Mostrando postagens com marcador Roberto Micheletti. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roberto Micheletti. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Honduras está dividida e isolada um ano após golpe

Um ano depois do golpe que derrubou o presidente José Manuel Zelaya, Honduras é um país dividido internamente e isolado internacionalmente.

Às 5h da madrugada de 28 de junho de 2009, soldados do Exército prenderam Zelaya de pijama em sua residência. Ele foi colocado num avião e expulso do país. Em seguida, o Congresso aprovou sua substituição pelo presidente do Congresso, Roberto Micheletti, adversário de Zelaya no Partido Liberal.

O presidente deposto era acusado de tentar realizar um referendo sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para fazer uma nova Constituição e permitir a reeleição do presidente de Honduras sem o consentimento dos poderes Legislativo e Judiciário.

Sem apoio legal, Zelaya tentou fazer pelo menos uma consulta popular informal e demitiu o comandante das Forças Armadas, general Romero Orlando Vázquez Velásquez, quando este se negou a distribuir urnas e cédulas enviadas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que se tornara um aliado de Zelaya com o dinheiro da Petrocaribe.

Diante da condenação internacional ao golpe, considerando-se o presidente legítimo de Honduras, Zelaya tentou voltar ao país duas vezes, de avião e por terra. Na terceira vez, entrou clandestinamente e se refugiou na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, em 21 de setembro.

Sem apoio institucional para voltar ao cargo, Zelaya dependia da pressão internacional.

O Acordo de São José, mediado pela Organização dos Estados Americanos (OEA), previa a volta do presidente deposto ao poder com o apoio do Congresso hondurenho. Mas nem o Congresso nem a Corte Suprema tinham mudado de posição em relação ao conflito que está na origem do golpe.

Com o impasse, os Estados Unidos decidiram abandonar Zelaya, argumentando que as eleições de 29 de novembro de 2009 eram a melhor maneira de resolver o conflito democraticamente. Mas o Brasil e a maior parte da América Latina insistiram que eleições sem a volta do presidente deposto não teriam legitimidade.

A vitória coube a Porfirio Lobo, do Partido Conservador. O Partido Liberal foi destroçado pelo conflito entre Zelaya e Micheletti.

Em 10 de dezembro de 2009, o Brasil deu um ultimato a Zelaya, dizendo que ele deveria deixar a embaixada até 27 de janeiro de 2010, último dia do mandato interrompido pelo golpe. Desde então, ele vive na República Dominicana.

Lobo foi reconhecido pelos Estados Unidos, Panamá, Colômbia, Chile e Peru. O Brasil e a maioria dos países latino-americanos exigem a volta de Zelaya a Honduras dentro de uma anistia ampla que o permita voltar a fazer política. Nem isso a elite hondurenha aceita. Os partidários de Zelaya se queixam de perseguição política.

Em entrevista divulgada neste domingo, Micheletti, a face civil do golpe, admitiu que "não existe harmonia" em Honduras: "A situação não se normalizou. Há um clima de incerteza."

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Procuradoria pede prisão de golpistas em Honduras

O Ministério Público de Honduras pediu ontem à Corte Suprema a prisão por abuso de poder dos comandantes militares responsáveis pelo golpe de 28 de junho de 2009 e pela expulsão do presidente José Manuel Zelaya.

Depois de se encontrar com Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, o segundo funcionário na hierarquia do setor de América do Departamento de Estado americano, Craig Kelly, defendeu a criação de uma Comissão de Verdade para investigar os crimes cometidos depois do golpe.

Zelaya insistiu na renúncia do presidente interino, Roberto Micheletti, o líder civil do golpe.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Brasil e EUA pedem salvo-conduto para Zelaya

Durante visita a Brasília do secretário de Estado adjunto para as Américas, Arturo Valenzuela, o Brasil e os Estados Unidos condenaram o golpe em Honduras, pediram o afastamento do presidente interino, Roberto Micheletti, e uma anistia e salvo-conduto para o presidente deposto, José Manuel Zelaya, sair da Embaixada do Brasil, onde está exilado desde 21 de setembro, e deixar o país.

