A Justiça de Mianmar, a antiga Birmânia, condenou hoje dois jornalistas da agência de notícias Reuters a sete anos de cadeia por obter e divulgar segredos de Estado sobre o conflito com a minoria étnica rohingya. As Forças Armadas do país são acusadas de genocídio contra os rohingyas, que são muçulmanos.
Wa Lone e Kyae Soe Oo relataram graves violações dos direitos humanos nas operações dos militares mianmarenses no estado de Rakhine, no Oeste de Mianmar. A polícia plantou documentos secretos para incriminar os repórteres, alegou a defesa.
A denúncia foi feita com base na Lei de Segredos de Estado, reminiscência do período colonial britânico, encerrado em 1948. Os promotores afirmaram que os documento secretos foram roubados para ganho financeiro da Reuters em prejuízo dos interesses nacionais de Mianmar, uma linguagem típica da ditadura militar que o país foi até pouco tempo e de que não consegue se livrar.
Suas reportagens revelaram o massacre de dez homens e garotos amarrados uns aos outros na vila de Inn Din, uma das raras ocasiões em que o Exército foi obrigado a reconhecer as atrocidades cometidas pelos soldados.
Os militares de Mianmar foram acusados pelos investigadores da ONU por cerca de 10 mil mortes e pela fuga do país de mais de 700 mil rohingyas, que foram para o vizinho Bangladesh, a República de Bengala, criada com a independência do antigo Paquistão Oriental, em 1971.
A linha dura das Forças Armadas da Birmânia, que desgovernaram o país de 1962 até 2016 e ainda têm plenos poderes para combater várias minorias étnicas rebeldes. A líder civil do país é Aung San Suu Kyi, que passou a maior parte das três últimas décadas em prisão domiciliar e ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991.
Suu Kyi tem sido extremamente criticada pelo silêncio diante das atrocidades dos generais. A luta contra as minorias étnicas e religiosas têm o apoio da maioria budista e o silêncio da filha do líder da independência, que se tornou o símbolo da luta pela democracia no país, enquanto os militares falam em "acabar com o problema bengalês", como se os rohingyas fossem imigrantes ilegais.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 3 de setembro de 2018
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
ONU acusa Forças Armadas de Mianmar de genocídio
As Forças Armadas de Mianmar, a antiga Birmânia, cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade contra a minoria rohingya, no estado de Rakhine, que configuram genocídio, denunciou um relatório das Nações Unidas, citado pelo jornal inglês The Guardian, pedindo ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que abra os devidos processos.
Como o governo de Mianmar não deixou os investigadores da ONU entrarem no país, eles entrevistaram 875 pessoas que fugiram. Essas testemunhas contaram que os militares "mataram indiscriminadamente, violentaram mulheres, atacaram crianças e incendiaram vilas inteiras" em Kakhine, onde vivem os muçulmanos rohingya, e também nos estados de Chan e Kachin, onde há outros grupos étnicos rebeldes.
Os militares mianmarenses são acusados de homicídios, prisão arbitrárias, sequestros, desaparecimento depessoas, tortura, estupro, perseguição e escravização - todos crimes contra a humanidade. No Norte de Rakhine, foram coletadas provas de extermínio em massa e deportação.
"As recomendações claras do relatório mostrou a necessidade óbvia de dar passos concretos para levar à Justiça esses crimes atrozes, em vez de condenações e expressões de preocupação vazias", declarou o diretor para a Ásia da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), Brad Adams.
"Este relatório deve eliminar qualquer dúvida sobre a urgência de investigar as responsabilidades por essas atrocidades em massa", acrescentou.
Em um ano de ofensiva militar, cerca de 25 mil rohingyas foram mortos e 700 mil fugiram para Bangladesh. O maior acusado é o comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Min Aung Hlaing, que prometeu resolver "o antigo problema bengalês".
Minutos depois da divulgação do relatório, o Facebook tirou da rede 18 contas e 52 páginas ligados aos militares de Mianmar, inclusive uma do general. Eles foram usadas para culpar "terroristas muçulmanos" pelos massacres.
"Queremos impedir que usem nosso serviço para inflamar ainda mais as tensões étnicas e religiosas", declarou o Facebook.
Como o governo de Mianmar não deixou os investigadores da ONU entrarem no país, eles entrevistaram 875 pessoas que fugiram. Essas testemunhas contaram que os militares "mataram indiscriminadamente, violentaram mulheres, atacaram crianças e incendiaram vilas inteiras" em Kakhine, onde vivem os muçulmanos rohingya, e também nos estados de Chan e Kachin, onde há outros grupos étnicos rebeldes.
Os militares mianmarenses são acusados de homicídios, prisão arbitrárias, sequestros, desaparecimento depessoas, tortura, estupro, perseguição e escravização - todos crimes contra a humanidade. No Norte de Rakhine, foram coletadas provas de extermínio em massa e deportação.
"As recomendações claras do relatório mostrou a necessidade óbvia de dar passos concretos para levar à Justiça esses crimes atrozes, em vez de condenações e expressões de preocupação vazias", declarou o diretor para a Ásia da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), Brad Adams.
"Este relatório deve eliminar qualquer dúvida sobre a urgência de investigar as responsabilidades por essas atrocidades em massa", acrescentou.
