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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Maio

NOVA ROMA

    Em 330, o imperador romano Constantino I, o Grande, proclama Bizâncio, depois Constantinopla e hoje Istambul, como a Nova Roma, capital do Império Romano do Oriente, o que a transforma numa das cidades mais importantes do mundo, uma ponte entre a Europa e a Ásia.

Como Constantino faz do cristianismo a religião oficial do Império Romano, a cidade tem a religião cristã, a organização romana e o grego como língua. O conceito do direito divino dos reis como guardiães da fé nasce lá.

Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476, Constantinopla vira a principal cidade do império e um centro de preservação da cultura greco-romana durante a Idade Média. O auge é sob o imperador Justiniano I (527-565).

Até a ascensão das cidades-estado italianas durante o Renascimento, Constantinopla é o principal centro comercial do Mar Mediterrâneo. 

Em abril de 1204, a cidade é saqueada durante a Quarta Cruzada, o que aprofunda o Cisma do Oriente entre a Igreja Católica e a Igreja Cristã Ortodoxa. Os cavalos de bronze que ornamentam o hipódromo vão parar na Basílica de São Marcos, em Veneza, onde estão hoje.

Quando os turcos invadem a Europa no século 14, o destino da cidade está selado. A tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano sob a liderança do imperador Mehmet II, em 29 de maio de 1453, marca o fim da Idade Média. Em 1547, a cidade de torna capital do Império Otomano. A Basílica de Santa Sofia e outras igrejas bizantinas são convertidas em mesquitas.

O Império Otomano se expande pela Europa e cerca Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes, em 1529 e 1683, quando começa o recuo otomano.

A primeira ponte ligando a Ásia à Europa é construída em 1838. A presença em Constantinopla de forças britânicas e francesas, aliadas dos otomanos durante a Guerra da Crimeia (1853-56) contra a Rússia, acelera a ocidentalização da cidade. Nos anos 1870, a ferrovia europeia do Expresso do Oriente chega até lá.

O início do século 20 é o fim do Império Otomano. Em 1908, os Jovens Turcos ocupam a cidade e depõe o odiado sultão Abdulhamid II. Nas Guerras dos Bálcãs (1912-13), os búlgaros quase tomam a cidade.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Império Otomano se alia aos Poderes Centrais, os impérios Alemão e Austro-Húngaro. A cidade é cercada e, no fim da guerra, ocupada por britânicos, franceses e italianos até 1923, quando os nacionalistas liderados por Mustafá Kemal abolem o Califado do Império Otomano e proclamam a República da Turquia.

O nome muda oficialmente de Constantinopla para Istambul, como os turcos a chamam há mais tempo, em 1930.

GUERRA MEXICANO-AMERICANA

    Em 1846, o presidente James Polk, que se elege prometendo ampliar o território dos Estados Unidos, pede autorização ao Congresso para declarar guerra ao México.

O México corta relações com os EUA em março de 1845, depois da anexação do Texas. Há uma disputa sobre onde o Texas termina, no Rio das Nozes, como quer o México, ou no Rio Grande, como entendem os EUA.

Em setembro de 1845, o presidente Polk envia John Slidell ao México para negociar a fronteira e outras questões pendentes, e propor a compra do Novo México e da Califórnia por US$ 30 milhões (US$ 750 milhões pela cotação atual). O presidente mexicano, José Joaquín Herrera, sabendo das intenções norte-americanas, nem o recebe.

Irritado, em janeiro de 1846, Polk manda o general Zachary Taylor ocupar a área em litígio, entre o Rio Grande e o Rio das Nozes. 

Quando está preparando a mensagem ao Congresso, em 9 de maio, o presidente dos EUA recebe a informação de que os mexicanos atravessam o Rio Grande em 25 de abril, no início da guerra, atacam as tropas do general Taylor e ferem ou matam 16 soldados norte-americanos. Polk muda a mensagem e acusa o México de "invadir nosso território e derramar sangue americano em solo americano."

O Congresso aprova a declaração de guerra em 13 de maio, mas os EUA entram no conflito divididos. Os democratas do Sul são a favor da guerra. Os whigs veem uma tentativa indevida e inescrupulosa de apropriação de terras e fazem oposição durante toda a guerra.

Em dezembro de 1846, Polk acusa os whigs de traição. Como eles são maioria na Câmara dos Representantes, censuram Polk por 85 a 81 votos por iniciar uma guerra com o México "desnecessária e inconstitucionalmente".

Entre as vozes mais agressivas contra a guerra de Polk, está o jovem deputado e futuro presidente Abraham Lincoln (1861-65). Os abolicionistas também são contra a guerra, entre eles, o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos sob o argumento de que financiariam a guerra.

Thoreau passa só uma noite na cadeia porque uma tia paga os impostos. Em 1849, ele publica o livro Desobediência Civil, em que defende a resistência pacífica quando a injustiça do governo "é de tal natureza" que exige que "se descumpra a lei" para criar um atrito que pare a máquina estatal.

Suas ideias influenciam o escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o grande herói da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

Quando a guerra começa, Polk envia um navio para resgatar o ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Ana, o vencedor da Batalha do Álamo (1836), no início da Guerra da Independência do Texas, que está no exílio em Cuba. Polk espera negociar a paz. Mas Santa Ana assume o comando do Exército do México.

Polk manda o general Taylor, que está no Rio Grande, invadir a região central do México, enquanto forças do coronel Stephen Kearny ocupam o Novo México e a Califórnia sem encontrar grande resistência. Taylor trava várias batalhas no Rio Grande e toma Monterrey, mas não invade a região central do México.