Os dois países tem posição comum na crise de Honduras, declarou o assessor especial para relações internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que recebeu Valenzuela.

Em Tegucigalpa, Micheletti, o líder civil do golpe de 28 de junho de 2009,  declarou que Zelaya pode sair do país quando quiser, desde que seja com o status de "asilado político", o que implicaria uma renúncia à sua reivindicação de voltar à Presidência.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Congresso de Honduras rejeita volta de Zelaya

O mesmo Congresso que aprovou a destituição do presidente José Manuel Zelaya depois do golpe de 28 de junho de 2009 decidiu ontem rejeitar sua recondução ao cargo, exigida pelo Brasil, a Argentina, a Venezuela e a maioria dos países latino-americanos, que se recusam a reconhecer o resultado das eleições de 29 de novembro.

Pelos acordos de São José e Tegucigalpa, este último fechado em 30 outubro por partidários de Zelaya e do governo golpista liderado por Roberto Micheletti, com mediação do secretário de Estado adjunto dos EUA para a América Latina, a palavra final sobre a restituição do poder ao presidente deposto caberia ao Congresso. Ele acaba de se manifestar, mas nada indica que tenha acabado com a crise.

Depois de mais de seis horas de debate, no início da noite, a votação final registrou 111 votos contra Zelaya e apenas 14 sem seu favor.

O presidente deposto não tem apoio institucional nem popular para retomar o poder. Apesar da convocação para que seus partidários se concentrassem diante do parlamento, compareceram apenas cerca de 200 zelaystas para acompanhar.

Toda a bancada do conservador Partido Nacional, do presidente eleito Porfirio Pepe Lobo, de 55 deputados, ficou contra Zelaya. O Partido Liberal, a que pertencem em tese tanto Zelaya quanto Micheletti, se dividiu.

Ao justificar seus votos, os deputados hondurenhos falaram em "fortalecer a democracia", elogiaram a "lisura" das eleições do domingo passado e denunciaram a interferência estrangeira indevida, citando os presidentes Lula, do Brasil, e especialmente Hugo Chávez, da Venezuela, "que pretendem nos dar lições de democracia sem nunca a terem praticado".

Sem alternativa além de apelar à sociedade internacional, Zelaya pretenderia ficar na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está desde 21 de setembro, até a data da posse de Porfirio Lobo, em 27 de janeiro de 2010.

Os EUA, o Japão, a Colômbia, a Costa Rica, o Panamá e o Peru reconheceram o resultado das eleições de 29 de novembro.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Porfirio Lobo vence eleição em Honduras

O candidato do conservador Partido Nacional, Porfirio Pepe Lobo, venceu a eleição presidencial de 29 de novembro de 2009 em Honduras. Pelo calendário eleitoral do país, deve assumir o cargo em 27 de janeiro de 2010.

Lobo teve 55% dos votos contra 38% para Elvin Santos, do Partido Liberal, ao qualquer pertencem tanto o presidente deposto em 28 de junho de 2009, José Manuel Zelaya, quanto seu substituto interino, Roberto Micheletti, que antes do golpe era presidente do Congresso.

Micheletti se afastou durante as eleições para não manchar o resultado, mas é uma atitude meramente formal, um teatro da política hondurenha.

O conflito entre zelaystas e antizelaystas dividiu os liberais, dando a vitória o Lobo, o candidato derrotado em 2005 pelo presidente deposto. Ele tem 61 anos e foi comunista na juventude, o que desperta uma certa desconfiança da oligarquia hondurenha.

Em seu primeiro comentário sobre o resultado, Zelaya declarou ser amigo pessoal de Lobo, um grande fazendeiro como ele, mas ressalvou que tem várias diferenças políticas.

A eleição, a apenas cinco meses do golpe, sem a recondução de Zelaya ao poder como exigiram a Organização dos Estados Americanos e a Assembleia Geral das Nações Unidas, dividiu os países do continente.

