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segunda-feira, 3 de junho de 2024

Engenheira ambiental será primeira mulher a governar o México

Com quase 60% dos votos, a engenheira ambiental, feminista, sionista e ex-prefeita da Cidade do México Claudia Sheinbaum foi eleita presidente ontem pelo partido Morena (Movimento de Renovação Nacional, do atual presidente, Andrés Manuel López Obrador, primeiro esquerdista a governar o país. Ela será a primeira mulher a presidir o México, o quarto país do mundo em participação feminina no parlamento.

Apesar do grande saber científico e da sensibilidade política, testados no governo da capital mexicana, Claudia foi acusada na campanha de ser fantoche de AMLO, como o presidente é conhecido.

AMLO reduziu a pobreza a menos de 40%, dobrou o valor do salário mínimo e criou uma renda mínima para idosos, o que lhe garantiu grande popularidade e garantiu a eleição da sucessora. Mas Sheinbaum tem sua própria personalidade política. Não vai romper com o padrinho, mas com certeza vai dar sua própria orientação sua própria orientação ao governo para continuar o que López Obrador chama de Quarta Transformação, depois da independência, da Reforma e da Revolução Mexicana de 1910.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Presidente radical do México luta para cumprir promessas

O presidente de esquerda do México luta para realizar programa de reformas radicais sob desconfiança do mercado e a pressão dos Estados Unidos de Donald Trump.

A eleição de Andrés Manuel López Obrador com maioria absoluta, em 1º de julho do ano passado, deveria ser o início de reformas radicais, especialmente depois que seus partidários conquistaram maioria absoluta nas duas casas do Congresso.

López Obrador, também conhecido como AMLO, prometeu realizar a quarta grande transformação da história do México, depois da independência, da Reforma, uma série de mudanças liberais feitas pelo presidente Benito Juárez no século 19, e da Revolução Mexicana de 1910.

Mas, desde a posse, em dezembro, o novo presidente luta para cumprir as promessas da campanha, que incluem o combate à corrupção e à desigualdade social e o fim da guerra contra as drogas deflagrada em 2006 pelo então presidente Felipe Calderón. Meu comentário:

terça-feira, 9 de julho de 2019

Ministro da Fazenda do México sai citando diferenças com presidente

O ministro da Fazenda e Crédito Público do México, Carlos Manuel Urzúa Macías, pediu demissão citando diferenças de posição em relação ao presidente Andrés Manuel López Obrador, "muitos" conflitos dentro do governo e a "imposição de funcionários que não entendem de finanças públicas", noticiou o jornal inglês Financial Times. 

Professor de economia com mestrado e doutorado nos Estados Unidos, Urzúa era visto como uma espécie de avalista da prudência fiscal do governo esquerdista junto ao empresariado e o mercado financeiro.

É o maior golpe em sete meses de governo López Obrador, um populista de esquerda que adotou políticas como cancelar o projeto do novo aeroporto da Cidade do México, de US$ 13 bilhões, que estava em construção.

O peso mexicano caiu 1,4% para 19,17 por dólar e a Bolsa da Cidade do México perdeu 1,5%.

Ao aceitar a demissão, o presidente declarou: "Ele não concorda com decisões que estamos tomando. Temos o compromisso de mudar a política econômica imposta nos últimos 36 anos." A seu lado, estava o segundo do ministério, Arturo Herrera, que vai substituir Carlos Urzúa.

Em entrevista, Herrera descartou a possibilidade de recessão e prometeu um superávit primário de 1% do produto interno bruto, informou o jornal El Economista. O superávit primário é um saldo positivo nas contas públicas, sem considerar o pagamento de juros da dívida do governo.

O novo ministro afirmou que o baixo crescimento das economias desenvolvidas e os conflitos comerciais podem impactar a economia mexicana.

