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sábado, 13 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Junho

MORTE DE ALEXANDRE O GRANDE

    Em 323 antes de Cristo, morre aos 33 anos na Babilônia, hoje parte do Iraque, Alexandre, o Grande, da Macedônia, um dos maiores generais de todos os tempos.

Filho de Felipe II, da Macedônia, Alexandre é discípulo do filósofo Aristóteles. 

Aos 16 anos, Alexandre Magno lidera as primeiras tropas em combate. Depois da morte do pai, invade o Oriente Médio. Em 330 antes de Cristo, derrota o Império Persa e conquista todo o Oriente Médio. Em 327 AC, tomara o Afeganistão, a Ásia Central e o Norte da Índia.

REVOLTA CAMPONESA SAQUEIA LONDRES

     Em 1381, durante a Revolta Camponesa, um exército camponês liderado por Wat Tyler invade, saqueia e incendeia Londres. Vários prédios públicos são destruídos, prisioneiros libertados e um juiz decapitado.

A Revolta Camponesa tem sua origem na pior pandemia da história, a Peste Negra (1346-53), segunda pandemia da peste bubônica, quando morrem 30% a 60% da população da Europa, com estimativas de mortes variando de 70 a 200 milhões de pessoas. 

A escassez de mão de obra força uma alta de salários, mas o Parlamento Britânico resiste à mudança do sistema feudal, aprova leis para conter os salários e estimula os proprietários de terra a exercer seus direitos de senhorio e manter a servidão. Quando o Parlamento aprova uma lei restringindo o direito de voto ao aumentar o valor de um imposto cobrado por pessoa, em 30 de maio de 1381, estoura a Revolta Camponesa.

Wat Tyler, líder rebelde do Condado de Kent, marcha sobre Londres com seu exército camponês. No caminho, toma Maidstone, Rochester e a Cantuária depois que a corte rejeita seu pedido de uma audiência com o rei Ricardo II.

No dia seguinte, o rei, de apenas 14 anos, se reúne com líderes camponeses em Mile End e aceita acabar com a servidão e com as restrições no mercado de trabalho. Mas a revolta prossegue. Tyler toma a Torre de Londres, na única vez que a fortaleza é conquistada, e executa o arcebispo da Cantuária.

Quando o rei encontra Tyler em Smithfield, em 15 de junho, o líder rebelde faz novas exigências, inclusive confiscar as propriedades da Igreja. Irritado com a arrogância de Tyler, o prefeito de Londres, William Walworth, o ataca e mata a golpes de espada.

O rei suspende as concessões, mobiliza um exército de 4 mil homens e derrota a rebelião. Até novembro, pelo menos 1,5 mil rebeldes são mortos.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO DA SUPREMA CORTE 

   Em 1967, o presidente Lyndon Johnson nomeia o juiz federal Thurgood Marshall como primeiro ministro negro da Suprema Corte dos Estados Unidos. O Senado aprova a indicação por 69 a 11.

Bisneto de escravos, Marshall nasce em Baltimore, no estado de Maryland, em 2 de julho de 1908. Ele se forma em direito em 1933, sob a tutela do advogado defensor dos direitos civis Charles Houston. 

Três anos depois, começa a trabalhar no setor jurídico da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP). De 1938 a 1961, como principal advogado da NAACP, ele defende 32 causas junto à Suprema Corte.

NY TIMES PUBLICA PAPÉIS DO PENTÁGONO 

   Em 1971, o jornal The New York Times publica os Papéis do Pentágono, ou A História do Processo de Tomada de Decisões dos EUA sobre o Vietnã, uma análise sobre o envolvimento do país na Guerra do Vietnã.

Os documentos dos governos John Kennedy (1961-63) e Lyndon Johnson (1963-69) são furtados por Daniel Ellsberg, um ex-analista do Departamento da Defesa que vira ativista contra a guerra. O governo Richard Nixon (1969-74) tenta proibir a publicação. Em 30 de junho, a Suprema Corte decide que o jornal tem o direito de publicar.

CÚPULA DAS COREIAS

    No ano 2000, o presidente da Coreia do Sul, Kim Dae Jung, se encontra com ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, na primeira reunião de cúpula dos dois países.

O Japão ocupa a Coreia de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia em que os Estados Unidos jogam a bomba atômica em Nagasáki, invade o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul. Os EUA, que derrotam o Japão, ocupam o Sul.

Com o país dividido no início da Guerra Fria, o Norte se transforma na República Popular Democrática da Coreia, comunista, aliada da URSS, sob a liderança de Kim il Sung, líder da guerrilha comunista contra a ocupação japonesa. O Sul vira a República da Coreia, capitalista, aliada dos EUA. Ambas reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana.

