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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Oposição da Tunísia se inspira no Egito

Sob a inspiração do movimento Tamarod (Rebelde), responsável pelas manifestações de massa que levaram à queda do presidente do Egito, a oposição da Tunísia já se organiza para seguir o exemplo.

Os líderes do Tamarod tunisiano acusam o partido governante Nahda de querer criar um Estado islâmico que restringe as liberdades individuais enquanto não consegue resolver os problemas econômicos do país, as mesmas acusações que o governo da Irmandade Muçulmana sofria no Egito.

Como no Egito, na Tunísia e também na Turquia, uma classe média urbana e cosmopolita foi às ruas para lutar pela democracia, mas quem venceu as eleições foram partidos conservadores de base religiosa com grande apoio nas zonas rurais, gerando um impasse político.

Este é um desafio que as transições democráticas nos países árabes terão de enfrentar. Neste momento em que alguns se apressam em declarar o fim da Primavera Árabe, cabe destacar que a democracia é um processo. Não vai surgir do dia para a noite. Levou um golpe hoje, mas sua trajetória nunca seria linear.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Militares do Egito podem dissolver Parlamento

Em meio a uma onda de protestos e boatos de que os militares vão dissolver o Parlamento, o presidente Mohamed Mursi reuniu-se hoje com o comando das Forças Armadas do Egito. Ontem os militares deram um ultimato de 48 para que os políticos se entendam e acabem com a atual crise. Caso contrário, vão impor seu próprio plano.

Mais uma vez, centenas de milhares de pessoas ocupam hoje a Praça da Libertação, no Centro do Cairo, por convocação do movimento oposicionista Tamarod (Rebelde), que pretende manter os protestos até a renúncia do presidente.

Mursi, da Irmandade Muçulmana, é acusado de autoritarismo e de tentar impor um regime islamita. As oposições aparentemente preferem os militares.

O Canadá fechou hoje sua embaixada no Egito e citou como causa a falta de segurança para seus funcionários.

A economia egípcia só se deteriorou desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. Frequentemente faltam água, energia elétrica e outros serviços básicos. O Egito pediu ajuda de emergência ao Fundo Monetário Internacional, mas, sem estabilidade política interna, o país não se reconstrói.

domingo, 30 de junho de 2013

Multidão retoma praça e pede queda de Mursi

Um ano depois de sua eleição, o presidente Mohamed Mursi foi hoje o alvo principal de uma gigantesca manifestação na Praça da Libertação, no Centro do Cairo, a maior desde a queda de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. A oposição exige sua renúncia sob o argumento de que a revolução no Egito não derrubou uma ditadura militar para aceitar outra da Irmandade Muçulmana.

Pelo menos uma pessoa morreu e outras saíram feridas em confrontos entre governistas e oposicionistas.

O mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana, beneficiou-se de sua organização para vencer as eleições da chamada Primavera Árabe. No momento, controla a Presidência e o Parlamento do país com o beneplácito das Forças Armadas.

As manifestações são organizadas por um novo movimento chamado Tamarod (Rebelde, em árabe), que alega ter coletado 15 milhões de assinaturas pedindo a saída de Mursi e a antecipação das eleições presidenciais. O presidente e a Irmandade Muçulmana alegam que sua legitimidade vêm das urnas.

Se não conseguir pacificamente, o Tamarod pretende criar um clima de confrontação e violência política para provocar uma ruptura na aliança tácita entre islamitas e militares e uma nova intervenção das Forças Armadas na política egípcia.

Com o caos e o desgoverno resultantes da revolução que derrubou Mubarak, os turistas fugiram e a economia, um dos motivos da revolta popular em 2011, está numa crise cada vez pior. A Irmandade Muçulmana perde popularidade por não conseguir administrar um país ainda em estado revolucionário, e as multidões frustradas pelo sequestro de sua revolução retomam as ruas na esperança de fazer valer seus ideais.