"É um economista com credenciais para o cargo. Tem boa interlocução", comentou o presidente da Câmara Nacional da Indústria de Transformação (Canacintra), Enoch Castellanos. "Esperamos que o presidente lhe dê autonomia de gestão e respaldo para não contradizer decisões macroeconômicas responsáveis."

sábado, 19 de janeiro de 2019

Explosão de oleoduto mata 85 pessoas no México

Pelo menos 85 pessoas morreram e 74 saíram feridas da explosão de um oleoduto quando pessoas tentavam furtar gasolina na cidade de Tlahuelilpan, no estado de Hidalgo, na região central do México, noticiou o jornal mexicano El Economista. 

O acidente acontece no momento em que o presidente Andrés Manuel López Obrador faz uma campanha contra o roubo de combustível, que deu um prejuízo de US$ 3 bilhões à companhia estatal Petróleos Mexicanos (Pemex).

Antes da explosão, centenas de pessoas tentavam roubar combustível de um esguicho do oleoduto com sacos plásticos, baldes e latas de lixo, mostraram imagens divulgadas em redes sociais.

Eram 16h50 (20h50 em Brasília) de sexta-feira quando o governador de Hidalgo, Omar Fayad, comunicou às autoridades federais o roubo de combustível no oleoduto Tuxpan-Tula. O Exército chegou ao local às 17h, mas os 25 soldados não intervieram antes do acidente para evitar um confronto com a população.

"Lamento muito a grave situação de que se padece em Tlahuelilpan pela explosão de um duto. Estou em Aguascalientes e, desde que o diretor da Pemex e o ministro da Defesa me informaram, dei instruções para que se controle o fogo e se atendam às vítimas", escreveu o presidente no Twitter.

Vários oleodutos foram fechados, mas isso acabou gerando desabastecimento em algumas regiões do país. O duto em questão estava fechado desde 23 de dezembro. Estava sendo reativado. As autoridades afirmam ter fechado de novo, mas isso não impediu o acidente porque haveria bastante gasolina no trecho onde houve a explosão.

sábado, 1 de dezembro de 2018

López Obrador toma posse e promete fim do neoliberalismo no México

O novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, eleito em 1º de julho com 53% dos votos e maioria na Câmara e no Senado, tomou posse hoje prometendo reformas "profundas e radicais" e o fim do neoliberalismo. 

Seus maiores desafios serão combater a violência ligada ao tráfico de drogas, a corrupção endêmica e a pobreza, que atinge 43% dos mexicanos, embora só 8% vivam na miséria ou pobreza absoluta.

"Com um mandato do povo, começamos hoje a quarta transformação do México. Pode soar pretensioso ou exagerado, mas hoje não é apenas o início de um novo, é uma mudança de regime político", declarou o ex-prefeito da Cidade do México, um nacionalista de esquerda de 65 anos que prometeu na campanha "uma revolução pelo voto".

As transformações anteriores foram a independência da Espanha, em 1821, no fim de 11 anos de guerra; a Reforma do presidente Benito Juárez, em 1867, depois da derrota da intervenção da França iniciada em 1861; e a Revolução Mexicana (1910-20) de Emiliano Zapata e Pancho Villa.

Seus ataques às políticas dos últimos 30 anos, da abertura econômica de Carlos Salinas de Gortari (1988-94) às reformas do setor de energia de Enrique Peña Nieto (2012-18), "ao fracasso e à corrupção" do neoliberalismo, assustam empresários e investidores.

AMLO, como é conhecido popularmente fala do período de 1930 a 1960 como uma idade de ouro e despreza o que veio depois: "Vamos fazer todo o possível para abolir este regime neoliberal."

Para o presidente da Confederação Patronal da República Mexicana (Coparmex), Gustavo de Hoyos, foi um discurso com "expressões polarizadoras e uma ideologia retrógrada". O presidente da organização não governamental Mexicanos contra a Corrupção e a Impunidade, Claudio González, criticou sua "visão voltada para trás e não para o futuro".

Com o ceticismo diante das propostas de ruptura, o mercado financeiro amargou grandes perdas nas últimas semanas. O novo presidente tentou acalmar os agentes econômicos: "Eu me comprometo, e sou um homem de palavra, que os investimentos nacionais e estrangeiros estarão seguros e que vou criar condições para que tenham bons resultados."

