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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 14 de Dezembro

 NASCE A FÍSICA QUÂNTICA

    Em 1900, o físico alemão Max Planck publica seus estudos sobre a radiação e lança a Teoria Quântica, mostrando que às vezes a energia apresenta características da matéria.

A Teoria Quântica sustenta que a energia é composta de pequenas partículas ou pacotes, os quanta. A mecânica quântica tem uma visão probabilística da natureza, em contraste com a mecânica clássica e o universo newtoniano.

Planck ganha o Prêmio Nobel de Física de 1918 e influencia cientistas como Albert Einstein, Erwin Schrodinger e Niels Bohr. A Teoria da Relatividade, de Einstein, e a Teoria Quântica, de Planck, são as bases da física moderna.

NORUEGUÊS É PRIMEIRO NO POLO SUL

    Em 1911, o explorador norueguês Roald Amundsen se torna o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. 

Amundsen nasce em Borge, perto de Oslo, e se destaca como explorador dos polos. Em 1897, participa de uma expedição belga que é a primeira a passar o inverno na Antártida. Em 1903, leva a corveta Gjöa através da Passagem do Noroeste e da costa do Canadá. É o primeiro navegante a realizar a façanha.

Seu sonho maior é ser o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. Quando está se preparando, em 1909, recebe a informação de que o norte-americano Robert Peary chegou lá. Amundsen zarpa para a Antártida em junho de 1910, ao mesmo tempo que o britânico Robert Scott.

Ao chegar ao continente gelado, Amundsen ancora na Baía das Baleias e monta seu acampamento a uma distância 100 quilômetros menor até o Polo Sul do que Scott. Num trenó puxado por cães, Amundsen chega antes e retorna ao acampamento no fim de janeiro. 

Scott atinge o Polo Sul mais de um mês depois, em 18 de janeiro, e morre ao tentar voltar para seu acampamento quando estava a 11 quilômetros de distância.

LIGA DAS NAÇÕES EXPULSA URSS

    Em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Liga das Nações, precursora da ONU, expulsa a União Soviética por causa da invasão da Finlândia, em novembro.

Primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, a Liga das Nações nasce depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18) como parte do plano de paz de 15 pontos do presidente norte-americano, Woodrow Wilson. 

Fracassa ao não impedir a remilitarização da Alemanha, a invasão da China pelo Japão, a invasão da Abissínia ou Etiópia pela Itália e a invasão soviética da Finlândia - e não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial.

MASSACRE DE SANDY HOOK

    Em 2012, depois de matar a mãe, Adam Lanza mata 20 crianças e seis funcionários da Escola Elementar Sandy Hook, em Newtown, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos, e se suicida.

Na época, é o segundo ataque mais mortífero a uma escola no país, atrás apenas do massacre de 32 estudantes e professores na Escola Politécnica da Virgínia, em 16 de abril de 2007.

O presidente Barack Obama propôs mudanças na lei para aumentar as exigências para comprar armas nos EUA, mas a maioria republicana no Senado vetou.

Propagadores de notícias falsas e teorias conspiratórias como o radialista Alan Jones chegam a afirmar que a matança era invenção. Jones é condenado a pagar US$ 100 mil às famílias de algumas vítimas.

domingo, 28 de agosto de 2022

Hoje na História do Mundo: 28 de Agosto

 REI ZULU CAPTURADO

    Em 1879, o Império Britânico captura o rei Cetshwayo, último grande líder da Zululândia, no fim da Guerra Britânico-Zulu. Cetshwayo é exilado.

Os britânicos tomam em 1843 a província de Natal dos bôeres, os descendentes dos colonos holandeses que povoaram o que hoje é a África do Sul a partir da fundação da Cidade do Cabo por Jan van Riebeeck, em 1652.

Cetshwayo desafiou o domínio colonial. Em 1879, os britânicos invadiram a Zululândia e sofreram grandes perdas na Batalha de Isandlwana, quando tiveram 1,3 mil baixas, e na Batalha do Monte Hoblane. São as únicas vitórias militares de um exército armado com lanças e escudos contra um exército moderno com armas de fogo.

Na Batalha de Khambula, em 29 de março, o império vence. Capurado, Cetshwayo vai para o exílio. Volta em 1883 e retoma o controle de parte da Zululândia, mas sua liderança está abalada pela derrota. Cai de novo, volta para o exílio e morre no ano seguinte.

Diante da revolta zulu, em 1887, o Império Britânico anexa a Zululândia, que em 1897 passa a fazer parte da província de Natal, que em 1910 forma a União Sul-Africana.

"EU TENHO UM SONHO"

    Em 1963, no fim da Marcha sobre Washington, o reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pelos civis dos negros nos Estados Unidos, faz no Memorial de Lincoln, diante de 250 mil pessoas, seu discurso mais importante, Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vão viver num país onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pelo seu caráter."

Os manifestantes se reúnem na luta por liberdade e oportunidades iguais de trabalho para a minoria de origem africana. Nos degraus do monumento em homenagem a Abraham Lincoln, o presidente que aboliu a escravatura, o Dr. King afirma em linguagem direta: "O negro ainda não é livre."