O Brasil, a Argentina, o Chile, a Venezuela e a maioria dos países latino-americanos recusam-se a reconhecer o resultado de eleições presididas por um governo que consideram ilegal e ilegítimo.

Já os EUA, a Colômbia, o Panamá e o Peru entendem que as eleições são a melhor saída para a pior crise política na América Central depois do fim da Guerra Fria.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Hondurenhos anunciam acordo

O governo golpista e o presidente deposto de Honduras, José Manuel Zelaya, anunciaram hoje um acordo para que o Congresso decida sobre a recondução de Zelaya ao cargo, como anunciado ontem à noite (leia abaixo) pelo presidente interino, Roberto Micheletti.

Os pontos principais são:
• O Congresso vai decidir se Zelaya volta à Presidência.
• As duas partes se comprometem a reconhecer como válidas as eleições de 29 de novembro.
• Será criado um governo de união nacional para concluir o atual mandato, que termina em 27 de janeiro.
• Não haverá anistia para crimes políticos.
• Zelaya renuncia aos planos de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e de mudança de cláusulas pétreas da Constituição, como a que proíbe a reeleição.
• Será feito um apelo à comunidade internacional para acabar com o isolamento imposto ao país após o golpe.
• Uma comissão vai investigar os fatos de antes, durante e depois do golpe de 28 de junho.
• Uma comissão de verificação vai fiscalizar o cumprimento do acordo.

Quem perdeu com a crise foi o Brasil. Ao conceder asilo a Zelaya na embaixada em Tegucigalpa, o Brasil perdeu sua condição de neutralidade. O acordo foi mediado pelo atual subsecretário de Estado adjunto para América Latina, Thomas Shannon.

Se um dos objetivos da integração latino-americana é reduzir a influência dos EUA na região, desta vez os países do subcontinente não conseguiram negociar uma saída sem a mão decisiva de Washington.

O Itamaraty alega que não poderia ter negado abrigo a Zelaya, que o país, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e as Nações Unidas reconhecem como presidente legítimo de Honduras. Mas nenhum país com pretensões a potência regional aceitaria ser surpreendido com um problema desses jogado na sua porta.

A responsabilidade seria do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, principal aliado de Zelaya na região, que teria revelado que o presidente deposto iria para a embaixada da ONU. Quando Zelaya voltou a Tegucigalpa, a sede da ONU estava cercada e ele se refugiou na representação do Brasil.

Micheletti pede a Zelaya que aceite acordo

Em discurso agora à noite, o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, apelou ao presidente deposto, José Manuel Zelaya, para que assine um acordo que deixará a cargo do Congresso a decisão sobre a recondução ou não de Zelaya à Presidência.

"Chega de desculpas! Chega desta retórica que nos divide! Chega de jogadas políticas!", pediu Micheletti.

É o resultado da pressão direta do enviado especial dos Estados Unidos, o subsecretário de Estado adjunto para a América Latina, Thomas Shannon.

Como o Brasil se desqualificou como mediador ao abrigar Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, os EUA vieram preencher o vazio.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Zelaya acusa Micheletti de esbofetear o mundo

O governo golpista de Honduras e representantes do presidente deposto, José Manuel Zelaya, retomam amanhã o diálogo para tentar gerar a crise provocada pelo golpe de Estado de 28 de junho de 2009. Mas as chances de um acordo são pequenas.

Uma porta-voz do presidente interino Roberto Micheletti declarou hoje que há entendimento em 60% dos pontos do Acordo de São José. O maior obstáculo é a recondução de Zelaya ao cargo, exigida pela Organização dos Estados Americanos e a Organização das Nações Unidas.

Em entrevista no fim da tarde de hoje, Zelaya acusou Micheletti de "esbofetear a comunidade internacional": "Depois de me derrubar, Micheletti quer derrubar a ONU e a OEA".

