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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Maio

FUNDAÇÃO DE MONTREAL

    Em 1642, Paul de Chomodey, Senhor de Maisonneuve, funda a cidade de Montreal, hoje parte do Canadá froncófono.

A cidade ocupa três quartos da Ilha de Montreal, a maior das 234 ilhas do Arquipélago Hochelaga, um dos três próximos à confluência dos rios Ottawa e São Lourenço.

O lugar onde está é conhecido como Hochelaga pelo povo huron quando chega o explorador francês Jacques Cartier na sua segunda viagem ao Novo Mundo (1535-36). Mais de mil nativos o recebem ao pé da montanha que ele batiza como Mont Réal.

Mais de 50 anos passam até que os franceses voltem. Samuel de Champlain funda Quebec e pensa em criar um ponto do comércio de peles no que chama de Praça Real, mas seu sonho não se materializa.

Montreal não nasce como um entreposto do comércio de peles. É um centro missionário que seu fundador, Paul de Chomodey, batiza como Vila Maria. Ele constrói casas, uma capela, um hospital e outras estruturas.

Em 1644, o Rei Sol, Luís XIV, dá uma carta régia para Montreal e Chomodey se torna o primeiro governador.

A povoação está sob constante ameaça dos índios iroqueses, aliados do Império Britânico, até um tratado de paz de 1701. 

SUPREMA CORTE LEGITIMA SEGREGAÇÃO

    Em 1896, no caso Plessy x Ferguson, a Suprema Corte dos Estados Unidos legitima a segregação racial com uma doutrina chamada de "separados, mas iguais".

A ação questiona a cláusula da 14ª Emenda à Constituição, aprovada no período da Restauração depois da Guerra da Secessão (1861-65), que garante "proteção igual perante a lei" a qualquer pessoa em qualquer lugar.

O caso é um desafio à Lei dos Vagões Separados do estado da Louisiana, que obriga da companhias ferroviárias a oferecer "acomodações iguais mas separadas" para pretos e brancos. 

Homer Plessy, que tem muito mais antepassados brancos do que pretos, compra uma passagem no vagão dos brancos. Quando se nega a ir para o vagão dos pretos, é preso.

No julgamento em primeira instância, o juiz John Ferguson rejeita a alegação de que a lei é inconstitucional e o caso vai até a Suprema Corte.

A decisão sanciona a segregação ao pressupor que os serviços e as instalações oferecidas ao negros são iguais às dos brancos. Vira jurisprudência até ser derrubada em 17 de maio de 1954 pelo caso Brown x Conselho de Educação de Topeka, que proíbe a segregação racial nas escolas. 

CONFERÊNCIA DE HAIA

    Em 1899, começa a Primeira Conferência Internacional de Haia, na Holanda, um passo rumo à formação das organizações internacionais de caráter universal dedicadas à paz mundial.

A conferência é convocada pelo ministro do Exterior da Rússia, Mikhail Nikolaievich Muraviov, durante o reinado de Nicolau II (1894-1917), que propõe três questões:

  1.  limitar a expansão das Forças Armadas e o uso de novas armas;
  2. aplicar os princípios da Convenção de Genebra de 1864 à guerra naval;
  3. e revisar a Declaração de Bruxelas de 1874 sobre as leis e os costumes da guerra em terra.
Até 29 de julho, os representantes de 26 países debatem a paz mundial em Haia. O Brasil não participa. Da América, só vão os Estados Unidos e o México.

A Primeira Convenção de Haia é um conjunto de três tratados internacionais, a Convenção para a Solução Pacífica de Disputas Internacionais, que cria o Tribunal Permanente de Arbitragem;, a Convenção sobre as Leis e os Costumes da Guerra em Terra; e a Convenção para Adaptação da Guerra Naval aos Princípios da Convenção de Genebra de 22 de agosto de 1864.

A Segunda Conferência de Haia é proposta pelo presidente norte-americano Theodore Roosevelt e convocada pelo czar Nicolau II, da Rússia, e realizada de 15 de junho a 18 de outubro de 1907. Participam 44 países, inclusive o Brasil, representado por Rui Barbosa, que faz um discurso brilhante. Mais uma vez, a limitação de armas de guerra é rejeitada.

Uma terceira conferência seria realizada em 1914. É adiada para 1915 e suspensa com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Depois da guerra, a Conferência de Paz de Versalhes (1919) cria a Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, que fracassa ao não evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e é substituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).

BOMBA ATÔMICA INDIANA

    Em 1974, na Operação Buda Sorridente ou Krishna Feliz, a Índia testa no deserto do Rajastão sua primeira bomba atômica e chama de "explosão nuclear pacífica". É o sexto país a fabricar armas nucleares.

O programa nuclear da Índia começa em 1944, antes da independência. A perda de território numa breve greve de fronteira com a China nas montanhas do Himalaia, em 1962, leva à decisão de desenvolver armas nucleares. A explosão usa plutônio produzido no reator canadense CIRUS.

A Índia assume abertamente o status de potência nuclear com uma série de cinco explosões realizadas de 11 a 13 de maio de 1998. O arqui-inimigo Paquistão, que tinha a bomba secretamente desde 1975, responde com cinco explosões em 28 de maio. Hoje estima-se que cada um tenha cerca de 170 ogivas nucleares.

MOVIMENTO PELA DEMOCRACIA NA CHINA

    Em 1989, um milhão de pessoas marcham pelas ruas de Beijim num movimento pela liberdade e a democracia para liberalizar o regime comunista da China. A revolta é esmagada no Massacre na Praça da Paz Celestial na noite de 3 para 4 de junho.

As reformas anunciadas pelo líder Deng Xiaoping em 13 de dezembro de 1978 abrem a economia e liberalizaram o regime depois do longo trauma da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

O movimento iniciado por estudantes sai às ruas em 15 de abril, quando morre o ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang (1981-87), um grande responsável pelas reformas políticas e econômicas sob a liderança de Deng, favorável a liberalizar o regime.

