Em uma manobra ousada na luta pelo poder no Egito, o presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, demitiu o ministro da Defesa, marechal Mohamed Hussein Tantawi, e seu subcomandante, general Sami Anan. Também retirou os poderes legislativos do Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), que Tantawi presidia.
Os militares governam o Egito desde que a Revolução dos Coronéis, liderada por Gamal Abdel Nasser, derrubou a monarquia, há 60 anos. Sempre viram os partidos muçulmanos como inimigos de sua república secularista inspirada pela que Mustafá Kemal Ataturk construiu na Turquia depois do desaparecimento do Império Otomano, no fim da Primeira Guerra Mundial.
Durante os 30 anos em que governou o Egito ser derrubado por uma revolta popular em 11 de fevereiro de 2011, o ditador Hosni Mubarak acenou com a ameaça de que a única alternativa era o extremismo muçulmano. A Irmandade, considerada islamita moderada, venceu as eleições parlamentares e presidencial.
Diante da vitória dos partidos religiosos, o Supremo Tribunal anulou parcialmente o resultado das eleições parlamentares, dissolveu a Assembleia Nacional e transferiu todos os poderes legislativos para o CSFA.
Mursi tentou reinstautar o Parlamento. Agora, reafirmando o mandato recebido nas urnas nas primeiras eleições democráticas em 6 mil anos de História do Egito, passa para a reserva o marechal Tantawi, ministro da Defesa desde 1991, que já foi conhecido como o Poodle de Mubarak.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 12 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Egito bombardeia jihadistas na Península do Sinai
A Força Aérea do Egito bombardeou hoje a Península do Sinai pela primeira vez desde a Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão), em 1973, quando tentou reconquistar o território, ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Os alvos foram extremistas muçulmanos que atacaram um posto de fronteira e mataram 16 soldados egípcios no domingo para invadir Israel. Pelo menos 20 jihadistas teriam sido mortos. Na terça-feira, os islamitas atacaram mais sete postos fronteiriços.
Essas ações teriam sido realizadas em coordenação com militantes palestinos da Faixa de Gaza. O novo governo egípcio, presidido por Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, considerado um grupo islamita moderado, estaria fechando os túneis clandestinos que ligam Gaza ao Sinai para quebrar esse vínculo.
Na terça-feira, Israel entregou às autoridades egípcias os corpos de seis militantes supostamente mortos no ataque ao território israelense, noticiou a agência France Presse.
O presidente Mursi demitiu seu chefe do serviço secreto e pediu ao ministro da Defesa e chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, marechal Mohamed Hussein Tantawi, que nomeie um novo comandante da Polícia Militar, informa o jornal The New York Times.
Mursi cancelou sua participação numa homenagem aos soldados mortos depois que seu primeiro-ministro foi hostilizado por ativistas que responsabilizam a Irmandade Muçulmana pelos ataques.
Com seu fanatismo, os jihadistas conseguiram aproximar o novo governo egípcio dos interesses israelenses. Para recuperar o Sinai depois da derrota na guerra de 1973, o então presidente Anuar Sadat rompeu a aliança com a União Soviética, que impedira o Exército de Israel de destruir o III Exército do Egito, se aproximou dos EUA e visitou Israel em 1977.
Sadat pagou com a vida. Em 6 de outubro de 1981, durante uma cerimônia para lembrar o início da guerra de 1973, ele foi metralhado por extremistas muçulmanos que não aceitavam a paz com Israel. Os salafistas, grupo político mais ligado aos assassinos de Sadat, conseguiram 29% nas primeiras eleições parlamentares livres da História do Egito.
Os alvos foram extremistas muçulmanos que atacaram um posto de fronteira e mataram 16 soldados egípcios no domingo para invadir Israel. Pelo menos 20 jihadistas teriam sido mortos. Na terça-feira, os islamitas atacaram mais sete postos fronteiriços.