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Micheletti contrata lobistas por US$ 400 mil

NOVA YORK - Em uma tentativa de conquistar apoio nos Estados Unidos, o governo golpista de Honduras contratou lobistas por US$ 400 mil, revela hoje o jornal The New York Times. São assessores e empresas de advocacia ligadas à secretária de Estado, Hillary Clinton, e ao senador John McCain, derrotado por Barack Obama na eleição presidencial do ano passado.

Vários desses lobistas, como os ex-secretários de Estado adjuntos para a América Latina Elliot Abrams e Otto Reich, tem um passado de luta contra a esquerda latino-americana durante a Guerra Fria. Eles veem a crise hondurenha como uma batalha crucial contra a influência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na região.

Os EUA são o maior parceiro comercial de Honduras. Sua pressão pode ser decisiva para derrotar o golpe de 28 de junho de 2009.

Desde a primeira tentativa do presidente deposto, José Manuel Zelaya de voltar ao país sem um acordo, Hillary criticou-o, acusando-o de agir irresponsavelmente, com risco de acirrar o conflito e causar derramamento de sangue.

domingo, 4 de outubro de 2009

Micheletti admite erro ao expulsar Zelaya

CAMBRIDGE, EUA - O líder do governo golpista de Honduras, Roberto Micheletti, reconheceu que foi um erro expulsar o presidente democraticamente eleito, José Manuel Zelaya, no golpe de 28 de junho deste ano. Ele atribuiu a decisão ao Exército, que tinha medo de que a resistência ao golpe provocasse "derramemento de sangue".

domingo, 27 de setembro de 2009

Brasil rejeita ultimato de golpistas de Honduras

NOVA YORK - O governo do Brasil rejeitou hoje um ultimato dos golpistas de Honduras, que deram prazo de 10 dias para o país definir a situação do presidente deposto, José Manuel Zelaya, que voltou a seu país há uma semana numa tentativa de retomar o poder: ou o Brasil concederia asilo a Zelaya ou teria de expulsá-lo da embaixada.

Durante um encontro de cúpula África-América Latina realizado na Ilha Margarida, na Venezuela, o presidente Luiz Inacio Lula da Silva afirmou que "o Brasil não aceita ultimatos de golpistas". O ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, disse que não responderia porque não reconhece o governo de fato de Honduras.

Em nota oficial, o governo golpista hondurenho afirmou que "nenhum país pode tolerar que uma embaixada estrangeira seja usada como base para gerar violência e romper a tranquilidade como Zelaya está fazendo desde que voltou ao país".

Se a situação atual não mudar em 10 dias, o governo golpista ameaça não reconhecer mais a inviolabilidade da embaixada, contrariando o direito internacional sobre imunidade diplomática.

Agora há pouco, o presidente de fato, Roberto Micheletti, suspendeu os direitos civis e ameaçou fechar rádios e televisões favoráveis a Zelaya. Ele estaria prestes a formar um governo paralelo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Governo golpista admite negociar em Honduras

Ao ler uma nota do presidente Roberto Micheletti nesta noite na televisão de Honduras, o ministro das Relações Exteriores do governo golpista, Carlos López, admitiu dialogar com o presidente deposto, José Manuel Zelaya. Mas impôs uma condição: Zelaya precisa aceitar as eleições de 29 de novembro.

O presidente deposto voltou na última segunda-feira ao país, quase três meses depois do golpe de 28 de junho, período em que fez duas tentativas fracassadas de regressar. Ameaçado de prisão pela acusação de violar a Constituição ao tentar realizar um plebiscito para mudar a lei e permitir a própria reeleição, Zelaya se refugiou na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Depois que as forças de segurança hondurenhas cercaram a sede da representação brasileira e usaram gás lacrimogênio para dispersar milhares de manifestantes que apoiavam o presidente destituído, o Brasil convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a crise em Honduras e a ameaça à Embaixada do Brasil.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Micheletti promete respeitar embaixada

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, prometeu hoje respeitar a imunidade diplomática da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde desde ontem está refugiado o presidente José Manuel Zelaya, deposto em 28 de junho.