López Obrador renovou o compromisso de manter a independência do Banco do México, o banco central do país, e de governar por apenas um mandato de seis anos. Seus críticos temem que pretenda governar indefinidamente, a exemplo de Hugo Chávez e agora do presidente da Bolívia, Evo Morales, que perdeu um plebiscito, mas obteve uma decisão favorável da Suprema Corte para concorrer a mais um mandato.

O novo líder mexicano destacou a amizade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representado pelo vice-presidente Mike Pence e a filha e assessora Ivanka Trump. Também estavam presentes o rei Felipe VI, da Espanha, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e de Cuba, Miguel Díaz Canel, num total 20 chefes de Estado e de governo.

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, foi à cerimônia no Palácio Legislativo de São Lázaro, mas não participou da festividade pública. Quando seu nome foi citado, houve vaias e gritos de "ditador".

A cerimônia pública foi realizada diante de 160 mil pessoas no Zócalo, a praça central da capital mexicana, onde ficam o Palácio Nacional, a Catedral e as ruínas Templo Maior da civilização asteca, destruída pela invasão do espanhol Hernán Cortez, em 1519. Representantes das 68 tribos indígenas do México fizeram rituais de purificação e investiram AMLO no cargo para marcar o aspecto multicultural do país.

Populista, López Obrador não vai morar na residência oficial de Los Pinos, situada no Bosque de Chapultepec, que prometeu transformar em centro cultural. Vai continuar na modesta casa da família. Foi para a posse num Volkswagen. Declarou não precisar de "nada material nem das mordomias do poder". Reduziu o salário presidencial em 40% de 270 mil para 108 mil pesos, cerca de R$ 20,5 mil, e o fixou como teto para o funcionalismo público.

Messiânico, é acusado de não ouvir opiniões alheias. Chega ao poder com 67% de aprovação, depois de sofrer uma queda de popularidade de nove pontos desde agosto. Sete em cada dez mexicanos acreditam que ele será capaz de reduzir drasticamente a corrupção, a violência e a miséria.

Desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogas, ao tomar posse, em 2006, pelo menos 60 mil pessoas foram mortas, de acordo com as estatísticas oficiais. Pela  estimativa da Igreja Católica, o total pode superar 150 mil mortes.

A política de "cortar cabeças", capturando os chefões do tráfico como Joaquín El Chapo Guzmán, do Cartel de Sinaloa, atualmente sendo julgado nos EUA, fracassou. Quando El Chapo foi extraditado, seus inimigos do Cartel de Jalisco sequestraram seus dois filhos e exigiram US$ 6 milhões de resgate.

El Chapo pagou. Hoje seu cartel está dividido e o Cartel de Jalisco se tornou provavelmente a maior máfia do tráfico no mundo inteiro. Opera em 53 países. Tem ligações com as máfias da Rússia e da Itália.

O emprego das Forças Armadas na Guerra contras as Drogas levou à corrupção dos militares e ao surgimento de cartéis como Los Zetas, formado por desertores.

López Obrador pretende legalizar a maconha, o que já foi feito na prática por decisão da Suprema Corte de Justiça, dar uma anistia a produtores e traficantes, e criar uma Guarda Nacional, sob o comando de um general do Exército, para combater a violência.

Com 129 milhões de habitantes e um produto interno bruto de US$ 1,150 trilhão, o México é a 15ª maior economia do mundo e a segunda da América Latina, atrás do Brasil. A renda média é estimada em US$ 8,9 mil pelo Banco Mundial.

A pobreza é maior nos estados do Sul, que não se beneficiaram do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), agora convertido em Acordo EUA-México-Canadá. Atinge 77% da população de Chipas e 70% dos moradores de Oaxaca.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

México rejeita dinheiro dos EUA para repatriar centro-americanos

O presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, não vai aceitar a ajuda de US$ 20 milhões feita pelos Estados Unidos para mandar de volta os emigrantes da América Central, declarou hoje a futura ministra do Interior, Olga Sánchez Cordero.