FIM DE UM SONHO

    Em 1996, quatro anos depois da separação, os príncipes de Gales, Charles e Diana, se divorciamos oficialmente, pondo fim ao que no primeiro momento parecia um conto de fadas, com o herdeiro da coroa do Reino Unido casando com uma linda princesa na Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 29 de Dezembro

MASSACRE DE WOUNDED KNEE

    Em 1890, num dos últimos episódios da Guerras Indígenas dos Estados Unidos, um regimento de cavalaria do Exército mata 146 índios sioux na reserva de Pine Ridge, no estado de Dakota do Sul. 

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 14 de Dezembro

NASCE A TEORIA QUÂNTICA

    Em 1900, o físico alemão Max Planck publica seus estudos sobre a radiação e lança a Teoria Quântica, mostrando que às vezes a energia apresenta características da matéria.

A Teoria Quântica sustenta que a energia é composta de pequenas partículas ou pacotes, os quanta. A mecânica quântica tem uma visão probabilística da natureza, em contraste com a mecânica clássica e o universo newtoniano.

Planck ganha o Prêmio Nobel de Física de 1918 e influencia cientistas como Albert Einstein, Erwin Schrodinger e Niels Bohr. A Teoria da Relatividade, de Einstein, e a Teoria Quântica, de Planck, são as bases da física moderna.

NORUEGUÊS É PRIMEIRO NO POLO SUL

    Em 1911, o explorador norueguês Roald Amundsen se torna o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. 

Amundsen nasce em Borge, perto de Oslo, e se destaca como explorador dos polos. Em 1897, participa de uma expedição belga que é a primeira a passar o inverno na Antártida. Em 1903, leva a corveta Gjöa através da Passagem do Noroeste e da costa do Canadá. É o primeiro navegante a realizar a façanha.

Seu sonho maior é ser o primeiro homem a chegar ao Polo Sul. Quando está se preparando, em 1909, recebe a informação de que o norte-americano Robert Peary chegou lá. Amundsen zarpa para a Antártida em junho de 1910, ao mesmo tempo que o britânico Robert Scott.

Ao chegar ao continente gelado, Amundsen ancora na Baía das Baleias e monta seu acampamento a uma distância 100 quilômetros menor até o Polo Sul do que Scott. Num trenó puxado por cães, Amundsen chega antes e retorna ao acampamento no fim de janeiro. Scott atinge o Polo Sul mais de um mês depois, em 18 de janeiro, e morre ao tentar voltar para seu acampamento quando estava a 11 quilômetros de distância.

LIGA DAS NAÇÕES EXPULSA URSS

    Em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Liga das Nações, precursora da ONU, expulsa a União Soviética por causa da invasão da Finlândia, em novembro.

Primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, a Liga das Nações nasce depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18) como parte do plano de paz de 15 pontos do presidente norte-americano, Woodrow Wilson. Mas fracassa ao não impedir a remilitarização da Alemanha, a invasão da China pelo Japão, a invasão da Abissínia ou Etiópia pela Itália e a invasão soviética da Finlândia - e não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial.

MASSACRE DE SANDY HOOK

    Em 2012, depois de matar a mãe, Adam Lanza mata 20 crianças e seis funcionários da Escola Elementar Sandy Hook, em Newtown, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos, e se suicida.

Na época, é o segundo ataque mais mortífero a uma escola no país, atrás apenas do massacre de 32 estudantes e professores na Escola Politécnica da Virgínia.

O presidente Barack Obama propôs mudanças na lei para aumentar as exigências para comprar armas nos EUA, mas a maioria republicana no Senado vetou.

Propagadores de notícias falsas e teorias conspiratórias como o radialista Alan Jones chegam a afirmar que a matança era invenção. Jones é condenado a pagar US$ 100 mil às famílias de algumas vítimas.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Hoje na História do Mundo: 3 de junho

    Em 1937, o antigo rei Eduardo VIII, que abdicou por amar uma divorciada e se tornou Duque de Windsor, casou com a americana Wallis Warfield.

    Em 1965, Edward White se torna o primeiro astronauta americano a sair da nave e caminhar no espaço, depois do cosmonauta soviético Alexei Leonov. No início da corrida espacial, a União Soviética tomou a frente. Lançou o primeiro satélite artificial, o Sputnik, em 4 de outubro de 1957, e enviou o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961.

     Em 1989, começa o Massacre na Praça da Paz Celestial, em Beijim, na China quando o Exército Popular de Libertação da China atacou um acampamento de estudantes e outros chineses que lutavam por liberdade e democracia. O movimento começou em 15 de abril, deflagrado pela morte do ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang e terminou com a queda do secretário-geral Zhao Ziyang, ambos a favor de reformas liberalizantes.

Durante uma reunião decisiva na casa do líder supremo do regime, Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas que modernizaram a China e a transformaram em superpotência, Zhao disse que tinha 1,2 bilhão de pessoas a seu lado, toda a população do país.

Deng, cujo único cargo na época era presidente do Comitê Militar Central, respondeu: "Não tem, não, e eu tenho 3,2 milhões", o contingente do ELP. Com medo da dissolução do regime, Deng apoiou a linha-dura do primeiro-ministro Li Peng, que decretou lei marcial e mandou o Exército atacar a manifestação.

Hoje a China proibiu as manifestações em Hong Kong, que todos os anos fazia uma procissão luminosa em homenagem aos mortos. O número total é desconhecido, estimado entre centenas e 10 mil.

