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domingo, 13 de outubro de 2019

Curdos fazem acordo e pedem proteção ao ditador da Síria

Diante da traição do presidente Donald Trump, que os deixou à mercê do Exército da Turquia, as Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda aliada dos Estados Unidos na guerra contra o Estado Islâmico, anunciaram hoje terem feito um acordo com o ditador da Síria, Bachar Assad, aliado da Rússia e do Irã, inimigos dos EUA, noticiou o jornal The Washington Post.

Os objetivos da invasão turca no Nordeste da Síria são evitar que os curdos sírios se unam aos do Iraque para proclamar a independência do Curdistão, que poderia reivindicar a soberania sobre o Sudeste da Turquia, criar uma "zona de segurança" de 500 por 32 quilômetros para assentar 3,666 milhões de refugiados sírios que estão na Turquia e acabar com o predomínio curdo na região.

Em Washington, o secretário da Defesa, Mark Esper, negou que os EUA tenham abandonado seus aliados, mas o presidente Donald Trump ordenou ontem à noite a retirada total de mil soldados americanos que patrulhavam a fronteira.

"Temos forças americanas que podem ficar entre dois exércitos que avançam. É uma situação insustentável", justificou o chefe do Pentágono. "Então, falei com o presidente ontem à noite, depois de discutir com o resto da equipe de segurança nacional, e o orientamos a começar uma retirada deliberada das forças do Norte da Síria."

É mais uma covardia de Trump. Ontem, a artilharia turca fez disparos contra uma base de forças de operações especiais dos EUA na cidade de Kobane. A Turquia negou que o alvo fosse o quartel dos americanos, mas oficiais dos EUA consideraram que foram "tiros de advertência" que caíram dos dois lados da base.

As forças do regime sírio e da Rússia estão em Kamichlié, considerada a capital da região curda na Síria, que fica no extreme leste da fronteira norte, a oeste do Rio Eufrates.

Desde a intervenção militar da Rússia na guerra civil da Síria em apoio a Assad, a partir de 30 de setembro de 2015, os EUA estão em contato com os russos para evitar qualquer incidente entre suas forças aéreas, mas o secretário Esper declarou que "não mantivemos contato de nenhuma forma para convidá-los nem para compartilhar com eles nossas visões sobre o Oriente Próximo."

Em Istambul, irritado com as críticas do Ocidente à invasão, o ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, atacou a Alemanha: "Ontem, no Parlamento alemão, o ministro do Exterior fez um discurso prometendo parar de vender armas à Turquia. Acabo de falar com a chanceler [primeira-ministra] Angela Merkel. Somos aliados na OTAN ou não? Ou a organização terrorista agora é sócia da OTAN?"

A regra básica da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, é que um ataque contra um é considerado um ataque contra todos. Erdogan acusa as milícias curdas da Síria, as Unidades de Proteção do Povo (YPG) de aliança com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que há 35 anos trava uma guerra de guerrilhas contra a Turquia.

Apesar dos protestos internacionais, Erdogan indicou que não pretende suspender a ofensiva antes de criar uma "zona de segurança" de 32 quilômetros de profundidade junto à fronteira. "Não vamos deixar um Estado terrorista se estabelecer no Nordeste da Síria."

Ao sair de seu campo de golfe no estado da Virgínia, Trump considerou "muito inteligente não estar envolvido no intenso combate ao longo da fronteira turca" e acusou "aqueles que erradamente nos levaram para guerras no Oriente Médio" de pressionar os EUA a continuarem no que chama de "guerras sem fim" na região.

Durante entrevista à televisão americana neste domingo, o ex-secretário da Defesa James Mattis, que pediu demissão em janeiro em protesto contra a intenção de Trump de abandonar os aliados curdos: "Podemos querer o fim da guerra. Podemos até mesmo declarar o fim da guerra. Podemos retirar nossas tropas, como o presidente Barack Obama aprendeu da maneira mais difícil no Iraque, mas, como dizemos entre os militares, 'o inimigo ganha os votos'. Neste caso, se não mantivermos a pressão, o Estado Islâmico vai ressurgir. É totalmente certo que vai voltar."