"Eles não reconhecem nosso governo, mas vamos cumprir a lei rigorosamente", garantiu o líder do governo golpista. "Nem a tinta dos muros daquela casa será tocada."

Golpistas pedem que Brasil entregue Zelaya

Diante da inesperada volta do presidente deposto de Honduras, José Manuel Zelaya, que está refugiado na Embaixada do Brasil, o líder do governo golpista, Roberto Micheletti, decretou toque de recolher noturno até sexta-feira em Tegucigalpa e fechou todos os aeroportos do país.

Desde que assumiu o poder, logo após o golpe de 28 de junho, Micheletti negou legitimidade a Zelaya. Depois de várias tentativas frustradas de aplicar o Acordo de São José, que previu o retorno do presidente deposto ao cargo, Micheletti passou a declarar que Zelaya seria preso quando voltasse a Honduras.

O governo golpista acusou Zelaya de usar a Embaixada do Brasil para promover uma insurreição no país.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Honduras rejeita o Acordo de São José

Para pressionar o governo golpista, os Estados Unidos suspenderam hoje a emissão de vistos para cidadãos de Honduras. Mas, ao receber uma delegação de ministros do Exterior da Organização dos Estados Americanos (OEA), o presidente interino, Roberto Micheletti, rejeitou mais uma vez a anistia geral e a recondução ao cargo do presidente José Manuel Zelaya, deposto em 28 de junho.

Um grupo formado por sete chanceleres e o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, passou dois dias em Tegucigalpa tentando convencer os golpistas a restaurar a ordem constitucional em Honduras. Sem sucesso.

A mulher do presidente deposto, Xiomara de Castro Zelaya, afirmou que o marido está pronto para assinar o Acordo de São José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, mediador indicado pela OEA. Ele prevê anistia geral, a volta de Manuel Zelaya ao poder e a formação de um governo de união nacional.

Mas Micheletti não aceita a anistia nem devolver o cargo. O dirigente golpista disse não temer o isolamento internacional nem o não reconhecimento do resultado das eleições presidencial e parlamentares marcadas para 29 de novembro.

Ao sair de Honduras, o chanceler argentino, Jorge Taiana, responsabilizou a intransigência de Micheletti pelo fracasso da missão da OEA.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Zelaya volta a criticar os EUA

Ao visitar hoje o Peru, o presidente deposto de Honduras, José Manuel Zelaya, afirmou que voltará em breve a seu país e criticou mais uma vez os Estados Unidos, acusando o governo americano de não fazer o suficiente para derrotar o golpe de 28 de junho.

"A solução do problema interno de Honduras, com a legitimidade do governo que eu represento e a legitimidade do presidente Obama, duraria cinco minutos", alfinetou Zelaya, aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que por sua vez é o maior inimigo dos EUA na América Latina.

"Reconheço que o presidente Obama e a secretária Hillary Clinton não tem nada a ver com isso, com o planejamento do golpe. Mas as medidas que eles tomaram contra os golpistas foram fracas", reclamou Zelaya.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Micheletti rejeita devolução do poder a Zelaya

O presidente do governo golpista de Honduras, Roberto Micheletti, rejeitou qualquer possibilidade de devolver o poder ao presidente democraticamente eleito, José Manuel Zelaya, deposto em 28 de junho.

Em entrevista ao jornal americano Miami Herald, Micheletti afirmou que "a única maneira do presidente Zelaya voltar é se submeter à Justiça".

Depois do golpe, a Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiu por unanimidade exigir a recondução ao cargo do presidente deposto. Isso gerou um impasse porque os golpistas o acusam de querer transformar Honduras em mais um aliado da revolução bolivarista do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Sem solução para a crise, os países da OEA ameaçam não reconhecer o resultado das eleições presidenciais e legislativas hondurenhas marcadas para 29 de novembro. O novo governo toma posse em 27 de janeiro.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Golpista de Honduras volta a atacar Insulza

O presidente do governo golpista de Honduras, Roberto Micheletti, voltou a atacar hoje o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador chileno José Miguel Insulza, e acusou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) de financiarem o movimento de protesto dos partidários do presidente deposto, José Manuel Zelaya.

