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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

México anuncia que Evo Morales pediu asilo político

Um dia depois de renunciar à Presidência da Bolívia sob pressão das Forças Armadas em meio a uma revolta popular contra uma fraude eleitoral, o ex-presidente Evo Morales pediu asilo político ao México, anunciou o ministro mexicano das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard.

"Informamos que há alguns momentos recebemos uma chamada do presidente Evo Morales em que respondeu a nosso convite e solicitou verbal e formalmente o asilo em nosso país", declarou o chanceler mexicano em entrevista coletiva.

Ebrard justificou a decisão por "razões humanitárias" alegando que sua vida e sua integridade correm perigo" e acrescentou que "houve um golpe de Estado porque o Exército pediu a renúncia do presidente."

Morales e seus aliados, inclusive o ex-presidente Lula, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice-presidente Cristina Kirchner e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciam um golpe, enquanto a oposição boliviana fala em revolta popular contra a fraude eleitoral apontada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

A renúncia coletiva do presidente, do vice e dos presidentes da Câmara e do Senado foi uma manobra para criar um vácuo de poder, uma aposta no caos. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, deve assumir amanhã a Presidência da Bolívia interinamente até a realização de novas eleições dentro de 90 dias.

O líder rebelde Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, exige a renúncia de todos os deputados do Movimento ao Socialismo (MaS), o partido de Morales. Como eles ocupam dois terços das cadeiras da Assembleia Legislativa Plurinacional, se renunciarem, n!ao haverá quórum para eleger a presidente interina.

A senadora Jeanine Áñez foi levada hoje de helicóptero até a sede da Assembleia, onde convocou a sessão de amanhã e ofereceu garantias aos representantes do MaS. Em seguida, ela foi retirada do local por medo de que os partidários de Morales tomem o centro de La Paz.

Amanhã, a OEA realiza uma reunião de emergência em Washington para discutir a crise boliviana.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Não há risco de internacionalização da Amazônia


Apesar da pressão internacional por causa das queimadas, não existe maior risco de internacionalização da Amazônia, o que seria inaceitável para o Brasil por uma questão de soberania nacional. As Forças Armadas treinam guerra de guerrilhas na Amazônia para qualquer eventualidade

Entre as ideias levantadas pelo presidente da França, Emmanuel Macron, diante do aumento dos incêndios na maior floresta tropical do mundo, ele falou em criação de um status internacional da Amazônia. É um absurdo total e completo. Não tem a menor chance de acontecer.

O discurso é antigo e obsoleto. No século 19, depois da Guerra Civil Americana e da abolição da escravatura nos Estados Unidos, o sargento Mattew Mauri, sugeriu ocupar o vale amazônico para transferir para lá 2 milhões de negros americanos. Meu comentário: 


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

ONU acusa Forças Armadas de Mianmar de genocídio

As Forças Armadas de Mianmar, a antiga Birmânia, cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade contra a minoria rohingya, no estado de Rakhine, que configuram genocídio, denunciou um relatório das Nações Unidas, citado pelo jornal inglês The Guardian, pedindo ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que abra os devidos processos.

Como o governo de Mianmar não deixou os investigadores da ONU entrarem no país, eles entrevistaram 875 pessoas que fugiram. Essas testemunhas contaram que os militares "mataram indiscriminadamente, violentaram mulheres, atacaram crianças e incendiaram vilas inteiras" em Kakhine, onde vivem os muçulmanos rohingya, e também nos estados de Chan e Kachin, onde há outros grupos étnicos rebeldes.

Os militares mianmarenses são acusados de homicídios, prisão arbitrárias, sequestros, desaparecimento depessoas, tortura, estupro, perseguição e escravização - todos crimes contra a humanidade. No Norte de Rakhine, foram coletadas provas de extermínio em massa e deportação.

"As recomendações claras do relatório mostrou a necessidade óbvia de dar passos concretos para levar à Justiça esses crimes atrozes, em vez de condenações e expressões de preocupação vazias", declarou o diretor para a Ásia da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), Brad Adams.

"Este relatório deve eliminar qualquer dúvida sobre a urgência de investigar as responsabilidades por essas atrocidades em massa", acrescentou.

Em um ano de ofensiva militar, cerca de 25 mil rohingyas foram mortos e 700 mil fugiram para Bangladesh. O maior acusado é o comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Min Aung Hlaing, que prometeu resolver "o antigo problema bengalês".

Minutos depois da divulgação do relatório, o Facebook tirou da rede 18 contas e 52 páginas ligados aos militares de Mianmar, inclusive uma do general. Eles foram usadas para culpar "terroristas muçulmanos" pelos massacres.

"Queremos impedir que usem nosso serviço para inflamar ainda mais as tensões étnicas e religiosas", declarou o Facebook.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Rússia reduz orçamento militar pela primeira vez em 19 anos

Os gastos militares da Rússia diminuíram em 2017 pela primeira vez desde 1998, quando o país enfrentou um colapso econômico. No ano passado, a queda foi de 20% para US$ 63 bilhões, de acordo com o relatório do Instituto de Pesquisas da Paz Internacional de Estocolmo (SIPRI). É nove vezes menos do que os Estados Unidos, antes do aumento do orçamento pedido pelo presidente Donald Trump.