Em um ano de ofensiva militar, cerca de 25 mil rohingyas foram mortos e 700 mil fugiram para Bangladesh. O maior acusado é o comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Min Aung Hlaing, que prometeu resolver "o antigo problema bengalês".
Minutos depois da divulgação do relatório, o Facebook tirou da rede 18 contas e 52 páginas ligados aos militares de Mianmar, inclusive uma do general. Eles foram usadas para culpar "terroristas muçulmanos" pelos massacres.
"Queremos impedir que usem nosso serviço para inflamar ainda mais as tensões étnicas e religiosas", declarou o Facebook.
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quarta-feira, 30 de março de 2016
Assessor de Aung San Suu Kyi assume Presidência de Mianmar
Htin Kyaw, um assessor de Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, assumiu hoje a Presidência de Mianmar, a antiga Birmânia, noticiou a Agência France Presse (AFP). É o primeiro governo eleito democraticamente depois de mais de 50 anos de ditadura militar.
O general da reserva Myint Swe e Henry Van Thio, da minoria étnica chin, foram empossados como vice-presidentes. Suu Kyi foi nomeada ministro do Exterior, mas deixou claro que será o poder real por trás do trono no país do Sudeste Asiático.
Ela não pode presidir o país por causa de uma lei aprovada pela ditadura barrando pessoas casadas com estrangeiros ou que tenham filhos com estrangeiros possam chefiar o Estado. Suu Kyi é viúva de um britânico, com quem teve filhos.
Ela não pode presidir o país por causa de uma lei aprovada pela ditadura barrando pessoas casadas com estrangeiros ou que tenham filhos com estrangeiros possam chefiar o Estado. Suu Kyi é viúva de um britânico, com quem teve filhos.
A Liga Nacional pela Democracia, que domina o novo governo, pretende integrar as diversas minorias étnicas que lutaram contra a ditadura militar, mas os militares devem resistir. Há 17 grupos armados em luta contra o governo. Depois de ficar no poder desde 1962, os militares dominam a burocracia e a economia de Mianmar.
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quinta-feira, 14 de maio de 2015
Bulgária envia tropas para a fronteira da Macedônia
O primeiro-ministro Boiko Borissov comunicou ao Parlamento da Bulgária ontem o envio de tropas à fronteira com a ex-república iugoslava da Macedônia para impedir a entrada em massa de refugiados, noticiou o jornal digital EU Observer.
A tensão aumentou na Macedônia depois de um confronto da polícia com militantes da minoria albanesa que terminou com 22 mortes, de 14 albaneses e oito policiais, em 10 de maio de 2015. É mais um conflito étnico na região dos Bálcãs decorrente das guerras que destruíram a Iugoslávia no fim do século 20.
Borissov declarou que a Macedônia está pronta a receber cerca de 90 mil macedônios com passaportes búlgaros, mas está preocupado com os riscos de agitação social, violência e terrorismo. Teme uma crise humanitária no país vizinho. Um terço dos 2 milhões de macedônios é de origem albanesa.
Sob pressão, o primeiro-ministro macedônio, Nikola Gruevski, denunciou a infiltração de terroristas vindos de um país vizinho para desestabilizar a Macedônia. Ontem, a ministra do Interior, Gordana Jankulova, e o chefe do serviço secreto, Sasso Mijalkovski, pediram demissão sob acusações de escuta telefônica ilegal e intimidação de jornalistas.
A Macedônia sofreu um forte impacto com a Guerra do Kossovo, em 1999, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) bombardeou a Sérvia durante 78 dias para obrigar as forças do ditador Slobodan Milosevic a se retirar da província do Kossovo, onde estavam massacrando a maioria albanesa.
O conflito entre eslavos e albaneses se alastrou para a Macedônia. Em 2001, houve um acordo entre a maioria eslava e guerrilheiros albaneses. Ex-combatentes do Exército de Libertação do Kossovo faziam parte do grupo que entrou em conflito com a polícia macedônia no domingo passado.
A Bulgária considera a Macedônia um país irmão. Ambos usam o alfabeto cirílico e conseguem se entender. Os búlgaros consideram o macedônio uma variação de sua língua, mas as relações entre os dois países se agravaram nos últimos meses.
O governo búlgaro quer assinar um tratado bilateral para resolver questões potencialmente litigiosas, como a exigência de que reconheça a existência de uma "minoria macedônia" na Bulgária e os direitos dos búlgaros na Macedônia.
Sem um tratado, a Bulgária vai vetar a abertura de negociações para a entrada da Macedônia na União Europeia, bloqueadas pela Grécia há cinco anos. A Grécia exige a mudança do nome do país para que a Macedônia não reivindique a soberania sobre a província grega chamada Macedônia.
A tensão aumentou na Macedônia depois de um confronto da polícia com militantes da minoria albanesa que terminou com 22 mortes, de 14 albaneses e oito policiais, em 10 de maio de 2015. É mais um conflito étnico na região dos Bálcãs decorrente das guerras que destruíram a Iugoslávia no fim do século 20.