Em 25 de junho de 1950, a Coreia do Norte invade o Sul e começa a Guerra da Coreia (1950-53), que termina com a restauração do status quo anterior à guerra, sem que nenhum dos lados consiga unificar o país. A guerra acaba com um armistício. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo.

Kim Dae Jung é o grande líder da democratização da Coreia do Sul, sequestrado pela ditadura militar num plano para matá-lo e condenado à morte por traição. Com a redemocratização, é o primeiro líder da oposição eleito presidente, em 1998.

Sua política do Brilho do Sul, uma tentativa de melhorar as relações entre as duas Coreias, leva à reunião de cúpula com Kim Jong Il.

Em 2006, sob Kim Jong Il, a Coreia do Norte faz sua primeira explosão atômica e vira uma potência nuclear, agravando ainda mais a situação na Península Coreana, a última fronteira da Guerra Fria. Desde então, o país faz ao todo seis testes nucleares e desenvolve mísseis de longo. Tem hoje entre 50 a 60 ogivas nucleares. O atual ditador, Kim Jong Un, que sucede o pai em 2011, anuncia que pretende ampliar significativamente o arsenal nuclear.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Dezembro

 AVIÃO QUE NÃO DECOLA

    Em 1903, os irmãos Orville e Wilbur Wright realizam o primeiro voo de um aparelho mais pesado do que o ar, em Kitty Hawk, na Carolina do Norte, no que é considerado o primeiro voo de avião da história.

A diferença em relação ao 14 bis, criado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, que faz o primeiro voo em 23 de outubro de 1906, é que é o primeiro a decolar. O avião dos irmãos Wright é catapultado, fica 12 segundos no ar e percorre 36 metros.

AR PURO

    Em 1963, entra em vigor uma das primeiras leis ambientais dos Estados Unidos. A Lei do Ar Puro autoriza os governos federal e estaduais a pesquisar a regulamentar a poluição do ar.

A Lei de Controle da Poluição do Ar, de 1955, destina US$ 15 bilhões para estudar o impacto da contaminação do ar no país. Deixa evidente a necessidade de uma legislação mais específica para atacar o problema.

A lei de 1963 é emendada em 1967, 1970, 1977 e 1990. Na opinião da prestigiosa revista Scientific American, é um modelo da legislação necessária. Mas a supermaioria conservadora da Suprema Corte decide, em junho de 2022, que a Agência de Proteção Ambiental não tem autoridade para limitar as emissões de gases de efeito estufa dos estados com base em decretos. Isso só pode ser feito, de acordo com a decisão, por lei aprovada pelo Congresso.

Os ministros são a favor do estado da Virgínia Ocidental, grande produtor de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis, dificultando a ação do governo federal para conter o aquecimento global.

PRIMAVERA ÁRABE

    Em 2010, o engenheiro desempregado Mohamed Bouazizi, que ganha a vida como camelô vendendo frutas e legumes, tem a mercadoria e a balança confiscadas pelo fiscal Faida Hamdi e se autoimola em Sidi Bouzid, na Tunísia. Sua morte, em 4 de janeiro de 2011, deflagra a onda de protestos e revoluções conhecida como Primavera Árabe.

Depois do confisco, Bouazizi vai até a delegacia de polícia para tentar recuperar sua balança elétrica. Sem sucesso, tenta uma audiência com o governador regional. Quando não consegue, por volta de 11h30, joga combustível sobre a cabeça e a roupa, e toca fogo.

Ao saber a imolação, seu primo Ali Bouazizi vai até o local e filma Mohamed ao ser colocado numa ambulância e os protestos com a situação. Publica as imagens no Facebook e manda para a televisão árabe Al Jazira, que bota a reportagem no ar naquela noite.

No dia seguinte, uma onda de protestos se espalha pela Tunísia. Primeiro, o ditador Zine El Abidine Ben Ali manda reprimir as manifestações. Em 28 de dezembro, visita Bouazizi no hospital. O fiscal, que o teria esbofeteado, é preso.

Com a morte de Bouazizi, os protestos se intensificam. Dez dias mais tarde, em 14 de janeiro, depois de ficar 23 anos no poder, Ben Ali foge para a Arábia Saudita. A Primavera Árabe se espalha pelo Egito, o Bahrein, o Iêmen, a Líbia e a Síria. 

No Egito, a revolução começa em 25 de janeiro, com protestos contra a brutalidade policial, o estado de emergência em vigor há décadas, a falta de liberdade, a censura, a corrupção, o desemprego, a inflação e os baixos salários.

A Primavera Árabe é um produto da Grande Recessão (2008-9), a crise econômico-financeira deflagrada pela falência de banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. A economia egípcia crescia em média 8% ao ano no início do século. O ditador Hosni Mubarak, no poder há quase 30 anos, cai em 11 de fevereiro.

