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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Baldizón abandona eleição presidencial na Guatemala

Depois de apontar "indícios de corrupção" no primeiro turno, o político e empresário Manuel Baldizón desistiu ontem de concorrer ao segundo turno da eleição presidencial na Guatemala, o que dependeria de um recurso à Justiça. Pelo resultado oficial, ele ficou em terceiro lugar.

Segundo colocado na eleição presidencial de 2011, quando perdeu para o agora ex-presidente Otto Pérez Molina no segundo turno, Baldizón era o favorito até a reta final da campanha, quando a renúncia e a prisão de Pérez Molina por corrupção abalaram ainda mais a imagem dos políticos tradicionais guatemaltecos.

O primeiro turno, disputado em 6 de setembro de 2015, terminou com a vitória do comediante Jimmy Morales com 23,85% dos votos, seguido pela ex-primeira-dama Sandra Torres de Colom com 19,76% e por Baldizón com 19,64%.

Diante do resultado apertado, Baldizón recorreu à Justiça. Ontem, anunciou sua desistência. Entre as irregularidades, apontou fraude, queima de votos e "atrasos injustificados" na divulgação da contagem oficial.

Um porta-voz do partido Liberdade Democrática Renovada (Lider), Fridel de León, acusou o Tribunal Superior Eleitoral de "não querer" tornar o processo "transparente" e denunciou um "linchamento" moral do candidato nos meios de comunicação e nas redes sociais.

O segundo turno será disputado por Jimmy Morales e Sandra Torres em 25 de outubro.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Sandra Torres vai ao segundo turno com Jimmy Morales na Guatemala

Na disputa mais apertada pelo segundo lugar de uma eleição presidencial na Guatemala, a ex-primeira-dama Sandra Torres de Colom superou o empresário Manuel Baldizón e disputa o segundo turno com o comediante Jimmy Morales em 25 de outubro de 2015.

Com 97,3% das urnas apuradas, Morales, da Frente de Convergência Nacional (FCN), tem 23,91% dos votos contra 19,64% de Sandra Torres, da Unidade Nacional da Esperança (UNE), que superou o empresário Manuel Baldizón, da Liberdade Democrática Renovada (Lider), com 19,4%.

Esse resultado apertado provocou recursos das duas candidaturas. A Justiça eleitoral da Guatemala suspendeu a divulgação do resultado oficial até o julgamento dos recursos.

Jimmy Morales lidera apuração na Guatemala

Com 25% dos votos, o comediante Jimmy Morales, de um novo partido fundado por ex-militares, lidera a apuração dos resultados do primeiro turno da eleição presidencial na Guatemala, realizado ontem, dias depois da renúncia e prisão do agora ex-presidente Otto Pérez Molina, denunciado por corrupção.

Em segundo lugar, com 21%, está o empresário Manuel Baldizón, do partido Liberdade Democrática Renovada (Lider) segundo colocado na eleição presidencial de 2011, que era favorito até recentemente. O segundo turno será disputado em 25 de outubro de 2015.

Por não ser identificado como um político tradicional, Morales foi beneficiado pela renúncia e prisão de Pérez Molina. Mas está longe de ser independente. Seu partido, a Frente Nacional pela Convergência, foi fundado por ex-militares envolvidos na mais violenta das guerras sujas da América Latina durante a Guerra Fria.

Depois do golpe que derrubou em 1954 o presidente Jacobo Árbenz, que havia estatizado as terras da companhia bananeira United Fruit, articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), a Guatemala viveu um longo período de violência política e instabilidade.

Em 1960, grupos guerrilheiros de esquerda iniciaram uma guerra civil contra a ditadura guatemalteca que só terminaria em 1996 depois de mais de 200 mil mortes num país de cerca de 9 milhões de habitantes. O partido de Morales representa os militares interessados em garantir a impunidade pelos crimes cometidos.

Pérez Molina, um dos oficiais da guerra suja, foi o primeiro militar a chegar ao poder na Guatemala desde a volta das eleições presidenciais diretas, em 1986. Ganhou a eleição de 2011 prometendo dureza contra o crime organizado.

A Guatemala enfrenta uma onda de violência criminal causada pelo deslocamento para o Sul das máfias do tráfico atacadas na guerra do governo do México contra as drogas e pela sobrevivência de grupos armados irregulares que fizeram o jogo sujo durante a ditadura militar e hoje se dedicam ao crime.

Em abril, estourou um escândalo de corrupção em que o presidente e a vice-presidente foram acusados de receber propina de gangues dedicadas ao contrabando para não cobrar impostos de importação.

Sob intensa pressão popular, com protestos todos os fins de semana diante do palácio presidencial, ambos caíram e foram presos. Para os manifestantes, ficou a sensação de que será necessário muito mais para livrar a Guatemala de sua elite política corrupta e predatória.