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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

STF dá 48 horas para governo definir como vacinar crianças

 O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas ao governo federal para esclarecer como vai incluir as crianças de 5 a 11 anos no Plano Nacional de Imunização contra a doença do coronavírus de 2019 antes do reinício das aulas, agora que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a aplicação da vacina de Pfizer-BioNTech nesta faixa etária.

A Anvisa reagiu duramente à ameaça do presidente Jair Bolsonaro de divulgar os nomes do corpo técnico do órgão regulador que aprovaram a vacinação de crianças. A Univisa, a associação dos funcionários da agência descreveram a fala do presidente nas redes sociais como uma "incitação dos cidadãos, método abertamente fascista cujos resultados podem ser trágicos e violentos."

Os técnicos da agência passaram a sofrer ameaças de mortes. Acusam Bolsonaro de "ativismo político violento".

Em nota, a Anvisa "repudia qualquer ameaça, explícita ou velada, que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias e o sustento de nossas vidas e famílias: o nosso trabalho, que é proteger a vida dos cidadãos."

Sem dados de cinco estados por causa de um ataque cibernético ao Ministério da Saúde,  Brasil notificou mais 126 mortes e 4.222 casos novos de covid-19. Cinco estados - Acre, Amapá, Ceará, Roraima e Sergipe - não registraram morte.

O Brasil soma agora 22.207.358 casos confirmados e 617.647 vidas perdidas na pandemia. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu 33% em duas semanas para 131. A média diária de casos novos dos últimos sete dias recuou 60% em duas semanas para 3.505. Ambas apresentam forte tendência de baixa.

Com a variante ômicron e o surto da gripe causada pelo vírus H3N2, os infectologistas aconselham que as festas de fim de ano sejam feitas em grupos pequenos e locais arejados, com distanciamento e uso de máscaras, a serem removidas apenas na hora de comer e de beber.

No mundo, já são 273.668.314 casos confirmados e 5.344.177 mortes na pandemia. Mais de 245,5 milhões de pacientes se recuperaram, cerca de 22,8 milhões enfrentam casos leves ou médios e 89.133 estão em estado grave.

Os Estados Unidos registraram mais 170.678 casos e 2.099 mortes nesta sexta-feira. A média diária de casos novos dos últimos sete dias cresceu 20% em duas semanas para 125.480. A média diária de mortes dos últimos sete dias subiu 15% em duas semanas para 1.291. O país tem o maior número de casos confirmados (50.706.733) e de mortes (802.823).

Mais de 8,63 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo. Mais de 4,46 bilhões de pessoas,  57,17% da população mundial, tomaram ao menos uma dose de vacina, mas só 7,6% nos países pobres. Cerca de 48% da humanidade completaram a vacinação.

A China lidera a imunização com mais de 2,65 bilhões de doses aplicadas, seguida pela Índia (1,36 bilhão) e a União Europeia. Nos EUA, 240,8 milhões tomaram a primeira dose, 203,5 milhões (61,11% da população norte-americana) completaram a vacinação e 59,4 milhões receberam a dose de reforço.

O Brasil deu a primeira dose a 160,55 milhões de pessoas, mais de 141,3 milhões (66,25% da população brasileira) e 22,6 milhões tomaram a dose de reforço, num total de quase 324,5 milhões de doses aplicadas.

sábado, 11 de dezembro de 2021

Barroso determina exigência de passaporte de vacina para entrada no Brasil

 Diante da ameaça de uma nova onda de contágio da variante ômicron do coronavírus de 2019, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, decidiu hoje que o Brasil precisa exija comprovante de vacinação de viajantes que entrem no país. 

A medida, que certamente vai provocar uma reação negativa do presidente Jair Bolsonaro, foi adotada em caráter liminar. Entra em vigor assim que as autoridades de controle de fronteira forem autorizadas, mas precisa ser confirmada pelo plenário do STF.

O Brasil notificou mais 126 mortes e 2.843 casos neste sábado, provavelmente com subnotificação por causa do fim de semana. Soma 22.185.663 casos confirmados e 616.859 vidas perdidas na pandemia. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu 21% em duas semanas para 179. A média diária de casos novos dos últimos sete dia recuou 22% em duas semanas para 7.098. Ambas apresentam tendência de baixa.

No mundo, já são 269.748.379 casos confirmados e 5.301.833 mortes. Mais de 242,5 milhões de pacientes se recuperaram, cerca de 21,85 milhões enfrentam casos leves ou médios e 88.749 estão em estado grave.

Com a subnotificação dos fins de semana, os Estados Unidos registraram mais 58.640 casos e 544 mortes no sábado. A média diária de casos novos dos últimos sete dias subiu impressionantes 40% em duas semanas para 119.325. A média diária de mortes dos últimos sete dias cresceu 31% em duas semanas para 1.288. O país tem o maior número de casos confirmados (49.884.588) e de mortes (797.179).

Mais de 8,43 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo. Mais de 4,4 bilhões de pessoas, 56,41% da população mundial, tomaram ao menos uma dose, mas só 7,1% nos países pobres. Cerca de 47 da humanidade receberam duas doses ou a dose única.