O presidente manda então o general Winfield Scott levar um exército de navio até o porto de Veracruz. Depois de três semanas de cerco, ele toma a cidade e avança rumo à Cidade do México. Scott entra na capital mexicana em 14 de setembro de 1847. É o fim da fase militar do conflito.

Ao todo, 1.733 soldados norte-americanos morrem em combate e pelo menos 10 mil de doenças, principalmente da febre amarela, de varíola, cachumba e sarampo. Cerca de 5 mil mexicanos morrem em ação.

A guerra termina em 2 de fevereiro de 1848 com o Tratado de Guadalupe Hidalgo. O México cede o Texas, a Califórnia, Nevada e Utah, e parte do Arizona, Colorado, Novo México e Wyoming, num total de 1,36 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 41% de seu território. Os EUA pagam US$ 15 milhões como indenização pelos danos causados pela guerra e assumem uma dívida de US$ 3,25 milhões de mexicanos com cidadãos norte-americanos.

A Guerra Mexicano-Americana é uma precursora da Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da história dos EUA, com 620 mil mortes, não só porque estimula o debate sobre a escravidão, que não deveria existir nos territórios conquistados. Vários militares com experiência no campo de batalha são líderes nos dois lados da Guerra Civil.

PRISÃO DE EICHMANN

    Em 1960, quase 14 anos depois de fugir de um campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o carrasco nazista Adolf Eichmann é capturado pelo serviço secreto de Israel perto de Buenos Aires, na Argentina. Ele é levado para Israel e julgado como um dos executores do Holocausto, condenado e executado.

Eichmann nasce em Solingen em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Antes de entrar para o Partido Nazista, ele leva uma vida desinteressante. Trabalha como vendedor em uma companhia de petróleo e perde o emprego na Grande Depressão (1929-39).

Ele entra para o Partido Nazista em abril de 1932 em Linz e sobe rapidamente na hierarquia. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido, sob o comando de Heinrich Himmler. Em 1933, Eichmann sai de Linz para a escola de terrorismo da Legião Austríaca em Lechfeld, na Alemanha.

De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. De lá vai para o escritório central da SS em Berlim, onde trabalha para o serviço secreto na seção de assuntos judaicos.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em março de 1938, Eichmann é enviado para Viena para "livrar" a cidade de judeus. Um ano depois, vai para Praga cumprir a mesma missão na Tcheco-Eslováquia. Ao criar o Escritório Central de Segurança do Reich, Himmler nomeia Eichmann para a seção sobre judeus em Berlim.

Quando os nazistas aprovam a "solução final da questão judaica", o extermínio dos judeus da Europa, na Conferência de Wannsee, in Berlim, em 20 de janeiro de 1942, Eichmann é o grande executor. Coordena a prisão e a deportação de judeus para campos de concentração e centros de extermínio.

No fim da guerra, Eichmann é capturado, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros em 1946 e vai para a Áustria e a Espanha até se fixar na Argentina em 1958. Ele é localizado e preso perto de Buenos Aires em 11 de maio de 1960, retirado secretamente do país e levado para Israel nove dias depois.

Seu julgamento pelo Estado de Israel, fundado em 1948, três anos depois do fim da guerra, recebe crítica de ser Justiça pós-fato, porque as leis e a Justiça de Israel não existem quando os crimes são cometidos. Há apelos para que o julgamento seja na Alemanha ou num tribunal internacional. Mas Israel insiste em julgar Eichmann. Vê uma oportunidade de educar as novas gerações sobre o Holocausto.

Eichmann alega não ser antissemita, mas apenas um burocrata que cumpriu rigorosamente as ordens. Diz que leu O Estado Judeu, de Theodor Herzl, livro que lança o moderno sionismo, o movimento nacional do povo judeu, e não Minha Luta, de Adolf Hitler, que apresenta as ideias do Nazismo. Nega até mesmo que seu escritório tivesse responsabilidade pelo extermínio dos judeus.

Seis milhões de judeus morrem no Holocausto, 60% da população de judeus da Europa, no que é considerado o pior genocídio da história, além de 1,5 milhão e meio de ciganos, e ainda socialistas, comunistas, anarquistas, negros e oposicionistas do regime nazista, num total estimado em até 11 milhões de pessoas.

O julgamento vai de 11 de abril a 15 de dezembro de 1961, quando Eichmann é condenado à morte na forca. É a única condenação à pena da morte da história de Israel.

BOB MARLEY MORRE

    Em 1981, o músico, compositor e cantor jamaicano Bob Marley, o rei do reggae, morre num hospital em Miami, na Flórida, aos 36 anos. Dias depois de shows espetaculares em Nova York no ano anterior, Marley sofre um colapso durante uma corrida no Central Park. Um câncer surgido num dedão do pé machucado num jogo de futebol leva a metástase no cérebro, fígado e pulmões. O primeiro astro pop global do Terceiro Mundo morre menos de oito meses depois.

Robert Nesta Marley nasce em 6 de fevereiro de 1945 em Nine Miles, na Jamaica, filho de Norval Sinclair Marley e Cedella Booker. A mãe vai com o padrasto Toddy Livingston para Trenchtown, uma favela de Kingston, a capital jamaicana, e leva Bob quando ele tem 10 anos.

Sua paixão pela música é embalada por ritmos como o afro-jamaicano ska, o mento e o calipso caribenhos, o jazz e o rhythm and blues norte-americanos, tocados nas ruas em sistemas de som improvisados.

No início dos anos 1960, Marley forma com o meio-irmão Bunny Livingston e Peter Tosh the Wailing Wailers. Eles cantam o sofrimento do gueto, num estilo chamado de rude boy.