    Em 2017, terroristas muçulmanos mataram oito pessoas na Ponte de Londres. Depois de jogar uma caminhonete sobre pedestres na ponte e numa área de pedestres, os terroristas saíram armados de facas e atacaram pessoas que estavam na área.

sábado, 27 de março de 2021

Ditadura de Mianmar atira na multidão e mata mais de cem pessoas

 É uma terra de milhares de templos onde o budismo, uma religião pacifista, virou instrumento de dominação e repressão. No Dia das Forças Armadas, os militares que derrubaram o governo civil de Mianmar, a antiga Birmânia, em 1º de fevereiro atiraram hoje contra uma multidão de manifestantes desarmados e mataram 114 pessoas. Entre os mortos, há crianças de 5, 13 e 14 anos.

Pelo menos 420 mianmarenses foram mortos pela repressão desde o golpe militar. Mais de 3 mil foram presos, inclusive o presidente U Win Myint e a líder civil do país, Aung San Suu Kyi, filha do herói da independência do Império Britânico, Aung San, e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991. 

Hoje foi o dia mais sangrento. Desta vez. A história registra vários massacres cometidos pelo Exército de Mianmar. No pior, em resposta à rebelião de 8 de agosto de 1988, mais de 3 mil pessoas morreram, embora os militares só admitam 350 mortes.

Desde 1962, ditaduras militares dominam este país do Sudeste Asiático, transformando-o num dos mais pobres do continente, com um breve período democrático recentemente. Em 2015, a Liga Nacional pela Democracia venceu as eleições parlamentares e elegeu 86% dos deputados da Assembleia da União.

Como Suu Kyi é proibida de presidir o país por uma cláusula constitucional feita para impedi-la, por ter sido casada com um estrangeiro e ter filhos com dupla nacionalidade, ela foi nomeada conselheira e se tornou uma espécie de primeira-ministra.

Em pronunciando na televisão, o líder do golpe, general Min Aung Hlaing lembrou que Aung San foi o fundador das Forças Armadas do país, mas não citou a filha, mantida em prisão domiciliar. A ditadura anulou as eleições de 8 de novembro, outra vitória esmagadora da LND. O general prometeu realizar eleições democráticas, sem citar uma data.

Suu Kyi perdeu o prestígio por defender as ações do Exército contra a minoria étnica rohingya, inclusive perante o Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia na Holanda. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel de 1984, pediu que o prêmio da líder mianmarense fosse retirado.

Nos Estados Unidos, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, declarou-se "horrorizado pelo banho de sangue provocado pelas forças de segurança, que mostra que a junta sacrificará a vida das pessoas". O chefe da diplomacia dos Estados Unidos elogiou "a coragem do povo de Mianmar ao rejeitar o reino de terror dos militares."

O secretário-geral da ONU, António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal, condenou o massacre "nos termos mais duros". Mas o povo de Mianmar precisa de muito mais do que elogios dos EUA e condenações formais da ONU. Nas ruas de Yangum, Mandalay e Naipidau, pedem uma intervenção internacional e acusam a China de apoiar o golpe.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Ditadura de Mianmar abre fogo e mata 18 manifestantes

 É uma tragédia anunciada desde que o povo saiu às ruas para rejeitar o golpe militar de 1º de fevereiro em Mianmar, a antiga Birmânia, um país do Sudeste Asiático. Duas pessoas haviam sido mortes em protestos anteriores. 

Hoje, as forças de segurança abriram fogo contra manifestações em  mais de uma cidade. Pelo menos 18 pessoas morreram no domingo sangrento em Yangum, a antiga Rangun, maior cidade do país. Algumas fontes falam em 26 mortos.

Os militares derrubaram o governo civil sob a alegação de que houve fraude maciça nas eleições de 8 de novembro de 200, em que a Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Aung San Suu Kyi,  conquistou ampla maioria na Câmara dos Representantes e na Câmara das Nacionalidades da Assembleia da União, o parlamento bicameral do país.

Até agora, as Forças Armadas e a polícia estavam usando gás lacrimogênio, bombas de efeito moral e balas de borracha. Neste domingo, pela primeira vez, usaram munição real em Yangum, Mandalay, Bago e Dawei. O Escritório dos Direitos Humanos das Nações Unidas no país condenou a violência e declarou que "o uso de violência letal contra manifestantes não violentos nunca é justificável sob as normas internacionais dos direitos humanos."

"Quantas vidas são necessárias para a ONU agir?", perguntou Nyi Nyi Aung Htet Naing no sábado à noite no Facebook. No domingo, o engenheiro civil de 23 anos foi baleado e morto em Yangum.

Os militares mandam em Mianmar desde um golpe em 1962. Transformaram um dos países mais ricos da região num dos mais pobres e atrasados. Em 8 de agosto de 1988, massacraram 3 mil pessoas em Yangum, a antiga capital e principal cidade do país, no chamado Levante 8888.

A principal líder civil do país, Aung San Suu Kyi, é filha do herói da independência do país do Império Britânico, em 1948, Aung San, assassinado pouco antes da independência. Suu Kyu estudou na Universidade de Déli, na Índia e nas Universidades de Oxford e de Londres, na Inglaterra, casou-se com um inglês e trabalhou na ONU em Nova York.

Suu Kyi voltou ao país para cuidar da mãe doente em 1988. Diante do massacre, tornou-se líder da oposição com um comício para 500 mil pessoas em 26 de agosto e fundou a LND. No ano seguinte, foi colocada em prisão domiciliar. A LND conquistou 59% dos votos e 81% das cadeiras da Assembleia da União em 1990. Os militares anularam as eleições.

