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terça-feira, 25 de junho de 2024

Assange faz acordo e recupera liberdade

 O anarquista e ciberpirata australiano Julian Assange fez um acordo com a Justiça dos Estados Unidos para confessar a culpa em uma das acusações que pesavam contra ele em troca da retirada de todas as outras acusações e de sua libertação. É o fim de uma longa batalha judicial para evitar a extradição para os EUA.

Assange é o fundador do WikiLeaks, um site que divulgou em 2010 centenas de milhares de documentos secretos do Departamento da Defesa e do Departamento de Estado norte-americanos, revelando crimes cometidos nas invasões do Afeganistão e do Iraque dentro da guerra do governo George W. Bush contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos.

Em novembro de 2010, a Suécia emitiu uma ordem de prisão internacional contra Assange por supostos crimes sexuais. Ele nega as acusações e acredita ser alvo de uma conspiração internacional para levá-lo para os EUA, sob ameaça de pegar prisão perpétua.

Um mês depois, Assange se entrega às autoridades do Reino Unido, que examinam um pedido de extradição feito pelos EUA. Dez dias depois, consegue liberdade mediante pagamento de fiança. 

Depois de perder um recurso contra a extradição, em agosto de 2012, Assange pede asilo à Embaixada do Equador em Londres, onde fica até ter o asilo suspenso e ser preso pela polícia britânica em 11 de abril de 2019. 

Durante a eleição presidencial de 2016 nos EUA o WikiLeaks ajudou a campanha de Donald Trump divulgando e-mails do Partido Democrata e do servidor privado da ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, candidata do partido. Em 2017, a Suécia encerra o caso sobre crimes sexuais e cancela o mandado de prisão europeu.

Um movimento internacional se articulou para lutar por sua liberdade em nome da defesa da liberdade de expressão. Assange poderia ser condenado por roubar documentos secretos, não por divulgá-los, já que a Emenda nº 1 à Constituição dos EUA garante plena liberdade de imprensa. E o presidente Barack Obama, no último dia de governo, deu indulto ao ex-soldado Bradley Manning, depois Chelsea Manning, que roubou os documentos quando estava no Exército dos EUA.

Na manhã desta segunda-feira, Assange deixou a prisão de segurança máxima de Belmarsh, perto de Londres, e foi levado até o aeroporto de Stanstead, onde foi libertado. Ele foi para Saipan, nas Ilhas Marianas, onde vai assinar o acordo fechado com o Departamento da Justiça, confessando a culpa por obter e divulgar ilegalmente segredos da segurança nacional dos EUA. Deve ser condenado a 5 anos de prisão, período que cumpriu na Inglaterra, e libertado para seguir para a Austrália.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

França recua na lei que proibiria filmar ações policiais

Foi mais uma vitória da democracia, depois das manifestações de protesto contra o racismo e a violência policial no mundo inteiro e das derrotas do presidente Donald Trump e dos candidatos apoiados pelo governo Jair Bolsonaro nas eleições municipais no Brasil. Sob pressão das ruas, o governo Emmanuel Macron decidiu "reescrever completamente" o artigo 24 do projeto da Lei de Segurança Global, que proibia a divulgação de imagens de ações policiais.

Nos Estados Unidos, as gravações, especialmente com telefone celular, têm sido fundamentais para denunciar abusos e assassinatos cometidos pela polícia. Leia mais em Quarentena News.

terça-feira, 30 de junho de 2020

China acaba com a autonomia de Hong Kong

Por unanimidade, o Congresso Nacional do Povo da China aprovou hoje uma Lei de Segurança Nacional para Hong Kong que acaba com a autonomia administrativa que o território tinha desde que foi devolvido pelo Reino Unido em 1º de julho de 1997.

A nova lei, elaborada sem a menor participação das autoridades locais, criminaliza qualquer ato de "secessão, subversão, terrorismo ou colusão com forças estrangeiras". Ameaça a liberdade de expressão, a independência do Judiciário e as liberdades democráticas. Atacar prédios públicos e bloquear o trânsito são considerados ações terroristas. A pena máxima é prisão perpétua.

Pelo acordo feito em 1984 pelo líder chinês Deng Xiaoping e a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, o regime comunista se comprometeu a manter as liberdades públicas em Hong Kong com base na fórmula "um país, dois sistemas" durante pelo menos 50 anos.

