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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Arcebispo Tutu foi um grande herói na luta pela igualdade

Um dos grandes heróis do nosso tempo morreu no domingo. O arcebispo Desmond Tutu foi a voz da maioria negra na África do Sul quando Nelson Mandela estava preso e Steve Biko estava morto. 

A luta pacífica contra o regime segregacionista do apartheid e a ditadura da minoria branca lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz 1984. Ele tinha 90 anos e lutava há 24 anos contra um câncer na próstata. 

Crítico feroz do apartheid, Tutu denunciou a leniência das democracias ocidentais com os horrores do regime de terror da minoria branca, que descrevia como “o sistema mais cruel já inventado depois do nazismo... o desenvolvimento separado das raças”. E não se calou diante da corrupção no governo do Congresso Nacional Africano (CNA).

Leia mais em Quarentena News. 

sábado, 9 de setembro de 2017

Terrorista do ataque a Malala é morto no Paquistão

Um dos terroristas que tentaram matar a estudante paquistanesa Malala Youssafzai, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2014, foi morto numa ação da polícia do Paquistão durante esta semana, quando os muçulmanos fazem a Festa do Sacrifício (Eid al-Adha), logo depois da peregrinação anual a Meca. 

O terrorista, identificado apenas como Khursheed, era primo de Fazal Hayat, mais conhecido como o mulá Fazlullah, um dos comandantes dos Talebã do Paquistão, considerado o mandante da tentativa do assassinato de Malala. Khursheed foi um dos quatro jihadistas que tentaram matar a menina. Também era acusado de atacar uma delegacia de polícia em Caráchi, a maior cidade paquistanesa.

Malala Youssafzai tinha um blogue onde escrevia com pseudônimo para a televisão pública britânica BBC. Desde os 11 anos, contava detalhes da vida na vale do Swat, onde seu pai dirigia uma rede de escolas, sob pressão dos fundamentalistas. Defendia o direito das meninas à educação, rejeitado pelos extremistas muçulmanos.

Quando o Exército paquistanês interveio na região, o jornal americano The New York Times, um dos mais importantes do mundo, fez um documentário sobre ela. Malala deu várias entrevistas e foi nomeada pelo arcebispo sul-africano Desmond Tutu, laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o regime racista do apartheid na África do Sul para o Prêmio Internacional da Criança.

Em 9 de outubro de 2012, quando tinha 15 anos, quatro terroristas invadiram o ônibus escolar onde ela estava e dispararam três tiros. Ela foi atingida na cabeça. Ficou vários dias em coma e depois foi transferida para um hospital em Birmingham, a segunda maior cidade do Reino Unido.

Vítima de uma brutal tentativa de assassinato, Malala sobreviveu num milagre da medicina e se tornou, nas palavras da rádio Voz da Alemanha, "a adolescente mais famosa do mundo". Em 2014, foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

"Teu silêncio tem um preço alto", o bispo Tutu alerta Aung San Suu Kyi

Diante da perseguição e fuga da minoria muçulmana rohingya sob pressão do Exército de Mianmar, o arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, enviou uma carta advertindo a líder do movimento pela democratização do país, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Nobel da Paz em 1991: "Teu silêncio tem um preço muto alto."

Para o bispo Tutu, o "horror" e "limpeza étnica" no estado de Rakhine, com uma fuga que pode chegar a 300 mil rohingyas para o vizinho e miserável Bangladesh, o obrigou a escrever para a mulher que se acostumou a chamar de "minha querida e amada irmã".

O Exército realiza uma operação punitiva desde 25 de agosto, quando o grupo rebelde Exército de Salvação Rohingya Arakan atacou vários postos policiais. As Nações Unidas estimam que o total de mortos passe de mil.

Suu Kyi, filha de Aung San, líder da independência da Birmânia do Império Britânico, em 1948, se tornou o maior símbolo da luta pela democracia contra uma ditadura militar que embruteceu e empobreceu o país desde 1962.

Em 1990, sua Liga Nacional pela Democracia obteve uma vitória eleitoral esmagadora. Os militares anularam o resultado e mantiveram Suu Kyi em prisão domiciliar durante 15 anos. Cinco anos depois de ser libertada, ele liderou a LND à vitória nas primeiras eleições, em 2015.

Desde então, proibida de governar o país por uma lei feita sob medida pela ditadura por ter sido casada com um estrangeiro (britânico), é o poder por trás do trono como Primeira Conselheira do Estado. Teve de fazer concessões os militares, que aparentemente continuam tendo carta branca para atacar as inúmeras minorias étnicas de Mianmar.