Em 1991, Suu Kyu ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Presa em casa, não pôde receber. Durante 21 anos, ela ficou 15 em prisão domiciliar. Duas vezes, em 1996 e 2003, sua caravana foi atacada quando fazia política no interior do país.

A breve experiência democrática mianmarense veio em consequência de uma catástrofe da natureza. Com ventos de até 215 quilômetros por hora, o ciclone Nargis arrasou a região do delta do Rio Irauádi. Mais de 138 mil pessoas morreram. O prejuízo passou de US$ 10 bilhões.

Com o país falido, os militares anunciaram uma abertura democrática em 2010 e a LND voltou a pedir registro como partido político, em 2011. O governo Barack Obama apoiou a democratização. Nas eleições de 2012, ela chegou à Assembleia da União. No mesmo ano, foi aos EUA, recebeu a Medalha de Ouro do Congresso e esteve com o presidente Obama na Casa Branca.

Em 2015, a LND obteve outra grande vitória, mas Suu Kyi foi barrada de se candidatar à Presidência por ser viúva de um estrangeiro e ter dois filhos estrangeiros. Virou então, em 2026, Conselheira do Estado, uma espécie de primeira-ministra, cargo que exercia até o golpe. 

Desde então, ela está prisão domiciliar. A primeira acusação foi de importar 10 equipamentos de telecomunicações tipo walkie-talkie. Depois, também foi denunciada por violar a Lei de Gestão de Desastres, por interagir com uma multidão durante a pandemia do novo coronavírus, e incitação a distúrbios da ordem pública. Pode ser condenada a até nove anos de prisão.

O presidente U Win Myint também está preso e incomunicável sob a acusação de infringir a lei sobre catástrofes e incitar a distúrbios da ordem. O prefeito da capital, Naipidau, Myo Aung, foi denunciado por incitar à desordem.

No governo, Suu Kyi manchou sua imagem internacional ao aceitar o genocídio da etnia muçulmana rohingya, vítima de massacres cometidos pelos militares, o que levou à fuga de 700 mil pessoas para Bangladesh em 2016 e 2017. Foi acusada de "legitimar o genocídio".

Diante do Tribunal Internacional de Justiça da ONU, em Haia, na Holanda, ela defendeu a atuação dos militares contra a minoria rohingya. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1984, pediu que o Nobel de Suu Kyi fosse retirado. Mas ela continua sendo a líder do país.

Ela pode ter se resignado diante da superioridade do poder de fato dos militares, mas há fortes suspeitas de que compactue com a visão nacionalista dos militares, que são budistas e enfrentam rebeliões de nove grupos armados de alguns dos 135 povos que vivem no país. Muitos lutam pela independência desde que o país deixou o Império Britânico.

A mais longa guerra civil em andamento no mundo justifica a ditadura e os massacres.

A China apoia a ditadura. Descreveu o golpe como uma "reforma ministerial". Nas ruas, os manifestantes denunciam o regime comunista chinês e pedem apoio aos EUA, que anunciaram sanções contra o golpe militar. O Japão, maior democracia da Ásia, ficou em silêncio.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Massacre na Praça da Paz Celestial enterrou sonho de democracia na China

O Exército Popular de Libertação da China atacou há exatamente 30 anos neste noite os estudantes que lutavam pela paz e a democracia acampados na Praça da Paz Celestial, no centro de Beijim. A ditadura comunista chinesa impôs uma censura total sobre a tragédia. Nem o número de mortos se sabe: as estimativas variam entre centenas e 10 mil.

A reação brutal da linha dura liderada pelo primeiro-ministro Li Peng acabou com a possibilidade de uma reforma política. A velha guarda maoísta temia seguir o destino da União Soviética. Mas manteve as reformas econômicas que fizeram da China de hoje o segundo país mais do mundo.

A China superpotência é governada por um regime brutal e cruel que colocou um milhão de muçulmanos da minoria uigur em campos de concentração e reeducação, não respeita os direitos humanos e apoia ditaduras sanguinárias no exterior. Meu comentário:

terça-feira, 7 de maio de 2019

Mianmar solta jornalistas presos por denunciar massacre do Exército

Depois de 511 dias de prisão, Mianmar libertou hoje dois jornalistas condenados por denunciar um massacre cometido pelo Exército do país na guerra contra a minoria rohingya num processo que gerou pesadas críticas ao desrespeito aos direitos humanos pelo governo mianmarense.

Wa Lone, de 33 anos, e Kyaw Soe Oo, de 29, foram presos em dezembro de 2017 e considerados culpados com base na Lei de Segredos Oficiais, do tempo em que a antiga Birmânia era uma colônia do Império Britânico. Em setembro de 2018, pegaram sete anos de cadeia.

Hoje, saíram da prisão por causa de uma anistia dada pelo presidente Win Myint a 6.250 prisioneiros no início do Ano Novo pelo calendário tradicional de Mianmar.

"Estou feliz e ansioso para ver minha família e meus colegas", declarou Wa Lone, citado pela agência de notícias Reuters. "Não vejo a hora de voltar à redação."

A reportagem que provocou a ira dos militares denunciou o massacre de 10 muçulmanos da minoria rohingya, perseguida pela maioria budista que domina Mianmar e o Exército, em Inn Din, no estado de Rakhine.