Desde 9 de junho de 2019, havia uma onda de manifestações de protesto no território, inicialmente contra um projeto de lei que permitia a extradição de cidadãos de Hong Kong para responder a processos na China continental. Evoluiu para exigir eleições diretas para governador e o Conselho Legislativo. O projeto da extradição foi abandonado, mas agora está incluído na nova lei.

A ditadura comunista de Xi Jinping na República Popular da China nunca aceitou os protestos, que acusa de ser um movimento pela independência do território insuflado por potências estrangeiras como os Estados Unidos e o Reino Unido. Na verdade, é uma luta pela democracia.

Como a governadora Carrie Lam, nomeada pelo regime comunista chinês, não conseguiu controlar as manifestações, há muito se esperava uma intervenção de Beijim. Se o Exército Popular de Libertação fosse enviado, a repercussão política seria enorme. Então, veio pela via legislativa.

O fim da autonomia compromete a independência do Judiciário de Hong Kong, um dos principais centros financeiros da Ásia, por onde entrou boa parte do capital estrangeiro que financiou o extraordinário desenvolvimento da China nas últimas décadas. Agora, Cingapura se prepara para ocupar este lugar.

Em resposta, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ofereceu cidadania para 3 milhões de cidadãos de Hong Kong. A República da China em Taiwan, que a ditadura militar de Beijim considera uma província rebelde, fez a mesma oferta.

Os Estados Unidos vão suspender as preferências comerciais a Hong Kong e impor as tarifas de importação aplicadas na guerra comercial do presidente Donald Trump contra a China.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Trump anistia corruptos e não passa no teste da democracia

Capaz vez mais autoritário depois de escapar do processo de impeachment, o presidente Donald Trump dá indulto a corruptos e não passa no teste da democracia. 

Pouco depois da eleição de Trump, em novembro de 2016, o jornalista Stephen Walt, da revista americana Foreign Policy, fez uma lista de 10 perguntas para testar se o seu presidente é um ditador. 

Hoje, eu vou examinar os primeiros cinco pontos. O primeiro problema de Trump com a democracia, e também do presidente Jair Bolsonaro aqui no Brasil, é o esforço sistemático de intimidar os meios de comunicação. 

Trump desacata jornalistas regularmente e contaminou outros setores do governo americano. O secretário de Estado, Mike Pompeo, teve um chilique diante de uma pergunta de uma repórter de rádio e excluiu a emissora de uma entrevista coletiva. 

O presidente americano humilha, degrada e intimida jornalistas, chamando-os de inimigos do povo, uma expressão que o ditador soviético Joseph Stalin usava para justificar perseguições, processos forjados e assassinatos políticos. A atual assessora de imprensa da Casa Branca não dá entrevistas e não há sinal de que a situação vá melhorar. 

Aqui no Brasil, o relacionamento de Bolsonaro com a imprensa é ainda pior depois que ele insinuou que uma repórter premiadíssima da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello, ofereceu sexo em troca de um furo de reportagem. Nem Trump chegou a tanto, embora ofenda mulheres regularmente. 

As atitudes dos dois presidentes legitimam os ataques a jornalistas de outros políticos, de países ditatoriais e das matilhas digitais que infestam as redes sociais, ou, no caso, antissociais.

Não há democracia sem uma imprensa independente, crítica e vigorosa. O ataque à liberdade de imprensa é um ataque à democracia. Meu comentário:

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Ditadura de Daniel Ortega sufoca imprensa livre na Nicarágua

Sob pressão de um ano e meio de protestos populares, o ditador Daniel Ortega Saavedra tenta calar a imprensa livre e independente, ignorando as lições de história da Nicarágua. Naquele país, o oprimido de ontem é o opressor de hoje.

Quarenta anos depois da queda do ditador Anastasio Somoza Debayle, o atual ditador, Daniel Ortega, eleito pelo voto popular, é chamado nas ruas de o novo Somoza. 

Em dezembro do ano passado, a alta comissária das Nações Unidas para direitos humanos, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, denunciou o governo Ortega, exigindo “a suspensão imediata de perseguição a defensores dos direitos humanos, organizações da sociedade civil, jornalistas e empresas jornalísticas”. 

Ortega foi chefe da junta de governo depois da vitória da Revolução Sandinista, em 1979. Em 1984, foi eleito presidente em eleição boicotada pela oposição. Em 1990, perdeu para Violeta Chamorro, viúva do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, assassinado pela ditadura somozista. 