Quatro dias depois, começa a guerra civil na Líbia, que não termina com a fuga do ditador Muamar Kadafi, em agosto, e sua morte, em 20 de outubro, em meio a uma intervenção militar internacional liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

A Líbia está até hoje em guerra civil, assim como o Iêmen. Na Síria, onde cerca de 618 mil pessoas foram mortas, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição, a guerra civil parece ter terminado com a queda do ditador Bachar Assad em 8 de dezembro de 2024.

Só na Tunísia a Primavera Árabe levou a uma democratização do país, mas o autoritarismo está de volta com a eleição em 2019 do presidente Kais Saied. Em 25 de julho de 2021, ele demite o primeiro-ministro, fecha o Parlamento e acaba com a imunidade parlamentar.

MORRE O QUERIDO LÍDER    

    Em 2011, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, morre do coração quando viaja pelo interior do país e é sucedido pelo filho Kim Jong Un, depois de suceder o pai, o Grande Líder Kim Il Sung, fundador do país e de um comunismo dinástico.

Kim Jong Il nasce em 1941 numa base militar soviética em Khabarovsk, na Rússia, onde seu pai articula a resistência contra o Japão. Ao virar líder, a história oficial afirma que ele nasceu em 16 de fevereiro de 1942 no Monte Paektu, sobre o qual surgiram uma nova estrela e um duplo arco-íris.

O Querido Líder, que de acordo com a história oficial do regime stalinista norte-coreano "nunca defecou", chega ao poder em 1994 e mantém a ditadura impiedosa no país mais fechado do mundo.

Como a Coreia do Norte perde seu patrocinador com o fim da União Soviética em 1991, é um período de miséria, escassez, fome e falta de energia. Kim Jong Il faz os primeiros testes nucleares, o primeiro em 9 de outubro de 2006 e um total de seis desde então.

Kim II é sucedido por Kim III, Kim Jong Un, meses depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, que acaba com os programas de armas de destruição em massa e se aproxima do Ocidente durante a guerra contra o terrorismo, mas vira alvo de uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia.

Com medo de seguir o destino de Kadafi, Kim Jong Un acelera o programa nuclear, faz mais quatro testes e desenvolve mísseis de longo alcance, capazes de atingir o território continental dos EUA.

EUA E CUBA REATAM RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS

    Em 2014, depois de 53 anos, os Estados Unidos e Cuba anunciam o reatamento de relações diplomáticas.

Os EUA impõem um embargo econômico a Cuba, proibindo exportações, com a exceção de alimentos e medicamentos, em outubro fr 1960 por cauda da estatização da propriedades de norte-americanos pela revolução liderada por Fidel Castro e rompem com Cuba em 3 de janeiro de 1961, poucos dias antes do fim do governo Dwight Eisenhower (1953-61).

No início do governo John Kennedy (1961-63), há a fracassada Invasão da Baía dos Porcos, quando exilados cubanos tentam derrubar Fidel numa operação com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência), numa articulação atribuída a Richard Nixon, vice-presidente de Eisenhower.

Em 3 de fevereiro de 1962, Kennedy amplia o embargo econômico a praticamente todo o comércio, o que persiste até hoje. O regime comunista culpa esse embargo pela crise econômica permanente.

No pior momento das relações bilaterais, a Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba quase deflagra uma guerra nuclear. Em 14 de outubro de 1962, um avião espião U-2 dos EUA fotografa obras para a construção de silos para os mísseis da União Soviética, que lança o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, em 4 de outubro de 1957, mas não desenvolve a tecnologia de mísseis intercontinentais como os EUA e fica atrás na corrida nuclear. Os mísseis em Cuba equilibrariam a balança. 

Dois dias depois, o presidente Kennedy recebe as fotos já analisadas pelos serviços de inteligência. Em 22 de outubro, decreta um bloqueio aeronaval a Cuba para impedir a chegada de novos mísseis e ameaça abordar navios soviéticos que tentem furar o cerco.

Quando os EUA se preparam para invadir Cuba, a URSS recua e concordar em retirar os mísseis em troca de um acordo tácito com para que os EUA não invadam Cuba. A Crise dos Mísseis acaba em 27 de outubro de 1962. Um telefone vermelho com uma linha direta para desarmar crises entre as superpotências é instalado na Casa Branca e no Kremlin.

Os EUA tentam matar Fidel mais de 600 vezes. O regime comunista cubano resiste com ajuda da URSS. Entra numa crise grave com o fim da URSS em 1991, o Período Especial, com racionamento rigoroso.