As autoridades mianmarenses reconheceram o massacre. No ano passado, sete soldados foram condenados a 10 anos de trabalhos forçados pelos crimes cometidos.

Mesmo assim, no mês passado, a Suprema Corte rejeitou um recurso dos jornalistas pedindo a revogação da sentença condenatória. Também no mês passado, a agência Reuters recebeu o Prêmio Politzer, o mais importante do jornalismo americano, pelo trabalho de reportagem em Mianmar, com destaque para as "notáveis contribuições" dos dois.

O caso suscitou pesadas críticas contra a principal líder política do país, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991. Vários críticos pediram que o prêmio fosse retirado.

Mais de 730 mil rohingyas fugiram para Bangladesh para escapar da repressão em Mianmar, que não os reconhece como cidadãos alegando que são parte e descendentes de refugiados da Guerra da Independência de Bangladesh, em 1971.

domingo, 31 de março de 2019

Lobby das armas fomentou mentiras sobre massacre em escola nos EUA

Um funcionário da Associação Nacional do Rifle (NRA), o lobby dos fabricantes de armas nos Estados Unidos, trocou mensagens com um notório adepto de teorias conspiratórias para tentar desmoralizar as vítimas do massacre na Escola Secundária Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida, onde 17 pessoas foram mortas em 14 de fevereiro de 2018.

Mark Richardson, funcionário da NRA, se comunicou com Wolfgang Halbig, que assediou os parentes das vítimas da Escola Primária Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, onde 28 pessoas foram assassinadas em 14 de dezembro de 2012.

As mensagens foram reveladas durante o processo movido por Scarlett Lewis, mãe de uma das crianças mortas em Sandy Hook, contra outro difusor de teorias conspiratórias, Alex Jones. Durante anos, o sítio Infowars, de Jones, afirmou que as vítimas da tragédias eram "atores".

A NRA financia campanhas eleitorais de deputados e senadores que defendem o direito irrestrito de comprar armas nos EUA. É a maior força contra medidas de controle de armas, mesmo as mais elementares, como verificar antecedentes criminais e as condições psicológicas dos compradores.

Em seu discurso, a NRA alega que a melhor defesa contra atiradores é armas pessoas honestas para contra-atacar. Chega a defender o armamento de professores e funcionários das escolas sob o pretexto de evitar massacres.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Nova Zelândia proíbe fuzis de guerra após massacres nas mesquitas

A Nova Zelândia vai proibir a posse de armas de guerra semiautomáticas como os fuzis de assalto e cartuchos de grande capacidade usados no massacre de 50 pessoas em duas mesquitas da cidade de Christchurch seis dias atrás, anunciou hoje a primeira-ministra Jacinda Ardern.

"Em 15 de março, nossa história mudou para sempre. Agora, nossas leis vão mudar também", declarou a chefe de governo em entrevista coletiva. "Estamos anunciando hoje uma ação a favor de todos os neo-zelandeses de fortalecer nossas leis sobre armas para fazer do nosso país um lugar seguro."

Além de proibir a venda de armas de guerra, o governo vai comprar as armas em poder da população para estimular os proprietários destas armas a entregá-las à polícia. No pior atentado da história da Nova Zelândia, o terrorista usou fuzis AR-.

Ontem, houve o primeiro enterro de vítimas do massacre. Khaled Mustafá e seu filho Hamza, de 16 anos. Eles fugiram da guerra civil na Síria e estavam há poucos meses na Nova Zelândia.

O filho mais moço, Zaid, de 13, sobreviveu ao ataque. Assistiu ao enterro numa cadeira de rodas, chorou e disse: "Não quero ficar aqui sozinho."

sábado, 16 de março de 2019

Procurador-geral da Nova Zelândia quer proibir armas semiautomáticas

Depois do massacre de 50 pessoas em Christchurch, com mais uma morte registrada hoje, o procurador-geral David Parker, anunciou numa vigília em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, a intenção de proibir a venda, a posse e o porte de armas automáticas.

Hoje, a primeira-ministra Jacinda Ardern colocou um véu negro e abraçou pessoalmente parentes das vítimas das duas mesquitas atacadas pelo terrorista australiano Brenton Tarrant. Ele transmitiu a matança ao vivo pela Internet e divulgou um manifesto racista, supremacista branco, islamofóbico e fascista de 74 páginas para se justificar.

O manifesto reproduz as ideias que vem sendo defendidas por políticos sectários como o presidente Donald Trump, seu ex-ideólogo Steve Bannon, que vai se encontrar em Washington com o presidente Jair Bolsonaro, e os neonazistas americanos que marcharam em Charlottesville, na Virgínia: contra muçulmanos, contra imigrantes, em defesa das populações brancas de origem europeia.

Dois terços dos atentados terroristas cometidos nos últimos anos nos Estados Unidos, partiram de grupos de extrema direita. Pela contagem do jornal The Washington Post, o total de mentiras ditas pelo presidente desde que tomou posse passou de 9 mil.

Na Austrália, um garoto de 17 anos atacou o senador de extrema direita Fraser Anning quando o político dava uma entrevista coletiva sobre o massacre, atribuindo-o a "fanáticos muçulmanos" e a políticas de imigração liberais. Uma vaquinha na Internet está arrecadando dinheiro para pagar o advogado e a compra de mais ovos.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

EUA são o país rico mais perigoso para crianças e jovens

O massacre em Parkland, na Flórida, ontem foi o 18º oitavo ataque a tiros dentro de uma escola em 2018 e o terceiro pior da história dos Estados Unidos, com 17 mortes. O atirador, Nikolas Cruz, foi apresentado hoje à Justiça e confessou a culpa. Ele tem contato com grupos supremacistas brancos e havia sido expulso da escola por mau comportamento. Mas não é surpresa. É uma tragédia anunciada que se repete.