A China vacinou mais, aplicou 2,59 bilhões de doses. Mais de 80% dos chineses tomaram duas doses. Em seguida, vem a Índia e a União Europeia. Nos Estados Unidos, 238,1 milhões tomaram a primeira dose, 201,3 milhões (60,45% da população norte-americana) completaram a vacinação e 52,9 milhões  receberam a dose de reforço, num total de 492,3 milhões de doses aplicadas.

O Brasil deu a primeira dose a 160,22 milhões, 139,31 milhões (65,31% da população brasileira) completaram a vacinação e 20,38 milhões tomaram a dose de reforço, num total de 319,9 milhões de doses aplicadas. Meu balanço semanal da pandemia:

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

STF abre inquérito sobre mentira de Bolsonaro associando vacina à aids

 O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, abriu inquérito para investigar notícias falsas divulgadas pelo presidente Jair Bolsonaro associando as vacinas contra a doença do coronavírus de 2019 a um risco maior de contrair a síndrome de deficiência imunológica adquirida durante transmissão ao vivo pela Internet.

Em outubro, Bolsonaro citou documentos falsos atribuídos ao governo do Reino Unido para desacreditar as vacinas criminosamente. As redes sociais removeram as gravações da Internet. O YouTube suspendeu a conta do presidente por uma semana.

Desde a conclusão da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado sobre a pandemia, que indiciou Bolsonaro por sete crimes, o procurador-geral da República, Augusto Aras, notório aliado do presidente, abriu seis investigações preliminares, mas nenhum inquérito, com a nítida intenção de arquivar tudo.

Mais 229 mortes e 10.464 diagnósticos positivos de covid-19 foram notificados nesta sexta-feira no Brasil. O país soma agora 22.127.828 casos confirmados e 615.454 vidas perdidas na pandemia. A média diária de mortes dos últimos sete dias subiu 6% em duas semanas para 208. A média diária de casos novos dos últimos sete dias cresceu 5% no mesmo período para 8.777.

No mundo, já são 264.950.926 casos confirmados e 5.243.482 mortes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não registro registro de mortes para variante ômicron. Cerca de 239 milhões de pacientes se recuperaram, 20,6 milhões enfrentam casos suaves ou médios e 86.585 estão em estado grave.Os 

 Os Estados Unidos registraram mais 159.799 casos novos, 11 da variante ômicron, e 1.821 mortes na sexta-feira. A média diária de casos novos dos últimos sete dias aumentou 13% em duas semanas para 104.264. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu 2% em duas semanas para 1.121.

Mais de 8,12 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo; 54,8% da população mundial tomaram ao menos uma dose, mas só 6,2% nos países ricos.

A China aplicou mais de 2,53 bilhões de doses, seguida pela Índia (1,3 bilhão) e a União Europeia (648,8 milhões). Nos EUA, 234,7 milhões tomaram a primeira dose, 198,2 milhões (59,52% da população está norte-americana) completaram a vacinação e 45,2 milhões receberam a dose de reforço.

O Brasil deu a primeira dose a 159,5 milhões de pessoas, cerca de 136,3 milhões (63,9% da população brasileira) completaram a vacinação e 17,5 milhões (8,21%) tomaram a dose de reforço.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Brasil pode chegar a 750 mil mortes na pandemia, diz Universidade de Washington

Com a vacinação em marcha lenta e o relaxamento das medidas de proteção e isolamento social, a doença do coronavírus de 2019 pode matar 750 mil pessoas no Brasil até agosto, numa terceira onda de contaminação, prevê o Instituto de Avaliação e Métrica de Saúde da Universidade de Washington em Seattle, nos Estados Unidos. 

Na pior das hipóteses, a média diária de mortes voltaria a 3,3 mil por volta de 21 de julho e o total de mortes atingiria 941 mil até 21 de setembro, no fim do inverno. A taxa de transmissão, calculada pelo Imperial College, de Londres, está em 0,9. Isso significa que cada 100 infectados passam a doença para 90 pessoas.

O Brasil registrou nesta terça-feira mais 2.517 mortes e 74.379 casos novos de covid-19. O total de casos confirmados chegou a 15.735.485, com 439.379 óbitos. A média diária de mortes dos últimos sete dias subiu para 1.953. Foi o terceiro dia de alta, mas em duas semanas há uma baixa de 19%. A média diária de casos ficou em 64.348, com alta de 9% em duas semanas.

Na comissão parlamentar e inquérito do Senado sobre a pandemia, o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo mentiu ao negar que tenha hostilizado a China. O ex-chanceler admitiu que o governo fez esforços diplomáticos para importar cloroquina e ingredientes para a fabricação do medicamento sem efetividade comprovada pela ciência. Atribuiu a responsabilidade do Ministério da Saúde, assim como no atraso na compra de vacinas em quantidade suficiente para imunizar a população brasileira.

Diante do colapso do sistema e saúde pública em Manaus, a Venezuela ofereceu oxigênio. Por razões ideológicas, o governo Jair Bolsonaro não entrou em contato, não mandou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) buscar o oxigênio e nem agradeceu, confirmou Araújo.

Nesta quarta-feira, depõe o ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello. Sob a proteção de um habeas corpus dado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem o direito de ficar calado. Já a médica Mayra Pinheiro, a Capitã Cloroquina, que fazia campanha pela cloroquina quando foi resolver a crise de saúde em Manaus, não conseguiu o mesmo direito. Terá de falar.