Borissov declarou que a Macedônia está pronta a receber cerca de 90 mil macedônios com passaportes búlgaros, mas está preocupado com os riscos de agitação social, violência e terrorismo. Teme uma crise humanitária no país vizinho. Um terço dos 2 milhões de macedônios é de origem albanesa.
Sob pressão, o primeiro-ministro macedônio, Nikola Gruevski, denunciou a infiltração de terroristas vindos de um país vizinho para desestabilizar a Macedônia. Ontem, a ministra do Interior, Gordana Jankulova, e o chefe do serviço secreto, Sasso Mijalkovski, pediram demissão sob acusações de escuta telefônica ilegal e intimidação de jornalistas.
A Macedônia sofreu um forte impacto com a Guerra do Kossovo, em 1999, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) bombardeou a Sérvia durante 78 dias para obrigar as forças do ditador Slobodan Milosevic a se retirar da província do Kossovo, onde estavam massacrando a maioria albanesa.
O conflito entre eslavos e albaneses se alastrou para a Macedônia. Em 2001, houve um acordo entre a maioria eslava e guerrilheiros albaneses. Ex-combatentes do Exército de Libertação do Kossovo faziam parte do grupo que entrou em conflito com a polícia macedônia no domingo passado.
A Bulgária considera a Macedônia um país irmão. Ambos usam o alfabeto cirílico e conseguem se entender. Os búlgaros consideram o macedônio uma variação de sua língua, mas as relações entre os dois países se agravaram nos últimos meses.
O governo búlgaro quer assinar um tratado bilateral para resolver questões potencialmente litigiosas, como a exigência de que reconheça a existência de uma "minoria macedônia" na Bulgária e os direitos dos búlgaros na Macedônia.
Sem um tratado, a Bulgária vai vetar a abertura de negociações para a entrada da Macedônia na União Europeia, bloqueadas pela Grécia há cinco anos. A Grécia exige a mudança do nome do país para que a Macedônia não reivindique a soberania sobre a província grega chamada Macedônia.
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quarta-feira, 3 de julho de 2013
Irmandade Muçulmana denuncia golpe no Egito
Há um golpe de Estado em marcha no Egito, denunciou hoje o assessor de segurança nacional da Presidência. O prazo-limite dado pelos militares para que governo e oposição se entendam esgotou-se hoje às 11h30 pelo horário de Brasília.
As Forças Armadas ocuparam a televisão estatal e devem fazer um pronunciamento nas próximas horas. O presidente Mohamed Mursi estaria há seis horas em prisão domiciliar. Há notícias de que o ultimato para que os partidos políticos cheguem a um acordo seria prorrogado.
Outras fontes dizem que Mursi estaria no Ministério da Defesa, sob a proteção da guarda presidencial. O jornal francês Le Monde disse que ele foi proibido de sair do Egito.
Em entrevista à rede de televisão americana CNN, o escritor Naguib Abadir negou que se trate de um golpe de Estado, alegando que "é uma revolução contra um presidente que abusou do poder e tentou concentrar todos os poderes legislativos".
Nas ruas do Cairo, há gigantescas manifestações rivais: de um lado, as oposições secularistas; do outro, os partidos islâmicos que apoiam Mursi. Pelo menos 23 pessoas morreram e outras centenas saíram feridas dos confrontos das últimas horas.
Há movimento de tropas e blindados em Suez e no Sinai, onde veículos do Exército teriam sido colocados junto a mesquitas, temendo uma reação violenta dos islamitas.
A Irmandade Muçulmana promete não recuar diante da iniciativa dos militares de remover o primeiro presidente eleito da História do Egito. Um militante islamita disse à CNN que "o Exército não pode atirar contra a multidão".
Na Espanha em 1936, no Irã em 1953, no Sudão em 1989, na Argélia e no Tajiquistão em 1992, golpes militares contra líderes populares levaram a ditaduras e guerras civis. Na Argélia, que também fica no Norte da África, a anulação do segundo turno das eleições parlamentares que seriam vencidas pela Frente Islâmica de Salvação (FIS), em 1992, levou a uma guerra civil com mais de 100 mil mortes.
Os Estados Unidos estão preocupados. Como maior país árabe em população, com 85 milhões de habitantes, o Egito é líder do mundo árabe. O caos no país pode ser contagiado. Um ativista da Irmandade Muçulmana já ameaçou dar aos militares egípcios o "mesmo destino do Exército baathista de Assad", numa referência à guerra civil na Síria.
A derrubada do governo islamita egípcio, considerado moderado, prejudica os esforços internacionais para trazer os partidos muçulmanos radicais para o jogo político, evitando assim o recurso à violência e ao terrorismo. Ao depor Mursi, os militares egípcios deram poder às massas para exigir a queda de outros presidentes no futuro, criando um precedente perigoso.
As Forças Armadas ocuparam a televisão estatal e devem fazer um pronunciamento nas próximas horas. O presidente Mohamed Mursi estaria há seis horas em prisão domiciliar. Há notícias de que o ultimato para que os partidos políticos cheguem a um acordo seria prorrogado.
Outras fontes dizem que Mursi estaria no Ministério da Defesa, sob a proteção da guarda presidencial. O jornal francês Le Monde disse que ele foi proibido de sair do Egito.