Em 2017, as despesas russas com defesa baixaram de 5,5% para 4,3% do produto interno bruto, estimado pelo Fundo Monetário Internacional em US$ 1,527 trilhão. Depois de anos de contração da economia, o Kremlin foi obrigado a fazer grandes cortes no orçamento de defesa que devem ter impacto sobre as compras e as operações.

Com a limitação orçamentária, apesar das bravatas do ditador Vladimir Putin sobre o míssel nuclear "invencível", o Kremlin tem de tomar decisões difíceis e escolher prioridades. Será necessário reduzir as ambições marítimas para reforçar o poderio terrestre, observa a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor.

A Rússia não vai abandonar os mares, mas sua defesa será baseada na dissuasão nuclear por terra, mar e ar. O sonho de Putin era um grande Programa de Armamentos do Estado (2018-25). Com os cortes orçamentários, não será possível modernizar 70% de suas Forças Armadas até 2020. O programa de armamentos deve receber a metade do dinheiro previsto.

O maior problema está na Marinha, que não passou por uma modernização significativa desde o fim da União Soviética, em 1991, observa a Stratfor. O único porta-aviões russo, o Almirante Kuznetsov, foi lançado ao mar em 1985. Sem muito dinheiro, o foco deve ser em sistemas de armas e não em investimentos pesados em grandes navios.

Em maio do ano passado, o vice-primeiro-ministro Dimitri Rodozin, encarregado da indústria bélica, admitiu que, "ao contrário dos Estados Unidos, a Rússia não é uma potência naval". É uma potência continental.

Durante a Guerra Fria, a importância dos submarinos nucleares era tanta que a Marinha de superfície era uma força auxiliar. A tendência é que isso continue. Os submarinos serão o setor da força naval a ser poupado dos cortes de gastos.

O mecanismo de dissuasão nuclear da Rússia se assenta num tripé: mísseis baseados em terra, aviões bombardeiros estratégicos e mísseis balísticos lançados de submarinos, acrescentam os analistas estratégicos.

Na Força Aérea, preveem, o Kremlin vai investir em grandes aviões de transporte e caças-bombardeiros, com foco no aperfeiçoamento da quarta geração de caças a jato, em vez de comprar novos modelos de última geração como o avião de combate invisível aos radares T-50.

Outras preocupações são tornar as Forças Armadas mais ágeis, flexíveis e letais, com munição precisa guiada, maior capacidade tecnológica, equipamentos de comando e controle de alta tecnologia, satélites espaciais e desenvolvimento de drones para missões de reconhecimento, vigilância e inteligência.

As regiões militares mais beneficiadas pelo programa de modernização das Forças Armadas da Rússia devem ser os comandos do Sul e do Oeste, com jurisdição sobre áreas consideradas essenciais para a segurança nacional do país como o Mar Báltico, a Ucrânia e o Cáucaso. O Comando Estratégico Conjunto do Ártico será promovido a região militar em 2020.

Na visão de Moscou, marcada pelo histórico medo do cerco da Rússia, o maior país do mundo, com 60 milhões de quilômetros de fronteiras marítimas ou terrestres sem fronteiras naturais na maioria da parte terrestre, o inimigo é a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, e sua expansão pós-Guerra Fria até a fronteira russa.

Putin quer manter as repúblicas da antiga União Soviética dentro da esfera da influência da Rússia, mas não tem o poder econômico necessário para dar peso à União Econômica da Eurásia. Também projeta seu poderio a regiões do Ártico à Síria, num caso clássico de sobre-extensão imperial, quando as ambições externas são maiores do que a matriz pode bancar.

domingo, 18 de março de 2018

Descontentamento militar aumenta ameaça de golpe contra Maduro

Com a economia em colapso, cresce a ameaça de um golpe militar contra o ditador Nicolás Maduro na Venezuela. Há um expurgo silencioso em andamento dos oficiais que participaram da tentativa de golpe liderada pelo coronel Hugo Chávez contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 4 de fevereiro de 1992.

Mais de cem militares foram presos desde o início do ano, inclusive comandantes de batalhão, sargentos, tenentes e até mesmo generais. Na quinta-feira, foi detido o general Alexis López Ramírez, ex-secretário do Conselho de Defesa da Nação (Codena). As autoridades não confirmaram a prisão e a família não sabe onde ele está.

As casas dos coronéis Erik Peña e Igber José Marín Chaparro, comandante do Batalhão de Infantaria Motorizada Juan Pablo Ayala, foram revistadas por agentes da Direção Geral de Contrainteligência Militar na mesma quinta-feira. Eles foram detidos em 2 de março sob a suspeita de pertencerem ao Movimento de Transição para a Dignidade do Povo, de oposição a Maduro.

Em 14 de fevereiro, foram presos o ex-ministro do Interior general da reserva Miguel Rodríguez Torres e 19 oficiais da ativa da Força Armada Nacional Bolivarista (FANB), entre eles comandantes de unidades com alto poder de fogo.

