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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Maio

NOVA ROMA

    Em 330, o imperador romano Constantino I, o Grande, proclama Bizâncio, depois Constantinopla e hoje Istambul, como a Nova Roma, capital do Império Romano do Oriente, o que a transforma numa das cidades mais importantes do mundo, uma ponte entre a Europa e a Ásia.

Como Constantino faz do cristianismo a religião oficial do Império Romano, a cidade tem a religião cristã, a organização romana e o grego como língua. O conceito do direito divino dos reis como guardiães da fé nasce lá.

Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476, Constantinopla vira a principal cidade do império e um centro de preservação da cultura greco-romana durante a Idade Média. O auge é sob o imperador Justiniano I (527-565).

Até a ascensão das cidades-estado italianas durante o Renascimento, Constantinopla é o principal centro comercial do Mar Mediterrâneo. 

Em abril de 1204, a cidade é saqueada durante a Quarta Cruzada, o que aprofunda o Cisma do Oriente entre a Igreja Católica e a Igreja Cristã Ortodoxa. Os cavalos de bronze que ornamentam o hipódromo vão parar na Basílica de São Marcos, em Veneza, onde estão hoje.

Quando os turcos invadem a Europa no século 14, o destino da cidade está selado. A tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano sob a liderança do imperador Mehmet II, em 29 de maio de 1453, marca o fim da Idade Média. Em 1547, a cidade de torna capital do Império Otomano. A Basílica de Santa Sofia e outras igrejas bizantinas são convertidas em mesquitas.

O Império Otomano se expande pela Europa e cerca Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes, em 1529 e 1683, quando começa o recuo otomano.

A primeira ponte ligando a Ásia à Europa é construída em 1838. A presença em Constantinopla de forças britânicas e francesas, aliadas dos otomanos durante a Guerra da Crimeia (1853-56) contra a Rússia, acelera a ocidentalização da cidade. Nos anos 1870, a ferrovia europeia do Expresso do Oriente chega até lá.

O início do século 20 é o fim do Império Otomano. Em 1908, os Jovens Turcos ocupam a cidade e depõe o odiado sultão Abdulhamid II. Nas Guerras dos Bálcãs (1912-13), os búlgaros quase tomam a cidade.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Império Otomano se alia aos Poderes Centrais, os impérios Alemão e Austro-Húngaro. A cidade é cercada e, no fim da guerra, ocupada por britânicos, franceses e italianos até 1923, quando os nacionalistas liderados por Mustafá Kemal abolem o Califado do Império Otomano e proclamam a República da Turquia.

O nome muda oficialmente de Constantinopla para Istambul, como os turcos a chamam há mais tempo, em 1930.

GUERRA MEXICANO-AMERICANA

    Em 1846, o presidente James Polk, que se elege prometendo ampliar o território dos Estados Unidos, pede autorização ao Congresso para declarar guerra ao México.

O México corta relações com os EUA em março de 1845, depois da anexação do Texas. Há uma disputa sobre onde o Texas termina, no Rio das Nozes, como quer o México, ou no Rio Grande, como entendem os EUA.

Em setembro de 1845, o presidente Polk envia John Slidell ao México para negociar a fronteira e outras questões pendentes, e propor a compra do Novo México e da Califórnia por US$ 30 milhões (US$ 750 milhões pela cotação atual). O presidente mexicano, José Joaquín Herrera, sabendo das intenções norte-americanas, nem o recebe.

Irritado, em janeiro de 1846, Polk manda o general Zachary Taylor ocupar a área em litígio, entre o Rio Grande e o Rio das Nozes. 

Quando está preparando a mensagem ao Congresso, em 9 de maio, o presidente dos EUA recebe a informação de que os mexicanos atravessam o Rio Grande em 25 de abril, no início da guerra, atacam as tropas do general Taylor e ferem ou matam 16 soldados norte-americanos. Polk muda a mensagem e acusa o México de "invadir nosso território e derramar sangue americano em solo americano."

O Congresso aprova a declaração de guerra em 13 de maio, mas os EUA entram no conflito divididos. Os democratas do Sul são a favor da guerra. Os whigs veem uma tentativa indevida e inescrupulosa de apropriação de terras e fazem oposição durante toda a guerra.

Em dezembro de 1846, Polk acusa os whigs de traição. Como eles são maioria na Câmara dos Representantes, censuram Polk por 85 a 81 votos por iniciar uma guerra com o México "desnecessária e inconstitucionalmente".

Entre as vozes mais agressivas contra a guerra de Polk, está o jovem deputado e futuro presidente Abraham Lincoln (1861-65). Os abolicionistas também são contra a guerra, entre eles, o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos sob o argumento de que financiariam a guerra.

Thoreau passa só uma noite na cadeia porque uma tia paga os impostos. Em 1849, ele publica o livro Desobediência Civil, em que defende a resistência pacífica quando a injustiça do governo "é de tal natureza" que exige que "se descumpra a lei" para criar um atrito que pare a máquina estatal.

Suas ideias influenciam o escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o grande herói da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

Quando a guerra começa, Polk envia um navio para resgatar o ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Ana, o vencedor da Batalha do Álamo (1836), no início da Guerra da Independência do Texas, que está no exílio em Cuba. Polk espera negociar a paz. Mas Santa Ana assume o comando do Exército do México.

Polk manda o general Taylor, que está no Rio Grande, invadir a região central do México, enquanto forças do coronel Stephen Kearny ocupam o Novo México e a Califórnia sem encontrar grande resistência. Taylor trava várias batalhas no Rio Grande e toma Monterrey, mas não invade a região central do México.

O presidente manda então o general Winfield Scott levar um exército de navio até o porto de Veracruz. Depois de três semanas de cerco, ele toma a cidade e avança rumo à Cidade do México. Scott entra na capital mexicana em 14 de setembro de 1847. É o fim da fase militar do conflito.