Sob influência do percussionista rastafariano Alvin Patterson, Marley adota esta religião e a incorpora à produção musical. Os rastafarianos fumam maconha e reverenciam o imperador Hailé Salassié, um líder africano que sai pelo mundo pedindo ajuda depois que a Itália de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935. Pregam a volta para a África como uma Terra Prometida.

O reggae nasce da fusão de ska, rocksteady, ragga, calipso e ritmos africanos. Está no disco Catch a Fire, de 1973, o primeiro dos Wailers lançado internacionalmente. Ele casa com Rita Marley, com quem tem três de seus 11 filhos.

Em 3 de novembro de 1976, durante uma campanha eleitoral acirrada, a casa de Marley é invadida por homens armados que atiram sem controle. Num concerto pela paz, Marley faz os dois líderes políticos rivais, Michael Manley e Edward Seaga, se darem as mãos.

Com a ameaça da violência política na Jamaica, em 1977, Marley se muda para Londres, onde lança o álbum Exodus. Ele decide conhecer a África. Vai ao Quênia e à Etiópia, origem do movimento rasfatariano. É convidado para a festa da independência do Zimbábue.

Na volta, lança o disco Survival, com músicas sobre os problemas políticos e sociais da África: as guerras, a fome e a desigualdade. Em 1980, Bob Marley & The Wailers dão um show para 100 mil pessoas em Milão. Depois de apresentações em Nova York, surgem os sintomas do câncer.

Consciente de que a própria morte se aproxima, ele diz a um filho: "Não importa quanto dinheiro alguém tenha, o dinheiro não compra a vida."

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domingo, 11 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Maio

 NOVA ROMA

    Em 330, o imperador romano Constantino I, o Grande, proclama Bizâncio, depois Constantinopla e hoje Istambul, como a Nova Roma, capital do Império Romano do Oriente, o que a transforma numa das cidades mais importantes do mundo, uma ponte entre a Europa e a Ásia.

Como Constantino fez do cristianismo a religião oficial do Império Romano, a cidade tem a religião cristã, a organização romana e o grego como língua. O conceito do direito divino dos reis como guardiães da fé nasce lá.

Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476, Constantinopla vira a principal cidade do império e um centro de preservação da cultura greco-romana durante a Idade Média. O auge é sob o imperador Justiniano I (527-565).

Até a ascensão das cidades-estado italianas durante o Renascimento, Constantinopla é o principal centro comercial do Mar Mediterrâneo. 

Em abril de 1204, a cidade é saqueada durante a Quarta Cruzada, o que aprofunda o Cisma do Oriente entre a Igreja Católica e a Igreja Cristã Ortodoxa. Os cavalos de bronze que ornamentam o hipódromo vão parar na Basílica de São Marcos, em Veneza, onde estão hoje.

Quando os turcos invadem a Europa no século 14, o destino da cidade está selado. A tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano sob a liderança do imperador Mehmet II, em 29 de maio de 1453, marca o fim da Idade Média. Em 1547, a cidade de torna capital do Império Otomano. A Basílica de Santa Sofia e outras igrejas bizantinas são convertidas em mesquitas.

O Império Otomano se expande pela Europa e cerca Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes, em 1529 e 1683, quando começa o recuo otomano.

A primeira ponte ligando a Ásia à Europa é construída em 1838. A presença em Constantinopla de forças britânicas e francesas, aliadas dos otomanos durante a Guerra da Crimeia (1853-56) contra a Rússia, acelera a ocidentalização da cidade. Nos anos 1870, a ferrovia europeia do Expresso do Oriente chega até lá.

O início do século 20 é o fim do Império Otomano. Em 1908, os Jovens Turcos ocupam a cidade e depõe o odiado sultão Abdulhamid II. Nas Guerras dos Bálcãs (1912-13), os búlgaros quase tomam a cidade.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Império Otomano se alia aos Poderes Centrais, os impérios Alemão e Austro-Húngaro. A cidade é cercada e, no fim da guerra, ocupada por britânicos, franceses e italianos até 1923, quando os nacionalistas liderados por Mustafá Kemal abolem o Califado do Império Otomano e proclamam a República da Turquia.

O nome muda oficialmente de Constantinopla para Istambul em 1930.

GUERRA MEXICANO-AMERICANA

    Em 1846, o presidente James Polk, que se elege prometendo ampliar o território dos Estados Unidos, pede autorização ao Congresso para declarar guerra ao México.

O México corta relações com os EUA em março de 1845, depois da anexação do Texas. Há uma disputa sobre onde o Texas termina, no Rio das Nozes, como quer o México, ou no Rio Grande, como entendem os EUA.

Em setembro de 1845, o presidente Polk envia John Slidell ao México para negociar a fronteira e outras questões pendentes, e propor a compra do Novo México e da Califórnia por US$ 30 milhões (US$ 750 milhões pela cotação atual). O presidente mexicano, José Joaquín Herrera, sabendo das intenções norte-americanas, nem o recebe.

Irritado, em janeiro de 1846, Polk manda o general Zachary Taylor ocupar a área em litígio, entre o Rio Grande e o Rio das Nozes. 

Quando está preparando a mensagem ao Congresso, em 9 de maio, o presidente dos EUA recebe a informação de que os mexicanos atravessam o Rio Grande em 25 de abril, no início da guerra, atacam as tropas do general Taylor e ferem ou matam 16 soldados norte-americanos. Polk muda a mensagem e acusa o México de "invadir nosso território e derramar sangue americano em solo americano."

O Congresso aprova a declaração de guerra em 13 de maio, mas os EUA entram no conflito divididos. Os democratas do Sul são a favor da guerra. Os whigs veem uma tentativa indevida e inescrupulosa de apropriação de terras e fazem oposição durante toda a guerra.