Antes de sua prisão, o general López Ramírez manifestou solidariedade ao companheiro: "Minha solidariedade ao companheiro RodTor, suas filhas e toda a sua família. Tudo passará e a Venezuela recuperará o caráter republicano que nos legou Bolívar e a democracia que tanto esforço, sofrimento e sangue nos custou no século passado. Viva Bolívar! Viva a Venezuela!"

Um mês antes da prisão de Rodríguez, em 15 de janeiro, o policial e piloto de helicóptero rebelde Óscar Pérez foi sumariamente fuzilado quando tentava se entregar ao ser encurralado, meses depois de atacar o Ministério do Interior no ano passado.

Ao liquidar o Rambo venezuelano, o policial era dublê de personagem do cinema e da televisão, Maduro mandou um recado claro: nenhuma dissidência militar será tolerada. Com a oposição desarmada, o ditador sabe que qualquer desafio à sua autoridade virá dos homens em armas. O fim da ditadura depende de uma cisão interna.

Agora, o próximo preso seria o general Clíver Alcalá Cordones.

"Não tenho dúvidas em assinalar que a Venezuela enfrenta a pior crise militar desde 1992. A de 2002 foi palaciana, daí a diferença", alertou a advogada venezuelana Rocío San Miguel, diretora da organização não governamental Controle Cidadão, comparando a situação atual com o golpe contra o então presidente Hugo Chávez 16 anos atrás.

"Pela primeira vez em seis anos, incluo o golpe de Estado entre minhas hipóteses, não com alta probabilidade, mas sim como uma variável em crescimento sustentado. E não necessariamente violento, mas como um produto de um acordo do chavismo militar dentro da FANB", acrescentou a advogada.

Com o colapso da economia, 40% menor do que em 2013, quando Chávez morreu, uma inflação de 13.000% ao ano, dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), e desabastecimento generalizado, os venezuelanos estão passando fome. Cada cidadão perdeu em média oito quilos nos últimos anos.

O governo Maduro distribui cestas básicas na periferia na campanha para a eleição presidencial de 20 de maio, mas policiais e militares de baixas patentes estão excluídos das mordomias do fracassado "socialismo do século 21". Suas famílias também passam fome e outras necessidades, como a falta de medicamentos básicos. A inquietação nos quartéis mina o regime. A fome tem um poder revolucionário.

Entre os presos, "não há militares oposicionistas", observa a analista Sebastiana Barráez. "Tinham comando e só aos mais testados dão poder de fogo." Ela entende que Maduro "pôs toda a FANB sob suspeita porque acabam de cair os 'incondicionais', os 'profundamente chavistas' e do componente mais determinante, o Exército. Está justificado o alarme."

O expurgo dos "profundamente chavistas", os aliados de primeira hora da tentativa de golpe de 1992, com a prisão do ex-ministro Rodríguez Torres, na opinião da advogada Rocío San Miguel, "é apenas uma mostra da ruptura em marcha entre o chavismo e o madurismo nas FANB. São previsíveis novas prisões nas próximas horas", previu, antes da detenção de López Ramírez.

"Aqui não pode haver golpe de Estado. Estamos no século 21", declarou à televisão estatal TeleSur o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, homem-forte do regime. Mas admitiu: "Agora, há tentativas e conspirações, e do império estão movimentando suas marionetes aqui na Venezuela, tentando fazer o que é impossível, usar a FANB com propósitos obscuros. A FANB está curada, tem maturidade política suficiente, tem integridade constitucional suficiente."

Por outro lado, a oposição formou a Frente Ampla Venezuela Livre para protestar contra a eleição presidencial antecipada por Maduro. Durante várias reuniões durante o fim de semana, uma nota foi lida na Universidade Andrés Bello: "Ratificamos a Assembleia Nacional como único órgão legislativo e desconhecemos a assembleia nacional constituinte que, sem tempo nem condições, convocou um evento presidencial, legislativo, regional e municipal que deveria ser feito de forma separada por ordem constitucional. Propomos uma ampla aliança em que esteja incorporada a FANB para dizer não à farsa eleitoral. Queremos votar, mas sem repressão, perseguição e inabilitação."

sábado, 20 de janeiro de 2018

Governo federal dos EUA fecha por falta de orçamento

Pela primeira vez em cinco anos, o governo federal dos Estados Unidos parou de funcionar em atividades não essenciais há duas horas atrás a minoria do Partido Democrata no Senado bloqueou uma medida para financiar temporariamente os gastos públicos até a aprovação do orçamento.

É a primeira vez que os EUA fecham com um presidente com maioria na Câmara e no Senado. Eram necessários 60 votos para a aprovação. Deu 50-49, ao longo das linhas partidárias, com algumas defecções.

Agora, mesmo que o Senado chegue a um acordo, o projeto terá de passar pela Câmara dos Representantes até o governo retomar suas atividades normais.