Desde que voltou ao poder democraticamente, em 2007, Ortega se tornou cada vez mais autoritário, especialmente nos últimos dois anos.Meu comentário:

terça-feira, 7 de maio de 2019

Mianmar solta jornalistas presos por denunciar massacre do Exército

Depois de 511 dias de prisão, Mianmar libertou hoje dois jornalistas condenados por denunciar um massacre cometido pelo Exército do país na guerra contra a minoria rohingya num processo que gerou pesadas críticas ao desrespeito aos direitos humanos pelo governo mianmarense.

Wa Lone, de 33 anos, e Kyaw Soe Oo, de 29, foram presos em dezembro de 2017 e considerados culpados com base na Lei de Segredos Oficiais, do tempo em que a antiga Birmânia era uma colônia do Império Britânico. Em setembro de 2018, pegaram sete anos de cadeia.

Hoje, saíram da prisão por causa de uma anistia dada pelo presidente Win Myint a 6.250 prisioneiros no início do Ano Novo pelo calendário tradicional de Mianmar.

"Estou feliz e ansioso para ver minha família e meus colegas", declarou Wa Lone, citado pela agência de notícias Reuters. "Não vejo a hora de voltar à redação."

A reportagem que provocou a ira dos militares denunciou o massacre de 10 muçulmanos da minoria rohingya, perseguida pela maioria budista que domina Mianmar e o Exército, em Inn Din, no estado de Rakhine.

As autoridades mianmarenses reconheceram o massacre. No ano passado, sete soldados foram condenados a 10 anos de trabalhos forçados pelos crimes cometidos.

Mesmo assim, no mês passado, a Suprema Corte rejeitou um recurso dos jornalistas pedindo a revogação da sentença condenatória. Também no mês passado, a agência Reuters recebeu o Prêmio Politzer, o mais importante do jornalismo americano, pelo trabalho de reportagem em Mianmar, com destaque para as "notáveis contribuições" dos dois.

O caso suscitou pesadas críticas contra a principal líder política do país, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991. Vários críticos pediram que o prêmio fosse retirado.

Mais de 730 mil rohingyas fugiram para Bangladesh para escapar da repressão em Mianmar, que não os reconhece como cidadãos alegando que são parte e descendentes de refugiados da Guerra da Independência de Bangladesh, em 1971.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Oposições resistem a nova lei de partidos na Tanzânia

Em protesto contra o autoritarismo do presidente John Mugufuli, os partidos de oposição da Tanzânia, um país do Leste da África, resistem a uma nova lei de partidos políticos que dá imunidade ao responsável pelo registro dos partidos, nomeado pelo chefe de estado, noticiou ontem o boletim Africa News.

O projeto de lei foi apresentado pouco depois que a União Europeia decidiu rever suas relações com a Tanzânia com base numa resolução do Parlamento Europeu de 13 de dezembro de 2018 condenando violações dos direitos humanos cometidas no país.

A UE é a maior aliada da Tanzânia na promoção do desenvolvimento. Qualquer decisão de reduzir os direitos e a autonomia dos partidos políticos será repudiada pelo bloco europeu, agravando a crise nas relações com o país africano.

Desde que chegou ao poder, em 2015, o presidente Mugufuli faz uma campanha de combate à corrupção. Ao mesmo tempo, mostrou-se autoritário. Não aceita o dissenso. As liberdades sexual, de expressão e de imprensa foram reduzidas.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Trump ataca almirante que comandou operação que matou Ben Laden

Em mais um sinal de total falta de caráter e de escrúpulos, o presidente Donald Trump atacou o almirante reformado William McRaven, ex-comandante da força de elite da Marinha Seals, responsável pela operação que matou o terrorista saudita Ossama ben Laden, no Paquistão, em 2 de maio de 2011.

Trump se irritou porque o almirante afirmou que os ataques do presidente à imprensa são a maior ameaça à democracia nos Estados Unidos que viu durante toda a sua vida. Em entrevista à TV Fox News, que o apoia, primeiro, Trump alegou que McRaven era partidário de Hillary Clinton e Barack Obama. Mentira. Depois, criticou a ação contra Ben Laden.