Em dezembro de 1846, Polk acusa os whigs de traição. Como eles são maioria na Câmara dos Representantes, censuram Polk por 85 a 81 votos por iniciar uma guerra com o México "desnecessária e inconstitucionalmente".

Entre as vozes mais agressivas contra a guerra de Polk, está o jovem deputado e futuro presidente Abraham Lincoln (1861-65). Os abolicionistas também são contra a guerra, entre eles, o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos sob o argumento de que financiariam a guerra.

Thoreau passa só uma noite na cadeia porque uma tia paga os impostos. Em 1849, ele publica o livro Desobediência Civil, em que defende a resistência pacífica quando a injustiça do governo "é de tal natureza" que exige que "se descumpra a lei" para criar um atrito que pare a máquina estatal.

Suas ideias influenciam o escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o grande herói da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

Quando a guerra começa, Polk envia um navio para resgatar o ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Ana, o vencedor da Batalha do Álamo (1836), no início da Guerra da Independência do Texas, que está no exílio em Cuba. Polk espera negociar a paz. Mas Santa Ana assume o comando do Exército do México.

Polk manda o general Taylor, que está no Rio Grande, invadir a região central do México, enquanto forças do coronel Stephen Kearny ocupam o Novo México e a Califórnia sem encontrar grande resistência. Taylor trava várias batalhas no Rio Grande e toma Monterrey, mas não invade a região central do México.

O presidente manda então o general Winfield Scott levar um exército de navio até o porto de Veracruz. Depois de três semanas de cerco, ele toma a cidade e avança rumo à Cidade do México. Scott entra na capital mexicana em 14 de setembro de 1847. É o fim da fase militar do conflito.

Ao todo, 1.733 soldados norte-americanos morrem em combate e pelo menos 10 mil de doenças, principalmente da febre amarela, de varíola, cachumba e sarampo. Cerca de 5 mil mexicanos morrem em ação.

A guerra termina em 2 de fevereiro de 1848 com o Tratado de Guadalupe Hidalgo. O México cede o Texas, a Califórnia, Nevada e Utah, e parte do Arizona, Colorado, Novo México e Wyoming, num total de 1,36 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 41% de seu território. Os EUA pagam US$ 15 milhões como indenização pelos danos causados pela guerra e assumem uma dívida de US$ 3,25 milhões de mexicanos com cidadãos norte-americanos.

A Guerra Mexicano-Americana é uma precursora da Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da história dos EUA, com 620 mil mortes, não só porque estimulou o debate sobre a escravidão, que não deveria existir nos territórios conquistados. Vários militares com experiência no campo de batalha foram líderes nos dois lados do conflito.

PRISÃO DE EICHMANN

    Em 1960, quase 14 anos depois de fugir de um campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o carrasco nazista Adolf Eichmann é capturado pelo serviço secreto de Israel perto de Buenos Aires, na Argentina. Ele é levado para Israel e julgado como um dos executores do Holocausto, condenado e executado.

Eichmann nasce em Solingen em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Antes de entrar para o Partido Nazista, ele leva uma vida desinteressante. Trabalha como vendedor em uma companhia de petróleo e perde o emprego na Grande Depressão (1929-39).

Ele entra para o Partido Nazista em abril de 1932 em Linz e sobe rapidamente na hierarquia. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido, sob o comando de Heinrich Himmler. Em 1933, Eichmann sai de Linz para a escola de terrorismo da Legião Austríaca em Lechfeld, na Alemanha.

De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. De lá vai para o escritório central da SS em Berlim, onde trabalha para o serviço secreto na seção de assuntos judaicos.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em março de 1938, Eichmann é enviado para Viena para "livrar" a cidade de judeus. Um ano depois, vai para Praga cumprir a mesma missão na Tcheco-Eslováquia. Ao criar o Escritório Central de Segurança do Reich, Himmler nomeia Eichmann para a seção sobre judeus em Berlim.

Quando os nazistas aprovam a "solução final da questão judaica", o extermínio dos judeus da Europa, na Conferência de Wannsee, in Berlim, em 20 de janeiro de 1942, Eichmann é o grande executor. Coordena a prisão e a deportação de judeus para campos de concentração e centros de extermínio.

No fim da guerra, Eichmann é capturado, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros em 1946 e vai para a Áustria e a Espanha até se fixar na Argentina em 1958. Ele é localizado e preso perto de Buenos Aires em 11 de maio de 1960, retirado secretamente do país e levado para Israel nove dias depois.

Seu julgamento pelo Estado de Israel, fundado em 1948, três anos depois do fim da guerra, recebe crítica de ser Justiça pós-fato, porque as leis e a Justiça de Israel não existem quando os crimes são cometidos. Há apelos para que o julgamento seja na Alemanha ou num tribunal internacional. Mas Israel insiste em julgar Eichmann. Vê uma oportunidade de educar as novas gerações sobre o Holocausto.

Eichmann alega não ser antissemita, mas apenas um burocrata que cumpriu rigorosamente as ordens. Diz que leu O Estado Judeu, de Theodor Herzl, livro que lança o moderno sionismo, o movimento nacional do povo judeu, e não Minha Luta, de Adolf Hitler. Nega até mesmo que seu escritório tivesse responsabilidade pelo extermínio dos judeus.

Seis milhões de judeus morrem no Holocausto, 60% da população de judeus da Europa, no que é considerado o pior genocídio da história, além de 1,5 milhão e meio de ciganos, e ainda socialistas, comunistas, anarquistas, negros e oposicionistas do regime nazista.

O julgamento vai de 11 de abril a 15 de dezembro de 1961, quando Eichmann é condenado à morte na forca. É a única condenação à pena da morte da história de Israel.