As atividades essenciais, como Forças Armadas, FBI (Polícia Federal), portos e aeroportos não param. Mas não se pode tirar passaporte ou encaminhar qualquer pedido à burocracia federal. Os parques nacionais fecham.

O governo não tem mais dinheiro para funcionar porque o Congresso, que representa o povo, não aprovou o orçamento. Os gastos da máquina federal não estão autorizados.

A Casa Branca divulgou nota acusando os democratas de "perdedores obstrucionistas". O presidente Donald Trump responsabiliza o líder democrata, senador Chuck Schumer, o tenta caracterizar a obstrução como uma manobra para manter imigrantes ilegais no país.

Trump quer dinheiro para erguer o muro na fronteira do México e os democratas querem garantir que não sejam deportados 800 mil jovens que entraram ilegalmente no país quando menores de idade. Os chamados "sonhadores", imbuídos pelo sonho americano, pouco moraram em seus países de origem, para onde podem ser enviados por Trump para agradar sua base política branca e anti-imigrantes.

O governo federal dos EUA parou da mesma maneira duas vezes no governo Bill Clinton (1993-2001), de 14 a 19 de novembro de 1995 e de 16 de dezembro de 1995 a 6 de janeiro de 1996, por iniciativa do então presidente da Câmara, Newt Gingrich, quando os republicanos eram maioria.

No governo Barack Obama, houve uma paralisação das atividades não essenciais de 1º a 17 de outubro de 2013. Os democratas se defendem com o argumento de que cabe ao governo aprovar o orçamento.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Presidente de Angola muda cúpula das Forças Armadas

Em mais uma manobra para se consolidar no poder, o novo presidente de Angola, general da reserva João Lourenço, exonerou 19 generais nomeados pelo ex-presidente José Eduardo dos Santos, inclusive o chefe da Casa de Segurança da Presidência, e nomeou 54 oficiais generais para postos estratégicos, informou a Agência Lusa.

João Lourenço, de 62 anos, foi eleito em 23 de agosto. É o terceiro presidente da história de Angola, depois do herói da independência, Agostinho Neto (1975-79), e de seu antecessor, José Eduardo dos Santos (1979-2017), que estava no poder há mais tempo do que o recém-deposto Robert Mugabe, no Zimbábue. Ele continua liderando o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência.

Desde que tomou posse, em 26 de setembro, o novo presidente mudou as direções de empresas estatais de diamantes, minerais, petróleo, comunicação social, bancos comerciais e o Banco Nacional de Angola.

A exoneração mais notória foi de Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 3 bilhões, filha do ex-presidente, da presidente do Conselho de Administração da Sonangol, a estatal de petróleo.

domingo, 29 de outubro de 2017

Trump tem pior avaliação desde a posse

A popularidade do presidente Donald Trump caiu ao menor nível desde a posse, em 20 de janeiro, com rejeição ao seu desempenho como comandante supremo das Forças Armadas e outras políticas, mas apoio à condução da economia, indica uma nova pesquisa do jornal The Wall Street Journal e da rede de televisão NBC.

Cerca de 38% dos eleitores americanos aprovam o trabalho de Trump, enquanto 58% o reprovam. Entre os republicanos, quase 80% têm uma visão favorável do presidente, mas há uma queda de prestígio em algumas bases eleitorais de Trump.

A maior baixa foi entre mulheres brancas sem curso superior. No mês passado, 50% eram a favor de Trump e 46%, não. Agora, 54% desaprovam o presidente e 40% apoiam seu desempenho na Casa Branca.

Por uma margem de cinco pontos percentuais, 42% a 37%, as políticas econômicas passaram no teste.  A pesquisa foi feita depois da notícia de que a economia dos EUA cresceu em ritmo de 3% ao ano no terceiro trimestre de 2017, depois de avançar em ritmo de 3,1% no segundo trimestre.

Se a economia se enfraquecer, a popularidade de Trump vai junto.

O grande apoio ao presidente vem do eleitorado tradicional republicano. Só 36% dos americanos têm uma imagem positiva do presidente. Entre os republicanos, essa aprovação quase chega a 80%.

Depois de bater boca com uma viúva negra de 24 anos grávida de um soldado morto por terroristas no Níger, na África, 53% reprovaram sua atuação como comandante das Forças Armadas e 35% aprovaram. A troca de acusações com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, não ajudou.

Por 45% a 24%, os americanos preferem manter o acordo de 2015 assinado entre as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano. Trump ameaça romper o acordo.

A resposta aos furacões Harvey e Irma, que atingiram o território continental dos EUA, foi considerada positiva por 49% e reprovada por 28%, mas a ajuda federal a Porto Rico depois do furacão Maria foi aprovada por 29% e considerada insuficiente por 54%.

Outro problema para a imagem de Trump foi sua reação diante dos jogadores de futebol americano que se ajoelharam na hora do hino nacional em protesto contra a violência policial contra os negros e a impunidade de policiais que matam negros. Nesta questão, o presidente perdeu por 59% a 30%.

Com eleições daqui a um ano, 48% gostariam de ver o Partido Democrata reassumir o controle da Câmara e do Senado, e 41% estão satisfeitos com a maioria republicana.