Quando o movimento cresce, apresenta suas demandas:

  1. Reconhecer como corretas as visões de Hu Yaobang sobre democracia e liberdade.
  2. Admitir que as campanhas contra a "poluição espiritual" e a "liberalização burguesa" são erradas.
  3. Publicar informações sobre a renda dos altos dirigentes e de suas famílias.
  4. Acabar com a censura e autorizar a publicação de jornais de grupos privados.
  5. Mais dinheiro para a educação e aumento dos salários dos intelectuais.
  6. Fim das restrições a manifestações em Beijim.
  7. Fazer uma cobertura objetiva do movimento estudantil na mídia oficial.

O então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, defende o diálogo com os estudantes, enquanto o primeiro-ministro linha-dura Li Peng exige uma condenação oficial das manifestações. Quando Zhao viaja à Coreia do Norte, em 23 de abril, Li toma a iniciativa.

Em 25 de abril, o primeiro-ministro e o presidente Yang Shangkun se reúnem na casa de Deng, que aprova a linha dura. No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do PC, publica editorial de primeira página de lavra de Li sob o título: "É preciso adotar uma posição clara contra os distúrbios". Descreve o movimento como contra o partido e contra o governo.

Com a volta de Zhao, o governo retoma a tolerância. Em 13 de maio, dois dias antes do início de uma visita do líder soviético Mikhail Gorbachev, os estudantes começam uma greve de fome. Quando Zhao diz a Gorbachev que o líder supremo é Deng, este toma como uma tentativa de lhe atribuir toda a responsabilidade pela revolta dos estudantes.

Numa reunião do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central na casa de Deng, em 17 de maio, a alta cúpula do regime comunista chinês decide decretar lei marcial e convocar o Exército para tomar a capital. 

No dia 18, quando um milhão saem às ruas da capital, Li encontra os estudantes numa reunião marcada pela confrontação, sem qualquer avanço. Diante das câmeras, o primeiro-ministro mostra mais preocupação com a saúde dos estudantes em greve de fome.

A última aparição de Zhao é na madrugada do dia 19, quando ele fala com os estudantes ao lado de Wen Jiabao, que seria primeiro-ministro de Hu Jintao (2003-13). À noite, numa reunião da alta cúpula, Deng declara ter se arrependido de nomear Hu e Zhao para a liderança do partido. Zhao cai e passa o resto da vida em prisão domiciliar.

Em 20 de maio, o governo decreta lei marcial e convoca 30 divisões, num total de 250 mil soldados, para ocupar Beijim. Em 3 de junho, autoriza a ação para retirar os estudantes acampados na praça central da capital centenas. O total de mortes é estimado entre centenas e 10 mil.

As reformas políticas são enterradas definitivamente. A ascensão de Xi Jinping, em 2012, torna a ditadura mais personalista e contrária a qualquer dissidência. A liberdade acadêmica daquele período não existe mais. 

Com a imposição de uma Lei de Segurança Nacional, o fim da autonomia regional e das liberdades democráticas em Hong Kong, todos os livros e publicações sobre o movimento pela liberdade e democracia, que era lembrado com vigílias no território, desaparecem das livrarias e bibliotecas.

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domingo, 17 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Maio

NAPOLEÃO TOMA O VATICANO

    Em 1809, o imperador Napoleão I incorpora os Estados Pontifícios ao Império da França.

Napoleão Bonaparte manda Pio VII o coroar imperador em 2 de dezembro de 1804. Este papa também contraria o general ao não anular o casamento de Jerônimo Bonaparte, casado com uma protestante filha de empresários da América do Norte.

Sem maior justificativa, Napoleão manda o general Miollis tomar Roma em seu nome e declara: "Sendo eu imperador de Roma, exijo a devolução do Estado eclesiástico, doação de Carlos Magno. Declaro findo o Império dos Papas."

GRANDE INTÉRPRETE DE WAGNER

Èm 1918, nasce em Västra Karup, na Suécia, Birgit Nilsson, uma soprano de voz poderosa e viva, famosa por interpretações de Wagner.

A conselho do chefe do coral local, Märta Birgit Svensson vai para Estocolmo, onde entra para a Ópera Real e estreia em 1946. Um ano depois, faz sucesso na ópera Lady Macbeth, de Giuseppe Verdi.

Depois de ser aclamada em Viena, Birgit estreia em Covent Garden, em Londres, em 1957, como Brünnhilde, personagem de Wagner. No ano seguinte, faz o papel principal em Turandot, de Giacomo Puccini. Sua primeira apresentação em Nova York, na Ópera Metropolitana, é como Isolda em 1959.

Depois de uma longa carreira de sucesso, ela se aposenta em 1984 e cria uma fundação que em 2009 dá o primeiro Prêmio Birgit Nilsson de música clássica para o tenor Plácido Domingo. Ela morre em 25 de dezembro de 2005 em Västra Karup, a cidade onde nasceu.

FIM DA SEGREGAÇÃO NAS ESCOLAS

    Em 1954, a Suprema Corte dos Estados Unidos considera inconstitucional a segregação racial nas escolas públicas.

No caso Brown v. Conselho de Educação de Topeka, no estado do Kansas, Linda Brown, uma menina negra reclama por não conseguir se matricular numa escola do ensino fundamental por causa da cor da pele.

O supremo tribunal norte-americano derruba na prática uma decisão de 1896. No caso Plessy v. Ferguson, a Suprema Corte considera que acomodações "separadas, mas iguais" em trens estão de acordo com a 14ª Emenda à Constituição dos EUA, que garante proteção igual perante a lei. Esta decisão serve de base durante décadas para a segregação em espaços públicos, inclusive em escolas.

A escola para brancos onde Linda Brown quer se matricular é muito melhor que a escola para negros mais próxima e fica quilômetros mais perto de sua casa. A Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP) abraça a causa. Em 1954, o caso chega à Suprema Corte.

O advogado da NAACP é Thurgood Marshall, que seria o primeiro ministro negro da Suprema Corte. Em nome da maioria, o presidente do tribunal, Earl Warren, escreve que "separado, mas igual" era inconstitucional não apenas no caso de Linda Brown, mas em todos os casos porque a segregação institucional deixa uma marca de inferioridade nos estudantes negros.

Um ano depois, a Corte estabelece as diretrizes para que as escolas promovam a inclusão educacional com a maior rapidez possível.

GOLPE NA COREIA

    Em 1980, o general Chun Doo-Hwan dá um golpe e força o Conselho de Ministros a estender a lei marcial a toda a Coreia do Sul para conter a luta do movimento estudantil contra a ditadura militar.