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Mais de 92% dos curdos do Iraque aprovam a independência

Mais de 92% dos curdos do Iraque aprovaram a independência do Curdistão no plebiscito realizado em 25 de setembro de 2017, anunciou hoje a comissão eleitoral da região semiautônoma. A consulta popular foi rejeitada pela Turquia, o Iraque e o Irã, que têm populações curdas, e os Estados Unidos.

Com população estimada em 30 e 45 milhões de habitantes, os curdos são a maior nação do mundo sem um Estado nacional. A luta pela independência dura mais de um século. Cerca de 72% dos 4,58 milhões de eleitores aptos a votar compareceram às urnas.

No fim da Primeira Guerra Mundial, os curdos receberam promessas de independência do Curdistão. Mas, quando o Reino Unido e a França dividiram o Oriente Médio com o fim do Império Otomano, o então subsecretário do Exterior britânico para a região, Winston Churchill, decidiu juntar a província de Kirkuk às províncias de Bagdá e Bássora para criar o Iraque. Queria um país forte capaz de se contrapor ao Irã.

O governo do Iraque enviou hoje soldados para ocupar as instalações de petróleo, inclusive de Kirkuk, uma região disputada entre árabes e curdos. A Turquia, onde vive a maioria dos curdos, de 15 a 20 milhões, mandou tropas para a fronteira entre os dois países.

Se o Curdistão iraquiano conquistar a independência, com certeza as regiões de maioria curda na Turquia, na Síria e no Irã vão querer aderir ao novo país. Seria um novo foco de conflito no Oriente Médio.

Na Síria, os curdos são a maioria das Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda financiada, armada e treinada pelos Estados Unidos para combater a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Com a independência do Curdistão iraquiano, os guerrilheiros curdos em ação na guerra civil síria poderiam querer juntar a faixa que dominam no Norte da Síria ao novo país.

Os guerrilheiros curdos sírios pertencem às YPG (Unidades de Proteção Popular), ligadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela independência da região curda na Turquia. Seriam alvo de uma retaliação da ditadura de Recep Tayyip Erdogan, que acabou com as negociações de paz com o PKK para ganhar eleições de 1º de novembro de 2015 depois de perder a maioria absoluta na Assembleia Nacional de 7 de junho do mesmo ano.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Curdistão iraquiano deve aprovar independência em setembro

Os curdos do Iraque devem votar maciçamente pela independência num plebiscito convocado para 25 de setembro de 2017. A questão é como o presidente do governo regional autônomo do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, vai enfrentar a oposição dos árabes do Iraque e dos outros países do Oriente Médio.

A consulta popular não obriga Barzani a declarar independência. Ele deve usar o resultado para pressionar o governo central do Iraque, com sede em Bagdá, a transferir mais poderes aos curdos. Com uma população estimada entre 30 e 45 milhões de pessoas, os curdos são o maior povo do mundo sem um Estado nacional.

Até agora, Barzani conseguiu equilibrar as aspirações dos curdos pela independência com a geopolítica do Oriente Médio. Como os curdos estão distribuídos entre Turquia, Síria, Irã e Iraque, estes países têm um interesse comum contra a independência do Curdistão. O novo país tenderia a reivindicar soberania sobre as regiões dos países vizinhos onde os curdos são maioria.

O plebiscito complica as relações do governo curdo iraquiano com a Turquia, onde vive a maioria dos curdos. A prioridade turca na Síria é desmantelar as Unidades de Proteção Popular (YPG), braço armado dos separatistas curdos ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado terrorista pela Turquia.

Os guerrilheiros curdos do YPG formam o grosso das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança árabe-curda que luta contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Síria com o apoio da Força Aérea dos Estados Unidos.

terça-feira, 9 de maio de 2017

EUA armam curdos para guerra contra o Estado Islâmico

O presidente Donald Trump aprovou planos para armar os guerrilheiros curdos da principal força terrestre que combate a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Síria. A decisão irrita a Turquia, que tem uma grande minoria curda e teme a criação de um Curdistão independente.

É a preparação da ofensiva para retomar Rakka, a capital do Estado Islâmico. A guerrilha curda YPG (Unidades de Proteção do Povo) é um grupo marxista-leninista ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que durante décadas travou uma luta armada contra o governo turco. Forma o núcleo das Forças Democráticas Sírias, que também têm árabes, a principal força terrestre aliada dos Estados Unidos.