Nikolas Cruz, de 19 anos, chegou de Uber às 14h19 de ontem (17h19 em Brasília). Entrou na Escola Secundária Marjory Stoneman Douglas, pegou um fuzil de guerra AR-15 e "passou a atirar em estudantes, nos corredores, em salas de aula e no pátio da escola", descreve o relatório da polícia sobre a prisão.

Depois de metralhar estudantes em cinco salas de aula de dois andares, Cruz deixou o rifle, o colete a prova da bala e a munição no terceiro andar e fugiu misturando-se à multidão que tentava sair da escola desesperadamente.

O atirador foi até uma loja do Walmart, onde comprou uma bebida na lanchonete Subway. Também esteve numa loja do McDonald's antes de ser preso sem resistir numa rua residencial às 15h41 (18h41 em Brasília).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o índice de mortalidade de menores de idade nos EUA é o maior entre os países ricos num declínio relativo que começou nos anos 1960s.

Naquela década, a mortalidade infantil (de bebês de menos de um ano) e a mortalidade infanto-juvenil (entre 1 e 19 anos de idade) combinadas deixavam os EUA em 14º lugar entre 20 países ricos. O país ficou na mesma posição nos anos 1970s, mas caiu para o 19º lugar nos anos 1980s e para o último nos anos 1990s e no século 21.

Se os índices de mortalidade dos EUA fossem iguais aos de outros países ricos, 622,7 mil mortes de menores teriam sido evitadas nos 50 anos de 1961 a 2010.

"Cuidar das crianças é a principal responsabilidade moral da nossa sociedade", declarou o médico-residente Ashish Thakrar, do Hospital John Hopkins, em Baltimore, um dos autores da pesquisa baseada nos dados da OMS, publicada na revista acadêmica Health Affairs. "Os EUA gastam com saúde por criança mais do que todos os outros países, mas o resultado continua pobre."

Para jovens de 15 a 19 anos, a principal causa de mortes nos EUA é acidente de trânsito, duas vezes mais fatais do que em 19 países ricos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A segunda principal causa de mortes dos adolescentes americanos é tiro com armas de fogo. O risco de morrer baleado é 82 vezes maior nos EUA do que nos países ricos da OCDE.

"Nós não levantamos as mãos para o ar em rendição porque uma doença parece ser incurável", disse em editorial a Health Affairs. "Trabalhamos contínua e incrementalmente para reduzir o impacto. É nosso trabalho."

O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal americana, recebeu em setembro do ano passado uma denúncia de que Cruz havia divulgado um vídeo no YouTube avisando que seria um "atirador profissional em escolas".

Na CNN, uma mãe que perdeu uma filha de 14 anos dá um depoimento aos berros, exigindo que o presidente Donald Trump faça alguma coisa, aja para combater a epidemia de massacres a tiros nos EUA.

Trump prometeu proteger todas as crianças americanas. Na prática, rezou pelas vítimas. O Partido Republicano é refém da Associação Nacional do Rifle, o lobby das armas, que financia campanhas e se recusa a aceitar qualquer restrição ao direito de comprar e portar armas.

O atirador de Parkland pôde comprar armas porque não tinha antecedentes criminais. Tem um desequilíbrio mental, mas isso não o impediu de comprar um fuzil de guerra e grande quantidade de munição. Na Flórida, comprar um AR-15 é mais fácil do que comprar um revólver, informou o jornal The New York Times.

Diante de tragédias anunciadas semelhantes, o então presidente Barack Obama reclamava que há pessoas que não podem entrar num avião nos EUA porque estão na lista de suspeitos de terrorismo, mas podem comprar armas.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Atirador que matou 26 no Texas fora expulso da Força Aérea dos EUA

O atirador responsável pela chacina de 26 pessoas numa igreja batista do Texas, Devin Patrick Kelley, havia sido expulso com desonra da Força Aérea dos Estados Unidos depois de ter sido processado numa corte marcial e condenado por agredir a mulher e o filho. Mesmo assim, conseguiu comprar armas.

Kelley teve um pedido de licença para carregar uma arma escondida negado, mas comprou uma arma semiautomática. Quando ele saiu da igreja, depois do massacre, foi confrontado por um homem armado com outra arma automática, que o perseguiu de carro em alta velocidade até que o atirador saiu da estrada. Ele foi encontrado baleado e morto. Deve ter se suicidado.

A polícia suspeita que um problema familiar tenha motivado do massacre. Kelley havia ameaçado sua sogra na manhã de ontem, mas ela não estava na pequena congregação de Sutherland Springs, uma pequena cidade do interior com cerca de 400 habitantes.

"A sogra do suspeito frequentava a igreja", observou Freeman Martin, porta-voz do Departamento de Segurança Pública do estado do Texas, em entrevista coletiva minutos atrás. "Sabemos que ele enviou mensagens de texto e não podemos entrar em detalhes sobre esta situação doméstica, que está sendo continuamente reexaminada e investigada."