Em 23 de outubro de 1992, com a aprovação da Lei da Democracia em Cuba, mais conhecida como Lei Torricelli, o embargo passa a ser lei aprovada pelo Congresso dos EUA, o que significa que só o Congresso pode revogá-la. Endurece o embargo ao proibir filiais de empresas norte-americanas sediadas no exterior de comerciar com Cuba e impor restrições à ajuda humanitária. 

A Lei da Liberdade em Cuba e Solidariedade Democrática, mais conhecida como Lei Helms Burton. de 1996, torna o embargo ainda pior ao punir empresas que "trafiquem" com o que foi propriedade de norte-americanos e seus donos e executivos.

As negociações para o reatamento são intermediadas pelo Canadá e pelo papa Francisco. As embaixadas são reabertas oficialmente em julho de 2015. Em março de 2016, o presidente Barack Obama faz uma visita histórica a Havana e se encontra com o ditador Raúl Castro.

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sexta-feira, 13 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Junho

 MORTE DE ALEXANDRE O GRANDE

    Em 323 antes de Cristo, morre aos 33 anos na Babilônia, hoje parte do Iraque, Alexandre, o Grande, da Macedônia, um dos maiores generais de todos os tempos.

Filho de Felipe II, da Macedônia, Alexandre é discípulo de Aristóteles. 

Aos 16 anos, Alexandre Magno lidera as primeiras tropas em combate. Depois da morte do pai, invade o Oriente Médio. Em 330 antes de Cristo, havia derrotado o Império Persa e conquistado todo o Oriente Médio. Em 327 AC, tomara o Afeganistão, a Ásia Central e o Norte da Índia.

REVOLTA CAMPONESA SAQUEIA LONDRES

     Em 1381, durante a Revolta Camponesa, um exército camponês liderado por Wat Tyler invade, saqueia e incendeia Londres. Vários prédios públicos são destruídos, prisioneiros libertados e um juiz decapitado.

A Revolta Camponesa tem sua origem na pior pandemia da história, a Peste Negra (1346-53), segunda pandemia da peste bubônica, quando morrem 30% a 60% da população da Europa, com estimativas de mortes variando de 70 a 200 milhões de pessoas. 

A escassez de mão de obra força uma alta de salários, mas o Parlamento Britânico resiste à mudança do sistema feudal, aprova leis para conter os salários e estimula os proprietários de terra a exercer seus direitos de senhorio e manter a servidão. Quando o Parlamento aprova uma lei restringindo o direito de voto ao aumentar o valor de um imposto cobrado por pessoa, em 30 de maio de 1381, estoura a Revolta Camponesa.

Wat Tyler, líder rebelde do Condado de Kent, marcha sobre Londres com seu exército camponês depois de tomar Maidstone, Rochester e a Cantuária no caminho depois que a corte rejeita seu pedido de uma audiência com o rei Ricardo II.

No dia seguinte, o rei, de apenas 14 anos, se reúne com líderes camponeses em Mile End e aceita acabar com a servidão e com as restrições no mercado de trabalho. Mas a revolta prossegue. Tyler toma a Torre de Londres, na única vez que a fortaleza é conquistada, e executa o arcebispo da Cantuária.

Quando o rei encontra Tyler em Smithfield, em 15 de junho, o líder rebelde faz novas exigências, inclusive confiscar as propriedades da Igreja. Irritado com a arrogância de Tyler, o prefeito de Londres, William Walworth, o ataca e mata a golpes de espada.

O rei suspende as concessões, mobiliza um exército de 4 mil homens e derrota a rebelião. Até novembro, pelo menos 1,5 mil rebeldes são mortos.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO DA SUPREMA CORTE 

   Em 1967, o presidente Lyndon Johnson nomeia o juiz federal Thurgood Marshall como primeiro ministro negro da Suprema Corte dos Estados Unidos. O Senado aprova a indicação por 69 a 11.

Bisneto de escravos, Marshall nasce em Baltimore, no estado de Maryland, em 2 de julho de 1908. Ele se forma em direito em 1933, sob a tutela do advogado defensor dos direitos civis Charles Houston. 

Três anos depois, começa a trabalhar no setor jurídico da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP). De 1938 a 1961, como principal advogado da NAACP, ele defende 32 causas junto à Suprema Corte.

NY TIMES PUBLICA PAPÉIS DO PENTÁGONO 

   Em 1971, o jornal The New York Times publica os Papéis do Pentágono, ou A História do Processo de Tomada de Decisões dos EUA sobre o Vietnã, uma análise sobre o envolvimento do país na Guerra do Vietnã.

Os documentos dos governos John Kennedy (1961-63) e Lyndon Johnson (1963-69) são furtados por Daniel Ellsberg, um ex-analista do Departamento da Defesa que vira ativista contra a guerra. O governo Richard Nixon (1969-74) tenta proibir a publicação. Em 30 de junho, a Suprema Corte decide que o jornal tem o direito de publicar.