A questão pode se tornar um ponto de atrito entre os Governos Donald Trump e López Obrador, que assume em 1º de dezembro. Eleito com mais da metade dos votos com uma plataforma de esquerda, AMLO, como é mais conhecido, colaborou com os Estados Unidos na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

É improvável que López Obrador suspenda os programas de controle da imigração ilegal da Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua. Em carta a Trump, defendeu o aumento da ajuda ao desenvolvimento desses países da América Central para meio de conter a imigração.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

AMLO promete plebiscito sobre novo aeroporto da Cidade do México

O presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, confirmou ontem a intenção de convocar um plebiscito sobre a construção de um novo aeroporto para a capital do país, maior cidade da América, com mais de 21 milhões de habitantes na região metropolitana. Seu resultado será definitivo.

Se o plano atual de construção de um novo aeroporto para a Cidade do México for derrubado na consulta popular, o setor privado mexicano ficará preocupado com a possibilidade de López Obrador criar uma democracia plebiscitária, submetendo outras questões de seu interesse a aprovação pelo voto popular.

A construção do novo aeroporto se arrasta há quatro anos, marcada por aumentos de custos, sobrepreços e denúncias de corrupção. O plebiscito foi uma das promessa da campanha de AMLO, como é mais conhecido.

Eleito em 1º de julho com uma plataforma esquerdista e 53% dos votos, López Obrador toma posse em 1º de dezembro prometendo fazer uma revolução pacífica no México. Terá maioria na Câmara e no Senado.

terça-feira, 3 de julho de 2018

López Obrador deve ter maioria absoluta no Congresso do México

A coalizão Juntos Faremos História, liderada pelo presidente eleito, Andrés Manuel López Obrador, encaminha-se para ter maioria no Congresso do México, indicam boletins divulgados hoje pelo Conselho Nacional Eleitoral. AMLO teria o apoio de 69 dos 128 senadores e de 309 dos 500 deputados.

O Movimento de Regeneração Nacional (Morena), de esquerda, liderado por López Obrador, é aliado do Partido do Trabalho, de esquerda, e do Encontro Social, um partido evangélico de centro-direita. A coalizão recebeu 54% dos votos para o Senado e 70% para a Câmara.

Com maioria absoluta, AMLO não precisaria do apoio dos partidos tradicionais de centro-direita, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) e o Partido de Ação Nacional (PAN). Isso facilitaria a implantação das reformas radicais que propõe.

Entre as mudanças, AMLO promete combater a corrupção, a violência e a miséria, e revogar as reformas dos setores de educação e energia feitas pelo atual presidente, Enrique Peña Nieto, do PRI, que governou o México de 1929 a 2000 e voltou com Peña Nieto em 2012.

domingo, 1 de julho de 2018

Esquerdista López Obrador é eleito presidente do México

No fim de uma campanha dominada por temas como corrupção e violência, o ex-prefeito da capital Andrés Manuel López Obrador, do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), venceu por ampla margem a eleição presidencial de hoje no México, na terceira tentativa, indicam as projeções dos primeiros resultados oficiais. 

Seus maiores adversários, Ricardo Anaya, do direitista Partido de Ação Nacional (PAN), e José Antônio Meade, do governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), reconheceram a derrota.

AMLO, como é conhecido popularmente, será o primeiro esquerdista a governar o México, a segunda maior economia da América Latina, depois do Brasil, com produto interno bruto de US$ 1,149 trilhão, o 15º do mundo em 2017, pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Uma contagem rápida feita pelo Instituto Nacional Eleitoral deu 53% para AMLO, 22% para Anaya e 16% para Meade, informou o jornal esquerdista La Jornada. Esses números se confirmaram. Foi a maior vitória numa eleição presidencial mexicana em 40 anos.

López Obrador promete acabar com a corrupção crônica, reduzir a violência endêmica, agravada pela guerra às drogas das últimas décadas, e combater a pobreza absoluta. Sua grande popularidade se deve à esperança de que possa atacar estes problemas com algum sucesso.