Ao todo, 1.733 soldados norte-americanos morrem em combate e pelo menos 10 mil de doenças, principalmente da febre amarela, de varíola, cachumba e sarampo. Cerca de 5 mil mexicanos morrem em ação.

A guerra termina em 2 de fevereiro de 1848 com o Tratado de Guadalupe Hidalgo. O México cede o Texas, a Califórnia, Nevada e Utah, e parte do Arizona, Colorado, Novo México e Wyoming, num total de 1,36 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 41% de seu território. Os EUA pagam US$ 15 milhões como indenização pelos danos causados pela guerra e assumem uma dívida de US$ 3,25 milhões de mexicanos com cidadãos norte-americanos.

A Guerra Mexicano-Americana é uma precursora da Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da história dos EUA, com 620 mil mortes, não só porque estimula o debate sobre a escravidão, que não deveria existir nos territórios conquistados. Vários militares com experiência no campo de batalha são líderes nos dois lados da Guerra Civil.

PRISÃO DE EICHMANN

    Em 1960, quase 14 anos depois de fugir de um campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o carrasco nazista Adolf Eichmann é capturado pelo serviço secreto de Israel perto de Buenos Aires, na Argentina. Ele é levado para Israel e julgado como um dos executores do Holocausto, condenado e executado.

Eichmann nasce em Solingen em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Antes de entrar para o Partido Nazista, ele leva uma vida desinteressante. Trabalha como vendedor em uma companhia de petróleo e perde o emprego na Grande Depressão (1929-39).

Ele entra para o Partido Nazista em abril de 1932 em Linz e sobe rapidamente na hierarquia. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido, sob o comando de Heinrich Himmler. Em 1933, Eichmann sai de Linz para a escola de terrorismo da Legião Austríaca em Lechfeld, na Alemanha.

De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. De lá vai para o escritório central da SS em Berlim, onde trabalha para o serviço secreto na seção de assuntos judaicos.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em março de 1938, Eichmann é enviado para Viena para "livrar" a cidade de judeus. Um ano depois, vai para Praga cumprir a mesma missão na Tcheco-Eslováquia. Ao criar o Escritório Central de Segurança do Reich, Himmler nomeia Eichmann para a seção sobre judeus em Berlim.

Quando os nazistas aprovam a "solução final da questão judaica", o extermínio dos judeus da Europa, na Conferência de Wannsee, in Berlim, em 20 de janeiro de 1942, Eichmann é o grande executor. Coordena a prisão e a deportação de judeus para campos de concentração e centros de extermínio.

No fim da guerra, Eichmann é capturado, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros em 1946 e vai para a Áustria e a Espanha até se fixar na Argentina em 1958. Ele é localizado e preso perto de Buenos Aires em 11 de maio de 1960, retirado secretamente do país e levado para Israel nove dias depois.

Seu julgamento pelo Estado de Israel, fundado em 1948, três anos depois do fim da guerra, recebe crítica de ser Justiça pós-fato, porque as leis e a Justiça de Israel não existem quando os crimes são cometidos. Há apelos para que o julgamento seja na Alemanha ou num tribunal internacional. Mas Israel insiste em julgar Eichmann. Vê uma oportunidade de educar as novas gerações sobre o Holocausto.

Eichmann alega não ser antissemita, mas apenas um burocrata que cumpriu rigorosamente as ordens. Diz que leu O Estado Judeu, de Theodor Herzl, livro que lança o moderno sionismo, o movimento nacional do povo judeu, e não Minha Luta, de Adolf Hitler, que apresenta as ideias do Nazismo. Nega até mesmo que seu escritório tivesse responsabilidade pelo extermínio dos judeus.

Seis milhões de judeus morrem no Holocausto, 60% da população de judeus da Europa, no que é considerado o pior genocídio da história, além de 1,5 milhão e meio de ciganos, e ainda socialistas, comunistas, anarquistas, negros e oposicionistas do regime nazista, num total estimado em até 11 milhões de pessoas.

O julgamento vai de 11 de abril a 15 de dezembro de 1961, quando Eichmann é condenado à morte na forca. É a única condenação à pena da morte da história de Israel.

BOB MARLEY MORRE

    Em 1981, o músico, compositor e cantor jamaicano Bob Marley, o rei do reggae, morre num hospital em Miami, na Flórida, aos 36 anos. Dias depois de shows espetaculares em Nova York no ano anterior, Marley sofre um colapso durante uma corrida no Central Park. Um câncer surgido num dedão do pé machucado num jogo de futebol leva a metástase no cérebro, fígado e pulmões. O primeiro astro pop global do Terceiro Mundo morre menos de oito meses depois.

Robert Nesta Marley nasce em 6 de fevereiro de 1945 em Nine Miles, na Jamaica, filho de Norval Sinclair Marley e Cedella Booker. A mãe vai com o padrasto Toddy Livingston para Trenchtown, uma favela de Kingston, a capital jamaicana, e leva Bob quando ele tem 10 anos.

Sua paixão pela música é embalada por ritmos como o afro-jamaicano ska, o mento e o calipso caribenhos, o jazz e o rhythm and blues norte-americanos, tocados nas ruas em sistemas de som improvisados.

No início dos anos 1960, Marley forma com o meio-irmão Bunny Livingston e Peter Tosh the Wailing Wailers. Eles cantam o sofrimento do gueto, num estilo chamado de rude boy.

Sob influência do percussionista rastafariano Alvin Patterson, Marley adota esta religião e a incorpora à produção musical. Os rastafarianos fumam maconha e reverenciam o imperador Hailé Salassié, um líder africano que sai pelo mundo pedindo ajuda depois que a Itália de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935. Pregam a volta para a África como uma Terra Prometida.

O reggae nasce da fusão de ska, rocksteady, ragga, calipso e ritmos africanos. Está no disco Catch a Fire, de 1973, o primeiro dos Wailers lançado internacionalmente. Ele casa com Rita Marley, com quem tem três de seus 11 filhos.

