O Supremo Tribunal Federal do Iraque considerou inconstitucional hoje o plebiscito sobre a independência do Curdistão realizado em 25 de setembro de 2017 na região autônoma curda no Norte do país, com 93% de votos a favor, noticiou o canal de notícias francês France 24.
O primeiro-secretário do governo regional curdo, Nechirvan Barzani, prometeu acatar a decisão da Justiça. Seu pai, Massoud Barzani, considerado o principal responsável pela realização do plebiscito, deixa o cargo de governador regional.
Além do governo central do Iraque, o Irã e a Turquia também repudiaram a realização o plebiscito. Um Curdistão independente iria reivindicar mais cedo ou mais tarde a soberania sobre as regiões de maioria curda nestes países.
Uma das missões do STF iraquiano é arbitrar os conflitos entre as regiões do país.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 20 de novembro de 2017
terça-feira, 8 de agosto de 2017
Curdistão iraquiano deve aprovar independência em setembro
Os curdos do Iraque devem votar maciçamente pela independência num plebiscito convocado para 25 de setembro de 2017. A questão é como o presidente do governo regional autônomo do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, vai enfrentar a oposição dos árabes do Iraque e dos outros países do Oriente Médio.
A consulta popular não obriga Barzani a declarar independência. Ele deve usar o resultado para pressionar o governo central do Iraque, com sede em Bagdá, a transferir mais poderes aos curdos. Com uma população estimada entre 30 e 45 milhões de pessoas, os curdos são o maior povo do mundo sem um Estado nacional.
Até agora, Barzani conseguiu equilibrar as aspirações dos curdos pela independência com a geopolítica do Oriente Médio. Como os curdos estão distribuídos entre Turquia, Síria, Irã e Iraque, estes países têm um interesse comum contra a independência do Curdistão. O novo país tenderia a reivindicar soberania sobre as regiões dos países vizinhos onde os curdos são maioria.
O plebiscito complica as relações do governo curdo iraquiano com a Turquia, onde vive a maioria dos curdos. A prioridade turca na Síria é desmantelar as Unidades de Proteção Popular (YPG), braço armado dos separatistas curdos ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado terrorista pela Turquia.
Os guerrilheiros curdos do YPG formam o grosso das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança árabe-curda que luta contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Síria com o apoio da Força Aérea dos Estados Unidos.
A consulta popular não obriga Barzani a declarar independência. Ele deve usar o resultado para pressionar o governo central do Iraque, com sede em Bagdá, a transferir mais poderes aos curdos. Com uma população estimada entre 30 e 45 milhões de pessoas, os curdos são o maior povo do mundo sem um Estado nacional.
Até agora, Barzani conseguiu equilibrar as aspirações dos curdos pela independência com a geopolítica do Oriente Médio. Como os curdos estão distribuídos entre Turquia, Síria, Irã e Iraque, estes países têm um interesse comum contra a independência do Curdistão. O novo país tenderia a reivindicar soberania sobre as regiões dos países vizinhos onde os curdos são maioria.
O plebiscito complica as relações do governo curdo iraquiano com a Turquia, onde vive a maioria dos curdos. A prioridade turca na Síria é desmantelar as Unidades de Proteção Popular (YPG), braço armado dos separatistas curdos ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado terrorista pela Turquia.
Os guerrilheiros curdos do YPG formam o grosso das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança árabe-curda que luta contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Síria com o apoio da Força Aérea dos Estados Unidos.
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domingo, 26 de agosto de 2007
Líderes curdos, sunitas e xiitas anunciam acordo
Os principais líderes curdos, sunitas e xiitas do Iraque anunciaram neste domingo um acordo sobre leis consideradas essenciais para a reconciliação nacional do Iraque, enquanto o primeiro-ministro Nuri al-Maliki acusava altos funcionários dos Estados Unidos e da França que pediram sua demissão.