CÚPULA DAS COREIAS

    No ano 2000, o presidente da Coreia do Sul, Kim Dae Jung, se encontra com ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, na primeira reunião de cúpula dos dois países.

O Japão ocupa a Coreia de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia em que os Estados Unidos jogam a bomba atômica em Nagasáki, invade o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul. Os EUA, que derrotam o Japão, ocupam o Sul.

Com o país dividido no início da Guerra Fria, o Norte se transforma na República Popular Democrática da Coreia, comunista, aliada da URSS, sob a liderança de Kim il Sung, líder da guerrilha comunista contra a ocupação japonesa. O Sul vira a República da Coreia, capitalista, aliada dos EUA. Ambas reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana.

Em 25 de junho de 1950, a Coreia do Norte invade o Sul e começa a Guerra da Coreia (1950-53), que termina com a restauração do status quo anterior à guerra, sem que nenhum dos lados consiga unificar o país. A guerra acaba com um armistício. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo.

Kim Dae Jung é o grande líder da democratização da Coreia do Sul, sequestrado pela ditadura militar num plano para matá-lo, é condenado à morte por traição. Com a redemocratização, é o primeiro líder da oposição eleito presidente, em 1998.

Sua política do Brilho do Sul, uma tentativa de melhorar as relações entre as duas Coreias, leva à reunião de cúpula com Kim Jong Il.

Em 2006, sob Kim Jong Il, a Coreia do Norte faz sua primeira explosão atômica e vira uma potência nuclear, agravando ainda mais a situação na Península Coreana, a última fronteira da Guerra Fria.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Dezembro

 AVIÃO QUE NÃO DECOLA

    Em 1903, os irmãos Orville e Wilbur Wright realizam o primeiro voo de um aparelho mais pesado do que o ar, em Kitty Hawk, na Carolina do Norte, no que é considerado o primeiro voo de avião da história.

A diferença em relação ao 14 bis, criado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, que faz o primeiro voo em 23 de outubro de 1906, é que é o primeiro a decolar. O avião dos irmãos Wright é catapultado, fica 12 segundos no ar e percorre 36 metros.

AR PURO

    Em 1963, entra em vigor uma das primeiras leis ambientais dos Estados Unidos. A Lei do Ar Puro autoriza os governos federal e estaduais a pesquisar a regulamentar a poluição do ar.

A Lei de Controle da Poluição do Ar, de 1955, destina US$ 15 bilhões para estudar o impacto da contaminação do ar no país. Deixa evidente a necessidade de uma legislação mais específica para atacar o problema.

A lei de 1963 é emendada em 1967, 1970, 1977 e 1990. Na opinião da prestigiosa revista Scientific American, é um modelo da legislação necessária. Mas a supermaioria conservadora da Suprema Corte decide, em junho de 2022, que a Agência de Proteção Ambiental não tem autoridade para limitar as emissões de gases de efeito estufa dos estados com base em decretos. Isso só pode ser feito, de acordo com a decisão, por lei aprovada pelo Congresso.

Os ministros são a favor do estado da Virgínia Ocidental, grande produtor de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis, dificultando a ação do governo federal para conter o aquecimento global.

PRIMAVERA ÁRABE

    Em 2010, o engenheiro desempregado Mohamed Bouazizi, que ganha a vida como camelô vendendo frutas e legumes, tem a mercadoria confiscada pelo fiscal Faida Hamdi e se autoimola em Sidi Bouzid, na Tunísia. Sua morte, em 4 de janeiro de 2011, deflagra a onda de protestos e revoluções conhecida como Primavera Árabe.

Depois do confisco, Bouazizi vai até a delegacia de polícia para tentar recuperar sua balança elétrica. Sem sucesso, tenta uma audiência com o governador regional. Quando não consegue, por volta de 11h30, joga combustível sobre a cabeça e a roupa, e toca fogo.

Ao saber a imolação, seu primo Ali Bouazizi vai até o local e filma Mohamed ao ser colocado numa ambulância e os protestos com a situação. Publica as imagens no Facebook e manda para a televisão árabe Al Jazira, que bota a reportagem no ar naquela noite.

No dia seguinte, uma onda de protestos se espalha pela Tunísia. Primeiro, o ditador Zine El Abidine Ben Ali manda reprimir as manifestações. Em 28 de dezembro, visita Bouazizi no hospital. O fiscal, que o teria esbofeteado, é preso.

Com a morte de Bouazizi, os protestos se intensificam. Dez dias mais tarde, em 14 de janeiro, depois de ficar 23 anos no poder, Ben Ali foge para a Arábia Saudita. A Primavera Árabe se espalha pelo Egito, o Bahrein, o Iêmen, a Líbia e a Síria. 