Em 3 de novembro de 1976, durante uma campanha eleitoral acirrada, a casa de Marley é invadida por homens armados que atiram sem controle. Num concerto pela paz, Marley faz os dois líderes políticos rivais, Michael Manley e Edward Seaga, se darem as mãos.

Com a ameaça da violência política na Jamaica, em 1977, Marley se muda para Londres, onde lança o álbum Exodus. Ele decide conhecer a África. Vai ao Quênia e à Etiópia, origem do movimento rasfatariano. É convidado para a festa da independência do Zimbábue.

Na volta, lança o disco Survival, com músicas sobre os problemas políticos e sociais da África: as guerras, a fome e a desigualdade. Em 1980, Bob Marley & The Wailers dão um show para 100 mil pessoas em Milão. Depois de apresentações em Nova York, surgem os sintomas do câncer.

Consciente de que a própria morte se aproxima, ele diz a um filho: "Não importa quanto dinheiro alguém tenha, o dinheiro não compra a vida."

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sexta-feira, 6 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Março

NASCE MICHELANGELO

    Em 1475, nasce em Caprese, na República de Florença, o genial Michelangelo Buonarotti, um dos artistas plásticos mais importantes da história, que exerceu uma influência sem paralelo na escultura, na pintura e na arquitetura.

Michelangelo di Lodovico Buonarotti Simoni faz seu trabalho artístico por mais de 70 anos entre Florença e Roma, onde vivem seus grandes mecenas, a família Medici, que domina a política florentina, e os papas da Igreja Católica.

Entre suas obras mais importantes, estão as esculturas Baco, David, Pietà e Moisés, e a pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano.

QUEDA DO ÁLAMO

    Em 1836, depois de 13 dias de combates intermitentes, a Batalha do Álamo chega ao fim com a vitória do Exército do México sobre os revolucionários que lutam pela independência do Texas, num momento crucial da Revolução Texana.

Treze dias antes, em 23 de fevereiro, o ditador do México, general Antonio López de Santa Anna, manda cercar a Missão do Álamo, perto de onde hoje fica a cidade de Santo Antônio, ocupado pelos rebeldes desde dezembro de 1835. Mais de mil soldados mexicanos cercam o Álamo.

Apesar da inferioridade numérica de 5 para 1, os comandantes James Bowie e William Travis decidem resistir. Entre os voluntários que defendem o Álamo, há médicos, fazendeiros e o deputado Davy Crockett, que lutou pela milícia do Tennessee.

Na madrugada de 6 de março, os mexicanos rompem a muralha e penetram no Álamo. Nenhum dos defensores texanos sobrevive. 

A crueldade alimenta o desejo de vingança. Colonos e aventureiros de outras regiões dos EUA se juntam ao exército texano, que vence o mexicano na Batalha de São Jacinto, em 21 de abril de 1836, marco da vitória da Revolução Texana, embora até 1840 a Marinha dos EUA continue fazendo operações na costa mexicana. Em 1845, o Texas entra para a União.

Pouco depois, com a Guerra Hispano-Americana (1846-48), os EUA conquistam ao todo 41% do território mexicano.

LA TRAVIATA

    Em 1853, a ópera La Traviata, do compositor italiano Giuseppe Verdi, estreia no teatro La Fenice, em Veneza.

La Traviata (A Transviada) é uma ópera em quatro atos baseada no livro A Dama das Camélias, do escritor francês Alexandre Dumas Filho.

Numa festa na casa da cortesã Violetta Valéry, Violetta, prometida ao Barão Douphol, é apresentada pelo seu amigo Gastone de Letorières a Alfredo Germont. Gastone conta que já conhecia Violetta há algum tempo e a amava em segredo. Alfredo faz um brinde a Violetta e declara o seu amor.

Violetta responde a Alfredo que é uma mulher mundana, não sabe amar e que só poderia lhe oferecer a amizade. Aconselha Alfredo deveria procurar outra mulher.

Violetta e Alfredo iniciam um relacionamento amoroso e vão morar em uma casa de campo, nos arredores de Paris

Giorgio Germont, pai de Alfredo, visita Violetta e suplica que abandone Alfredo para sempre. Giorgio fala de sua família e afirma que ver Alfredo envolvido com uma mulher mundana destruiria a sua reputação.

Contrariada, Violetta atende às súplicas de Giorgio e envia uma carta a Alfredo. Violetta parte para uma festa na casa da sua amiga Flora Bervoix e Alfredo lê a carta. Desconfiado de que Violetta possa tê-lo traído, Alfredo vai até a casa de Flora para se vingar.

Alfredo chega a festa e logo em seguida chega Violetta Valery acompanhada pelo Barão Duphol. Alfredo começa a jogar com o Barão e ganha. Quando o jantar é servido, Violetta e Alfredo ficam a sós no salão e Alfredo a força a confessar a verdade. 

Violetta mente e diz amar o barão. Furioso, Alfredo convoca todos para o salão, atira na cara de Violetta todo o dinheiro ganho no jogo e desafia Douphol para um duelo. Violetta desmaia, Alfredo é reprimido por todos e a festa termina.

Doente, empobrecida e tuberculosa, Violetta recebe cartas de vários amigos. Uma, em especial, lhe chama a atenção. É de Giorgio Germont, arrependido por ter colocado Violetta contra Alfredo.

Giorgio e Alfredo visitam Violetta, e reconciliam-se. Violetta e Alfredo começam a fazer planos de vida para depois da recuperação de Violetta, mas ela está muito debilitada. Entrega a Alfredo um retrato seu a ser entregue à próxima mulher por quem ele se apaixonar. Violetta sente os espasmos da dor cessarem, mas em seguida morre.

TABELA PERIÓDICA

    Em 1869, durante reunião da Sociedade Química da Rússia, o químico russo Dimitri Mendeleiev apresenta a primeira tabela periódica.