BOB MARLEY MORRE

    Em 1981, o músico, compositor e cantor jamaicano Bob Marley, o rei do reggae, morre num hospital em Miami, na Flórida, aos 36 anos. Dias depois de shows espetaculares em Nova York no ano anterior, Marley sofre um colapso durante uma corrida no Central Park. Um câncer surgido num dedão do pé machucado num jogo de futebol leva a metástase no cérebro, fígado e pulmões. O primeiro astro pop global do Terceiro Mundo morre menos de oito meses depois.

Robert Nesta Marley nasce em 6 de fevereiro de 1945 em Nine Miles, na Jamaica, filho de Norval Sinclair Marley e Cedella Booker. A mãe vai com o padrasto Toddy Livingston para Trenchtown, uma favela de Kingston, a capital jamaicana, e leva Bob quando ele tem 10 anos.

Sua paixão pela música é embalada por ritmos como o afro-jamaicano ska, o mento e o calipso caribenhos, o jazz e o rhythm and blues norte-americanos, tocados nas ruas em sistemas de som improvisados.

No início dos anos 1960, Marley forma com o meio-irmão Bunny Livingston e Peter Tosh the Wailing Wailers. Eles cantam o sofrimento do gueto, num estilo chamado de rude boy.

Sob influência do percussionista rastafariano Alvin Patterson, Marley adota esta religião e a incorpora à produção musical. Os rastafarianos fumam maconha e reverenciam o imperador Hailé Salassié, um líder africano que sai pelo mundo pedindo ajuda depois que a Itália de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935. Pregam a volta para a África como uma Terra Prometida.

O reggae nasce da fusão de ska, rocksteady, ragga, calipso e ritmos africanos. Está no disco Catch a Fire, de 1973, o primeiro dos Wailers lançado internacionalmente. Ele casa com Rita Marley, com quem tem três de seus 11 filhos.

Em 3 de novembro de 1976, durante uma campanha eleitoral acirrada, a casa de Marley é invadida por homens armados que atiram controle. Num concerto pela paz, faz os dois líderes políticos rivais, Michael Manley e Edward Seaga, se darem as mãos.

Com a ameaça da violência política na Jamaica, em 1977, Marley se muda para Londres, onde lança o álbum Exodus. Ele decide conhecer a África. Vai ao Quênia e à Etiópia, origem do movimento rasfatariano. É convidado para a festa da independência do Zimbábue.

Na volta, lança o disco Survival, com músicas sobre os problemas políticos e sociais da África: as guerras, a fome e a desigualdade. Em 1980, Bob Marley & The Wailers dão um show para 100 mil pessoas em Milão. Depois de apresentações em Nova York, surgem os sintomas do câncer.

Consciente de que a própria morte se aproxima, ele diz a um filho: "Não importa quanto dinheiro alguém tenha, o dinheiro não compra a vida."

sábado, 11 de maio de 2024

Hoje na História do Mundo: 11 de Maio

NOVA ROMA

    Em 330, o imperador romano Constantino I, o Grande, proclama Bizâncio, depois Constantinopla e hoje Istambul, como a Nova Roma, capital do Império Romano do Oriente, o que a transforma numa das cidades mais importantes do mundo, uma ponte entre a Europa e a Ásia.

Como Constantino fez do cristianismo a religião oficial do Império Romano, a cidade tem a religião cristã, a organização romana e o grego como língua. O conceito do direito divino dos reis como guardiães da fé nasce lá.

Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476, Constantinopla vira a principal cidade do império e um centro de preservação da cultura greco-romana durante a Idade Média. O auge é sob o imperador Justiniano I (527-565).

Até a ascensão das cidades-estado italianas durante o Renascimento, Constantinopla é o principal centro comercial do Mar Mediterrâneo. 

Em abril de 1204, a cidade é saqueada durante a Quarta Cruzada, o que aprofunda o Cisma do Oriente entre a Igreja Católica e a Igreja Cristã Ortodoxa. Os cavalos de bronze que ornamentam o hipódromo vão parar na Basílica de São Marcos, em Veneza, onde estão hoje.

Quando os turcos invadem a Europa no século 14, o destino da cidade está selado. A tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano sob a liderança do imperador Mehmet II, em 29 de maio de 1453, marca o fim da Idade Média. Em 1547, a cidade de torna capital do Império Otomano. A Basílica de Santa Sofia e outras igrejas bizantinas são convertidas em mesquitas.

O Império Otomano se expande pela Europa e cerca Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes, em 1529 e 1683, quando começa o recuo otomano.

A primeira ponte ligando a Ásia à Europa é construída em 1838. A presença em Constantinopla de forças britânicas e francesas, aliadas dos otomanos durante a Guerra da Crimeia (1853-56) contra a Rússia, acelera a ocidentalização da cidade. Nos anos 1870, a ferrovia europeia do Expresso do Oriente chega até lá.

O início do século 20 é o fim do Império Otomano. Em 1908, os Jovens Turcos ocupam a cidade e depõe o odiado sultão Abdulhamid II. Nas Guerras dos Bálcãs (1912-13), os búlgaros quase tomam a cidade.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Império Otomano se alia aos Poderes Centrais, os impérios Alemão e Austro-Húngaro. A cidade é cercada e, no fim da guerra, ocupada por britânicos, franceses e italianos até 1923, quando os nacionalistas liderados por Mustafá Kemal abolem o Califado do Império Otomano e proclamam a República da Turquia.

O nome muda oficialmente de Constantinopla para Istambul em 1930.

GUERRA MEXICANO-AMERICANA

    Em 1846, o presidente James Polk, que elege prometendo ampliar o território dos Estados Unidos, pede autorização ao Congresso para declarar guerra ao México.

O México corta relações com os EUA em março de 1845, depois da anexação do Texas. Há uma disputa sobre onde o Texas termina, no Rio das Nozes, como quer o México, ou no Rio Grande, como entendem os EUA.