No Egito, a revolução começa em 25 de janeiro, com protestos contra a brutalidade policial, o estado de emergência em vigor há décadas, a falta de liberdade, a censura, a corrupção, o desemprego, a inflação e os baixos salários.

A Primavera Árabe é um produto da Grande Recessão (2008-9), a crise econômico-financeira deflagrada pela falência de banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. A economia egípcia crescia em média 8% ao ano no início do século. O ditador Hosni Mubarak, no poder há quase 30 anos, cai em 11 de fevereiro.

Quatro dias depois, começa a guerra civil na Líbia, que não termina com a fuga do ditador Muamar Kadafi, em agosto, e sua morte, em 20 de outubro, em meio a uma intervenção militar internacional liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

A Líbia está até hoje em guerra civil, assim como o Iêmen. Na Síria, onde cerca de 618 mil pessoas foram mortas, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição, a guerra civil parece ter terminado com a queda do ditador Bachar Assad em 8 de dezembro de 2024.

Só na Tunísia a Primavera Árabe levou a uma democratização do país, mas o autoritarismo está de volta com a eleição em 2019 do presidente Kais Saied. Em 25 de julho de 2021, ele demite o primeiro-ministro, fecha o Parlamento e acaba com a imunidade parlamentar.

MORRE O QUERIDO LÍDER    

    Em 2011, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, morre do coração quando viaja pelo interior do país e é sucedido pelo filho Kim Jong Un, depois de suceder o pai, o Grande Líder Kim Il Sung, fundador do país e de um comunismo dinástico.

Kim Jong Il nasce em 1941 numa base militar soviética em Khabarovsk, na Rússia, onde seu pai articula a resistência contra o Japão. Ao virar líder, a história oficial afirma que ele nasceu em 16 de fevereiro de 1942 no Monte Paektu, sobre o qual surgiram uma nova estrela e um duplo arco-íris.

O Querido Líder, que de acordo com a história oficial do regime stalinista norte-coreano "nunca defecou", chega ao poder em 1994 e mantém a ditadura impiedosa no país mais fechado do mundo.

Como a Coreia do Norte perde seu patrocinador com o fim da União Soviética em 1991, é um período de miséria, escassez, fome e falta de energia. Kim Jong Il faz os primeiros testes nucleares, o primeiro em 9 de outubro de 2006 e o segundo em 25 de maio de 2009.

Kim II é sucedido por Kim III, Kim Jong Un, meses depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, que acaba com os programas de armas de destruição em massa e se aproxima do Ocidente durante a guerra contra o terrorismo, mas vira alvo de uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia.

Com medo de seguir o destino de Kadafi, Kim Jong Un acelera o programa nuclear, faz mais quatro testes e desenvolve mísseis de longo alcance, capazes de atingir o território continental dos EUA.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Hoje na História do Mundo: 13 de Junho

 MORTE DE ALEXANDRE O GRANDE

    Em 323 antes de Cristo, morre aos 33 anos na Babilônia, hoje parte do Iraque, Alexandre, o Grande, da Macedônia, um dos maiores generais de todos os tempos.

Filho de Felipe II, da Macedônia, Alexandre é discípulo de Aristóteles. 

Aos 16 anos, Alexandre Magno lidera as primeiras tropas em combate. Depois da morte do pai, invade o Oriente Médio. Em 330 antes de Cristo, havia derrotado o Império Persa e conquistado todo o Oriente Médio. Em 327 AC, tomara o Afeganistão, a Ásia Central e o Norte da Índia.

REVOLTA CAMPONESA SAQUEIA LONDRES

     Em 1381, durante a Revolta Camponesa, um exército camponês liderado por Wat Tyler invade, saqueia e incendeia Londres. Vários prédios públicos são destruídos, prisioneiros libertados e um juiz decapitado.

A Revolta Camponesa tem sua origem na pior pandemia da história, a Peste Negra (1346-53), segunda pandemia da peste bubônica, quando morrem 30% a 60% da população da Europa, com estimativas de mortes variando de 70 a 200 milhões de pessoas. 

A escassez de mão de obra força uma alta de salários, mas o Parlamento Britânico resiste à mudança do sistema feudal, aprova leis para conter os salários e estimula os proprietários de terra a exercer seus direitos de senhorio e manter a servidão. Quando o Parlamento aprova uma lei restringindo o direito de voto ao aumentar o valor de um imposto cobrado por pessoa, em 30 de maio de 1381, estoura a Revolta Camponesa.

Wat Tyler, líder rebelde do Condado de Kent, marcha sobre Londres com seu exército camponês depois de tomar Maidstone, Rochester e a Cantuária no caminho depois que a corte rejeita seu pedido de uma audiência com o rei Ricardo II.