A lei marcial fecha universidades, proíbe atividades políticas e reduz ainda mais a liberdade de imprensa. Para impor a lei marcial, o regime envia soldados para várias regiões do país.

No mesmo dia, a agência de inteligência KCIA, criada na Guerra Fria no modelo da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), invade uma conferência nacional de líderes estudantis de 55 universidades. Cerca de 2.700 pessoas são presas, inclusive 26 políticos.

Em 18 de maio, a cidade de Gwangju se rebela contra a ditadura de Chun. Os cidadãos pegam em armas roubadas da polícia ou de arsenais, mas são esmagados pelo Exército da Coreia do Sul. Cerca de 600 pessoas morrem no Massacre de Gwangju.

Chun Doo-Hwan e Roh Tae-Woo mandam o Exército fechar a Assembleia Nacional em 20 de maio. Ambos são condenados, Roh à prisão e Chun à morte, mas as penas são comutadas e os dois são libertados pelo então presidente Kim Young-Sam a pedido do então presidente eleito Kim Dae-Jung, que havia sido condenado à morte pela ditadura militar.

CASAMENTO GAY

    Em 2004, Massachusetts se torna o primeiro estado dos Estados Unidos a legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Durante séculos, as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexto são reprimidas, consideradas crime e desordem mental.

No início do século 21, os países que ainda criminalizam essas relações são sociedades conservadoras, principalmente teocracias islâmicas e alguns países da África e da Ásia, muitos sob leis da era do colonialismo europeu.

Em 1989, a Dinamarca se torna o primeiro país a legalizar o registro civil da união de pessoas do mesmo sexo; o casamento gay é legalizado em 2012. A chamada união civil passa a ser legal na Noruega (1993), na Suécia (1995), na Islândia (1996), na Holanda (1998), no Reino Unido (2005) e na Irlanda (2011).

O Canadá (2005) é o primeiro país de fora da Europa a legalizar o casamento gay, seguido pela África do Sul (2006), Argentina (2010) e Nova Zelândia (2013). No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (2011) reconhece a constitucionalidade.

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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 10 de Outubro

CARLOS MARTEL CONTÉM INVASÃO MUÇULMANA

     Em 732, na Batalha de Tours, perto de Poitiers, na França, Carlos Martel derrota o exército árabe que invadira e tomara a Península Ibérica a partir de 711, parando a expansão muçulmana na Europa, onde os árabes criam o Império Al-Andaluz no que os mouros chamavam de "terra dos vândalos", referência às tribos germânicas que tomaram o continente depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476.

O governador muçulmano de Córdoba, Abd-ar-Rahman, morre em combate e as forças árabes recuam.

A vitória de Carlos Martel leva ao início da dinastia carolíngia, com seu filho Pepin. Seu neto, Carlos Magno, é coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico pela papa Leão III no Natal do ano 800.

Os muçulmanos são expulsos da Península Ibérica depois da tomada de Granada, em 2 de janeiro de  1492, pelos reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Portugal e a Espanha são frutos da Reconquista.

MENORES EXECUTADOS EM AUSCHWITZ

    Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista executa 800 romenos menores de idade, inclusive mais de 100 com idades de 9 a 14 anos, no campo de concentração e centro de extermínio de Auschwitz, na Polônia.

Auschwitz, Oswiecim em polonês, fica num importante entroncamento ferroviário da Europa Oriental. Em 27 de abril de 1940, Heinrich Himmler, o comandante da SS, a organização paramilitar que era a tropa de choque do regime nazista, decide transformar um quartel do Exercito da Polônia em campo de concentração.

Dos 11 milhões de mortos no Holocausto, estima-se que 1,5 milhão morreram em Auschwitz-Birkenau, uma rede de campos de concentração. Dos 6 milhões de judeus mortos no Holocausto, 1,1 milhão teriam morrido em Auschwitz-Birkenau.

Depois dos judeus, os ciganos são o povo mais sacrificado pelos nazistas. Cerca de 1,5 milhão de ciganos morreram no Holocausto. Também morrem socialistas, comunistas, negros, homossexuais, deficientes e dissidentes políticos.

No ambiente mais opressivo e aterrorizante criado pelo homem, com o melhor da ciência e requintes de crueldade nunca vistos, há uma revolta em 7 de outubro de 1944. Centenas de prisioneiros judeus que carregam os corpos da câmara de gás para os fornos crematórios detonam explosivos trazidos por mulheres judias que trabalham numa fábrica de armamentos próxima.

Cerca 450 prisioneiros participam da rebelião e 250 conseguem fugir. Todos são capturados e executados, assim como cinco mulheres da fábrica de armas, não antes de serem torturadas para confessar detalhes, especialmente como conseguiram contrabandear explosivos para dentro do campo. Nenhuma das mulheres falou.

A execução em massa das crianças romenas e ciganas é parte da vingança nazista contra a revolta.

EUA PEDEM DESCULPAS A MINISTRO AFRICANO

    Em 1957, o presidente Dwight Eisenhower pede desculpas em nome do governo dos Estados Unidos ao ministro das Finanças de Gana, Komla Agbeli Gbedemah, que não é atendido num restaurante na cidade de Dover, no estado de Delaware, por causa da segregação racial.

É um dos muitos incidentes com autoridades e diplomatas africanos durante a segregação racial nos EUA, que só acaba nos anos 1960. O racismo estrutural e a discriminação persistem até hoje. 

VICE DE NIXON RENUNCIA

    Em 1973, um ano antes da renúncia do presidente Richard Nixon por causa do Escândalo da Watergate, Spiro Agnew cai em desgraça por corrupção e se torna o primeiro vice-presidente da história dos Estados Unidos a renunciar.

As duas denúncias levaram à Casa Branca o presidente da Câmara dos Representantes, Gerald Ford, o único ocupante da Casa Branca não eleito para presidente nem vice-presidente.

No mesmo dia, Agnew admite a culpa numa acusação de evasão fiscal em troca da retirada de acusações de corrupção quando era governador do estado de Maryland. É condenado a três anos com direito a liberdade condicional e multa de US$ 10 mil.