No mundo, o contágio e o número de mortes estão em queda, mas ainda em níveis muito elevados. Na semana passada, houve mais de 4,8 milhões de casos novos e cerca de 86 mil mortes, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesta terça-feira, foram notificadas mais 13.960 mortes.

O total de casos confirmados chegou a 164.258.588, com 3.405.121 mortes. Mais de 143,5 milhões de pacientes sobreviveram, pouco menos de 17 milhões apresentam casos leves ou médios e 101.009 estão em estado grave.

Na Índia, enquanto o contágio parece diminuir, as mortes bateram o recorde mundial nesta terça-feira. Foram 4.529 óbitos num dia e 267.334 casos novos. Até agora, houve pelo menos 25.496.330 casos e 283.248 mortes de covid-19 no país. Com a subnotificação, suspeita-se que os números reais duas a três vezes maiores.

O Instituto Serum, da Índia, maior fabricante mundial de vacinas, vai suspender as exportações até o fim do ano para atender o público interno.

Mais de 1,54 bilhão de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo, sendo mais de 422 milhões na China, que vacinou 100 milhões de pessoas em nove dias; 282,9 milhões nos EUA, onde 158,4 milhões tomaram a primeira dose e 124,5 milhões (37,56% da população americana) estão plenamente vacinados, mas o ritmo caiu de um pico de 3,6 milhões para 1,77 milhão por dia; mais de 205 milhões na União Europeia; mais de 185 milhões na Índia; e mais de 58 milhões no Reino Unido. 

O Brasil vacinou mais 922 mil pessoas nesta terça-feira, chegando a 59,6 milhões no Brasil: 39,9 milhões de pessoas tomaram a primeira dose e 19,7 milhões (9,25% da população brasileira) receberam as duas doses necessárias à imunização.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Média de mortes por covid-19 sobe pelo segundo dia seguido

 O Brasil notificou nesta segunda-feira mais 1.093 mortes e 35.888 casos novos da doença do coronavírus de 2019, elevando o total para 15.661.106 casos confirmados e 436.862 óbitos. 

A média diária de mortes dos últimos sete dias aumentou pelo segundo dia seguido, depois de 15 dias consecutivos de baixa. Está em 1.918, com queda de 19% em duas semanas. A média diária de contágios ficou em 63.868, com alta de 8% em duas semanas.

Em conversa com seguidores, o presidente Jair Bolsonaro voltou a ironizar as pessoas que tomam medidas de precaução para não pegar a doença, dizendo com sua truculência habitual que "tem uns idiotas que até hoje estão em casa".

Nesta terça-feira, o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo depõe na comissão parlamentar de inquérito do Senado sobre a pandemia. Na quarta-feira, será a vez do ex-ministro Saúde general Eduardo Pazuello, que conseguiu um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) para não responder a perguntas que possam se incriminá-lo.

No mundo, já são 163.259.299 casos confirmados e 3.385.244 mortes. Mais de 142,5 milhões de doentes sobreviveram, cerca de 17,3 milhões enfrentam casos leves e 101.708 estão em estado grave.

Com um novo recorde de 4.329 mortes e 263.533 casos notificados nesta segunda-feira, a Índia chegou a 25.228.996 casos confirmados, superando a marca de 25 milhões, e 278.719 mortes.

Os Estados Unidos, onde a vacinação está adiantada, registraram hoje mais 33.041 casos novos, 33% a menos do que duas semanas atrás. As mortes foram 610, com queda de 13% em duas semanas. As hospitalizações por covid-19 diminuíram 18% para 34.201.

Mais de 1,514 bilhão de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo, sendo 415 milhões na China; 281,6 milhões nos EUA, onde o ritmo de vacinação caiu para menos de milhão por dia, 157,8 milhões tomaram a primeira dose e 123,8 milhões (37,3% da população americana) estão plenamente vacinados; cerca de 200 milhões na União Europeia; mais de185 milhões na Índia; 58 milhões no Reino Unido; e 58,68 milhões no Brasil, onde 39,26 milhões receberam a primeira dose e 19,42 milhões (9,1% da população brasileira) tomaram as duas doses necessárias à imunização.

A vacinação já apresenta resultados. As mortes por covid-19 de maiores de 80 anos caiu 60% em abril. Nos próximos dias, o Brasil deve receber ingredientes da China para fabricar mais 25 milhões de doses de vacinas. 

O presidente Joe Biden anunciou que os EUA vão distribuir 80 milhões de doses de vacinas, 60 milhões da AstraZeneca, não aprovada lá, e 20 milhões das vacinas da Pfizer-BioNTech, da Moderna e da Janssen, usadas no país.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

STF abre inquérito sobre tragédia em Manaus

 Por decisão do ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal abriu inquérito e deu 60 dias para a Polícia Federal investigar uma possível omissão do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, na tragédia da falta de oxigênio em Manaus para pacientes da doença do coronavírus de 2019. O pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, ignorou a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro.

Com mais 631 mortes e 28.364 mortes em 24 horas, o Brasil soma agora 217.712 mortes e 8.872.964 casos confirmados de covid-19. A média diária de mortes dos últimos sete dias subiu para 1.055. É a maior desde 4 de agosto, quando estava em 1.066 óbitos. A média diária de casos novos dos últimos sete dias ficou em 51.532.