Sobre as razões dessa decisão, 46% querem eleger mais democratas para que "controlem e equilibrem as ações de Trump e dos republicanos no Congresso". Por outro lado, 28% querem "mais republicanos para ajudar Donald Trump a aprovar seu programa legislativo".

Se forem considerados apenas os eleitores com partido definido, 79% dos democratas querem mais controle sobre Trump e 71% dos republicanos querem ajudar na aprovação das propostas do presidente.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Trump adverte Coreia do Norte: armas estão "carregadas e engatilhadas"

Em sua escalada verbal com a ditadura comunista da Coreia do Norte, o presidente Donald Trump afirmou hoje de manhã no Twitter que as Forças Armadas dos Estados Unidos estão prontas para a guerra e à tarde esperar que os norte-coreanos entendam a gravidade da advertência.

"As soluções militares estão totalmente preparadas, carregadas e engatilhadas, se a Coreia do Norte agir insensatamente", disparou Trump no Twitter ao amanhecer. "Espero que Kim Jong Un encontre outro caminho.

Durante entrevista no seu clube de golfe em Bedminster, no estado de Nova Jérsei, Trump visou diretamente o ditador Kim Jong Un: "Este cara não vai escapar depois do que está fazendo. Se fizer uma ameaça clara ou qualquer ação contra a ilha de Guam, território dos EUA, ele vai lamentar e lamentar rapidamente."

Apesar da retórica inflamada do presidente, os militares americanos não dão sinais de que estejam se preparando para uma guerra. Trump tenta ganhar no grito. Com um discurso inflamado, acredita estar agindo mais com firmeza do que seus antecessores, que não conseguiram parar o programa nuclear militar norte-coreano.

Desde 2006, a Coreia do Norte fez cinco testes nucleares e dezenas de testes de mísseis. Os últimos, de mísseis de longo alcance, indicariam capacidade de atingir o território continental dos EUA. Isso provocou o tiroteio verbal de Trump.

Uma guerra não interessa a ninguém. Para a ditadura stalinista de Pionguiangue, seria uma derrota certa e o fim. Numa simulação feita pelo Departamento da Defesa dos EUA em 1994 a pedido do então presidente, Bill Clinton, a estimativa seria de mais de um milhão de mortes.

Só com o arsenal convencional, o regime comunista norte-coreano tem condições de arrasar Seul, a capital da Coreia do Sul, uma cidade de 10 milhões de habitantes. Mesmo em caso de vitória, o custo de reconstrução e de reunificação da Coreia seria tremendo para o Sul abalando o extraordinário desenvolvimento econômico das últimas décadas e o atual nível de riqueza.

Para a China, além do risco de uma guerra nuclear em sua fronteira, poderia haver uma onda de refugiados norte-coreanos e a reunificação da Península Coreana sob o controle da Coreia do Sul, onde há 28 mil soldados americanos, uma presença militar que vem desde a Guerra da Coreia (1950-53).

Os EUA lutaram a Guerra da Coreia com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que a União Soviética boicotava por causa da exclusão da China comunista, para reunificar o país. Quando as tropas americanas e aliados cruzaram o paralelo 38º Norte, o Exército Popular de Libertação da China atravessou o rio Yalu e entrou na guerra.

Dentro da Guerra da Coreia, houve uma guerra entre os EUA e a China, vencida pela China, que conseguiu empurrar os americanos de volta para baixo do paralelo 38º Norte, restaurando o status quo anterior à guerra, iniciada quando o avô de Kim Jong Un, o Grande Líder Kim Il Sung, invadiu o Sul.

Desde então, não houve mais guerras entre os EUA e a China. Com a ascensão da China a superpotência, seria uma guerra hoje de consequências catastróficas, tema de A Armadilha de Tucídides, último livro do professor Graham Allison, da Universidade de Harvard, autor do clássico The Essence of Decision, sobre a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Estado-Maior reage a veto de Trump a transgêneros nas Forças Armadas

O Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos declarou hoje que a política em relação a transgêneros não vai mudar enquanto o presidente Donald Trump não enviar ordens diretamente ao Departamento da Defesa, o Pentágono.

"Não haverá mudanças na atual política até que a ordem do presidente seja recebida pelo secretário da Defesa e que o secretário dê as orientações para implementá-la", afirmou o comandante do Estado-Maior, general Joseph Dunford. "Vamos continuar a tratar todo o nosso pessoal com respeito."

Ontem, o presidente Trump anunciou no Twitter o veto à participação de transgêneros nas Forças Armadas, rompendo uma promessa de campanha de proteger a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) da discriminação e do preconceito.

Trump alegou que a medida tem alto custo e afeta a disciplina dos militares. Não há nenhum estudo que corrobore essa ideia. O presidente disse ter consultado assessores e generais, mas o secretário da Defesa, James Mattis, foi informado depois do tuíte.

É mais uma iniciativa de Trump para destruir o legado do governo Barack Obama, que acabou com uma política hipócrita conhecida como "não pergunte, não conte". Ela permitia a presença de LGBTs nas Forças Armadas dos EUA desde que não assumissem publicamente sua homossexualidade ou bissexualidade.