RESGATE DO ACHILLE LAURO

    Em 1985, aviões de caça F-14 da Marinha dos Estados Unidos interceptam um avião de passageiros do Egito que levava quatro terroristas palestinos que haviam sequestrado o navio de cruzeiro italiano Achille Lauro e o obrigam a pousar numa base aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Sigonella, na Sicília.

Os quatro terroristas Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), um grupo dissidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), tomam em 7 de outubro o navio com cerca de 80 passageiros e 320 tripulantes a bordo para exigir a libertação de 50 palestinos presos em Israel. Ameaçam explodir o navio e matar os 11 norte-americanos a bordo.

No dia seguinte, o navio chega ao porto de Tartus, na Síria, que se nega a recebê-los. Para aumentar a pressão, os terroristas matam o judeu norte-americano Leon Klinghoffer, de 69 anos, que andava em cadeira de rodas. Jogam o corpo e a cadeira no mar.

O presidente da OLP, Yasser Arafat, condena o sequestro e a OLP se junta às autoridades egípcias para negociar a crise. O Achille Lauro vai então para Porto Said, no Egito, onde os sequestradores entregam os reféns e se rendem em troca de livre passagem para um destino ignorado. Eles embarcam num Boeing 737 da Egypt Air com destino à Tunísia, mas o avião não recebe autorização de pouco e é localizado pelos caças norte-americanos a cerca de 130 quilômetros ao sul da ilha grega de Creta.

Em 10 de julho de 1986, a Justiça da Itália condena três terroristas a penas de 15 a 30 anos de cadeia. O outro, menor de idade, é julgado separadamente. Também é condenado, mas tem direito a liberdade condicional em 1991.

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domingo, 18 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Maio

FUNDAÇÃO DE MONTREAL

    Em 1642, Paul de Chomodey, Senhor de Maisonneuve, funda a cidade de Montreal, hoje parte do Canadá froncófono.

A cidade ocupa três quartos da Ilha de Montreal, a maior das 234 ilhas do Arquipélago Hochelaga, um dos três próximos à confluência dos rios Ottawa e São Lourenço.

O lugar onde está é conhecido como Hochelaga pelo povo huron quando chega o explorador francês Jacques Cartier na sua segunda viagem ao Novo Mundo (1535-36). Mais de mil nativos o recebem ao pé da montanha que ele batiza como Mont Réal.

Mais de 50 anos passam até que os franceses voltem. Samuel de Champlain funda Quebec e pensa em criar um ponto do comércio de peles no que chama de Praça Real, mas seu sonho não se materializa.

Montreal não nasce como um entreposto do comércio de peles. É um centro missionário que seu fundador, Paul de Chomodey, batiza como Vila Maria. Ele constrói casas, uma capela, um hospital e outras estruturas.

Em 1644, o Rei Sol, Luís XIV, dá uma carta régia para Montreal e Chomodey se torna o primeiro governador.

A povoação está sob constante ameaça dos índios iroqueses, aliados do Império Britânico, até um tratado de paz de 1701. 

SUPREMA CORTE LEGITIMA SEGREGAÇÃO

    Em 1896, no caso Plessy x Ferguson, a Suprema Corte dos Estados Unidos legitima a segregação racial com uma doutrina chamada de "separados, mas iguais".

A ação questiona a cláusula da 14ª Emenda à Constituição, aprovada no período da Restauração depois da Guerra da Secessão (1861-65), que garante "proteção igual perante a lei" a qualquer pessoa em qualquer lugar.

O caso é um desafio à Lei dos Vagões Separados do estado da Louisiana, que obriga da companhias ferroviárias a oferecer "acomodações iguais mas separadas" para pretos e brancos. 

Homer Plessy, que tem muito mais antepassados brancos do que pretos, compra uma passagem no vagão dos brancos. Quando se nega a ir para o vagão dos pretos, é preso.

No julgamento em primeira instância, o juiz John Ferguson rejeita a alegação de que a lei é inconstitucional e o caso vai até a Suprema Corte.

A decisão sanciona a segregação ao pressupor que os serviços e as instalações oferecidas ao negros são iguais às dos brancos. Vira jurisprudência até ser derrubada em 17 de maio de 1954 pelo caso Brown x Conselho de Educação de Topeka, que proíbe a segregação racial nas escolas. 

CONFERÊNCIA DE HAIA

    Em 1899, começa a Primeira Conferência Internacional de Haia, na Holanda, um passo rumo à formação das organizações internacionais de caráter universal dedicadas à paz mundial.

A conferência é convocada pelo ministro do Exterior da Rússia, Mikhail Nikolaievich Muraviov, durante o reinado de Nicolau II (1894-1917), que propõe três questões:

  1.  limitar a expansão das Forças Armadas e o uso de novas armas;
  2. aplicação dos princípios da Convenção de Genebra de 1864 à guerra naval;
  3. e a revisão da Declaração de Bruxelas de 1874 sobre as leis e os costumes da guerra em terra.
Até 29 de julho, os representantes de 26 países debatem a paz mundial em Haia. O Brasil não participa. Da América, só vão os Estados Unidos e o México.

A Primeira Convenção de Haia é um conjunto de três tratados internacionais, a Convenção para a Solução Pacífica de Disputas Internacionais, que cria o Tribunal Permanente de Arbitragem;, a Convenção sobre as Leis e os Costumes da Guerra em Terra; e a Convenção para Adaptação da Guerra Naval aos Princípios da Convenção de Genebra de 22 de agosto de 1864.

A Segunda Conferência de Haia é proposta pelo presidente norte-americano Theodore Roosevelt e convocada pelo czar Nicolau II, da Rússia, e realizada de 15 de junho a 18 de outubro de 1907. Participam 44 países, inclusive o Brasil, representado por Rui Barbosa, que faz um discurso brilhante. Mais uma vez, a limitação de armas de guerra é rejeitada.

Uma terceira conferência seria realizada em 1914. É adiada para 1915 e suspensa com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Depois da guerra, a Conferência de Paz de Versalhes (1919) cria a Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, que fracassa ao não evitar a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e é substituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).

BOMBA ATÔMICA INDIANA

    Em 1974, na Operação Buda Sorridente ou Krishna Feliz, a Índia testa no deserto do Rajastão sua primeira bomba atômica e chama de "explosão nuclear pacífica". É o sexto país a fabricar armas nucleares.