Em entrevista à rede de televisão americana CNN, o escritor Naguib Abadir negou que se trate de um golpe de Estado, alegando que "é uma revolução contra um presidente que abusou do poder e tentou concentrar todos os poderes legislativos".
Nas ruas do Cairo, há gigantescas manifestações rivais: de um lado, as oposições secularistas; do outro, os partidos islâmicos que apoiam Mursi. Pelo menos 23 pessoas morreram e outras centenas saíram feridas dos confrontos das últimas horas.
Há movimento de tropas e blindados em Suez e no Sinai, onde veículos do Exército teriam sido colocados junto a mesquitas, temendo uma reação violenta dos islamitas.
A Irmandade Muçulmana promete não recuar diante da iniciativa dos militares de remover o primeiro presidente eleito da História do Egito. Um militante islamita disse à CNN que "o Exército não pode atirar contra a multidão".
Na Espanha em 1936, no Irã em 1953, no Sudão em 1989, na Argélia e no Tajiquistão em 1992, golpes militares contra líderes populares levaram a ditaduras e guerras civis. Na Argélia, que também fica no Norte da África, a anulação do segundo turno das eleições parlamentares que seriam vencidas pela Frente Islâmica de Salvação (FIS), em 1992, levou a uma guerra civil com mais de 100 mil mortes.
Os Estados Unidos estão preocupados. Como maior país árabe em população, com 85 milhões de habitantes, o Egito é líder do mundo árabe. O caos no país pode ser contagiado. Um ativista da Irmandade Muçulmana já ameaçou dar aos militares egípcios o "mesmo destino do Exército baathista de Assad", numa referência à guerra civil na Síria.
A derrubada do governo islamita egípcio, considerado moderado, prejudica os esforços internacionais para trazer os partidos muçulmanos radicais para o jogo político, evitando assim o recurso à violência e ao terrorismo. Ao depor Mursi, os militares egípcios deram poder às massas para exigir a queda de outros presidentes no futuro, criando um precedente perigoso.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Militares do Egito podem dissolver Parlamento
Em meio a uma onda de protestos e boatos de que os militares vão dissolver o Parlamento, o presidente Mohamed Mursi reuniu-se hoje com o comando das Forças Armadas do Egito. Ontem os militares deram um ultimato de 48 para que os políticos se entendam e acabem com a atual crise. Caso contrário, vão impor seu próprio plano.
Mais uma vez, centenas de milhares de pessoas ocupam hoje a Praça da Libertação, no Centro do Cairo, por convocação do movimento oposicionista Tamarod (Rebelde), que pretende manter os protestos até a renúncia do presidente.
Mursi, da Irmandade Muçulmana, é acusado de autoritarismo e de tentar impor um regime islamita. As oposições aparentemente preferem os militares.
O Canadá fechou hoje sua embaixada no Egito e citou como causa a falta de segurança para seus funcionários.
A economia egípcia só se deteriorou desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. Frequentemente faltam água, energia elétrica e outros serviços básicos. O Egito pediu ajuda de emergência ao Fundo Monetário Internacional, mas, sem estabilidade política interna, o país não se reconstrói.
Mais uma vez, centenas de milhares de pessoas ocupam hoje a Praça da Libertação, no Centro do Cairo, por convocação do movimento oposicionista Tamarod (Rebelde), que pretende manter os protestos até a renúncia do presidente.
Mursi, da Irmandade Muçulmana, é acusado de autoritarismo e de tentar impor um regime islamita. As oposições aparentemente preferem os militares.
O Canadá fechou hoje sua embaixada no Egito e citou como causa a falta de segurança para seus funcionários.
A economia egípcia só se deteriorou desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. Frequentemente faltam água, energia elétrica e outros serviços básicos. O Egito pediu ajuda de emergência ao Fundo Monetário Internacional, mas, sem estabilidade política interna, o país não se reconstrói.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Exército do Egito dá 48 horas a partidos
Os militares, que governaram o Egito da queda da monarquia, em 1952, até a eleição do presidente Mohamed Morsi, há um ano, deram hoje um prazo de 48 horas aos partidos políticos para que resolvam a crise política do país. A Irmandade Muçulmana rejeitou o ultimato.
Milhões de egípcios saíram às ruas ontem para exigir a renúncia de Mursi, da Irmandade Muçulmana. Pelo menos 16 pessoas foram mortas e centenas saíram feridas. A sede do Partido da Liberdade e Justiça, da Irmandande, foi atacada e incendiada. Quatro ministros pediram demissão.
Um movimento reunindo as oposições chamado Tamarod (Rebelde) alega ter coletado 22 milhões de assinaturas pedindo a renúncia do presidente. Deu prazo de 24 horas para o presidente renunciar, ameaçando realizar uma onda de protestos até a queda de Mursi. Em meio ao caos revolucionário, a economia egípcia se afunda ainda mais.
Em 2011, foram necessários 18 dias de protestos, em que mais de 800 pessoas morreram, para derrubar o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há quase 30 anos. Mursi se reuniu hoje com o Comando das Forças Armadas.
Milhões de egípcios saíram às ruas ontem para exigir a renúncia de Mursi, da Irmandade Muçulmana. Pelo menos 16 pessoas foram mortas e centenas saíram feridas. A sede do Partido da Liberdade e Justiça, da Irmandande, foi atacada e incendiada. Quatro ministros pediram demissão.