Em fevereiro, o país deve ter mais 15 milhões de doses de vacinas contra a doença. Vai receber 10 milhões de doses da vacina da Universidade de Oxford e do laboratório AstraZeneca no dia 8 e 5,4 mil litros do princípio ativo da vacina chinesa CoronaVac. Com a matéria-prima, o Instituto Butantã deve fabricar mais 5 milhões de doses. Meu comentário:

sábado, 23 de janeiro de 2021

PGR pede ao STF que abra inquérito sobre crise na saúde em Manaus

 O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu hoje ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar se houve omissão do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, no colapso do sistema de saúde de Manaus, onde vários pacientes da doença do coronavírus de 2019 morreram por falta de oxigênio, noticiou o jornal Estado de São Paulo.

Desde 8 de janeiro, uma semana antes do colapso, o governo Jair Bolsonaro sabia da escassez de oxigênio na capital do Amazonas, mas só começou a entregar oxigênio em 12 de agosto. Dois dias depois, enviou 120 mil comprimidos de hidroxicloroquina, um medicamento inútil no combate à covid-19 apresentado como salvação por Bolsonaro e aliados.

Depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) declarou no domingo passado que a cloroquina e a hidroxicloroquina não servem para combater o coronavírus, o general Pazuello teve a cara de pau de dizer que nunca havia recomendado estes medicamentos. 

Na verdade, Pazuello foi nomeado ministro depois que dois médicos, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, deixaram o cargo por se negar a usar cloroquina e hidroxicloroquina contra a covid-19 como exigia Bolsonaro.

Os principais responsáveis, o presidente e o governador Wilson Lima, não serão investigados

Em resposta a uma declaração do consório Pfizer-BioNTech de que ofereceu vacinas ao Brasil, o governo Bolsonaro alegou que o contrato "causaria frustração em todos os brasileiros" porque o laboratório só entregaria 2 milhões de doses no primeiro trimestre, "número considerado insuficiente para o Brasil".

Faltam vacinas para a etapa inicial do Plano Nacional de Imunização, enquanto não começa a produção nacional na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantã. Os países ricos encomendaram vacinas a laboratórios diferentes. 

No Brasil, o governo federal fez negócio com o laboratório AstraZeneca, que desenvolveu uma vacina com a Universidade de Oxford; o governo de São Paulo comprou a vacina chinesa CoronaVac; e os estados da Bahia e do Paraná pretendem receber e fabricar aqui a vacina russa Sputnik-V.

O Brasil tem 14,8 milhões de pessoas entre as prioridades máximas: funcionários de saúde da linha de frente no combate à covid-19, idosos que vivem em asilos e casas geriátricas, os funcionários desses lares para idosos, os maiores de 80 anos, os indígenas, os quilombolas e os ribeirinhos. Cada pessoa precisa de duas doses e o país tem apenas 12,8 milhões de doses.

Se incluir as pessoas com comorbidades, quem tem 60 anos ou mais, os deficientes, as Forças Armadas, as forças de segurança, os trabalhadores na educação, na indústria e no setor de transportes, os moradores de rua e os presos, o total de "prioridades" chega a 77,2 milhões, 37% da população Brasil.

Neste sábado, foram notificadas mais 1.176 mortes e 60.980 casos novos. Até agora, o Brasil registrou 216.475 mortes e 8.816.113 casos confirmados da covid-19.

Mais de 70 milhões de doses foram aplicadas até agora no mundo, sendo 573 mil no Brasil. Cerca de 4,85 milhões de pessoas já receberam as duas doses necessárias à imunização contra o novo coronavírus.

No mundo inteiro, já são 98.701.470 casos confirmados e 2.118.808 mortes. Mais de 71 milhões de pacientes se recuperaram, mais de 25,5 milhões apresentam sintomas leves e 110.663 estão em estado grave.

Com mais 3.734 mortes e 192 mil casos novos no dia 22, os Estados Unidos chegaram a 25 milhões de casos confirmados, 7,6% da população, e 417.394 mortes. O presidente Joe Biden previu que o total de mortes deve passar de 600 mil.

Há um ano, Wuhan, na China, origem da pandemia, entrou em quarentena. Cerca de 11 milhões de pessoas foram confinadas. Durante 76 dias, só puderam sair de casa para comprar comida ou trabalhar em serviços essenciais. A China enfrenta hoje um novo surto na província de Hebei, mas conseguiu erradicar a doença em Wuhan, capital da província de Hubei.

Os países asiáticos, que tinham a experiência da epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em 2002-3, adotaram uma estratégia de erradicação do vírus, de combater todos os focos até acabar com a incidência da doença. Na Europa e na América, houve tentativas de mitigação da covid-19 que não deram certo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Brasil volta a ter mais de mil mortes por dia da covid-19

Enquanto o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, mantém o vaivém no plano nacional de imunização, ao dizer em ocasiões diferentes que a vacinação pode começar em dezembro, janeiro, fevereiro ou março, o Brasil registrou hoje 1.092 mortes e 69.826 casos novos da doença do coronavírus de 2019. Neste ritmo, o ano pode terminar com mais de 200 mil mortes.