O programa nuclear da Índia começa em 1944, antes da independência. A perda de território numa breve greve de fronteira com a China nas montanhas do Himalaia, em 1962, levou à decisão de desenvolver armas nucleares. A explosão usa plutônio produzido no reator canadense CIRUS.

A Índia assume abertamente o status de potência nuclear com uma série de cinco explosões realizadas de 11 a 13 de maio de 1998. O arqui-inimigo Paquistão, que tinha a bomba secretamente desde 1975, responde com cinco explosões em 28 de maio. Hoje estima-se que cada um tenha 170 ogivas nucleares.

MOVIMENTO PELA DEMOCRACIA NA CHINA

    Em 1989, um milhão de pessoas marcham pelas ruas de Beijim num movimento pela liberdade e a democracia para liberalizar o regime comunista da China. A revolta é esmagada no Massacre na Praça da Paz Celestial na noite de 3 para 4 de junho.

As reformas anunciadas pelo líder Deng Xiaoping em 13 de dezembro de 1978 abrem a economia e liberalizaram o regime depois do longo trauma que foi a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

O movimento iniciado por estudantes sai às ruas em 15 de abril, quando morre o ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang (1981-87), um grande responsável pelas reformas políticas e econômicas sob a liderança de Deng, favorável a liberalizar o regime.

Quando o movimento cresce, apresenta suas demandas:

  1. Reconhecer como corretas as visões de Hu Yaobang sobre democracia e liberdade.
  2. Admitir que as campanhas contra a "poluição espiritual" e a "liberalização burguesa" são erradas.
  3. Publicar informações sobre a renda dos altos dirigentes e de suas famílias.
  4. Acabar com a censura e autorizar a publicação de jornais de grupos privados.
  5. Mais dinheiro para a educação e aumento dos salários dos intelectuais.
  6. Fim das restrições a manifestações em Beijim.
  7. Fazer uma cobertura objetiva do movimento estudantil na mídia oficial.

O então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, defende o diálogo com os estudantes, enquanto o primeiro-ministro linha-dura Li Peng exige uma condenação oficial das manifestações. Quando Zhao viaja à Coreia do Norte, em 23 de abril, Li toma a iniciativa.

Em 25 de abril, o primeiro-ministro e o presidente Yang Shangkun se reúnem na casa de Deng, que aprova a linha dura. No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do PC, publica editorial de primeira página de lavra de Li sob o título: "É preciso adotar uma posição clara contra os distúrbios". Descreve o movimento como contra o partido e contra o governo.

Com a volta de Zhao, o governo retoma a tolerância. Em 13 de maio, dois dias antes do início de uma visita do líder soviético Mikhail Gorbachev, os estudantes começam uma greve de fome. Quando Zhao diz a Gorbachev que o líder supremo é Deng, este toma como uma tentativa de lhe atribuir toda a responsabilidade pela revolta dos estudantes.

Numa reunião do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central na casa de Deng, em 17 de maio, a alta cúpula do regime comunista chinês decide decretar lei marcial e convocar o Exército para tomar a capital. 

No dia 18, quando um milhão saem às ruas da capital, Li encontra os estudantes numa reunião marcada pela confrontação, sem qualquer avanço. Diante das câmeras, o primeiro-ministro mostra mais preocupação com a saúde dos estudantes em greve de fome.

A última aparição de Zhao é na madrugada do dia 19, quando ele fala com os estudantes ao lado de Wen Jiabao, que seria primeiro-ministro de Hu Jintao (2003-13). À noite, numa reunião da alta cúpula, Deng declara ter se arrependido de nomear Hu e Zhao para a liderança do partido. Zhao cai e passa o resto da vida em prisão domiciliar.

Em 20 de maio, o governo decreta lei marcial e convoca 30 divisões, num total de 250 mil soldados, para ocupar Beijim. Em 3 de junho, autoriza a ação para retirar os estudantes acampados na praça central da capital centenas. O total de mortes é estimado entre centenas e 10 mil.

As reformas políticas são enterradas definitivamente. A ascensão de Xi Jinping, em 2012, torna a ditadura mais personalista e contrária a qualquer dissidência. A liberdade acadêmica daquele período não existe mais. 

Com a imposição de uma Lei de Segurança Nacional, o fim da autonomia regional e das liberdades democráticas em Hong Kong, todos os livros e publicações sobre o movimento pela liberdade e democracia, que era lembrado com vigílias no território, desaparecem das livrarias e bibliotecas. 

sábado, 17 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Maio

 NAPOLEÃO TOMA O VATICANO

    Em 1809, o imperador Napoleão I incorpora os Estados Pontifícios ao Império da França.

Napoleão Bonaparte manda Pio VII o coroar imperador em 2 de dezembro de 1804. Este papa também contraria o general ao não anular o casamento de Jerônimo Bonaparte, casado com uma protestante filha de empresários da América do Norte.

Sem maior justificativa, Napoleão manda o general Miollis tomar Roma em seu nome e declara: "Sendo eu imperador de Roma, exijo a devolução do Estado eclesiástico, doação de Carlos Magno. Declaro findo o Império dos Papas."

GRANDE INTÉRPRETE DE WAGNER

Èm 1918, nasce em Västra Karup, na Suécia, Birgit Nilsson, uma soprano de voz poderosa e viva, famosa por interpretações de Wagner.

A conselho do chefe do coral local, Märta Birgit Svensson vai para Estocolmo, onde entra para a Ópera Real e estreia em 1946. Um ano depois, faz sucesso na ópera Lady Macbeth, de Giuseppe Verdi.

Depois de ser aclamada em Viena, Birgit estreia em Covent Garden, em Londres, em 1957, como Brünnhilde, personagem de Wagner. No ano seguinte, faz o papel principal em Turandot, de Giacomo Puccini. Sua primeira apresentação em Nova York, na Ópera Metropolitana, é como Isolda em 1959.

Depois de uma longa carreira de sucesso, ela se aposenta em 1984 e cria uma fundação que em 2009 dá o primeiro Prêmio Birgit Nilsson de música clássica para o tenor Plácido Domingo. Ela morre em 25 de dezembro de 2005 em Västra Karup, a cidade onde nasceu.