Essas ações teriam sido realizadas em coordenação com militantes palestinos da Faixa de Gaza. O novo governo egípcio, presidido por Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, considerado um grupo islamita moderado, estaria fechando os túneis clandestinos que ligam Gaza ao Sinai para quebrar esse vínculo.
Na terça-feira, Israel entregou às autoridades egípcias os corpos de seis militantes supostamente mortos no ataque ao território israelense, noticiou a agência France Presse.
O presidente Mursi demitiu seu chefe do serviço secreto e pediu ao ministro da Defesa e chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, marechal Mohamed Hussein Tantawi, que nomeie um novo comandante da Polícia Militar, informa o jornal The New York Times.
Mursi cancelou sua participação numa homenagem aos soldados mortos depois que seu primeiro-ministro foi hostilizado por ativistas que responsabilizam a Irmandade Muçulmana pelos ataques.
Com seu fanatismo, os jihadistas conseguiram aproximar o novo governo egípcio dos interesses israelenses. Para recuperar o Sinai depois da derrota na guerra de 1973, o então presidente Anuar Sadat rompeu a aliança com a União Soviética, que impedira o Exército de Israel de destruir o III Exército do Egito, se aproximou dos EUA e visitou Israel em 1977.
Sadat pagou com a vida. Em 6 de outubro de 1981, durante uma cerimônia para lembrar o início da guerra de 1973, ele foi metralhado por extremistas muçulmanos que não aceitavam a paz com Israel. Os salafistas, grupo político mais ligado aos assassinos de Sadat, conseguiram 29% nas primeiras eleições parlamentares livres da História do Egito.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Parlamento do Egito se reúne desafiando militares
A Assembleia Nacional do Egito desafiou hoje sua dissolução pelo Supremo Tribunal de Justiça do país e se reuniu por convocação do presidente Mohamed Mursi, apesar da advertência do Conselho Supremo das Forças Armadas de que a Constituição atual deve ser respeitada.
Em uma sessão que durou apenas alguns minutos, os deputados aprovaram uma proposta do presidente do Parlamento, Saad al-Katatni, para recorrer a um tribunal de apelações contra a dissolução da assembleia, informa o jornal The New York Times. O Supremo já declarou que sua decisão é definitiva e irrevogável, não cabendo mais recursos.
É a primeira confrontação séria entre os partidos religiosos, que elegeram a maioria dos deputados e o presidente, e os militares que mandam no Egito desde que a Revolução dos Coronéis derrubou a monarquia, em 1952. Isso não impediu que Mursi, da Irmandade Muçulmana, e o comandante das Forças Armadas, marechal Mohamed Hussein Tantawi sentassem lado a lado ontem numa cerimônia de formatura da academia militar.
Pela primeira vez em mais de 6 mil anos de história, o Egito tem dois grupos lutando pelo poder em eleições competitivas. O problema é que islamitas e militares representam o passado. A classe média urbana mais liberal que saiu às ruas e derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, na Primavera Árabe, terá de lutar por seu lugar ao sol.
Em uma sessão que durou apenas alguns minutos, os deputados aprovaram uma proposta do presidente do Parlamento, Saad al-Katatni, para recorrer a um tribunal de apelações contra a dissolução da assembleia, informa o jornal The New York Times. O Supremo já declarou que sua decisão é definitiva e irrevogável, não cabendo mais recursos.
É a primeira confrontação séria entre os partidos religiosos, que elegeram a maioria dos deputados e o presidente, e os militares que mandam no Egito desde que a Revolução dos Coronéis derrubou a monarquia, em 1952. Isso não impediu que Mursi, da Irmandade Muçulmana, e o comandante das Forças Armadas, marechal Mohamed Hussein Tantawi sentassem lado a lado ontem numa cerimônia de formatura da academia militar.