No dia seguinte, o rei, de apenas 14 anos, se reúne com líderes camponeses em Mile End e aceita acabar com a servidão e com as restrições no mercado de trabalho. Mas a revolta prossegue. Tyler toma a Torre de Londres, na única vez que a fortaleza é conquistada, e executa o arcebispo da Cantuária.

Quando o rei encontra Tyler em Smithfield, em 15 de junho, o líder rebelde faz novas exigências, inclusive confiscar as propriedades da Igreja. Irritado com a arrogância de Tyler, o prefeito de Londres, William Walworth, o ataca e mata a golpes de espada.

O rei suspende as concessões, mobiliza um exército de 4 mil homens e derrota a rebelião. Até novembro, pelo menos 1,5 mil rebeldes são mortos.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO DA SUPREMA CORTE 

   Em 1967, o presidente Lyndon Johnson nomeia o juiz federal Thurgood Marshall como primeiro ministro negro da Suprema Corte dos Estados Unidos. O Senado aprova a indicação por 69 a 11.

Bisneto de escravos, Marshall nasce em Baltimore, no estado de Maryland, em 2 de julho de 1908. Marshall se forma em direito em 1933, sob a tutela do advogado defensor dos direitos civis Charles Houston. 

Três anos depois, começa a trabalhar no setor jurídico da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP). De 1938 a 1961, como principal advogado da NAACP, ele defende 32 causas junto à Suprema Corte.

NY TIMES PUBLICA PAPÉIS DO PENTÁGONO 

   Em 1971, o jornal The New York Times publica os Papéis do Pentágono, ou A História do Processo de Tomada de Decisões dos EUA sobre o Vietnã, uma análise sobre o envolvimento do país na Guerra do Vietnã.

Os documentos dos governos John Kennedy (1961-63) e Lyndon Johnson (1963-69) são furtados por Daniel Ellsberg, um ex-analista do Departamento da Defesa que virou ativista contra a guerra. O governo Richard Nixon (1969-74) tenta proibir a publicação. Em 30 de junho, a Suprema Corte decide que o jornal tinha o direito de publicar.

CÚPULA DAS COREIAS

    No ano 2000, o presidente da Coreia do Sul, Kim Dae Jung, se encontra com ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, na primeira reunião de cúpula dos dois países.

O Japão ocupa a Coreia de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia em que os Estados Unidos jogam a bomba atômica em Nagasáki, e invade o Norte da Península Coreana. Os EUA, que derrotam o Japão, ocupam o Sul.

Com o país dividido no início da Guerra Fria, o Norte se transforma na República Popular Democrática da Coreia, comunista, aliada da URSS, sob a liderança de Kim il Sung, líder da guerrilha comunista contra a ocupação japonesa. O Sul vira a República da Coreia, capitalista, aliada dos EUA. Ambas reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana.

Em 25 de junho de 1950, a Coreia do Norte invade o Sul e começa a Guerra da Coreia (1950-53), que termina com a restauração do status quo anterior à guerra, sem que nenhum dos lados consiga unificar o país. A guerra acaba com um armistício. Até hoje, não houve um acordo de paz definitivo.

Kim Dae Jung é o grande líder da democratização da Coreia do Sul, sequestrado pela ditadura militar num plano para matá-lo e condenado à morte por traição. Com a redemocratização, é o primeiro líder da oposição eleito presidente, em 1998.

Sua política do Brilho do Sul, uma tentativa de melhorar as relações entre as duas Coreias, leva à reunião de cúpula com Kim Jong Il.

Em 2006, sob Kim Jong Il, a Coreia do Norte fez sua primeira explosão atômica e virou uma potência nuclear, agravando ainda mais a situação na Península Coreana, a última fronteira da Guerra Fria.

domingo, 17 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 17 de Dezembro

 AVIÃO QUE NÃO DECOLA

    Em 1903, os irmãos Orville e Wilbur Wright realizam o primeiro voo de um aparelho mais pesado do que o ar, em Kitty Hawk, na Carolina do Norte, no que é considerado o primeiro voo de avião da história.

A diferença em relação ao 14 bis, criado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, que faz o primeiro voo em 23 de outubro de 1906, é o primeiro a decolar. O avião dos irmãos Wright é catapultado, fica 12 segundos no ar e percorre 36 metros.

AR PURO

    Em 1963, entra em vigor uma das primeiras leis ambientais dos Estados Unidos. A Lei do Ar Puro autoriza os governos federal e estaduais a pesquisar a regulamentar a poluição do ar.

A Lei de Controle da Poluição do Ar, de 1955, destina US$ 15 bilhões para estudar o impacto da contaminação do ar no país. Deixou evidente a necessidade de uma legislação mais específica para atacar o problema.