A tabela periódica é uma organização dos elementos químicos pelo número atômico (número de prótons no núcleo) e a estrutura eletrônica, com características comuns aos que estão na mesma coluna. Ao apresentar a tabela, Mendeleiev prevê as características de elementos ainda não descobertos com base em sua posição.

BAYER PATENTEIA ASPIRINA

    Em 1899, a companhia alemã Bayer registra a patente da aspirina, talvez o medicamento mais usado hoje no mundo, o ácido acetilsalicílico, extraído da casca do salgueiro e usado desde Hipócrates, o Pai da Medicina, na Grécia Antiga, para combater a dor e a febre.

O cientista responsável é Felix Hoffmann. Parte do trabalho é feita por um químico judeu, Arthur Eichengrun, que desaparece da história na era nazista (1933-45).

A aspirina é distribuída em pó com a recomendação de tomar um grama por dia. Em 1915, passa a ser oferecida em drágeas.

SARCÓFAGO DO FARAÓ MENINO

    Em 1924, o governo do Egito abre o sarcófago de Tutancâmon, o Faraó Menino, que governa o país de 1332-23 antes de Cristo e morre aos 18 anos.

A tumba de Tutancâmon é a mais preservada do Vale dos Reis porque nunca foi saqueada por ladrões. Em 4 de novembro de 1922, o arqueólogo britânico Howard Carter descobre a entrada do túmulo. Ele espera a vinda do financiador da expedição, Lorde Carnarvon. Ambos abrem a tumba em 26 de novembro e descobrem um tesouro.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Fevereiro

NASCIMENTO DE HÄNDEL

    Em 1685, o compositor e instrumentista Georg Friedrich Händel, um dos gênios da música barroca, nasce em Halle, no Eleitorado de Brandemburgo, hoje parte da Alemanha.

Desde menino, Händel revela um grande talento musical. Ele estuda em Halle com o compositor Friedrich Zachow, que lhe ensina composição e instrumentos com teclados. Aos 9 anos, é um bom tecladista.

Händel vira organista da Catedral de Halle, uma igreja protestante calvinista. Fica só um ano e vai para Hamburgo, onde toca violino na orquestra da ópera. Também toca cravo.

Ele viaja de 1706 a 1710 pela Itália, onde conhece grandes músicos italianos como Arcangelo Corelli e Alessandro Scarlatti e sofre influências que marcam sua carreira musical.

Em 1710, Händel é nomeado maestro pelo eleitor de Hanôver, o futuro rei George I, do Reino Unido. Naquele ano, vai para a Inglaterra, onde faz grande sucesso. Quando a rainha Ana morre, em 1714, George I ascende ao trono. Em 1718, ele vai para a Inglaterra, onde fica até o fim da vida. Morre em Londres em 14 de abril de 1759 e está enterrado na Abadia de Westminster.

Sua obra inclui óperas, oratórios e composições instrumentais, inclusive o mais famoso de todos os oratórios, Messias (1741), uma das obras mais importantes da história da música.

CERCO DO ÁLAMO

    Em 1836, durante a Guerra da Independência do Texas ou Revolução Texana, o Exército do México, com 1,8 a 6 mil soldados, sob o comando do general Antonio López de Santa Anna, cerca o forte do Álamo, que cai 13 dias depois e vira um símbolo de resistência heroica.

A edificação é a antiga capela da Missão Santo Antônio de Valero, fundada por frades franciscanos entre 1716 e 1718. No fim do século 18, a missão é abandonada. A partir de 1801, a capela é usada por tropas espanholas. Nesta época, o lugar ganha o nome de El Álamo.

Quando começa a Revolução Texana, em dezembro de 1835, um grupo de voluntários, muitos recém-chegados aos Estados Unidos, expulsa as forças do México de Santo Antônio e ocupa o Álamo.

Alguns líderes texanos, entre eles Sam Houston, são a favor de abandonar as posições, impossíveis de defender com poucos soldados, mas os voluntários do Álamo decidem não recuar.

Quando o Exército mexicano chega, há entre 183 e 189 homens no Álamo. O comandante, coronel William Travis, manda uma carta pedindo ajuda. A resistência dura 13 dias. Em 6 de março, os mexicanos invadem por uma brecha na parede externa e subjugam as forças norte-americanas.

O general Santa Anna adota uma política de não prender os inimigos. Manda executar todos. Só 15 pessoas sobrevivem, quase todas mulheres e crianças.

Em 21 de abril de 1836, uma força de 900 homens sob o comando de Houston derrota o Exército de Santa Anna, de 1,2 a 1,3 mil soldados, na Batalha de São Jacinto, com o grito de guerra: "Lembrem-se do Álamo!"

Depois de 1845, quando os EUA anexam o Texas, o Álamo é usado pelo Exército dos EUA. O grito de guerra "Lembrem-se do Álamo!" é repetido pelos soldados na Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Ao todo, os EUA tomam mais de 40% do México, desgraçado ainda mais pela ditadura do general Santa Anna. Depois dos atentados de terroristas de 11 de setembro de 2001, o então presidente, George W. Bush, que foi governador do Texas, lembrou do Álamo.

BANDEIRA EM IWO JIMA

    Em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), seis soldados norte-americanos cravam a bandeira dos Estados Unidos pela primeira vez em solo do Japão, no Monte Suribachi, na Ilha de Iwo Jima.

Iwo Jima é uma batalha épica e feroz que dura um mês e uma semana, até 26 de março, e termina com a morte de mais de 6 mil soldados norte-americanos e 18 mil japoneses.

A fotografia dos fuzileiros navais cravando a bandeira dos EUA no topo do Monte Suribachi é uma das imagens-símbolo da Segunda Guerra Mundial. É reencenada para fotos oficiais e há uma batalha sobre que etnias seriam representadas que desmascara o racismo nos EUA, que usam negros e indígenas na guerra.