Pelo menos 13 grupos armados aderiram a um cessar-fogo, mas cinco continuam ativos. A situação do povo rohingya, muçulmano, massacrado e perseguido pelo Exército da maioria budista, é a mais trágica.

Acusada de omissão, Suu Kyi desqualificou as denúncias de violações dos direitos humanos como "desinformação" e chamou os rohingyas de "terroristas".

"Sou agora velho, decrépito e formalmente aposentado, mas quebro meu voto de permanecer em silêncio sobre questões públicas por causa de uma tristeza profunda", escreveu Tutu.

"Durante anos, tive uma fotografia sua na minha mesa para me lembrar da injustiça e do sacrifício que você suportou por causa de seu amor e compromisso com o povo de Mianmar. Você simbolizava a correção.

"Sua emergência na vida pública aliviou nossas preocupações sobre a violência perpetrada contra membros do povo rohingya. Mas o que alguns chamam de 'limpeza étnica' e outros de um 'genocídio lento' persistiu - e recentemente se acelerou.

"É incongruente para um símbolo da correção liderar um país assim", criticou o arcebispo sul-africano. "Se o preço político por sua ascensão aos mais altos cargos em Mianmar é o teu silêncio, é certamente um preço alto demais."

A mais jovem ganhadora do Nobel da Paz, a estudante paquistanesa Malafa Yousafzai, também fez um apelo a Suu Kyi: "Toda vez que vejo as notícias meu coração se parte. Nos últimos anos, condenei repetidamente esse tratamento trágico e vergonhoso. Ainda estou esperando que minha colega laureada com o Nobel Aung San Suu Kyi faça o mesmo."

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Arcebispo Tutu denuncia corrupção no governo da África do Sul

O arcebispo aposentado de Joanesburgo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984, acusou o governo da África do Sul de humilhar o povo com as obras de US$ 24 milhões na mansão do presidente Jacob Zuma em Nkandla, informou o sítio de notícias sul-africano News24.

"Quando o governo sul-africano negou visto a Sua Santidade o Dalai Lama para participar de uma Cúpula de Laureados do Prêmio Nobel na Cidade do Cabo no ano passado, eu os chamei de um banco de puxa-sacos", declarou em nota o bispo Tutu. "O desempenho do ministro da Polícia ao eximir o presidente de qualquer responsabilidade sobre os gastos Nkandla dão novo sentido à palavra."

Em 2014, o Escritório do Protetor Público, encarregado de investigar irregularidades da administração pública em todos os níveis do governo, concluiu que Zuma havia se "beneficiado indevidamente" com as obras em sua residência privada em Nkandla, que incluem um galinheiro, um curral para o gado, um anfiteatro e um centro para visitantes. Recomendou que o presidente devolvesse parte do dinheiro, 246 milhões de rands sul-africanos.

Na quinta-feira passada, o ministro da Polícia, Nkosinathi Nhleko, declarou que o inquérito concluiu que o presidente não precisa devolver nem um centavo do dinheiro público porque as obras serviram apenas para aumentar sua segurança como chefe de Estado.

Dentro desta lógica, a piscina da mansão seria apenas um reservatório de água a ser usada em caso de incêndio. A galinheiro e o curral manteriam os animais nos lugares apropriados, evitando que sua livre movimentação disparasse os alarmes de segurança.

O arcebispo ficou indignado com o chamado Nkandlagate: "Em vez de dar o bom exemplo, nossos representantes públicos estão humilhando a si mesmo, ao nosso país e ao nosso povo ao tentar defender o indefensável." Refutar as recomendações do Protetor Público, acrescenteu, "é especialmente ruim para o futuro da boa governança. É uma inconsciência gastar centenas de milhões de rands nas necessidades de segurança espúrias do presidente."

Tutu, um dos heróis na luta contra o regime segregacionista branco do apartheid, vê implicações de longo prazo na tolerância com a corrupção: "O poder do governo de manipular a Justiça tem um alto custo para sua reputação, nosso potencial de desenvolvimento e nossa duramente conquistada autoconfiança. Sinto uma tristeza profunda."

sábado, 13 de dezembro de 2014

Comissão da Verdade deveria ter ouvido os dois lados

Como toda guerra tem pelo menos dois lados, por mais meritório que tenha sido o trabalho da Comissão Nacional da Verdade, ficou incompleto ao ouvir um lado só, o das vítimas da ditadura militar que governou o país de 1964 a 1985. Minha opinião foi citada hoje na coluna de Merval Pereira, nO Globo. Então, gostaria de fazer alguns esclarecimentos.