Assim, se um militar voltando de uma frente de guerra fosse recebido na volta por seu parceiro, não poderia abraçar nem fazer gestos efusivos de carinho e afeto. Obama acabou com isso.

Sob pressão de sua base conservadora, contrária ao uso de dinheiro público para financiar cirurgias de mudança de sexo, Trump foi muito além do esperado.

O senador republicano John McCain, veterano da Guerra do Vietnã, onde foi prisioneiro de guerra, criticou o presidente dizendo que todo cidadão americano que quiser servir às Forças Armadas e for considerado apto nos testes deve ter esse direito e ser considerado um patriota.

Há estimativas do total de transgêneros militares que vão de 2,5 mil a 16 mil. O dinheiro gasto pelo Pentágono com cirurgias para mudar de sexo é cinco vezes menos do que a despesa com medicamentos contra a impotência sexual.

domingo, 4 de setembro de 2016

Presidente das Filipinas declara "estado de ilegalidade"

Depois de um atentado a bomba que matou 14 pessoas no fim de semana em sua terra natal, Davao, o presidente Rodrigo Duterte declarou "estado de ilegalidade" nas Filipinas. A medida deixa o país à beira da lei marcial.

Duterte foi eleito em maio de 2016 com um discurso populista prometendo linha dura no combate ao crime e à corrupção. Seu chefe de polícia mandou os usuários de drogas tocarem fogo nas casas dos traficantes, alegando que viciados são vítimas.

O presidente das Filipinas esclareceu que o "estado de ilegalidade" lhe dá plenos poderes para convocar as Forças Armadas: "Estou convidando as Forças Armadas os militares e a Polícia para governarem o país de acordo com minhas especificações."  Ele prometeu instalar "muitos postos de controle".

Cerca de 2 mil pessoas morreram na guerra contra as drogas, criticada pelas Nações Unidas e por várias organizações não governamentais por atropelar as garantias fundamentais de um Estado de Direito.

O atentado terrorista foi atribuído à milícia extremista muçulmana liderada por Abu Sayyaf, que atua na ilha de Mindanao, no Sul do país.

As Filipinas viveram longo tempo sob lei marcial durante a ditadura de Ferdinand Marcos (1865-86), derrubado em fevereiro de 1986 na revolta popular que levou Corazón Aquino ao poder. O pai de Duterte foi ministro de Marcos e agora quer reabilitar o ditador para reenterrá-lo no Cemitério dos Heróis, em Manila.

domingo, 17 de julho de 2016

Turquia busca lições no golpe fracassado

O golpe contra o presidente Recep Tayyip Erdogan e o governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) na Turquia começou às 21h30 de ontem pela hora local (17h30) em Brasília, quando as duas pontes que ligam a Europa à Ásia sobre o Estreito de Bósforo e os aeroportos de Ancara e Istambul foram tomados pelos golpistas. 

Ao mesmo tempo, aviões de guerra faziam voos rasantes sobre o palácio presidencial e a Assembleia Nacional. Tanques saíram às ruas em Ancara e Istambul. Helicópteros dos rebeldes atacaram as sedes da polícia e do serviço de inteligência, leais a Erdogan, enquanto outros ocupavam meios de comunicação como a CNN na Turquia e o jornal Hurryiet.

O presidente estava na cidade de Marmaris, uma praia no Mar Egeu. Com os aeroportos das duas maiores cidades turcas em poder dos rebeldes, não tinha como voltar aos centros de poder. De lá mesmo, deu uma entrevista à CNN turca via FaceTime e apelou à população para sair às ruas e resistir ao golpe. Erdogan disse depois que o hotel onde estava foi bombardeado depois que ele saiu.

A conspiração começou a fracassar quando o comandante do 1º Exército, general legalista Ümit Dündar, assumiu o controle do Aeroporto Ataturk, em Istambul.

Quando Erdogan chegou a Istambul, a polícia atacava os militares que haviam ocupado meios de comunicação. Os três principais partidos de oposição e a mídia apoiaram o governo eleito democraticamente, apesar dos abusos e do crescimento autoritarismo do presidente, que autorizou invasão de meios de comunicação e a prisão de jornalistas, intelectuais e oposicionistas simplesmente por criticarem o governo.

Por ironia, foi o grupo de mídia Dogan, atacado no ano passado por partidários do governo, que deu voz à convocação de Erdogan à resistência popular.

A frustrada tentativa de golpe terminou com 265 mortes, na descrição do governo "161 mártires e 104 golpistas", e um expurgo nas Forças Armadas e na Justiça, com a prisão de 2.839 militares, inclusive altos oficiais como o comandante do 2º Exército, e o afastamento de cerca de 2,7 mil juízes.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Militares dos EUA são proibidos de ir a Paris a não ser a serviço

Todas as viagens não oficiais a Paris estão proibidas pelo Comando das Forças dos Estados Unidos na Europa por causa da ameaça terrorista, admitiu hoje uma fonte do Pentágono. Qualquer visita privada precisa ser aprovada por um oficial general.

