos contra os presidentes do Sudão, Omar Bachir, e do Quênia, Uhuru Kenyatta, denunciados por crimes contra a humanidade, a União Africana quer boicotar o Tribunal Penal Internacional.
Em declaração divulgada no fim de uma reunião de cúpula em Adis Abeba, na Etiópia, com a presença de 34 lideres, a UA manifestou descontentamento porque o Conselho de Segurança das Nações Unidas não suspendeu os processos enquanto eles estão no poder, pretextando a suposta imunidade de chefes de Estado. Dos 54 países-membros da UA, só Botsuana foi contra a nota.
Entre outros crimes, Bachir é acusado pelo genocídio na província sudanesa de Darfur, onde mais de 300 mil pessoas foram mortas no início do século. Kenyatta foi denunciado pela violência política que se seguiu à contestada eleição presidencial de 27 de dezembro de 2007, quando mais de mil pessoas foram mortas.
Em declaração divulgada no fim de uma reunião de cúpula em Adis Abeba, na Etiópia, com a presença de 34 lideres, a UA manifestou descontentamento porque o Conselho de Segurança das Nações Unidas não suspendeu os processos enquanto eles estão no poder, pretextando a suposta imunidade de chefes de Estado. Dos 54 países-membros da UA, só Botsuana foi contra a nota.
Entre outros crimes, Bachir é acusado pelo genocídio na província sudanesa de Darfur, onde mais de 300 mil pessoas foram mortas no início do século. Kenyatta foi denunciado pela violência política que se seguiu à contestada eleição presidencial de 27 de dezembro de 2007, quando mais de mil pessoas foram mortas.
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
União Africana vai criar força militar de reação rápida
A União Africana, que está completando 50 anos, vai criar uma força de reação rápida para intervir em crises no continente como golpes de Estado, guerras, massacres e rebeliões, anunciou seu presidente, o primeiro-ministro da Etiópia, Hailemarian Desalegn.
O principal objetivo da Capacidade Africana para Resposta Imediata a Crises será reduzir a dependência do continente de ajuda militar externa, na maioria dos casos oferecida pelas antigas potências coloniais.
Quando nasceu, em 1963, como Organização de Unidade Africana, a UA decidiu aceitar as fronteiras nacionais impostas pelo colonialismo europeu por dois motivos. Primeiro, a unidade do continente iria além das fronteiras artificiais. Segundo, os novos países independentes sabiam que as disputas sobre limites levariam a guerras sem fim.
A organização tem sede na Etiópia por causa de sua luta histórica contra o imperialismo europeu, especialmente depois da invasão do país, em 1935 e 1936, pela Itália fascista de Benito Mussolini. Isso levou o imperador Hailé Salassié a percorrer o mundo em defesa da soberania nacional, tornando-o um ídolo na África.
De modo geral, os países africanos apoiam a UA, mas o bloco regional não tem muita força porque seus membros não querem ceder poderes a uma entidade supranacional nem aceitar sua interferência em questões internas. A soberania nacional ainda fala mais alto.
O principal objetivo da Capacidade Africana para Resposta Imediata a Crises será reduzir a dependência do continente de ajuda militar externa, na maioria dos casos oferecida pelas antigas potências coloniais.
Quando nasceu, em 1963, como Organização de Unidade Africana, a UA decidiu aceitar as fronteiras nacionais impostas pelo colonialismo europeu por dois motivos. Primeiro, a unidade do continente iria além das fronteiras artificiais. Segundo, os novos países independentes sabiam que as disputas sobre limites levariam a guerras sem fim.
A organização tem sede na Etiópia por causa de sua luta histórica contra o imperialismo europeu, especialmente depois da invasão do país, em 1935 e 1936, pela Itália fascista de Benito Mussolini. Isso levou o imperador Hailé Salassié a percorrer o mundo em defesa da soberania nacional, tornando-o um ídolo na África.
De modo geral, os países africanos apoiam a UA, mas o bloco regional não tem muita força porque seus membros não querem ceder poderes a uma entidade supranacional nem aceitar sua interferência em questões internas. A soberania nacional ainda fala mais alto.
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União Africana
segunda-feira, 25 de março de 2013
União Africana suspende República Centro-Africana
A União Africana decidiu hoje suspender a participação da República Centro-Africana e impor sanções ao país em retaliação aos rebeldes que tomaram o poder ontem em Bangui depois da fuga do ditador François Bozizé e sua família para a República Democrática do Congo, informa o jornal francês Le Monde.
O líder rebelde, Michel Djotodia, anulou a Constituição, dissolveu as instituições do país e prometeu realizar eleições "dentro de dois a três anos".
O líder rebelde, Michel Djotodia, anulou a Constituição, dissolveu as instituições do país e prometeu realizar eleições "dentro de dois a três anos".
sábado, 2 de julho de 2011
União Africana ignora ordem de prisão de Kadafi
A União Africana aconselhou seus países-membros a ignorar a ordem de prisão contra o ditador da Líbia, coronel Muamar Kadafi, por crimes contra a humanidade decretada pelo procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, informa o jornal norte-irlandês Belfast Telegraph.