"Não teria sido melhor se tivéssemos pego Ossama ben Laden muito antes? Morando no Paquistão, no que acredito que fosse uma mansão bacana, perto da academia militar, todo o mundo no Paquistão sabia que ele estava lá. E nós damos US$ 1,3 bilhão por ano ao Paquistão", rosnou Trump, menosprezando o trabalho da Agência Central de Inteligência (CIA) para localizar Ben Laden.

O almirante, que serviu 37 na tropa de elite Seals, respondeu: "Não apoiei Hillary Clinton nem ninguém. Sou fã do presidente Obama e do presidente George W. Bush, para quem trabalhei. Admiro todos os presidentes, sem olhar para seus partidos políticos, que mantenham a dignidade do cargo e que usem o cargo para unir o país em momentos desafiantes."

E acrescentou: "Mantenho meu comentário de que os ataques do presidente à imprensa são a maior ameaça à democracia durante minha vida. Quando você mina o direito do povo a uma imprensa livre e à liberdade de expressão, você ameaça a Constituição e tudo o que ela representa."

Na mesma entrevista, Trump manifestou mais uma vez seu desprezo pelos militares ao declarar que não visitou o Cemitério Nacional de Arlington, na Virgínia, onde estão enterrados os heróis nacionais dos EUA, no dia em homenagem aos americanos mortos em combate, por "estar muito ocupado". Nunca estão tão ocupado que não possa descansar em seus clubes de golfe.

Quando esteve na França para as comemorações dos 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial, o presidente não foi a um cemitério militar americano porque o mau tempo tornava a viagem de helicóptero arriscada.

O chefe da Casa Civil da Casa Branca, general John Kelly, e o comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Joseph Dunford, fizeram a viagem por terra a 80 quilômetros de Paris e homenagearam os soldados mortos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Juiz manda governo Trump devolver credencial de repórter da CNN

Em uma vitória da liberdade de imprensa, um juiz federal dos Estados Unidos aceitou hoje o pedido da rede de televisão americana CNN para devolver a credencial do setorista da Casa Branca Jim Acosta, cassada depois que ele discutiu com o presidente Donald Trump durante uma entrevista coletiva.

"Quero agradecer a todos os meus colega da imprensa que me apoiaram nesta semana e quero agradecer ao juiz pela decisão de hoje", festejou Acosta diante do tribunal, em Washington, a capital dos EUA. Até a TV Fox News, que apoia Trump, ficou ao lado do repórter neste caso.

No dia seguinte à vitória eleitoral que deu maioria na Câmara dos Representantes ao Partido Democrata, de oposição, Trump se irritou com uma pergunta sobre a caravana de miseráveis da América Central que tentam entrar nos EUA, descrita pela presidente como uma invasão.

Quando Trump pediu a uma estagiária da Casa Branca que tirasse o microfone de Acosta, o repórter perguntou se o presidente temia novas denúncias do procurador especial Robert Mueller, que investiga um possível conluio da campanha de Trump com a Rússia na eleição presidencial de 2016.

Mais tarde, a assessora de imprensa de Trump declarou em nota: "Hoje, o tribunal deixou claro que não existe um direito absoluto de acesso à Casa Branca com base na Primeira Emenda. Em resposta, vamos temporariamente restituir a credencial. Também vamos estabelecer regras e processos para garantir entrevistas coletivas justas e ordeiras no futuro. Precisa haver decoro na Casa Branca."

A ação da CNN se baseia na Emenda nº 1 à Constituição dos EUA, que garante plena liberdade de imprensa, alegando que a credencial foi cassada por causa do conteúdo das reportagens do jornalista. Trump hostiliza constantemente todo repórter e meio de comunicação que divulga notícias críticas a seu governo, chamando-os de "inimigos do povo" e acusando-os de publicar "notícias falsas".

Sua atitude encoraja ditadores ao redor do mundo a atacar jornalistas, como foi o caso do dissidente saudita Jamal Khashoggi, morto e esquartejado no Consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro de 2018.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Trump ameaça cassar licença de rádios e televisões

Em mais uma ameaça às liberdades democráticas, o presidente Donald Trump sugeriu hoje que o governo federal dos Estados Unidos poderia revisar e até revogar as licenças de operação das emissoras de rádio e televisão por divulgar "notícias falsas".

"As redes de notícias se tornaram tão partidárias, distorcidas e falsas que as licenças deveriam ser revisadas e, se apropriado, revogadas. Não é justo com o público", escreveu Trump no Twitter.