É o tema do filme A Conquista da Honra, de Clint Eastwood, com o lado norte-americano da Batalha de Iwo Jima, enquanto Cartas de Iwo Jima dá a versão japonesa através das cartas dos soldados do Japão.

PRIMEIRA VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1954, alunos da Escola Primária Arsenal, em Pittsburgh, na Pensilvânia, recebem as primeiras doses da vacina contra a poliomielite do Dr. Jonas Salk.

Logo, o Dr. Albert Sabin faria uma nova vacina, aplicada por via oral. Graças às vacinas, os casos foram reduzidos em 99%. Só no Afeganistão e no Paquistão havia incidência da doença, que causa paralisia infantil com sequelas para toda a vida. Mas a situação piora por causa dos movimentos antivacinas.

CAMPEÕES DO GRAMMY

    Em 2000, o músico mexicano-norte-americano Carlos Santana ganha oito Prêmios Grammy pelo álbum Supernatural, igualando o recorde de Michael Jackson.
Santana nasce em Autlán de Navarro, no México, em 20 de julho de 1947. Começa a tocar violino aos 5 anos. Aos 8 anos, mudara para a guitarra. Na adolescência, toca em bandas de Tijuana, na fronteira com os Estados Unidos.

Nos anos 1960, a família migra para os EUA. Sob influência da florescente cena de rock de São Francisco, ele forma em 1966 a Santana Blues Band. Quando faz contrato com a gravadora Columbia Records, o grupo vira apenas Santana.

Com um estilo singular que mistura rock, jazz, blues, ritmos afro-cubanos e latinos, Santana é um dos destaques do Festival de Woodstock, em agosto de 1969. Nas décadas seguintes, a banda segue uma linha de fusão entre rock e jazz que reflete a admiração de Santana por Miles Davis e John Coltrane. Faz colaborações com estrelas do jazz como Buddy Miles, Stanley Clarke e John McLaughlin.

O álbum Supernatural (1999) tem a colaboração da cantora Lauryn Hill e o superguitarrista Eric Clapton. Confira o show.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Janeiro

 PANFLETO REVOLUCIONÁRIO

    Em 1776, o revolucionário britânico Tom Paine publica Senso Comum, um livro de 50 páginas que defende que a guerra dos colonos norte-americanos contra o Império Britânico leve à independência dos Estados Unidos no que chama de Revolução Americana.

Thomas Paine nasce em 29 de janeiro de 1737 em Thetford, na Inglaterra, filho de mãe anglicana e pai quaker. Sua vida na Inglaterra é marcada por sucessivos fracassos, entre eles dois casamentos que não dão certo. Ele trabalha como fiscal de impostos. É demitido ao pedir aumento alegando que o salário é uma fonte de corrupção.

Em Londres, ele conhece Benjamin Franklin, que o aconselha a tentar a sorte nos EUA e lhe dá cartas de apresentação.

A Guerra da Independência dos EUA (1775-83) começa com as batalhas de Lexington e Concord, em 19 de abril de 1775, como uma revolta contra aumentos de impostos pela coroa britânica para financiar as dívidas contraídas durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), que também foi uma das causas da Revolução Francesa de 1789.

Seis meses depois da publicação de Senso Comum, em 4 de julho de 1776, o Congresso Continental declara a independência. Sua introdução é um dos textos mais importantes da Revolução Americana: 

"Estes são os tempos que testam as almas dos homens. O soldado de verão e o patriota do sol, nesta crise, se afastarão do serviço de seu país; mas aquele que o apoia agora merece o amor e o agradecimento do homem e da mulher. 

"A tirania, como o inferno, não é facilmente conquistada; mas temos esse consolo conosco: quanto mais difícil o conflito, mais glorioso o triunfo. O que obtemos muito barato, estimamos muito levianamente: É só carência que dá a tudo seu valor. O Céu sabe como colocar um preço adequado em seus bens; e seria realmente estranho se um artigo tão celestial como a liberdade não devesse ser altamente avaliado. 

"A Grã-Bretanha, com um exército para impor sua tirania, declarou que tem o direito não apenas de taxar, mas de "nos obrigar em todos os casos", e se ser obrigado dessa maneira não é escravidão, então não existe escravidão na Terra."  

Em 1787, Paine volta à Europa. Revoltado com Reflexões sobre a Revolução na França, do conservador britânico Edmund Burke, escreve outro livro, Direitos do Homem, em defesa da Revolução Francesa, publicado em 1791. Quando Burke responde, publica, em 17 de fevereiro de 1792, Direitos do Homem: Parte II

É a única pessoa que luta pela independência dos EUA e pela Revolução Francesa. É eleito deputado da Assembleia Nacional da França. É a favor do fim da monarquia, mas não da execução do rei e dos monarquistas. É a favor de banir e não de matar os inimigos do novo regime.

No Período do Terror, quando os extremistas liderados por Maximiliano Robespierre tomam o poder, Paine é preso de 28 de dezembro de 1793 a 4 de novembro de 1794. Solto, é readmitido na Convenção Nacional.

Tom Paine morre em 1809 em Nova York. Os obituários não reconhecem sua importância histórica. Em 30 de janeiro de 1937, o jornal The Times, de Londres, resgata sua memória e o chama de "Voltaire inglês".

Seu pensamento se resume numa frase: "Minha pátria é o mundo, os humanos são meus irmãos e minha religião é fazer o bem."

ERA DO PETRÓLEO

    Em 1901, o petróleo jorra numa perfuração em Spindletop Hill, perto de Beaumont, no Texas, nos Estados Unidos, cobrindo a terra até uma distância de dezenas de metros, num marco do início da indústria petrolífera e da era do petróleo.