FIM DA SEGREGAÇÃO NAS ESCOLAS

    Em 1954, a Suprema Corte dos Estados Unidos considera inconstitucional a segregação racial nas escolas públicas.

No caso Brown v. Conselho de Educação de Topeka, no estado do Kansas, Linda Brown, uma menina negra reclama por não conseguir se matricular numa escola do ensino fundamental por causa da cor da pele.

O supremo tribunal norte-americano derruba na prática uma decisão de 1896. No caso Plessy v. Ferguson, a Suprema Corte considera que acomodações "separadas, mas iguais" em trens estão de acordo com a 14ª Emenda à Constituição dos EUA, que garante proteção igual perante a lei. Esta decisão serve de base durante décadas para a segregação em espaços públicos, inclusive em escolas.

A escola para brancos onde Linda Brown quer se matricular é muito melhor que a escola para negros mais próxima e fica quilômetros mais perto de sua casa. A Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP) abraça a causa. Em 1954, o caso chega à Suprema Corte.

O advogado da NAACP é Thurgood Marshall, que seria o primeiro ministro negro da Suprema Corte. Em nome da maioria, o presidente do tribunal, Earl Warren, escreve que "separado, mas igual" era inconstitucional não apenas no caso de Linda Brown, mas em todos os casos porque a segregação institucional deixa uma marca de inferioridade nos estudantes negros.

Um ano depois, a Corte estabelece as diretrizes para que as escolas promovam a inclusão educacional com a maior rapidez possível.

GOLPE NA COREIA

    Em 1980, o general Chun Doo-Hwan dá um golpe e força o Conselho de Ministros a estender a lei marcial a toda a Coreia do Sul para conter a luta do movimento estudantil contra a ditadura militar.

A lei marcial fecha universidades, proíbe atividades políticas e reduz ainda mais a liberdade de imprensa. Para impor a lei marcial, o regime envia soldados para várias regiões do país.

No mesmo dia, a agência de inteligência KCIA, criada na Guerra Fria no modelo da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), invade uma conferência nacional de líderes estudantis de 55 universidades. Cerca de 2.700 pessoas são presas, inclusive 26 políticos.

Em 18 de maio, a cidade de Gwangju se rebela contra a ditadura de Chun. Os cidadãos pegam em armas roubadas da polícia ou de arsenais, mas são esmagados pelo Exército da Coreia do Sul. Cerca de 600 pessoas morrem no Massacre de Gwangju.

Chun Doo-Hwan e Roh Tae-Woo mandam o Exército fechar a Assembleia Nacional em 20 de maio. Ambos são condenados, Roh à prisão e Chun à morte, mas as penas são comutadas e os dois são libertados pelo então presidente Kim Young-Sam a pedido do então presidente eleito Kim Dae-Jung, que havia sido condenado à morte pela ditadura militar.

CASAMENTO GAY

    Em 2004, Massachusetts se torna o primeiro estado dos Estados Unidos a legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Durante séculos, as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexto são reprimidas, consideradas crime e desordem mental.

No início do século 21, os países que ainda criminalizam essas relações são sociedades conservadoras, principalmente teocracias islâmicas e alguns países da África e da Ásia, muitos sob leis da era do colonialismo europeu.

Em 1989, a Dinamarca se torna o primeiro país a legalizar o registro civil da união de pessoas do mesmo sexo; o casamento gay é legalizado em 2012. A chamada união civil passa a ser legal na Noruega (1993), na Suécia (1995), na Islândia (1996), na Holanda (1998), no Reino Unido (2005) e na Irlanda (2011).

O Canadá (2005) é o primeiro país de fora da Europa a legalizar o casamento gay, seguido pela África do Sul (2006), Argentina (2010) e Nova Zelândia (2013). No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (2011) reconhece a constitucionalidade.

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 10 de Outubro

 MARTEL CONTÉM EXPANSÃO MUÇULMANA

    Em 732, na Batalha de Tours, perto de Poitiers, na França, Carlos Martel derrota o exército árabe que invadira e tomara a Península Ibérica a partir de 711, parando a expansão muçulmana na Europa, onde os árabes criam o Império Al-Andaluz no que os mouros chamavam de "terra dos vândalos", referência às tribos germânicas que tomaram o continente depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476.

O governador muçulmano de Córdoba, Abd-ar-Rahman, morre em combate e as forças árabes recuam.

A vitória de Carlos Martel leva ao início da dinastia carolíngia, com seu filho Pepin. Seu neto, Carlos Magno, é coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico pela papa Leão III no Natal do ano 800.

Os muçulmanos são expulsos da Península Ibérica depois da tomada de Granada, em 2 de janeiro de  1492, pelos reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Portugal e a Espanha são frutos da Reconquista.

MENORES EXECUTADOS EM AUSCHWITZ

    Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista executa 800 romenos menores de idade, inclusive mais de 100 com idades de 9 a 14 anos, no campo de concentração e centro de extermínio de Auschwitz, na Polônia.

Auschwitz, Oswiecim em polonês, fica num importante entroncamento ferroviário da Europa Oriental. Em 27 de abril de 1940, Heinrich Himmler, o comandante da SS, a organização paramilitar que era a tropa de choque do regime nazista, decide transformar um quartel do Exercito da Polônia em campo de concentração.

Dos 11 milhões de mortos no Holocausto, estima-se que 1,5 milhão morreram em Auschwitz-Birkenau, uma rede de campos de concentração. Dos 6 milhões de judeus mortos no Holocausto, 1,1 milhão teriam morrido em Auschwitz-Birkenau.

Depois dos judeus, os ciganos são o povo mais sacrificado pelos nazistas. Cerca de 1,5 milhão de ciganos morreram no Holocausto. Também morrem socialistas, comunistas, negros, homossexuais, deficientes e dissidentes políticos.

No ambiente mais opressivo e aterrorizante criado pelo homem, com o melhor da ciência e requintes de crueldade nunca vistos, há uma revolta em 7 de outubro de 1944. Centenas de prisioneiros judeus que carregam os corpos da câmara de gás para os fornos crematórios detonam explosivos trazidos por mulheres judias que trabalham numa fábrica de armamentos próxima.