Pela primeira vez em mais de 6 mil anos de história, o Egito tem dois grupos lutando pelo poder em eleições competitivas. O problema é que islamitas e militares representam o passado. A classe média urbana mais liberal que saiu às ruas e derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, na Primavera Árabe, terá de lutar por seu lugar ao sol.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Egípcios festejam um ano da revolução
Dezenas de milhares de egípcios se concentram hoje na Praça da Libertação, no centro do Cairo, para marcar o primeiro aniversário do início da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011 num misto de ansiedade e decepção.
Ontem, o comandante do Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, marechal Mohamed Tantawi, anunciou a suspensão parcial do estado de emergência em vigor desde o assassinato do presidente Anuar Sadat, em 6 de outubro de 1981. Disse que só será aplicado contra "criminosos agressivos", sem explicar claramente o que isso significa.
A pressão da massa é pelo fim do estado de emergência, a queda da junta militar que governa o Egito desde a saída de Mubarak e sua responsabilização por mais de 80 mortes registradas em confrontos com as forças de segurança desde outubro de 2011.
O estado de exceção foi imposto para lutar contra os extremistas que mataram Sadat. Eles estão de volta com a força do voto.
Nas primeiras eleições democráticas da História do Egito, os partidos religiosos conquistaram dois terços das cadeiras no parlamento. É um sinal de que a maioria dos 80 milhões de egípcios, que vive no interior do país, tem ideias muito diferentes sobre democracia do que os jovens ligados na Internet que lideraram a mobilização contra a ditadura.
Ontem, o comandante do Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, marechal Mohamed Tantawi, anunciou a suspensão parcial do estado de emergência em vigor desde o assassinato do presidente Anuar Sadat, em 6 de outubro de 1981. Disse que só será aplicado contra "criminosos agressivos", sem explicar claramente o que isso significa.
A pressão da massa é pelo fim do estado de emergência, a queda da junta militar que governa o Egito desde a saída de Mubarak e sua responsabilização por mais de 80 mortes registradas em confrontos com as forças de segurança desde outubro de 2011.
O estado de exceção foi imposto para lutar contra os extremistas que mataram Sadat. Eles estão de volta com a força do voto.
Nas primeiras eleições democráticas da História do Egito, os partidos religiosos conquistaram dois terços das cadeiras no parlamento. É um sinal de que a maioria dos 80 milhões de egípcios, que vive no interior do país, tem ideias muito diferentes sobre democracia do que os jovens ligados na Internet que lideraram a mobilização contra a ditadura.
domingo, 27 de novembro de 2011
Sabotadores atacam gasoduto antes da eleição no Egito
Horas antes das primeiras eleições democráticas da História do Egito, que começam nesta segunda-feira, sabotadores atacaram um gasoduto que vai até Israel e a Jordânia. A explosão foi a leste de Arish, na Península do Sinai, noticia a agência Reuters.
As eleições serão realizadas num momento de grande agitação política. Cerca de 40 pessoas morreram nos últimos dias em confrontos entre manifestantes e a polícia. Os oposicionistas concentrados na Praça da Libertação, no centro do Cairo, queriam adiar a votação, alegando que a junta militar que governa o país não tem legitimidade para presidir eleições.
No domingo, o presidente do Conselho Supremo das Forças Armadas, marechal Mohamed Hussein Tantawi, fez um apelo aos egípcios para que votem. Ele advertiu que o país está numa encruzilhada e que os militares não vão aceitar pressões.
O conselho militar assumiu o poder em 11 de fevereiro de 2011, data da queda do ditador Hosni Mubarak, que ficou quase 30 anos no poder.
Agora, será eleita uma Câmara com 498 deputados; os militares vão indicar mais dez. De 29 de janeiro a 11 de março, serão eleitos 180 senadores; outros 90 serão indicados depois da primeira eleição presidencial livre da História do Egito, marcada para junho de 2012.
A Irmandade Muçulmana, partido político mais organizado do país, é favorita nas eleições parlamentares. Pode eleger até 40% dos deputados, mas a expectativa é que não consiga maioria absoluta na Câmara.