Em entrevista em Tegucigalpa, Micheletti declarou que Insulza "não é bem-vindo". O secretário-geral da OEA deve visitar o país antes do fim do mês junto com uma delegação de seis ministros das Relações Exteriores de países do continente.

A viagem estava prevista para a terça-feira deste semana, mas foi adiada porque não há clima favorável ao entendimento entre Micheletti e Zelaya.

Micheletti afirmou que um partido político e uma central sindical hondurenhas recebem dinheiro da guerrilha colombiana: "Temos as provas. Foram enviadas ao governo da Colômbia e serão apresentadas no momento adequado." Ele não apresentou indício algum para sustentar a denúncia.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Golpistas acusam opsicionistas de terrorismo

O Ministério Público de Honduras pretende denunciar por terrorismo os líderes das manifestações de rua em protesto contra o golpe militar que depôs o presidente José Manuel Zelaya, em 28 de junho de 2009.

Em pronunciamento ontem à noite em cadeia nacional de televisão, o presidente interino, Roberto Micheletti, declarou que "as ações violentas e terroristas" são contra o povo e não contra o governo, e ameaçariam o processo eleitoral.

As próximas eleições hondurenhas estão marcadas para 29 de novembro deste ano. Os países da Organização dos Estados Americanos (OEA) advertem que não vão reconhecer o resultado, se Zelaya não voltar ao cargo.

Nas ruas de Tegucigalpa, a polícia voltou a enfrentar partidários do líder deposto que protestavam contra o golpe. Os manifestantes jogaram pedras, e a polícia reagiu com gás lacrimogênio.

Várias lojas foram saqueadas. Pelo menos 43 pessoas foram presas; 27 podem ser denunciadas criminalmente.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Zelaya faz tentativa frustrada de voltar a Honduras

LONDRES - O presidente José Manuel Zelaya, deposto em 28 de junho por um golpe militar em Honduras, fez uma volta simbólica ao país hoje. Cruzou a fronteira da Nicarágua e ficou em território hondurenho por 15 minutos, sob a ameaça de ser preso e processado pelo governo golpista por violar a Constituição.

Essa volta simbólica na verdade foi mais uma tentativa frustrada, depois do fracasso das negociações entre Zelaya e o presidente interino, Roberto Micheletti, que se recusa a abandonar o poder, apesar das pressões internacionais.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) repudiou o golpe por unanimidade e suspendeu Honduras, invocando a cláusula democrática aprovada em 2001 no Chile.

Zelaya, eleito pelo Partido Liberal, conservador, de centro-direita, se aliou ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na PetroCaribe, que oferece petróleo subsidiado aos países mais pobres da região. É muito bom para economias subdesenvolvidas, mas tem um preço político.

Ao aderir à ALBA (Alternativa Bolivarista para as Américas), Zelaya alienou os setores dominantes da sociedade hondurenha, que o levaram ao poder, e tentou fortalecer sua base popular.

Como a Constituição de Honduras não prevê a reeleição do presidente e o mandato de Zelaya terminaria em 27 de janeiro, na linha chavista, ele propôs um plebiscito sobre a reeleição e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituite.

Quando o Congresso e o Supremo Tribunal de Honduras rejeitaram a proposta, o presidente deposto insistiu em levar adiante o plebiscito, com urnas e cédulas fornecidas pela Venezuela.

A crise estourou quando Zelaya demitiu o comandante do Estado Maior das Forças Armadas, que se negava a distribuir urnas e cédulas nos locais de votação.

No domingo, 28 de junho de 2009, dia do plebiscito, Zelaya foi preso de pijama em casa pela manhã e expulso do país.

Depois de mais uma tentativa frustrada da volta de Zelaya, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, declarou em Washington que a atitude do líder deposto de tentar entrar a pé no país é "inútil" e não contribui para a solução do problema, que na sua opinião depende de uma negociação direta entre as partes.