Um movimento reunindo as oposições chamado Tamarod (Rebelde) alega ter coletado 22 milhões de assinaturas pedindo a renúncia do presidente. Deu prazo de 24 horas para o presidente renunciar, ameaçando realizar uma onda de protestos até a queda de Mursi. Em meio ao caos revolucionário, a economia egípcia se afunda ainda mais.
Em 2011, foram necessários 18 dias de protestos, em que mais de 800 pessoas morreram, para derrubar o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há quase 30 anos. Mursi se reuniu hoje com o Comando das Forças Armadas.
domingo, 30 de junho de 2013
Multidão retoma praça e pede queda de Mursi
Um ano depois de sua eleição, o presidente Mohamed Mursi foi hoje o alvo principal de uma gigantesca manifestação na Praça da Libertação, no Centro do Cairo, a maior desde a queda de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. A oposição exige sua renúncia sob o argumento de que a revolução no Egito não derrubou uma ditadura militar para aceitar outra da Irmandade Muçulmana.
Pelo menos uma pessoa morreu e outras saíram feridas em confrontos entre governistas e oposicionistas.
O mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana, beneficiou-se de sua organização para vencer as eleições da chamada Primavera Árabe. No momento, controla a Presidência e o Parlamento do país com o beneplácito das Forças Armadas.
As manifestações são organizadas por um novo movimento chamado Tamarod (Rebelde, em árabe), que alega ter coletado 15 milhões de assinaturas pedindo a saída de Mursi e a antecipação das eleições presidenciais. O presidente e a Irmandade Muçulmana alegam que sua legitimidade vêm das urnas.
Se não conseguir pacificamente, o Tamarod pretende criar um clima de confrontação e violência política para provocar uma ruptura na aliança tácita entre islamitas e militares e uma nova intervenção das Forças Armadas na política egípcia.
Com o caos e o desgoverno resultantes da revolução que derrubou Mubarak, os turistas fugiram e a economia, um dos motivos da revolta popular em 2011, está numa crise cada vez pior. A Irmandade Muçulmana perde popularidade por não conseguir administrar um país ainda em estado revolucionário, e as multidões frustradas pelo sequestro de sua revolução retomam as ruas na esperança de fazer valer seus ideais.
Pelo menos uma pessoa morreu e outras saíram feridas em confrontos entre governistas e oposicionistas.
O mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana, beneficiou-se de sua organização para vencer as eleições da chamada Primavera Árabe. No momento, controla a Presidência e o Parlamento do país com o beneplácito das Forças Armadas.
As manifestações são organizadas por um novo movimento chamado Tamarod (Rebelde, em árabe), que alega ter coletado 15 milhões de assinaturas pedindo a saída de Mursi e a antecipação das eleições presidenciais. O presidente e a Irmandade Muçulmana alegam que sua legitimidade vêm das urnas.
Se não conseguir pacificamente, o Tamarod pretende criar um clima de confrontação e violência política para provocar uma ruptura na aliança tácita entre islamitas e militares e uma nova intervenção das Forças Armadas na política egípcia.
Com o caos e o desgoverno resultantes da revolução que derrubou Mubarak, os turistas fugiram e a economia, um dos motivos da revolta popular em 2011, está numa crise cada vez pior. A Irmandade Muçulmana perde popularidade por não conseguir administrar um país ainda em estado revolucionário, e as multidões frustradas pelo sequestro de sua revolução retomam as ruas na esperança de fazer valer seus ideais.
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terça-feira, 28 de maio de 2013
"Revolução do Egito precisa de anos"
A democracia precisa de pelo menos quatro a cinco anos para se consolidar e terá de encontrar seu próprio modelo, afirmou hoje a professora e militante Rabab el-Mahdi, ao falar no seminário O Egito Após a Revolução: análise da atual conjuntura política, realizado no Rio de Janeiro pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Escola Superior de Propaganda e Marketing, na sede da ESPM.
"Um grande edifício desabou e a poeira ainda não assentou", disse a professora egípcia, falando da queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, depois de ficar quase 30 anos no poder. "A maior parte do que existia entrou em colapso. As revoluções são processos longos que levam anos. Não sou pessimista. Mas, nos próximos cinco anos, imagino que a situação não vá melhorar."
Rabab el-Mahdi apontou cinco desafios, "nem todos novos", para a revolução egípcia:
1. O Egito é uma sociedade pós-colonial. Os países árabes conquistaram a independência recentemente, no século 20. Há uma memória nítida do passado colonial. Isso levou ao nacionalismo árabe e ao islamismo político, duas tentativas de busca da identidade perdida.
Então, antes da construção institucional, a professora e militante entende que o Egito precisa resolver sua crise de identidade: "Quem somos nós? O que é uma sociedade islâmica? Como deve ser um Estado islâmico? O Irã, a Arábia Saudita e os países muçulmanos da Ásia têm respostas diferentes. O secularismo nos Estados Unidos é diferente do secularismo na França".
2. Há uma necessidade de reformas estruturais, mais do que questões de procedimentos. O que deve estar na Constituição? Que tipo de democracia queremos? Como tirar os militares da política? A democracia deve ser participativa ou representativa?