Na guerra das vacinas, por 10 a 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a vacinação será obrigatória. Ninguém será forçado a tomar vacina, mas o certificado de imunização deve ser exigir para viajar, fazer concurso público, assistir a espetáculos e participar de determinados eventos.

O mundo registrou novos recordes de casos novos (725.870) e de mortes (13.559) num dia, na quarta-feira. 

O recorde de mortes nos Estados Unidos foi ainda pior do que anunciado antes: 3.611 mortes na quarta-feira. Hoje, foram pelo menos 3.293 mortes, com alta de 39% em duas semanas, e mais de 238 mil casos, uma alta de 18% em duas semanas.

A vacina da empresa de biotecnologia americana Moderna pode começar a ser aplicada na segunda-feira. O painel de cientistas da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), o órgão regulador dos EUA, recomendou a aprovação para uso emergencial.

A taxa de pobreza subiu para 11,7% da população dos EUA. São quase 39 milhões de pobres no país mais rico do mundo. Meu comentário:

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Brasil volta a registrar 900 mortes de covid-19 num dia

 Com 915 mortes e 44.489 casos novos notificados hoje, o Brasil chega a 182.854 óbitos e 6.974,258 casos confirmados da doença do coronavírus de 2019, de acordo com dados das secretarias estaduais de Saúde compilados por um consórcio de empresas jornalísticas. 

A média diária de mortes dos últimos sete dias ficou em 667, com alta de 25% em duas semanas. A média diária de casos novos dos últimos sete dias está em 42.620, com alta de 11% em duas semanas.

Sob pressão do Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério da Saúde anuncia que as vacinas chegarão aos estados cinco depois da aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e prevê que a vacinação dure de 12 a 16 meses, ou seja, até meados de 2022.

A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), órgão regulador dos Estados Unidos, deve aprovar ainda nesta semana a vacina da empresa de biotecnologia americana Moderna. O Dr. Anthony Fauci pede aos atuais e futuros presidentes e vice-presidentes que tomem a vacina em público para incentivar os americanos a fazer o mesmo.

A Agência Europeia de Medicamentos, órgão regulador da União Europeia, deve aprovar a vacina do laboratório americano Pfizer e da empresa de biotecnologia alemã BioNTech em 23 de dezembro.

Ao revisar os dados, a Espanha revela que 74 mil pessoas morreram de covid-19. O país tem a maior mortalidade do mundo por covid-19. A Alemanha e a Holanda adotam confinamento rigorosos até janeiro.

A produção industrial, as vendas no varejo, as exportações e o investimento em capital fixo crescem na China, num sinal de recuperação do país onde a pandemia começou.

Quase um mês e meio depois das eleições nos EUA, o presidente Jair Bolsonaro cumprimenta o presidente eleito, Joe Biden, mas não terá vida mansa com o futuro governo. Meu comentário;

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Bolsonaro nega na ONU responsabilidade por pandemia e queimadas

 Declaração voltada para seguidores não tem a menor credibilidade internacional

Em discurso previsível e sem qualquer novidade, o presidente Jair Bolsonaro rejeitou hoje, ao abrir a sessão de pronunciamentos de líderes nacionais na reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, a responsabilidade pelas maiores tragédias de seu governo: a morte de 138 mil brasileiros na pandemia do coronavírus de 2019 e as queimadas que destroem grandes áreas da Amazônia e do Pantanal. 

Bolsonaro culpou governadores e prefeitos pelo fracasso no combate à covid-19 e índios e caboclos pelas queimadas, absolvendo desmatadores, grileiros, mineiros e fazendeiros pela destruição da natureza.

Foi um discurso para o público interno. Mais uma vez, o presidente apelou para a mentira como arma política, pregando para convertidos. Nenhum estrangeiro deve ter sido convencido por suas alegações descoladas da realidade, do discurso de vítima de uma conspiração internacional contra a agricultura brasileira.

Leia mais em Quarentena News.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Brasil é o segundo país em número de mortes num dia pela covid-19

Com mais 610 mortes hoje, o Brasil é o segundo país em número de mortes por dia pela pandemia do novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos, que tiveram 1.992 óbitos em 24 horas e devem ter 3 mil mortes por dia no fim de maio ou início de junho. No Brasil, já são 9.190 mortes, sexto lugar no mundo, e mais de 135 mil casos confirmados, nono lugar no mundo. 

Ao lado de um grupo de empresários e ministros, o presidente Jair Bolsonaro atravessou a Praça dos Três Poderes e foi ao Supremo Tribunal Federal pressionar pela reabertura da economia. Mas não apresentou nenhum plano e foi aconselhado pelo presidente do Supremo, ministro Antônio Dias Toffoli, a coordenar as ações com governadores e prefeitos. 

O Brasil já perdeu 73 profissionais de saúde, mais do que a Itália e a Espanha juntas. A revista científica britânica The Lancet, uma das mais importantes publicações médicas do mundo aponta Bolsonaro como a “maior ameaça à luta contra a covid-19 no Brasil.

O que é necessário para reabrir a economia? Primeiro, testar em massa para mapear a transmissão do vírus, identificar os focos de infecção e isolar contaminados e quem teve contato com eles. 

Em segundo lugar, precisa haver uma queda consistente no número de novos casos durante duas semanas, o tempo de incubação da doença, para ter certeza de que a curva da contaminação está baixando. 