Em setembro de 1845, o presidente Polk envia John Slidell ao México para negociar a fronteira e outras questões pendentes, e propor a compra do Novo México e da Califórnia por US$ 30 milhões (US$ 750 milhões pela cotação atual). O presidente mexicano, José Joaquín Herrera, sabendo das intenções norte-americanas, nem o recebe.

Irritado, em janeiro de 1846, Polk manda o general Zachary Taylor ocupar a área em litígio, entre o Rio Grande e o Rio das Nozes. 

Quando está preparando a mensagem ao Congresso, em 9 de maio, o presidente dos EUA recebe a informação de que os mexicanos atravessaram o Rio Grande em 25 de abril, no início da guerra, atacaram as tropas do general Taylor e feriram ou mataram 16 soldados norte-americanos. Polk muda a mensagem e acusa o México de "invadir nosso território e derramar sangue americano em solo americano."

O Congresso aprova a declaração de guerra em 13 de maio, mas os EUA entram no conflito divididos. Os democratas do Sul são a favor da guerra. Os whigs veem uma tentativa indevida e inescrupulosa de apropriação de terras e fazem oposição durante toda a guerra.

Em dezembro de 1846, Polk acusa os whigs de traição. Como eles são maioria na Câmara dos Representantes, censuram Polk por 85 a 81 votos por iniciar uma guerra com o México "desnecessária e inconstitucionalmente".

Entre as vozes mais agressivas contra a guerra de Polk, está o jovem deputado e futuro presidente Abraham Lincoln (1861-65). Os abolicionistas também são contra a guerra, entre eles, o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos sob o argumento de que financiariam a guerra.

Thoreau passa só uma noite na cadeia porque uma tia paga os impostos. Em 1849, ele publica o livro Desobediência Civil, em que defende a resistência pacífica quando a injustiça do governo "é de tal natureza" que exige que "se descumpra a lei" para criar um atrito que pare a máquina estatal.

Suas ideias influenciam o escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o grande herói da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

Quando a guerra começa, Polk envia um navio para resgatar o ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Ana, o vencedor da Batalha do Álamo (1836), no início da Guerra da Independência do Texas, que está no exílio em Cuba. Polk espera negociar a paz. Mas Santa Ana assume o comando do Exército do México.

Polk manda o general Taylor, que está no Rio Grande, invadir a região central do México, enquanto forças do coronel Stephen Kearny ocupam o Novo México e a Califórnia sem encontrar grande resistência. Taylor trava várias batalhas no Rio Grande e toma Monterrey, mas não invade a região central do México.

O presidente manda então o general Winfield Scott levar um exército de navio até o porto de Veracruz. Depois de três semanas de cerco, ele toma a cidade e avança rumo à Cidade do México. Scott entra na capital mexicana em 14 de setembro de 1847. É o fim da fase militar do conflito.

Ao todo, 1.733 soldados norte-americanos morrem em combate e pelo menos 10 mil de doenças, principalmente da febre amarela, de varíola, cachumba e sarampo. Cerca de 5 mil mexicanos morrem em ação.

A guerra termina em 2 de fevereiro de 1848 com o Tratado de Guadalupe Hidalgo. O México cede o Texas, a Califórnia, Nevada e Utah, e parte do Arizona, Colorado, Novo México e Wyoming, num total de 1,36 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 41% de seu território. Os EUA pagam US$ 15 milhões como indenização pelos danos causados pela guerra e assumem uma dívida de US$ 3,25 milhões de mexicanos com cidadãos norte-americanos.

A Guerra Mexicano-Americana é uma precursora da Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da história dos EUA, com 620 mil mortes, não só porque estimulou o debate sobre a escravidão, que não deveria existir nos territórios conquistados. Vários militares com experiência no campo de batalha foram líderes nos dois lados do conflito.

BOB MARLEY MORRE

    Em 1981, o músico, compositor e cantor jamaicano Bob Marley, o rei do reggae, morre num hospital em Miami, na Flórida, aos 36 anos. Dias depois de shows espetaculares em Nova York no ano anterior, Marley sofre um colapso durante uma corrida no Central Park. Um câncer surgido num dedão do pé machucado num jogo de futebol leva a metástase no cérebro, fígado e pulmões. O primeiro astro pop global do Terceiro Mundo morre menos de oito meses depois.

Robert Nesta Marley nasce em 6 de fevereiro de 1945 em Nine Miles, na Jamaica, filho de Norval Sinclair Marley e Cedella Booker. A mãe vai com o padrasto Toddy Livingston para Trenchtown, uma favela de Kingston, a capital jamaicana, e leva Bob quando ele tem 10 anos.

Sua paixão pela música é embalada por ritmos como o afro-jamaicano ska, o mento e o calipso caribenhos, o jazz e o rhythm and blues norte-americanos, tocados nas ruas em sistemas de som improvisados.

No início dos anos 1960, Marley forma com o meio-irmão Bunny Livingston e Peter Tosh the Wailing Wailers. Eles cantam o sofrimento do gueto, num estilo chamado de rude boy.

Sob influência do percussionista rastafariano Alvin Patterson, Marley adota esta religião e a incorpora à produção musical. Os rastafarianos fumam maconha e reverenciam o imperador Hailé Salassié, um líder africano que sai pelo mundo pedindo ajuda depois que a Itália de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935. Pregam a volta para a África como uma Terra Prometida.

O reggae nasce da fusão de ska, rocksteady, ragga, calipso e ritmos africanos. Está no disco Catch a Fire, de 1973, o primeiro dos Wailers lançado internacionalmente. Ele casa com Rita Marley, com quem tem três de seus 11 filhos.