Toda movimentação de militares ou funcionários civis do Departamento da Defesa dos EUA também precisa da autorização de um oficial general.

Como líderes da coalizão aérea que bombardeia o Estado Islâmico do Iraque e do Levante desde agosto de 2014, os EUA se consideram o principal alvo de possíveis retaliações terroristas do grupo. A onda de terror em Paris acende um sinal de alerta total nas principais cidades americanas.

Vários governadores estaduais questionam a política de migração do presidente Barack Obama, que se dispôs a receber 15 mil refugiados da guerra civil na Síria. Os aspirantes à candidatura do Partido Republicano à Casa Branca em 2016 também se revezam para denunciar as supostas fraqueza e indecisões da política externa de Obama.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Coreias reduzem prontidão das Forças Armadas

A Coreia do Sul reduziu o nível de alerta de suas Forças Armadas depois que a Coreia do Norte fez o mesmo porque o Sul aceitou suspender a propaganda anticomunista difundida por alto-falantes na fronteira entre os dois países, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul constatou a retirada de submarinos da Coreia do Norte que circulavam perto de seu mar territorial no último fim de semana.

Em Panmunjon, a cidade que fica na zona desmilitarizada entre os dois países, os norte-coreanos voltaram a usar pistolas, depois de serem vistos com fuzis de guerra nos últmos dias.

domingo, 8 de março de 2015

Chade e Níger lançam ofensiva contra o Boko Haram

As Forças Armadas do Chade e do Níger lançaram hoje uma ofensiva aérea e terrestre contra a milícia extremista muçulmana Boko Haram no Nordeste da Nigéria, informou o canal de notícias francês France24. Ontem, a milícia jihadista declarou lealdade ao Estado Islâmico.

"Hoje de manhã bem cedo, as tropas nigerinas e chadianas iniciaram uma ofensiva contra o Boko Haram em duas frentes, na zona de Bosso e perto de Difa", declarou um alto funcionário do Níger à Agência France Presse (AFP).

Há mais de um mês, sob pressão do Boko Haram, o Níger reforçou a região de Difa com milhares de soldados. No fim de janeiro, Camarões, o Chade e o Níger atacaram posições do grupo jihadista no Lago Chade, no extremo norte da Nigéria.

No sábado, três atentados terroristas a bomba contra dois mercados públicos e um terminal rodoviário mataram pelo menos 58 pessoas e feriram outras 139 em Maiduguri, capital do estado de Borno, uma das áreas de maior atividade do Boko Haram.

Também ontem, o Exército da Nigéria anunciou a retomada de três localidades no Nordeste do país: Buni Gari e Buni Yadi, no estado de Yobe; e Marte, no estado de Borno.

A ofensiva nigeriana visa a garantir a realização das eleições de 28 de março. Teria pressionado os rebeldes jihadistas, expulsando-os dos centros urbanos, mas o ataque múltiplo em Maiduguri mostra que os terroristas mantêm seu poder de fogo.

Desde que aderiu à luta armada para impor sua versão sectária do islamismo, o Boko Haram trava uma guerra civil em que cerca de 12 mil pessoas foram mortas, de acordo com o Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos. Na análise da empresa americana de análises estratégicas Stratfor, pela primeira vez o Boko Haram enfrenta uma ameaça à sua sobrevivência.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Jordânia oferece Forças Armadas para luta contra o Estado Islâmico

A Jordânia está colocando suas Forças Armadas à disposição para a guerra contra a milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que queimou vivo um piloto jordaniano, anunciou hoje o ministro da Defesa, Khaled al-Obeidi, depois de uma reunião do Estado-Maior.

O comandante-em-chefe do Estado-Maior, general Machal Mohamed Zabin, observou que as fronteiras do país são seguras, não havendo necessidade de mobilizar unidades militares extras para defendê-las, noticiou o jornal The Jordan Times.

Depois de cessar suas operações por quase um mês, os Emirados Árabes Unidos voltaram a participar da campanha aérea liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Paquistão nomeia novo chefe do serviço secreto militar

O primeiro-ministro Nawaz Sharif indicou o general Rizwan Akhtar, próximo do comandante do Exército, general Rahil Sharif, para diretor-geral do poderoso serviço de inteligência das Forças Armadas do Paquistão, informou hoje o jornal paquistanês Dawn. Ele toma posse em 8 de outubro.

A mudança limita a capacidade do chefe de governo de impor a autoridade dos civis sobre os militares. No momento, o primeiro-ministro Sharif está acuado por uma onda de protestos liderada pelo ex-capitão da seleção paquistanesa de críquete, Imran Khan, ligado aos militares. Desde 15 de agosto, Khan pede nas ruas a demissão de Sharif e a realização de novas eleições parlamentares.

Akhtar tem experiência em operações de contrainsurgência e antiterrorismo. Serviu no Waziristão do Sul, área de atuação da milícia dos Talebã no Paquistão.