O lençol petrolífero está a 300 metros de profundidade. O poço jorra 100 mil barris por dia. Até então, o petróleo é usado como lubrificante e para fazer querosene para iluminação. Passa a ser a principal fonte de combustível, inclusive para invenções que revolucionaram os transportes como o automóvel e o avião. Os meios de transporte movidos a carvão, como trens e navios, passam para o combustível líquido.

LIGA DAS NAÇÕES INSTALADA

    Em 1920, a Liga ou Sociedade das Nações é instalada em Genebra, na Suíça, como a primeira organização de caráter universal dedicada à paz mundial, resultado da Conferência de Versalhes (1919) depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).
A criação da Liga das Nações é um dos 14 pontos do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. Os EUA são a maior economia do mundo desde o fim do século 19. Com a guerra, torna-se a maior potência mundial.

Para convencer os norte-americanos a ir à guerra, Wilson diz que é "a guerra para acabar com todas as guerras" e criar um mundo seguro para a democracia, rompendo um isolacionismo histórico que vem desde a independência, o que não impediu os EUA de intervir militarmente nos países vizinhos.

Por causa desse isolacionismo, o Senado dos EUA, que tem o dever constitucional de aprovar acordos internacionais, rejeita a Convenção da Liga das Nações sob a alegação de que reduziria a soberania nacional.

Sem o país mais poderoso do mundo e sem uma regra clara para usar a força para impedir novas guerras, a Liga não impede o Japão de ocupar a Manchúria em 1931 e o resto da China em 1937, nem a Itália de invadir a Etiópia em 1935 nem a Alemanha de anexar a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938 e 1939, e assim evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 1945, ela é substituída pela ONU e desaparece oficialmente em 1946.

PRIMEIRA ASSSEMBLEIA GERAL DA ONU

    Em 1946, a Assembleia Geral das Nações Unidas se reúne pela primeira vez, em Londres, no Reino Unido.
A Assembleia Geral é o único órgão da ONU em que todos os países-membros estão representados. É uma espécie de parlamento mundial, mas suas decisões não são de cumprimento obrigatório, ao contrário do que acontece com o Conselho de Segurança, onde cinco grandes potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial (1939-45) tem direito de veto: EUA, China, França, Reino Unido e Rússia.

Isto não reflete mais a realidade do mundo atual, mas é muito difícil da mudar porque diluiria o poder dos cinco grandes e, se hoje é difícil chegar a um consenso com cinco membros com poder de veto, seria mais difícil com mais membros permanentes.

Antes dos EUA entrarem na guerra, em 14 de agosto de 1941, o presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt, e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, estabelecendo os princípios de uma nova ordem internacional liberal para o pós-guerra.

Entre esses princípios, estão a proibição de conquista de territórios à força, a necessidade de consentimento das populações para ajustes territoriais, reconhecimento do direito de autodeterminação dos povos, liberdade de navegação nos mares, fim das barreiras comerciais, cooperação econômica e desarmamento dos países agressores.

Em 24 de setembro de 1941, os aliados europeus aderem aos princípios da Carta do Atlântico.

Depois que os EUA entram na guerra, em 1º de janeiro de 1942, os aliados do mundo inteiro na luta contra o nazifascismo fazem a Declaração das Nações Unidas com base nos mesmos princípios.

A ONU é resultado de negociações entre três grandes líderes asiáticos, Roosevelt, Churchill e o ditador soviético Josef Stalin em uma série de conferências, em Moscou, Teerã, Dumbarton Oaks, Ialta e São Francisco. 

A Carta da ONU é assinada por 50 países em 26 de junho de 1945 em São Francisco. Quando a organização é instalada, em 24 de outubro do mesmo ano, são 51 países porque a Polônia recupera a independência.

EUA REATAM COM VATICANO

    Em 1984, os Estados Unidos e o Vaticano reatam relações diplomáticas depois de 117 anos de rompimento.
Os EUA mantêm relações consulares com os Estados Pontifícios de 1797, no governo George Washington (1789-97) e o papado de Pio VI (1775-99), a 1867, no governo Andrew Johnson (1865-69) e pontificado de Pio IX (1846-79).

As relações são cortadas quando o Congresso dos EUA aprova uma lei que proíbe o financiamento de missões diplomáticas norte-americanas na Santa Sé por causa do sentimento anticatolicismo no país, fundado por refugiados protestantes das guerras religiosas na Europa.

Esse anticatolicismo é agravado na época pela condenação e enforcamento de Mary Surratt por participar da conspiração para matar o presidente Abraham Lincoln (1861-65). Seu filho, John Surratt, acusado de conspirar com John Wilkes Booth, recebe asilo da Igreja Católica e foge para a Itália, onde trabalha como zuavo papal, soldado do regimento de infantaria que protege o Vaticano.

Desde o início do governo Ronald Reagan (1981-89), o presidente norte-americano percebe que o papa polonês João Paulo II (1978-2005) é anticomunista e será útil na Guerra Fria contra a União Soviética. Os dois países anunciam o reatamento em 10 de janeiro de 1984. Desta vez, não há oposição.

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domingo, 11 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Maio

 NOVA ROMA

    Em 330, o imperador romano Constantino I, o Grande, proclama Bizâncio, depois Constantinopla e hoje Istambul, como a Nova Roma, capital do Império Romano do Oriente, o que a transforma numa das cidades mais importantes do mundo, uma ponte entre a Europa e a Ásia.

Como Constantino fez do cristianismo a religião oficial do Império Romano, a cidade tem a religião cristã, a organização romana e o grego como língua. O conceito do direito divino dos reis como guardiães da fé nasce lá.

Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476, Constantinopla vira a principal cidade do império e um centro de preservação da cultura greco-romana durante a Idade Média. O auge é sob o imperador Justiniano I (527-565).

Até a ascensão das cidades-estado italianas durante o Renascimento, Constantinopla é o principal centro comercial do Mar Mediterrâneo. 