Em terceiro lugar, precisa ter mais gente recebendo alta, saindo dos hospitais, do que entrando, única maneira de garantir que vai haver tratamento para todos os doentes. O Brasil ainda está longe disso.

No mundo inteiro, o total de mortes pela pandemia do novo coronavírus passa de 3,9 milhão casos confirmados e de 270 mil mortes, com 1,343 milhão pacientes curados.

Os Estados Unidos têm quase 76 mil óbitos em pouco mais de 1,292 milhão de casos registrados. O Reino Unido é o segundo em número de mortes, 30.615 em 206.715 casos confirmados. 

A Itália está perto de 30 mil mortes em quase 216 mil casos. A Espanha tem quase 257 mil casos confirmados e pouco mais de 26 mil mortes. A França tem um pouco menos de 26 mil mortes em quase 175 mil casos. Meu comentário:

sábado, 18 de abril de 2020

Trump e Bolsonaro pregam desobediência civil contra confinamento

Enquanto o presidente Donald Trump defende a revolta de seus partidários nos Estados Unidos contra governadores do Partido Democrata que defendem o isolamento físico para combater a pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro fez hoje uma transmissão ao vivo para atacar prefeitos, governadores e o Supremo Tribunal Federal por serem contra a reabertura do comércio.

No mundo inteiro, o total de casos confirmados chegou a 2.331.956 casos confirmados, 160.767 mortes e 597.217 pacientes curados, letalidade de 6,9%. Dos casos encerrados, 79% dos doentes se recuperaram e 21% morreram.

Os EUA têm 738.913 casos confirmados e 39.015 mortes, mais do que o total de americanos mortos na Guerra da Coreia (1950-53), que foram 33.686. A mortalidade está em 5,28%. Desde ontem, no Twitter, Trump prega a revolta contra os governadores democratas de Minnesota, Michigan e Virgínia.

Depois de declarar no início da semana que tinha "todos os poderes" para decidir sobre a quarentena, Trump reconheceu que a competência é de estados e municípios. Na quinta-feira, o presidente americano apresentou um plano de três fases com as linhas gerais para a retomada da atividade econômica, que gostaria que aconteça em 1º de maio.

A maioria dos governadores reluta alegando que para isso seria necessário testar em massa para mapear a disseminação do vírus. Sem grande chance de sucesso pelas vias institucionais, Trump agora defende a desobediência civil.

Aqui no Brasil, já 36.925 casos confirmados e 2.372 mortes. Depois de demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, trocando-o por Nelson Teich, um cancerologista dedicado à medicina privada sem experiência em epidemiologia nem em saúde pública, Bolsonaro passou a atacar o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, e o STF, que estariam envolvidos numa conspiração para derrubá-lo.

Na Europa, o total de mortes na Espanha passou de 20 mil e está em 20.639 em 194.416 casos confirmados, mortalidade de 10,61%. A Itália tem menos casos registrados, 175.925, mas mais mortes, 23.227, letalidade de 13,2%.

A França ultrapassou 19 mil chegou a 19.323 mortes em 151.793 casos registrados, mortalidade de 12,73%, mas o número de hospitalizações caiu pelo quarto dia seguido e o de pacientes em terapia intensiva diminui há seis dias.

No Reino Unido, o total de mortes passou de 15 mil, chegando a 15.464 em 114.217 casos confirmados, letalidade de 13,54%, a maior do mundo.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

STF do Iraque anula plebiscito sobre a independência do Curdistão

O Supremo Tribunal Federal do Iraque considerou inconstitucional hoje o plebiscito sobre a independência do Curdistão realizado em 25 de setembro de 2017 na região autônoma curda no Norte do país, com 93% de votos a favor, noticiou o canal de notícias francês France 24.

O primeiro-secretário do governo regional curdo, Nechirvan Barzani, prometeu acatar a decisão da Justiça. Seu pai, Massoud Barzani, considerado o principal responsável pela realização do plebiscito, deixa o cargo de governador regional.

Além do governo central do Iraque, o Irã e a Turquia também repudiaram a realização o plebiscito. Um Curdistão independente iria reivindicar mais cedo ou mais tarde a soberania sobre as regiões de maioria curda nestes países.

Uma das missões do STF iraquiano é arbitrar os conflitos entre as regiões do país.

sábado, 1 de março de 2014

Barbosa tem todo o direito de ser candidato

Na ofensiva midiática do Partido do Trabalhadores para desmoralizar o Supremo Tribunal Federal (STF) e maquiar o Mensalão como julgamento político, o ex-porta-voz de Lula André Singer, professor da Universidade de São Paulo, diz hoje na Folha de S. Paulo que "não espantaria que o nome dele aparecesse na céula para presidente da República".

Ele é o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, convertido em inimigo número um dos petistas e corruptos por ter relatado o primeiro processo em que altos dirigentes políticos foram condenados por corrupção na história deste país. Por ironia, o primeiro ministro negro do Supremo virou alvo do "governo popular" por exercer seu cargo com a maior honradez e dignidade, não cedendo a chicanas de advogados, manobras protelatórias e tentativas de negar evidências.