3. Há questões de distribuição do poder. Quem governa? Como produzir e distribuir a riqueza? "A revolução aconteceu porque o povo não queria mais autoritarismo nem desigualdade social. A economia global está em crise e o Egito não está realmente integrado. Temos uma crise de balanço de pagamento pós-revolução. Os serviços sociais, os serviços públicos, funcionam mal. Os gastos com saúde são menos de 5% do produto nacional bruto. O Estado está quase falido".
4. A revolução ocorreu dentro de uma dinâmica regional. O Egito é um país líder no mundo árabe. De um total de cerca de 300 milhões de árabes, 90 milhões são egípcios. "Há um excepcionalismo egípcio. Os egípcios se consideram superiores. Se os tunisianos fizeram [derrubaram a ditadura de Ben Ali], tínhamos de fazer também."
Houve um efeito-dominó que foi espalhando a revolta pelos países árabes. As guerras civis na Líbia e na Síria tiveram um efeito-antidominó. A Primavera Árabe acabou a caminho de Damasco.
Outra questão regional importante é a relação com Israel, onde, na opinião de Rabab el-Mahdi, "não há absolutamente livre escolha. O Egito é pressionado e manipulado para manter a estabilidade. Os EUA não querem uma nova Somália ou Afeganistão".
5. Falta organização às forças liberais e de esquerda da classe média urbana das grandes cidades egípcias que saiu às ruas e tomou as praças para exigir o fim da ditadura. Na visão da professora, há três principais atores:
• os militares, que mandam historicamente no Egito desde a revolução que derrubou a monarquia, em 1952, têm as armas e o apoio dos EUA;
• a Irmandade Muçulmana, que controla a Presidência e o Parlamento, tem apoio popular, "mas nem tanto, o suficiente para garantir suas vitórias eleitorais; e
• as oposições, que vão desde os salafistas que acusam a Irmandade de não ser suficientemente muçulmana, os liberais e as esquerdas, não estão organizadas.
Diante desses problemas, a professora El-Mahdi prevê:
1. Não vai haver estabilidade em curto prazo, nos próximos quatro ou cinco anos.
2. Não deve haver grandes mudanças nas relações com os EUA e Israel.
3. Há uma perspectiva de aumento das relações Sul-Sul.
O presidente Mohamed Mursi visitou o Irã, a China e o Brasil.
Por fim, Rabab el-Mahdi comparou países muçulmanos a países católicos, normalmente sociedades que chamou de conservadoras. Na verdade, os partidos muçulmanos moderados representam o papel que a democracia cristã teve na democratização da Alemanha e da Itália depois da Segunda Guerra Mundial.
"Um grande edifício desabou e a poeira ainda não assentou", disse a professora egípcia, falando da queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, depois de ficar quase 30 anos no poder. "A maior parte do que existia entrou em colapso. As revoluções são processos longos que levam anos. Não sou pessimista. Mas, nos próximos cinco anos, imagino que a situação não vá melhorar."
Rabab el-Mahdi apontou cinco desafios, "nem todos novos", para a revolução egípcia:
1. O Egito é uma sociedade pós-colonial. Os países árabes conquistaram a independência recentemente, no século 20. Há uma memória nítida do passado colonial. Isso levou ao nacionalismo árabe e ao islamismo político, duas tentativas de busca da identidade perdida.
Então, antes da construção institucional, a professora e militante entende que o Egito precisa resolver sua crise de identidade: "Quem somos nós? O que é uma sociedade islâmica? Como deve ser um Estado islâmico? O Irã, a Arábia Saudita e os países muçulmanos da Ásia têm respostas diferentes. O secularismo nos Estados Unidos é diferente do secularismo na França".
2. Há uma necessidade de reformas estruturais, mais do que questões de procedimentos. O que deve estar na Constituição? Que tipo de democracia queremos? Como tirar os militares da política? A democracia deve ser participativa ou representativa?
3. Há questões de distribuição do poder. Quem governa? Como produzir e distribuir a riqueza? "A revolução aconteceu porque o povo não queria mais autoritarismo nem desigualdade social. A economia global está em crise e o Egito não está realmente integrado. Temos uma crise de balanço de pagamento pós-revolução. Os serviços sociais, os serviços públicos, funcionam mal. Os gastos com saúde são menos de 5% do produto nacional bruto. O Estado está quase falido".
4. A revolução ocorreu dentro de uma dinâmica regional. O Egito é um país líder no mundo árabe. De um total de cerca de 300 milhões de árabes, 90 milhões são egípcios. "Há um excepcionalismo egípcio. Os egípcios se consideram superiores. Se os tunisianos fizeram [derrubaram a ditadura de Ben Ali], tínhamos de fazer também."
Houve um efeito-dominó que foi espalhando a revolta pelos países árabes. As guerras civis na Líbia e na Síria tiveram um efeito-antidominó. A Primavera Árabe acabou a caminho de Damasco.
Outra questão regional importante é a relação com Israel, onde, na opinião de Rabab el-Mahdi, "não há absolutamente livre escolha. O Egito é pressionado e manipulado para manter a estabilidade. Os EUA não querem uma nova Somália ou Afeganistão".
