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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Atirador que matou 26 no Texas fora expulso da Força Aérea dos EUA

O atirador responsável pela chacina de 26 pessoas numa igreja batista do Texas, Devin Patrick Kelley, havia sido expulso com desonra da Força Aérea dos Estados Unidos depois de ter sido processado numa corte marcial e condenado por agredir a mulher e o filho. Mesmo assim, conseguiu comprar armas.

Kelley teve um pedido de licença para carregar uma arma escondida negado, mas comprou uma arma semiautomática. Quando ele saiu da igreja, depois do massacre, foi confrontado por um homem armado com outra arma automática, que o perseguiu de carro em alta velocidade até que o atirador saiu da estrada. Ele foi encontrado baleado e morto. Deve ter se suicidado.

A polícia suspeita que um problema familiar tenha motivado do massacre. Kelley havia ameaçado sua sogra na manhã de ontem, mas ela não estava na pequena congregação de Sutherland Springs, uma pequena cidade do interior com cerca de 400 habitantes.

"A sogra do suspeito frequentava a igreja", observou Freeman Martin, porta-voz do Departamento de Segurança Pública do estado do Texas, em entrevista coletiva minutos atrás. "Sabemos que ele enviou mensagens de texto e não podemos entrar em detalhes sobre esta situação doméstica, que está sendo continuamente reexaminada e investigada."

Os mortos tinham de 18 meses a 77 anos. Entre eles, havia 14 crianças e uma mulher grávida. Os 20 feridos tinham de 5 a 75 anos. Por onde se andasse na igreja, "havia sangue e morte por todos os lados", desabafou o xerife Joe Tackitt, do condado de Wilson, citado pelo jornal The New York Times. Praticamente toda a cidade tinha alguma relação com as vítimas.

Conclusão da polícia: "Não houve motivação racial e não foi por causa de crenças religiosas, foi um problema doméstico."

Durante a visita ao Japão, o presidente Donald Trump declarou que foi "um problema de saúde mental". Fugiu da discussão sobre controle de armas que mais um massacre provoca inevitavelmente nos EUA, pouco mais de um mês depois do massacre a tiros de 58 pessoas num show de música sertaneja em Las Vegas, em 1º de outubro de 2017, por um atirador instalado num hotel.

No país sem controle de armas, no estado onde é chique portar armas como um pioneiro do Velho Oeste, uma briga em família com um perturbado mentalmente termina com 26 inocentes mortos.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Manning alega querer debate sobre uso da força

Nas alegações iniciais de seu processo em tribunal militar por traição e divulgação de segredos de Estado, o ex-soldado do Exército dos Estados Unidos Bradley Manning admitiu ter copiado documentos sigilosos do governo americano, mas argumentou que queria provocar um debate sobre as invasões do Afeganistão e do Iraque, e não ajudar o inimigo.

Mais de 700 mil documentos furtados por Manning foram divulgados pelo sítio WikiLeaks, fundado pelo australiano Julian Assange. Ao todo, ele é acusado de 22 crimes e admitiu a culpa em 10. Pode pegar uma pena de 154 anos de prisão.

A denúncia afirma que Manning colocou em risco diplomatas e militares americanos, e suas fontes, que passaram informações de interesse das autoridades dos EUA. O advogado de Manning argumentou que ele foi "ingênuo" e não tinha má intenção. Queria apenas provocar um debate sobre as ações das Forças Armadas americanas no exterior.

Manning declarou ter sido torturado, colocado nu diante dos militares que o interrogaram, além de ter seus óculos tirados e de ficar durante meses numa cela solitária de 4 metros quadrados em que a luz ficava ligada permanentemente.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Bradley Manning será julgado em corte marcial

O cabo Bradley Manning, preso em maio de 2010 no Iraque pelo Exército dos Estados Unidos sob a suspeita de ser responsável pelo maior vazamento de segredos de Estado da História, mais de 250 mil documentos da diplomacia americana publicados no sítio de internet WikiLeaks, será julgado por um tribunal militar e pode ser condenado à prisão perpétua.

Manning, de 24 anos, é alvo de 22 acusações, inclusive ajudar o inimigo, divulgar informações secretas, roubar propriedades e arquivos públicos, publicar informações sobre defesa e fraude em computadores.

Em dezembro, os promotores apresentaram provas de que Manning se comunicou via Internet com o australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, para discutir a colocação na rede mundial de computadores dos interrogatórios de 700 presos detidos ilegalmente na base naval americana de Guantânamo, em Cuba, noticia a TV americana CNN.

Assange recorreu ao Supremo Tribunal do Reino Unido para tentar evitar uma extradição para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais. Ele teme ser extraditado para os EUA.