O Brasil, ou pelo menos a maioria do povo brasileiro, reconhece o trabalho de Barbosa como honesto e correto, na busca da verdade e da punição dos responsáveis, sem floreios nem exageros de retórica que afastam o STF do cidadão comum. A presidente Dilma Rousseff mudou a composição do tribunal para absolver o partido do crime de quadrilha.

Algumas observações sobre o duelo em torno da Ação Penal 470 que deve marcar a campanha eleitoral:

1. Barbosa tem todo o direito de disputar a Presidência, especialmente depois que o governo petista mudou a composição do tribunal para não entrar para a história como o partido que virou quadrilha.
2. O resultado final mudou, mas ficará na história que um partido popular eleito prometendo acabar com a miséria e a corrupção torrou milhões de reais para comprar apoio político e se eternizar no poder, violentando a democracia brasileira.
3. A impressão é que José Genoino não enriqueceu, apenas assinou documentos com empréstimos forjados, mas a facilidade com que Delúbio Soares levantou dinheiro para pagar a conta é no mínimo suspeita. José Dirceu virou lobista de multinacionais. Tem mesa cativa no Cipriani, no Copacabana Palace, um dos restaurantes mais caros do país. Como chefão da (ex-)quadrilha, deveria ter pego a maior pena. É o mais sujo e o que mais pretexta inocência. E o fugitivo número um do PT, Henrique Pizzolato, ex-candidato a governador do Paraná e ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, posições importantíssimas comprou imóveis na Europa e teria milhões na Suíça e outros paraísos fiscais. Então, houve enriquecimento pessoal, sim.
4. A crítica de Barbosa ao empolado e pernóstico ministro Barroso foi perfeita. De que vale um discurso genérico e barroco contra a corrupção se no fim absolve os (ex-)quadrilheiros?

5. Se a presidente Dilma Rousseff tivesse um mínimo interesse em "regenerar os costumes políticos brasileiros", teria se livrado há muitos anos de seu amigo de juventude Fernando Pimentel, ex-ministro e candidato petista ao governo de Minas Gerais, que ganhou R$ 2 milhões com consultorais nunca prestadas quando era prefeito de Belo Horizonte. Escapou da "faxina".

6. Não há defesa para o PT nem para os intelectuais malandros que esgrimem argumentos para esconder o que todos sabem. Este é um governo corrupto e ladrão que não tem a menor intenção de corrigir seus comportamentos criminosos, que demite ministros, mas deixa as mesmas máfias partidárias tomando conta do galinheiro.

7. No dia em que a antiga cúpula petista era absolvida por formação de quadrilha, a ex-namorada de Lula e ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, foi denunciada formalmente por formação de quadrilha, um crime que persegue o PT.

8. Se a candidatura de Barbosa ajudar a derrotar o atual governo, ele terá cumprido um papel histórico pela segunda vez.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Marília Pêra quer censurar até entrevistas

Ao entrar no debate sobre o direito de biografados e seus parentes de censurar biografias não autorizadas, em artigo publicado hoje no jornal Folha de S. Paulo, a atriz, cantora e diretora Marília Pêra considera "golpe baixíssimo xingar de reacionário aquele que necessita preservar seus sentimentos, seus familiares e sua vida privada". Neste lógica, defende até a censura prévia de entrevistas.

Todo o mundo tem direito à privacidade, mas quem tem uma vida pública não pode evitar uma certa exposição de sua intimidade, que passa a ser de interesse público legítimo ou não. Numa sociedade democrática, este tipo de conflito e de contradição precisa ser resolvido na Justiça. Caso contrário, impõe-se uma censura prévia que viola o direito constitucional à liberdade de expressão.

O debate foi provocado por uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Associação Nacional de Editores de Livros (Anel) junto ao Supremo Tribunal Federal contra a decisão da Justiça que censurou a publicação de uma biografia do cantor e compositor Roberto Carlos com base em artigo do Código Civil que permite vetos do biografia e de seus parentes em nome da defesa da honra e também sob o argumento de que o biógrafo lucra com seu trabalho.

Em defesa de sua posição conservadora e reacionária, Marília Pêra alega: "Tive vários espetáculos censurados, fui presa, passei pels horrores que quase todas as pessoas envolvidas nessa polêmica sobre biografias passaram"- como se o fato de ser vítima de arbitrariedades no passado a colocasse numa redoma ou altar acima da lei e da Constituição, quando o princípio básico da democracia é que a lei deve ser igual para todos.

Seu argumento: "...a verdade depende de maneira que cada um de nós enxerga e sente um acontecimento". Cada um tem direito a sua própria versão de um fato, mas a verdade, às vezes inatingível por falta de provas ou testemunhos, é uma só. Não é à toa que ditadores de hoje e de sempre querem impor suas versões oficiais da História.

O público tem o direito de saber, e a melhor maneira de fazer isso é examinando as diferentes versões para que cada um possa chegar a suas próprias conclusões. Ficar numa versão única é se submeter à tirania das versões oficiais, própria de ditaduras.

Se a questão é realmente "preservar seus sentimentos, seus familiares, a vida privada", por que "um acordo financeiro que remunere aquela exposição deve ser tratado antes"? "Assim, não haverá perdedor", raciocina Pêra. Quer dizer que os sentimentos e a vida privada da família podem ser negociados num bom acerto financeiro?