A Força Aérea dos EUA atacou alvos por todo o Iraque hoje. Em Bássora, no Sul do Iraque, milicianos xiitas ocuparam temporariamente um posto de controle que estava sob controle britânico e foi entregue aos iraquianos. Dezenas de milhares de xiitas começaram sua peregrinação anual à cidade sagrada de Carbalá, apesar do risco de violência.
Numa rara demonstração de unidade, o xiita Maliki, acusado de querer acertas contas do passado em vez de pensar no futuro do Iraque, apareceu na televisão ao lado do presidente Jalal Talabani, que é curdo; do vice-presidente Tarek al-Hachemi, sunita; do vice-presidente Adel Abdul Mehdi, xiita; e Massoud Barzani, presidente da semi-autônoma região do Curdistão.
Entre os acordos, há novas regras sobre a desbaathificação do país, permitindo que antigos membros do Partido Baath, do ditador executado Saddam Hussein, sejam militares ou funcionários públicos civis.
Maliki protestou contra os senadores democratas americanos Hillary Clinton e Carl Levin, e o ministro do Exterior francês, Bernard Kouchner, que pediram seu afastamento.
Numa democracia, afirmou o primeiro-ministro, só cabe aos iraquianos decidir quem vai governar o Iraque: "Hillary Clinton e Carl Levin são democratas. Devem respeitar a democracia. Falam do Iraque como se fosse sua propriedade."
Em seguida, Maliki criticou Kouchner: "Recebi recentemente o chanceler francês. Estávamos satisfeiros com ele. Esperávamos estar começando uma nova era, porque a França apoiava o antigo regime. De repente, somos surpreendidos com uma declaração do ministro que nada tem de diplomática, quando pede a troca do governo".
Kouchner disse em entrevista à revista americana Newsweek que "muita gente acredita que o primeiro-ministro deve ser mudado. Mas não sei se isto vai acontecer porque parece que o presidente Bush é muito ligado ao Maliki. Mas o governo não está funcionando".
A Força Aérea dos EUA atacou alvos por todo o Iraque hoje. Em Bássora, no Sul do Iraque, milicianos xiitas ocuparam temporariamente um posto de controle que estava sob controle britânico e foi entregue aos iraquianos. Dezenas de milhares de xiitas começaram sua peregrinação anual à cidade sagrada de Carbalá, apesar do risco de violência.
Numa rara demonstração de unidade, o xiita Maliki, acusado de querer acertas contas do passado em vez de pensar no futuro do Iraque, apareceu na televisão ao lado do presidente Jalal Talabani, que é curdo; do vice-presidente Tarek al-Hachemi, sunita; do vice-presidente Adel Abdul Mehdi, xiita; e Massoud Barzani, presidente da semi-autônoma região do Curdistão.
Entre os acordos, há novas regras sobre a desbaathificação do país, permitindo que antigos membros do Partido Baath, do ditador executado Saddam Hussein, sejam militares ou funcionários públicos civis.
Maliki protestou contra os senadores democratas americanos Hillary Clinton e Carl Levin, e o ministro do Exterior francês, Bernard Kouchner, que pediram seu afastamento.
Numa democracia, afirmou o primeiro-ministro, só cabe aos iraquianos decidir quem vai governar o Iraque: "Hillary Clinton e Carl Levin são democratas. Devem respeitar a democracia. Falam do Iraque como se fosse sua propriedade."
Em seguida, Maliki criticou Kouchner: "Recebi recentemente o chanceler francês. Estávamos satisfeiros com ele. Esperávamos estar começando uma nova era, porque a França apoiava o antigo regime. De repente, somos surpreendidos com uma declaração do ministro que nada tem de diplomática, quando pede a troca do governo".
Kouchner disse em entrevista à revista americana Newsweek que "muita gente acredita que o primeiro-ministro deve ser mudado. Mas não sei se isto vai acontecer porque parece que o presidente Bush é muito ligado ao Maliki. Mas o governo não está funcionando".
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