5. Falta organização às forças liberais e de esquerda da classe média urbana das grandes cidades egípcias que saiu às ruas e tomou as praças para exigir o fim da ditadura. Na visão da professora, há três principais atores:
• os militares, que mandam historicamente no Egito desde a revolução que derrubou a monarquia, em 1952, têm as armas e o apoio dos EUA;
• a Irmandade Muçulmana, que controla a Presidência e o Parlamento, tem apoio popular, "mas nem tanto, o suficiente para garantir suas vitórias eleitorais; e
• as oposições, que vão desde os salafistas que acusam a Irmandade de não ser suficientemente muçulmana, os liberais e as esquerdas, não estão organizadas.
Diante desses problemas, a professora El-Mahdi prevê:
1. Não vai haver estabilidade em curto prazo, nos próximos quatro ou cinco anos.
2. Não deve haver grandes mudanças nas relações com os EUA e Israel.
3. Há uma perspectiva de aumento das relações Sul-Sul.
O presidente Mohamed Mursi visitou o Irã, a China e o Brasil.
Por fim, Rabab el-Mahdi comparou países muçulmanos a países católicos, normalmente sociedades que chamou de conservadoras. Na verdade, os partidos muçulmanos moderados representam o papel que a democracia cristã teve na democratização da Alemanha e da Itália depois da Segunda Guerra Mundial.
sábado, 1 de setembro de 2012
Discurso de Romney não agradou ninguém
O discurso mais falado da Convenção Nacional do Partido Republicano dos Estados Unidos foi do ator e diretor de cinema Clinton Eastwood, um monólogo com uma cadeira vazia que representava o presidente Barack Obama. No seu maior desafio, o candidato a presidente Mitt Romney passou sem empolgar. Nem a direita conservadora gostou. Mitt esqueceu de prestar homenagem aos militares.
Num pequeno comentário na Internet, o editor da revista semanal Weekly Standard, Bill Kristol, um dos grandes porta-vozes do conservadorismo americano, criticou Romney por não ter uma "palavra de elogio" aos soldados em guerra no Afeganistão.
"Os EUA têm cerca de 68 mil soldados lutando no Afeganistão. Mais de 10 mil americanos morreram nessa guerra, que já dura mais de dez anos, uma guerra que Mitt Romney apoiou", observou Kristol. "Mas, em seu discurso aceitando a indicação de seu partido para ser comandante-em-chefe, Mitt Romney não disse uma palavra sobre a Guerra no Afeganistão."
Num pequeno comentário na Internet, o editor da revista semanal Weekly Standard, Bill Kristol, um dos grandes porta-vozes do conservadorismo americano, criticou Romney por não ter uma "palavra de elogio" aos soldados em guerra no Afeganistão.
"Os EUA têm cerca de 68 mil soldados lutando no Afeganistão. Mais de 10 mil americanos morreram nessa guerra, que já dura mais de dez anos, uma guerra que Mitt Romney apoiou", observou Kristol. "Mas, em seu discurso aceitando a indicação de seu partido para ser comandante-em-chefe, Mitt Romney não disse uma palavra sobre a Guerra no Afeganistão."
terça-feira, 10 de julho de 2012
Parlamento do Egito se reúne desafiando militares
A Assembleia Nacional do Egito desafiou hoje sua dissolução pelo Supremo Tribunal de Justiça do país e se reuniu por convocação do presidente Mohamed Mursi, apesar da advertência do Conselho Supremo das Forças Armadas de que a Constituição atual deve ser respeitada.
Em uma sessão que durou apenas alguns minutos, os deputados aprovaram uma proposta do presidente do Parlamento, Saad al-Katatni, para recorrer a um tribunal de apelações contra a dissolução da assembleia, informa o jornal The New York Times. O Supremo já declarou que sua decisão é definitiva e irrevogável, não cabendo mais recursos.
É a primeira confrontação séria entre os partidos religiosos, que elegeram a maioria dos deputados e o presidente, e os militares que mandam no Egito desde que a Revolução dos Coronéis derrubou a monarquia, em 1952. Isso não impediu que Mursi, da Irmandade Muçulmana, e o comandante das Forças Armadas, marechal Mohamed Hussein Tantawi sentassem lado a lado ontem numa cerimônia de formatura da academia militar.
Pela primeira vez em mais de 6 mil anos de história, o Egito tem dois grupos lutando pelo poder em eleições competitivas. O problema é que islamitas e militares representam o passado. A classe média urbana mais liberal que saiu às ruas e derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, na Primavera Árabe, terá de lutar por seu lugar ao sol.
Em uma sessão que durou apenas alguns minutos, os deputados aprovaram uma proposta do presidente do Parlamento, Saad al-Katatni, para recorrer a um tribunal de apelações contra a dissolução da assembleia, informa o jornal The New York Times. O Supremo já declarou que sua decisão é definitiva e irrevogável, não cabendo mais recursos.
É a primeira confrontação séria entre os partidos religiosos, que elegeram a maioria dos deputados e o presidente, e os militares que mandam no Egito desde que a Revolução dos Coronéis derrubou a monarquia, em 1952. Isso não impediu que Mursi, da Irmandade Muçulmana, e o comandante das Forças Armadas, marechal Mohamed Hussein Tantawi sentassem lado a lado ontem numa cerimônia de formatura da academia militar.