Cerca 450 prisioneiros participam da rebelião e 250 conseguem fugir. Todos são capturados e executados, assim como cinco mulheres da fábrica de armas, não antes de serem torturadas para confessar detalhes, especialmente como conseguiram contrabandear explosivos para dentro do campo. Nenhuma das mulheres falou.

A execução em massa das crianças romenas e ciganas é parte da vingança nazista contra a revolta.

EUA PEDEM DESCULPAS A MINISTRO AFRICANO

    Em 1957, o presidente Dwight Eisenhower pede desculpas em nome do governo dos Estados Unidos ao ministro das Finanças de Gana, Komla Agbeli Gbedemah, que não é atendido num restaurante na cidade de Dover, no estado de Delaware, por causa da segregação racial.

É um dos muitos incidentes com autoridades e diplomatas africanos durante a segregação racial nos EUA, que só acaba nos anos 1960. O racismo estrutural e a discriminação persistem até hoje. 

VICE DE NIXON RENUNCIA

    Em 1973, um ano antes da renúncia do presidente Richard Nixon por causa do Escândalo da Watergate, Spiro Agnew cai em desgraça por corrupção e se torna o primeiro vice-presidente da história dos Estados Unidos a renunciar.

As duas denúncias levaram à Casa Branca o presidente da Câmara dos Representantes, Gerald Ford, o único ocupante da Casa Branca não eleito para presidente nem vice-presidente.

No mesmo dia, Agnew admite a culpa numa acusação de evasão fiscal em troca da retirada de acusações de corrupção quando era governador do estado de Maryland. É condenado a três anos com direito a liberdade condicional e multa de US$ 10 mil.

RESGATE DO ACHILLE LAURO

    Em 1985, aviões de caça F-14 da Marinha dos Estados Unidos interceptam um avião de passageiros do Egito que levava quatro terroristas palestinos que haviam sequestrado o navio de cruzeiro italiano Achille Lauro e o obrigam a pousar numa base aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Sigonella, na Sicília.

Os quatro terroristas Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), um grupo dissidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), tomam em 7 de outubro o navio com cerca de 80 passageiros e 320 tripulantes a bordo para exigir a libertação de 50 palestinos presos em Israel. Ameaçam explodir o navio e matar os 11 norte-americanos a bordo.

No dia seguinte, o navio chega ao porto de Tartus, na Síria, que se nega a recebê-los. Para aumentar a pressão, os terroristas matam o judeu norte-americano Leon Klinghoffer, de 69 anos, que andava em cadeira de rodas. Jogam o corpo e a cadeira no mar.

O presidente da OLP, Yasser Arafat, condena o sequestro e a OLP se junta às autoridades egípcias para negociar a crise. O Achille Lauro vai então para Porto Said, no Egito, onde os sequestradores entregam os reféns e se rendem em troca de livre passagem para um destino ignorado. Eles embarcam num Boeing 737 da Egypt Air com destino à Tunísia, mas o avião não recebe autorização de pouco e é localizado pelos caças norte-americanos a cerca de 130 quilômetros ao sul da ilha grega de Creta.

Em 10 de julho de 1986, a Justiça da Itália condena três terroristas a penas de 15 a 30 anos de cadeia. O outro, menor de idade, é julgado separadamente. Também é condenado, mas tem direito a liberdade condicional em 1991. 

sábado, 18 de maio de 2024

Hoje na História do Mundo: 18 de Maio

FUNDAÇÃO DE MONTREAL

    Em 1642, Paul de Chomodey, Senhor de Maisonneuve, funda a cidade de Montreal, hoje parte do Canadá froncófono.

A cidade ocupa três quartos da Ilha de Montreal, a maior das 234 ilhas do Arquipélago Hochelaga, um dos três próximos à confluência dos rios Ottawa e São Lourenço.

O lugar onde está é conhecido como Hochelaga pelo povo huron quando chega o explorador francês Jacques Cartier na sua segunda viagem ao Novo Mundo (1535-36). Mais de mil nativos o recebem ao pé da montanha que ele batiza como Mont Réal.

Mais de 50 anos passam até que os franceses voltem. Samuel de Champlain funda Quebec e pensa em criar um ponto do comércio de peles no que chama de Praça Real, mas seu sonho não se materializa.

Montreal não nasce como um entreposto do comércio de peles. É um centro missionário que seu fundador, Paul de Chomodey, batiza como Vila Maria. Ele constrói casas, uma capela, um hospital e outras estruturas.

Em 1644, o Rei Sol, Luís XIV, dá uma carta régia para Montreal e Chomodey se torna o primeiro governador.

A povoação está sob constante ameaça dos índios iroqueses, aliados do Império Britânico, até um tratado de paz de 1701. 

SUPREMA CORTE LEGITIMA SEGREGAÇÃO

    Em 1896, no caso Plessy x Ferguson, a Suprema Corte dos Estados Unidos legitima a segregação racial com uma doutrina chamada de "separados, mas iguais".

A ação questiona a cláusula da 14ª Emenda à Constituição, aprovada no período da Restauração depois da Guerra da Secessão (1861-65), que garante "proteção igual perante a lei" a qualquer pessoa em qualquer lugar.

O caso é um desafio à Lei dos Vagões Separados do estado da Louisiana, que obriga da companhias ferroviárias a oferecer "acomodações iguais mas separadas" para pretos e brancos. 

Homer Plessy, que tem muito mais antepassados brancos do que pretos, compra uma passagem no vagão dos brancos. Quando se nega a ir para o vagão dos pretos, é preso.

No julgamento em primeira instância, o juiz John Ferguson rejeita a alegação de que a lei é inconstitucional e o caso vai até a Suprema Corte.

A decisão sanciona a segregação ao pressupor que os serviços e as instalações oferecidas ao negros são iguais às dos brancos. Vira jurisprudência até ser derrubada em 17 de maio de 1954 pelo caso Brown x Conselho de Educação de Topeka, que proíbe a segregação racial nas escolas. 

CONFERÊNCIA DE HAIA

    Em 1899, começa a Primeira Conferência Internacional de Haia, na Holanda, um passo rumo à formação das organizações internacionais de caráter universal dedicadas à paz mundial.