Em 3 de novembro de 1976, durante uma campanha eleitoral acirrada, a casa de Marley é invadida por homens armados que atiram controle. Num concerto pela paz, faz os dois líderes políticos rivais, Michael Manley e Edward Seaga, se darem as mãos.

Com a ameaça da violência política na Jamaica, em 1977, Marley se muda para Londres, onde lança o álbum Exodus. Ele decide conhecer a África. Vai ao Quênia e à Etiópia, origem do movimento rasfatariano. É convidado para a festa da independência do Zimbábue.

Na volta, lança o disco Survival, com músicas sobre os problemas políticos e sociais da África: as guerras, a fome e a desigualdade. Em 1980, Bob Marley & The Wailers dão um show para 100 mil pessoas em Milão. Depois de apresentações em Nova York, surgem os sintomas do câncer.

Consciente de que a própria morte se aproxima, ele diz a um filho: "Não importa quanto dinheiro alguém tenha, o dinheiro não compra a vida."

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Hoje na História do Mundo: 7 de Junho

MORTE DO CACIQUE SEATTLE

    Em 1866, o cacique Seattle morre perto da cidade fundada 13 anos antes e batizada com seu nome, no que é hoje o estado de Washington, no Noroeste dos EUA.

Seattle nasce por volta de 1870. Chefia as tribos duwamish e suquamish, que vivam na costa do Oceano Pacífico num lugar hoje chamado de Enseada Puget.

Com a Marcha para o Oeste, no início dos anos 1850, os americanos de origem europeia começam a chegar à região e foram bem recebidos. Em 1853, vários colonos decidem fundar uma cidade na Baía de Elliott e a chamam de Seattle em homenagem ao cacique.

Nem todos os índios aceitam o estabelecimento de colonos brancos na região. A guerra estoura em 1855, quando os índios do Vale do Rio Branco, ao sul de Seattle, atacam a aldeia. Mesmo prevendo que o homem branco levaria seu povo à extinção, Seattle argumenta que a resistência só apressaria o fim dos indígenas. Em 1856, os índios concordam e fazem a paz.

 GANDHI EXPULSO DO TREM

    Em 1893, o futuro herói da independência da Índia, o jovem advogado Mohandas Gandhi realiza, na África do Sul, seu primeiro ato de desobediência civil, recusando-se a cumprir as regras de segregação racial, e é jogado para fora de um vagão de trem de primeira classe.

Gandhi nasce na Índia, na época uma colônia do Império Britânico, e é educado na Inglaterra. Em 1893, formado em direito, consegue um contrato de um ano na África do Sul, onde defende os direitos dos trabalhadores indianos. 

Em 1906, sob a inspiração das ideias do naturalista americano Henry David Thoreau, cujas ideias conhece através do escritor russo Leon Tolstoy, organiza a primeira campanha de satyagraha, a desobediência civil. Thoreau criara o conceito ao se negar a pagar impostos durante a Guerra Mexicano Americana (1846-48), quando os EUA tomaram 37% do território do México.

Ao voltar à Índia, em 1914, Gandhi se dedica à espiritualidade. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), apoia o Reino Unido, mas, em 1919, lança uma campanha de desobediência civil contra o serviço militar obrigatório dos indianos. Isto o torna líder do movimento pacífico pela independência da Índia, conquistada em 1947, com a divisão do país em Índia, de maioria hindu, e Paquistão, de maioria muçulmana, contra sua vontade.

Mais de 2 milhões de pessoas morrem na divisão do país. Índia e Paquistão entram em guerra por causa da região da Caxemira, de maioria muçulmana, cujo governador imperial aderiu à Índia. 

Em 30 de janeiro de 1948, o Mahatma (Grande Alma) Gandhi é assassinado pelo extremista hindu Nathuram Godse, membro da organização paramilitar ultranacionalista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), à qual pertenceu o atual primeiro-ministro da extrema direita da Índia, Narendra Modi.

CONQUISTA DO MONTE McKINLEY

    Em 1913, o missionário Hudson Stuck lidera a primeira escalada até o cume do Monte Denali, na época Monte McKinley, no Alasca, a maior montanha da América do Norte, com 6.190 metros de altura.

Stuck, um alpinista amador, nasce em Londres. Depois de se mudar para os EUA, vira arquidiácono da Igreja Episcopal em Yukon. Em 1917, é criado o Parque Nacional do Monte McKinley. Hoje, mais de mil alpinistas tentam a escalada a cada ano. Cerca de metade chega ao topo.

REI NOS EUA

    Em 1939, George VI se torna o primeiro rei da Inglaterra a visitar os EUA.

Durante a viagem, o casal real pede maior envolvimento americano na solução da crise da Europa, onde a Segunda Guerra Mundial começaria em 1º de setembro, quando a Alemanha nazista invade a Polônia.

Jorge VI é o segundo filho do rei Jorge V. Ascende ao trono depois que o irmão mais velho, Eduardo VIII, abdica em 1936 para se casar com Wallis Simpson, uma americana divorciada. Com a morte de Jorge VI, ascende ao trono a atual rainha, Elizabeth II, em 1952.

BATALHA DE MIDWAY

    Em 1942, depois de quatro dias de combates, os Estados Unidos vencem o Japão na Batalha de Midway, uma batalha aeronaval.

Seis meses depois do ataque japonês ao porto de Pearl Harbor, na ilha de Oahu, no Havaí, quartel-general da Frota do Oceano Pacífico dos EUA, a guerra no Pacífico começa a virar a favor dos americanos. Acaba em agosto de 1945, com os bombardeios nucleares a Hiroxima e Nagasaki.