Nawaz Sharif é visto com suspeita pelos militares desde que tentou derrubar o então comandante do Exército, general Pervez Musharraf, e foi deposto num golpe militar em 12 de outubro de 1999. Ele voltou ao poder em 5 de junho de 2013, mas não conseguiu reeimpor sua autoridade, especialmente sobre os militares.

Por causa do conflito histórico com a Índia, as Forças Armadas são a principal base de poder no Paquistão. Desde a independência do Império Britânico, em 1947, o país foi governado pelos militares durante 33 anos.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Japão autoriza Forças Armadas a usar a força no exterior

O primeiro-ministro Shinzo Abe baixou hoje uma resolução que na prática visa a eliminar as restrições para que o Japão possa manter Forças Armadas modernas e participar de guerras fora de seu território "para ajudar países amigos". É um abalo sísmico no pacifismo que caracterizou a política externa japonesa depois da derrota na Segunda Guerra Mundial.

"Nossa leitura da Constituição não mudou", declarou Abe em entrevista, tentando justificar a nova interpretação, observou a revista japonesa Nikkei Asia Review.

Pelo Art. 9 da Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos durante a ocupação americana, o Japão renuncia ao direito de usar a força fora de seu território: "Aspirando sinceramente a uma paz baseada na justiça e na ordem, o povo japonês renuncia para sempre à guerra como um direito soberano da nação e ao uso da força como meio para resolver disputas internacionais. Para atingir este objetivo, não serão mantidas forças de ar, terra e mar nem outros instrumentos de guerra. O direito de beligerância do Estado não será reconhecido."

Isso significa que o Japão pode ter apenas Forças de Autodefesa, que na prática são de terra, mar e ar, mas não pode ter vários tipos de armas ofensivas, como bombas atômicas e mísseis de médio e longo alcances.

O governo japonês muda sua política de defesa diante da agressividade cada vez maior da China, a superpotência emergente, nas disputas territoriais com os países vizinhos.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Nigéria sabe onde estão meninas sequestradas

As Forças Armadas da Nigéria localizaram as 284 meninas sequestradas em 14 de abril de 2014 pela milícia terrorista muçulmana Boko Haram, que luta para impor a lei no Norte do país, majoritariamente muçulmano.

Um comandante militar disse que eles não podem usar a força por causa do risco para as reféns. Os grupos extremistas muçulmanos da Nigéria costumam executar os reféns quando são atacados.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Militares da Bolívia marcham contra baixos salários

Numa onda de transportes sem precedentes, militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea da Bolívia protestaram hoje pelo terceiro dia consecutivo nas ruas de La Paz exigindo aumentos salariais e benefícios sociais. O movimento ainda é pequeno, mas revela desunião e insatisfação nas Forças Armadas seis meses antes da eleição presidencial de outubro de 2014.

Várias centenas de militares fizeram as primeiras marchas no dia 22 de abril em La Paz e Santa Cruz de la Sierra, e grupos menores nos departamentos (equivalentes aos estados no Brasil) de Beni, Chuquisaca, Potosí, Oruro e Tarija.

Os manifestantes exigem a reabilitação de quatro oficiais removidos de seus postos há três por liderar o movimento por salários maiores e melhoria nas condições de habitação, assistência médica, além de oportunidades para estudar e ascender dentro da carreira militar. Também querem uma lei para proibir a discriminação racial nas Forças Armadas da Bolívia.

A Bolívia tem uma história trágica marcada por 192 tentativas de golpe de Estado. Depois do sangrento golpe de 1982, naquele mesmo ano, com a redemocratização do país, foi eleito Hernán Siles Suazo, que não conseguiu completar o mandato por causa da quarta maior hiperinflação da história, de 27.000% ao ano.

No início do século 21, o esgotamento das políticas econômicas liberais usadas para controlar a inflação, que não produziram o desenvolvimento social prometido, levaram a uma onda de manifestações de protesto e à queda, em 2003, do presidente Gonzalo Sánchez de Losada, acusado de fazer um acordo com o Chile para vender gás boliviano para os Estados Unidos. O Chile é o inimigo histórico que tomou a saída da Bolívia para o mar, na Guerra do Pacífico (1879-83).

Desde então, o país viveu uma era de instabilidade até a eleição, em dezembro de 2005, de Evo Morales, o primeiro indígena a governar um país da América Latina desde Benito Juárez, no México (1858-64).

Aliado do então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, Morales estatizou o petróleo e o gás natural bolivianos, chegando a ocupar militarmente instalações da Petrobrás para isso, sem maior reação do governo brasileiro. Sem a riqueza do petróleo da Venezuela, Evo faz uma política econômica austera para manter o equilíbrio das contas públicas. Os militares estão cobrando sua parte.

Diante da repressão ao movimento, os manifestantes exigem a demissão do ministro da Defesa e dos comandantes das três armadas e a abertura de uma negociação direta com o presidente. Não há nenhum sinal de ameaça imediata a Morales, mas ele terá de dar uma resposta antes da eleição de outubro, quando será candidato à reeleição. Até agora, o governo se nega a iniciar um diálogo.