Pela primeira vez em mais de 6 mil anos de história, o Egito tem dois grupos lutando pelo poder em eleições competitivas. O problema é que islamitas e militares representam o passado. A classe média urbana mais liberal que saiu às ruas e derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, na Primavera Árabe, terá de lutar por seu lugar ao sol.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Justiça mantém dissolução do Parlamento do Egito
O Supremo Tribunal de Justiça do Egito rejeitou hoje a reconvocação da Assembleia Nacional pelo presidente Mohamed Mursi, reafirmando que sua dissolução no mês passado por causa de supostas irregularidades eleitorais é irrevogável.
Ontem, Mursi, eleito pela Irmandade Muçulmana e empossado pelos militares em 30 de junho de 2012, afirmou que o Parlamento deveria continuar funcionando até a realização de novas eleições.
Diante da dissolução da Assembleia Nacional, o Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o poder desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, na chamada Primavera Árabe, avocou para si todos os poderes legislativos, inclusive de redigir uma nova Constituição.
O conflito entre militares e islamitas, que marcou a História do Egito, nas últimas décadas está vivo. Será um dos maiores desafios da construção de uma democracia no país, observa a televisão pública britânica BBC.
Ontem, Mursi, eleito pela Irmandade Muçulmana e empossado pelos militares em 30 de junho de 2012, afirmou que o Parlamento deveria continuar funcionando até a realização de novas eleições.
Diante da dissolução da Assembleia Nacional, o Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o poder desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, na chamada Primavera Árabe, avocou para si todos os poderes legislativos, inclusive de redigir uma nova Constituição.
O conflito entre militares e islamitas, que marcou a História do Egito, nas últimas décadas está vivo. Será um dos maiores desafios da construção de uma democracia no país, observa a televisão pública britânica BBC.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Militares assumem poder legislativo no Egito
Num duro golpe contra a revolução, a dois dias do início do segundo turno da eleição presidencial, o Supremo Tribunal do Egito anulou a eleição de vários deputados e recomendou a dissolução do Parlamento. Diante disso, o Conselho Supremo das Forças Armadas, que governa o país desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, assumiu todos os poderes legislativos.
Ao mesmo tempo, o tribunal confirmou a legalidade da candidatura do ex-primeiro-ministro e ex-comandante da Força Aérea Ahmed Chafik, que disputa o segundo turno com Mohamed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista do mundo.
Mursi agora pode atrair mais votos de eleitores descontentes com os militares, mas o risco é de um reinício da revolta popular.
Ao mesmo tempo, o tribunal confirmou a legalidade da candidatura do ex-primeiro-ministro e ex-comandante da Força Aérea Ahmed Chafik, que disputa o segundo turno com Mohamed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista do mundo.
Mursi agora pode atrair mais votos de eleitores descontentes com os militares, mas o risco é de um reinício da revolta popular.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Egípcios fazem grande protesto contra militares
Dezenas de milhares de egípcios voltaram a tomar hoje a Praça da Libertação, no centro do Cairo, para protestar contra a relutância dos militares em ceder o poder aos civis. Nesta semana, a comissão eleitoral vetou dez candidaturas à Presidência, inclusive de três fortes candidatos.
O favorito, Kharait al-Chater, vice-líder da Irmandade Muçulmana, e o candidato dos ultrarradicais salafistas foram impedidos de concorrer por tecnicalidades. Juntos, os partidos islamitas têm 70% das cadeiras na Assembleia Nacional do Egito.
Tudo indica que o Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o poder em 11 de fevereiro de 2011, com a queda do ditador Hosni Mubarak (1981-2011), quer uma transição lenta, gradual e sob seu controle, como aliás aconteceu no Brasil, que tinha muito mais tradição democrática do que o país árabe.
O favorito, Kharait al-Chater, vice-líder da Irmandade Muçulmana, e o candidato dos ultrarradicais salafistas foram impedidos de concorrer por tecnicalidades. Juntos, os partidos islamitas têm 70% das cadeiras na Assembleia Nacional do Egito.
Tudo indica que o Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o poder em 11 de fevereiro de 2011, com a queda do ditador Hosni Mubarak (1981-2011), quer uma transição lenta, gradual e sob seu controle, como aliás aconteceu no Brasil, que tinha muito mais tradição democrática do que o país árabe.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Coreia do Norte terá liderança coletiva
Com a morte de Kim Jong Il, o regime stalinista da Coreia do Norte deve passar a ter uma liderança coletiva, já que o sucessor designado, Kim Jong Un, terceiro filho do falecido ditador, tem apenas 28 anos. É considerado muito jovem e inexperiente, informou hoje a agência de notícias Reuters.
A mesma fonte disse que os militares juraram lealdade ao Grande Sucessor, como o jovem Kim vem sendo chamado pela imprensa oficial do último país comunista que ainda mantém os cerimoniais associados ao poder soviético.
A mesma fonte disse que os militares juraram lealdade ao Grande Sucessor, como o jovem Kim vem sendo chamado pela imprensa oficial do último país comunista que ainda mantém os cerimoniais associados ao poder soviético.
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