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Hoje na História do Mundo: 9 de Agosto

VIDA NOS BOSQUES 

    Em 1854, o escritor e ecologista americano Henry David Thoreau publica um clássico da literatura americana, Walden: a Vida nos Bosques, que vende 300 cópias num ano. É um relato em primeira pessoa de sua vida à beira do Lago Walden, em Massachusetts, durante dois anos e dois meses, a partir de 1845. Explora suas visões da natureza, políticas e filosóficas.

Thoreau é contra a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), quando os EUA conquistam mais de um terço do território do México, e se nega a pagar impostos para evitar que seu dinheiro financie a guerra. É o pioneiro da desobediência civil e da resistência pacífica como formas de luta política.

Além de ser um pioneiro da luta pela preservação da natureza, suas ideias influenciaram o escritor russo Leon Tolstói, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o líder da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

QUARTA MEDALHA DE OURO

    Em 1936, o atleta negro norte-americano Jesse Owens conquista sua quarta medalha de ouro na Olimpíada de Berlim, desta vez no revezamento 4x100, demolindo o mito da superioridade da raça branca e ariana defendido pelo regime nazista da Alemanha de Adolf Hitler.

Owens nasce no Alabama em 1913. No ensino médio, desponta como talento para o atletismo. Na Universidade Estadual de Ohio, em 25 de maio de 1935, bate os recordes mundiais dos 200 metros rasos, 200 metros com barreiras e salto em distância, e iguala o das 100 jardas.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) dá à Alemanha em 1931 a organização da Olimpíada de 1936, com sede em Berlim. Em 1933, os nazistas chegam ao poder e Hitler decide fazer dos Jogos Olímpicos um espetáculo da superioridade branca.

Owens e outros 311 atletas americanos, inclusive 17 negros, representam os EUA e ajudam a derrubar a tese nazista da superioridade da Alemanha. Na volta para casa, os negros nore-americanos continuam sendo discriminados.

BOMBA DE NAGASÁKI

     Em 1945, os Estados Unidos explodem a segunda bomba atômica no Japão, desta vez na cidade de Nagasáki, matam 60 mil pessoas na hora e apressam a rendição incondicional do país e o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O Japão anuncia a rendição em 15 de agosto e se rende formalmente em 2 de setembro.

CULTO MACABRO NA CALIFÓRNIA

    Em 1969, membros de um culto macabro liderado por Charles Manson matam cinco pessoas na casa do cineasta Roman Polanski em Beverly Hills, na Califórnia, inclusive a atriz Sharon Tate, mulher de Polanski, que estava grávida.

Dois dias depois, o grupo mata um diretor de supermercado e sua mulher na casa das vítimas. Os crimes bárbaros chocam os Estados Unidos e tornam Manson um dos criminosos mais odiados do país.

Manson nasce em Cincinnati, no estado de Ohio, em 1934, filho de mãe solteira. Passa grande parte da infância e da adolescência em reformatórios e o início da idade adulta na prisão. Quando é solto, em 1967, vai para a Califórnia, atrai uma turma de hippies e forma uma comuna onde orgias de sexo e drogas são frequentes. 

O guru cria seu próprio culto e chama o grupo de Família. Músico frustrado, Manson ataca a casa de Polanski porque lá morava um produtor musical que rejeitara seu trabalho. Manson não vai à casa do cineasta e não participa nem desses assassinatos nem nos do gerente de supermercado e esposa. É condenado como autor intelectual dos homicídios.

A polícia só desvenda o crime depois que um membro do culto é preso e conta vantagem na cadeia. Em 1971, Manson pega pena de morte, revogada para prisão perpétua em 1972, quando a Suprema Corte da Califórnia acaba com a pena de morte.

PRESIDENTE NÃO ELEITO

    Em 1974, Richard Nixon renuncia oficialmente, sob ameaça da impeachment por causa do Escândalo de Watergate, e Gerald Ford se torna o único presidente não eleito da história dos Estados Unidos. 

Como presidente da Câmara, Ford vira vice-presidente meses antes, quando Spiro Agnew, eleito na chapa de Nixon, renuncia, em 10 de outubro de 1973 em meio a um escândalo de corrupção sem relação com Watergate. Fora denunciado por conspiração para cometer crimes, suborno, extorsão e fraude fiscal. Recebia propina desde quando era governador de Maryland e continuava como vice-presidente.

Nixon é o primeiro e único presidente dos EUA a renunciar, por causa do Escândalo de Watergate. Deixa a Casa Branca no dia da posse de Ford. Depois da posse, o novo presidente faz um pronunciamento na televisão: "Meus compatriotas americanos, nosso longo pesadelo nacional acabou."

Um mês depois, em 9 de setembro, Ford concede perdão total e incondicional a Nixon por quaisquer crimes cometidos enquanto presidente dos EUA.

JERRY GARCIA SE VAI

    Em 1995, Jerome John Garcia, mais conhecido como Jerry Garcia ou Capitão Barato, vocalista, guitarrista, letrista e líder da banda de rock californiana Grateful Dead, morre do coração dormindo aos 53 anos numa clínica para reabilitação de drogados em Forest Knolls, na Califórnia.

Ícone do rock ácido de São Francisco, Garcia cria a banda na comunidade hippie de Haight-Ashbury em plena era do amor e das flores no cabelo. O Grateful Dead forma uma legião de seguidores fanáticos. Durante anos, é a banda que mais fatura nas turnês de verão nos EUA. Nos fins de ano, dá concertos grátis de 24 a 31 de dezembro em São Francisco.

Mas a vida louca cobra seu preço. Jerry, o Capitão Barato, o homem de mil viagens de ácido, tem problemas com o vício em heroína, No último show que eu vi, em 1992, muitos anos antes da morte, estava mal. Não queria estar ali.