Kadafi foi o grande incentivador e financiador da transformação da Organização de Unidade Africana (OUA), fundada em 1963, na UA.
O ditador do Sudão, Omar Bachir, também teve sua prisão pedida por Moreno Ocampo, por causa do genocídio na província de Darfur, mas seus colegas africanos ignoram o TPI, talvez com medo de um dia serem acusados.
terça-feira, 17 de maio de 2011
África deve crescer 5% em 2011
O ritmo de crescimento econômico da África deve se acelerar de 4,7% para 5% neste ano, prevê o Relatório Econômico África 2011, divulgado ontem pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a África e a União Africana.
As principais causas são investimentos, o desenvolvimento dos setores industrial e de serviços, e a alta nos preços das matérias-primas. Outra conclusão é que os países africanos suportaram a recessão mundial melhor do que previsto.
Para a economia mundial, a expectativa é de expansão de 3,1%, com os países ricos crescendo apenas 1,9%.
domingo, 10 de abril de 2011
Kadafi aceita plano de paz da União Africana
O ditador da Líbia, Muamar Kadafi, aceitou hoje um plano de paz apresentado por uma delegação da União Africana em Trípoli, anuncia o sítio de Internet da TV árabe Al Jazira. A proposta prevê um cessar-fogo, a distribuição imediata de ajuda humanitária e "o diálogo entre as partes na Líbia.
A missão da UA chegou hoje à capital líbia, sob a chefia do presidente da Mauritânia, Mohamed Ould Abdel Aziz. Também fazem parte os presidentes da África do Sul, Jacob Zuma; do Congo (antigo Congo Francês), Denis Sassou Nguesso; do Máli, Amadou Touré; e de Uganda, Yoweri Museveni.
Ao receber a delegação africana, Kadafi apareceu pela primeira vez diante da mídia internacional em semanas, no complexo presidentecial de Bab al-Aziziyah.
Essa renovada disposição do ditador para negociar acontece no momento em que as forças aéreas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) voltam a atacar suas forças, que avançavam para retomar a cidade de Ajdábia, em poder dos rebeldes que lutam para derrubá-lo.
Pelo menos 25 tanques de Kadafi foram destruídos, 14 em Missurata e 11 em Ajdábia. Quatro rebeldes morreram na batalha de Ajdábia, de onde se erguiam colunas de fumaça.
A missão da UA chegou hoje à capital líbia, sob a chefia do presidente da Mauritânia, Mohamed Ould Abdel Aziz. Também fazem parte os presidentes da África do Sul, Jacob Zuma; do Congo (antigo Congo Francês), Denis Sassou Nguesso; do Máli, Amadou Touré; e de Uganda, Yoweri Museveni.
Ao receber a delegação africana, Kadafi apareceu pela primeira vez diante da mídia internacional em semanas, no complexo presidentecial de Bab al-Aziziyah.
Essa renovada disposição do ditador para negociar acontece no momento em que as forças aéreas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) voltam a atacar suas forças, que avançavam para retomar a cidade de Ajdábia, em poder dos rebeldes que lutam para derrubá-lo.
Pelo menos 25 tanques de Kadafi foram destruídos, 14 em Missurata e 11 em Ajdábia. Quatro rebeldes morreram na batalha de Ajdábia, de onde se erguiam colunas de fumaça.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
União Africana suspende a Costa do Marfim
A União Africana suspendeu hoje a Costa do Marfim por causa da anulação da eleição presidencial vencida pelo oposicionista Alassane Ouattara.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas também reconheceu a vitória oposicionista. O presidente Barack Obama pediu dias atrás que o presidente Laurent Gbagbo deixe o poder para evitar uma nova guerra civil.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
UA quer bloqueio aeronaval da Somália
A União Africana pediu à ONU que aprove um bloqueio aeronaval da Somália para combater a pirataria e o terrorismo no país do Chifre da África, que vive em anarquia há 19 anos.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Ban Ki Moon condena golpes na África
Na abertura da reunião de cúpula anual da União Africana, em Adis Abeba, na Etiópia, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, condenou ontem os quatro golpes de Estado do ano passado na África e lembrou que ainda há 2 milhões de de refugiados internos da guerra civil de Darfur, no Sudão.
Ban elogiou a proposta do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, de que o continente encontre um território para abrigar vítimas do terremoto no Haiti, tendo em vista as relações históricas e culturais do país com a África. O Haiti independente, resultado da única revolução de escravos bem-sucedida da História, foi a primeira república negra do mundo.
Além dos golpes, das guerras no Congo, na Somália e no Sudão, a UE vai discutir os problemas do desenvolvimento econômico da África e o impacto da grande recessão mundial do ano passado sobre as frágeis economias do continente.
O ditador líbio, coronel Muamar Kadafi, queria se reeleger presidente, mas os presidentes africanos preferiram honrar o acordo que prevê a rotação da presidência a cada ano.
Ban elogiou a proposta do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, de que o continente encontre um território para abrigar vítimas do terremoto no Haiti, tendo em vista as relações históricas e culturais do país com a África. O Haiti independente, resultado da única revolução de escravos bem-sucedida da História, foi a primeira república negra do mundo.