A lei de 1963 é emendada em 1967, 1970, 1977 e 1990. Na opinião da prestigiosa revista Scientific American, é um modelo da legislação necessária. Mas a supermaioria conservadora da Suprema Corte decidiu, em junho de 2022, que a Agência de Proteção Ambiental não tem autoridade para limitar as emissões de gases de efeito estufa dos estados com base em decretos. Isso só pode ser feito, de acordo com a decisão, por lei aprovada pelo Congresso.

Os ministros foram a favor do estado da Virgínia Ocidental, grande produtor de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis, dificultando a ação do governo federal para conter o aquecimento global.

MORRE QUERIDO LÍDER    

    Em 2011, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, morre do coração quando viaja pelo interior do país e é sucedido pelo filho Kim Jong Un, depois de suceder o pai, o Grande Líder Kim Il Sung, fundador do país e de um comunismo dinástico.

Kim Jong Il nasce em 1941 numa base militar soviética Khabarovsk, na Rússia, onde seu pai articulava a resistência contra o Japão. Ao virar líder, a história oficial afirma que ele nasceu em 16 de fevereiro de 1942.no Monte Paektu, sobre o qual surgiram uma nova estrela e um duplo arco-íris.

O Querido Líder, que de acordo com a história oficial do regime stalinista norte-coreano "nunca defecou", chega ao poder em 1994 e mantém a ditadura impiedosa no país mais fechado do mundo.

Como a Coreia do Norte perde seu patrocinador em 1991, com o fim da União Soviética, é um período de miséria, escassez, fome e falta de energia. Kim Jong Il faz os primeiros testes nucleares, o primeiro em 9 de outubro de 2006 e o segundo em 25 de maio de 2009.

Kim II é sucedido por Kim III, Kim Jong Un, meses depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, que acabou com os programas de armas de destruição em massa e se aproximou do Ocidente durante a guerra contra o terrorismo, mas virou alvo de uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia.

Kim Jong Un acelerou o programa nuclear, fez mais quatro testes e desenvolveu mísseis de longo alcance, capazes de atingir o território continental dos EUA.

PRIMAVERA ÁRABE

    Em 2010, o engenheiro desempregado Mohamed Bouazizi, que ganha a vida como camelô vendendo frutas e legumes, tem a mercadoria confiscada pelo fiscal Faida Hamdi e se autoimola em Sidi Bouzid, na Tunísia. Sua morte, em 4 de janeiro de 2011, deflagra a onda de protestos e revoluções conhecida como Primavera Árabe.

Depois do confisco, Bouazizi vai até a delegacia de polícia para tentar recuperar sua balança elétrica. Sem sucesso, tenta uma audiência com o governador regional. Quando não consegue, por volta de 11h30, joga combustível sobre a cabeça e a roupa, e toca fogo.

Ao saber a imolação, seu primo Ali Bouazizi vai até o local e filma Mohamed ao ser colocado numa ambulância e os protestos. Publica as imagens no Facebook e manda para a televisão árabe Al Jazira, que bota a reportagem no ar naquela noite.

No dia seguinte, uma onda de protestos se espalha pela Tunísia. Primeiro, o ditador Zine El Abidine Ben Ali manda reprimir as manifestações. Em 28 de dezembro, visita Bouazizi no hospital. O fiscal, que o teria esbofeteado, é preso.

Com a morte de Bouazizi, os protestos se intensificam. Dez dias mais tarde, em 14 de janeiro, depois de ficar 23 anos no poder, Ben Ali foge para a Arábia Saudita. A Primavera Árabe se espalha pelo Egito, o Bahrein, o Iêmen, a Líbia e a Síria. 

No Egito, a revolução começa em 25 de janeiro, com protestos contra a brutalidade policial, o estado de emergência em vigor há décadas, a falta de liberdade, a censura, a corrupção, o desemprego, a inflação e os baixos salários.

A Primavera Árabe é um produto da Grande Recessão (2008-9), a crise econômico-financeira deflagrada pela falência de banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. A economia egípcia crescia em média 8% ao ano no início do século. O ditador Hosni Mubarak, no poder há quase 30 anos, cai em 11 de fevereiro.

Quatro dias depois, começa a guerra civil na Líbia, que não termina com a fuga do ditador Muamar Kadafi, em agosto, e sua morte, em 20 de outubro, em meio a uma intervenção militar internacional liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

A Líbia está em guerra civil, assim como o Iêmen e a Síria, onde cerca de 400 mil pessoas foram mortas pela estimativa da ONU.

Só na Tunísia a Primavera Árabe levou a uma democratização do país, mas o autoritarismo está de volta com a eleição em 2019 do presidente Kais Saied. Em 25 de julho de 2021, ele demite o primeiro-ministro, fecha o Parlamento e acaba com a imunidade parlamentar.