A conferência é convocada pelo ministro do Exterior da Rússia, Mikhail Nikolaievich Muraviov, durante o reinado de Nicolau II (1894-1917), que propõe três questões:

  1.  limitar a expansão das Forças Armadas e o uso de novas armas;
  2. aplicação dos princípios da Convenção de Genebra de 1864 à guerra naval;
  3. e a revisão da Declaração de Bruxelas de 1874 sobre as leis e os costumes da guerra em terra.
Até 29 de julho, os representantes de 26 países debatem a paz mundial em Haia. O Brasil não participa. Da América, só vão os Estados Unidos e o México.

A Primeira Convenção de Haia é um conjunto de três tratados internacionais, a Convenção para a Solução Pacífica de Disputas Internacionais, que cria o Tribunal Permanente de Arbitragem;, a Convenção sobre as Leis e os Costumes da Guerra em Terra; e a Convenção para Adaptação da Guerra Naval aos Princípios da Convenção de Genebra de 22 de agosto de 1864.

A Segunda Conferência de Haia é proposta pelo presidente norte-americano Theodore Roosevelt e convocada pelo czar Nicolau II, da Rússia, e realizada de 15 de junho a 18 de outubro de 1907. Participam 44 países, inclusive o Brasil, representado por Rui Barbosa, que faz um discurso brilhante. Mais uma vez, a limitação de armas de guerra é rejeitada.

Uma terceira conferência seria realizada em 1914. É adiada para 1915 e suspensa com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Depois da guerra, a Conferência de Paz de Versalhes (1919) cria a Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, que fracassa ao não evitar a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e é substituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).

BOMBA ATÔMICA INDIANA

    Em 1974, na Operação Buda Sorridente ou Krishna Feliz, a Índia testa no deserto do Rajastão sua primeira bomba atômica e chama de "explosão nuclear pacífica". É o sexto país a fabricar armas nucleares.

O programa nuclear da Índia começa em 1944, antes da independência. A perda de território numa breve greve de fronteira com a China nas montanhas do Himalaia, em 1962, levou à decisão de desenvolver armas nucleares. A explosão usa plutônio produzido no reator canadense CIRUS.

A Índia assume abertamente o status de potência nuclear com uma série de cinco explosões realizadas de 11 a 13 de maio de 1998. O arqui-inimigo Paquistão, que tinha a bomba secretamente desde 1975, responde com cinco explosões em 28 de maio. Hoje estima-se que cada um tenha 170 ogivas nucleares.

MOVIMENTO PELA DEMOCRACIA NA CHINA

    Em 1989, um milhão de pessoas marcham pelas ruas de Beijim num movimento pela liberdade e a democracia para liberalizar o regime comunista da China. A revolta é esmagada no Massacre na Praça da Paz Celestial na noite de 3 para 4 de junho.

As reformas anunciadas pelo líder Deng Xiaoping em 13 de dezembro de 1978 abrem a economia e liberalizaram o regime depois do longo trauma que foi a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

O movimento iniciado por estudantes sai às ruas em 15 de abril, quando morre o ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang (1981-87), um grande responsável pelas reformas políticas e econômicas sob a liderança de Deng, favorável a liberalizar o regime.

Quando o movimento cresce, apresenta suas demandas:

  1. Reconhecer como corretas as visões de Hu Yaobang sobre democracia e liberdade.
  2. Admitir que as campanhas contra a "poluição espiritual" e a "liberalização burguesa" são erradas.
  3. Publicar informações sobre a renda dos altos dirigentes e de suas famílias.
  4. Acabar com a censura e autorizar a publicação de jornais de grupos privados.
  5. Mais dinheiro para a educação e aumento dos salários dos intelectuais.
  6. Fim das restrições a manifestações em Beijim.
  7. Fazer uma cobertura objetiva do movimento estudantil na mídia oficial.

O então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, defende o diálogo com os estudantes, enquanto o primeiro-ministro linha-dura Li Peng exige uma condenação oficial das manifestações. Quando Zhao viaja à Coreia do Norte, em 23 de abril, Li toma a iniciativa.

Em 25 de abril, o primeiro-ministro e o presidente Yang Shangkun se reúnem na casa de Deng, que aprova a linha dura. No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do PC, publica editorial de primeira página de lavra de Li sob o título: "É preciso adotar uma posição clara contra os distúrbios". Descreve o movimento como contra o partido e contra o governo.

Com a volta de Zhao, o governo retoma a tolerância. Em 13 de maio, dois dias antes do início de uma visita do líder soviético Mikhail Gorbachev, os estudantes começam uma greve de fome. Quando Zhao diz a Gorbachev que o líder supremo é Deng, este toma como uma tentativa de lhe atribuir toda a responsabilidade pela revolta dos estudantes.

Numa reunião do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central na casa de Deng, em 17 de maio, a alta cúpula do regime comunista chinês decide decretar lei marcial e convocar o Exército para tomar a capital. 

No dia 18, quando um milhão saem às ruas da capital, Li encontra os estudantes numa reunião marcada pela confrontação, sem qualquer avanço. Diante das câmeras, o primeiro-ministro mostra mais preocupação com a saúde dos estudantes em greve de fome.

A última aparição de Zhao é na madrugada do dia 19, quando ele fala com os estudantes ao lado de Wen Jiabao, que seria primeiro-ministro de Hu Jintao (2003-13). À noite, numa reunião da alta cúpula, Deng declara ter se arrependido de nomear Hu e Zhao para a liderança do partido. Zhao cai e passa o resto da vida em prisão domiciliar.

Em 20 de maio, o governo decreta lei marcial e convoca 30 divisões, num total de 250 mil soldados, para ocupar Beijim. Em 3 de junho, autoriza a ação para retirar os estudantes acampados na praça central da capital centenas. O total de mortes é estimado entre centenas e 10 mil.

As reformas políticas são enterradas definitivamente. A ascensão de Xi Jinping, em 2012, torna a ditadura mais personalista e contrária a qualquer dissidência. A liberdade acadêmica daquele período não existe mais. 

Com a imposição de uma Lei de Segurança Nacional, o fim da autonomia regional e das liberdades democráticas em Hong Kong, todos os livros e publicações sobre o movimento pela liberdade e democracia, que era lembrado com vigílias no território, desaparecem das livrarias e bibliotecas.