Se olharmos para a História do Brasil, dá para entender que a democracia é um processo. Não pode ser imposta à força, como George W. Bush quis fazer no Iraque. Depende da formação de consensos, o que é sempre difícil em nações atrasadas e radicalizadas (o radicalismo é mais um sintoma da decadência dos EUA).
As eleições serão realizadas num momento de grande agitação política. Cerca de 40 pessoas morreram nos últimos dias em confrontos entre manifestantes e a polícia. Os oposicionistas concentrados na Praça da Libertação, no centro do Cairo, queriam adiar a votação, alegando que a junta militar que governa o país não tem legitimidade para presidir eleições.
No domingo, o presidente do Conselho Supremo das Forças Armadas, marechal Mohamed Hussein Tantawi, fez um apelo aos egípcios para que votem. Ele advertiu que o país está numa encruzilhada e que os militares não vão aceitar pressões.
O conselho militar assumiu o poder em 11 de fevereiro de 2011, data da queda do ditador Hosni Mubarak, que ficou quase 30 anos no poder.
Agora, será eleita uma Câmara com 498 deputados; os militares vão indicar mais dez. De 29 de janeiro a 11 de março, serão eleitos 180 senadores; outros 90 serão indicados depois da primeira eleição presidencial livre da História do Egito, marcada para junho de 2012.
A Irmandade Muçulmana, partido político mais organizado do país, é favorita nas eleições parlamentares. Pode eleger até 40% dos deputados, mas a expectativa é que não consiga maioria absoluta na Câmara.
Se olharmos para a História do Brasil, dá para entender que a democracia é um processo. Não pode ser imposta à força, como George W. Bush quis fazer no Iraque. Depende da formação de consensos, o que é sempre difícil em nações atrasadas e radicalizadas (o radicalismo é mais um sintoma da decadência dos EUA).
No Brasil, depois da crise do petróleo árabe de 1973, que acabou com o modelo econômico da ditadura, baseado em energia e mão de obra baratas, o gen. Ernesto Geisel anunciou sua abertura lenta, gradual e segura em 1974. Só em 1985 o poder foi devolvido aos civis, depois das bombas na OAB e no Riocentro. A nova Constituição veio em 1988 e a primeira eleição presidencial direta em 1989. Foram 15 anos de transição.
O Egito e o mundo árabe em geral não têm tradição democrática, como tivemos pelo menos de 1946-64, com todos os seus defeitos. É um processo longo, sujeito a retrocessos.
Talvez o maior exemplo de democracia no mundo muçulmano seja a Turquia, apesar da repressão aos curdos e de ser hoje um dos países que mais prendem jornalistas. As Forças Armadas foram durante muito tempo as fiadoras do regime. Só a pressão para negociar a adesão à União Europeia conseguiu afastar os militares da política. Vários oficiais estão sendo processados por tentativa de golpe de Estado.
No Egito, onde os militares mandam desde a queda da monarquia, em 1952, estão envolvidos em todas as atividades da vida pública, inclusive econômicas. O melhor que se pode esperar é uma transição lenta sob a tutela dos militares, que, como na Turquia, pretendem garantir que os fundamentalistas não imponham uma teocracia.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Militares prometem acelerar transição no Egito
Sob pressão de uma nova revoltar popular com 36 mortes e quase 2 mil feridos, o presidente do Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, marechal Mohamed Hussein Tantawi, prometeu acelerar a transição para a democracia, afirmando que o único interesse dos militares é o bem-estar do país.
Em pronunciamento agora há pouco na televisão egípcia, o marechal prometeu formar um governo tecnocrático e realizar a eleição presidencial até junho próximo e transferir o poder aos civis até 1º de julho de 2012, informa o jornal The New York Times.
Em pronunciamento agora há pouco na televisão egípcia, o marechal prometeu formar um governo tecnocrático e realizar a eleição presidencial até junho próximo e transferir o poder aos civis até 1º de julho de 2012, informa o jornal The New York Times.
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