Os mortos tinham de 18 meses a 77 anos. Entre eles, havia 14 crianças e uma mulher grávida. Os 20 feridos tinham de 5 a 75 anos. Por onde se andasse na igreja, "havia sangue e morte por todos os lados", desabafou o xerife Joe Tackitt, do condado de Wilson, citado pelo jornal The New York Times. Praticamente toda a cidade tinha alguma relação com as vítimas.

Conclusão da polícia: "Não houve motivação racial e não foi por causa de crenças religiosas, foi um problema doméstico."

Durante a visita ao Japão, o presidente Donald Trump declarou que foi "um problema de saúde mental". Fugiu da discussão sobre controle de armas que mais um massacre provoca inevitavelmente nos EUA, pouco mais de um mês depois do massacre a tiros de 58 pessoas num show de música sertaneja em Las Vegas, em 1º de outubro de 2017, por um atirador instalado num hotel.

No país sem controle de armas, no estado onde é chique portar armas como um pioneiro do Velho Oeste, uma briga em família com um perturbado mentalmente termina com 26 inocentes mortos.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Estado Islâmico é suspeito de massacre do Ano Novo em Istambul

Um terrorista supostamente disfarçado de Papai Noel matou pelo menos 39 pessoas e deixou outras 69 feridas no clube noturno Reina, em Istambul, a maior cidade de Turquia, num massacre de Ano Novo. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante é a maior suspeita.

Era 1h15 da madrugada em Istambul (20h15min em Brasília) quando o terrorista abriu fogo. Entre os mortos, há pelo menos 16 estrangeiros da Arábia Saudita, da Bélgica, da França, de Israel, do Marrocos, do Líbano e da Líbia.

As forças de segurança turcas fazem uma caçada humana ao atirador. Pela natureza e o alvo do ataque, acredita-se que seja ligado ao Estado Islâmico. Os outros grupos atacam alvos governamentais. O EI ataca o setor turístico, manifestações de massa e casas noturnas que considera antros do pecado.

Em um ano e meio, o EI cometeu pelo menos seis atentados terroristas na Turquia, matando mais de 240 pessoas. O pior foi contra uma manifestação pela paz em Ancara, em 10 de outubro de 2015, quando mais de 100 pessoas morreram.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou que o ataque visa a "semear o caos no país". O primeiro-ministro Yildirim desmentiu a versão de que o atirador estivesse vestido de Papai Noel.

A Turquia é alvo de terroristas de extrema esquerda, de guerrilheiros curdos e de extremistas muçulmanos. No caso, as maiores suspeitas recaem sobre o Estado Islâmico, responsável pelos maiores atentados ocorridos no país no ano passado.

O clube Reina é uma das casas noturnas mais populares da área próxima ao Estreito de Bósforo. Havia mais de 600 pessoas na casa festejando o Réveillon no momento do atentado.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Duterte se compara a Hitler e fala em exterminar drogados nas Filipinas

Em mais atitude arrogante, prepotente e ditatorial, o presidente Rodrigo Duterte se comparou ao ditador alemão Adolf Hitler e declarou que gostaria de exterminar os usuários de drogas nas Filipinas.

"Hitler massacrou 3 milhões de judeus. As Filipinas têm 3 milhões de drogados. Eu ficaria feliz em massacrá-los", afirmou o boquirroto presidente filipino, ultrajando os judeus do mundo inteiro, observou o televisão pública britânica BBC.

Na verdade, cerca de 6 milhões de judeus foram mortos no Holocausto cometido pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. O Centro Simon Wiesenthal, que até hoje caça os criminosos nazistas, exigiu "um pedido de desculpas para as vítimas por esta retórica nojenta."

O presidente do Conselho Mundial Judaico, Ronald Lauder, ficou assombrado: "O que o presidente Duterte disse é não apenas profundamente desumano, mostra um desrespeito assustador pela vida humana de um líder democraticamente eleito de um grande país, o que parte o coração."

Para a Liga Antidifamação, com sede nos Estados Unidos, o comentário foi "inapropriado e profundamente ofensivo". Seu porta-voz, Todd Gutnick, considerou "desconcertante que qualquer líder use tamanho monstro como modelo".

Duterte foi eleito em 9 de maio de 2016 prometendo acabar com as drogas e a criminalidade. Desde sua posse, em 30 de junho, cerca de 4 mil pessoas foram mortas na guerra contra as drogas. Seu chefe de polícia incitou os usuários de drogas a atacar os traficantes como "vingança". O resultado é uma violenta guerra de quadrilhas.

Diante das críticas de governos ocidentais, instituições internacionais e organizações de defesa dos direitos humanos, Duterte respondeu acusando: "Vocês, União Europeia e EUA, vocês podem me chamar de qualquer coisa. Mas eu não sou hipócrita como vocês. Há migrantes fugindo do Oriente Médio. Vocês os deixam apodrecer e estão preocupados com a morte de mil, 2 mil, 3 mil?"

domingo, 21 de agosto de 2016

Iraque executa 36 condenados pelo massacre no Campo Speicher

O Iraque enforcou hoje 36 condenados pelo massacre de 1,7 mil recrutas do Exército iraquiano na antiga base americana de Campo Speicher, perto da cidade de Tikrit, em 2014, quando a região foi tomada pela milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A maioria dos cadetes do Exército do Iraque era xiita. O massacre mobilizou as milícias xiitas para a luta contra o Estado Islâmico.