Mesmo reconhecendo que o Estado Brasileiro cometeu muito mais crimes do que os grupos guerrilheiros que combateram a ditadura, o outro lado deveria ter sido ouvido. Como foi, a comissão perde legitimidade. Fica parecendo unilateral e revanchista, uma versão da história feita pelos hoje vitoriosos politicamente.

A verdadeira Comissão da Verdade e da Reconciliação Nacional foi a da África do Sul, onde todos os lados foram ouvidos, inclusive o presidente Nelson Mandela, que tinha comandado o braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA) na luta contra o regime segregacionista do apartheid. Mandela foi interrogado pelo arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984.

Para ter direito a anistia, quem cometeu crimes teve de confessá-los e de pedir perdão às vítimas e seus descendentes e à sociedade sul-africana.

Houve declarações como "eu acreditava que meu povo, minha cultura e modo de vida estavam ameaçados, por isso ataquei uma escola para crinas negras", ou "eu estava certo de que a libertação do meu povo exigia a morte dos brancos", seguidas de pedidos de desculpas.

No Brasil, com raríssimas exceções, ninguém pediu desculpas por nada. Ambos os lados ainda acreditam que estavam travando o bom combate. Os poucos militares que depuseram falaram com orgulho da "luta contra o comunismo".

A antiga esquerda armada está convencida de que tem a história na mão e de que chegou ao poder com o PT e a presidente e ex-guerrilheira Dilma Rousseff, e os ex-ministros guerrilheiros José Dirceu, José Genoino e Franklin Martins, os dois primeiros condenados por corrupção no Escândalo do Mensalão.

Ao receber o relatório final da comissão, a presidente declarou que os que lutaram pela democracia não deverão ser esquecidos jamais. Na verdade, como destacou o insuspeito professor Daniel Aarão Reis, da Universidade Federal Fluminense (UFF), um dos principais historiadores da luta armada, os guerrilheiros não lutavam pelo democracia, mas para impor uma ditadura marxista-leninista. Isso não absolve os crimes de terrorismo do Estado nem os crimes cometidos pelos guerrilheiros, estes totalmente ignorados pela Comissão da Verdade.

Um integrante da comissão alegou que os crimes cometidos pelos grupos armados de esquerda foram julgados. Se foram processados por tribunais militares ilegítimos, é natural que o povo brasileiro queira conhecer a verdade, as motivações dos guerrilheiros e as justificativas para matar civis inocentes pegos no fogo cruzado, como seguranças de bancos cujas famílias não têm direito a indenizações como vítimas da ditadura militar.

A comissão esclareceu casos escabrosos, como as mortess de Rubens Paiva ou de Stuart Angel Jones, longamente sonegada pelas Forças Armadas, e acertou ao responsabilizar pela primeira vez os generais-presidentes pelos crimes da ditadura militar. A tortura, o sequestro e o desaparecimento de pessoas foram políticas de Estado. São crimes contra a humanidade para os quais não haveria anistia por força de acordos internacionais de proteção aos direitos humanos assinados pelo Brasil.

Mas a revogação da Lei de Anistia, proposta no relatório final da comissão, terá de ser feita pelas autoridades eleitas através do Congresso Nacional, como aconteceu na Argentina, no Chile e no Uruguai. Não cabe à Justiça legislar.

Em resumo, o trabalho da comissão é meritório e elogiável ao resgatar a história e a memória de torturados e assassinados em masmorras clandestinas e instalações oficiais da Forças Armadas. Mas é parcial e incompleto, o que a torna uma comissão da meia-verdade.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ganhadores do Nobel pedem soltura de Liu Xiaobo

Em carta aberta ao presidente da China, Hu Jintao, ganhadores do Prêmio Nobel da Paz como o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, o líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama, e os ex-presidentes Jimmy Carter e Lech Walesa pedem a libertação do dissidente chinês Liu Xiaobo, premiado neste ano.

Liu está condenado a 11 anos de prisão por ter assinado o documento Carta 08, em dezembro de 2008, pedindo eleições democráticas, liberdade de expressão e respeito aos direitos humanos na China. Foi agraciado por sua luta pacífica contra o regime comunista chinês.