Os economistas o acusam de populismo e perguntam como vai financiar generosos programas sociais, como aumento das aposentadorias e pensões, bolsas de estudos para jovens e apoio ao pequeno produtor rural. Ele pretende usar o dinheiro economizado com o combate à corrupção, um sonho que muitos temem que não se materialize.

Desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra às máfias do tráfico de drogras, em 2006, 200 mil pessoas foram mortas. No ano passado, o índice de homicídios foi o maior desde que o governo federal mexicano iniciou a pesquisa, em 1997. Pelo número de assassinatos deste ano, o total de 2017 será superado. AMLO não fez nenhuma proposta concreta para a questão da violência.

"As eleições recentes na América Latina mostram a mesma demanda por mudança", comentou a ex-presidente da Costa Rica Laura Chinchilla. "Os resultados não endossam ideologias, são demandas por mudanças, uma fadiga sentida pelo povo, que espera respostas que não vêm."

Para o historiador da esquerda mexicana Carlos Illades, professor da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), o maior problema é o excesso de expectativa gerado por uma campanha populista e salvacionista: "O problema é o que ele não for capaz de fazer. Há pessoas com uma expectativa enorme."

Além dos problemas internos, AMLO terá de convencer os investidores estrangeiros de que seu nacionalismo econômico não vai fechar a economia e enfrentar a hostilidade do presidente Donald Trump, que lançou sua campanha à Casa Branca acusando os mexicanos de serem traficantes, estupradores e assassinos, e insiste na construção de um muro na fronteira entre os dois países.

Como prefeito da Cidade do México, ele mostrou ser um esquerdista capaz de trabalhar com o setor privado. Agora, enviou um representante para a renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

"Hoje AMLO é muito mais moderado, é um político centrista que vai governar com a comunidade empresarial com a mão direita e com os programas sociais na mão esquerda", declarou Antonio Sola, marqueteiro que o apresentou como um perigo para o México na eleição de 2006, vencida por Felipe Calderón, do PAN. "A grande diferença é que agora a emoção dominante no eleitorado é a fúria. A raiva é muito mais forte do que o medo."

O presidente eleito prometeu revisar os contratos no setor de petróleo assinados pelo governo atual e reverter reformas educacionais para introduzir avaliações de mérito dos professores. Aliado dos poderosos sindicatos do setor público, AMLO quer voltar atrás. Deste jeito, cedendo aos interesses dos setores de educação e energia, não vai transformar o México.

"Minha maior preocupação sobre energia e educação é a ambiguidade do caminho alternativo a frente", observou o cientista político Jesus Silva Herzog, professor da Escola de Administração Pública do Instituto de Tecnologia e Ensino Superior de Monterrey, na terceira maior região metropolitana do México.

A vitória de López Obrador representa sobretudo a falência dos partidos políticos tradicionais mexicanos. O Partido Revolucionário Institucional (PRI), herdeiro da Revolução Mexicana de 1910, governou o país de sua fundação, em 1929, até o ano 2000. Voltou ao poder com o atual presidente, o desmoralizado Enrique Peña Nieto (2012-18). Sai destas eleições mais fraco do que nunca.

O Partido da Revolução Democrática (PRD), foi criado por Cuauhtémoc Cárdenas, filho do fundador do PRI, numa dissidência do partido oficial, em 1989. AMLO usou-o para lançar sua candidatura em 2006. Com o crescimento do Morena, o PRD corre o risco de desaparecer.

Desde logo, o PAN se apresenta como a oposição de direita. Algumas pesquisas indicaram que a aliança Juntos Faremos História, liderada por AMLO, poderá ter maioria absoluta na Câmara e no Senado. Isso lhe daria condições de aplicar seu programa radical. As atenções agora se voltam para estas apurações.

Seu partido Morena venceu em seis dos nove estados onde havia eleição para governador: Chiapas, México, Morelos, Puebla, Tabasco, onde nasceu AMLO, e Veracruz. Pela primeira uma mulher, a cientista Claudia Sheinbaum, de 56 anos, foi eleita prefeita da Cidade do México, uma megalópole de 20 milhões de habitantes.