Durante um breve encontro com os repórteres ao receber na Casa Branca o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, o presidente comentou que é "desagradável que a imprensa seja capaz de escrever o que quiser".

O presidente dos EUA não tem poder para revogar licenças de funcionamento de emissoras de rádio e televisão. Elas são dadas pela Comissão Federal de Comunicações, que autoriza o funcionamento de emissoras locais, não de redes nacionais. Depois, as emissoras se associam às redes.

A Emenda nº1 à Constituição dos EUA garante ampla liberdade de expressão, de religião, de associação para fins pacíficos e de processar o governo para garantir os direitos individuais. O Congresso dos EUA está proibido de legislar sobre liberdade de imprensa.

terça-feira, 7 de março de 2017

Usbequistão liberta jornalista preso há 18 anos

Um dos jornalistas presos há mais tempo no mundo, Muhammad Bekjanov, foi solto no mês passado depois de ficar 18 anos na cadeia na ex-república soviética do Usbequistão, informou a organização não governamental de defesa da liberdade de imprensa Repórteres sem Fronteiras (RsF).

Bekjanov tem hoje 62 anos. Ele foi torturado repetidamente depois da prisão, em 1999, e deveria ter sido libertado em 2012, quando sua pena foi ampliada. Durante um ano, não poderá sair do país.

Como editor do Erk, o principal jornal de oposição usbeque, Bekjanov colocou em discussão temas considerados tabus como a situação da economia, o uso de trabalhos forçados na lavoura de algodão e a catástrofe ecológica do Mar Aral. Seu irmão, o poeta Muhammad Salikh, foi o único adversário do presidente Islam Karimov em 1991.

Karimov, no poder desde a era soviética, aproveitou uma série de ataques a bomba para calar a oposição, acusando-a de cumplicidade. Bekjanov e outros ativistas pela democracia foram presos e condenados. Ele pegou 15 anos de cadeia.

Dias antes da data em que deveria ser solto, a pena foi arbitrariamente aumentada em quatro anos e oito meses.

Em 2016, o Usbequistão ficou em 166º lugar entre 180 países no Índice de Liberdade de Imprensa dos RsF. Com a morte de Karimov, em agosto de 2016, alguns presos políticos foram soltos, mas ainda há jornalistas, ativistas dos direitos humanos, oposicionistas e líderes da sociedade civil presos injustamente.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Terrorista morto em Copenhague era dinamarquês

A Dinamarca revelou que o suspeito de dois ataques terroristas cometidos ontem em Copenhague, morto pela polícia na manhã de hoje, era Omar Abdel Hamid el-Hussein, um jovem muçulmano de 22 anos de origem palestina nascido no país.

Hussein era conhecido das autoridades. Tinha antecedentes criminais por violência, mas nenhuma ligação aparentemente com grupos terroristas. Há duas semanas, saiu da cadeia, onde teria aderido ao jihadismo.

A investigação tenta descobrir se ele agiu sozinho, noticiou o jornal inglês The Guardian. Dois suspeitos de colaborar com o criminoso foram presos.

Por volta das três e meia da tarde de ontem, ele invadiu um café onde havia um debate sobre liberdade de imprensa depois do ataque terrorista contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo, em que 12 pessoas foram mortas, no mês passado, em Paris, e saiu atirando. Seu alvo seria o cartunista sueco Lars Vilks, autor de uma caricatura do profeta Maomé como um cachorro.

O cineasta Finn Norgaard, de 55 anos, que participava da discussão, foi morto. Três policiais foram feridos. Vilks saiu ileso.

Dez horas depois, já na madrugada deste domingo, o terrorista abriu fogo diante da principal Sinagoga da capital dinamarquesa, matando um civil e ferindo dois policiais.

A Europa enfrenta uma onda de atentados terroristas, vários deles contra alvos israelitas. Em 24 de maio do ano passado, o Museu Judaico foi atacado em Bruxelas. No mês passado, dois dias depois do atentado ao Charlie Hebdo, um terrorista ocupou um supermercado judaico em Paris e matou quatro pessoas. Ontem e hoje, os alvos estavam na capital da Dinamarca. Também hoje, a cidade alemã de Braunschweig suspendeu o desfile de carnaval diante de "uma ameaça terrorista específica".

domingo, 14 de dezembro de 2014

Turquia prende jornalistas a pretexto de combater terrorismo

Cerca de 25 pessoas foram presas numa operação nacional de "combate ao terrorismo" na Turquia, inclusive o editor-chefe do jornal Zaman, Ekrem Dumanli, sob a alegação de ter ligações com o movimento Gulen, liderado pelo imã exilado nos Estados Unidos Fethulla Gulen.