"Já tive cenas, palavras e remunerações cortadas no produto final de um filme, de uma obra de televisão de entrevistas. Ficaram perdidas. Paciência!", escreveu Pêra.

Infelizmente, não basta ter paciência para acabar com a censura. É preciso defender vigorosamente a liberdade de expressão, o que Pêra, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Roberto Carlos, Erasmo Carlos e outros ídolos censurados nos anos 60 e 70, quando Caetano cantava "é proibido proibir", aparentemente esqueceram.

Marília chega a argumentar que, "numa simples entrevista para um órgão de divulgação, o apagar de algumas palavras ou a banal supressão da pergunta do entrevistador pode nublar o sentido de uma frase!"

Existem pessoas incompetentes e sem caráter em todas as profissões. O que ela quer, o direito de entrevistados censurarem entrevistas antes da publicação? Se houver má intenção, imperícia, imprudência, negligência ou incompetência do autor, o caminho para reparar danos numa sociedade democrática é ir à Justiça.

O argumento para repudiar uma legislação semelhante à dos países desenvolvidos, onde não existe censura prévia e quem se sentir incomodado recorre aos tribunais, é que a Justiça brasileira é lenta e as indenizações muito inferiores ao que seria necessário para coibir abusos.

Todos concordam que o Poder Judiciário precisa ser aperfeiçoado, mas não apenas para beneficiar uma pequena elite cultural e sim à sociedade como um todo. Esta é uma questão central no debate. As estrelas da MPB querem um direito de exceção para si mesmas, colocando-se acima da Constituição e do direito básico da democracia à liberdade de expressão.

"Pode ser muito doloroso ver publicadas verdades que não se adaptam à nossa, e ainda sem qualquer compensação financeira", insiste Marília, aumentando a confusão entre proteção à intimidade e ganho financeiro .

Afinal, o movimento Procure Saber, liderado pela ex-mulher de Caetano Veloso Paula Lavigne, quer preservar a privacidade ou faturar com as biografias?

Há muitos casos de acordo nos países desenvolvidos, inclusive porque a colaboração do biografado, seus parentes e amigos facilita muito a tarefa do biógrafo. Mas querer impedir a publicação de biografias não autorizadas tem um nome só, que precisa ser dito em alto e bom tom: É CENSURA - e verdadeiros artistas não podem aceitá-la, sob pena de traírem a criação. Afinal, escritores também são artistas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

AFP nota que nenhum réu do Mensalão está preso

Ao noticiar o julgamento no Supremo Tribunal Federal do escândalo político conhecido como Mensalão, em que membros do governo Lula e do Partido dos Trabalhadores são acusados de usar dinheiro ilícito para comprar apoio político no Congresso Nacional, a agência de notícias France Presse observou que nenhum dos 38 réus está preso.

Se o suposto operador do Mensalão, o mineiro Marcos Valério, tivesse sido preso, como aconteceria num país desenvolvido, teria aberto a boca e toda a prodridão da República teria sido revelada, mas, como disse a carta-testamento de Getúlio Vargas, forças poderosas continuam entravando o desenvolvimento do Brasil.

Para comparar, no Escândalo de Watergate, que levou ao impeachment do presidente Richard Nixon, nos Estados Unidos, em 1974, todos os ministros e altos funcionários denunciados criminalmente foram para a cadeia. Só Nixon escapou, indultado pelo sucessor, Gerald Ford.

Aqui, no Brasil, já se fala que haverá condenações, mas ninguém vai para a cadeia.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Itália deplora libertação de Battisti

A Itália reagiu negativamente à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil de rejeitar o pedido de extradição do terrorista Cesare Battisti e libertá-lo imediatamente. O governo italiano vai recorrer à Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, em Haia, na Holanda, alegando que o Brasil violou o direito internacional e o tratado de extradição firmado entre os dois países.

"É uma decisão deplorável", lamentou o presidente Giorgio Napolitano, dizendo que a decisão abala os longos laços de amizade.


O primeiro-ministro Silvio Berlusconi considerou "uma negação de justiça para suas vítimas".

Battisti foi condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana por quatro assassinatos quando militava no grupo de extrema esquerda Proletários Armados pelo Comunismo. Passou anos exilado na França, que rejeitou vários pedidos de extradição, e fugiu em 2004 para o Brasil, onde estava preso há quatro anos.

Para justificar a rejeição ao pedido, seus advogados alegaram que ele não matou ninguém. Teria sido incriminado por "delações premiadas" de companheiros presos. As suspeições relativas ao processo seriam a razão da rejeição francesa ao pedido de extradição.

Já o argumento usado pelo então ministro da Justiça do Brasil, Tarso Fernando Genro, hoje governador do Rio Grande do Sul, de que Battisti poderia sofrer perseguição política na Itália é falso e uma ofensa a um país democrático e amigo. Como de costume, o governo Lula usou dois pesos e duas medidas, beneficiando aliados de esquerda.

Os argumentos ouvidos ontem de ministros do STF de que estava em jogo a soberania nacional são patéticos. O que estava em questão era o tratado de extradição assinado pelos dois países. Há um precedente: a Itália não entregou o banqueiro Salvatore Cacciola, que tinha dupla cidadania.

Veja no jornal francês Courrier International as reações na Itália.