Em abril de 1204, a cidade é saqueada durante a Quarta Cruzada, o que aprofunda o Cisma do Oriente entre a Igreja Católica e a Igreja Cristã Ortodoxa. Os cavalos de bronze que ornamentam o hipódromo vão parar na Basílica de São Marcos, em Veneza, onde estão hoje.

Quando os turcos invadem a Europa no século 14, o destino da cidade está selado. A tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano sob a liderança do imperador Mehmet II, em 29 de maio de 1453, marca o fim da Idade Média. Em 1547, a cidade de torna capital do Império Otomano. A Basílica de Santa Sofia e outras igrejas bizantinas são convertidas em mesquitas.

O Império Otomano se expande pela Europa e cerca Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes, em 1529 e 1683, quando começa o recuo otomano.

A primeira ponte ligando a Ásia à Europa é construída em 1838. A presença em Constantinopla de forças britânicas e francesas, aliadas dos otomanos durante a Guerra da Crimeia (1853-56) contra a Rússia, acelera a ocidentalização da cidade. Nos anos 1870, a ferrovia europeia do Expresso do Oriente chega até lá.

O início do século 20 é o fim do Império Otomano. Em 1908, os Jovens Turcos ocupam a cidade e depõe o odiado sultão Abdulhamid II. Nas Guerras dos Bálcãs (1912-13), os búlgaros quase tomam a cidade.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Império Otomano se alia aos Poderes Centrais, os impérios Alemão e Austro-Húngaro. A cidade é cercada e, no fim da guerra, ocupada por britânicos, franceses e italianos até 1923, quando os nacionalistas liderados por Mustafá Kemal abolem o Califado do Império Otomano e proclamam a República da Turquia.

O nome muda oficialmente de Constantinopla para Istambul em 1930.

GUERRA MEXICANO-AMERICANA

    Em 1846, o presidente James Polk, que se elege prometendo ampliar o território dos Estados Unidos, pede autorização ao Congresso para declarar guerra ao México.

O México corta relações com os EUA em março de 1845, depois da anexação do Texas. Há uma disputa sobre onde o Texas termina, no Rio das Nozes, como quer o México, ou no Rio Grande, como entendem os EUA.

Em setembro de 1845, o presidente Polk envia John Slidell ao México para negociar a fronteira e outras questões pendentes, e propor a compra do Novo México e da Califórnia por US$ 30 milhões (US$ 750 milhões pela cotação atual). O presidente mexicano, José Joaquín Herrera, sabendo das intenções norte-americanas, nem o recebe.

Irritado, em janeiro de 1846, Polk manda o general Zachary Taylor ocupar a área em litígio, entre o Rio Grande e o Rio das Nozes. 

Quando está preparando a mensagem ao Congresso, em 9 de maio, o presidente dos EUA recebe a informação de que os mexicanos atravessam o Rio Grande em 25 de abril, no início da guerra, atacam as tropas do general Taylor e ferem ou matam 16 soldados norte-americanos. Polk muda a mensagem e acusa o México de "invadir nosso território e derramar sangue americano em solo americano."

O Congresso aprova a declaração de guerra em 13 de maio, mas os EUA entram no conflito divididos. Os democratas do Sul são a favor da guerra. Os whigs veem uma tentativa indevida e inescrupulosa de apropriação de terras e fazem oposição durante toda a guerra.

Em dezembro de 1846, Polk acusa os whigs de traição. Como eles são maioria na Câmara dos Representantes, censuram Polk por 85 a 81 votos por iniciar uma guerra com o México "desnecessária e inconstitucionalmente".

Entre as vozes mais agressivas contra a guerra de Polk, está o jovem deputado e futuro presidente Abraham Lincoln (1861-65). Os abolicionistas também são contra a guerra, entre eles, o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos sob o argumento de que financiariam a guerra.

Thoreau passa só uma noite na cadeia porque uma tia paga os impostos. Em 1849, ele publica o livro Desobediência Civil, em que defende a resistência pacífica quando a injustiça do governo "é de tal natureza" que exige que "se descumpra a lei" para criar um atrito que pare a máquina estatal.

Suas ideias influenciam o escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o grande herói da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

Quando a guerra começa, Polk envia um navio para resgatar o ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Ana, o vencedor da Batalha do Álamo (1836), no início da Guerra da Independência do Texas, que está no exílio em Cuba. Polk espera negociar a paz. Mas Santa Ana assume o comando do Exército do México.

Polk manda o general Taylor, que está no Rio Grande, invadir a região central do México, enquanto forças do coronel Stephen Kearny ocupam o Novo México e a Califórnia sem encontrar grande resistência. Taylor trava várias batalhas no Rio Grande e toma Monterrey, mas não invade a região central do México.

O presidente manda então o general Winfield Scott levar um exército de navio até o porto de Veracruz. Depois de três semanas de cerco, ele toma a cidade e avança rumo à Cidade do México. Scott entra na capital mexicana em 14 de setembro de 1847. É o fim da fase militar do conflito.

Ao todo, 1.733 soldados norte-americanos morrem em combate e pelo menos 10 mil de doenças, principalmente da febre amarela, de varíola, cachumba e sarampo. Cerca de 5 mil mexicanos morrem em ação.

A guerra termina em 2 de fevereiro de 1848 com o Tratado de Guadalupe Hidalgo. O México cede o Texas, a Califórnia, Nevada e Utah, e parte do Arizona, Colorado, Novo México e Wyoming, num total de 1,36 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 41% de seu território. Os EUA pagam US$ 15 milhões como indenização pelos danos causados pela guerra e assumem uma dívida de US$ 3,25 milhões de mexicanos com cidadãos norte-americanos.

A Guerra Mexicano-Americana é uma precursora da Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da história dos EUA, com 620 mil mortes, não só porque estimulou o debate sobre a escravidão, que não deveria existir nos territórios conquistados. Vários militares com experiência no campo de batalha foram líderes nos dois lados do conflito.