A oposição acusa o presidente Recep Tayyip Erdogan de tentar, na verdade, suprimir a liberdade de imprensa. O presidente do Samanyolu Broadcastring Group, uma importante empresa de rádio e televisão, também foi preso.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Liberdade de imprensa cai ao menor nível numa década

Com a regressão das esperanças suscitadas pela Primavera Árabe e as tentativas do governo dos Estados Unidos de abafar o escândalo de megaespionagem em telefones e na Internet, a liberdade de imprensa caiu em 2013 ao menor nível em uma década, afirmou hoje a organização não governamental Freedom House ao divulgar seu relatório anual.

Só 14% da população mundial vivem em países com liberdade de imprensa, onde a cobertura política pode criticar o governo, a segurança dos jornalistas é garantida, a intervenção estatal nos meios de comunicação é mínima e a cobertura jornalística não está submetida pressões legais e econômicas onerosas.

O Brasil é considerado parcialmente livre por causa dos assassinatos e constrangimentos legais e ilegais a jornalistas, especialmente na cobertura da corrupção política, do crime organizado e dos conflitos de terra no interior do país.

Entre 197 países e territórios, a Suécia, a Noruegia e a Holanda dividiram o primeiro lugar, seguidos pela Finlândia, Bélgica, Suíça, Dinamarca, Islândia e Luxemburgo. A censura é maior na Coreia do Norte, no Turcomenistão, no Usbequistão, na Eritreia, na Bielorrússia, em Cuba, na Guiné Equatorial, no Irã e na Síria. O Brasil ficou em 90º lugar ao lado de Moçambique.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Repórteres sem Fronteiras criticam Rafael Correa

O presidente Rafael Correa deve escolher entre fazer uma "revolução" ou travar uma "guerra midiática" contra as grandes empresas de comunicação do Equador, advertiu hoje em Paris o secretário-geral da organização não governamental Repórteres sem Fronteiras, que luta pela liberdade de imprensa, informou hoje a agência de notícias espanhola Efe.

Ao divulgar a carta aberta na capital da França, Jean-François Julliard observou que há uma tensão cada vez maior entre o presidente equatoriano e "parte da mídia privada", agravada pelo processo em que Correa cobra uma indenização de US$ 80 milhões do jornal El Universal.

A ONG reconheceu "a agressividade e inclusive os excessos" de alguns críticos do presidente, que o acusaram de "crimes de lesa humanidade" durante a rebelião policial de 30 de setembro de 2010. Neste ambiente, alerta que um debate sério sobre o projeto de Lei da Comunicação "não será possível se perdurar um clima de enfrentamento e ódio". 

domingo, 26 de agosto de 2007

Jornalistas defendem liberdade de ação em Gaza

Mais de 100 jornalistas participaram de uma manifestação pela liberdade de imprensa neste domingo, sentando-se diante da sede do Sindicato dos Jornalistas na cidade de Gaza. Há dois dias, milicianos do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que assumiu em junho o controle da Faixa de Gaza, irromperam violentamente um comício de seu adversário político, a Fatah, e prenderam quatro jornalistas.

"Sim à liberdade de imprensa", "Não à prisão de jornalistas" e "Deixem os jornalistas fora da política", diziam alguns dos cartazes de protesto.

Em nota oficial, a Associação da Imprensa Estrangeira (AIE), com sede em Jerusalém, fez um apelo "às autoridades competentes em Gaza para que permitam o funcionamento adequado de uma imprensa livre. Não há qualquer desculpa para qualquer tentativa de limitar esta liberdade."

Na sexta-feira, três cinegrafistas e um fotógrafo foram detidos brevemente por reportar um comício da Fatah (Luta), partido do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

A AIE declarou que "gostaria de protestar, nos termos mais fortes possíveis, contra o constrangimento violento de jornalistas cobrindo os acontecimentos em Gaza na sexta-feira. Durante o trabalho legítimo de sua cobertura, diversos colegas foram fisicamente intimidados por membros das forças de segurança do Hamas. Este tipo de violação perigosa dos direitos de jornalistas profissionais no cumprimento de suas obrigações é inaceitável."