"As execuções dos 36 condenados pelos crime de Speicher foram realizadas nesta manhã na prisão de Nassíria", declarou um porta-voz do governo da província de Dicar, onde Nassíria é a capital.

Cerca de 400 mortos pelo Estado Islâmico eram da província. Quando a região foi reconquistada, no ano passado, foram descobertos os cemitérios clandestinos onde os recrutas mortos foram enterrados em covas rasas.

Depois de um atentado terrorista atribuído ao Estado Islâmico com mais de 300 mortes em Bagdá no início de julho de 2016, o primeiro-ministro Haider el-Abadi decidiu acelerar as execuções de terroristas condenados.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Hillary abre 12 pontos de vantagem sobre Trump

Depois de um empate técnico em 46% a 44% em maio, a candidatura Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos sofreu com as gafes e tiradas agressivas e oportunistas do magnata imobiliário. Na pesquisa do jornal the Washington Post e da rede de televisão ABC, a democrata Hillary Clinton tem agora 51% das preferências do eleitorado contra 39% para Trump.

Desde maio, Trump acusou o presidente Barack Obama de leniência com o terrorismo depois do massacre de 49 pessoas por um extremista muçulmano numa boate gay de Orlando, na Flórida, renovou sua proposta de impedir a entrada de muçulmanos nos EUA e acusou um juiz de origem mexicana de parcialidade num processo sobre as fraudes da Universidade Trump porque ele promete construir um muro na fronteira do México.

Trump é um dos candidatos à Casa Branca mais impopulares desde que o ex-chefe do grupo supremacista branco Ku Klux Klan se candidatou há 32 anos.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Terror em Orlando foi o pior de 32 mil ataques a tiros num ano nos EUA

O ataque do americano de origem afegã Omar Mateen contra uma boate gay de Orlando, na Flórida, que deixou 49 mortos e 53 feridos, foi o pior massacre a tiros da história recente dos Estados Unidos. Mas foi apenas um entre 32 mil ataques a tiros ocorridos no país de 13 de junho de 2015 ao mesmo dia em 2016, informa a revista digital Slate.

A cada 12 meses, 130 mil pessoas são baleadas nos EUA. Em 2013, último ano sobre o qual há estatísticas oficiais consolidadas, menos de 2% das 33 mil mortes foram em ataques em massa. As armas de fogo mataram 3.428 pessoas a mais do que quedas, 4.635 a mais do que o álcool e 30.876 pessoas a mais do que incêndios.

Os dados mais recentes foram compilados pela organização não governamental Gun Violence Archive (Arquivo da Violência com Armas de Fogo). A expectativa é que em 2015 os assassinatos tenham ultrapassado os acidentes de trânsito como principal causa de morte violenta nos EUA.

Em outubro de 2015, em pesquisa do jornal The Washington Post e da rede de televisão ABC, 46% dos entrevistados citaram a redução da violência armada como prioridade.

No Brasil, mais de 56 mil pessoas foram assassinadas em 2013, mais de 150 por dia. A violência é muito pior do que nos EUA.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Trump ganha com massacre em Orlando, diz ex-embaixador de Israel

O pior massacre com armas de fogo da história recente dos Estados Unidos pesa a favor do candidato do Partido Republicano à Presidência, o magnata imobiliário Donald Trump, previu o ex-embaixador israelense em Washington Michael Oren, hoje deputado da Knesset, o Parlamento de Israel.

"Se o motivo fosse o ódio contra a comunidade LGBT [lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros], Hillary Clinton seria beneficiada. Mas como parece que o motivo foi o jihadismo islâmico, favorece Donald Trump. Ele sai grandemente fortalecido", afirmou Oren, ao comentar o ataque a uma discoteca gay em Orlando, na Flórida, em que 50 pessoas morreram.

Oren acredita mesmo que o bilionário não está aproveitando a oportunidade: "Se eu fosse Trump, teria falado a partir do minuto em que o FBI indicou que se trata de um rapaz que estava operando com motivações islâmicas...

"Seu próprio nome, Mir Seddique, um nome muçulmano, filho de imigrantes afegãos que aparentemente mantinham ligações com algum tipo de organizações extremistas islâmicas, pode influenciar muito a corrida presidencial", previu.

O embaixador notou uma certa hesitação da candidata democrata, "sentada em cima do muro" e "muito cuidadosa", "condenando, mas hesitando quanto ao que condenar" e voltando a questão para o controle de armas.

Durante a campanha das eleições primárias, Trump chegou a defender a proibição da entrada de muçulmanos nos EUA "até entendermos por que eles nos odeiam". Como sempre, promete soluções simples, autoritárias e no caso ilegais. A Primeira Emenda à Constituição dos EUA garante a liberdade religiosa.

Trump acusa Hillary e o presidente Barack Obama de não usarem as expressões terrorismo ou extremismo muçulmano. Os líderes do Partido Democrata relutam em associar o terrorismo à religião, preferindo interpretá-los como uma distorção. O candidato republicano denuncia esse discurso como conivência com o extremismo e negação de qualquer vínculo com o Islã.

Outra previsão de Oren é que Orlando será afetada: "Orlando não é San Bernardino, um subúrbio que ninguém conhecia. Orlando é uma cidade famosa, sede do Disney World", a atração turística mais visitada do mundo. "Haverá cancelamentos de dezenas de milhares de americanos. Ao ouvir falar de Orlando, vão achar que é perigoso