Foram as maiores eleições da história do México, com mais de 3,4 mil cargos em disputa e também a mais violenta, com pelo menos 145 assassinatos políticos, sendo 48 de candidatos ou pré-candidatos.

domingo, 24 de junho de 2018

López Obrador está perto da vitória com maioria no Congresso

A uma semana das eleições para 3 mil cargos, as maiores da história do México, o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Movimento de Renovação Nacional (Morena) é o franco favorito para presidente. 

AMLO aumentou para 23 pontos sua vantagem sobre o direitista Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN). A aliança que o apoia pode obter maioria absoluta na Câmara e no Senado.

Na média das pesquisas, López Obrador tem 49,6% das preferências do eleitorado, com 27% para Anaya e 20,4% para José Antonio Meade, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México desde sua fundação, em 1929, até o ano 2000 e voltou ao poder com o atual presidente Ernesto Peña Nieto.

Como no México não há segundo turno, o jornal espanhol El País dá a AMLO, como é conhecido popularmente, 95% de chance de conquistar a Presidência.

Em aliança com o Partido do Trabalho (PT) e o Partido do Encontro Social (PES), o Morena pode ter maioria absoluta na Câmara e no Senado. Isso daria a AMLO o direito de aplicar seu programa de reformas radicais.

Com 159 deputados do Morena, 51 do PT e 47 do PES, a aliança governista teria, na média das pesquisas, 258 das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados. Por causa da imprecisão de pesquisas anteriores e do sistema eleitoral, a margem de erro é de mais ou menos 40 deputados.

Dos 500 deputados, 300 são eleitos por maioria relativa em distritos uninominais, o que leva as coalizões a apresentar um candidato único. Os outros 200 são eleitos pelo voto proporcional.

Pelo artigo 54 da Constituição do México, para evitar o poder exagerado que o PRI teve no passado, nenhum partido pode ter mais de 300 deputados na Câmara nem uma porcentagem de deputados oito pontos percentuais maior do que o percentual de votos.

Para o Senado, a aliança de esquerda tem 46% dos votos contra 33% do PAN e 21% do PRI.

domingo, 3 de junho de 2018

López Obrador abre 20 pontos de vantagem no México

A campanha para a eleição presidencial de 1º de julho no México entra na reta final com o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador abrindo uma vantagem de 20 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Ricardo Anaya. Como não há segundo turno, ele está praticamente eleito, pelos cálculos do jornal espanhol El País.

Líder do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), López Obrador ou AMLO, como é mais chamado, tem 48,2% das preferências na média das pesquisas. Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN) tem 27,5%, enquanto José Antonio Meade, do governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), é o terceiro, com 19,5%.

Pelo modelo matemático de El País, AMLO tem 92% de ser eleito presidente do México; Anaya, 7%; e Meade, 1%. Desde março, ele subiu sete pontos. Em quatro pesquisas recentes, superou os 50%.

Sua vantagem é tão grande que mesmo o mau desempenho nos dois debates realizados até agora abalou sua liderança. Não há razão para imaginar que o líder nas pesquisas possa desabar nas semanas que restam.

Meade teve seu melhor momento quando foi indicado pelo presidente Enrique Peña Nieto, mas o desgaste do PRI, que governou o México ininterruptamente de 1929 a 2000 e voltou ao poder em 2012, e a impopularidade do atual presidente minaram sua candidatura.

No último debate, realizado há duas semanas em Tijuana, na fronteira com os Estados Unidos, Meade foi superior aos adversários. Isso acabou enfraquecendo Anaya, que começou bem o ano e se tornou o favorito do empresariado que teme o esquerdismo de López Obrador.

Se a eleição fosse apenas entre AMLO e Anaya, o eleitorado de Meade se dividiria em partes iguais, indica uma simulação da empresa de pesquisas Demotecnia. Parte do PRI prefere a vitória de López Obrador ao triunfo do PRI, com que disputa e eleitor de centro-direita.

A agressividade verbal do presidente Donald Trump e a resistência dos EUA na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) favorecem o candidato de esquerda,