Além dos golpes, das guerras no Congo, na Somália e no Sudão, a UE vai discutir os problemas do desenvolvimento econômico da África e o impacto da grande recessão mundial do ano passado sobre as frágeis economias do continente.
O ditador líbio, coronel Muamar Kadafi, queria se reeleger presidente, mas os presidentes africanos preferiram honrar o acordo que prevê a rotação da presidência a cada ano.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Coronel Kadafi festeja 40 anos de ditatura
A Líbia está em festa para celebrar os 40 anos do golpe que levou ao poder o coronel Muamar Kadafi.
De revolucionário que financiava e armava grupos radicais palestinos e o Exército Republicano Irlandês, chegando a ter seu palácio bombardeada pelos Estados Unidos na noite de 14 para 15 de abril de 1986, no governo Ronald Reagan, Kadafi se tornou nos últimos anos em aliado do Ocidente na luta contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos. Afinal, eles encontraram um inimigo comum.
O novo Kadafi mantem o estilo fanfarrão, como se pode ver na festa de recepção ao agente líbio Abdel Basset al-Megrahi. Único terrorista condenado pela explosão de um Boeing 747 da companhia aérea PanAm em Lockerbie, na Escócia, em 21 de dezembro de 1988, Megrahi foi sentenciado a prisão perpétua. Deveria cumprir pelo menos 27 anos na cadeia. Foi libertado no mês passado por razões humanitárias e recebido como herói.
Para piorar a situação, um dos filhos do ditador líbio declarou que havia negócios com petróleo na jogada. Oficialmente, a decisão foi tomada pelo ministro da Justiça da Escócia, um político de menor expressão, por razões humanitárias, para que Megrahi, que sofre de câncer terminal, possa morrer perto de sua família.
Ontem, os jornais de Londres afirmaram que no início do ano um ministro britânico disse ao coronel Kadafi que o primeiro-ministro Gordon Brown não queria que Megrahi morresse no Reino Unido. Os mesmos documentos revelados ontem mostrariam a pressão de empresários dos dois países pela libertação do agente líbio condenado por terrorismo.
A aproximação de Kadafi - e a entrega dos agentes líbios para serem processados já fora uma concessão - causa problemas e embaraços. Mas o petróleo líbio, as maiores reservas da África, é motivo suficiente para que as empresas estrangeiras entrem no país. A meta do governo é ampliar a produção de 2 para 3 milhões de barris por dia.
Com o declínio do socialismo e até mesmo do nacionalismo pan-árabe diante da ofensiva dos extremistas muçulmanos, Kadafi se voltou para o pan-africanismo. Foi um dos defensores da transformação da Organização de Unidade Africana na União Africana, o embrião de uma organização supranacional no estilo da União Europeia.
O início da festa, que vai durar uma semana, coincidiu com a reunião de cúpula da UA. Só que vai durar uma semana.
De revolucionário que financiava e armava grupos radicais palestinos e o Exército Republicano Irlandês, chegando a ter seu palácio bombardeada pelos Estados Unidos na noite de 14 para 15 de abril de 1986, no governo Ronald Reagan, Kadafi se tornou nos últimos anos em aliado do Ocidente na luta contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos. Afinal, eles encontraram um inimigo comum.
O novo Kadafi mantem o estilo fanfarrão, como se pode ver na festa de recepção ao agente líbio Abdel Basset al-Megrahi. Único terrorista condenado pela explosão de um Boeing 747 da companhia aérea PanAm em Lockerbie, na Escócia, em 21 de dezembro de 1988, Megrahi foi sentenciado a prisão perpétua. Deveria cumprir pelo menos 27 anos na cadeia. Foi libertado no mês passado por razões humanitárias e recebido como herói.
Para piorar a situação, um dos filhos do ditador líbio declarou que havia negócios com petróleo na jogada. Oficialmente, a decisão foi tomada pelo ministro da Justiça da Escócia, um político de menor expressão, por razões humanitárias, para que Megrahi, que sofre de câncer terminal, possa morrer perto de sua família.
Ontem, os jornais de Londres afirmaram que no início do ano um ministro britânico disse ao coronel Kadafi que o primeiro-ministro Gordon Brown não queria que Megrahi morresse no Reino Unido. Os mesmos documentos revelados ontem mostrariam a pressão de empresários dos dois países pela libertação do agente líbio condenado por terrorismo.
A aproximação de Kadafi - e a entrega dos agentes líbios para serem processados já fora uma concessão - causa problemas e embaraços. Mas o petróleo líbio, as maiores reservas da África, é motivo suficiente para que as empresas estrangeiras entrem no país. A meta do governo é ampliar a produção de 2 para 3 milhões de barris por dia.
Com o declínio do socialismo e até mesmo do nacionalismo pan-árabe diante da ofensiva dos extremistas muçulmanos, Kadafi se voltou para o pan-africanismo. Foi um dos defensores da transformação da Organização de Unidade Africana na União Africana, o embrião de uma organização supranacional no estilo da União Europeia.
O início da festa, que vai durar uma semana, coincidiu com a reunião de cúpula da UA. Só que vai durar uma semana.
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