Com a guinada autoritária do presidente Recep Tayyip Erdogan depois do fracassado golpe de Estado de 15 de julho e da negativa dos EUA de extraditar o clérigo Fetullah Gullen, que Erdogan culpa pelo golpe, a Turquia se aproximou da Rússia e do Irã.

Esses três países propõem a criação de zonas de segurança livres de combates, onde seriam assentados os refugiados sírios, mas o regime sírio se nega a ceder o controle e a Rússia se reserva o direito de continuar atacando o que chama de "grupos terroristas".

A guerra civil do PKK começou em 1984. Em 2013, o grupo declarou um cessar-fogo para negociar com o governo turco. Depois de perder a maioria absoluta na Assembleia Nacional nas eleições de 7 de junho de 2015, Erdogan decidiu reiniciar a guerra civil para recuperar o controle do parlamento.

Desde a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003, os curdos do Iraque têm autonomia regional. Se os curdos dominarem o Norte da Síria e o unirem ao Curdistão iraquiano, a Turquia teme a reivindicação de soberania sobre a região Sudeste do país, onde 90% da população são curdos.

A população curda é estimada hoje em 35 milhões de habitantes, dos quais 14,5 milhões estão na Turquia, 6 milhões no Iraque, 6 milhões no Irã e pouco menos de 2 milhões na Síria.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Turquia acusa EUA de armar PKK

O novo primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, afirmou hoje que as armas fornecidas pelos Estados Unidos a guerrilheiros curdos na guerra civil da Síria estão sendo desviadas para o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pelos curdos da Turquia, noticiou a agência Associated Press.

Yildirim declarou que um foguete descoberto em operações contra o PKK perto da fronteira com a Síria provam que as Unidades de Proteção Popular (YPG), grupo curdo sírio apoiado por Washington, estão entregando armas ao PKK.

Um porta-voz do Pentágono, o Departamento da Defesa dos EUA, rebateu as acusações alegando que as armas fornecidas às YPG não são destinadas ao PKK na Turquia e que os EUA não sabem de nenhum fluxo de armas ao PKK.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Turquia bombardeia milícia curda no Norte da Síria

A Turquia está bombardeando desde ontem posições ocupadas pela milícia curda Unidades de Proteção ao Povo (YPG) no Norte da Síria, noticiou a televisão pública britânica BBC, sob a alegação de que são ligadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

O presidente Recep Tayyip Erdogan rompeu as negociações de paz com o PKK para ganhar as últimas eleições parlamentares na Turquia e passou a bombardear o grupo.

Seu objetivo é impedir que os curdos ocupam a região do Norte da Síria e a unam ao governo autônomo do Curdistão iraquiano. Como a maioria dos cursos vive na Turquia, um Curdistão independente reivindicaria parte do Sudeste da Turquia.

As milícias curdas se negam a deixar o território conquistado no Norte da Síria, afirmando que neste caso a região será ocupada pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Até agora, os curdos foram a força terrestre mais efetiva no combate ao Estado Islâmico, que não é alvo dos bombardeios da Rússia nem da ofensiva da ditadura de Bachar Assad e seus aliados da Guarda Revolucionária do Irã e da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

Os ataques turcos aos curdos mostram como as ambições das diferentes potências regionais do Oriente Médio complicam as negociações sobre a paz na Síria. Em 12 de fevereiro, os Estados Unidos e a Rússia anunciaram uma trégua a ser iniciada em uma semana, mas deixaram de fora o Estado Islâmico e a Frente al-Nusra, braço armado da rede terrorista Al Caeda no conflito sírio.

A Rússia queria iniciar o cessar-fogo em 1º de março, o que daria tempo às forças leais ao regime para retomar Alepo, a cidade mais importante do país, e fortalecer sua posição de negociação. Em entrevista, Assad não manifestou a intenção de fazer quaisquer concessões. Prometeu reassumir o controle de todo o território da Síria e combater "terroristas", palavra que usa para todos os grupos rebeldes, embora o maior terrorista na guerra civil seja o próprio Assad.

No momento, a Rússia e Assad se concentram no ataque aos grupos rebeldes que participam das negociações, poupando o Estado Islâmico, com o claro objetivo de apresentar o conflito como uma luta entre o regime e os jihadistas. Durante anos, a ditadura síria foi aliada à rede terrorista Al Caeda na luta contra invasão americano no vizinho Iraque.