PRISÃO DE EICHMANN

    Em 1960, quase 14 anos depois de fugir de um campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o carrasco nazista Adolf Eichmann é capturado pelo serviço secreto de Israel perto de Buenos Aires, na Argentina. Ele é levado para Israel e julgado como um dos executores do Holocausto, condenado e executado.

Eichmann nasce em Solingen em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Antes de entrar para o Partido Nazista, ele leva uma vida desinteressante. Trabalha como vendedor em uma companhia de petróleo e perde o emprego na Grande Depressão (1929-39).

Ele entra para o Partido Nazista em abril de 1932 em Linz e sobe rapidamente na hierarquia. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido, sob o comando de Heinrich Himmler. Em 1933, Eichmann sai de Linz para a escola de terrorismo da Legião Austríaca em Lechfeld, na Alemanha.

De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. De lá vai para o escritório central da SS em Berlim, onde trabalha para o serviço secreto na seção de assuntos judaicos.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em março de 1938, Eichmann é enviado para Viena para "livrar" a cidade de judeus. Um ano depois, vai para Praga cumprir a mesma missão na Tcheco-Eslováquia. Ao criar o Escritório Central de Segurança do Reich, Himmler nomeia Eichmann para a seção sobre judeus em Berlim.

Quando os nazistas aprovam a "solução final da questão judaica", o extermínio dos judeus da Europa, na Conferência de Wannsee, in Berlim, em 20 de janeiro de 1942, Eichmann é o grande executor. Coordena a prisão e a deportação de judeus para campos de concentração e centros de extermínio.

No fim da guerra, Eichmann é capturado, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros em 1946 e vai para a Áustria e a Espanha até se fixar na Argentina em 1958. Ele é localizado e preso perto de Buenos Aires em 11 de maio de 1960, retirado secretamente do país e levado para Israel nove dias depois.

Seu julgamento pelo Estado de Israel, fundado em 1948, três anos depois do fim da guerra, recebe crítica de ser Justiça pós-fato, porque as leis e a Justiça de Israel não existem quando os crimes são cometidos. Há apelos para que o julgamento seja na Alemanha ou num tribunal internacional. Mas Israel insiste em julgar Eichmann. Vê uma oportunidade de educar as novas gerações sobre o Holocausto.

Eichmann alega não ser antissemita, mas apenas um burocrata que cumpriu rigorosamente as ordens. Diz que leu O Estado Judeu, de Theodor Herzl, livro que lança o moderno sionismo, o movimento nacional do povo judeu, e não Minha Luta, de Adolf Hitler. Nega até mesmo que seu escritório tivesse responsabilidade pelo extermínio dos judeus.

Seis milhões de judeus morrem no Holocausto, 60% da população de judeus da Europa, no que é considerado o pior genocídio da história, além de 1,5 milhão e meio de ciganos, e ainda socialistas, comunistas, anarquistas, negros e oposicionistas do regime nazista.

O julgamento vai de 11 de abril a 15 de dezembro de 1961, quando Eichmann é condenado à morte na forca. É a única condenação à pena da morte da história de Israel.

BOB MARLEY MORRE

    Em 1981, o músico, compositor e cantor jamaicano Bob Marley, o rei do reggae, morre num hospital em Miami, na Flórida, aos 36 anos. Dias depois de shows espetaculares em Nova York no ano anterior, Marley sofre um colapso durante uma corrida no Central Park. Um câncer surgido num dedão do pé machucado num jogo de futebol leva a metástase no cérebro, fígado e pulmões. O primeiro astro pop global do Terceiro Mundo morre menos de oito meses depois.

Robert Nesta Marley nasce em 6 de fevereiro de 1945 em Nine Miles, na Jamaica, filho de Norval Sinclair Marley e Cedella Booker. A mãe vai com o padrasto Toddy Livingston para Trenchtown, uma favela de Kingston, a capital jamaicana, e leva Bob quando ele tem 10 anos.

Sua paixão pela música é embalada por ritmos como o afro-jamaicano ska, o mento e o calipso caribenhos, o jazz e o rhythm and blues norte-americanos, tocados nas ruas em sistemas de som improvisados.

No início dos anos 1960, Marley forma com o meio-irmão Bunny Livingston e Peter Tosh the Wailing Wailers. Eles cantam o sofrimento do gueto, num estilo chamado de rude boy.

Sob influência do percussionista rastafariano Alvin Patterson, Marley adota esta religião e a incorpora à produção musical. Os rastafarianos fumam maconha e reverenciam o imperador Hailé Salassié, um líder africano que sai pelo mundo pedindo ajuda depois que a Itália de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935. Pregam a volta para a África como uma Terra Prometida.

O reggae nasce da fusão de ska, rocksteady, ragga, calipso e ritmos africanos. Está no disco Catch a Fire, de 1973, o primeiro dos Wailers lançado internacionalmente. Ele casa com Rita Marley, com quem tem três de seus 11 filhos.

Em 3 de novembro de 1976, durante uma campanha eleitoral acirrada, a casa de Marley é invadida por homens armados que atiram controle. Num concerto pela paz, faz os dois líderes políticos rivais, Michael Manley e Edward Seaga, se darem as mãos.

Com a ameaça da violência política na Jamaica, em 1977, Marley se muda para Londres, onde lança o álbum Exodus. Ele decide conhecer a África. Vai ao Quênia e à Etiópia, origem do movimento rasfatariano. É convidado para a festa da independência do Zimbábue.

Na volta, lança o disco Survival, com músicas sobre os problemas políticos e sociais da África: as guerras, a fome e a desigualdade. Em 1980, Bob Marley & The Wailers dão um show para 100 mil pessoas em Milão. Depois de apresentações em Nova York, surgem os sintomas do câncer.

Consciente de que a própria morte se aproxima, ele diz a um filho: "Não importa quanto dinheiro alguém tenha, o dinheiro não compra a vida."